ENXERTIA
 
O verbo enxertar, vem do latim insertare, e significa inserir, introduzir.
É a operação que consiste em se justapor um ramo ou fragmento de ramo com uma ou mais gemas sobre outro vegetal, de modo que ambos se unam e passem a constituir um único indivíduo.
O enxerto em árvores frutíferas é uma das mais antigas práticas hortícolas, remontando o seu registro histórico aos tempos de Teofasto, que viveu cerca de 300 anos antes de Cristo. Os romanos desenvolveram e empregaram diversas técnicas de enxertia ainda em uso em nossos dias. Na China, no século IV d.C., relatava-se que a pereira-oriental adaptava-se melhor ao cavalo Tu Li, deduzindo-se daí que outras combinações não obteriam sucesso igual. Da mesma época e origem chegaram até nós informações de que seria bem-sucedido o enxerto da ameixeira-japonesa com o pessegueiro, não sendo válida, contudo a prática inversa.
Vê-se, pois, que muitos dos princípios da enxertia eram de domínio público no mundo inteiro desde as mais remotas eras.
O autor americano A. J. Downing, abordando esse tema em sua obra “The fruits and fruit trees of America”, publicada em 1857, declara: “Ninguém interessado nas atividades hortícolas pode ignorar as técnicas de enxertia, na mesma medida que não deve desconhecer outras técnicas para melhorar e desenvolver árvores e arbustos”.
 
 
Fatores que influenciam no êxito da enxertia:
 
Segundo vários autores citados por Paiva e Gomes (2001) para que uma operação de enxertia tenha êxito, são necessários alguns requisito básicos:
-          afinidade entre as plantas, pois somente plantas com certo grau de parentesco, do ponto de vista botânico, são suscetíveis à enxertia. Este grau de parentesco, em geral, é em nível de gênero ou família, isto porém, não significa que todas as espécies da mesma família apresentam afinidades entre si, havendo casos em que se manifesta a incompatibilidade ou rejeição. No entanto, em princípio, o resultado será tanto melhor quanto mais próximas forem taxonomicamente as plantas;
-          deve haver alguma analogia entre as plantas nos seguintes aspectos: fisiologia,  consistência, anatomia, porte e vigor, bem como exigência com relação ao clima e às propriedades do solo;
-          as superfícies que entram em contato devem ser uniformes, lisas, isentas de corpos estranhos, limpas e operadas com instrumentos bem afiados e limpos. Os tecidos devem ser postos em contato imediatamente após o corte de preparação;
-          para que a soldadura se realize e a parte enxertada se desenvolva, é necessário um íntimo contato entre as camadas cambiais das duas partes a serem unidas para facilitar a translocação da seiva;
-          manter em contato as partes a serem soldadas, por meio de ataduras, até que se consolide a união;
-          escolha da época da enxertia é um dos fatores que mais podem afetar o seu bom resultado, em virtude dos desarranjos fisiológicos que podem advir. Pode-se enxertar em quase todas as épocas, dependendo da espécie e do tipo de enxerto que vai ser efetuado;
-          o processo de enxertia (encostia, borbulhia ou garfagem) deve ser escolhido de acordo com as plantas envolvidas;
-          tanto o cavalo como o cavaleiro devem ser sadios;
-          ventos fortes, chuvas (umidade) e calor excessivos devem ser evitados ao se efetuar a enxertia, pois estas condições são contrárias ao bom andamento da operação. A temperatura ideal deve ser em torno de 20-25oC;
-          a operação deve ser realizada quando as partes envolvidas estiverem em adequado estado fisiológico. A soldadura torna-se mais fácil sempre que os tecidos postos em contato forem jovens  e de idêntico grau de maturação;
-          a habilidade do enxertador está relacionada com a  maneira como a operação é executada. O operador deve ser hábil, muito cuidadoso e trabalhar sempre com ferramentas bem afiadas e executar os cortes com firmeza, para que as superfícies sejam lisas e sem dilacerações; praticar a operação com rapidez, para evitar que os cortes fiquem expostos à ação prejudicial do sol ou vento, e apertar o amarrilho de forma firme e uniforme.
 
Material utilizado na enxertia:
-          canivete de enxertia (devidamente amolado e limpo);
-          tesoura de poda;
-          pedra de afiar;
-          serrote;
-          fitilho;
-          saco plástico;
-          barbante;
-          álcool;
-          algodão.
É importante, para maior conforto do enxertador, ter bancos no local de trabalho.
 
TIPOS DE ENXERTIA
 
São vários os tipos de enxertia, como por exemplo: borbulhia, garfagem, encostia, sobreenxertia.
 

 

Figura 3. Principais tipos de enxertia.
Fonte: Mattos (1976), citado por Paiva e Gomes (2001)