PEREIRA, P.C.
MELO, B.
FRANZÃO, A.A.
ALVES, P.R.B.

4
- Propagação sexuada (via semente)
4.2 - PLANTIO E GERMINAÇÃO
13
- AMADURECIMENTO E RENDIMENTO DA FRUTA
No Sudeste Asiático e na índia, era atribuída ao
tamarindeiro a fama de ser morada de influências maléficas, sendo seu perfume,
sua sombra e objetos perigosos produzidos de seu tronco considerados perigosos.
Segundo a tradição, as armas que possuíssem bainha feita de sua madeira
teriam poderes para dominar o mais temível inimigo, até mesmo os considerados
invulneráveis. Na Europa, era conhecido desde a Idade Média, tendo sido
introduzido, possivelmente, por meio dos Árabes. Estes a denominavam Tamr
al-Hindi,, cujo significado é “tâmara da Índia’’, em referência à
polpa de seu fruto, que julgavam semelhante à da tâmara”.
No Brasil, difundido e cultivado há séculos, o
tamarindeiro é uma árvore que, devido a grande beleza e produção de sombra,
é muito apreciada como ornamental e para urbanização, nas cidades e estradas,
apesar de apresentar um crescimento lento. Seu tronco fornece madeira de boa
qualidade para construção civil, embora difícil de trabalhar pela sua dureza
a serras e pregos. O fruto, de sabor refrescante, ácido, adstringente e, ao
mesmo tempo um pouco doce, é bastante conhecido e muito utilizado para fabricação
de balas, refrescos, licores e sorvetes.
Na indústria farmacêutica, o tamarindo encontra
utilização em preparados laxativos e em aromatizantes. Na medicina popular
também é amplamente empregado como laxante, inclusive para tratar crianças, já
que seu consumo raramente oferece riscos.
Originário da África equatorial e da índia.
Cultivado em regiões de clima quente ou temperado, está bem aclimatado no
Brasil.
De todas as árvores leguminosas frutíferas dos Trópicos,
nenhuma é tão distribuída, e apreciada como ornamental do que o tamarindeiro.
A maioria de seus nomes coloquial é variações no termo inglês comum (tamarind).
Em espanhol e português, é tamarindo; em francês, do tamarin, o mais
tamarinier ou mais tamarindier; em holandês e alemão, Tamarinde; no italiano,
tamarandizio e na Índia, é tamarind ou ambli, imli ou chinch. O tamarindeiro
é conhecido como um adjetivo qualificado; é aplicado freqüentemente a outros
membros da família leguminosae que tem as folhas um tanto similar.
O
tamarindeiro ( Tamarindus indica ) é
uma árvore economicamente importante, encontra-se em muitos países da Ásia,
África e América do Sul. É uma cultura ideal para regiões semi-áridas,
especialmente nas áreas com eminência de seca prolongada. O tamarindeiro pode
tolerar 5 - 6 meses de condições de seca, mas não gosta do fogo, da geada ou
de longo período de chuva. É uma árvore de fácil cultivo, e requer cuidado mínimo.
Está geralmente livre de pragas e doenças sérias, tem uma extensão de vida
de 80-200 anos, e pode render 150-500kg de vagem por árvore saudável por ano,
em 20 anos de idade.
O tamarindeiro é considerado uma árvore de multiuso. É uma fonte de
madeira, de fruta, de sementes, de forragem animal, de extratos medicinais e de
potenciais componentes industriais. Para pequenos produtores rurais, os quais
cultivam cultura de subsistência, a cultura do tamarindeiro pode ser uma fonte
de renda nos períodos difíceis, ou seja, de baixo preço e baixa produtividade
da cultura principal. As árvores do tamarindeiro podem compensar produtores nas
épocas em que as culturas principais já foram colhidas. O tamarindo,
geralmente é colhido na estação seca do ano, oferecendo desse modo, um
retorno econômico potencial em mercados locais quando o alimento é escasso.
O fruto do tamarindeiro é utilizado na fabricação
de refrescos, sorvetes, pastas, doces e licores. Mas, sua industrialização tem
sido em maior parte na forma de sucos e pastas preparados a partir da polpa.
Os frutos do tamarindeiro apresentam uma grande variação nas suas
características físico-químicas, as quais, dependem principalmente do local
onde foi produzido e do período pós-colheita. O comprimento varia de dois centímetros
e mio a 17,5 cm e a largura de dois a três centímetros. Cada fruto possui de
uma a 10 sementes, pesa de 10 a 15 gramas e suas partes constituintes, casca,
polpa e sementes, contribuem respectivamente com 30%. 30% e 40% para o peso do
fruto inteiro. A composição química da polpa (parte comestível) varia em
muito, destacando-se os teores de carboidratos – fração nifext (59,8 a 71%),
ácidos (12,2 a 23,8%), sólidos solúveis (54 a 69,8%), além da umidade (15 a
47%) e proteínas (1,4 a 3,4%).
No Brasil as plantas foram introduzidas da Ásia e mostram-se
naturalizadas e subespontâneas em vários estados, além de serem cultivadas em
quase todos. Apesar de não ser nativo do Nordeste, devido a sua grande adaptação,
o tamarindeiro é considerado como planta frutífera típica da região, mas
pouco se conhece do fruto no Nordeste e em outras regiões cultiváveis. Para
minimizar o problema, pesquisas são necessárias para maiores informações
sobre a cultura, para um melhor aproveitamento industrial racional da cultura.
Há
diferentes variedades cultiváveis de tamarindo, as quais podem ser divididas em
ácidas e doces. A maioria dos países, cultivam plantas com características
varietais ácidas, essas quais tem a facilidade de desenvolverem em locais
quentes e ensolarados. As variedades do tipo doce não estão disponíveis. Nas
plantas doces de tamarindeiro, podem ser encontrados ramos isolados que carregam
frutos nos pontos de brotações. Estes ramos podem ser utilizados para propagação
vegetativa na obtenção de plantas doces de tamarindeiro.
O tamarindeiro é uma árvore maciça, de
crescimento lento e de longa vida, sob condições favoráveis, pode alcançar
uma altura de 30 m, um diâmetro de coroa de 12m e uma circunferência de tronco
de 7,5 m. É altamente resistente ao vento. Possui ramos fortes flexíveis e
grandes, inclinando-se nos extremos, tem casca de cor cinza-escuro, áspera e
com fissuras. As folhas são coloração verde-clara, compostas , pinadas,
alternas, glabras, consistindo em 10 a 18 pares de folíolos oblongos opostos de
12 a 25 mm. Possuem 10 a 20 pares de folíolos oblongos, com 1,25 a 2,5 cm de
comprimento e 5 a 6 mm de largura, os quais se dobram à noite.
As flores são de coloração
quase branca ou rosada, agrupadas em cachos irregulares, nos ápices dos ramos
possuem pedúnculos pequenos, com cinco pétalas (duas reduzidas), amarelas com
listras alaranjadas ou vermelhas. Os botões florais são distintamente
cor-de-rosa, devido à cor exterior de quatro sépalas que são escorridas
quando a flor se abre.
|
![]() |
O
fruto é uma vagem indeiscente , achatada, oblonga nas extremidades, reta ou
curva, contraída ao nível das sementes e cor castanho escuro. O epicarpo é
crustáceo, espesso em torno das sementes, amarelo escuro e de sabor ácido-adocicado
O tamarindeiro pode ser propagado vegetativamente por estaquia (ramo verdes, ramos semi-maduros e ramos maduros), enxertia e mergulhia aérea e subterrânea. Para a utilização de qualquer método, é de fundamental importância a escolha de material vegetativo (galhos e ramos) livres de doenças, pragas e danos. Os galhos e ramos com cores das folhas diferentes do verde, devem ser evitados.
3.1
- MATERIAL PARA ESTAQUIA
As estacas para formação das
mudas não devem ser introduzidas no solo a uma profundidade maior do que 2,5
cm, e o topo da estaca até a superfície do solo, não deve ser maior do que 20
cm. Se disponível, hormônios de enraizamento podem ser adicionados à região
de enraizamento das estacas, melhorando assim o percentual de enraizamento, além
de reduzir o tempo de enraizamento (10 – 15 dias ao invés de 40 – 50 dias).
A extremidade da estaca deve ser umedecida e mergulhada no hormônio de
enraizamento por 10 segundos, antes de introduzir no substrato do canteiro de
enraizamento. O canteiro deve ser irrigado regularmente, para manter um bom nível
de umidade.
Os
frutos devem estar maduros, sendo selecionados aqueles que não apresentar doenças
e não estiver danificados. Os
frutos devem ser secados ao sol por cinco a sete dias e ser periodicamente
revolvido para uniformizar a secagem.
A extração das sementes é feita manualmente, com
a retirada da casca, sendo posteriormente lavadas em água corrente, para remoção
da polpa. As sementes, após secadas, deve ser armazenada em um lugar fresco em
frascos bem fechados protegidos dos ratos e insetos. O tempo de armazenagem vai
depender das condições de armazenamento e da qualidade dos processos de extração
e secagem das sementes.
* embeber as sementes na
água limpa por 24 horas (pode elevar a germinação a 80%)
* escarificar
o revestimento da semente (pode elevar a germinação a 85%).
* escarificar e embeber a
semente na água por 24 horas (pode melhorar a germinação a 92%).
4.2 - PLANTIO E GERMINAÇÃO
A
germinação da semente viável pode ocorrer em 5 – 10 dias, mas as plântulas
podem demorar até um mês para serem vistas acima do solo. o tamarindo tem o
revestimento do tegumento duro, o que prejudica a germinação, atrasando-a.
A
planta pode ser cultivada em regiões tropicais úmidas ou áridas; a
temperatura média anual deve estar em 25ºC, as chuvas anuais entre 600 e
1500mm.; a planta requer boa intensidade de luz e é sensível ao frio.
Devem ser profundos, bem
drenados, pH entre 5,5 e 6,5, de preferência areno-argilosos. Evitar solos
pedregosos e sujeitos a encharcamento.
Na
maioria das propriedades rural na Índia, os frutos do tamarindeiro, são secos
no sol por 5 – 7 dias. Também pode ser utilizado um desidratado em escala
para a desidratação de frutas frescas, quando disponível. Uma vez secados os
frutos, as cascas são rachadas para a retirada da polpa. As fibras, sementes e
pedaços de cascas são removidos da polpa com as mãos. A polpa é secada por 3
– 4 dias antes de ser comprimida para o armazenamento. Antes do armazenamento,
mistura-se a polpa com sal ou açúcar, de acordo com a preferência. As
sementes podem ser usadas em processo industrial, e devem ser secas por
aproximadamente 2 dias.
Quando
o fruto está maduro, a polpa do tamarindo passa a ter coloração
castanho-amarelado. Seu teor de água, é muito baixo por fruto, está próximo
de 38%. Em conseqüência, o tamarindo possui o mais elevado teor de proteínas,
glicídios e elementos minerais, em relação aos outros frutos (tabela 2 e 3 ).
Por outro lado, seu teor em ácido ascórbico não é negligenciado (tabela 4).
Rico em pectinas e em açúcares redutores os quais representam 20 a 40% da matéria
seca, a polpa possui quantidades de ácidos orgânicos (12 a 30% de matéria
seca) os quais, são constituintes de 98% de ácido tartárico. Este ácido, não
é habitualmente encontrado em tecidos vegetais, quando encontrados está em
suas formas livres, ou ligados a cálcio e potássio. Contrariamente aos outros
frutos, a acidez não diminui apesar da maturação. O principal componente
responsável pelo aroma da polpa é o 2- acetyl-furano. Este ácido, no entanto
está associado a outros numerosos componentes voláteis (tabela 5).
A
semente do tamarindo é uma potencial fonte de proteínas (tabela 6). Devido a
sua riqueza em aminoácidos sulfurados (tabela 7), as pessoas podem utilizá-lo
como componente de um regime protéico à base de cereais. No entanto, sua baixa
digestibilidade dificulta a sua valorização para ser utilizado na alimentação
humana. A matéria seca das sementes de tamarindo contem 4 a 11% de lipídios e
65 a 70% de polissacarídeos e amilopectina, também são ricos em elementos
minerais, sendo os principais o potássio e o cálcio ( tabela 6 e 8 ).

O
rendimento da árvore do tamarindeiro varia consideravelmente de região para
região, e é dependente dos fatores genéticos e ambientais. A produção de
frutos pode também ser cíclica com produção abundante a cada três anos. Uma
árvore nova pode produzir de 20 a 30 kg de fruta em um ano, e uma árvore
adulta pode produzir mais de 150 a 200kg de frutas em um ano. O rendimento da
produção pode sofrer um declínio após 50 anos. Uma vez que a produção de
frutos não mais se restabelecer durante alguns anos, a árvore deverá ser
colhida para a comercialização da madeira para carvão lenha ou cerraria.

|
Teor
em g.100g-1 ms |
|||||||
|
Valor |
Glicídios |
Proteínas |
Lipídeos |
Ácido
tartárico |
Celulose |
Pectina |
Elementos
minerais |
|
Mínimo |
41,2 |
3,4 |
0,2 |
12,0 |
1,9 |
2,0 |
2,6 |
|
Médio |
81,0 |
6,3 |
1,4 |
21,2 |
5,6 |
2,8 |
3,5 |
|
Máximo |
90,7 |
13,6 |
3,6 |
30,5 |
7,4 |
3,5 |
4,2 |
Teores
dos elementos minerais na matéria seca (ms) da polpa do tamarindo
|
Teor
em (mg.100g-1 ms) |
|||||||||||
|
Valores |
Ca |
P |
Fe |
K |
Na |
S |
Mg |
Mn |
Cu |
Ni |
Zn |
|
Mínimo |
28,0 |
91,0 |
0,6 |
62,0 |
74,0 |
- |
72,0 |
- |
- |
- |
- |
|
Médio |
179,9 |
155,0 |
3,1 |
597,8 |
75,3 |
36,0 |
78,0 |
9,6 |
21,8 |
0,5 |
1,1 |
|
Máximo |
518,1 |
288,0 |
8,5 |
1133,5 |
76,7 |
- |
84,0 |
- |
- |
- |
- |
Conteúdo
das principais vitaminas na matéria seca (ms) da polpa do tamarindo
|
Teor
em mg.100g-1 ms |
|||
|
Valores |
Ácido
ascórbico (C) |
Thiamina
(B1) |
Riboflavina
(B2) |
|
Mínimo |
2,9 |
0,2 |
0,2 |
|
Médio |
18,0 |
0,6 |
0,2 |
|
Máximo |
41,5 |
1,2 |
0,3 |
Principais compostos responsáveis
pelo aroma da polpa do tamarindo
|
Característica |
Componentes
do aroma
|
|
Balsamo |
2-acetil-furano, furtural, 5-methylfurtural |
|
Grillé |
5-pyrazina, 2-alkylthiazol |
|
Agrume |
Limoneno, 4-terpinenol, neral, a-terpineol,
geranial, geraniol |
|
Apimentado |
Salicilato methyla, safrol, ionono, cinomaldeído,
cinomanto de ethyla |
Quantidade de matéria seca (ms)
obtida em 100 gramas de grãos do
tamarindo, e seus principais componentes
|
Valores |
Ms
em g.100g-1 de grãos |
Teor
em g.100g-1 de ms |
|||
|
|
|
Proteína |
Lipídeos |
Fibras |
Elementos
minerais |
|
Mínimo |
89,5 |
13,1 |
4,5 |
6,7 |
2,0 |
|
Médio |
90,5 |
18,4 |
6,7 |
7,4 |
2,4 |
|
Máximo |
91,0 |
26,9 |
10,9 |
8,0 |
3,2 |
|
Valor |
Teor
(mg.g-1de azoto) |
||||||||||||||
|
|
ASP |
GLU |
SER |
GLY |
HIS |
ARG |
PRO |
ALA |
CYS
e MET |
TRH |
TYR e PHE |
VAL |
ISO |
LEU |
LYS |
|
Míni. |
739 |
1057 |
299 |
289 |
167 |
574 |
530 |
312 |
220 |
244 |
520 |
377 |
262 |
496 |
406 |
|
Méd. |
935 |
1449 |
445 |
585 |
249 |
617 |
537 |
371 |
435 |
282 |
523 |
409 |
356 |
623 |
528 |
|
Máx. |
1130 |
1840 |
590 |
880 |
330 |
660 |
544 |
430 |
650 |
320 |
525 |
440 |
450 |
750 |
650 |
Teores
de elementos minerais da matéria seca (ms) de grãos de tamarindos
|
Valor |
Teor
(mg. 100g-1 ms) |
||||||||
|
|
Ca |
P |
Mg |
K |
Na |
Cu
|
Fe |
Zn |
Mn |
|
Mínimo |
0,2 |
0,2 |
17,5 |
272,8 |
19,2 |
1,6 |
- |
2,8 |
- |
|
Médio |
265,4 |
77,9 |
67,9 |
441,4 |
24,0 |
10,3 |
6,5 |
2,9 |
0,9 |
|
Máximo |
786,9 |
165,0 |
118,3 |
610,0 |
28,8 |
19,0 |
- |
3,0 |
- |
Principais
utilizações do tamarindeiro
|
Tipo
de utilização |
Parte da planta utilizada
|
||||
|
|
Polpa |
Grão |
Folha |
Flor |
Tronco
e casca |
|
Alimentar |
bebidas, xarope, confeite de frutas, compota, geléia,
condimento, aromatizante, confeito |
suplementação (cistina e metionina) e engorda; |
saladas, sopas e condimentos |
condimentos |
_ |
|
Medicinal |
laxante, antiescorbuto |
antidiarréico e anti-reumático |
diurético, anti-séptico, laxante e adstringente |
vaso dilatador |
diurético, tratamentos das afecções do fígado,
purgante e antiasmático |
|
Outras |
produção de ácido tartárico e de pectinas; lavagem de
metais |
alimentação animal,preparação de fios têxteis, base
de cosméticos, tinturaria e pintura de couro |
forragem, corante têxtil |
corante amarelo |
marcenaria |
GROLIER, C.; DEBIEN, C.;
DORNIER, M.; REYNIER, M..Principales caracteristiques et voies de valoresation
du tamarin, Fruits, Paris, v. 53, p. 271-280, 1988.