CULTURA
DA VIDEIRA
SALES, M.
MELO,
B.
Sumário
4.2.
Cultivares de uvas para mesa
4.3.
Cultivares de uvas para vinho e/ou suco
5.2.
Preparo do material para estaquia
5.3. Preparo
do material para enxertia
7.1. Sintomas
de deficiência e de excesso nutricional
7.2.2.
Adubações de cobertura na fase de crescimento
7.2.4.
Adubações de cobertura na fase produtiva
8.4. Aplicação
de reguladores de crescimento
8.4.2.Elongação
da ráquis e dos pedicelos
12.1.
Previsão de colheitas e produtividade
Em função de a uva tratar-se de fruta cultivada há séculos,
com mercados consolidados tanto para o consumo na forma de fruta fresca como na
forma de vinho, seu cultivo encontra-se espalhado por todos os continentes, mas
com nítida superioridade de países europeus, como Itália, França e Espanha.
Fora desse bloco, destacam-se os Estados Unidos e a Turquia. Já no Brasil os
estados que mais se destacam são, o Estado do Rio Grande do Sul, São Paulo,
Paraná, Santa Catarina e Na região do Trópico Semi-Árido do Brasil e, mais
especificamente, no Vale do Submédio São Francisco.
O cultivo de uvas para o consumo in natura adquiriu
relevância econômica no plano internacional no final da década de setenta,
quando o avanço nas tecnologias aplicadas à produção permitiu obter e
ofertar um produto de qualidade nos diferentes mercados consumidores,
favorecendo o incremento constante do consumo e exportação.
Os fatores técnico-econômicos de fundamental importância
para o desenvolvimento de uma viticultura economicamente viável para fins de
exportação são os seguintes:
Plantio de cultivares adaptadas às
condições climáticas e que tenham aceitação pelo mercado consumidor;
Técnicas culturais mais adequadas à(s) cultivar(es) explorada(s);
Avaliação precisa dos custos de implantação e produção, assim como
dos mercados consumidores;
Implantação de adequada
infra-estrutura para colheita e embalagem do produto, com conservação;
Frigorífica;
Disponibilidade de mão-de-obra
especializada;
Montagem e operação
de uma eficiente estrutura de comercialização;
Disponibilidade de
adequadas vias de acesso aos locais de embarque;
Acesso a linhas de crédito
para implantação dos vinhedos e construção de infra-estrutura de packing
house.
Um estudo minucioso de tais fatores é indispensável para
obter-se êxito com a produção de uvas para exportação. A inexistência ou
deficiência de um destes fatores, numa região que deseja desenvolver uma
viticultura tecnificada e rentável, compromete os futuros empreendimentos com
problemas não só técnicos, mas principalmente econômicos, pela falta de
rentabilidade do próprio processo produtivo.
Pretende-se, com este trabalho, ressaltar o desenvolvimento
de um processo produtivo que abranja todos os fatores associados à produção
de uvas para a exportação.
Segundo os geólogos, foi na era Cenozóica, que se
processou há 100 milhões de anos, no período Quaternário que o
homem começou alimentar-se de negros cachos de uvas. Hedric (1924)
menciona achados freqüentes de sementes de videira de permeio com vestígios
das populações pré-históricas e cujos frutos constituíram importante parte
do seu magro cardápio.
Provavelmente a atual Groenlândia e outras regiões hiperbóreas
são o centro paleontológico de origem da videira, isto é, foi nessas áreas
que se encontraram os fósseis mais antigos de plantas ancestrais das atuais
vides cultivadas.
Do mencionado centro, as videiras primitivas foram pouco a pouco ganhando
as terras meridionais, seguindo duas direções principais: uma Américo-asiática,
Outra euro-asiática. Deste último percurso é que se origina a Vitis
sezannensis, consagrada como a mais importante Vitis terciária, elo da evolução
para a Vitis vinifera – a videira da atualidade.
O clima possui forte
influência sobre a videira, sendo importante na definição das potencialidades
das regiões. Ele interage com os demais componentes do meio natural, em
particular com o solo, assim como com a cultivar e com as técnicas agronômicas
da videira.
As videiras européias (Vitis vinifera L.) são, na sua
maioria, muito sensíveis ao ataque de doenças fúngicas, cuja incidência está
estreitamente relacionada com as condições climáticas de temperatura,
precipitação e umidade relativa.
Em decorrência destes fatores, a viticultura disseminou-se
em regiões de clima árido ou semiárido, com média de precipitações
abaixo de 800 mm anuais, e que, além disto, apresentam durante o ciclo fenológico
temperaturas elevadas, baixa umidade relativa, pouca nebulosidade e alta insolação.
Temperatura do ar apresenta
diferentes efeitos sobre a videira, variáveis em função das diferentes fases
do ciclo vegetativo ou de repouso da planta, conforme exposto a seguir.
Aprecipitação pluviométrica é
um dos elementos meteorológicos mais importantes na viticultura. A videira é
uma cultura bastante resistente à seca. Para a videira influem não somente a
quantidade total de chuvas, mas também sua distribuição ao longo do ciclo
vegetativo. As chuvas de inverno têm pouca influência sobre a videira. É
importante que os solos apresentem disponibilidade hídrica adequada no período
de brotação das plantas. Durante a primavera, as chuvas são importantes para
o desenvolvimento da planta, porém, em excesso, podem favorecer o
desenvolvimento de algumas doenças fúngicas da parte aérea, bem como afetar
fases importantes da videira, como a floração e a frutificação, causando
baixo vingamento de frutos e desavinho.
A importância da umidade relativa do ar está diretamente
relacionada com o estado fitossanitário da cultura da videira. Quando a umidade
do ar é baixa, a maioria dos fungos não encontra um ambiente favorável para
se desenvolver. Com isto, obtêm-se uvas mais sadias, sem o uso excessivo de
defensivos.
A videira é uma planta exigente
em luz. O manejo do dossel vegetativo do vinhedo deve proporcionar uma boa
exposição foliar à radiação solar. Durante o período de maturação das
uvas a evolução do teor de açúcar é favorecido peça ocorrência de dias
ensolarados.
No período das chuvas, a ocorrência de ventos suaves é
benéfica, por facilitar a secagem das folhas, reduzindo a incidência do ataque
de fungos. Já os ventos fortes e constantes são, ao contrário, muito
prejudiciais, por dificultarem a condução das plantas e produzirem queimaduras
nas folhas e danos mecânicos nos frutos.
A viticultura é uma atividade bastante diversificada no
mundo e também no Brasil. A finalidade da exploração, a região de cultivo, o
solo e o clima predominantes influenciam diretamente na escolha das cultivares a
serem utilizadas.
A diversidade genética encontrada tanto dentro das espécies
do gênero Vittis como entre elas é grande, permitindo , quase sempre, a
escolha do material mais adequado, entre as centenas de cultivares existentes na
cultura. Esse número é ampliado ano a ano como resultado de diversos programas
de melhoramento no mundo.
Mais de uma dezena de porta-enxertos são utilizados na
viticultura das regiões temperadas do Brasil. Todavia, na escolha do
porta-enxerto também devem ser considerados fatores como a fertilidade do solo
e a susceptibilidade do porta-enxerto a doenças e pragas ocorrentes na região
ou local de plantio do vinhedo. Em certos casos a cultivar também pode ser
determinante na escolha do porta-enxerto. A pesar da disponibilidade razoável
de bons porta-enxertos, é preciso mencionar que cada um deles tem sua deficiência
intrínseca e só a experimentação regional pode determinar com regular precisão
qual é o melhor. Seja como for, a principal recomendação técnica é a de
nunca usar um único porta-enxerto em grandes áreas.
Tropical (IAC 313)
Originário do cruzamento entre Go/ia e Vitis
cinerea, herdou desta o desenvolvimento vegetativo contínuo, característico
das videiras de clima tropical. Daí ser um porta-enxerto muito vigoroso, com
perfeita adaptação às condições climáticas tropicais, com ramos que
lignificam tardiamente e dificilmente perdem as folhas. Adapta-se bem aos
diferentes tipos de solos com boa tolerância aos nematóides, e suas folhas são
resistentes às principais moléstias.
Obtido do cruzamento entre Vitis caribea e 101-14 (Vitis
riparia x Vitis rupestris). Porta-enxerto vigoroso, que se adapta bem
tanto em solos argilosos como em arenosos. Com ótimo enraizamento e pegamento,
apresenta folhas resistentes às principais moléstias.
Contudo esses porta-enxertos podem ser substituídos por
outros, que se apresentem resistentes a nematóides, embora menos vigorosos, mas
que concorrem para uma produção de maior qualidade, como: Dog Ridge, Salt
Creek, SO-4, R-99, Harmony.
1103 Paulsen
Este
porta-enxerto pertence ao grupo berlandieri x rupestris. Teve
grande difusão no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina nos últimos anos
porque apresenta tolerância à fusariose, doença comum nas zonas vitícolas da
Serra Gaúcha e do Vale do Rio do Peixe. É vigoroso, enraíza com facilidade e
apresenta boa pega de enxertia. Tem demonstrado boa afinidade geral com as
diversas cultivares. É o porta-enxerto mais propagado atualmente na região sul
do Brasil. Entre os viticultores também é conhecido como Piopeta ou Piopa.
Trata-se de uma variedade de V. rupestris, característica
pelo hábito de crescimento ereto, sendo, por isso, conhecido pelos agricultores
da Serra Gaúcha pelos nomes "Vassourinha", "Pinheirinho" ou
"Arboreto". É um porta-enxerto vigoroso, com sistema radicular
pivotante, adaptado a solos profundos. Apresenta fácil enraizamento, boa pega
de enxertia e induz alto vigor à copa.
SO4
Este porta-enxerto do grupo berlandieri x riparia
foi introduzido na década de 1970, sendo muito difundido no Rio Grande do Sul
nos anos subsequentes. Em geral confere desenvolvimento vigoroso e boas
produtividades à maioria das copas. Atualmente é muito pouco propagado devido
à alta sensibilidade à fusariose e a problemas de dessecamento do engaço, uma
anomalia verificada em certos anos, devido a desequilíbrio nutricional
envolvendo o balanço entre potássio, cálcio e magnésio. Estes problemas não
têm sido constatados na região de Livramento, onde o solo é profundo e bem
drenado.
Essa cultivar está apta a produzir, em plantios
comerciais, cachos volumosos com um peso médio de 500 g. Quando os cachos são
bem raleados, produzem bagos grandes, com película grossa de coloração
amarelo-âmbar, e sabor levemente moscato. Se for bem conduzida em sistema de
latada, a produtividade dessa cultivar chega a 40t por hectare em um ano
Em plantios comerciais, essa cultivar também pode produzir
cachos volumosos, com um peso médio de 450g, não sendo necessário um desbaste
muito rigoroso. Os bagos são grandes, de coloração rosa-avinhado, com película
grossa e sabor neutro, levemente ácido. Sua produtividade atinge até 40t por
hectare em um ano, quando a videira é bem conduzida em sistema de latada
É a principal uva americana utilizada para a produção de
vinho de mesa, sendo muito apreciada pelos consumidores devido ao intenso aroma
e sabor característico que confere ao vinho. Além de expressiva área
cultivada nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul e de Santa
Catarina, a Niágara Branca encontra-se difusa em pequenas áreas em várias
partes do sul do Brasil e, também, no Sul de Minas Gerais, onde é empregada na
elaboração de vinhos caseiros e, também, para consumo in natura. Niágara
Branca é uma cultivar fértil e bastante resistente às doenças fúngicas.
Pode ser plantada de pé-franco mas normalmente é enxertada.
Surgiu de uma mutação somática natural da Niágara Branca, no município
de Jundiaí, (SP), em 1933. Possui as mesmas características de Niágara
Branca, exceto a cor, mais atraente ao consumidor.

Apesar de todos os esforços para substituir esta cultivar
desde a década de 1930, a Isabel persiste com 50% da uva produzida no Rio
Grande do Sul e é a principal cultivar plantada em Santa Catarina. Origina
vinho típico, em anos chuvosos pouco coloridos, apreciado por uma faixa específica
de consumidores. O suco de Isabel é a base do suco brasileiro para exportação.
É uma cultivar de Vitis labrusca, muito bem adaptada às condições
climáticas do Sul do Brasil. Fornece produções abundantes em poda curta;
resistente ao oídio e às podridões do cacho, porém está sujeita a perdas
pela incidência de antracnose e de míldio. Normalmente é enxertada mas pode
ser plantada de pé-franco; vinhedos de pé-franco normalmente exigem um período
de formação mais longo mas atingem 80-100 anos com produções econômicas.

É um clone de Isabel, decorrente de mutação somática,
selecionado em 1993 num vinhedo comercial situado no município de Farroupilha.
Apresenta as características gerais da tradicional cultivar Isabel, entretanto,
tem a maturação antecipada em 35 dias. Foi avaliada na Embrapa Uva e Vinho e a
partir do ano 2000 começou a ser difundida como alternativa para a ampliação
do período de produção e processamento de uvas para vinhos tintos de mesa e
suco de uva. As condições para cultivo de Isabel Precoce são as mesmas da
cultivar original.
É a labrusca mais procurada para a elaboração de suco
pelas características de aroma e sabor que confere ao produto. Em geral é
cultivada de pé franco com bons resultados. É bastante produtiva quando em
poda longa. Apresenta alta resistência ao míldio e ao oídio, porém,
mostra-se um pouco sensível à antracnose, doença que pode causar perdas se não
for convenientemente controlada na fase inicial do crescimento vegetativo. A película
da uva é fina, por isso, bastante susceptível ao rachamento de bagas quando
ocorre tempo chuvoso na fase de maturação. Certos vinhedos apresentam
abortamento floral com prejuízos significativos. As causas deste problema ainda
não são conhecidas, podendo ser de ordem nutricional ou de origem fitossanitária.
Concord é cultivada principalmente nos três Estados do Sul, sendo também
conhecida como Francesa e Bergerac.
Uvas para vinho devem apresentar características que as
recomendem para esse uso, como boa produção, coloração agradável, sabor
vinoso, aroma típico. Por definição clássica, vinho é o produto da fermentação
dos frutos de Vitis vinifera. Entretanto, muitas cultivares de veníferas o híbridos,
apesar de aptidão razoável para determinado fim, acabam sendo utilizadas para
outros fins.
De origem francesa, é a principal vinífera tinta cultivada no Brasil
(RS). De grande vigor, as plantas produzem relativamente pouco. Os cachos são
alados, pequenos (70-150g). As bagas são pequenas, esféricas, pretas. Maturação
média a tardia. Ela exige um bom controle fitossanitário. Apesar de suas
fracas características agronômicas, o vinho produzido é de primeira
qualidade.
Produtora de vinhos muito populares no Brasil, é conhecida erroneamente
por esse nome. É originária da França (Meslier de Champagne), ao contrário
da original Riesling ( Renano), que é de Reno, na Alemanha. De cachos médios,
cônicos, compactos. Bagas pequenas a média, redonda, amarelo-esverdeadas.
Polpa deliqüescente, aromática.
Bordô
È o nome comum de cultivar Ives, de origem incerta, obtida por Henry
Ives. Também chamada de Folha de Figo, na região de Caldas, MG, é cultivada
em área considerável nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
De bom vigor e produtividade, apresenta alta resistência às doenças fúngicas.
Os cachos são pequenos (150g), cilíndricos, às vezes alado e medianamente
compacto. As bagas são pequenas (2
a 3g) , arredondadas, pretas, com polpa de textura fundente a média e sabor
foxado.
Seyve Villard 5276
Também
denominada Seyval, esta cultivar é uma híbrida complexa altamente produtiva e
que apresenta alto potencial de açúcar, normalmente atingindo mais de 20ºBrix.
Resiste ao míldio mas é sensível à antracnose, necessitando controle no início
do ciclo vegetativo. Também é sensível à filoxera galícola, às vezes
exigindo tratamentos para seu controle. Deve ser enxertada e exige adubações
abundantes para suportar as grandes produções sem perda significativa do vigor
e da longevidade. Origina vinho branco de mesa de muito boa qualidade. Durante
algum tempo foi comercializada no Rio Grande do Sul como uva fina, em geral como
Sauvignon ou como Riesling.
Os dados apresentados podem variar
significativamente de ano para ano e de local para local,
além da possibilidade de variações devidas ao sistema de
manejo
empregado no vinhedo.
Introduzida na década de 1970 pela Estação Experimental
de Caxias do Sul, foi difundida com relativa facilidade por ser muito rústica e
produtiva. O vinho é pouco ácido e neutro em sabor, podendo ser cortado com
outros vinhos comuns. É cultivada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina,
sendo que resultados de pesquisa a indicam como opção também para o Sul de
Minas Gerais. É uma cultivar resistente às doenças fúngicas, entretanto,
apresenta baixo potencial glucométrico.
4.4. Cultivares sem sementes
Dois mecanismos naturais dão origem ás cultivares de uvas
sem sementes, também chamadas de apirenos:partenocarpia e estenospermocarpia.
Mundialmente, o interesse por uvas sem sementes aumenta cada vez mais no
mercado consumidor de frutas. Entre as cultivares comercializadas estão:
Descendente de Niagara Branca com Sultanina. A planta é vigorasa,
apresenta ciclo curto e produtividade média. Os cachos são méidios e cilíndricos,
pesando em média 200-300 g, necessitando de desbaste de 20% das bagas; resistência
pequena a média ao transporte para a comercialização. Bagas trincante, forma
arredonda, sabor que lembra frutas tropicais; bagas carnosas, boa aderência ao
pedicelo. Essa variedade pode ser conduzida em espaldeira e latada, exigindo
poda média à longa ( quatro a oito gemas). Afinidade de enxertia normal para
Ripária do Traviú e IAC 766.
Thompson Seedless (Sultanina)
Esta cultivar é originária da Ásia Menor e foi cultivada
na Califórnia, pela primeira vez, por Wilson Thompson, há mais de 100 anos. È
conhecida por outros nomes, como Sultanina, Sultana ou Kishmish oval.
Seus cachos são grande, pesando em média 400-600g,
acentuadamente alados, cilindro-alongados, compactos. As bagas são uniformes,
de tamanho médio, pesando em média 4-6g, ovalalongadas, cor esverdeada ou
levemente dourada quando bem maduras, sem sementes, textura firme, sabor nobre.
São de maturação média. As plantas são muito vigorosas e produtivas,
devendo ser podadas em ramos bem longos (15 a20 gemas). Bem adaptadas a áreas
de intenso calor, são muito plantadas no deserto da Califórnia e Chile.
Há, pelo menos, 20 anos, a área plantada com Thompson
Seedless na Califórnia supera os 80.000ha.,dos quais cerca de 35.000 a 40.000 são
exploradas como uva de mesa.
Esta cultivar foi obtida, na Califórnia, por Olmo, em
1936, do cruzamento entre Regina dei Vigneti e Sultanina Marble. No Nordeste do
Brasil, as plantas dessa cultivar são de vigor mediano, produzindo em média 30
cachos por planta. Os cachos são de tamanho médio (250 a 350g), compactos, cônicos
e alados.
Os bagos são pequenos, arredondados e de coloração
verde-amarelada. A polpa é crocante e de sabor levemente moscato. Um tamanho de
18 mm de diâmetro, adequado para comercialização, é atingido com duas aplicações
de 20ppm de ácido giberélico.
Atinge uma produtividade média de 20 t por hectare em dois
ciclos por ano. A precocidade dessa cultivar é sua característica marcante.
Normalmente, a videira é propagada de forma vegetativa por
estaquia e enxertia.
As plantas destinadas ao fornecimento das estacas serão
selecionadas, a priori, de acordo com as seguintes características: crescimento
vigoroso, alta produtividade, bom aspecto sanitário (livres de doenças e de
pragas) e devem apresentar ramos bem lignificados e formados.
As estacas que se destinam ao plantio em viveiro ou
diretamente no campo são cortadas com 25-30 cm de comprimento e com duas a três
gemas.
O corte da base das estacas é feito sobre o nó; o do ápice
é feito três a quatro centímetros acima da gema superior, o que evita o
ressecamento da mesma. As gemas que ficarão enterradas são eliminadas, para
que haja maior absorção de água, facilitando o enraizamento e evitando a
emissão de ramos ladrões.
Os enxertos ou garfos são fragmentos de vara da cultivar
produtora que apresentam duas gemas. A extremidade superior é cortada reta, três
a quatro centímetros acima da gema, e a inferior é cortada em forma de cunha.
A seguir enrola-se o enxerto com fita plástica,
deixando-se somente as gemas e a cunha descobertas. A extremidade superior deve
ser bem protegida, para evitar-se o dessecamento do enxerto.
São fragmentos de vara da cultivar escolhida como
porta-enxerto. Medem em torno de 25
- 30 cm e possuem duas a três gemas. O corte inferior é feito bem junto ao nó
e o superior 6
- 8 cm acima da gema superior. As gemas são eliminadas para favorecer o
enraizamento e também para evitar que haja emissão de ramos ladrões.
As mudas de porta-enxertos são plantadas no campo e seus
ramos, em número de três, são conduzidos na vertical. Todas as brotações
secundárias são eliminadas, o que favorece o engrossamento dos ramos que serão
enxertados. Por ocasião da enxertia, cortam-se dois ramos a 20 cm do solo e
eliminam-se todas as folhas abaixo do corte.
A enxertia consiste na união do enxerto com o
porta-enxerto,já devidamente preparados. Na enxertia de garfagem de fenda
cheia, o enxertador deve observar a seguinte seqüência:
a) Cortar verticalmente a
estaca ou os ramos do porta-enxerto, abrindo uma fenda de dois a três centímetros,
sem atingira nó imediatamente abaixo do local do corte;
b) Introduzir nessa fenda o
enxerto com a extremidade inferior cortada em cunha;
c) Certificar-se do
estabelecimento de contato entre as cascas do enxerto e do porta-enxerto, ainda
que tal contato só ocorra de um lado. Neste caso, a gema do enxerto próxima à
cunha deve ficar voltada para o lado em que as cascas se unem;
d) Após a colocação do
enxerto na fenda do portaenxerto, fixaras mesmos com fita de plástico, para
evitar um possível deslocamento do enxerto, o que prejudicaria a enxertia.
Na enxertia de campo, pode-se utilizaras plantas de
porta-enxerto, com os ramos verdosos e material do enxerto em início de
lignificação pois, segundo observações feitas, a cicatrização se processa
com maior rapidez e de maneira mais uniforme, não se produzindo, aparentemente,
nenhuma necrose dos tecidos.
A operação de enxertia pode ser realizada em qualquer época
do ano; o crescimento da muda, entretanto, é menor no período mais frio, ou
seja, de meados de maio a agosto. Os processos de enxertia citados apresentam
alto índice de pega. Sugere-se, então, a enxertia de mesa por apresentar as
seguintes vantagens:
É possível não
só antecipar em três meses ou mais a primeira colheita, como tornar a formação
da muda mais econômica;
Através da seleção
das mudas que formarão o vinhedo, obtém-se maior homogeneidade da área;
Há a redução
na emissão de ramos ladrões provenientes do porta-enxerto;
É possível conseguir plantas vigorosas, semelhantes às
obtidas com a enxertia de campo.
O que se pretende com o cultivo da videira é produzir uvas
durante muitos anos, para isto é importante que o solo da área a ser
implantada seja bem preparado e que nele se façam previamente todas as
melhorias necessárias, antes da instalação dos sistemas de condução e
irrigação, e do plantio das mudas.
O vinhedo deverá ser localizado em área com topografia
apropriada para irrigação. Deve-se fazer um estudo criterioso das características
do solo com relação a textura, profundidade e fertilidade. Os solos que
apresentarem um perfil pouco profundo, com menos de um metro, devem ser
descartados para o cultivo de uvas, pois a videira não se adapta a solos mal
drenados e com lençol freático superficial.
As fileiras de plantio devem ser orientadas no mesmo
sentido dos ventos dominantes, pois as videiras se ressentem com fortes rajadas
de vento, que lhes são prejudiciais, não só por provocarem a quebra de ramos,
mas também por causarem danos físicos nos cachos, tornando-os impróprios para
a comercialização, por se apresentarem excessivamente manchados.
Na implantação de um vinhedo deve-se dispor de área
livre para instalação de quebra-ventos formados por espécies vegetais, tais
como eucalipto, leucena, bananeira e capim Cameron. Pode-se também, utilizar
como quebra-vento telas de nylon, com 70% de densidade, colocadas alto, na
vertical, do lado em que penetra o vento, em toda a extensão do vinhedo. Desse
modo, consegue-se evitar que os bagos sofram danos mecânicos causados pelo
vento, sob a forma de escoriações superficiais que desqualificam a uva no
processo de comercialização.
Limpeza da área
Deve-se eliminar do terreno toda a vegetação existente.
de forma a permitir o total aproveitamento do solo. Essa limpeza, que consiste
nas operações de desmatamento, roçagem e destocamento da área, deverá ser
realizada quatro meses antes da data prevista para o plantio, o que resultará
em tempo para a execução dos trabalhos subseqüentes de sistematização da área,
análise do solo, correção, instalação do sistema de irrigação, confecção
do sistema de condução e outros.
Sistematização da área
Conforme o método de irrigação a ser utilizado, o
nivelamento do terreno poderá ser aconselhável. Entretanto, a remoção de
solo deve ser mínima, para que não ocorra exposição do subsolo.
Logo após a limpeza do terreno, três meses antes do
plantio, coletam-se amostras de solo representativas da área onde será
implantado o vinhedo, num perfil com profundidade média de
35 cm. Tais amostras são enviadas a laboratório especializado em análise
de solo para averiguação das necessidades de calagem e fertilização do
terreno.
Na hipótese do laudo da análise de solo assinalar a
necessidade de cal agem, esta deverá ser feita de 30 à 60 dias antes do
plantio, procurando-se sempre colocar calcário suficiente para que o solo
atinja um pH em tomo de 6,0 - 6,5.
Após a distribuição do calcário é aconselhável a
operação de gradagem, a fim de incorporar o corretivo ao solo, seguida de uma
aração profunda, revolvendo-se uma camada de 20 a 40 cm. No caso de solo com
camada compacta e desunifom1e, pode-se utilizar com vantagens o subsolador, uma
vez concluída a aração.4
Por causa do pequeno espaçamento entre plantas nas linhas
dos vinhedos, recomenda-se a abertura de sulcos para adubação. Pode-se também
realizar a adubação por processo convencional de abertura de covas (40 x 40 x
40 cm). Os sulcos são abertos com uma profundidade mínima de 40 cm, e no
sentido das linhas de plantio.
O sistema de irrigação a ser utilizado, seja qual for,
deverá ser implantado antes de realizar a adubação básica. O trabalho de
instalação do sistema de irrigação é, em geral, realizado pela empresa que
fornece o equipamento.
A adubação básica deverá ser realizada de 15 a 30 dias
antes do plantio, de forma contínua, nos sulcos abertos para este fim.
Aconselha-se, inicialmente, o uso de esterco de caprino ou de bovino na base
de 20 litros por planta, para dar melhores condições físicas, químicas e
microbiológicas ao solo, o que irá favorecer a absorção dos nutrientes
minerais pelas plantas: Os nutrientes minerais fósforo e potássio serão
utilizados segundo as quantidades recomendadas no Quadro
1, de acordo com o resultado da análise.
|
Nutriente |
Fósforo (P-mg.dm-3) |
Potássio (cmolc.dm-3) |
||||
|
Quantidade no solo |
0-10 |
11-20 |
21-40 |
0-0,10 |
0,11-0,20 |
0,21-0,40 |
|
Quantidade a aplicar (g/planta) |
150 |
100 |
70 |
80 |
50 |
30 |
Após a adubação, fecham-se os sulcos, de maneira que
haja a incorporação dos adubos.
Na região do Submédio São Francisco, o sistema de
condução tradicionalmente adotado para a videira é a latada.
É aconselhável a construção de latadas com fileiras
medindo até 200 m, e tendo o mesmo comprimento dos lados, cobrindo uma área de
quatro hectares. Desse modo, facilitam-se as práticas de cultivo e reduzem-se
os custos de construção. Entre as latadas são abertas ruas suficientemente
largas para permitir a manobra de máquinas.
Deve ser definido antes de se traçar e construir a latada.
Para cultivares enxertadas sobre portaenxertos vigorosos, o espaçamento pode
ser de 3 x 3 m ou 4 x 2 m: para cultivares enxertadas em portaenxertos menos
vigorosos, pode ser de 3 x 2,5 m ou 3 x 2 m. As distâncias entre fileiras
inferiores a 3 metros não são aconselháveis, uma vez que dificultam os
trabalhos mecanizados.
Definida a distância de plantio e preparado o terreno,
esse pode ser demarcado da seguinte forma:
i.
Traçado das linhas principais: crava-se uma estaca num dos cantos em que
ficará a latada, a partir daí traça-se um ângulo reto para que a latada
fique devidamente retangular ou quadrada. Para formar o ângulo reto utiliza-se
uma corda marcada com as distâncias entre as fileiras; a 4ª
marca coincidirá com a estaca fixada no ponto A, conforme se vê na; a 8ª
marca deverá corresponder à estaca no ponto B, enquanto a 13ª se ajustará com a primeira em C. Prolongando-se os
lados AC e AB formam-se as linhas principais da latada.
ii.
Traçado das linhas de plantio: na linha lateral em que estão demarcadas as
distâncias entre as linhas, faz-se um outro ângulo reto, demarcando-se uma
nova linha de plantio (BD) paralela a primeira (AC).
iii.
Demarcação da área: com base nos dois ângulos retos que foram traçados na
área, demarca-se a linha A'B', cuja distância deve ser igual à da linha A'B',
comprovando que os ângulos foram bem traçados. Sobre a linha A'B' marca-se,
com piquetes, a distância entre as linhas de plantio, e a partir daí marcam-se
todas a linhas de plantio da área.
Completada a demarcação, faz-se a distribuição dos moirões
e das estacas na área, de modo a colocar um moirão em cada canto da latada e
estacas mais grossas em cada extremidade das linhas de plantio, enterradas num
ângulo de 60° com o solo. A cada poste corresponderá um esticador, destinado
a sustentar o peso da linha de plantas.
Uma vez assentados os postes, procede-se ao esticamento dos
arames. Começa-se pelos fios de nº 10 nas linhas de plantio, seguindo-se os
fios de nº 12, distribuídos perpendicularmente às linhas de plantio a cada 6
m, os quais sustentarão os fios de nº 14, que serão colocados a cada 0,50 m
nas entrelinhas. Ver o esquema apresentado na.
A latada deverá ficar bem esticada, a 2m de altura, pois
com o peso das frutas há sempre o risco de que fique muito baixa, tornando-se
inadequada à realização dos trabalhos mecanizados.
Fig. 11. Sistema de condução de latada
As mudas do porta-enxerto ou da produtora de pé-franco ou
enxertada poderão ser levadas para o campo com dois a três meses de idade,
desde que tenham sido bem protegidas do ataque de pragas e doenças.
Havendo disponibilidade de mudas, o plantio pode ser
efetuado em qualquer época do ano. No entanto, para minimizar os custos com
irrigação, aconselha-se o plantio no início da estação chuvosa (dezembro).
Covas
Devem ser de tamanho suficiente para acomodar o sistema
radicular da muda. São abertas no camalhão que se formou sobre a linha de
adubo depositado no fundo do sulco de adubação.
Antes de plantar a muda ou imediatamente após, enterrar um
tutor que conduzirá a brotação verticalmente até o arame do sistema de condução.
Imediatamente após o plantio, deve-se irrigar
abundantemente a área, de modo que o nível de umidade no solo chegue a
capacidade de campo (Cc). Essa primeira rega favorece o pegamento das mudas,
pelo fato de colocar suas raízes em contato com os nutrientes previamente
incorporados nos sulcos de adubação.
Durante a fase inicial de crescimento, que se completa na
primeira poda de frutificação, deve-se ter cuidados especiais com as pequenas
videiras, executando todas as práticas culturais necessárias ao bom
desenvolvimento da cultura. As práticas de poda de condução, amarração,
limpeza da área, combate à formiga, tratamentos fitossanitários e irrigação
devem ser realizadas dentro de um cronograma de trabalho para que as plantas
desenvolvam-se rapidamente, entrando em produção precocemente.
Após o plantio, conserva-se um Único ramo, que é
conduzido até a latada, amarrado convenientemente ao tutor, a fim de obter uma
planta de tronco bem ereto e evitar que se quebre pela ação do vento. Os ramos
ladrões que saem do portaenxerto e as brotações laterais são eliminadas
ainda novas, evitando-se desse modo a com petição com o ramo que está sendo
conduzido. Quando o ramo ultrapassar a latada de uns 30 cm, procede-se à sua
poda, deixando-se a gema imediatamente abaixo do sistema de condução. Quando
as gemas apicais do ramo podado brotarem, deixam-se apenas as duas Últimas
brotações, que darão origem aos braços primários.
A partir do plantio é indispensável conservar as fileiras
de plantas sempre limpas, para evitar que as mudas novas sejam abafadas pelas
ervas daninhas. Nas entre linhas utiliza-se a roçadeira ou enxada rotativa para
manter a vegetação rasteira ao solo.
Na fase inicial de desenvolvimento das videiras é muito
importante que se dê combate eficiente às formigas, pois se estas atacarem na
época de aparecimento das primeiras folhas, é praticamente inevitável a
perda das mudas. A melhor hora para localizar os caseiros e realizar seu
controle com um formicida adequado é a partir das 17 horas.
Na fase de crescimento das plantas é necessário proceder
ao controle preventivo das doenças passíveis de ocorrerem, sobretudo o oídio
durante o ano todo e o míldio no período chuvoso. Desse modo, as plantas podem
desenvolver-se sadias e com maior rapidez.
Irrigação
As regas deverão ser realizadas de acordo com o tipo de
solo e com o sistema de irrigação adotado. Na fase de desenvolvimento inicial
da cultura é muito importante que não haja limitação hídrica, o que
acarretaria sérios prejuízos ao crescimento e engrossamento da cepa, em conseqüência
dos entrenós muito curtos.
A produção de uvas de qualidade decorre, em grande parte,
da nutrição equilibrada das videiras. O equilíbrio é alcançado quando as
plantas recebem quantidades de nutrientes que atendem suficientemente às
necessidades nutricionais da cultura para vegetar e produzir de maneira satisfatória.
A nutrição da videira compreende uma série de processos
físicos, químicos, fisiológicos e biológicos, resultantes das interações
entre as plantas e o meio no qual estão estabelecidas.
Nas áreas de clima tropical, por exemplo, a videira dá
mostras de estar convenientemente nutrida quando após a colheita e durante o
período de maturação dos ramos sua folhagem e seus brotos terminais não
apresentam sintomas visuais de deficiência ou excesso de nutrientes.
Na videira, quando os elementos nutritivos nas folhas e nos
frutos estão presentes em quantidades abaixo ou muito acima do nível normal,
costumam manifestar-se anormalidades mais ou menos típicas que servem para
identificar a deficiência do nutriente que as origina.
Tratando-se, porém, dos nutrientes que são consumidos em
grande quantidade, como nitrogênio, fósforo e potássio, por exemplo, não é
recomendável esperar que apareçam os sintomas de deficiências para proceder
à fertilização, pois quando estes se manifestam, a produção das plantas e a
qualidade dos frutos já terão sido reduzidas substancialmente.
No caso dos micronutrientes, quando do aparecimento dos
primeiros sintomas, é possível ainda fazer-se as devidas correções na
fertilização das plantas, sem que haja um decréscimo significativo na
qualidade e na quantidade dos frutos. Entretanto, o mais aconselhável é
monitorar-se o vinhedo através de análises foliares, realizando as fertilizações
com os nutrientes necessários e em quantidades adequadas, evitando-se, desse
modo, o aparecimento de sintomas de deficiência ou excesso nutricional.
A falta desse elemento se manifesta inicialmente nas folhas
mais velhas, que se tornam amareladas. Com a evolução da deficiência, as
plantas apresentam um débil desenvolvimento, com o encurtamento dos entrenós,
brotações contorcidas e avermelhadas, baixo percentual de pegamento dos
frutos, resultando numa baixa produção, com cachos pequenos e desuniformes.
O excesso de adubação nitrogenada desequilibra a relação
carbono/nitrogênio, que regula todo o mecanismo da diferenciação e indução
das gemas florais, cuja conseqüência é a diminuição da fertilidade das
gemas.
A deficiência desse elemento está ligada a redução do
sistema radicular, ao retardamento no crescimento e à escassa lignificação
dos tecidos. Os sintomas aparecem primeiro nas folhas mais velhas, que ficam
opacas e de coloração verdeazulada, entretanto eles só se manifestam quando
realmente a deficiência é muito acentuada, o que geralmente não acontece no
campo.
A carência desse elemento interfere na síntese protéica,
causando a elevação na quantidade de aminoácidos livres; retarda a maturação,
e as plantas produzem cachos pequenos, duros, verdes e ácidos.
Os sintomas de deficiência de potássio manifestam-se
primeiramente nas folhas mais velhas, sob a forma de um amarelecimento
internerval em cultivares de uvas brancas, seguido de necrose da zona periférica
do limbo que vai progredindo para o interior no tecido internerval. Em
cultivares tintas, as folhas começam por apresentar uma coloração avinhada
entre as nervuras, seguindo-se pela necrose progressiva dos tecidos do limbo.
As causas de deficiência de potássio nas plantas estariam
associadas à adubação potássica deficiente, ao antagonismo N/K resultante de
um excesso de nitrogênio, à ocorrência de falhas no manejo da irrigação e
de danos no sistema radicular, assim como à menor capacidade de absorção do
potássio pelas diferentes cultivares.
A falta desse elemento afeta particularmente os pontos de
crescimento da raiz; nas folhas jovens a sua deficiência se manifesta por uma
clorose internerval e marginal, seguida da necrose das margens, mas também pode
provocar a morte dos ápices vegetativos.
As folhas velhas apresentam clorose internerval, enquanto
as nervuras permanecem totalmente verdes. Em cultivares de uvas brancas as
manchas cloróticas evoluem até a necrose dos tecidos do limbo; em cultivares
de uvas tintas as manchas adquirem coloração avinhada e também evoluem até a
necrose do tecido.
Quando a carência de magnésio é muito acentuada, sobrevém
o esgotamento geral das plantas. Nos cultivos irrigados, ela é bastante freqüente,
sendo, pois, necessário redobrar a atenção para os sintomas desse problema.
A carência desse nutriente dificilmente é encontrada na
videira, em virtude dos tratamentos fitossanitários contra o oídio, nos
quais o enxofre é utilizado como fungicida de contato, sendo então absorvido
pelas folhas na forma de S02.
Os sintomas de carência de ferro na videira manifestam-se
inicialmente nas folhas novas, como uma clorose internerval do limbo,
permanecendo um reticulado verde fino nas nervuras. Os sintomas evoluem para a
necrose da margem das folhas e queda prematura das mesmas. Excesso de cálcio
ativo no solo induz ao aparecimento do sintoma de deficiência de ferro, que
nesse caso é denominado de clorose férrica.
Em solos maldrenados, com problemas de encharcamento, a
redução do ferro para formas insolúveis é favorecida, tornando-o indisponível
para as plantas.
A carência desse elemento manifesta-se com a morte dos ápices
vegetativos, a diminuição dos entrenós, a emissão de feminelas e o
envassouramento. Nos cachos florais, ocorre excessivo abortamento das flores,
cuja conseqüência são os cachos muito raleados; a caliptra não se solta com
facilidade por ocasião da florada, permanecendo sobre o bago em
desenvolvimento. Pode sobrevir a necrose nos bagos, interna e externamente, além
do dessecamento parcial ou total dos cachos. O boro entra na formação da
parede celular, de modo a evitar o excessivo endurecimento da mesma. Em plantas
deficientes, há o rápido endurecimento da parede, o que não permite o aumento
normal no volume da célula.
Sob condições de pH elevado, excesso de matéria orgânica,
altos teores de P, Cu e Zn e períodos de seca, aparecem sintomas de deficiência
de manganês. Todavia, muito mais freqüente e mais severa que a deficiência é
a toxidez desse elemento em condições de solos ácidos das regiões tropicais
e subtropicais. Em solos maldrenados, com problemas de encharcamento, acontece
uma redução do manganês, que é liberado para a solução do solo em teores
considerados tóxicos para as videiras. Os sintomas de carência consistem em
uma clorose marginal e internerval não bem definida. A toxidez se manifesta com
necrose internerval, evoluindo para um dessecamento total e queda das folhas.
A carência desse elemento é detectada pelos seguintes
sintomas: folhas muito pequenas, manchas amarelas como mosaico, assimetria das
folhas, dentes muito agudos, alargamento ou fechamento do seio peciolar,
folhas muito lobadas, cachos pouco compactos, desenvolvimento de muitas
feminelas e entrenós curtos.
A deficiência do zinco está relacionada com pH elevado,
altos níveis de adubação fosfatada, solos encharcados e sem aeração.
Na videira não se verifica a carência de cobre. Ao contrário,
em algumas situações podem-se observar os danos causados pela presença
excessiva desse elemento, sob a forma de clorose das folhas e dos ramos novos
(pelo bloqueio do ferro), redução do desenvolvimento do sistema aéreo e
radicular, escassa germinação do pólen, resultando em baixa fertilização
das flores e uma queda muito grande de bagos. A toxidez provocada pelo cobre
decorre do acúmulo, no solo, de produtos contendo esse elemento, os quais são
utilizados no controle do míldio na videira.
Os demais micronutrientes, como molibdênio, cobalto e
cloro são úteis à videira em pequeníssimas quantidades. Não sendo
observadas carências, pois as necessidades das plantas em relação a esses
elementos são atendidas pelos teores existentes no solo.
A adubação de um vinhedo guarda estreita relação com o
tipo de solo no qual foi estabelecido. Em solos de baixa fertilidade, há a
necessidade de um maior aporte de nutrientes para suprir adequadamente as
plantas. Em solos mais férteis a quantidade de adubos utilizados pode ser
menor.
A adubação da videira deve ser levada a efeito, de modo
que não provoque um desequilíbrio nutricional nas plantas, principalmente no
que diz respeito aos macronutrientes. Como comentado anteriormente, o excesso de
nutrientes causa igualou maior dano às plantas que a sua carência.
Segundo Christensen e outros, citados por ALBUQUERQUE
(1996), o diagnóstico das necessidade nutricionais da videira realizado através
da análise de tecidos não só é muito eficaz como permite monitorar, quase
que precisamente, o aporte de adubos e o uso dos nutrientes pelo vinhedo.
Os tecidos utilizados para avaliação do estado
nutricional de um vinhedo são o limbo e/ou o pecíolo. Na Europa (França e Itália)
as análises são realizadas em duas épocas, na floração e no início do
amadurecimento dos bagos, utilizando para a análise os limbos e os pecíolos
juntos. Christensen e outros recomendam, nos Estados Unidos, a avaliação
unicamente dos pecíolos, os quais são coletados quando as plantas se encontram
em plena floração.
A amostragem de um vinhedo deve obedecer aos seguintes critérios:
a) A área a ser amostrada
deve estar localizada em solo, o mais homogêneo possível;
b) As plantas que compõem a
amostra devem apresentar o mesmo nível de vigor e de produção;
c) As plantas com
sinais visíveis de doenças deverão ser descartadas para a composição da
amostra.
Os pecíolos são coletados de plantas uniformemente
distribuídas no vinhedo a ser avaliado, sendo a amostra constituída por 80 a
100 pecíolos coletados, um por planta, da folha oposta ao cacho.
Os limbos devem ser descartados, preservando-se somente os
pecíolos. Caso a amostra não seja imediatamente
entregue ao laboratório, os pecíolos serão guardados em sacos de papel
aberto, em local seco e ventilado, para facilitar a secagem da amostra, e evitar
o problema de fungos.
A análise foliar também pode servir para
identificar a deficiência ou o excesso de nutrientes numa área problema. Nesse
caso, coletam-se os pecíolos das plantas portadoras de sintomas e os resultados
serão comparados com os de plantas do mesmo vinhedo que não apresentem sinal
algum de problemas nutricionais.
Com o objetivo de realizar-se uma adubação equilibrada.
sugere-se que, na fase de crescimento das plantas as adubações nitrogenadas
sejam parceladas em quatro aplicações de 25 g
por planta, a cada 45 dias nos solos arenosos, e duas de 50 g por planta,
a cada 90 dias nos solos argilosos, iniciando a primeira aplicação 30 dias após
o plantio e terminando na primeira poda de frutificação. O potássio e o fósforo
devem ser aplicados de uma só vez, na fase de crescimento, seis meses depois do
plantio. As doses são as recomendadas na Quadro 2.
6.2.3.
Adubações de fundação na fase produtiva
Após a primeira poda de frutificação, deve-se adubar o
vinhedo a cada ciclo vegetativo, utilizandose esterco, fósforo, potássio e
nitrogênio, de forma equilibrada, considerando sempre as necessidades da
cultura. O esterco e o fósforo são aplicados 20-25 dias antes de cada poda de
frutificação, em sulcos abertos alternadamente em cada lado da linha das
plantas.
Nos ciclos do primeiro ano de produção, os sulcos devem
ficar localizados a 50 cm de distância das plantas; no segundo ano, a 80 cm, e
do terceiro ano em diante, a 100 cm. Essas distâncias relacionam-se com o
crescimento do sistema radicular, que deve ser constante desde o momento em que
a muda começa a expandir as raízes até o total estabelecimento da planta,
quando as raízes deverão ocupar o máximo da área do solo que lhes é
destinada.
As adubações com nitrogênio e potássio são aplicadas
em cobertura no local onde existir maior umidade e o mais próximo do sistema
radicular, fazendo-se a seguir uma ligeira incorporação dos adubos.
As adubações nitrogenadas são parceladas em três
etapas: aplica-se 30% da dose total quando as brotações atingirem 15 cm de
comprimento, 30% na fase de chumbinho, e 40% logo após a colheita.
As adubações com potássio são parceladas em duas
etapas: 30% da dose total é aplicada na fase de chumbinho e 70% na fase de
amolecimento dos bagos.
As quantidades de nutrientes recomendadas acham-se
descritas na Quadro 2.
As quantidades de nutrientes poderão ser alteradas de
acordo com o monitoramento da cultura através de análises foliares.
As recomendações acima descritas são para adubação no
solo; no caso de utilizar-se fertilização através da água de irrigação,
haverá mudanças nas épocas e quantidades de nutrientes recomendados.
Por ser o sistema de fertirrigação altamente eficiente na
administração de nutrientes às plantas, normalmente a quantidade de produto
utilizado é bem menor.
É possível, com essas adubações, suprir parcialmente as
plantas não só de nitrogênio, magnésio e enxofre, mas principalmente dos
micronutrientes boro e zinco.
Na fase de crescimento, as adubações foliares são
efetuadas a cada 20 dias, com formulações comerciais, iniciando-se 10 dias após
a primeira adubação de cobertura, prosseguindo-se até a primeira poda de
frutificação.
Na fase produtiva, procede-se às adubações foliares de
acordo com as necessidades da cultura, normalmente determinadas por meio da análise
foliar. Com o uso de uma formulação comercial adequada à cultura da videira,
nas doses e épocas recomendadas pelo fabricante, raramente ocorrerão problemas
de deficiências nutricionais de micronutrientes.
Quadro 2. Adubação da videira (ALBUQUERQUE, 1996, adaptado).
|
Nutrientes
no solo |
Fase de Desenvolvimento |
|||||
|
Crescimento |
Produção (ciclo) |
|||||
|
|
|
1º |
2º |
3º |
4º |
5º |
|
Nitrogênio (não analisado) |
g de N / planta |
|||||
|
80 |
100 |
120 |
150 |
180 |
200 |
|
|
Fósforo (Mehlich - ppm P) |
g de P2O5 / planta |
|||||
|
0
– 10 |
100 |
70 |
70 |
70 |
100 |
120 |
|
11
– 20 |
80 |
50 |
50 |
50 |
100 |
90 |
|
21
– 30 |
40 |
30 |
30 |
30 |
60 |
70 |
|
Potássio
(Mehlich-meq.K/100ml) |
g de K2O / planta |
|||||
|
0- 0,10 |
80 |
80 |
100 |
120 |
150 |
200 |
|
0,11 - 0,20 |
60 |
60 |
80 |
100 |
120 |
160 |
|
0,21 - 0,40 |
40 |
40 |
60 |
80 |
90 |
120 |
As condições climáticas de temperatura e luminosidade
prevalecentes no trópico sem i-árido favorecem uma intensa atividade fisiológica
nas videiras, o que induz a uma precocidade de produção da cultura. A primeira
colheita é obtida a partir de 12 meses do plantio; e a partir da terceira
colheita a produção já atinge patamares comerciais.
Essa precocidade de produção, aliada à falta de um longo
período de repouso, torna indispensável a adoção de um manejo adequado da
cultura que preserve ao máximo a produtividade e a vida Útil das plantas. Para
o melhor aproveitamento do vinhedo é necessário dar adequada formação às
plantas jovens, realizar uma poda balanceada das plantas adultas e manter ainda
um controle equilibrado entre a vegetação e a produção, através de podas
verdes, desbaste de cachos e raleio de bagos.
A poda de formação é a que induz o adequado
desenvolvimento do tronco e dos braços primários e secundários nas plantas
ainda jovens.
Após o plantio das mudas na área do vinhedo, conduz-se um
ramo principal por planta, guiado por um tutor para que suba bem ereto até a
latada. Os ramos ladrões que saem do porta-enxerto e as brotações laterais são
eliminados quando ainda novos, evitando-se que venham a competir com o ramo
que está sendo conduzido.
Quando o ramo principal ultrapassar a latada em cerca de 30
cm, efetua-se a sua poda. preservando-se a gema situada imediatamente abaixo do
corte. O desabrochamento das duas gemas terminais. que em geral não é difícil,
dá origem a dois ramos que serão conduzidos no sentido da linha das plantas e
formarão seus braços primários (Fig. 14 B), os quais se estenderão por todo
o espaço que lhes é destinado. Sobre esses braços, a intervalos de 35 - 40
cm, formam-se os braços secundários na medida em que o espaçamento definido
permitir.
Um outro método de condução é aquele em que se utiliza
um único braço primário, direcionado a favor dos ventos dominantes.
Sobre os braços secundários, através de podas
sucessivas, formam-se as unidades de produção em torno de 2 a 3 por braço
secundário, separadas de 1520 cm uma da outra.
N o trópico, as plantas de videira caracterizam-se por
um contínuo crescimento, que as capacita a produzir duas a três safras por
ano. As cultivares de ciclos feno lógicos medianos produzem duas safras e meia
por ano, em decorrência desse hábito de crescimento.
É importante ter-se, entretanto, entre uma safra e outra,
um período de repouso de 20 a 30 dias, quando acontece a maturação dos ramos,
com a fase final da diferenciação das gemas (crescimento do cacho a nível
microscópio) e o acúmulo de hidratos de carbono. Para que tais atividades
fisiológicas se processem, é necessário que as videiras tenham uma folhagem
sadia, sem sintomas de deficiências nutricionais e ou doenças, o que permite
que as plantas continuem fotossintetizando ativamente, resultando num acúmulo
maior de substâncias de reserva.
É ainda nesse período que as plantas demonstram estar
equilibradas nutricionalmente, pois é quando aparecem nitidamente os sintomas
de carência ou excesso de nutrientes na folhagem.
Durante o período de repouso, é importante manter um
certo nível de umidade no solo, para evitar que as plantas sofram estresse hídrico.
Segundo Pereira & Paez, citados por ALBUQUERQUE (1996), a ocorrência de déficit
hídrico no período de repouso compromete a brotação e a produção das
videiras no ciclo seguinte. Como essa fase do ciclo fenológico da videira em
clima tropical tem sido muito pouco estudada, há aspectos associados aos
processos hormonais e metabólicos nela desenvolvidos que são praticamente
desconhecidos.
A poda de frutificação levada a efeito imediatamente após
o repouso permite que se regule a estrutura produtiva das plantas, facilitando a
obtenção de,colheitas satisfatórias e de excelente qualidade.
Através da poda de frutificação deixa-se em cada unidade
de produção, um esporão de duas gemas e uma vara com quatro ou mais gemas. A
finalidade do esporão é dar origem à vara e ao esporão da poda do ciclo
subseqüente; enquanto que a da vara é a produção de cachos.
O número de gemas por vara é determinado pelo vigor das
plantas e pela localização das gemas férteis; já a fertilidade das gemas,
isto é, a sua capacidade de emitir brotações com cachos está determinada
geneticamente em cada cultivar, sofrendo também influência externa das condições
climáticas no momento da diferenciação floral, bem como do estado nutricional
das plantas.
De modo geral, é recomendável deixar-se o menor número
de gemas possível por vara e que seja compatível com a cultivar trabalhada.
Pretende-se com essa recomendação minimizar os efeitos negativos da má brotação
das gemas que ocorre nas áreas de clima tropical.
No caso da cultivar Itália, deixa-se em torno de quatro a
oito gemas por vara, sendo que as gemas mais férteis estão localizadas da
sexta até a oitava. Na “Piratininga”, as gemas férteis localizam-se da
quarta à sexta, podendo-se realizar uma poda média com varas de quatro a seis
gemas.
As videiras desenvolvidas em regiões tropicais
caracterizam-se por apresentar um crescimento contínuo, no qual não ocorre
senescência e abscisão natural das folhas, ou seja, elas não mudam de coloração
e tampouco caem. Há, além disso, uma marcante dominância apical nas varas
deixadas pela poda, assim como uma tendência à produção de cachos muito
compactos, em conseqüência das temperaturas elevadas e da baixa umidade
relativa do ar, que favorecem a fecundação das flores.
Essas características naturais do desenvolvimento das
plantas podem ser modificadas pelo uso de reguladores de crescimento.
As gemas da videira, sob condições de clima tropical,
apresentam uma forte dominância apical, que é caracterizada pelo
desabrochamento mais vigoroso das gemas terminais das varas, resultando numa
brotação desuniforme e irregular da planta como um todo. Essa dominância está
supostamente relacionada com a produção e translocação de reguladores de
crescimento, tais como as auxinas.
As auxinas promoveriam o transporte de assimilados
diretamente para a região meristemática da gema apical, bloqueando a
disponibilidade dos nutrientes para as gemas laterais, e também agiriam
inibindo o desenvolvimento das conexões vasculares entre as gemas laterais e o
tecido vascular principal.
Para diminuir os efeitos da forte dominância apical nas
videiras, é conveniente utilizar alguns produtos químicos que forçam a brotação
rápida e uniforme das gemas.
Conforme pesquisas desenvolvidas na região do Submédio São
Francisco (Albuquerque e Albuquerque, citados por ALBUQUERQUE, 1996), os
produtos mais eficientes para equilibrar a brotação são: a cianamida
hidrogenada (H2CN2), o ethephon (ác. 2-cloroetilfosfônico)
e a calciocianamida (Ca CN2).
As condições semi-áridas tropicais, com baixa um idade
relativa do ar e temperaturas elevadas, favorecem a polinização e o pegamento
dos frutos. Além disso, parece diminuir o comprimento dos pedicelos, resultando
em cachos muito compactos, com bagos desuniformes e deformados, por estarem
comprimidos uns contra os outros.
Para aumentar os pedicelos, facilitando a operação do
raleio, pode-se aplicar 2 ppm de ácido giberélico em aspersão dirigida
exclusivamente para os cachos florais, quando estes medirem 6 cm ou menos de
comprimento. Esse tratamento deve ser realizado, de preferência, nas primeiras
horas da manhã, para evitar problemas de fitotoxidade nos cachos florais.
Em cultivares de uvas com semente, como a “Itália” e a
“Piratininga”, não se deve utilizar o ácido giberélico para aumentar o
tamanho dos bagos, por causa do efeito nocivo que o mesmo tem sobre a
fertilidade das gemas, diminuindo a produtividade do vinhedo.
A cultivar Piratininga e outras cultivares de bagos rosados
ou tintos apresentam, principalmente no período de clima quente, bagos de
coloração desuniforme, em virtude da formação deficiente de pigmentos antociânicos
que respondem pela coloração da película que envolve as uvas, É possível
corrigir esse problema pulverizando-se as plantas com uma solução de ethephon
a 200 ppm no início de maturação dos cachos.
A condução da parte aérea das plantas em produção
consta de um conjunto de práticas realizadas para melhorar o aspecto e a qual
idade dos cachos, bem como promover o equilíbrio entre a vegetação e a
frutificação. A condução da parte aérea é mais utilizada nas cultivares
para consumo “in natura”.
Logo após a poda, efetua-se a amarração das varas, não
apertando muito junto aos fios de arame, a fim de não prejudicar o seu
crescimento transversal. Quando as novas brotações atingirem 40 cm, em média,
devem ser amarradas, para que não se quebrem pela ação dos ventos, como também,
para que as folhas não fiquem sobrepostas, o que iria diminuir a taxa fotossintética
em relação a área foliar total das plantas. A amarração deve ser repetida
à medida que os ramos forem crescendo, mantendo-se sempre a planta bem
conduzida, o que evitará ramos caídos e emaranhados.
É a remoção dos ramos estéreis, quando atingirem a
faixa de 10 a 30 cm de comprimento, para não causar ferimentos e nem desequilíbrio
fisiológico nas plantas, proporcionando aos ramos remanescentes maior
crescimento. Devem-se eliminar os ramos que nascem do tronco, os que estão em
excesso e as brotações duplas ou triplas originadas de uma única gema.
O aparecimento de muitos ramos ladrões significa que o método de poda
adotado é incorreto e há necessidade de uma poda menos severa. São deixadas,
de modo geral, três brotações em cada vara.
As gavinhas devem ser eliminadas antes ou até a florada.
Os ramos devem ser despontados quando apresentarem de quinze a vinte folhas e já
tiverem ocupado o espaço a eles destinado. O objetivo dessas duas práticas é
acelerar a maturação das gemas basais, evitar a filagem ou o desavinho,
melhorar a fecundação das flores, induzir a melhor formação dos frutos e
equilibrar a vegetação.
Consiste no despontamento das feminelas ou ramos terciários,
deixando-se apenas uma ou duas folhinhas que auxiliam na assimilação de
nutrientes, tendo em vista a melhor formação dos frutos e das gemas frutíferas
do ciclo subsequente. O desnetamento deve ser feito até o início da floração.
Desfolhamento
Deve ser feito no período de crescimento do ramo, com o
propósito tanto de melhorar a ventilação e a insolação das videiras, como
de facilitar o controle das doenças que atacam os cachos. Não se deve tirar
mais de cinco folhas por ramo e. naquele que estiver com cacho, devem ser
deixadas acima deste, dez a dezoito tolhas. Essa prática, entretanto, pode ser
totalmente eliminada quando se faz o perfeito direcionamento e amarração dos
ramos.
Consiste na remoção de cachos florais, antes da floração,
e de cachos novos ou de parte deles, depois de os frutos se formarem.
Eliminam-se os cachos dos ramos mais débeis, com poucas folhas, doentes ou
abafados por excesso de ramos e folhas. O objetivo dessa operação é deixar a
frutificação bem distribuída, evitando-se o amontoamento de cachos em alguns
ramos e espaços vazios em outros.
Aumentando-se a relação entre as folhas e o número de
cachos, proporciona-se melhor nutrição aos cachos remanescentes.
Uma poda mais longa, na qual se deixa maior número de
varas com seis a oito gemas, e a aplicação de reguladores de crescimento
destinados a melhorar a brotação das varas podem aumentar efetivamente a
capacidade de produção da videira. Ademais, com o desbaste dos cachos, é possível
obter uma safra de qualidade, sem que as plantas sofram danos posteriores.
Os cachos provenientes dos netos devem ser eliminados,
tanto pelo fato de seu desenvolvimento estar atrasado como pela concorrência
que eles fazem aos cachos já formados. Resumindo, pode-se dizer que o tamanho
dos cachos está em função da superfície foliar das plantas e a relação
mais equilibrada é de um cacho para dois ramos.
A descompactação ou raleio dos bagos tem por objetivo dar
o melhor aspecto possível aos cachos, através da eliminação de um certo número
de botões florais ou, mais tarde, de bagos já formados em cada cacho, o que
permite o desenvolvimento adequado dos bagos remanescentes.
Winkler e outros, citados por ALBUQUERQUE (1996) comentam
que o raleio realizado na abertura das flores aumenta o volume dos bagos
remanescentes em 32%, e quando realizado 10 dias após, o aumento chega
somente a 18%. Evidenciando a importância da realização do raleio bem cedo.
se possível, antes da florada, ou no máximo, até o estádio de chumbinho
(bagos com três a quatro milímetros).
Sempre que o raleio é feito precocemente, é necessário
que se realize uma toalete nos cachos, quando os bagos se encontrarem no estádio
de azeitona. É importante salientar que o tempo dispendido com o raleio
precoce e a posterior toalete dos cachos é menor do que aquele dispendido com o
raleio realizado unicamente com tesoura no estádio de chumbinho.
O raleio precoce é bastante eficiente quando executado por
mão-de-obra competente e responsável. Esta deve ser selecionada e treinada
dentro da fazenda para que se conheça, previamente, a qualidade do trabalho que
será feito. Do contrário, podem sobrevir resultados totalmente desastrosos
para a empresa: cachos deformados e excessivamente raleados (banguelos).
A descompactação dos cachos na prefloração deve ser
evitada nos períodos chuvosos, em virtude do problema de abortamento de flores
e até mesmo de cachos, o que estaria possivelmente relacionado com a penetração
dos fungos: Botrytis eAlternaria. Recomenda-se, então, para esse período,
o raleio com tesoura na fase de ervilha (cinco a seis milímetros), quando o
cacho se torna mais resistente.
Os cachos são descompactados com a mão, dez dias antes da
data prevista para floração.
Os cachos são descompactados com uma escova de plástico
apropriada, dez dias antes da data provável da florada.
Os cachos são descompactados com a mão, logo após a
formação dos bagos, quando estes apresentam menos que três milímetros de diâmetro.
Raleio com tesoura
Os cachos são descompactados com tesoura apropriada,
quando os bagos atingirem cinco a seis milímetros de diâmetro.
Apesar de ser uma cultura que
emprega diversos recursos tecnológicos muitos produtores aplicam um insumo
considerado chave para o próximo milênio - água, sem nenhum critério, o que
torna necessário a presença da Universidade e de pesquisadores locais
imprescindíveis para realização de estudos e divulgação de resultados,
atendendo a carência de conhecimento em relação aos efeitos de diferentes
sistemas de irrigação na cultura da videira.
Esta,
por muito tempo era realizada através do método de sulco e hoje, na maioria
das áreas estão sendo empregados os métodos de aspersão sobre copa, no
entanto, muitos já estabeleceram seus parreirais com sistemas mais avançados
como a microspersão e outros mais tecnificados, empregam sistemas de
gotejamento.A área irrigada por microaspersão tem sido aumentada em função
da restrição hídrica regional, aliada à redução de custos operacionais. A
região, durante o período de inverno, tem sofrido com a escassez de água
causada pelo pequeno porte de seus córregos, devido em parte a ausência de
conservação do solo e de matas ciliares e isto tem gerado muita preocupação
aos agricultores quanto ao volume de água utilizado, além de inviabilizar o
aumento de área irrigada na região.
A água é essencial para o crescimento e desenvolvimento
de todas as partes da videira. No solo, afeta o crescimento do sistema radicular
no que diz respeito à direção do crescimento, ao grau de expansão lateral,
às ramificações e à profundidade de penetração das raízes, bem como à
relação entre a massa foliar e o sistema radicular. À medida que se reduz a
disponibilidade de água, diminui o crescimento do sistema radicular e da
parte aérea. Nesse caso, as raízes são, de modo geral, menos afetadas que as
brotações.
A primeira fase do ciclo vegetativo da videira
caracteriza-se pelo crescimento acelerado das brotações tenras. À medida que
escasseia a água no solo, a velocidade de crescimento decresce rapidamente, os
entrenós diminuem e a folhagem das pontas, de uma cor verde-amarelada, toma-se
verde-escura, semelhante ao das folhas maduras.
Os sintomas descritos permitem inferir sobre a
disponibilidade de água no solo, denunciando a necessidade de mais água no
vinhedo. Quando o déficit hídrico se prolonga, as folhas mais velhas adquirem
um tom amarelado e a margem do limbo desseca, tendendo a se enrolar. Finalmente,
as folhas mais próximas da base dos brotos secam e caem.
Uma redução repentina da água disponível no solo do
vinhedo produz o murchamento da folhagem e das partes tenras dos brotos, seguida
do amarelecimento e queda das folhas. Este tipo de murcha é comum quando as
temperaturas são elevadas, os ventos são fortes e a água disponível no solo
ocupado pelas raízes é escassa.
A produção vitícola é afetada pela redução da água
disponível para as plantas, porque essa restrição, além de diminuir o
tamanho potencial dos bagos e o comprimento e peso dos cachos, afeta também o
conteúdo de sólidos solúveis e de outros componentes.
A deficiência de umidade nos primeiros estádios de
desenvolvimento dos cachos reduz marcadamente o tamanho dos bagos, sem que este
possa se recuperar com irrigações posteriores. No entanto, desde que eles
tenham alcançado um tamanho satisfatório, uma redução moderada de água pode
ser favorável, ao diminuir a taxa de crescimento dos sarmentos e estimular a
acumulação de açúcares e pigmentação nos frutos.
A videira adapta-se igualmente bem aos métodos de irrigação
por superfície, por aspersão e localizada.
Dentre os métodos de irrigação por superfície, vale
destacar o sistema de rega por sulcos, em que se utiliza sulcos convencionais ou
sulcos curtos, fechados e nivelados. A derivação de água nesse sistema pode
ser feita por sifão ou por tubos janelados.
No caso da irrigação por aspersão, pode-se utilizar o
sistema de rega por aspersão 30bre copa de tipo móvel ou fixo.
Quanto à irrigação localizada, tanto o sistema de
gotejamento como o de microaspersão são viáveis.
A escolha entre os sistemas de irrigação citados vai
depender de uma série de fatores técnicos, econômicos e culturais associados
a condições específicas do vinhedo. Entre os fatores técnicos destacam-se os
seguintes:
I Recursos hídricos (potencial hídrico, situação topográfica,
qualidade e custo da água)
II Topografia;
III Solos (características morfológicas, retenção de água,
infiltração, características químicas e variabilidade espacial);
IV Clima (precipitação, vento e evapotranspiração
potencial);
V Culturas (sistemas e densidade de plantio, profundidade
efetiva do sistema radicular, altura das plantas, exigências agronômicas e
valor econômico);
VI Aspectos econômicos (custos iniciais, operacionais e de
manutenção
VII Fator humano (nível educacional, poder
aquisitivo, tradição, etc.).
De modo geral, os sistemas de irrigação por sulcos e por
gotejamento são indicados para solos argilo-arenosos e argilosos, enquanto os
sistemas por aspersão e por microaspersão mostram-se mais adequados para solos
arenosos e areno-argilosos.
O manejo de água está diretamente relacionado com o
sistema de irrigação selecionado. Nos sistemas de irrigação por sulco e por
aspersão, por exemplo, o nível de água disponível no solo deve ser mantido
acima de 50%. No caso da irrigação localizada, o nível de água disponível
no solo deve ser mantido entre 80 e 100%.
Recomenda-se, na irrigação localizada, que o manejo de água
seja monitorado por meio de tensiômetros instalados em pontos correspondentes a
50% da profundidade efetiva das raízes e imediatamente abaixo destas. A
proporção recomendada é de três a quatro estações de tensiômetros
instaladas numa parcela de solo uniforme e de tamanho não superior a dois
hectares. A partir dessa parcela monitora-se a irrigação das demais áreas da
propriedade que apresentem o mesmo tipo de solo.
As tensões de água no solo aceitáveis para o manejo das
regas dependem dos tipos de solos cultivados. Para solos arenosos, as tensões
podem variar entre 15 e 25 centibares; para os argilosos, podem alcançar de 40
a 60 centibares. As leituras dos tensiômetros servem, em ambos os casos, para
o ajustamento da lâmina ou do volume de água aplicado. Num solo cuja tensão
de água varie entre 15 e 25 centibares, por exemplo, deve-se reduzir em 10% o
tempo de rega quando a tensão permanecer abaixo de 15 centibares durante uma
semana de irrigação. Por outro lado, quando a tensão for superior a 25
centibares, deve-se aumentar o tempo de rega em 10%.
É igualmente recomendável acompanhar a flutuação do lençol
freático ao longo do tempo, através de poços de observação. Esses poços
podem ser instalados em malhas quadradas de 250
x 250 m ou de 500 x 500 m. As leituras do nível do lençol freático
feitas quinzenal ou mensalmente têm por finalidade identificar, em tempo hábil,
os pontos críticos da área cultivada. Sugere-se que a linha de saturação
seja mantida abaixo de um metro em relação à superfície do solo, para que em
nenhum momento prejudique o aprofundamento normal do sistema radicular das
videiras.
As videiras em clima úmido e quente são mais sujeitas a doenças
causadas por fungos. Assim o cultivo da videira requer uma série de medidas de
controle, sem o quais inviabilizaria-se o cultivo de certas variedades. Dentre
as principais, destacam-se:
Agente causal: Uncinula necator (SchW.) Burril (Oidium tuckeri Berk.). O
patógeno encontra-se disseminado por toda a zona vitícola e se desenvolve bem
em clima seco. A doença é favorecida pelo clima frio, pois o fungo se
desenvolve desde temperaturas de 7°C à sombra ou luz difusa; porém, exposta
à luz, perece. A doença se manifesta em toda a planta, sendo as partes verdes
e tenras as mais atacadas, causando prejuízos nos brotos, nas flores e nos
frutos.
Nas folhas novas, observa-se retraimento e murcha do limpo. As flores
atacadas caem e os frutos, quando em formação, paralisam o desenvolvimento e
ocorre rachadura, devido à alteração sofrida pela casca.
A principal medida de controle nos vinhedos comerciais é feita por meio
do uso de fungicidas, principalmente à base de enxofre, que é mundialmente
utilizado pelo seu baixo custo e elevada eficácia e fungicidas sistêmicos
,tais como benomil, tiofanato metilico, fenarimol e triadimefon (Celso Valdevino
Pommer). Em regiões de clima quente, não se recomenda empregar unicamente
fungicidas sistêmicos, devido ao aparecimento de raças resistentes a esses
produtos.
Agente causal: Elsinoe ampelina ( de Bary) Shear (Splhaceloma
ampelinum de Bary). O fungo dessa doença acha-se presente em todas as áreas
onde, durante a vegetação e a fruticação, ocorrem chuvas freqüentes, sendo
uma doença oriunda das condições úmidas, não exigindo grande temperatura
para se desenvolver, é praticamente desconhecida na viticultura do Nordeste
semi-árido. As variedades viníferas são mais suscetíveis que as americanas.
No início da brotação da videira, a antracnose é a
primeira doença a aparecer, atacando todos os órgãos verdes da planta,
preferencialmente os tecidos tenros. O fungo se desenvolve sobre as folhas e os
frutos. Nas folhas, forma mancha parda deprimida. As manchas podem, ao se
desenvolver, causar rupturas, desintegrando as folhas. Nos frutos, surgem
manchas pardas, arredondadas, denominado olho de passarinho, e eles chegam a se
fender e expor as sementes.
O controle, durante o inverno, é feito com calda sulfocálcica
a 32° Baumé. Utiliza-se 1L de calda para 8L de água. Durante a vegetação,
recomenda-se a aplicação de calda bordalesa ou outro preparado cúprico a cada
quinze ou vinte dias, Ziram, Zineb, óxido de cobre (Salim Simão et al. 1998).

Fig. 4. Sintoma de antracnose no ramo "cancros".
(Foto G. Nakashima).

Fig. 5. Bagas com sintomas de antracnose.
(Foto: G. Nakashima).
Agente causal: Plasmopara viticola (Berk & Curtis) Berl. & de
Toni. Esta doença é também conhecida como peronóspora, mufa ou mofo e causa
sérios prejuízos à viticultura, podendo a produção ser perdida totalmente
quando não forem efetuadas medidas de controle. Geralmente as variedades de
uvas européias ( Vitis vinifera L. ) são mais suscetíveis ao míldio que as
americanas e híbridas. É uma doença séria nas regiões úmidas e quentes.
O míldio
afeta todas as partes em desenvolvimento da videira. Nas folhas os primeiros
sintomas são um amarelo pálido, na face superior folha (mancha de óleo),e, na
face inferior, por florescência branca. São esporos do fungo que se disseminam
facilmente.
As folhas, as flores e os frutos secam quando o ataque é
intenso. Os frutos adquirem coloração cinza-azulada e mumificam-se. As
variedades viníferas são mais suscetíveis que as americanas.
O controle pode ser feito com calda bordalesa, ferbam,
carbendazin, Dithane M-45, Captan ou Zineb. A calda bordalesa é a que propicia
melhor vegetação e, conseqüentemente, melhor produção (Salim Simão et al.
1998).
Além das doenças descritas, GALLI et al. (1968) citam
ainda a podridão amarga (Melanconium fuligineum Cav) e a podridão da uva
madura (Glomerella cingulata Ston).
A primeira causa dano aos cachos já formados e nos
colhidos e armazenados. A doença, atingindo o engaço, dificulta a passagem da
seiva e as bagas enrugam-se. Quando a doença atinge a baga, esta toma coloração
parda, apodrece e cai. O sabor se torna amargo.
A podridão da uva pode ocorrer no pé ou durante o
armazenamento e a comercialização. Os sintomas são manchas pardo-avermelhadas
que chegam a recobrir o fruto todo, sobre as quais se notam pontuações
ligeiramente salientes.
Os frutos atacando desprendem-se com facilidade, não
apresentando, como no caso anterior, sabor amargo.
Recomenda-se, para o controle das duas doenças, o uso de
Maneb eZineb, Benomyl, Dithane M-48 (Salim Simão et al. 1998).

Fig. 1.
"Mancha de óleo" típica de míldio (Foto: G. Nakashima).

Parte de baixo da
folha com frutificação do fungo.
(Foto: G. Nakashima).

Sintoma
de míldio no cacho "grão preto".
(Foto:
G. Nakashima).
|
Princípio ativo |
Concentração |
Dose |
Ação do produto |
Eficácia |
Classe toxicológica |
|
Folpet |
50 |
90 |
Contato |
70 a 90 |
IV |
|
Oxicloreto de cobre |
50 |
137,5 |
Contato |
<70 |
IV |
|
Oxicloreto de cobre + Mancozeb |
20 + 20 |
60 + 60 |
Contato |
70 a 90 |
III |
|
Sulfato de cobre |
25 |
240 |
Contato |
70 a 90 |
IV |
|
Mancozeb |
80 |
240 |
Contato |
70 a 90 |
III |
|
Ditianon |
75 |
93.75 |
Contato |
>90 |
II |
|
Cymoxanil + Mancozeb |
8 + 64 |
20 + 160 |
Penetrante + Contato |
>90 |
III |
|
Metalaxil + Mancozeb |
8 + 64 |
24 + 192 |
Sistêmico + Contato |
>90 |
II |
Agente causal: Eutypa lata (Pers.:Fr) Tul. et c. Tul. Libertella
blepharis A. L. Smith). O
declínio da videira tem sido, nos últimos anos, a principal doença desta
cultura, em algumas regiões do município de Jundiaí (SP), principalmente
sobre a variedade Niagara.
Em condições de campo, o agente causal tem
desenvolvimento vagaroso, decorrendo 3 a 4 anos para a parreira atacada mostrar
os sintomas iniciais do declínio. Os pés doentes manifestam definhamento
progressivo que paulatinamente acaba pela morte da planta. O começo da doença
se dá em seguida à operação da poda geral e, ao sobrevir o abrolhamento, a
brotação nova vem muito desigual com os brotos sem uniformidade. As folhas se
formam anormalmente menores, com o broto crestado, o limbo tem coloração
amarela com áreas bronzeadas e nota-se logo ausência de florescimento. Grande
quantidade de brotos morrem e secam ao atingirem meio a um centímetro de
comprimento, assumindo coloração de palha. Estes aspectos constitui o primeiro
sinal visível da presença da infecção. Esta se dá através dos cortes e
ferimentos próprios da poda e, em sendo assim, a poda é a responsável pela
principal transmissão do declínio.
Para o controle deve arrancar e incinerar todas as videiras
doentes, bem como queimar a galharia e outros restos da poda. Antes desta operação,
efetuar um rigoroso tratamento de inverno, tal como se faz para combater a
antracnose;desinfetar com água sanitária todas as ferramentas utilizadas na
poda dos pés afetados pelo declínio; na formação de novas parreiras,
empregar estacas de cavalos e de garfo provindo de região onde não há o declínio
das videiras.
As viroses – doenças causadas por vírus – das
videiras assumem, na viticultura atual, uma das maiores ameaças, a ela impondo
prejuízos de considerável importância. Pela redução que determina à
produtividade (redução do número e do tamanho dos cachos); pela restrição
que ocasionam ao vigor e à longevidade das cepas alocadas.
Duas importantes viroses afligem, de longa data, a
viticultura mundial: o nó-curto (court-noué, roncer, fanleaf) e o enrolamento
da folha (enroulement, leaf roll).
O combate restringe-se a medidas preventivas: evitar o
emprego de material de propagação (estacas, bacelos, garfos) infectado. Já
que não se conhece, por enquanto, vetor algum do vírus, este passa das plantas
atacadas para a sadia por via vegetativa.
Embora nas cultivares viníferas esta virose cause sérios prejuízos, em
cultivares americanas ou híbridas, por apresentarem maior tolerância, os
efeitos negativos da doença são menos pronunciados, mesmo assim, podem causar
perdas consideráveis na produção, afetando, inclusive, o teor de sólidos solúveis
e a acidez titulável do mosto.
A doença do enrolamento da folha é causada por um complexo
de oito vírus (Grapevine leafroll-associated virus, GLRaV), embora cada
um dos vírus do complexo possa ocorrer de forma isolada. No Brasil, já foram
detectados os vírus GLRaV-1 e -3 e, mais recentemente, o GLRaV-2 em vinhedos
paulistas.
As videiras americanas e híbridas não mostram os sintomas
característicos da doença. Pode ser observado, em cultivares como
Niágara Branca, Niágara Rosada e Concord, leve enrolamento e, às
vezes, "queimadura" entre as nervuras principais, bem como redução
no desenvolvimento da planta. Na cultivar Isabel, a redução no crescimento é
o sintoma mais evidente. As cultivares de porta-enxertos não mostram qualquer
sintoma nas folhas quando infectadas pelo vírus, o que torna impossível a
distinção entre plantas sadias e doentes pela simples observação.

Sintomas característicos
da
virose do Enrolamento da folha em cultivar
Vinífera.
(Foto: G. Kuhn)
Agente causal:Phomopsis vitícola (Sacc.) Sacc. È uma doença importante
em regiões com excesso de chuvas, principalmente quando, após a brotação, a
planta permanece molhada por vários dias.
A escoriose se manifesta principalmente na base dos ramos do ano,
apresentando os seguintes sintomas: necroses fusiformes ou arredondadas escuras,
rachaduras e escoriações superficiais no córtex. No outono os ramos poderão
se tornar esbranquiçados a partir de sua base e conter pequenos pontos negros
que são os picnídios do fungo. Os ataques podem ocorrer nas nervuras
principais de folhas jovens, pecíolos e pedúnculo.
No limbo foliar, forma manchas arredondadas de 3 mm
a 15 mm de diâmetro, sendo escura no centro e amarela(cloróticas) na
periferia.
Os ramos de ano podem quebrar facilmente devido ao
intumescimento da sua inserção. Devido à morte das gemas basais a poda deve
ser realizada na parte mediana do ramo, que distancia muito a produção da
cepa, causando desequilíbrio da planta.
O controle é por meio do uso de material de propagação sadio, queima
dos restos de cultura e uso de fungicidas.No inverno, reduzir o inóculo pela
remoção e destruição dos ramos doentes e/ou tratamento com calda sulfocálcica
antes do inicio da brotação.
Na primavera, o controle deve ser realizado nos estádios
inicias da brotação, por ser a fase mais sensível da planta, é nesta época
que as condições climáticas são mais favoráveis ao patógeno. Sendo
recomendados tratamentos nos estádios 05 (ponta verde) e 09 (duas a três
folhas separadas).

Sintomas de
escoriose nos ramos.
(Foto: G. Nakashima).

Sintomas de
escoriose nas folhas.
(Foto: G. Nakashima).
A fusariose é uma doença vascular, provocando interrupção
na translocação da seiva. A doença reduz o crescimento de brotos, e provoca
escurecimento interno da madeira, murchamento de folhas e de cachos. Os cachos
murcham ainda verdes ficando aderidos aos ramos. As plantas infectadas podem
morrer subitamente, normalmente em reboleiras. Em outras plantas pode-se
verificar brotações no tronco, que também morrerão com a evolução da doença.
As medidas de controle são preventivas, pois o controle químico
não é eficaz. As medidas preventivas recomendadas são: plantar em áreas
livres da doença, adotar práticas que não provocam ferimentos ao sistema
radicular, escolher solos bem drenados para a instalação do vinhedo, usar
material de propagação sadio. Em áreas já contaminadas deve-se proceder ao
arranquio das plantas infectadas com o máximo possível de raízes e queimá-las,
aplicar cal virgem nas covas, evitar o uso de máquinas em áreas contaminadas e
depois em áreas de vinhedos sadios, controlar a erosão para evitar o
escoamento de águas superficiais de áreas contaminadas para áreas não
contaminadas. A principal medida de controle é a utilização de porta-enxertos
resistentes. O porta-enxerto Paulsen 1103 tem mostrado boa tolerância à
fusariose, enquanto o porta-enxerto So4 é muito suscetível; a cv. Isabel de pé
franco apresenta boa tolerância ao patógeno.

Sintoma de fusariose na região do
tronco da planta.
Corte transversal (Foto: L. Garrido).
Agente causal: Bactéria Xanthomonas campestris pv.
Viticola. Foi identificada pela primeira vez no Brasil em 1998, em vinhedos
do Submédio do Vale do São Francisco (PE e BA) e no Piauí. É atualmente, a
doença bacteriana da videira mais importante, especialmente na Região do Vale
do São Francisco, considerando a suscetibilidade das cultivares plantadas, a
natureza da doença, que pode ocorrer de forma sistêmica (infecta toda a
planta), e as condições climáticas favoráveis. Nas demais regiões vitícolas
do país, embora ainda não seja conhecida, a doença tem uma importância
potencial, visto que de modo geral as cultivares de Vitis vinifera são
suscetíveis. O patógeno é transmitido principalmente através do material
propagativo infectado e por meio de ferramentas utilizadas nas operações de
desbrota, poda, raleio de bagas e colheita.
Os sintomas ocorrem na folha com pequenas manchas angulares
escuras, circundadas ou não por um halo amarelado, distribuídas de forma
esparsa ou concentradas próximo às nervuras e bordas das folhas. Nas nervuras
e pecíolos podem aparecer manchas escuras, alongadas e irregulares. Nos ramos
verdes e em ramos maduros, ocorre a formação de cancros e rachaduras
longitudinais. No cacho, ocorrem fissuras e fendas necróticas no engaço e lesões
escuras ligeiramente arredondadas nas bagas. Em cachos já formados, após a
necrose da ráquis e de pedicelos, ocorre murcha das bagas. Os sintomas variam
em intensidade, dependendo da cultivar afetada. No Submédio do Vale do São
Francisco, a cultivar Red Globe e algumas cultivares sem sementes,
principalmente, aquelas originadas da cultivar Thompson Seedless, têm se
mostrado mais sensíveis, apresentando alta incidência em alguns parreirais.
Cultivares suscetíveis têm a produção reduzida e as plantas infectadas,
geralmente, produzem cachos com sintomas de cancro no engaço, o que torna a uva
de mesa sem valor comercial.
O controle mais eficiente da doença está na utilização de mudas e
material propagativo sadio, de modo a evitar introdução da doença na
propriedade. Especialmente em regiões onde a doença não é conhecida os
cuidados devem ser redobrados, evitando-se a introdução de material
propagativo das regiões onde a doença já foi detectada. Além do material
propagativo deve-se controlar também a introdução de uva, especialmente para
vinificação, pois a bactéria pode contaminar os cachos (pedúnculo, engaço),
os quais, após a eliminação da cantina são distribuídos como matéria orgânica
nos vinhedos, podendo transformar-se, assim, num meio de introdução e
disseminação da bactéria nos vinhedos. Em região de ocorrência do cancro
bacteriano, o manejo da doença deve ser feito, principalmente, no período
seco, época desfavorável à infecção. Entre as principais medidas podemos
citar a poda de ramos infectados, a poda drástica ou poda de recepa, a eliminação
de plantas com altos níveis de infecção, a desinfestação de tesouras e de
canivetes, a queima de restos de cultura, principalmente aqueles resultantes da
poda de ramos e de cachos infectados e da eliminação de plantas doentes. No
Brasil, ainda não há produtos registrados para o controle do cancro bacteriano
em videira. Entretanto, produtos à base de cobre têm sido utilizados em
pulverizações e pincelamentos.
Na avaliação da resistência de vários materiais de
videira ao cancro bacteriano, observou-se em condições de campo, que V. vinifera
foi altamente suscetível à doença, enquanto V. labrusca apresenta
certa resistência.

Sintomas
em ramos e folhas
causados pela
bactéria Xanthomonas campestris
pv. viticola.
(Foto: G. Kuhn).
A videira, à semelhança de outras culturas, é suscetível
ao ataque de vários insetos e ácaros. Até a presente data, entretanto, as
pragas não têm sido consideradas um fator limitante para a produção vitícola
no Vale do Submédio São Francisco, uma vez que vêm sendo eficientemente
controladas com o uso de agroquímicos.
As cochonilhas são insetos, de modo genérico, reconhecíveis
porque vivem grudados ao caule, tronco, sarmentos e bacelos das parreira, que
danificam as plantas através da sucção de seiva, cobertos por escudo ceroso,
às vezes duro e resistente, outras vezes mais facilmente atacáveis por remédio.
Provocam fitotoxicidade devido à injeção de enzimas digestivas, depositam
excreções açucaradas nas folhas, resultando no aparecimento da fumagina e, às
vezes, são responsáveis pela transmissão de agentes patogênicos. Como medida
de controle, recomenda-se a poda de inverno que ajuda a eliminar o inseto dos
ramos infestados. Após a poda, deve-se pincelar com sulfato de ferrro a 30% ou,
mais adotado atualmente, pulverizaçõe antes do inchamento das gemas, quer com
calda sulfocálcia a 38 Baumé (1 litro de calda + 8 de água), quer com
pulverizações de dinitro-ortocresol (Rafatox, Selinon, EK 54), a 1% em água,
ou ainda, com mistura de ½ litros de Dinoseb( Gebutox) + 2 litros de óleo
mineral miscível + 100 litros de água (Julio Seabra Inglez de Souza et
al.1996). Associam 1% de óleo mineral ou vegetal para auxiliar na ação dos
inseticidas, porém, dependendo dos cultivares, como a Concord, pode ocorrer
fitotoxicidade, sendo necessário utilizar menores concentrações.É importante
que o controle seja direcionado à fase de ninfa, que geralmente ocorre no início
da brotação, visto que quando a fêmea está completamente desenvolvida, os
inseticidas não atingem os ovos mantidos sob a carapaça, reduzindo a eficiência
do tratamento. Além disso, o período de alimentação do inseto é maior,
aumentando os danos à planta. As espécies descritas a seguir são importantes
em vinhedos da região Sul do Brasil.
Parthenolecanium
persicae (Fabricius, 1776) (Hemiptera: Coccidae): : A cochonilha-parda
apresenta uma geração por ano, reproduzindo-se
por partenogênese no período de outubroa de zembro.

Cochonilha-parda em ramos de videira.
(Foto: M. Botton)

Cochonilha-parda em ramos de videira.
(Foto: M. Botton)
Cochonilha-do-tronco
Hemiberlesia lataniae (Signoret, 1869), Duplaspidiotus tesseratus (Charmoy,
1899) e D. fossor (Newstead, 1914) (Hemiptera: Diaspididae): As
cochonilhas-do-tronco estão freqüentemente associadas aos vinhedos,
principalmente da cultivar Niágara, sendo muito semelhantes entre si.

Cochonilha-do-tronco.
(Foto:
M. Botton)
Cigarrinha-das-fruteiras
Aethalion reticulatum (L., 1767) (Hemiptera: Aetalionidae): Como este
inseto apresenta hábito gregário, as ninfas (Figura 8) são facilmente destruídas
manualmente, o que pode ser feito no momento da poda de inverno.

Cigarrinha-das-fruteiras
em ramo de videira.
(Foto: M. Botton).
Os ácaros que atacam a videira têm sido mais prejudiciais
às cultivares viníferas produzidas em regiões tropicais, onde o clima é
seco, favorecendo a multiplicação. A espécie que mais destaca é o ácaro
branco.
Ácaro branco
Polyphagotarsonemus latus
(Banks, 1904) (Acari: Tarsonemidae): O ácaro branco é uma praga polífaga,
sendo que na cultura da videira o ataque resulta num encurtamento dos ramos
devido a alimentação contínua nas folhas novas. Nas situações de elevada
infestação, o controle deve ser realizado com acaricidas específicos. Em
baixas infestações, pode ser empregado o enxofre, direcionando-se o tratamento
às brotações novas. Entretanto, o uso do enxofre pode causar fitotoxicidade
em cultivares americanas.
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Dano
do ácaro branco em ramos de videira.
(Foto: M. Botton).
A mosca-das-frutas tem sido relatada danificando
principalmente uvas de mesa, embora em vinhedos destinados ao processamento os
danos ainda não tenham sido avaliados. Suas larvas vermiformes e sem pernas
causam destruição parcial da polpa, determinando seu posterior apodrecimento.
Das moscas de frutas, a que mais comumente estraga a uva é Ceratitis capitata
Wiedl, internacionalmente conhecida como mosca do Mediterrâneo; tem
aproximadamente o tamanho das moscas caseiras, de coloração amarelada-marrom,
com tórax pintado de preto e branco e asas desenhadas mosaicos.
O melhor combate consiste em tratamentos atrativos
envenenados (iscas) ou seja, pulverizações com solução de Malathion ou
Fenthion + melaço. Outra receita é dimethoate (Cygon, Fentron, Roxion);
vercaptothion (Avigard, Chemthion, Datathion, Extermathion, Maladrex, Malasol,
Malathion) ou trichlorfon (Danex, Dipterex) + um atrativo que pode ser açúcar
ou proteína de peixe solúvel (cheiro forte que chama as moscas para a isca
mortal) + água (Julio Seabra Inglez de Souza et al. 1996). Exemplo: 300g de
dimethoate 20% pó solúvel + 600g de proteína de peixe solúvel +100 litros de
água. Aplicar 50 litros/há.
Além destes remédios, que são eficiente, há ainda as
armadilhas à base de metil-eugenol, que atraem os machos das moscas e que, uma
vez aprisionados, são facilmente liquidados.

Mosca-das-frutas fêmea (esquerda) e macho (direita).
(Foto: E. Hickel).
A Filoxera ( Phylloxera vitifoliae) é um inseto sulgador
de menos de 2 milímetro de comprimento, dificilmente perceptível a olho nu,
munido de um bico com o qual suga a seiva das folhas e raízes, da videira para
a sua alimentação. Para o controle desta praga, não existem inseticidas que
possam ser empregados de forma econômica para o controle do inseto nas raízes.
O emprego de inseticidas neonicotinóides auxilia na redução de infestações
no sistema radicular, porém, de forma isolada, não são eficientes para evitar
que ocorram prejuízos à cultura, além da possibilidade de selecionar populações
resistentes. A maneira mais eficiente para evitar os danos do inseto é através
do emprego de porta-enxertos resistentes. De modo geral, todos os porta-enxertos
empregados na região de clima temperado são resistentes.

Nodosidades
causadas pela filoxera em raízes de videira.
(Foto: M. Botton).

Galhas da
filoxera em folhas de porta-enxerto.
(Foto: M. Botton).
A Pérola-da terra, Eurhizococcus brasiliensis (Hempel,
1922) (Hemiptera: Margarodidae) A pérola-da-terra
é uma cochonilha subterrânea que ataca as raízes de plantas cultivadas
e silvestres. O inseto é considerado a principal praga da videira sendo responsável
pelo abandono da cultura em várias localidades devido as dificuldades de
controle. A sucção da seiva efetuada pelo inseto nas raízes provoca um
definhamento progressivo da videira, com redução na produção e conseqüente
morte das plantas.
Para prevenir sua introdução em áreas indenes,
sugerem-se as seguintes medidas: não plantar estacas enraizadas ou mudas de
videira procedentes de locais onde a praga ocorra; evitar o plantio na
propriedade de plantas hospedeiras da praga, procedentes de áreas infestadas;
tratar as mudas de videira dormentes mediante imersão em água quente a 50°C
por cinco minutos ou expurgo com fosfina por perído de três dias. Já em áreas
onde a praga está presente pode-se proceder a aplicação de inseticidas sistêmico
granulados no solo (Botton et al. 2000) verificaram eficiência de tiametoxã e
de imidaclopride; o primeiro, em formulação granulada, pode ser aplicado
diretamente no solo, mediante a abertura de sulco ao redor da planta, o segundo
deve ser diluído em água e regado no solo, na região onde se encotra o
sistema radicular da videira.
O método
ideal para controle dessa praga seria o uso de porta-enxertos resistentes.
Pesquisas nesse sentido vêm sendo conduzidas pelo IAC na região de Angatuba,
Sp, e área infestada pelo inseto, onde o porta-enxerto IAC 571-6 apresentou
resistência moderada, em comparação com Ripária do Traviú. Ainda nessa
linha de pesquisa, (Soria et al. I999) também verificaram comportamento
diferenciado de porta-enxertos de videira derivados de Vitis rotundifolia, os
quais mostraram-se mais resistentes do que porta-exertos pertencentes a
difernetes espécies de Vitis, em solo infestado por E. brasiliensis, na região
de Bento Gonçalves, RS.

Pérola-da-terra
em raízes de videira.
(Foto:
G. Kuhn).
As condições tropicais favoráveis ao crescimento contínuo
das videiras permitem que a época das podas sejam reguladas pela demanda de
mercado, podendo-se obter colheitas escalonadas ou concentradas. Sabendo-se
que os ciclos feno lógicos das cultivares Itália e Piratininga são de 110 a
120 dias e que o período de repouso entre os ciclos é de 30 dias,
estabelece-se que uma área pode produzir duas vezes e meia ao ano de forma
equilibrada e sem que as plantas sejam esgotadas.
No processo produtivo da videira é importante que se faça
uma previsão da quantidade de uvas a serem colhidas em função da demanda.
Para estimar a produtividade de um vinhedo, os seguintes cálculos são possíveis:
Ø através da
poda chega-se a um padrão para a área de unidades de produção por planta (UPP)
que é calculado pela seguinte fórmula:
UPP = BS x UP, em que:
BS = braços secundários por planta;
UP = unidades de produção por braço secundário
Ø para o cálculo
do total de cachos por hectare (CPH), tem-se que:
CPH = UPP x NBF x pl/ha, em que:
UPP = unidades de produção por planta ou varas por
planta;
NBF = número de brotação férteis;
Pl/ha = plantas por hectare, de acordo com o espaçamento.
Exemplo:
Supondo-se que num vinhedo da cultivar Itália estabelecido
no espaçamento de 4 x 2 m (1.250 plantas/hectare) todas as plantas fiquem, após
uma poda bem executada, com cinco (5) braços secundários e que cada braço
tenha três (3) unidades de produção, ou seja, três varas produtivas com oito
gemas cada, e considerando-se a fertilidade destas como sendo de três cachos em
média, tem-se, pela aplicação das fórmulas:
UPP
= 5 x 3 = 15
CPH
= 15 x 3 x 1.250 = 56.250 cachos/ha
Dispondo-se de 56.250 cachos por hectare e sabendo-se que o
peso ideal dos cachos, para fins de exportação, é de 400 a 500 g, calcula-se
que a média de produtividade da área será a seguinte:
56.250
cachos/ha x 0,450 kg = 25.312 kg/ha
Para que o cálculo da produtividade de uma área possa ser
preciso é indispensável que as podas e a condução dos ramos sejam bem
executadas, que as plantas estejam nutricionalmente bem equilibradas, não
havendo problemas com a fertilidade dos ramos brotados.
A maturação das uvas é um processo fisiológico que se
caracteriza pelo incremento do conteúdo de açúcar, a diminuição da acidez,
o aumento das antocianinas responsáveis pela coloração da película das uvas
rosadas e pretas e a modificação da textura e do aroma típicos de cada
cultivar.
É de fundamental importância que a colheita dos cachos
seja realizada no ponto ideal para o consumo, pois as uvas cessam o processo de
maturação após terem sido colhidas, permanecendo inalterados os teores de açúcares
e de ácidos.
Normalmente, as uvas são colhidas quando o teor de sólidos
solúveis atinge nível superior a 15° Brix, uma vez que, sob condições
tropicais, elas são menos ácidas e apresentam boa palatabilidade, ainda que
possuam um teor de açúcares comparativamente menor. O teor de açúcar das
uvas é determinado pelo refratômetro.
Outro aspecto, de relevante importância, associado às
uvas colhidas para exportação, diz respeito ao tamanho dos bagos, que devem
medir, no mínimo, 22 milímetros de diâmetro. Quando o vinhedo é conduzido
segundo as recomendações desta publicação[1][1],
o percentual de uvas com esse diâmetro é alto, resultando no aproveitamento
quase que total dos cachos para exportação.
Os colheitadores devem colher os cachos maduros, cuja película
apresente coloração o mais uniforme possível, cortando os pedúnculos bem
compridos, o que evita a desidratação do engaço. Os cachos são
cuidadosamente colocados, em camada única, em contentores próprios para
colheita com 10 kg de capacidade. Esses contentores devem ser revestidos com um
forro de polietileno expandido ou similar de 4 mm de espessura, para que não
haja danos mecânicos nos cachos.
A manipulação dos cachos pelos trabalhadores deve ser mínima,
para evitar que as uvas percam a pruína (cerosidade natural), que lhes dá um
aspecto de frescor e as tomam apetecíveis para os consumidores.
É conveniente que a colheita seja feita nas horas mais
frescas do dia e que os contentores sejam imediatamente levados para o setor de
embalagem da fazenda. Desse modo, as uvas apresentarão menor tem peratura,
demorando menos tempo para perder o calor do campo.
A embalagem das uvas pode ser feita em galpões abertos ou
fechados, com refrigeração (“packing house”). Tratando-se de frutas para
exportação, é muito importante que o produtor disponha de um local bem
sombreado e arejado onde possa embalar as uvas e que as caixas não fiquem
expostas ao sol, quer se trate dos contentores que chegam do campo ou das caixas
de uvas embaladas.
Os cachos são limpos e os bagos danificados e ou muito
pequenos são eliminados. A seguir, são selecionados, segundo a classificação
e a categoria a que pertencem.
Utilizam-se, para embalar as uvas, caixas de papelão
parafinado, especificamente confeccionadas para esse fim.
Uma vez colhidas e em baladas, as uvas devem ser
armazenadas e transportadas sob condições adequadas, para que possam chegar ao
consumidor em ótimas condições de consumo. Os seguintes cuidados são, pois,
indispensáveis:
Para retardar a ocorrência de podridões por fungos nas
uvas que vão ser armazenadas, recomenda-se fumigá-las com anidrido sulfuroso.
Este tem uma ação fungicida, que elimina todos os fungos que existem sobre os
cachos e também conserva a coloração verde da ráquis por mais tempo.
A aplicação do anidrido sulfuroso pode ser feita de
diferentes maneiras, seja em câmaras de fumigação, pela queima de enxofre ou
pela liberação direta do gás comprimido proveniente de botijões, seja
mediante a colocação em cada caixa de uva, de um papel gerador dessa substância.
A elevada transpiração das uvas colhidas decorre da
alta temperatura com que as frutas chegam do campo. É necessário, portanto,
submetê-las a um pré-resfriamento por duas a três horas, a fim de provocar
a queda substancial dessa temperatura, com vistas à uma melhore mais prolongada
conservação do produto.
Depois do pré-resfriamento, as caixas são colocadas em
câmara fria para conservar as uvas, caso elas não sejam comercializadas de
imediato.
Pommer, Celso Valdevino. Ed Uva: tecnologia de produção, pós-colheita, mercado/editado pr C.v.Pommer, 2003.
Salim Simão Tratado de fruticultura. –Piracicaba:
FEALQ, 1998.
Uvas para o Brasil / Coordenação de Julio Seabra
Inglez de Souza. Piracicaba: FEALQ, 1996
Fortunato Garcia Braga Cultura da uva niágara rosada /.- São Paulo: Nobel, 1988.
GALLOTTI, G.J.M. & GRIGOLETI JÚNIOR, A. Doenças fúngicas da videira e seu controle no Estado de Santa Catarina. Florianópolis, EMPASC, 1990.
Embrapa Uva e Vinho Sistema de Produção, 2ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica, Jul./2003