PRAGAS DO MARACUJAZEIRO
 
                                                                               FRANCO-ASSIS, G.A
                                                          MELO, B.
Maracujá é o fruto de várias espécies do gênero Passsiflora (do latim passio= paixão e flo= flor), é originário do nome indígena maraú-ya, que vem significar o fruto de marahú (Sampaio, 1914).
Os maracujás pertencem à família Passifloracea, amplamente distribuída nos trópicos, havendo mais de 580 espécie, a maioria habitante da América tropical.
            Os frutos formam-se a partir da polinização cruzada entre duas plantas, realizada naturalmente por essas mamangavas que, por possuírem tamanho avantajado, transportam pólen no seu dorso.
            Muitas das espécies de Passiflora são cultivadas pelas suas propriedades alimentícias, ornamentais ou medicinais, mas principalmente pela qualidade de seus frutos (Meletti, 2000).
Desta forma esta fruta vem apresentando um grande uso no processamento comercial. Ele é utilizado principalmente como suco. Mas suas cascas, que representam 50% do peso seco total, também são utilizadas na fabricação de ração animal e já suas sementes que representa 13% do peso total, é bastante rica em proteína (10%) e (20%) de um óleo comestível (Ital, 1994).
Devido ao seu apreço no mercado financeiro, vem então a ser de grande interesse o estudo de suas principais pragas.
Essa cultura apresenta alguns problemas causados por insetos, apesar de não serem tão graves como que os microrganismos ocasionam (Ruggiero et al., 1996).
 LAGARTAS-DAS-FOLHAS
Duas espécies são mais conhecidas, estas são:
• Agraulis vanilae (Linneu, 1758) (Lepidoptera, Nymphalidae).
• Dione Juno Juno (Cramer, 1779) (Lepidoptera, Nymphalidae).
Fancelli, 1994 citado por Fadini e Santa-Cecília 2000 fala que estas lepidópteras colocam seus ovos sob a folha, pecíolo ou ramos do maracujazeiro. Os ovos e as larvas da espécie D. juno Juno tem um comportamento gregário, e isso as concede uma capacidade maior de desfolhar por completo a planta. Já a A. vanilae vanilae possui um comportamento isolado, solitário encontrando-se ovos e posteriormente lagartas sozinhas mas ambas podem ser vistas ao mesmo tempo na cultura do maracujazeiro .
Segundo Menezes, 1996 citado por Fadini e Santa-Cecília 2000 comenta que a  D. juno juno quando atinge a fase adulta mede aproximadamente 50 mm a 70 mm de envergadura. Suas asas anteriores são de coloração geral alaranjadas, com a margem superior, ângulo apical e margem externa negras.
As asas posteriores também são alaranjadas, com larga faixa negra que percorre a margem externa. O lado inferior das asas é de cor pardacenta, com inúmeras manchas prateadas.
Está espécie ovipõe de 70–180 ovos que são alongados de uma coloração amarelada que posteriormente ficam avermelhados, quando chega próximo da eclosão adquire uma coloração castanha. A oviposição é feita na região abaxial das folhas do maracujazeiro (Fadini e Santa-Cecília, 2000).
Medina et al., 1980 e Boiça Júnior, 1998 também citados por Fadini e Santa-Cecília, 2000 comentam que os adultos de Agraulis vanilae vanilae são de uma coloração alaranjada, chegam a medir em torno de 60 mm a 75 mm de envergadura.
Possuem pontuações esparsas pretas na asa anterior e uma faixa preta na asa posterior ao longo da margem externa com áreas mais claras.
As larvas quando eclodem medem 3mm de comprimento e sua coloração é branco – pardacenta. Quando atingem um tamanho de aproximadamente 40mm de comprimento, destacam-se por uma coloração amarela mais escura, com duas faixas laterais de cor marrom e este indivíduo agora apresenta o corpo recoberto por pêlos negros. O ciclo desta praga no verão é de 27 dias.
PREJUÍZOS:
            O ataque das lagartas é principalmente nas folhas de plantas jovens, reduzindo desta forma a área foliar, podendo levar a morte da planta em casos sucessivos (Gallo et al., 1970). De Bortoli e Busoli, 1987 comentados no artigo de Fadini e Santa-Cecília, 2000 diz que os prejuízos não ficam só no desfolhamento das plantas mas também na perda das brotações novas, dano às flores bem como a raspagem dos ramos do maracujazeiro.
Desta forma o maracujazeiro terá um menor vigor comparado aos não parasitados.
CONTROLE:
            Para o controle em pequenas culturas usa-se a catação manual de lagarta. Já em culturas extensivas, recomenda-se o uso de inseticidas fosforados, carbamatos, piretróides ou reguladores de crescimento, de ação de contato e curto poder residual, em pulverizações, já que a colheita do maracujá se estende por um período de seis meses no ano. Fazer uso também do Bacillus thuringiensis e Baculovírus.
            A produção do maracujazeiro depende da ação do polinizador principalmente das mamangavas como mencionado anteriormente. Desta forma recomenda-se a aplicação de inseticidas antes da abertura das flores, o que acontece mais ou menos até ao meio-dia (Gallo et al., 2002).
 
PERCEVEJOS
            Os percevejos são as principais (mais severas) pragas do maracujazeiro adulto. Estes hemípteras prejudicam o vegetal por serem fitófagos, ou seja, sugam a seiva das partes tenras das flores, frutos, ramos e botões florais (Boiça Júnior, 1998). Possui uma grande mobilidade no campo e uma quantidade considerável de plantas hospedeiras alternativas ao maracujazeiro, fato que vem facilitar a manutenção dessas populações mesmo em locais onde não há implantação da cultura (Fadini e Santa-Cecília, 2000).
            As principais espécies de percevejos encontrados no Brasil e que atacam as culturas são pertencentes às famílias Coreidae e Tingidae.
Dentre elas:
• Diactor bilineatus  (Fabricius  , 1803)  (Hemíptera, Coreidae)
            Este inseto é popularmente conhecido como percevejo-do-maracujá por hospedar-se exclusivamente em planta desta cultura. Pode dizer que este animal é a principal praga do maracujazeiro pelos prejuízos consideráveis ocasionados, pois tanto os adultos como as suas formas jovens (Ninfas) sugam a seiva da planta.
            O inseto adulto é de colorido brilhante, apresenta cabeça amarelo-alaranjada na face ventral e verde-escura na face dorsal; o corpo é verde-escuro, com duas linhas longitudinais amarelo-alaranjadas. As pernas são ambulatórias, tendo no par posterior, encontrados nas tíbias, expansões foliáceas bem visíveis pela sua coloração verde-escura com manchas alaranjadas.
            As fêmeas ovipõe em grupos de seis a nove ovos, que se encontram nas faces abaxiais das folhas, estes ovos possuem uma coloração amarela e também brilhante. Após 15 dias nascem ninfas e mais ou menos 45 dias depois se tornaram adultas e viveram cerca de 30 dias (Ital, 1994).
            O comprimento médio para machos e fêmeas varia um pouco sendo, 20 mm e 21,5mm respectivamente (Fadini e Santa-Cecília, 2000).
• Holymenia clavigera    (Herbst. 1784)  (Hemiptera, Coreidae)
             Segundo Mariconi ressaltado no Ital, 1994, este se alimenta dos frutos do maracujazeiro e da goiabeira e chegam a medir de 10 a 17 mm de comprimento. Sua coloração em geral é  bastante chamativa, vindo a conter diversas cores. O pronoto é vermelho-escuro com uma faixa amarela longitudinal e mediana da cabeça ao escutelo, e quatro manchas amarelas. As asas são hialinas.
            Theognis gonadra  (Fabr., 1775)  (Hemiptera, Coreidae)
            É conhecido popularmente como melão-de-são-caetano, devido ao  seu hospedeiro natural. Esta é uma espécie polífago, vindo atacar a laranja, goiaba, chuchu, maracujá, etc (Rosseto et al., 1974).
            Possui um corpo alongado, medindo de 15 mm a 19 mm de comprimento. Sua coloração é bem escura, apresentando uma cabeça com quatro listas preta superiores, longitudinais separadas entre si por uma lista central, alaranjada e duas laterais. Escutelo castanho-escuro, com uma mancha circular na ponta, amarela. Tíbias foliáceas com dois espinhos desenvolvidos e outros bem menores (Mariconi, 1952).
            • Theognis stigma  (Herbst, 1784)  (Hemiptera, Coreidae)
            É conhecido popularmente como percevejo-das-frutas. Suga diversos frutos como: aboboreira, cajueiro, goiabeira, laranjeira, melancieira, maracujazeiro, dentre outros. O adulto desta espécie mede cerca de 20 a 23 mm de comprimento. A coloração é bastante escura, possuindo uma cabeça preta no dorso, com três faixas estreitas de coloração castanha um pronoto pardo-avermelhado e tíbias também foliáceas (Mariconi, 1952).
PREJUÍZOS:
            Estes percevejos, como já mencionados anteriormente, atacam as partes mais novas e tenras da planta, sendo: botões florais, frutos, flores... (Gallo et al., 1988).
            Em resultado ao ataque, as partes vítimas do percevejo agora irão murchar e, quando muito machucadas, botões e frutos novos poderão até mesmo cair (Boiça Júnior, 1998). Mesmo os frutos que resistirem ao ataque perdem peso, tem sua cor e tamanho alterado, prejudicando desta forma sua comercialização (Ruggiero et al., 1996).
CONTROLE:
            Em culturas extensivas, aconselha-se a aplicação de inseticidas fosforados, carbamatos, piretroídes ou reguladores de crescimento, de ação de contato e curto poder residual (Gallo et al., 2002).
As flores do maracujazeiro só abrem a partir do meio-dia, recomenda-se também colocar mourões de madeiras não tratados no pomar para que estes venham servir de sítios para a construção de ninhos dessas mamangavas (Gallo et al., 2002).
BESOUROS
            Broca -da- haste
            • Philonis passiflorae (O’ Brien, 1984)  (Coleóptera, Curculionidae)
            A broca-da-haste ou broca-do-maracujazeiro foi descrita a partir de indivíduos coletados em Passiflora sp., no município de Santo Amaro, estado da Bahia, segundo O’ Brien, 1984 citado por Fadini & Santa-Cecília.
            Os adultos de P. passiflorae apresentam de 5 mm a 7 mm de comprimento, com coloração marrom-acinzentada na região da cabeça e protórax. Os élitros possuem coloração amarelada com duas faixas marrons que se cruzam (Fadini e Santa-Cecília, 2000).
            As larvas da broca-da-haste se desenvolvem no interior dos ramos abrindo galerias, que abrigam pupas e adultos, formando externamente um intumescimento. Já os adultos têm o hábito noturno. A oviposição ocorre em cavidades feitas pela fêmea, geralmente na região internodal. Estas cavidades associadas ao hábito alimentar, irá provocar um enfraquecimento e seca dos ramos do maracujazeiro, tornando-os quebradiços (Souza Filho et al., 1996).
Broca- das- mudas
• Acalimma spp
Esta broca ataca as plantas novas em viveiro ou no campo, cortando a haste ou roendo a casca da planta, causando assim formação de galhas (Ruggiero et al., 1996).
O controle químico desse besouro pode ser feito por meio de pulverizações com produtos: fosforados, piretróides, eliminação das plantas atacadas (Gallo et al., 2002).
 Broca- das- flores
• Cyclocephala melanoceplala (Fabr.,1775)  (Coleóptera, Dynastidae)
            Este é um besouro polífago, que ocorre com mais freqüência de Novembro a Março (Ruggiero et al., 1996). Durante o dia fica escondido no interior das flores, depredando-as à noite. Na ausência destas comem apenas áreas das folhas novas (Rosseto, 1974).
 CONTROLE:
            Devido à larva se encontrar dentro da câmara pupal ela então está protegida e isolada, isso dificulta a ação dos inseticidas. Quando ocorre infestação baixa, pode-se injetar o inseticida na câmara pupal, ou vir a podar e destruir os ramos com o engrossamento típico. A importância desta praga é ocasional e eventual (Ruggiero, et al., 1996).
MOSCAS
            As moscas costumam atacar geralmente os botões florais ou os frutos do maracujazeiro, tal situação pode vir ocasionar queda destes tornando-os assim, imprestáveis para o consumo (Fadini e Santa-Cecília, 2000).
Moscas- das- frutas
            Existem diversas espécies de moscas que atacam os frutos do maracujazeiro, mas a A. pseudoparallela destaca-se como a mais freqüente e apresenta preferências por plantas do gênero Passiflora segundo Zucchhi, 1988 comentado por Fadini e Santa-Cecília, 2000.
 • Anastrepha pseudoparallela   (Loew, 1873)  (Díptera, Tephritidae)
            Essa espécie apresenta 8mm de comprimento, uma coloração geral amarela com desenhos característicos nas asas e com modiotergito amarelo, um caráter que ajuda a diferenciá-la  de outra espécie de importância econômica (Gallo et al., 2002).
            Em alguns locais, essa praga pode se torna muito importante enquanto em outros podem ser raras. As fêmeas adultas introduzem o ovipositor através da casca, colocando os ovos na polpa. Tão logo nascem as larvas, estas por sua vez começam a destruir o interior do fruto, tornado-o imprestável para o consumo (Ital, 1994).
• Ceratitis capitata    (Wiedemann, 1824)    (Diptera, Tephritidae)
            Quando adultos esses indivíduos podem atingir de 4mm a 5mm de comprimento por 10mm a 12mm de envergadura, possui uma coloração amarelada, contudo suas asas exibem tonalidade rosa com listras amareladas. Suas larvas são de uma coloração esbranquiçada, corpo vermiforme e ápodes. O seu período larval ocorre dentro da fruta , onde, mais tarde, as larvas abandonam e migram ao solo para a pupação, a uma profundidade de 1 a 10 cm (Gallo et al., 1988).
            Os frutos de P. alata e P. quadrangularis parecem ser mais sensíveis ao ataque da mosca-das-frutas que os frutos de P. edulis e P. edulis f. flavicarpa.
PREJUÍZOS:
            As larvas atacam tanto os frutos verdes como também os maduros, destruindo o seu interior e tornando-os imprestáveis para o consumo. Podem causar a queda de frutos novos. Nos frutos mais desenvolvidos causam o murchamento, impedindo sua maturação (Gallo et al., 2002).
CONTROLE:
            Pulverização em cobertura com fenthiom de 10 em 10 dias, suspendendo a aplicação 21 dias antes da colheita, ou o uso de iscas (açúcar mascavo, melaço, xarope de suco de fruta, etc) envenenadas com inseticidas como o malathion ou triclorfon aplicadas apenas de um lado da planta mas em todas as plantas do pomar. (Gallo et al., 2002).
Moscas-do-botão-floral
            • Silba pendula    (Bezzi, 1919)     (Diptera, Lonchaeidae)
            O adulto dessa espécie mede cerca de 4mm de comprimento, apresenta coloração preta, com reflexos metálico-azulados (Gallo et al., 1988).
PREJUÍZOS:
            As larvas da mosca-do-botão-floral atacam a parte interna das flores, o que provoca a queda destas. Impedindo que haja desta forma a polinização, segundo Boiça Júnior, 1998 citado por Fadini e Santa-Cecília, 2000.
NEMATÓIDES
            Os nematóides são de grande importância por causarem diversos danos à produção da cultura do maracujazeiro. Os principais são aqueles causadores de galhas e de áreas necróticas, com tecidos corticais descorados: Meloidogyne arenaria, Meloidogyne javanica e Meloidogyne incógnita.
 
PREJUÍZOS:
            Nematóides do gênero Meloidogyne deforma o sistema radicular da planta, favorecendo o aparecimento de galhas, um enfraquecimento radicular onde reduz o número de raízes secundárias dificultando assim a absorção de água e nutrientes. Devido a tal fato, a planta reduz seu crescimento e suas folhas ficam amareladas.Conseqüência da falta de nutrientes (Ruggiero et al.,1996).
CONTROLE:
            Segundo Ital, 1994:
            → Deve-se ter cuidado com a água utilizada nos viveiros, pois pode conter agentes eficientes na disseminação dos nematóides;
            → Adquirir mudas de boa procedência e qualidade;
            → Tratar o substrato com gás brometo de metila;
           → Recomenda-se que na escolha da área para o plantio, averiguar o passado daquele local (se já teve ou tem alguma contaminação);
→ Sempre que viável, fazer coleta de amostras de solo para exame nematológico;
→ Fazer sempre rotação de cultura;
→ O uso de produtos químicos é pouco eficiente e muito oneroso para o produtor.

   

 

Referência Bibliográfica

BOIÇA JÚNIOR, A. L.; Pragas do Maracujá. In: Ruggiero, C. (Ed.). Maracujá: do plantio à colheita. Jaboticabal, SP: Unesp, p.175-207. 1998.

FADINI, M. A. M.; SANTA-CECÍLIA, L. V. C.Manejo Integrado de pragas do Maracujazeiro. Informe Agropecuário. Belo Horizonte: EPAMIG, p. 29-33. 2000.

 GALLO, D. NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.; BASTISTA, G .C. de; BERTI FILHO, E.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B. & VENDRAMINI, J. D. Manual de Entomologia agrícola. São Paulo, SP: Agronômica Ceres, 690 p. 1970.    

GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.; BASTISTA, G .C. de; BERTI FILHO, E.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B. & VENDRAMINI, J. D. Manual de Entomologia agrícola. São Paulo: Agronômica Ceres, 669p.1988.

GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.; BASTISTA, G .C. de; BERTI FILHO, E.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B.; VENDRAMINI, J. D.; MARCHINI, L. C.; LOPES, J.R.S.& OMOTO, C. Entomologia agrícola. Piracicaba, SP: FEALQ. 920p. 2002.

INSTITUTO de TECNOLOGIA de ALIMENTOS. Maracujá: Cultura, matéria-prima, processamento e aspectos econômicos. 2a ed. Campinas: SP, ITAL, 267 p. 1994.

MARICONI, F. A. M. Alguns percevejos das frutas. O Biológico. São Paulo, 18 (11): p.181-187. 1952.

MELETTI, L. M. M., Propagação de frutíferas tropicais. Guaíba, RS: Editora Agropecuária, 239p. 2000.

ROSSETO, C.; CAVALCANTE, R. D.; GRISI JR., C.; CARVALHO, A. M. Insetos do Maracujazeiro, Passiflora sp. In: Simpósio Cultural do Maracujá. Sociedade Brasileira Fruticultura. Doc. 5. 12p. 1971-1974.

RUGGIERO,C.; SÃO JOSÉ, A. R.; VOLPE, C. A.; OLIVEIRA, J. C. de; DURIGAM, J. F.; BAUMGARTNER, J. G.; SILVA, J. R. da; NAKAMURA, K.; FERREIRA, M. E.; KAVATI, R. & PEREIRA, V. de P. Maracujá para exportação. Brasília: Embrapa-SPI, 64p. 1996.

SAMPAIO, T. O Tupi na Geographia Nacional. 2a ed. São Paulo, Emp. Tipog. Editora “O Pensamento”. 285p. 1914.  

SOUZA FILHO, M. F.; RAGA, A.; KAWATI, R. &  WIRGES, F. Ocorrência de Philonis crucifer (Brèthes) (Coleoptera: Curcullionidae) em Cultura de Maracujá no Estado de São Paulo. An. Soc. Entomol. Brasil, p. 571-572. 1996.

 

PRAGAS DO ABACAXIZEIRO
 
FRANCO-ASSIS, G.A.
MELO, B.
            O abacaxizeiro é conhecido desde muito antes do descobrimento do Brasil, sob o nome de ananás, que até hoje designa internacionalmente a planta e o fruto, quando não considerado pelo seu nome científico.
            O Brasil situa-se entre os maiores produtores mundiais de abacaxi. As áreas comerciais localizam-se, principalmente, em Minas Gerais, Paraíba, Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco (Meletti, 2000).
O abacaxizeiro  é, provavelmente, originário da região compreendida nas áreas que inclui as zonas centrais e sul do Brasil, o nordeste da Argentina e o Paraguai. Estudos de distribuição do gênero Ananas indicam que seu centro de origem é a região da Amazônia, por se encontrar nela o maior número de espécies consideradas válidas até o momento.
A qualidade dos frutos é atribuída às suas características físicas externas (coloração da casca, tamanho e forma do fruto), e internas conferidas por um conjunto de constituintes físico-químicos e químicos da polpa, responsáveis pelo sabor, aroma e valor nutritivo (Gonçalves e Carvalho, 2000).
            O abacaxi é um fruto tropical bastante demandado no mercado de frutas. No Brasil, o abacaxizeiro é cultivado praticamente em todos os estados, como já mencionado. Observou-se com o tempo um crescimento significativo da produção nacional (1,6 milhões de toneladas em 1998), que coloca o país como segundo produtor mundial dessa cultura (Souza et al., 2000).
            As principais cultivares exploradas em todo mundo são: Smooth Cayenne, Singapore Spanish, Queen, Pérola, Perolela, dentre outros (Gonçalves e Carvalho, 2000).
Devido à importância econômica dessa fruta no Brasil e no mundo, vem a ser de extremo interesse e necessidade o estudo dos problemas ocasionados por suas principais pragas. Essas são responsáveis pela baixa produtividade da abacaxicultura.
BROCA-DO-FRUTO-DO-ABACAXI
• Thecla basalides  (Geyer, 1837)   (Lepidoptera, Lycaenidae)
            É uma pequena borboleta onde à fêmea mede aproximadamente 28mm de envergadura. As asas anteriores apresentam na face superior uma coloração cinza-escura, brilhante, externamente nas suas bordas uma faixa estreita  e escura, com uma franja de escamas esbranquiçadas. As asas posteriores apresentam na sua margem inferior manchas alaranjadas e um par de apêndices caudal branco e filiforme (Santa-Cecíli e Chalfoun, 1998).  Segundo Fonseca citado por Santa-Cecília e Chalfoun, 1998 os machos são semelhantes às fêmeas, porém menores e com uma mancha preta  na região dorsal das asas anteriores.
            As fêmeas, para ovipor, fazem posturas sobre as escamas da inflorescência, nas brácteas e botões florais. Os ovos são pequenos com cerca de 0,5mm de diâmetro, de coloração esbranquiçada, achatados na porção inferior. A maioria dos ovos tem sido encontrada nos botões floral e, em pequeno número em flores já desenvolvidas (Manica, 1999).
            Depois de 3 a 5 dias da postura de ovos eclodem as larvas de coloração amarelo-pálida, que medem cerca de 1,52 a 2,00mm de comprimento, eles procuram se alimentar da base tenra das brácteas (Manica, 1999).
            Os primeiros sintomas do ataque aparecem na parte inferior do fruto e, no seu interior, as lagartas alimentam-se dos tecidos, provocando a produção de um  material resinoso, inicialmente incolor, mas que, em contato com o ar, adquire coloração marrom-clara a marrom-escura. Tais substâncias podem ser visualizadas na parte de fora como na parte de dentro do fruto atacado.   
A resinose causada pela broca-do-fruto não deve ser confundida com a gomose, produzida por doença de fungo, pois a resinose se forma entre os frutilhos e a gomose no centro deles (Gallo et al., 2002).
PREJUÍZOS:
            As galerias abertas pela lagarta no interior do fruto ficam cheias de resinas, dando a ele sabor e cheiro desagradáveis. Em conseqüência, os frutos perdem o seu valor comercial. Muitos frutos atacados podem ainda apresentar deformações (Gallo et al., 2002). Os orifícios deixados pela broca-do-fruto representam uma porta aberta para a entrada no fruto sadio de bactérias ou outros insetos e principalmente o Fusarium (Manica, 1999). Segundo Sanches citado por Manica, 1999 a porcentagem de frutos atacados pela broca em culturas comerciais apresentou uma variação de 14%, 60%, 73% e até mesmo 96,7%.
CONTROLE:
            → Fazer a rotação cultural, mudando o local dos novos plantios (Manica, 1999);
            → Praticar controle biológico com Bacillus thuringiensis  (Dipel PM-600 g há), em pulverizações semanais (Gallo et al., 2002);
            → Não fazer uso de mudas do tipo coroa, provenientes de frutos atacados, que foram enviados para a indústria (Manica, 1999);
              Pode ser feito por pulverizações espaçadas de 15 dias, desde o aparecimento da inflorescência da planta, até  o fechamento das últimas flores, cerca de 40 dias depois, com um dos seguintes produtos: carbaril, fenitrotion, paration metílico, triclorfon, betaciflutrina, dentre outros (Gallo et al., 2002).
 COCHONILHA-DO-ABACAXI
• Dysmicoccus brevipes (Cockerell,1893) (Hemíptera, Pseudococcidae)
            Essa praga também é conhecida como piolho-bronco, cochonilha-da-raíz, pulgão-branco..... É de grande importância para a cultura do abacaxizeiro pelos danos decorrentes de sua alimentação, que ocasiona o enfraquecimento das plantas, além de estar associado a uma doença, possivelmente virótica, conhecida como a murcha-do-abacaxizeiro. Esse complexo cochonilha x murcha-do-abacaxizeiro é um dos maiores entraves para o aumento da produtividade da cultura em Minas Gerais: gera perdas na produção da ordem de 70% e ainda promove o abandono de muitas áreas cultivadas. A ocorrência dessa praga é constatada durante todo o ciclo da cultura, com variação na intensidade de infestação (Santa-Cecília e Chalfoun, 1998).
            A fêmea adulta da cochonilha-do-abacaxizeiro, a Dysmicoccus brevipes é um pequeno inseto de coloração rósea, com o corpo oval, tem cerca de 2mm a 3mm de comprimento e corpo coberto por uma secreção de cera branca, pulverulenta. Ao redor de seu corpo, existe um grande número de filamentos, que forma 34 prolongamentos, com apêndices de comprimento e largura praticamente iguais (Manica,1999).
            Bortoli citado por Manica, 1999 diz que  os machos são diferentes das fêmeas, menores, com um par de filamentos caudais longos, um par de asas, com uma longevidade de apenas um dia, tempo considerado suficiente para a cópula.
            A cochonilha vive em simbiose por protrocooperação com formigas, especialmente as do gênero Solenopsis, que se alimentam de sua secreção açucarada. As formigas protegem as colônias dos inimigos naturais, cobrindo-as com terra e restos orgânicos. Além disso, atuam ainda como agente de dispersão na cultura, transportando formas jovens de cochonilha de uma planta para a outra. O deslocamento das cochonilhas é comprometido na ausência de formigas, logo, a disseminação da doença será menor (Santa-Cecíla e Chalfoun, 1998).
PREJUÍZOS:
            Ocorre a murcha, algumas vezes, pode ultrapassar 70% dos custos de produção (Sanches, 2000).
            Quando a praga ocorre no momento da diferenciação da inflorescência ou nos frutos, os sintomas mostram “olhos” proeminentes, brácteas eretas e, no momento do amadurecimento, uma coloração amarela-pálida, a polpa ácida, normalmente os frutos são destruídos na lavoura, por não possuir um valor comercial.
            Ao sugarem filhotes, folhas, rebentos e frutos, as cochonilhas inoculam uma toxina ou virose, que provoca distúrbios fisiológicos, alteração das folhas, com destruição das raízes e grande debilidade da planta, produzindo assim frutos pequenos e em menor quantidade (Manica, 1999).                                                                                                                                                                                                                            
CONTROLE:
            → Fazer rotação de cultura e evitar plantio contínuo numa mesma área (Manica, 1999);
            → Cuidado na aquisição do material de plantio, selecionando mudas com baixíssima infestação por cochonilha (Sanches et al., 2000);
            → Aplicar formicida para destruir as formigas lava-pés atuantes no local (Manica,1999);
            → Destruir material contaminado: enterrar, retirar, queimar (Manica,1999);
            → Aplicar imidacloprid (Gallo et al., 2002);
            → Fazer o uso de inseticidas como: Diazinon, Vamidothion, Parathion metílico, dentre outros (Sanches et al., 2000).
            → Após o plantio, aplicar sistêmico granulado disulfoton na axila das folhas durante a fase de crescimento (Gallo et al., 2002).
ÁCARO-VERMELHO
• Dolichotetranychus floridabus (Banks, 1900)  (Acari, Tenuipalpidae)
            Popularmente ele é conhecido como ácaro-vermelho, ácaro-alaranjado, ácaro-plano-da-base-das-folhas, o ácaro D. floridabus é uma praga que, além de atacar o abacaxizeiro, já foi também encontrada sobre algumas orquídeas, bambus e gramíneas (Matos et al., 2000). Este ácaro segundo Flechtman, 1972 citado por Santa-Cecília et al., 1998 apresenta um corpo alongado, de coloração alaranjada, com 0,2 a 0,3mm de comprimento. Oliveira, 1982 também citado por Santa-Cecilia, fala que apesar de muito pequeno esses indivíduos podem ser vistos facilmente devido sua forte tonalidade na coloração. Os ovos possuem um formato oval e de coloração alaranjada.
            O ácaro-vermelho vive isolado ou em colônia na base da planta (base aclorofilada) atacando principalmente plantas jovens. Ele se alimenta dos tecidos tenros, em sua parte branca, provocando o aparecimento de uma coloração marrom que se espalha produzindo assim áreas necróticas. Essas lesões necróticas podem facilitar a entrada de microrganismos como o Fusarium. (Manica, 1999).
            Dolichotetranhycus floridabus está presente em quase todas as regiões produtoras de abacaxi do Brasil e do mundo em ocorrência variável. Em períodos secos e quentes, durante o ciclo da cultura, a praga se apresenta em níveis populacionais mais elevados, em comparação com épocas mais frias e chuvosas (Matos et al., 2000).
 
PREJUÍZOS:
            Os danos causados ocorrem nos tecidos tenros como os de mudas novas de abacaxi, provenientes dos campos de produção de mudas por seccionamento do talo. Deformações bastante acentuadas nas folhas da coroa do fruto, impedindo que haja a exportação de boa parte da produção do abacaxi (Matos et al., 2000).
CONTROLE:
 Segundo Matos et al., 2000:
              Destruir restos de cultura e também das plantas invasoras;
            → Aplicar produtos fosforados, aqueles que são usualmente aplicados para o controle de cochonilha (Dysmicoccus  brevipes), no tratamento de mudas ou durante o ciclo vegetativo;
            → Fazer o uso de acaricidas ou de inseticidas com ação acaricida.
 
 NEMATÓIDES
            Os nematóides são bastante freqüentes e um dos principais fatores limitantes da cultura do abacaxi. Existem vários gêneros de nematóides mas dentre esses gêneros, as espécies existentes que ocasionam maiores problemas para a abacaxicultura, são as formadoras de galhas (Meloidogyne incognita ou Meloidogyne javanica) e das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus).
Podem ainda ser observados os seguintes sintomas e situações no campo do ataque de nematóides: amarelecimento e redução do crescimento da planta, tamanho desigual de frutos e reboleira de plantas mortas (Costa e Ritzinger, 2000).
 
 
•Meliodogyne javanica
            São endoparasitas sedentários, com estágios juvenis vermiforme que penetram nas raízes do abacaxizeiro, localizando-se perto do cilindro central e injetando toxinas. Desta forma provoca o crescimento anormal dos tecidos, as células passam a nutrir o nematóide que aumenta de tamanho atingindo o estágio de fêmea adulta globosa. O sintoma típico causado por esse nematóide é a formação de galhas (Matos et al., 2000).
PREJUÍZOS:
            O Meloidogyne javanica reduz o comprimento da raiz, há produção exagerada de raízes secundárias, diminuição do florescimento, do peso da folha, do peso do fruto (Matos et al., 2000).
CONTROLE:
            Segundo Manica, 1999:
            → Utilizar mudas produzidas em viveiros ou retiradas de plantações livres de contaminação (pragas ou doenças);
            → Formar as plantações em áreas livres de nematóides, locais nunca utilizados para o plantio do abacaxizeiro ou outras plantas hospedeiras de nematóides;
            → Controlar a entrada de material contaminado no local livre: caixas, ferramentas, máquinas;
            → Fazer rotação de cultura e evitar o plantio de arroz, bananeira, bata-doce;
            → Aplicar matéria orgânica ao solo, incorporar restos de culturas, o que favorece as plantas, prejudica os nematóides;
            → Inundar as áreas mais planas, o que causa a morte de plantas hospedeiras e dos nematóides por asfixia;
            → Realizar pesquisas e desenvolver cultivares resistentes aos nematóides;
            → Abandonar áreas que um dia foi contaminada. Podendo fazer o uso de pastagem neste caso;
            → Fazer uso de produtos químicos é meio arriscado, porque estes tem um alto custo econômico, não é eficiente e em razão do pouco conhecimento da parte dos técnicos e produtores.
 
 
• Pratylenchus  brachyurus
            São endoparasitos migradores, encontrados normalmente no interior da plantas. Os machos e as fêmeas são vermiformes, diferindo somente no caráter sexual. Os machos são raramente encontrados na natureza.
            A reprodução é partenogenética, ou melhor, por meio de ovos que se desenvolvem sem a fecundação.
            Todos os estádios juvenis e adultos são infectivos, alimentando-se do conteúdo celular enquanto migram pelos tecidos, matando as células e causando lesões necróticas evidentes ao longo das raízes. Os ferimentos ocasionados pelos nematóides podem vir a ser uma futura porta de entrada para outros organismos destruidores do sistema radicular.
As raízes primárias e secundárias são destruídas e a planta exibe um sistema radicular pobre (Matos et al., 2000).
PREJUÍZOS:
            Quando presente este nematóide pode vir a causar: redução do crescimento das plantas, coloração amarelada e avermelhada das folhas, perde da turgescência da folha com murchamento das pontas, podendo lembrar sintomas de deficiência nutricional (Matos et al., 2000).
CONTROLE:
            O mesmo feito para o nematóide Meloidogyne javanica  pode ser executado para o Pratylenchus brachyurus

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

  COSTA, C. D.; RETZINGER, P. S. H. C.; Nematóides e seu Controle. Abacaxi Produção.Brasília, DF: Embrapa, p. 51-55. 2000.

GALLO, D. NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.; BASTISTA, G .C. de; BERTI FILHO, E.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B. & VENDRAMINI, J. D. Manual de Entomologia agrícola. São Paulo, SP: Agronômica Ceres, 690 p. 1970.    

GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.; BASTISTA, G .C. de; BERTI FILHO, E.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B. & VENDRAMINI, J. D. Manual de Entomologia agrícola. São Paulo: Agronômica Ceres, 669p.1988.

GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.; BASTISTA, G .C. de; BERTI FILHO, E.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B.; VENDRAMINI, J. D.; MARCHINI, L. C.; LOPES, J.R.S.& OMOTO, C. Entomologia agrícola. Piracicaba, SP: FEALQ. 920p. 2002.

GONÇALVES, N. B.; CARVALHO, V. D. Abacaxi Pós-colheita. Brasília, DF: Embrapa, p. 13. 2000.

MANICA,I. Fruticultura tropical 5. Abacaxi. Porto Alegre: Cinco Continentes, 501p. 1999.

MARICONI, F. A. M. Alguns percevejos das frutas. O Biológico. São Paulo, 18 (11): p.181-187. 1952.

MATOS, A. P.; COSTA, D. da C.; SILVA, J. R. da; SOUZA, L. F. da SILVA.; SANCHES, N. F. &  CORDEIRO, Z. J. M. Abacaxi Fitossanidade. Brasília, DF: Embrapa, 77 p. 2000.

MELETTI, L. M. M., Propagação de frutíferas tropicais. Guaíba, RS: Editora Agropecuária, 239p. 2000.

SAMPAIO, T. O Tupi na Geographia Nacional. 2a ed. São Paulo, Emp. Tipog. Editora “O Pensamento”. 285p. 1914.

SANCHES, N,F. Pragas e seu controle. Abacaxi Produção. Brasília, DF: Embrapa, p. 56-61. 2000.

SANTA-CECÍLIA, L. V. C.; CHALFOUN, S. M. Pragas e Doenças que afetam o abacaxizeiro. Informe Agropecuário, EPAMIG, p. 48-57. 1998.

SOUZA, L. F. da S.; CABRAL, J. R. S. & REINHARDT, D. H. Introdução. Abacaxi Produção. Brasília, DF: Embrapa, p. 9. 2000.