A banana é uma das frutas de maior consumo
no mundo, sendo a base da economia de alguns países, graças as suas
características alimentares que implicam num elevado consumo nas diversas
camadas da sociedade.
No Brasil, segundo dados do IBGE, no ano de
2001, a cultura foi a segunda mais produzida, ficando atrás somente da
laranja. Apresentou uma área colhida de 510.313 ha, com uma produção de
6.177.293 toneladas de frutos, o que correspondeu a um volume de negócios
superior a 1 bilhão e oitocentos milhões de reais no ano de 2001. (www.boletimpecuário.com.br.).
A casca da banana constituiu-se numa
embalagem individual, fácil de retirar, higiênica e, portanto, prática e
adaptável aos costumes dos tempos atuais. Contribuem ainda para o seu alto
consumo a ausência de suco na sua polpa, a ausência de sementes duras, o
valor alimentício e a sua disponibilidade no mercado brasileiro e em
diversos países do mundo, durante o ano todo. Por outro lado, a banana é
uma fruta frágil, que exige grandes cuidados na colheita e no manejo pós-colheita.
Em países onde não se adotam estes cuidados são comuns perdas de 40 a 60%
da banana produzida, em razão de um manejo inadequado e conseqüentes
podridões pós-colheita. Na lavoura, normalmente, os danos já estão
cicatrizados no momento da colheita, sendo por este motivo considerados
menos graves. Ao contrário dos que ocorrem a partir da colheita, ou seja,
na própria colheita, no amontoamento dos cachos, nos translados e no
transporte interno na propriedade, na embalagem do produto, no transporte
para o mercado, no manuseio das frutas no mercado, na climatização e na própria
residência do consumidor, são considerados mais graves porque nesta fase já
não é mais possível a cicatrização dos tecidos. (Lichtemberg, 1999).
O Brasil, embora sendo um dos principais
produtores mundiais, carece de uma melhor organização produtiva e
comercial, e essa deficiência tem resultado na produção de bananas de
qualidade apenas aceitável e num fraco volume de exportação. Além disso,
o Brasil possui um aspecto negativo de elevadas perdas após a colheita,
devido a falta de organização e tecnologias apropriadas de armazenamento,
transporte e comercialização. Não se tem números exatos de quanto das
cerca de 6 milhões de toneladas de bananas produzidas no Brasil são
perdidas em pós-colheita, mas estima-se que 40 a 50% do total produzido
deixa de ser comercializado ou consumido. A organização da produção de
forma racional e moderna em toda cadeia produção-distribuição, além da
melhoria na qualidade da fruta, podem proporcionar maiores ganhos ao
produtor e conduzir o Brasil a tornar-se também um grande exportador de
bananas.
A fase de pós-colheita, embora muitas vezes
pouco considerada, é uma das fases mais crítica dentro do processo produção-comercialização,
uma vez que ela define, desde o momento que se colhe até o consumo, a
qualidade e a capacidade de conservação da fruta. A pós-colheita de uma
fruta começa no momento da separação desta de sua fonte produtora (a
planta) e se estende até que a mesma atinge o consumidor final e seja
consumida. O processo produtivo é cumulativo e o produto colhido representa
o resultado do tempo, terra, mão-de-obra, insumos e demais componentes
necessários à produção. Caso a produção econômica não seja
consumida, todos os esforços prestados durante o processo produtivo terão
sido em vão. A obtenção de um produto de alta qualidade deve ser a meta
de qualquer processo de produção, sendo ele para grandes ou pequenos
produtores, e uma vez alcançada resulta numa melhor aceitação pelo
mercado consumidor e maiores retornos financeiros à base produtiva.
A pós-colheita da banana apresenta certos
inconvenientes:
a)A fruta madura é bastante suscetível a danos físicos durante o
transporte e comercialização, devido aos constantes manuseios de cacho
antes do despencamento, e das frutas nas embalagens;
b)As bananas maduras deterioram-se rapidamente, devido ao ataque de
fungos que podem instalar-se nos frutos antes ou após a colheita;
c)Em condições naturais, existe desuniformidade ao amadurecimento de
bananas após a colheita.
Na bananicultura, para contornar ou
minimizar estes problemas, é comum a colheita da frutas ainda verdes, porém
fisiologicamente maduras, seguida pelo amadurecimento controlado (também
chamado de climatização) em recintos apropriados. Mesmo sabendo-se que a
fruta também pode sofrer o amadurecimento na própria planta, estudos
antigos revelaram uma melhor qualidade de fruta quando amadurecida fora da
planta, traduzida por um melhor aspecto quanto a coloração interna e
externa e um melhor sabor.
A climatização de bananas vem ultimamente
se constituindo numa maneira de elevar a rentabilidade dos produtores,
eliminando, em parte, a presença do atravessador. Porém, há necessidade
de um intercâmbio mais consistente entre os segmentos produção/pós-colheita,
buscando-se maximizar o uso de tecnologias apropriadas para a produção de
bananas de alta qualidade, uma vez que o amadurecimento controlado não é
capaz de elevar a qualidade de uma fruta afetada antes de sua colheita, ou
por sua exposição a condições desfavoráveis ou pelo seu manejo
inadequado. O manejo adequado da cultura, desde o seu plantio até a
colheita, juntamente com uso de tecnologias apropriadas de amadurecimento
controlado são, entre outros, caminhos a serem seguidos, não só para
maior produtividade e rentabilidade, como também para a melhoria da
qualidade das frutas. (Kluge, 2003).
Algumas regiões brasileiras como o litoral
de Santa Catarina, o Vale do Ribeira e o Planalto Paulista (SP), o Norte de
Minas Gerais, o Vale do Assú (RN) já apresentam uma evolução no manejo pós-colheita
da banana, mas ainda há muito para ser melhorado. O principal diferencial
entre a qualidade do produto de países tradicionalmente exportadores, como
Equador, Costa Rica e Colômbia, e a banana produzida no Brasil deve-se aos
cuidados em pós-colheita. (Lichtemberg, 1999).
Podemos notar que um bom produto não
depende somente de sua condução durante a produção. Para que ele chegue
às mãos do consumidor com elevada qualidade, os tratamentos e técnicas de
pós-colheita são essenciais. E são estes tratamentos e técnicas de
colheita e pós-colheita da banana que veremos à seguir.
A formação de grandes blocos (União Européia,
Mercosul, etc.) coloca algumas questões sobre o desenvolvimento do comércio
internacional. Contudo, ainda é muito cedo para tirar conclusões
definitivas sobre se estes grandes blocos se constituirão em grandes
mercados para a colocação de produtos de outras regiões, ou se
transformarão em grandes “fortalezas”, aumentando suas barreiras
alfandegárias e paratarifárias para produtos de outras origens que não
sejam os próprios.
Em termos gerais, a demanda por produtos
alimentícios de alta qualidade cresceu regularmente nos países
desenvolvidos, o que provocou importantes aumentos do consumo,
principalmente de frutas frescas e de outros produtos exóticos importantes
para países do Hemisfério Sul.
Em nível mundial se manifestam certas mudanças
no consumo de alimentos em função de aspectos sócio-econômicos. Por um
lado constata-se uma baixa geral da natalidade, tendendo ao envelhecimento
da pirâmide populacional, o qual somado ao aumento da esperança de vida
gerará no futuro uma ampliação da população de 50 anos para cima,
contribuindo para o incremento da demanda de alimentos frescos, saudáveis e
nutritivos. Por outro lado, também se observa uma tendência à diminuição
do tamanho dos núcleos familiares e a uma maior porcentagem de pessoas
vivendo só. Paralelamente a esta tendência, se consolida a inserção da
mulher no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos 76% das mulheres
economicamente ativas trabalham ou estão procurando trabalho.
Todos esses fatores trazem modificações
nos hábitos de consumo, com as seguintes conseqüências:
·Sensibilidade crescente em relação a fatores ecológicos e dietéticos.
Isto se traduz numa maior preocupação no que se refere à qualidade e
origem dos produtos e sua relação com a saúde;
·Crescente individualismo e dissolução da tradicional refeição no
lar. A tendência atual é para a diminuição do tamanho das frutas e
hortaliças, por exemplo: melões e melancias de menor tamanho;
·O consumidor tende a desprender-se dos horários e dos costumes, o
que aumenta a substituição das refeições por sanduíches, frutas frescas
e “fast foods”, quer dizer, refeições rápidas, fáceis e que não
sujem;
·Surgimento de um consumidor hedonista aberto às novidades.
Existe uma atração pelos produtos novos e
uma tendência à busca de novos sabores, constituindo uma força motora nas
mudanças dos hábitos de consumo. Dadas as modificações dos hábitos de
consumo, no que se refere ao consumo de frutas e hortaliças, se prevê a
diminuição do consumo de hortaliças de cocção prolongada, o aumento do
consumo de frutas e hortaliças frescas garantidas por uma marca e o aumento
do consumo de frutas exóticas. (Carraro & Cunha, 1994).
No mercado frutícola internacional, que
movimentou cerca de 32,7 milhões de toneladas em 1998, o que representa um
total de US$ 12,5 bilhões, verifica-se distinção flagrante entre os
segmentos de frutas tropicais e temperadas (Figura 1), uma vez que possuem
características, padrões de distribuição e marketing
diferenciados. As frutas de clima temperado são produzidas em grande escala
e a maior parte de sua comercialização, inicialmente, era realizada entre
países vizinhos no Hemisfério Norte, muitas vezes membros de um mesmo
bloco econômico. Entretanto, com a sofisticação da demanda, em que o
consumidor passou a exigir a disponibilidade de frutas frescas durante todo
o ano, ampliaram-se as exportações de longo curso, que visam garantir o
abastecimento no período de entressafra dos países produtores daquela região.
Nesse momento surgiu a possibilidade de uma maior inserção, nesses
mercados, das nações do Hemisfério Sul, que passaram não somente a
atender essa demanda crescente, como também a ofertar frutas de clima
tropical, muitas delas considerada exóticas. (www.sebraenet.com.br).
Figura
1 – Participação percentual de frutas tropicais, temperadas e banana no
mercado internacional frutícola (em valor)
Fonte: FAO, 1998.
A banana é a fruta com maior volume
transacionado no mercado mundial, pois é consumida tanto em países
tropicais quanto em temperados.
O
Brasil é o terceiro produtor mundial de banana, sendo superado pela Índia
e pelo Equador. Embora seja grande produtor mundial da fruta, sua participação
no mercado internacional ainda é marginal. Nos últimos anos, o País tem
exportado menos de 1% do que consegue produzir. As exportações são
destinadas basicamente a dois países: Argentina e Uruguai (Tabela 1). Os
Estados de São Paulo e de Santa Catarina são os maiores exportadores da
fruta no Brasil. Apesar disso, a maior parte da produção desses Estados é
destinada ao mercado doméstico.
O
maior concorrente do Brasil no mercado de banana dos países da América do
Sul é o principal exportador mundial, o Equador. Enquanto esse país vem
aumentando suas exportações para os países do Cone Sul, as exportações
brasileiras vêm diminuindo. Uma explicação para esse fato é que o
Equador consegue comercializar uma banana de melhor qualidade e com menor
custo que o Brasil. O Pacto Andino, que estabelece taxação zero na
comercialização entre os países participantes (Argentina, Uruguai e
Equador), é outro componente de competitividade equatoriana que não deve
ser ignorado. (Almeida
et. al., 2001)
Tabela 1– Destino das
capacitações brasileiras de banana em 1998.
País
Volume
(Kg)
Valor
(US$)
Valor unit.
(US$/Kg)
Valor unit.
(US$/Kg)
Volume
(%)
Alemanha
1.104
4.313
3.91
3.906,70
0,00
Espanha
359.712
157.711
0,44
438,44
0,52
Itália
51.960
16.887
0,33
325,00
0,08
Países
Baixos
11.424
43.506
3,81
3.808,30
0,02
Argentina
43.700.124
7.074.722
0,16
161,89
63,74
Uruguai
24.426.880
4.315.498
0,18
176,67
35,63
Cabo
Verde
150
225
1,50
1.500,00
0,00
Chile
4.000
16.000
4,00
4.000,00
0,01
Total
68.555.354
628.862
0,17
169,63
100,00
Bloco
Econômico
Volume
(Kg)
Valor
(US$)
Valor unit.
(US$/Kg)
Valor unit.
(US$/Kg)
Volume
(%)
União
Européia
424.200
222.417
0,52
524,32
0,62
Mercosul
68.127.004
11.390.220
0,17
167,19
99,38
Outros
4.150
16.225
3,91
3.909,64
0,01
Total
68.555.354
11.628.862
0,17
169,63
100,00
Fonte: Ibraf
(1999).
Na tabela 02, pode-se observar que o
Equador lidera as exportações mundiais de bananas, respondendo por 30%
do volume transacionado. Nota-se, também que os cinco principais
importadores são Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Bélgica e Japão.
É importante destacar que a Bélgica e Luxemburgo, apesar de não serem
produtores, uma vez que não possuem clima adequado, ocupam a segunda posição
no ranking de exportações e as distribuem para as demais regiões da União
Européia. Por outro lado, a importância dos Estados Unidos como país
exportador de bananas deve-se à consolidação de fortes estruturas de
produção e comercialização, em importantes regiões produtoras da América
Central e América do Sul. Também pode-se observar na tabela 02, que o
Brasil é o primeiro consumidor mundial de bananas. Obviamente, além do
elevado consumo interno, existem outros fatores que dificultam o aumento
das exportações brasileiras. (Barros & Pizzol, 2003).
Tabela 2–Principais Países
Produtores, Importadores, Exportadores e Consumidores da Banana.
País
Produtor
Produção
(ME)
País
Importador
Qtd
Importada U$(1000)
País
Exportador
Qtd.
Exportada (U$1000)
País
Consumidor
Consumo
Aparente (Mt)
Índia
11.000.000
EUA
1.387.194
Equador
1.058.729
Brasil
5.437.561
Brasil
5.506.080
Alemanha
686.452
Bélgica
747.078
China
4.200.017
Equador
4.563.442
Reino
Unido
577.674
Costa
Rica
568.029
EUA
3.506.324
China
3.733.814
Bélgica
574.648
Colômbia
476.402
Indonésia
3.099.332
Filipinas
3.560.800
Japão
469.913
Filipinas
217.040
Filipinas
2.411.289
Indonésia
3.176.749
Itália
376.793
Guatemala
191.372
México
1.280.868
Costa
Rica
2.098.333
França
223.259
EUA
177.013
Honduras
819.313
Tailândia
1.720.000
China
163.151
França
174.377
Egito
667.167
México
1.525.636
Canadá
161.246
Itália
139.351
Malásia
505.160
Colômbia
1.516.640
Suécia
159.079
Panamá
138.748
Espanha
421.811
Fonte: FAO,
1998.
As
precárias estruturas de produção e comercialização da banana, o
manejo do produto a partir da colheita e a falta de cuidados no manejo pós-colheita,
são responsáveis pela desvalorização da banana no mercado interno e
pela perda de oportunidades de exportação da fruta brasileira. Além
disso, as normas de qualidade são defasadas, dispersas e não-compatíveis
com os padrões básicos vigentes nos mercados compradores de fruta in
natura.
Segundo
estudos desenvolvidos por Souza et. al., apud Almeida et. al. (2001),
sugerem que as vantagens oferecidas pelo Equador, tais como preços estáveis
e competitivos, oferta regular, boa apresentação do produto, transporte
marítimo em temperatura constante, são fatores que justificam a superação
do produto equatoriano em relação ao brasileiro. Os mesmos autores
informam também que as condições climáticas do Equador e de outros
concorrentes do Brasil, como a Venezuela, a Colômbia e os países da América
Central, favorecem a obtenção de produção contínua, o que é um parâmetro
importante de acesso ao mercado internacional, pois a produção contínua
pode assegurar regularidade de oferta. Os referidos países estão
localizados próximos à linha do equador, onde predomina um clima quente,
que é altamente favorável à produção de banana de alto padrão de
qualidade. O alto índice de precipitação também é um dos fatores de
competitividade dos países localizados próximos à linha do equador.
A
Costa Rica, além de apresentar altos índices de precipitação – em
torno de 4.300 mm ao ano - , nas principais regiões produtoras de banana,
dispensa o uso de irrigação. O ambiente desses países, entretanto, é
altamente propício à incidência de doenças foliares como a sigatoka,
exigindo, assim, elevados investimentos para o seu controle. O Brasil pode
tirar proveito desse importante fator de adversidade, cada vez mais
limitante às transações no comércio internacionais de produtos agrícolas.
Uma das opções seria explorar o grande potencial da Região Nordeste do
País, que oferece excelentes condições climáticas e de recursos hídricos.
A possibilidade de desenvolver uma bananicultura com baixa incidência de
doenças, alta produtividade, oferta regular e menores distâncias portuárias
entre a região e os principais mercados importadores de banana
credenciam-na a constituir uma subzona de comércio com os Estados Unidos
e a União Européia.
A
exemplo da manga e da uva, frutas que o Nordeste consegue exportar com
qualidade e um certo grau de competitividade, a banana, fruta mais
consumida no mundo, também poderia representar uma excelente
possibilidade de expansão das exportações agrícolas nordestinas.
Entretanto, para que isso aconteça, é necessário superar uma fase de
baixa eficiência da produção da fruta, cultivar as variedades mais
demandadas no mercado internacional e tornar a qualidade da banana compatível
com as exigências dos mercados.
Enquanto
a banana tipo Cavendish é a mais aceita e transacionada no mercado
internacional, a banana tipo Prata foi a escolhida para cultivo no
Nordeste. A região necessita reorientar sua produção para ter uma inserção
ativa e competitiva, em curto e médio prazos, no mercado internacional de
banana. Essa foi uma das estratégias utilizadas nos plantios empresariais
do Vale do Açu, localizados no Rio Grande do Norte, para alcançar o
mercado externo: o Estado exporta banana para a Argentina e também já
alcançou o cobiçado mercado europeu.
Ainda
que os países produtores de banana tipo Prata venham a conquistar espaço
no mercado internacional, dificilmente eles conseguiriam concorrer com os
países cuja produção é orientada para a banana tipo Cavendish, a
exemplo da Grand Naine. Em condições irrigadas, a produtividade média
da banana tipo Cavendish alcança 50 t/ha, enquanto a do tipo Prata
dificilmente ultrapassa a média de 35 t/ha.
A
banana, por ser uma fruta perecível, sensível a choque físico e com rápida
maturação, conferiu ao mercado internacional a característica de “comércio
de vizinhança”, onde os maiores centros importadores mantêm relações
geopolíticas especiais com os países exportadores. Como exemplo, os
Estados Unidos absorvem a maior parte da banana produzida na América
Central, na Colômbia e no Equador, em função tanto de sua proximidade
como dos vínculos existentes entre este país e as grandes transnacionais
que atuam tradicionalmente no comércio da fruta. Na Ásia, o Japão também
busca parceiros mais próximos, garantindo a compra da produção
filipina. Da mesma maneira, o mercado platino é abastecido pela produção
brasileira. No caso da União Européia, a parceira comercial pautou-se
por razões histórico-econômicas, beneficiando preferencialmente suas
ex-colônias na África, Caribe e Pacífico (ACPs), ou países signatários
do Acordo de Lomé, com tarifas preferenciais e cotas de mercado. (Barros
& Pizzol, 2003).
A
banana tipo Cavendish também é a mais comercializada da União Européia,
que é também o maior mercado mundial da fruta, movimentando cerca de US$
5 bilhões por ano no varejo.
No
regime de importação de banana da União Européia em vigor até 1998,
os países da América Latina tiveram as cotas de exportação reduzidas.
Como efeito dessa política, parte da oferta equatoriana e costarriquenha
de banana, que antes era destinada aos mercados europeus, passou a ser
destinada à Argentina e ao Uruguai. As cotas de exportação são
estabelecidas com base no desempenho exportador do país, sendo reservadas
para os países que têm tradição no mercado. O Brasil não é
contemplado porque não é um exportador tradicional de banana.
Em
1998, o Brasil reivindicou uma cota de 200 mil toneladas. Após forte
pressão dos Estados Unidos e dos principais países exportadores de
banana da América Latina, a União Européia revisou o regime de importação
de banana em outubro de 1998, que passou a vigorar a partir de janeiro de
1999. No novo regime, os países latino-americanos tiveram suas cotas
aumentadas, e o Brasil, finalmente, foi contemplado com 9,43% da cota de
exportação cedida aos países da América Latina. O primeiro grande
desafio já foi vencido – o Brasil conseguiu a cota; o segundo, talvez o
maior, será mantê-la. (Almeida et. al., 2001).
O
cenário comercial completa-se pela presença das tranding companies, que
constituem eficientes estruturas de produção, pós-colheita, armazenagem
e distribuição nos principais países exportadores. Destacam-se entre
elas as norte-americanas Chiquita, a marca de banana mais conhecida nos
Estados Unidos, e Dole, a equatoriana Noboa e a Del Monte. Elas
associam-se a produtores independentes por contratos de produção e
dominam toda a estrutura de comercialização, sendo então fortes
concorrentes, já estabelecidas nos principais mercados importadores e
exportadores de banana.
Apesar
das oportunidades geradas pelo aumento da demanda no período de
entressafra dos países do Hemisfério Norte, e mesmo pelo surgimento de
nichos de mercado para a fruticultura tropical e de espécies exóticas, a
participação do Brasil no comércio internacional é extremamente
reduzido. Vale lembrar que além de grande parte da produção de banana não
alcançar os padrões de qualidade exigidos para exportação, também a
estrutura produtiva brasileira de frutas, muitas vezes alicerçada em
propriedades de pequeno e médio porte, não consegue atingir uma escala
de produção compatível com a adoção das tecnologias exigidas pelos
compradores internacionais.
Nesse
sentido, justifica-se a formação de associações, organizações
cooperativas e consórcio de produtores com empresas âncoras, capazes de
organizar a oferta regional e garantir o acesso às packing houses. E com
vistas a incrementar ainda mais a participação do Brasil no comércio
internacional, um grande esforço de promoção tem sido realizado pelo
governo e pelos produtores no sentido de divulgar a fruticultura tropical
nos países de clima predominantemente temperado. A principal estratégia
utilizada foi a criação de uma marca, a “Brasilian Fruit”, com o
objetivo de estabelecer uma referência mundial para o produto brasileiro,
fortalecendo as características positivas da fruta nacional nos
principais mercados consumidores. (www.sebraenet.com.br).
Para se obter uma fruta de qualidade,
diversas medidas devem ser tomadas desde a implantação da cultura.
Práticas culturais que visam à proteção
da fruta no campo, assim como o melhor desenvolvimento dos frutos e o
controle de pragas e doenças, garantindo a boa aparência da banana,
favorecem a sua comercialização.
Entre estas práticas podem ser citadas a
adubação química e orgânica; o controle de pragas, doenças e plantas
daninhas; a irrigação e drenagem; o desbaste dos filhotes; o uso de
quebra-ventos, a poda de pencas; a poda do coração e o ensacamento dos
cachos.
Práticas que evitam o desfolhamento das
plantas, como o controle do mal-de-sigatoka, o controle de ventos, frio, a
irrigação e a nutrição mineral, além de permitir um melhor
desenvolvimento do cacho, reduz o descarte de frutos por queimaduras de
sol, maturação precoce e tamanho reduzido. Estas práticas também
aumentam a vida-de-prateleira da banana.
Outras com o objetivo primordial de
melhorar a aparência e preservar a integridade dos frutos, evitando danos
mecânicos, biológicos e climáticos, podem ser citadas, tais como: o
ensacamento dos cachos, o escoramento das plantas, a desfolha, a poda de
pencas e do coração, a despistilagem, o desvio de cachos e de filhotes e
a proteção dos frutos contra a insolação.
Todos esses aspectos são de grande importância
para que se obtenha uma fruta de boa qualidade no momento da colheita. (Lichtemberg,
1999).
Nas plantas, a “respiração” eqüivale à queima lenta dos compostos ricos em
energia, obtidos pela fotossíntese, dos quais um dos mais simples é a
glicose. Essa queima leva à transformação e canalização da energia
para outras reações vitais da planta. O processo de respiração das
plantas pode ser comparado a queima do carbono existente na madeira que
fornece energia para aquecer o fogão. Também nos animais e no homem, a
respiração serve para queimar lentamente o carbono contido nos compostos
orgânicos provenientes da alimentação, mantendo seus corpos aquecidos e
fornecendo energia para seu metabolismo.
O processo de respiração da planta pode
ser simplificado da seguinte maneira:
Composto rico em energia + oxigênio do ar
= gás carbônico (CO2) + água (H2O) + energia para
a planta.
Ao contrário dos animais e do homem, que
são consumidores ou heterótrofos, a planta é capaz de sintetizar seu próprio
alimento, sendo por isso chamado de organismo autótrofo, ou produtor.
Partindo de nutrientes em sua forma elementar, presentes no ambiente, mais
a energia solar e água, as plantas verdes produzem compostos ricos em
energia e biologicamente úteis para todos os seres vivos.
De forma simplificada podemos dizer que:
Energia do sol + gás carbônico do ar +
água do solo = glicose (um açúcar rico em energia).
A esse processo chamamos de fotossíntese.
O produto, ou seja, a glicose, é transportada das folhas verdes, onde é
produzida, para o restante da planta, servindo de fio condutor para o
metabolismo construtivo da própria planta ou de quem dela se alimentar.
Resumindo, é do processo da fotossíntese que surge a energia necessária
para a vida, a qual é liberada através da respiração.
Quando frutas e hortaliças são colhidas
pelo homem, elas continuam vivas e suas transformações químicas
naturais não param de acontecer. Porém, separadas da planta mãe ou do
solo, elas são forçadas a utilizar suas reservas de substrato ou de
compostos orgânicos ricos em energia, como açúcares e amido, a fim de
respirar e assim produzir a energia necessária para manterem-se vivas.
De todos os processos metabólicos que
ocorrem nas hortaliças e nas frutas, após a colheita, a respiração é
o mais importante e pode ser afetado por fatores próprios da planta
(internos) ou do ambiente (externos).
Analisando as partes responsáveis pelo
processo respiratório, como descritas mais acima, podemos concluir que:
ØO consumo de composto rico em energia acarreta na perda de peso
seco, valor nutritivo e aroma.
ØO consumo de oxigênio do ar ajuda a dar continuidade a respiração
e, desta forma, manter a textura e o sabor das plantas. Este fator é
controlável, ou seja, reduzindo-se o teor de oxigênio de maneira que a
planta continue respirando em nível mínimo, pode-se conservá-la por
mais tempo. Porém, na ausência do oxigênio atmosférico, a produção
de energia necessária para a vida não cessa, sendo fornecida pelo que
chamamos de fermentação. Conseqüência desse processo é a produção
de alcóois e gás carbônico que alteram o sabor e causam colapso dos
tecidos, levando à deterioração total das frutas e hortaliças.
ØA produção de gás carbônico no ambiente onde se encontram as
frutas ou hortaliças colhidas pode elevar a concentração do mesmo no
interior da planta. Quando em quantidades superiores ao necessário para a
fotossíntese, pode chegar a níveis tóxicos, alterando o metabolismo e
produzindo álcool e toxinas. Quando controlado, a concentração de gás
carbônico atmosférico ajuda a reduzir a taxa de respiração e contribui
para a melhor conservação das plantas.
ØA produção de água durante a respiração tem pouca influência
na conservação.
ØA produção de energia é utilizada, em parte, pela planta, para
sua manutenção. Outra parte, porém, é liberada para o ambiente em
forma de calor. Desta forma, justifica-se a utilização de baixas
temperaturas para reduzir a velocidade respiratória, aumentando a
conservação dos produtos.
Cada espécie cultivada possui uma taxa
respiratória característica, diferente da de outras espécies. Em geral,
a intensidade de respiração de produtos imaturos é alta, diminuindo com
o tempo, com o crescimento e a frutificação das plantas. Ao início da
fase de maturação, a taxa respiratória volta a aumentar em algumas espécies.
A perecibilidade e o envelhecimento das hortaliças e frutas são
proporcionais ao tipo e à intensidade de respiração de cada espécie.
Daí surge a classificação de produtos climatéricos e não-climatéricos.
Produtos climatéricos são aqueles que,
logo após o início da maturação, apresentam rápido aumento na
intensidade respiratória, ou seja, as reações relacionadas com o
amadurecimento e envelhecimento ocorrem rapidamente e com grande demanda
de energia, responsável pela alta taxa respiratória.
Exemplos de frutas e hortaliças climatéricas
são a banana, goiaba, manga, mamão, caqui, melancia e tomate.
A fim de retardar a maturação e o
envelhecimento e aumentar o período de conservação, frutas e hortaliças
climatéricas costumam ser colhidas ainda verdes, à partir do momento em
que atingem o ponto de maturação. Em seguida são armazenadas em condições
controladas.
Produtos não-climatéricos são aqueles
que necessitam de longo período para completar o processo de
amadurecimento, mais lento nesses produtos. A energia fornecida se mantém
em constante declínio durante todo processo de envelhecimento.
Exemplos de frutas e hortaliças não-climatéricas
são a laranja, tangerina, uva, berinjela, pimenta, alface, couve-flor, o
pepino, limão e o abacaxi.
Produtos não-climatéricos são deixados
na planta até atingirem seu estágio ótimo de amadurecimento, quando são
colhidos.
A produção de etileno, um hormônio de
maturação e envelhecimento de vegetais, ocorre naturalmente durante a
fase de amadurecimento dos frutos, principalmente dos climatéricos. O gás
etileno também é utilizado pelo homem quando se deseja estimular o
amadurecimento de frutos como a banana, o mamão, entre outros. (www.planetaorgâncio.com.br).
A temperatura afeta tanto a taxa de produção
de etileno como a sensibilidade dos produtos ao etileno. O etileno pode
ter importantes efeitos benéficos ou nocivos nos produtos frescos; para
que tais efeitos ocorram deve-se acumular uma mínima concentração
dentro da atmosfera interna do produto e a temperatura deve estar também
sobre um nível mínimo. Estes níveis críticos de concentração e
temperatura não estão bem definidos. Ainda assim, dado que as taxas
tanto de produção como de ação do etileno são dependentes da
temperatura, um resfriamento rápido e um bom manejo da temperatura são
vitais para retardar a maturação da fruta e outros processos de
deterioração. (Carraro & Cunha, 1994).
Outro processo natural que se pode
observar em produtos de todas as idades é a “Transpiração”.
Frutas e hortaliças possuem de 85 a 95% de água em seus tecidos e
aproximadamente 100% em seus espaços intercelulares. Como no meio
ambiente a umidade relativa atinge o valor de cerca de 80%, a água passa
da maior concentração nas plantas para a menor concentração no meio
ambiente. Isso se dá através da transpiração, a qual, quando em
excesso, pode modificar a aparência dos produtos tornando-os enrugados e
opacos. Nesse caso, a textura apresenta-se mole, flácida e murcha, e o
peso pode diminuir em até 10% do peso inicial. Quanto maior a superfície
exposta do produto, maior é a sua taxa de transpiração. Pêlos retardam
a perda de água e baixas temperaturas fazem com que estômatos (pequenas
aberturas na superfície de algumas hortaliças) se fechem, diminuindo a
transpiração. Após a colheita, porém, se abertos, os estômatos não
conseguem mais se fechar.
Desta forma pode-se concluir que fatores
como aumento da temperatura ambiente ou da ventilação de ar não-saturado
de umidade, provocam maior transpiração.
Por ser um processo físico, o controle da
transpiração em frutas e hortaliças é considerado relativamente fácil,
se respeitadas as condições.
Afetando diretamente a respiração,
transpiração e outros aspectos fisiológicos das plantas, a “Temperatura” pode ser considerada como sendo o principal fator
externo na conservação das frutas e hortaliças. O quadro abaixo resume
as formas como este fator age sobre os produtos alimentícios, em prol ou
contra uma boa conservação pós-colheita.
Temperatura
Influência
Positiva
Influência
Negativa
Aumento
-
A cada
aumento de 10ºC na temperatura., ocorre um aumento de 2 a 3 vezes
na velocidade de deterioração dos produtos
Diminuição
Redução da respiração (= maior
empo de conservação)
Quando a
temperatura se encontra abaixo do nível tolerado por cada espécie,
pode ocorrer:
·Perda de sabor e aroma
·Escurecimento da casca ou polpa
·Perda da capacidade de maturação
A
reação negativa à baixas temperaturas é variável quanto a espécie e,
em alguns casos, dependendo da variedade. O quadro abaixo divide as frutas
por nível de sensibilidade ao frio:
“A
concentração de oxigênio e de gás carbônico no ar”, ou seja, a
composição atmosférica, também influi na conservação de vegetais. A
redução de oxigênio no ar, leva a diminuição do nível de respiração.
Porém, é importante que a fruta ou hortaliça esteja sempre respirando
um pouco para não ocorrer fermentação. O aumento na concentração de gás
carbônico no ambiente reduz a respiração e aumenta sua concentração
nas células. Também nesse caso, é importante observar o limite de tolerância
das hortaliças e frutas para esse gás, de forma que não se torne tóxico.
(www.planetaorgânico.com.br).
Os
produtos frescos perdem constantemente água para o ambiente que os
rodeia. Depois da colheita esta perda de água não pode ser recuperada
pela planta e há uma perda de peso. Muitos produtos mostram sinais de
enrugamento e definhamento depois de perder de 3 a 5% de seu peso inicial;
perdem água como resultado de um gradiente de vapor de água entre sua
atmosfera interna essencialmente saturada (dentro dos espaços
intercelulares) e a atmosfera externa menos saturada.
O
vapor de água escapa na direção da menor concentração, principalmente
através de aberturas naturais da superfície da fruta, mas também através
de zonas danificadas. A taxa de migração é controlada pela diferença
de pressão de vapor entre o produto e seu meio ambiente, o que é
governado pela temperatura e pela umidade relativa. O ar quente pode
manter muito mais vapor de água do que o ar frio. A umidade relativa é
uma medida da quantidade de vapor de água no ar como um porcentagem da
quantidade que o ar pode manter a essa temperatura. A 25ºC e 30% de
umidade relativa, o produto perderá água 36 vezes mais rápido que o
faria o 0ºC e 90% de umidade relativa. Portanto, a manutenção de uma
baixa temperatura do produto é essencial para reduzir sua perda de água
e por conseguinte seu enrugamento e definhamento. (Carraro & Cunha,
1994).
O
conhecimento e a correta manipulação dos fatores internos e externos que
influem na conservação pós-colheita levarão a um melhor aproveitamento
do produto diminuindo as perdas em qualidade e quantidade do mesmo,
favorecendo a venda aos mercados externos.
Os frutos da bananeira resultam do
desenvolvimento partenocárpico ou polinizado dos ovários das flores
femininas de uma inflorescência, embora as bananeiras de frutos comestíveis
não produzam pólen e seus ovários não sejam fecundados. (Medina apud
Vilas Boas et al., 2001).
As
4 fases da vida de um fruto podem ser descritas da seguinte forma:
·Crescimento;
·Maturação fisiológica;
·Amadurecimento;
·Senescência (envelhecimento).
Na
banana o crescimento é marcado por um período de rápida divisão e
alongamento celular. A maturação é caracterizada por mudanças físicas
e químicas que afetam a qualidade sensorial do fruto. A maturação
sobrepõe-se à parte do estádio de crescimento e culmina com o
amadurecimento do fruto, período no qual o fruto se torna apto para o
consumo, em virtude de alterações desejáveis na aparência, no sabor,
no aroma e na textura. O amadurecimento também é marcado por um
aumento da taxa respiratória e da produção de etileno (climatério),
seguido por um declínio, que sinaliza o início da senescência (Munasque
et. al., apud Vilas Boas et. al., 2001).
Na
fase de pré-colheita, o desenvolvimento do fruto é garantido pela
atividade fotossintética da planta – mãe. Entretanto, mesmo após a
colheita, o fruto mantém seu estado energizado, continuando a respirar.
Nessa fase, porém, o fruto sobrevive das próprias reservas. (Vilas
Boas et. al., 2001).
A
banana caracteriza-se por apresentar uma respiração muito ativa,
considerada do tipo climatério. Mantida à temperatura ambiente
amadurece rapidamente, causando a descomposição dos tecidos e dos
componentes da célula, quando então já se encontra na fase de senescência.
(Bleinroth, 1985).
Sua
vida-de-prateleira depende diretamente da sua atividade respiratória:
quanto maior a atividade respiratória, menor a vida pós-colheita.
(Vilas Boas et. al., 2001).
Há
necessidade, portanto, de se utilizar de meios físicos para reduzir o
seu metabolismo, dentro dos limites tolerados pelas frutas, sem causar
qualquer problema em sua estrutura celular e, conseqüentemente, sem que
haja perda de sua qualidade. (Bleinroth, 1985).
A
banana, como um fruto climatérico, apresenta uma ascensão respiratória
e de etileno que marca o início do amadurecimento. A emanação de
etileno representa um gatilho que dispara rapidamente as modificações
que resultam na transformação da banana em um fruto apto para o
consumo. Tais transformações envolvem mudanças na aparência, no
sabor, no aroma e na textura. A Tabela 3 apresenta as principais
características físicas e químicas que afetam o valor sensorial de
algumas cultivares de bananas produzidas no Brasil.
Tabela
3–Composição química aproximada de algumas cultivares de banana
produzidas no Brasil
Cultivar
Estádio
de maturação
Pol
pa/casca
Acidez
(%)
Sólidos
solúveis (%)
Amido
(%)
Açúcares
totais
(%)
Prata
Verde
1,59
0,224
0,92
20,92
0,19
Prata
Madura
2,41
0,569
22,36
4,78
13,50
Nanica
Verde
1,23
0,325
3,25
19,91
0,43
Nanica
Madura
1,74
0,512
19,60
0,99
16,79
Nanicão
Verde
1,58
0,269
0,78
22,50
0,76
Nanicão
Madura
1,98
0,272
19,72
1,90
14,29
Fonte:
Sgarbieri et al. (1965/1966) apud Vilas Boas et. al., 2001.
As
modificações nas características organolépticas do fruto ocorrem
logo após o pico do etileno, sustentadas pela energia gerada pelo
climatério respiratório. Logo aos primeiros sinais de amarelecimento
da casca, ocorre uma queda abrupta nos teores de amido, acompanhada pela
concentração de açúcares e pelo amaciamento dos frutos. (Vilas Boas
et. al., 2001).
O
efeito do etileno é somente constatado na fase pré-climatérica, sendo
que depois de haver iniciado a ascensão climatérica, não tem mais ação
sobre a fruta. O mesmo ocorre depois do ponto máximo do climatérico.
A
ação do etileno sobre a fruta está na dependência da temperatura,
sendo muito sensível a esta.
Apesar
da banana ser produzida em regiões de temperatura elevada, existe um
limite de temperatura máxima tolerada para cada uma das cultivares,
evitando a ocorrência de distúrbio no seu processo metabólico. Uma
das características apresentadas pelas bananas produzidas em regiões
de temperatura média anual acima de 28ºC é a perda de sabor, por
causa do teor de açúcar total estar abaixo do índice desejado para a
banana. (Bleinroth, 1985).
Porém,
a temperatura baixo de 12ºC também causa alteração no processo metabólico
da banana, tendo em vista que quando a fruta ainda é verde, por mais de
10 horas nesta temperatura ou inferior a ela, ocorre a coagulação do látex
existente na casca (Chilling)
e as células dos tecidos da polpa se rompem, aglutinando os grãos de
amido. A polpa torna-se de cor marrom e gelatinosa.
O
dano por chilling é um fenômeno
distinto do dano por freezing,
que resulta do congelamento do tecido e da formação de cristais de
gelo a temperaturas abaixo do ponto de congelamento.
Os
principais sintomas de chilling
em bananas, normalmente observados após a exposição do fruto à
temperatura ambiente, são: escurecimento da casca, baixa taxa de
conversão de amido e açúcares, perda de sabor e aroma e perda de
brilho. (Vilas Boas et. al., 2001).
A
banana é uma fruta que tem alta capacidade de absorver o oxigênio e
liberar o dióxido de carbono. Deve-se, portanto, evitar que a fruta
permaneça por longo tempo em baixo nível de O2, como entre
1 e 2%, o que suprime a suarespiração
climatérica e quando colocada na atmosfera normal, a maturação não
se completa totalmente, o que a torna indesejável para consumo.
A
produção de dióxido de carbono pela banana tem apresentado proporções
não muito elevadas, se comparadas com as das demais frutas tropicais.
Um aumento do teor de CO2 considerando razoável tem
favorecido a conservação desta fruta, fazendo com que a sua
intensidade respiratória na fase pré-climatérica se prolongue por
alguns dias ou mesmo semanas.
A
redução do O2 do ar atmosférico e a adição de CO2
em proporções aceitáveis pela banana, no ambiente em que será
colocada, permitem que se possa preservar esta fruta por algumas semanas
em boas condições, sem a necessidade de uso de equipamentos específicos
de alto custo.
A
redução do oxigênio do ar atmosférico ainda traz como vantagem a
redução da liberação dos componentes voláteis da fruta. Entre estes
componentes, encontra-se o etileno, que acelera a taxa respiratória da
banana, causando a sua rápida maturação.
As
transformações que ocorrem na constituição da banana durante a
maturação têm sido objeto de constantes estudos nos diversos centros
de pesquisa do mundo, procurando-se obter resultado satisfatório sobre
o comportamento da fruta em todo o processo, desde o transporte até a
sua maturação, o que é de grande importância, tanto para o mercado
de fruta fresca como para a indústria. (Bleinroth, 1985).
A
mais flagrante modificação durante o amadurecimento da banana é o
amarelecimento da casca. A clorofila, que confere a coloração verde a
casca da banana no estádio pré-climatérico, é rapidamente degradada,
dando lugar aos carotenóides, pigmentos amarelos que caracterizam a
banana madura. Normalmente, não se observa síntese de carotenóide
durante o amadurecimento de bananas, mas o seu desmascaramento durante a
degradação das clorofilas. O grau de coloração da casca da banana é
um importante preditor de sua vida-de-prateleira e é freqüentemente
utilizado como guia para sua distribuição no varejo. Assim, o estádio
de maturação da banana pode ser caracterizado subjetivamente, de
acordo com o grau de coloração da casca, numa escala que varia de um a
sete (Fig. 2).
O
sabor da banana é um dos mais importantes atributos de sua qualidade. A
polpa da banana verde é caracterizada por uma forte adstringência
determinada pela presença de compostos fenólicos solúveis,
principalmente os taninos. À medida que o fruto amadurece, ocorre a
polimerização desses compostos, com conseqüentes diminuição na
adstringência e aumento na doçura e na acidez. A intensificação da
doçura do fruto decorre da hidrólise do amido, com conseqüente acúmulo
de açúcares solúveis. (Vilas Boas et. al., 2001).
Figura
2 – Sistema de classificação de bananas de acordo com seu grau de
maturação.
Fonte:
Solo Ballestero, 1992
A
banana verde contém um alto teor de amido, que se situa em torno de
20%, o que, durante a maturação, se converte em açúcares,
principalmente glicose e frutose (na proporção de 8 a 10% da polpa)
e da sacarose (com 10 a 12%), além de outros açúcares presentes em
menores quantidades.
A
percentagem de amido na banana completamente madura é muito baixa,
situando-se, de modo geral, em torno de 0,5 a 2%. Há um pequeno
decréscimo dos carboidratos totais em todas as cultivares durante o
amadurecimento, devido à utilização de parte da glicose na
respiração. (Bleinroth, 1985).
Observa-se,
paralelamente ao acúmulo de açúcares, um aumento nos níveis de
ácidos orgânicos, com predominância do ácido málico, o que leva a
um abaixamento do pH.
A
banana caracteriza-se por apresentar uma baixa acidez quando verde e
que aumenta com a maturação até atingir um máximo, quando a casca
está totalmente amarela, para depois decrescer. De modo geral, a
acidez cresce paralelamente à velocidade da hidrólise do amido. O
aumento da acidez deve estar ligado ao mecanismo do processo de
respiração da banana.
Considera-se
que na banana verde o ácido oxálico predomina sobre os ácidos
málico e cítrico, porém este ácido diminui com a maturação,
dando lugar ao ácido málico como o mais importante.
O
pH da fruta verde varia de 5,0 a 5,6 e na banana madura de 4,2 a 4,7.
Dentro destes limites podem ocorrer variações nas diferentes
cultivares de banana. (Bleinroth, 1985)
O
amadurecimento do fruto é marcado, também, pela emanação de
diferentes voláteis, especialmente os ésteres, o que lhe confere o
aroma característico.
O
amaciamento verificado ao longo do amadurecimento de bananas é um
reflexo da degradação coordenada de amido e compostos da parede
celular, notadamente substâncias pécticas e hemiceluloses, e do
aumento de umidade da polpa em razão de trocas osmóticas com a
casca. Os açúcares da polpa aumentam mais rapidamente durante o
amadurecimento do que os da casca, contribuindo para uma mudança
diferencial na pressão osmótica. Além de perder água para a polpa,
a casca perde água para o meio ambiente, pela transpiração; dessa
forma, observa-se um incremento da relação polpa/casca durante o
amadurecimento. Tal relação é também conhecida como “coeficiente
de amadurecimento”, que é considerado um índice de maturidade.
(Vilas Boas et. al., 2001).
O
coeficiente de amadurecimento tem uma alteração muito rápida, pois
de valores na banana verde entre 1,3 a 1,4, atinge quando madura
valores acima de 2,0. As frutas que tenham sofrido a ação da geada
podem apresentar índices mais elevados, pois estas quando maduras
retêm maior quantidade de água em comparação com as frutas em bom
estado, o que se atribui a uma maior passagem de água do engaço para
a polpa, a uma redução na sua transpiração ou a ocorrência de
ambos os fatores ao mesmo tempo. (Bleinroth, 1985).
Fortes
indícios sugerem que a solubilização de substâncias pécticas, que
é acompanhada pelo amaciamento da banana, seja mediada pela ação da
enzima poligalacturonase, responsável pela hidrólise de ligações
glicosídicas na pro-topectina. A ação dessa enzima é precedida
pela ação da pectinametil-esterase, enzima que catalisa a
desmetilação dos ésteres metílicos dos ácidos
poligalac-turônicos. Todavia, outras enzimas da parede celular atuam
coordenadamente, provavelmente no processo de amaciamento de bananas.
(Vilas Boas et. al., 2001).
No
manejo pós-colheita de frutos para exportação deve-se tomar medidas
que evitem danos físicos e fisiológicos que freqüentemente
predispõe os frutos ao ataque de microrganismos, afetando a qualidade
dos frutos e causando grandes perdas.
Logo,
a mais simples causa de perdas pós-colheita em frutos e hortaliças
é a deterioração causada por microrganismos. Tal deterioração
ocorre normalmente a partir de uma infecção inicial por um ou mais
patógenos específicos, e pode, então, ser seguida por uma
infecção secundária causada por um amplo espectro de saprófitas.
(Vilas Boas et. al., 2001).
A
temperatura afeta a taxa de crescimento e disposição desses
microrganismos do mesmo modo que afeta o produto: quanto mais baixa é
a temperatura mais lento é o progresso de seus processos de vida.
Certos organismos que podem causar sérias perdas não se desenvolvem
em baixas temperaturas de armazenamento. (Carraro & Cunha, 1994).
A
colheita é o processo pelo qual o produto é separado da planta-mãe
ou do local de crescimento e retirado do campo. Mesmo após o processo
da colheita, frutas e hortaliças continuam vivas, com suas atividades
biológicas em funcionamento. Para conseguir isso, elas necessitam de
energia a qual é obtida através da respiração. Uma vez colhidos,
ou seja, separados de suas fontes de nutrientes (solo e/ou
planta-mãe), os produtos necessitam queimar suas reservas orgânicas
para respirar, acelerando assim seu amadurecimento e envelhecimento.
A
colheita de frutas e hortaliças deve ser feita quando as plantas
atingem o máximo de qualidades organolépticas (sabor, cor, aroma e
textura) e nutritivas. Estas qualidades variam com a espécie e
variedade cultivada, a época de plantio, o clima, o tipo de solo, as
práticas culturais assim como outros fatores. A fim de conhecer o
momento certo da colheita é preciso conhecer cada espécie cultivada
e seu estágio ideal de maturação, pois as características de boa
qualidade de cada hortaliça ou fruta e sua vida de prateleira estão
relacionados com a época de colheita.
O
ponto de maturação é o momento em que a colheita pode ser feita sem
a ocorrência de danos e com maior tempo de conservação dos
produtos. Este ponto ideal é alcançado quando os frutos estão
formados e prontos para amadurecer. Neste momento, todos os fatores
físicos e químicos necessários ao processo de amadurecimento estão
presentes no fruto. (www.planetaorganico.com.br).
Existem
basicamente dois tipos de maturação: a maturação fisiológica e a
maturação comercial ou amadurecimento. A maturação fisiológica
corresponde àquela em que o fruto atingiu seu tamanho e peso máximo,
porém ainda não possui características visíveis e de sabor
desejáveis de comercialização e consumo. Se a fruta é colhida
neste estágio, ela continua a sofrer transformações e atinge
posteriormente o amadurecimento, que é o estágio de desenvolvimento
em que a fruta possui os pré-requisitos para ser consumida. A banana
é um fruto que pode ser colhido na maturação fisiológica, ao
contrário de outros como os frutos cítricos e a uva, que devem ser
colhidos quando estiverem amadurecidos.
Portanto,
a colheita da banana deve ser realizada quando a fruta atinge a sua
maturação fisiológica, com o amadurecimento alcançado
posteriormente, através da climatização. (www.ciagri.usp.br).
Evita-se, com isso, que os frutos amadureçam durante o transporte ou
em data diferente da programada, segundo as necessidades do mercado.
A
colheita é uma das operações mais importantes do cultivo da banana.
Por isso, deve ser precedida de um planejamento que assegure a
preservação do cacho, bem como o máximo aproveitamento da fruta,
com qualidades que permitam satisfazer os mercados. Algumas
operações nos períodos de pré-floração e frutificação são
necessárias para atender a essas exigências, como:
·Desbastar ou desviar o filho que esteja se desenvolvendo na
mesma direção da emissão do cacho.
·Escorar as plantas com cacho após a emissão da última penca,
com varas ou com fitas apropriadas.
·Eliminar a falsa e a última penca, nos cultivos para
exportação, considerando-se que tal operação provoca o alongamento
dos frutos das demais pencas.
·Ensacar o cacho após a eliminação da falsa e da última
penca, conservando-se um fruto na última penca, que vai facilitar a
circulação da seiva para as outras pencas. (Alves, 2001).
Na
colheita podem ocorrer uma série de danos que prejudicam a qualidade
do fruto e provocam perdas por esmagamento, cortes, rachaduras e
contaminação por microrganismos causando podridões. O corte dos
cachos de banana muito magros ou muito gordos pode prejudicar a sua
comercialização.
6.1 Ponto de colheita
A
banana é colhida o ano inteiro, sendo a primeira colheita realizada,
aproximadamente, 12 meses após o plantio, porém varia muito de
acordo com a cultivar, o clima, a tecnologia, as condições
nutricionais da planta, a distância do mercado consumidor e etc.
O
grau ótimo de corte ou de colheita é o estado de maturação
fisiológica da fruta que permite um máximo aproveitamento do cacho,
sem que exista maturação durante o transporte ou o armazenamento,
mantendo-se o viço e a qualidade próprios de uma fruta fresca para
mesa. O corte do cacho muito “magro” ou muito “gordo” pode
inviabilizar sua comercialização.
A
colheita do cacho, sem o uso de um método que permita conhecer e
controlar o período compreendido entre a emissão e o diâmetro do
fruto, resulta numa mescla de frutos de várias idades na mesma caixa,
que pode compreender até 50 dias, causando bastante transtorno nas
fases de climatização e comercialização. (Alves, 2001).
Atualmente
muitos países exportadores de banana, localizados na América
Tropical, adotam um sistema que leva em conta o número de dias do
lançamento da inflorescência até o desenvolvimento fisiológico dos
frutos. Este sistema correlaciona o grau de maturação com a idade do
cacho. A fruta deve chegar ao grau (diâmetro) de colheita dentro de
um certo limite de tempo, evitando-se perdas por maturação e
colheita prematura dos cachos. Este sistema é adequado para países
onde existe uma boa uniformidade climática durante todo o ano. Desta
forma, em bananais dos trópicos colhem-se os cachos entre 80 e 95
dias após o lançamento da inflorescência, segundo o destino da
produção. (Lichtemberg, 1999).
Para
registrar a quinzena de formação do cacho, este recebe, ao ser
ensacado, uma fita de plástico de coloração branca, verde, azul,
vermelha, preta ou amarela, conforme a quinzena que se queira
caracterizar. Essa prática permitirá estimar a disponibilidade de
banana, em determinado período, pela contagem das fitas utilizadas a
cada semana. (Alves, 2001).
Em
climas subtropicais, com grandes variações climáticas entre as
estações do ano, dentro delas e entre diferentes anos, esse sistema
é de difícil adaptação e execução. Influem no período
floração-colheita principalmente a temperatura, a luminosidade e o
suprimento de água para as plantas. Assim, um cacho pode levar de 80
a 150 dias para atingir o ponto de colheita no Vale do Ribeira e de 85
a 210 dias em algumas regiões produtoras de Santa Catarina.
De
forma geral, a colheita deve ser realizada no momento oportuno, ou
seja, quando os frutos atingem o desenvolvimento conveniente para o
mercado ao qual se destinam. Quanto mais distante o mercado mais
magras, angulosas e imaturas devem ser as bananas. Se, mais próximo
requer frutas mais gordas, menos angulosas e mais desenvolvidas.
Bananas muito magras (imaturas) apresentam problemas no
amadurecimento. Por outro lado, frutas muito gordas podem entrar em
maturação durante o transporte para o mercado, sujeitas ao
rompimento (rachadura) da casca, com conseqüentes problemas de
podridão e decomposição.
Visando
à determinação do ponto de colheita, muitos índices e critérios
de colheita foram estudados e/ou usados. Entre eles podem ser citados:
a)relação polpa/casca;
b)índice de plenitude (peso/comprimento);
c)densidade do fruto;
d)relação sólidos solúveis/acidez;
e)consistência da polpa;
f)resistência da polpa (medida com penetrômetro);
g)coloração da polpa;
h)percentagem de amido;
i)mudança de cor da casca;
j)dessecação das folhas;
k)fragilidade dos restos florais;
l)facilidade de rachamento da casca (picote);
m)dias após o lançamento da inflorescência;
n)desaparecimento da angulosidade dos frutos;
o)diâmetro do fruto central da segunda penca.
Destes
índices ou critérios, os três últimos têm sido mais utilizados
por serem mais práticos e apresentarem melhores resultados. (Lichtemberg,
1999).
O
desaparecimento das quinas dos frutos (angulosidade) pode ser
utilizado como referencial para a colheita dos cachos de banana em sua
maturidade fisiológica, principalmente no caso de cultivares como
Nanica, Nanicão, Grand Naine, Maçã e Prata. Porém, para outros
cultivares como Terra, São Tomé, Figo e Marmelo, este índice de
maturação é problemático, uma vez que as quinas destes frutos
permanecem salientes, mesmo quando atingem a sua maturidade
fisiológica.
Outro
critério bastante usado para determinar o ponto de colheita do cacho
consiste na medição do perímetro do dedo central da segunda penca,
na sua porção mediana, por meio de um calibrador. Esse calibrador
apresenta variações de medida do diâmetro do fruto, que vão
geralmente de 30 a 38 mm, conforme observado na figura 3 e é feito de
chapas metálicas ou plásticas, vazadas em forma de U.
Figura
3 – Dimensões de calibradores.
Os
estádios de maturação da banana, quanto ao diâmetro e angularidade
dos frutos pode ser classificados da seguinte maneira:
·Estádio magro (30 mm de diâmetro): banana com desenvolvimento
incompleto e quinas salientes, impróprias para o consumo;
·Estádio ¾ magro (32 mm): bananas com quinas salientes e
superfície estreita e plana;
·Estádio ¾ (34 mm); bananas ainda com presença de quinas,
porém os lados são mais largos e ligeiramente arredondados;
·Estádio ¾ gordo (36 mm); bananas não apresentam quinas e as
faces são arredondadas;
·Estádio gordo (38 mm); bananas cheias e completamente
arredondadas.
A
escolha do ponto de colheita, baseado nos estádios acima descritos,
depende do destino a que pretende dar a fruta e das condições
climáticas. Na estação quente, os cachos podem ser colhidos em
estágios mais avançados (¾ gordo e gordo), quando as frutas são
destinadas par mercados próximos, e em estágios menos avançados (¾
mago e ¾), para mercados mais distantes. Na estação fria, a
colheita deve ser realizada em estágios mais avançados (¾ gordo e
gordo), independentemente da distância do mercado.
Quando
as bananas são destinadas a desidratação (fabricação de
banana-passa), devem ser colhidas no estágio ¾ magro, apresentando
30 a 32 mm de diâmetro, para os cultivares nanica e Nanicão,
respectivamente. Quando destinadas para a exportação, as bananas
devem ser colhidas no estágio ¾, com 32 mm de diâmetro para Nanica
e 34 mm para Nanicão.
6.2 Programação da colheita
Nos
climas tropicais programa-se a colheita com três meses de
antecedência. No ensacamento do cacho lançado, usa-se uma fita
colorida para o amarrio da extremidade superior do saco de
polietileno. A cada semana usam-se fitas de uma coloração. Por
exemplo: fita azul-escura na primeira semana, fita amarela na segunda,
fita verde-escura na terceira, fita vermelha na quarta, fita roxa na
quinta, fita preta na sexta, fita laranja na sétima, fita marrom na
oitava, fita azul-clara na décima primeira, fita verde-clara na
décima segunda. Esta marcação dos cachos, facilita e permite a
previsão de colheita, pela contagem das fitas utilizadas a cada
semana.
No
Brasil, em lugar das fitas coloridas, tem-se utilizado sacos de
polietileno com números impressos para identificar as semanas
correspondentes aos cachos.
6.3 Como colher
Na
colheita, primeiramente as folhas da planta próximas ao cacho devem
ser cortadas, com o cuidado de que elas não fiquem em contato, nem
esbarrem nos cachos. As folhas eliminadas devem ser cortadas e
distribuídas pela área, observando apenas que sejam colocadas longe
das plantas da touceira.
Geralmente
a colheita realizada pela maioria dos produtores é feita por apenas
uma pessoa e apresenta vários riscos à aparência e à integridade
da fruta, tais como: choques da fruta com o ombro ou a coxa do
colhedor, ou ainda com o solo e o rompimento da ráquis. Podem ocorrer
também uma série de escoriações, ferimentos da casca e corte das
frutas.
Segundo
Alves (2001), nos cultivos tecnificados ou para exportação, a
colheita deve ser feita por equipes compostas por três a quatro
operários, sendo um cortador, um ou mais aparador/carregador e um
arrumador. O cortador é encarregado de calibrar a fruta, isto é,
fazer uma incisão acima da metade da altura total da bananeira, com
podão, provocando-lhe um tombamento lento. O aparador/carregador
aguarda o tombamento do cacho e, quando este atinge a sua altura,
segura-o pela ráquis, acomodando-o sobre o ombro, no qual se encontra
um bloco de espuma de 5 cm ou mais de espessura, boa densidade e
comprimento e largura que correspondem às do cacho, ou câmaras de ar
de motocicleta com 2,5 libras de pressão, as quais podem ser
colocadas dobradas em um saco. O cortador, com um golpe de facão,
separa o cacho da planta. O aparador/carregador leva-o, então, até o
cabo aéreo, carreta ou outro meio de transporte adequado. O arrumador
é responsável pela proteção do cacho com mantas de espuma de 1,5
cm de espessura por 150 cm de comprimento e 100 cm de largura e pela
sua arrumação na carreta, na caminhonete ou em outro meio de
transporte. Compete-lhe também a colocação das garruchas sobre os
cabos aéreos, a formação das composições de cachos (em torno de
25 cachos) nos distanciadores entre as garruchas, além de
colaboração com o aparador/carregador no ato de dependurar os cachos
no cabo aéreo, que os conduzirá até a casa de embalagem.
Os
cachos colhidos devem, portanto, ser conduzidos diretamente para o
veículo transportador ou para os cabos aéreos. Jamais devem ser
amontoados uns sobre os outros.
Em
pequenos cultivos para exportação, os cachos são aparados em
padiola ou berçário e conduzidos diretamente para o galpão de
embalagem.
A
equipe deve atuar sempre no mesmo talhão do bananal, para aumentar o
conhecimento da área e a familiaridade entre os membros.
Cachos
ou pencas com problemas (deformados, muito magros ou muito gordos,
pencas queimadas pelo sol, atacadas por pragas) devem ser descartados
ainda no bananal ou na casa de embalagem, para garantir a
padronização da qualidade e do ponto de maturação. Alguns desses
cachos ou pencas descartados para o consumo natural podem ser
utilizados na indústria, na alimentação animal ou no comércio de
frutos de qualidade inferior. Quando destinados à exportação,
cachos de plantas com menos de cinco filhas verdes, na colheita, devem
ser descartados, por apresentarem problema de maturação precoce.
As
bananas são frutos muito sensíveis à danos que podem ocorrer do
momento em que são colhidos até chegar à mesa do consumidor. Estes
danos prejudicam a qualidade dos frutos causando grandes prejuízos,
principalmente no caso de bananas destinadas à exportação.
Geralmente os cachos são empilhados e transportados sem o uso de
material de proteção e as frutas acabam ficando amassadas,
arranhadas, rachadas e raspadas, facilitando a contaminação por
microrganismos que causam podridões, principalmente após a
maturação.
Em
cultivos tradicionais os cachos de banana são transportados da
lavoura até o local de embalagem ou despencamento em carroças,
carros-de-boi, carretas, caminhonetes e caminhões. Recomenda-se
conduzir os cachos diretamente da planta até o veículo
transportador.
Quando
isso não for possível, pode-se evitar o empilhamento dos cachos
colocando-os delicadamente sobre o solo recoberto de folhas verdes ou
de plástico, em camada única. Outro procedimento que pode ser
adotado é a colocação dos cachos em pé, lado a lado, separados
pela proteção de folhas verdes, bainhas foliares ou espuma. Nesse
caso, o engaço deve ser cortado com 20 a 30 cm acima dos frutos da
primeira penca, para que sirva de apoio sobre o solo. Uma terceira
solução para o problema, que apresenta maior eficiência, é a
instalação de traves nas margens do bananal onde os cachos ficam
dependurados até o momento do transporte. Em qualquer um dos três
procedimentos, os cachos devem ser armazenados à sombra, para evitar
queimaduras pelo sol.
No
translado das frutas da bananeira até as carretas, os cabos aéreos,
as traves de estacionamento ou o local de embalagem, o
aparador/carregador de cachos deve ter o ombro protegido por uma manta
de espuma ou uma padiola almofadada, para reduzir os danos às frutas,
(Fig. 4) e deverá segurar o cacho pelo pedaço da ráquis masculina
remanescente ou pela estrutura da padiola almofadada, evitando segurar
diretamente nas frutas. (Lichtemberg
et. al., 2001).
Figura
4 – “Cuna” ou berçário para transporte do cacho.
Fonte:
Brands Company apud Borges et. al., (1997).
Nas
propriedades onde não existe galpão de embalagem, o cacho deve ser
levado a local adequado onde será despencado. Neste local os cachos
são colocados com cuidado no chão forrado com folhas de bananeira ou
espumas e não devem ser amontoados, a fim de se evitar danos aos
frutos.
Segundo
Lichtemberg (1999), para evitar danos aos frutos, devem-se adotar
cuidados especiais no transporte, reduzindo o número de translados e
evitando, ao máximo, o empilhamento dos cachos e o contato destes com
o solo.
7.1 Transporte em Carrocerias
No
caso de transporte em carretas, caminhonetes e outros veículos,
deve-se conduzir o cacho diretamente da planta até o veículo
transportador. Quando isto não for possível, pode-se evitar o
empilhamento dos cachos colocando-os suavemente sobre o solo recoberto
de folhas verdes, em camada única. Outro procedimento que pode ser
adotado é a colocação dos cachos em pé, sobre o engaço uns contra
os outros e separados pela proteção de folhas verdes, brácteas
foliares ou espuma. O engaço deve ser cortado com 20 a 30 cm acima
dos frutos da primeira penca. Uma terceira solução para o problema,
que apresenta melhor eficiência, é a instalação de traves nas
margens do bananal onde os cachos ficam dependurados até o momento do
transporte. Em qualquer um destes três procedimentos, os cachos são
armazenados à sombra, para evitar queimaduras pelo sol.
Nas
carrocerias, os cachos devem ser acomodados suavemente, a fim de
evitar choques. O fundo da carroceria deve ser forrado com materiais
de proteção, tais como: colchões de espuma, plásticos aerados,
brácteas e folhas de bananeira. Em cada camada os cachos são
colocados afastados, sem contato entre os frutos e, preferencialmente,
separados por algum material de proteção. Os cachos nunca devem ser
empilhados se não houver uma camada protetora entre eles, bem como
uma proteção lateral. Um bom procedimento neste sentido é enrolar
cada cacho em plásticos aerados (como em Santa Catarina), em
cobertores grossos (como nas Ilhas Canárias), em colchonetes de
espuma, em sacos de aniagem ou em folhas ou brácteas de bananeira.
Outro
procedimento recomendável na disposição dos cachos em carrocerias
é colocá-los desencontrados de uma camada para a outra, isto é, os
cachos da camada superior devem ser colocados sobre os espaços entre
os da camada inferior.
Uma
modalidade de transporte em carrocerias que vem sendo utilizada em
Santa Catarina, com ótimos resultados, é a carroceria de piso duplo.
Os cachos são depositados em apenas uma camada por piso, sobre
material de proteção. Como não há empilhamento dos cachos, a
qualidade da fruta é bastante preservada.
No
transporte em carrocerias um fator importante é a qualidade das
estradas e carreadores. Uma boa estrada, sem buracos, diminui a
trepidação e solavancos da carroceria e, com isto, os danos às
frutas.
7.2 Transporte pendular de cachos
O
transporte pendular de cachos em carrocerias está sendo utilizado no
México, Israel, Brasil, América Central e Caribe. Neste tipo de
transporte, as carretas são equipadas com uma armação de ferro onde
os cachos são dependurados. Para evitar movimentos bruscos e choques
entre cachos, prende-se a extremidade livre do cacho ao piso das
carretas com cordas ou cintas de borracha e utiliza-se material de
proteção (colchões de espuma) entre os cachos. No Vale do Ribeira
são adaptadas cegonhas de transporte de veículos para o transporte
de cachos na lavoura.
7.3 Transporte por cabos aéreos
Esse
é considerado o melhor sistema de transporte, reduzindo praticamente
a zero os danos aos frutos nesta fase.
Segundo
Lichtemberg et. al., (2001) este sistema consiste num cabo de aço de
3/8 a 1/2polegada de
espessura, tensionado de 8.000 a 10.000 libras, por onde irão se
deslocar os cachos. O cabo é apoiado sobre uma viga metálica em cada
uma de suas extremidades. No caso de várzeas, a altura do cabo não
deve ser superior a 2,10 m, para facilitar a colocação dos cachos, e
nem tão baixa que apresente risco de os cachos tocarem o solo. No
caso de morros, pela dificuldade de se manter o nível do cabo em
relação ao solo, são construídas plataformas (tipo trapiches) ou
torres, com escadas ou rampas, para a colocação dos cachos nos
cabos. Em terrenos com microrelevo, nas áreas baixas constroem-se
escadas ou trapiches e nas áreas altas cavam-se valas. Os cabos devem
ser de barra redonda (monofilamento), com dureza C 1035. Os cabos
multifilamentados também são utilizados, mas exigem maior tensão,
não podem ser soldados, cobram cuidados especiais para evitar quebras
e são de difícil recuperação em caso de rompimento, além de
exercerem maior atrito ao deslizamento das roldanas. As vigas devem
ser feitas, de preferência, com trilhos de trem (usados), onde forem
disponíveis, ou de viga “I” de 4 polegadas. As vigas são
firmemente fixadas ao solo, em blocos de concreto (Fig. 5).
O
cabo é apoiado sobre torres de cano galvanizado ou madeira tratada.
(Fig. 5), que, por sua vez, são apoiadas sobre placas de concreto na
superfície do solo. A distância entre as torres varia de 7 a 15 m,
de acordo com a topografia do terreno e a tensão do cabo. A altura,
em morros, varia de modo que se mantenha o alinhamento do cabo. Em
várzeas, a altura das torres é mantida em torno de 2,5 m. Os canos
galvanizados para a construção das torres têm de 1,5 a 2,0
polegadas de diâmetro. As traves de madeira podem ser de eucalipto
tratado ou de outra madeira, com diâmetro entre 15 e 25 cm.
Figura
5 – Sistema de transporte de bananas por cabos aéreos.
Ilustração
Luis Alberto Lichtemberg.
Em
curvas, conexões de linhas e portões de passagem, são necessárias
estruturas mais complexas. Em partes da linha, onde não é possível
tensionar os cabos, estes são soldados sobre uma barra de ferro chato
(5/16 x 2 polegadas) ou sobre canos galvanizados. Neste caso, as
traves ficam mais próximas (no máximo a cada 3 m), para evitar
torções e “barrigas” na linha. Em curvas e conexões, tomam-se
as mesmas providências.
Os
portões de passagem, por serem feitos com viga “U” de 4
polegadas, e terem geralmente mais do que 5 m de extensão, exigem uma
estrutura reforçada, principalmente do lado da dobradiça, para que
possam suportar o peso da viga. Esta estrutura é feita de
preferência com trilhos usados de trem ou com viga “I” de 4
polegadas, mas também podem ser de canos galvanizados de 2 polegadas
(várias traves interligadas fixadas ao solo com blocos de concreto).
Do lado do batente, basta uma trave dupla interligada e fixada ao solo
com concreto.
Os
cabos são presos às traves de sustentação, por braçadeiras
fixadas em ganchos pendentes daquelas. Sobre os cabos, deslocam-se
carrinhos com roldanas, denominadas “garruchas”, nos quais são
dependurados os cachos.
As
linhas são distribuídas da forma mais paralela e eqüidistante
possível nos bananais e espaçadas de forma tal que a distância
entre a planta colhida e o cabo nunca ultrapasse 50 m.
Ao
chegarem à linha de transporte, os cachos são dependurados em
correntes ou cordas presas às “garruchas”. As “garruchas”
são interligadas por distanciadores de 1,0 a 1,2 m, que permitem
tracionar vários cachos por vez, evitando o choque entre eles durante
o transporte. (Fig. 6). Um operário pode tracionar 25 cachos de
banana por vez. (Fig. 7).
Figura
6 – Garruchas ou ganhos para transporte de cachos.
Ilustração
Luis Alberto Lichtemberg.
Figura
7 – Transporte do Cacho em cabos aéreos.
Fonte:
Soto Ballestero apud Borges et. al., (1997).
Para
a tração dos cachos, podem também ser utilizados animais ou
tração mecânica, que aumentam em duas e quatro vezes a capacidade
de transporte, respectivamente.
Em
encostas de morros, é necessária a instalação de guinchos nas
partes mais altas das linhas, os quais permitem a descida suave e
controlada da composição de cachos (Fig.8).
O
sistema de transporte de banana por cabos pode ser usado também para
o transporte de adubos e outros insumos para os bananais. Dessa forma,
nos bananais pulverizados por aeronaves, pode-se reduzir bastante ou
até eliminar estradas e carreadores e o uso de tratores e outros
veículos, reduzindo assim os custos com a manutenção de estradas e
de tratores. Além disso, são evitados problemas de erosão nas
encostas, pois as linhas de cabos podem ser mantidas gramadas,
enquanto as estradas são as maiores responsáveis pela erosão em
bananais de morros.
As
linhas de transporte terminam numa casa de embalagem (packing-house),
o que permite a manutenção da qualidade da fruta e a melhoria da sua
apresentação.
O
sistema de transporte deve ser planejado e construído antes da
implantação do bananal para que seja o mais econômico e eficiente
possível. Como existem componentes que variam de preço, a quantidade
deles no sistema irá influenciar diretamente o custo total de
implantação.
O
custo de implantação do sistema varia de acordo com o uso desses
componentes, com o tipo de material utilizado, com o formato do
bananal e com a localização da casa de embalagem. No Brasil tem
variado de 500 a 1.500 reais por hectare.
Figura
8 – Sistema de transporte de bananas por cabo aéreo em encostas de
morro
Fonte:
Kemp & Mattews, 1997 apud Linchtemberg et. al., 2001.
O mercado consumidor está cada vez
mais exigente no que diz respeito à qualidade das frutas e
hortaliças que serão adquiridas. Frutas com boa aparência, sabor e
livre de danos físicos são pontos importantes para o aumento da
comercialização. E para que isso ocorra, depende em grande parte da
tecnologia utilizada no manejo pré-colheita, na colheita e na
pós-colheita. Os métodos empregados nas fases de colheita e
pós-colheita não melhoram a qualidade da fruta, mas apenas retardam
os processos de senescência, conservando melhor os frutos e,
conseqüentemente, aumentando o tempo para a comercialização, o que
torna-se um ponto favorável, principalmente para o mercado
internacional.
Após colhidos, os frutos são
colocados na Casa de Embalagem, onde são realizadas todas as
operações de preparação do fruto para comercialização, tais
como:
·seleção inicial de cachos e pencas;
·despistilagem e retirada de detritos;
·despencamento;
·sub-divisão de pencas (confecção de buquês);
·lavação;
·classificação;
·pesagem;
·tratamento fitossanitário;
·colocação de selos de qualidade;
·embalagem da fruta.
Segundo
Lichtemberg et. al., (2001), a instalação de casas de embalagem só
se justifica quando se usa um sistema de transporte por cabos aéreos
ou se adotam cuidados rigorosos no transporte em carretas. Em pequenas
propriedades, pode-se instalar uma pequena casa de embalagem em local
central do bananal e fazer o transporte dos cachos da planta até o
local de embalagem nos ombros protegidos dos trabalhadores. A casa de
embalagem visa apenas a melhoria da aparência e conservação da
fruta a ser comercializada, não sendo solução para danos ocorridos
anteriormente. Dois tipos de casas de embalagem vêm sendo utilizados:
casa de embalagem compacta e casa de embalagem em linha.
ØCasa de Embalagem Compacta
O
seu tamanho e a disposição dos seus componentes variam bastante, mas
é composta basicamente das seguintes partes: um trilho suspenso para
recepção, despistilagem e despenca dos cachos; tanques de amianto,
alvenaria, fibra de vidro, metal ou plástico; tonéis para o
tratamento antifúngico; mesas de buquês; duas a quatro mesas de
embalagem, de acordo com o número de embaladores; área de fechamento
de caixas e pesagem e área de depósito de embalagens vazias e
cheias.
Existem
variações desse modelo, que incluem uma área coberta para
estacionamento de 100 a 200 cachos. O tamanho e a forma dos tanques
são variáveis nas diversas casas de embalagem. O número de tanques
também é variável: desde um tanque para pencas e outro para
buquês, sem separação das pencas superiores das inferiores, até
quatro tanques, um para pencas superiores, um para pencas inferiores e
dois para os respectivos buquês. Os funcionários que confeccionam os
buquês ficam entre o tanque de pencas e o tanque de buquês. Em
algumas casas de embalagem, o tratamento antifúngico por imersão é
feito ao tanque de buquês; em outras, em tonéis de 100 a 200 L,
colocados junto à saída dos tanques de buquês.
Algumas
das casas de embalagem contam com áreas cobertas para estacionamento
de veículos e com plataformas para carga de caixas e descargas de
cachos (Fig. 9). As dimensões das casas variam bastante, desde
microcasas de embalagem, para pequenas propriedades, até casas de
grandes dimensões, que atendem a vários produtores.
Com
uma equipe bem treinada de 12 a 15 pessoas, consegue-se um rendimento
de 600 a 700 caixas de 20 kg por dia de trabalho e uma qualidade final
razoável. Como o espaço entre os trabalhadores é pequeno, o fluxo
de trabalho fica um pouco prejudicado. Quando as dimensões dos
tanques de lavagem são pequenas, ocorre a sobreposição de pencas,
choque entre pencas e atrito das frutas contra as paredes dos tanques,
o que prejudica a qualidade final do produto. O empilhamento dos
buquês sobre as mesas podem causar danos às frutas.
Figura
9 – Esquema de uma planta baixa de casa de embalagem compacta, com
plataforma comum de descarga de cachos e carga de caixas.
Ilustração
Luis Alberto Lichtemberg.
ØCasa de Embalagem em Linha
A
principal vantagem deste modelo de casa de embalagem é o fluxo de
trabalho, que fica facilitado, aumentando o rendimento e a qualidade
do produto no embalamento. O galpão pode ser de qualquer tipo, desde
que tenha o piso concretado ou confeccionado com algum material que
eviteformação de lama
e facilite a limpeza do local.
A
casa ideal, neste modelo, deve contar com uma área de recepção e
estacionamento de cachos, uma área para a despistilagem e a retirada
de detritos e sacos de plástico (quando usados no bananal), uma área
de despencamento dos cachos, um tanque para lavagem de pencas, uma
área de subdivisão de pencas ou confecção de buquês, um tanque
para lavagem de buquês, uma área de pesagem, uma área de
desinfecção dos buquês, uma área de selagem, uma área de
embalagem, uma área de armazenamento e montagem de caixas e uma área
de depósito de embalagens cheias (Fig. 10). A casa deve ainda
permitir uma boa classificação das frutas, seja pela subdivisão dos
tanques, seja pela instalação de duas ou mais linhas de
beneficiamento (Fig. 11). Nestes casos, cada setor do tanque ou cada
linha pode trabalhar com uma classe de produto.
Numa
casa de embalagem em linha, após a lavagem dos buquês, a fruta é
trabalhada dentro de bandejas contendo o volume de banana adequado
para o tipo de embalagem utilizado. Nesta fase, todo o trabalho é
realizado nas bandejas que são deslocadas sobre uma mesa roletada (ou
de outro tipo, com leve desnível) até o acondicionamento das frutas
nas embalagens. O comprimento mínimo da mesa é de 7 m, para
facilitar o fluxo de trabalho e permitir o escoamento do excesso de
água nas frutas. Neste sistema, o tratamento anti-fúngico pode ser
feito por aspersão (utilizando-se pulverizadores), por nebulização
(em câmaras de tratamento compostas de compressor, tanque para calda
e nebulizador) ou pelo sistema de cortina (chuveiro de aspersores, de
uso contínuo).
Figura
10 – Casa de Embalagem com uma linha de beneficiamento.
Figura
11 – Esquema de uma casa de embalagem com três linhas de
beneficiamento.
Fonte:
Extraído de Lichtemberg, (1999).
8.1 Principais procedimentos da
pós-colheita
8.1.1 Seleção inicial de cachos e pencas
Após
a colheita alguns cachos podem apresentar pencas com defeitos que
influenciam negativamente a qualidade dos frutos, tais como:
deformação dos cachos; frutos muito magros; cachos muito gordos;
cachos ou pencas queimados pelo sol; frutos atacados por pragas e com
sintomas de doenças. Faz-se, então, uma seleção eliminando cachos
e pencas com defeitos. Além disso, os cachos com ráquis recurvadas e
pencas deformadas por pecíolos foliares devem ser eliminados, bem
como cachos provenientes de plantas com poucas folhas verdes, que
irão apresentar maturação precoce, depreciando a qualidade dos
demais frutos da carga. Alguns frutos descartados poderão ser
comercializados em alguns mercados menos exigentes ou utilizados no
processo industrial.
8.1.2 Despistilagem e Retirada de detritos
A
despistilagem consiste na retirada dos filamentos das pontas de cada
banana. Esses filamentos nada mais são que restos florais. Nesta
operação os cachos ficam dependurados nos cabos ou barras, próximos
ao local de despencamento. Junto com a despistilagem retiram-se os
detritos grosseiros, tais como frutos abortados, podres e danificados,
brácteas, pedaços de folhas, etc. Estas operações melhoram o
aspecto visual do cacho, por isso deve-se ter o cuidado de não ferir
as frutas com as unhas, sendo assim, o trabalhador deve mantê-las
aparadas.
8.1.3 Despencamento
Uma
vez que os cachos são dependurados em frente aos tanques de lavagem,
procede-se ao despencamento que consiste no corte da penca, o mais
próximo possível da ráquis, deixando o máximo de almofada das
pencas. Neste momento o despencador deve ser auxiliado por outra
pessoa, que apara a penca e a deposita cuidadosamente no tanque de
lavação. Para despencar os cachos, usam-se espátulas e facas curvas
bem afiadas para facilitar a operação. Nas frias regiões produtoras
de Santa Catarina onde a almofada das pencas é mais dura podem ser
usados os despencadores giratórios. Já em São Paulo e nas regiões
mais quentes de Santa Catarina é muito utilizada a espátula nº 5 de
vidraceiro.
8.1.4 Lavagem
Segundo
Botrel et. al., (2001) esta operação é muito importante, pois
melhora a aparência dos frutos, elimina restos florais, impurezas e a
seiva que escorre sobre as frutas após o despencamento. Nesta
operação, as pencas são colocadas nos tanques de lavagem com água
de boa qualidade, um detergente neutro (200 a 400 ml por 1.000 L de
água) e sulfato de alumínio (200 a 400 g por 1.000 L de água),
objetivando a cicatrização dos cortes nas almofadas das pencas e a
precipitação de resíduos orgânicos.
As
maiores concentrações são utilizadas no verão, quando a produção
de seiva é maior do que no inverno. Além das vantagens mencionadas,
a lavagem também representa uma técnica de pré-resfriamento da
fruta, proporcionando a redução do calor de campo e,
conseqüentemente, maior vida útil para o fruto. Os tanques de água
corrente são mais adequados, pois permitem a lavagem contínua das
frutas e a água de melhor qualidade. Normalmente, a exsudação de
látex cessa após 20 minutos, tempo em que os frutos devem permanecer
imersos nos tanques de lavagem.
8.1.5 Confecção dos buquês
As
pencas são divididas em buquês, que são cachinhos com 5 a 7 bananas
unidos pela almofada, para facilitar a acomodação no momento da
embalagem e comercialização. Esta operação é feita com o auxílio
de um canivete de ponta curva.
Segundo
Botrel et. al., (2001), em regiões de clima quente, os frutos
apresentam pedúnculos mais longos e afastados, permitindo a
preparação dos buquês dentro dos tanques de pencas. Neste caso, os
operários ficam de frente para o tanque de pencas e de costa para o
tanque de buquês. Já em regiões frias, como o pedúnculo do fruto
se apresenta menor e menos separado na penca, há necessidade de uma
mesa entre os tanques para a confecção dos buquês. Durante a
operação, faz-se o descarte de frutos indesejados, tais como frutas
muito curvas, defeituosas, geminadas e com algum tipo de dano que
venha comprometer a qualidade do lote de frutas. No tanque onde se
processa a lavagem dos buquês, adiciona-se à água a mesma
concentração de sulfato de alumínio utilizada na lavagem das
pencas. No caso de armazenamento prolongado, ou visando à
exportação de frutos, é necessário um tratamento fitossanitário
adequado.
8.1.6 Classificação
Após
os tratamentos anteriormente relacionados, as pencas ou buquês são
colocadas em mesas ou estrados, para escorrer o excesso de água.
Posteriormente, as frutas devem sofrer a classificação. A banana é
classificada por Grupo, Classe e Categoria.
ØClassificação por
grupo
De
acordo com os cultivares, a banana deve ser classificada em dois
grupos:
·Grupo I (Cavendish): Nanica, Nanicão, Grand naine, Valery,
Lacatan e Poyo (Congo)
·Grupo II: Prata e Maçã.
Dentro de
cada grupo a banana será classificada em subgrupo, levando em
consideração a coloração da casca do fruto, conforme Tabela 4.
Tabela
4– Classificação de bananas conforme a coloração.
Grau
(subgrupo)
Coloração
1
Totalmente
verde
2
Verde
com traços amarelos
3
Mais
verde que amarelo
4
Mais
amarelo que verde
5
Amarelo
com pontas verdes
6
Totalmente
amarelo
7
Amarelo
com pintas marrons
Obs:a) É tolerada uma mistura de coloração em até 15% da caixa;
b) Esta classificação deve ser realizada após a
climatização.
ØClassificação por
classe
Após
classificar as bananas por grupos e subgrupos, estas devem ser
classificadas por classes e subclasses, que refere-se a forma de
apresentação , tamanho e diâmetro dos frutos.
Existem
3 classes para bananas, conforme Tabela 5.
Tabela
5– Classificação de bananas por classe.
Classe
Forma
de apresentação
Número
de frutos
1
Dedo
1 ou 2
2
Buquê
3 a 8
3
Penca
Mais de 8
Quanto
as subclasses, temos a subclasses I e II, de acordo com o comprimento
e diâmetro dos frutos, respectivamente, conforme Tabela 6.
Tabela
6– Classificação de bananas por subclasses.
Subclasse
I
Comprimento
do fruto (mm)
12
menor
que 129
13
130
a 159
16
160
a 189
19
190
a 229
23
230
a 259
26
maior
que 260
Subclasse
II
diâmetro
do fruto (mm)
27
menor
que 28
28
28
a 31
32
32
a 35
36
36
a 39
40
maior
que 39
Obs:a) tolera-se a mistura de até 10% de bananas pertencentes a
subclasses inferiores ou superiores; b) o número de embalagens que
superarem a tolerância para as misturas de subclasses não poderá
exceder a 20% das unidades amostradas.
ØClassificação por
categoria ou tipo
Esta
classificação leva em conta a qualidade da fruta, principalmente a
presença de defeitos. Podem ser classificadas em quatro categorias,
conforme Tabela 7.
Tabela
7– Classificação de bananas por categoria.
Categoria
Extra
I
II
III
Defeitos
graves
---------- Limites de defeitos
permitidos por categoria (%) --------
Amassados
0
1
5
20
Dano
profundo
0
1
5
20
Queimado
de sol
0
2
5
20
Podridão
0
1
2
10
Lesões
severas de tripes
0
5
10
20
Lesão/mancha
0
5
10
20
Imaturo
0
1
5
10
Total
de defeitos graves
0
5
10
20
Defeitos
leves
5
10
20
100
Total
geral de defeitos
5
10
20
100
A
banana é desclassificada e terá sua comercialização proibida
quando apresentar odor estranho e substâncias nocivas à saúde. As
bananas do Grupo I são desclassificadas para exportação quando
apresentarem diâmetro menor do que 30mm; comprimento inferior a
150mm; danos por contato com a água do mar ou por queimaduras de sol;
folha de bananeira como material de acondicionamento do produto e
embalagem e/ou peso fora das especificações oficiais.
Segundo
Cereda apud Botrel et. al., (2001), para exportação, duas
classificações internacionais são utilizadas. Na classificação
americana, o comprimento do fruto, medida na curvatura externa do
fruto, deve ter no mínimo 8 polegadas para a fruta extra e 7
polegadas para a fruta de primeira categoria. O diâmetro do fruto é
determinado pelo importador, segundo a distância do mercado. Na
classificação francesa, o comprimento do fruto, medindo-se a
distância da base do pedicelo até a ponta do fruto, pelo lado da
curva interna, deve ter no mínimo 17 cm para a fruta extra, 15 cm
para a fruta de primeira e 13 cm para a fruta de segunda categoria.
8.1.7 Pesagem
Segundo
Lichtemberg (1999), os funcionários encarregados da pesagem fazem a
seleção final do produto e colocam em cada bandeja o volume de
frutas adequado ao tipo de embalagem que está sendo utilizado.
Utilizam-se bandejas plásticas perfuradas (para eliminar o excesso de
água) para a pesagem das frutas. Nas bandejas, os buquês são
colocados com a parte da almofada, que foi cortada, para cima. Este
procedimento facilitará o tratamento antifúngico, que deve atingir
principalmente as partes feridas do buquê.
Nas
casas de embalagem tipo compacta, a pesagem só é realizada após a
embalagem da fruta, como forma de conferir a carga das caixas.
8.1.8 Tratamento Fitossanitário
A
banana é um fruto sensível, sujeito à uma série de ferimentos se
não forem tomados cuidados, principalmente, no manejo das frutas na
colheita até o consumidor. Estes ferimentos abrem uma porta de
entrada para contaminação por microrganismos causando podridões e
depreciando os frutos.
Segundo
Lichtemberg (1999), o tratamento antifúngico é utilizado para a
desinfecção das frutas e para evitar podridões posteriores, dando
maior tempo de conservação à fruta. O tratamento das frutas pode,
neste caso, ser feito por pulverização ou por nebulização.
Também
são utilizadas câmaras fechadas com chuveiro ou cortinas de calda
fungicida. A calda, neste caso, é reutilizada, através de coletores
colocados abaixo das câmaras, que a conduzem até um tanque. Do
tanque, a calda é novamente bombeada para o tratamento das frutas.
Os
fungicidas que têm sido utilizados para o tratamento de banana são
thiabendazole, benomyl e tiofanato metílico. Os produtos comerciais,
Tecto, Mertec, Benlate e Cercobim são utilizados nas concentrações
de 1 a 2 g/l, na imersão, na pulverização e no sistema de chuveiro
e 2 a 4g/l, na nebulização.
A
imersão na calda fungicida pode ser feita no tanque de buquês, em
tonéis de 200 l ou em outro tipo de recipiente. Os tonéis devem ser
colocados entre o tanque de lavação e a mesa onde são depositados
os buquês para embalamento. As concentrações dos fungicidas no
tratamento por imersão são as mesmas utilizadas em pulverização.
Considerado
um dos mais importantes fungicidas para pós-colheita, o Magnate, cujo
princípio ativo é o Imazalil, foi registrado em 1998 no Brasil. Ele
é registrado no Brasil para citros, banana, papaya e manga.
Recomendação de uso para banana: aplicação em imersão ou
pulverização (200 ml do Magnate em 100 l de água). Pulverizar
utilizando 2 à 4 litros de calda por tonelada de fruta. Em caso de
imersão, deixar ao menos 30 segundos a fruta imersa no tanque. (www.arua.com.br.).
A
preocupação do mercado internacional com o uso indiscriminado de
agrotóxicos na produção agrícola e a procura por alimentos com
baixos níveis destes produtos tem sido cada vez maior. Segundo
Carraro & Cunha (1994), o uso de agrotóxicos em frutas destinadas
à exportação deve merecer muita atenção dos fruticultores e
exportadores devido ao constante monitoramento dos limites máximos de
resíduos aceitáveis feito pelos países importadores. Os resíduos
de um agrotóxico correspondem à quantidade de princípio ativo
remanescente na fruta após a colheita. É expresso em partes (em
peso) do princípio ativo por milhão de partes (em peso) da fruta
(ppm), Tabela 8. Níveis de resíduos superiores aos estabelecidos
pelos diversos governos podem restringir a entrada de frutas frescas
ou processadas, constituindo-se em sério entrave à expansão das
exportações brasileiras.
Tabela
8–Limite Máximo de Resíduos de Agrotóxicos Permitidos para
Frutas Frescas no Brasil e nos Principais Países Importadores
PRINCÍPIO
ATIVO
CLASSE
GRUPO QUÍMICO
LIMITE
MÁXIMO DE RESÍUDO
PERMITIDO
(ppm)
BR
EUA
CODEX
ARG
Banana
Aldicarb*
Inseticida
Acaricida/nematicida
Carbamato
0,300
----
----
0,010
Aldrin
Inseticida
Clorado
0,020
----
0,050
----
Ametrina*
Herbicida
Triazinas
0,070
0,250
----
----
Atrazine*
Herbicida
Triazinas
0,200
----
----
----
Azimphos
Etilico
Inseticida/Acaricida
Organofosforado
0,200
----
----
0,050
Benomil*
Fungicida
Benzimidazóis
1,000
1,000
----
----
Biterfanol
Fungicida
----
----
0,200
0,500
----
Bromopropilato
Acaricida
Benziatos
----
----
5,000
----
Carbaryl*
Inseticida
Carbamato
5,000
10,000
----
----
Carbedazin
Fungicida
Benzimidazóis
----
----
1,000
1,000
Carbofuran*
Inseticida/Nematicida
Carbamato
0,100
0,100
0,100
----
Chlorophnfos
Inseticida/Caricida
Organofosforado
----
0,100
----
----
Clorotalonil*
Fungicida
Derivado
da Ftalontrila
0,400
0,500
0,200
----
Dalapon
Herbicida
Ácido
Cloropropiônico
5,000
5,000
----
5,000
Deltametrina
Inseticida
Piretróide
----
----
0,050
----
Diazinon
Inseticida
Organofosforado
----
0,200
----
----
Dimetoato
Inseticida
Organofosforado
----
----
1,000
----
Diuron*
Herbicida
Derivaldo
de Uréia
0,100
0,10N
----
----
Ethoprophos*
Inseticida
Nematicida
Organofosforado
0,050
0,02N
0,020
----
Fenamifos
Nematicida
Organofosforado
0,100
0,100
0,100
----
Fensufotion
Inseticida/Nematicida
Organofosforado
0,020
0,020
0,020
----
Fention
Inseticida
Organofosforado
----
----
1,000
----
Glyphosate
Herbicida
Derivado
da Glicinia
----
0,200
----
----
Glufossinato
de Amonio*
Herbicida
----
----
----
----
----
Hidroxido
de Cobre*
Fungicida
Cúprico
15,000
----
----
----
Mancozeb*
Fungicida
Ditiocarbamato
0,050
4,000
----
----
Maneb
Fungicida
Ditiocarbamato
1,000
0,500
----
----
Óleo
Mineral
Inseticida
Hidrocarbonetos
S/R
----
----
0,010
Oxamil
Inseticida/Acaricida/
Nematicida
Metitioasetamida
----
0,300
0,200
----
Oxido
Cuproso *
Fungicida
Cúprico
15,000
----
----
----
Oxicloreto
de Cobre *
Fungicida
Cúprico
15,000
----
----
----
Oxyfluorfen
Herbicida
Difenil
Éter
----
0,050
----
----
Paraquat
*
Herbicida
Dipiridilos
0,050
0,05N
----
----
Procloratz
Fungicida
----
----
----
5,000
----
Propiconazole
*
Fungicida
Triazois
0,100
0,200
0,100
0,100
Quintozene
Fungicida
Nitrobenzeno
----
----
1,000
----
Simazina
*
Herbicida
Triazinas
0,020
0,200
----
----
Thiabendazol
*
Fungicida
Bezimidazóles
3,000
3,000
3,000
3,000
Tiofanato
Metilico *
Fungicida
Bezimidazóles
0,200
2,000
1,000
----
Tiran
Fungicida
Ditiocarbamato
1,000
1,000
----
----
Triadimenol
Fungicida
Triazóis
0,200
----
----
----
Triclorfon
*
Inseticida
Organofosforado
0,200
0,200
----
----
Tridemorph
Fungicida
Morfina
----
0,100
----
----
Fonte:
Pest Bank in CD, CODEX Alimentarius e MAARA apud Carraro e Cunha 1994.
* -
Produtos registrados no Brasil
8.1.9 Selagem
Consiste
na colocação de um ou mais selos na parte côncava do buquê. Os
selos com a marca do produto devem ter pequenas dimensões (cerca de
18 x 24 mm) e substância adesiva que permita colá-los nas frutas
ainda úmidas
8.1.10 Embalagem
A
embalagem apropriada de frutas, hortaliças, plantas e flores
cortadas, é essencial para manter a qualidade do produto durante o
transporte e a comercialização. Além de proteger, a embalagem com
recipientes de embarque serve para homogenizar o produto e permite o
seu manuseio. Não tem sentido embarcar produtos perecíveis de alta
qualidade e alto valor em embalagens de má qualidade que produzirá
danos, perda de valor comercial e até recusa definitiva dos produtos
pelo comprador.
A
embalagem deve ser resistente:
·ao manuseio durante a carga e descarga;
·à compressão do peso sob outros recipientes;
·ao impacto e à vibração durante o transporte;
·à alta umidade durante o pré-resfriamento, o trânsito e o
armazenamento. (Carraro & Cunha, 1994).
Atualmente,
vários tipos de embalagens são utilizados no comércio da banana no
Brasil. Existe uma grande diversidade de caixas para 10, 15, 18, 20,
23 e 25kg de banana madura, confeccionadas com madeira, duratex (eucatex),
plástico ou papelão. As dimensões das caixas usadas variam ainda
mais. Praticamente cada local ou cada fabricante utiliza tamanho e
formato diferentes.
Esta
prática, além de impossibilitar o levantamento estatístico da
produção, dificulta qualquer tipo de padronização e
classificação do produto.
O
maior problema, porém, está na carga da embalagem. Em Santa
Catarina, em amostragens feitas pela Epagri, constatou-se que em
toritos com capacidade entre 18 e 20kg de banana e carga média era de
24,5kg, com variações de 22 a 28kg. Em frutas para exportação a
situação não é diferente, pois em caixas que comportam no máximo
20kg de banana, normalmente se acondicionam mais de 25kg de fruta. O
resultado desta prática é a ocorrência de danos irreversíveis na
aparência do produto e elevadas perdas por podridões em
pós-colheita.
As
embalagens atualmente registradas para banana, no Ministério da
Agricultura (Brasil, 1991), são apenas três tipos de torito e uma
caixa de papelão. O toritão tem dimensões (comprimento, largura,
altura) de 575 x 285 x 350 mm. O torito I tem dimensões de 500 x 350
x 265 mm. O torito II tem dimensões de 500 x 350 x 280 mm. A caixa de
papelão oficial tem dimensões de 450 x 286 x 212 mm. O principal
problema, porém, é a indefinição da capacidade de cada embalagem.
Algumas vezes define-se apenas o peso bruto e não o peso líquido,
que é o que realmente importa.
Alguns
tipos de embalagem têm sido usados no Sul e Sudeste do Brasil com
bons resultados. Alguns são citados a seguir:
a)a embalagem plástica para 18kg de banana madura em buquês tem
dimensões internas de 515 x 325 x 295 mm. Estas embalagens têm como
vantagens o fácil manejo, a facilidade de circulação do ar durante
a climatização, a possibilidade de lavação e desinfecção e a
durabilidade. Suas desvantagens são o alto custo, o conseqüente
prejuízo no caso de extravio e a necessidade de retorno no
transporte;
b)a embalagem de madeira para 10 kg de banana madura tem as
dimensões internas de 500 x 370 x 170 mm (Fig. 13). São
confeccionadas com madeira bruta, que permitem até dez viagens, ou
com lâminas de pinus (descartáveis). Já existem versões desta
caixa em papelão. Esta embalagem é a preferencial em diversas redes
de supermercados de Santa Catarina e já é utilizada no Rio Grande do
Sul, Paraná e Minas Gerais. Estas caixas acondicionam apenas duas
linhas de buquês de banana e recebem forração de plástico entre a
fruta e as suas paredes. (Fig. 12A).
c)a embalagem de madeira para 15 kg de banana madura em buquês
tem dimensões internas de 500 x 350 x 190 mm. É bastante utilizada
por produtores do Vale do Ribeira. Nesta embalagem, os buquês são
acondicionados em três linhas, uma no fundo (bananas menores) e uma
em cada lateral da caixa. As frutas são separadas entre si e das
paredes da caixa por uma proteção plástica. (Fig. 12B).
d)aembalagem de
papelão para 18 kg de banana madura em buquês tem dimensões de 520
x 390 x 245 mm. Trata-se de uma embalagem com tampa, normalmente
utilizada nos países exportadores de banana da América Latina. Os
buquês são acomodados em três filas quando os frutos são maiores e
em quatro filas quando os frutos são menores (Fig. 12C e 12D).
e)a embalagem de madeira, para 18 kg de banana madura, utilizada
na exportação para o Uruguai e a Argentina, tem dimensões internas
de 500 x 350 x 290 mm. A forma de acomodação dos buquês é em
quatro filas.
Figura
12.Formas de acondicionamento de buquês em diferentes tipos de
embalagem
Nota:
Figura 12A – Caixa para 10 kg de banana madura; Figura 12B – Caixa
para 15 kg de banana madura; Figura 12C – Caixa para 18 kg de banana
madura (3 linhas); Figura 12D – Caixa para 18 kg de banana madura (4
linhas).
______
cartão ou papelão ondulado; ------- plástico.
Figura
13–Formas de acondicionamento de buquês em diferentes tipos de
embalagem
Nos
encaixotamento os principais cuidados são:
·usar embalagens adequadas;
·colocar o volume adequado de frutas para cada tipo de
embalagem;
·dispor os buquês de acordo com a forma indicada para cada tipo
de embalagem;
·evitar o ferimento das frutas nas paredes das embalagens;
·utilizar materiais de proteção (plástico e papelão) para
separação dos buquês dentro das caixas.
Quando
usam-se toritos e banana em pencas, inicialmente põem-se no fundo da
caixa as pencas menores. As pencas maiores são colocadas sobre as
primeiras, com as almofadas voltadas para baixo, de uma cabeceira do
torito para a outra. Na acomodação, coloca-se cada penca bem junto
da anterior ocupando cada espaço da embalagem.
Quando
a banana é comercializada em buquês, a forma de acomodação varia
segundo o tipo de embalagem e o tamanho dos frutos. Alguns exemplos
são mostrados na Figura 12. (Lichtemberg, 1999).
Um
fator que acentua a perda na comercialização é o uso inadequado da
embalagem. Numa pesquisa levantada pela Hortifruti Brasil, 28% dos
packing houses ainda utilizam a caixa de madeira (como a caixa K),
principalmente para bananas, laranjas, mamões, uvas, mangas e
tomates.
Apesar
de ser retornável e resistente, a caixa de madeira possui superfície
áspera, aberturas laterais cortantes e pode funcionar como foco de
doenças. Sua profundidade excessiva suporta volumes superiores aos
recomendáveis, comprometendo a durabilidade e a qualidade do produto.
Atualmente,
recomenda-se o uso de caixas de papelão ondulado, que protegem o
produto contra choques mecânicos e suportam ambientes úmidos.
Os
dados levantados revelaram que 43% dos packing
houses utilizam caixas de papelão, principalmente para uva,
manga, mamão, tomate e melão e banana. A utilização dessas caixas
vem crescendo para o mercado interno, embora seja um procedimento
comum entre os que trabalham com exportação (100% em caixa de
papelão).
O
papelão também é o material mais indicado para a paletização,
característica importante para o acondicionamento do produto. Ele
possibilita a formação de unidades de armazenamento e
comercialização, facilitando a contagem e a carga e descarga dos
veículos, o que reduz a necessidade de mão-de-obra e agiliza a
operação.
Outro
material importante no processo de embalagem é o papel (de vários
tipos) especial para envolver o produto. Eles chegam a aumentar a
conservação do produto, protegendo contra umidade e choques
térmicos, além de controlar a proliferação de fungos. Essa
tecnologia tem se tornado comum na embalagem de uvas, mangas e mamões
para a exportação. (Vitti & Matthiesen, 2003).
8.2 Maturação Controlada
Em
condições naturais, a banana colhida próximo ao seu completo
desenvolvimento fisiológico amadurece, muitas vezes, de forma
desuniforme, devido a formação de frutos em pencas com diferentes
idades, apresentando, geralmente, de 10 a 15 dias de diferença de
idade, em função do florescimento e do desenvolvimento da fruta.
A
climatização ou maturação controlada vem se tornando uma prática
de rotina dentro do sistema de produção e comercialização da
banana e pode ser realizada diretamente pelo produtor, como também
pelo comprador ou distribuidor da fruta. Consiste em colocar os frutos
em câmaras herméticas, a fim de provocar o amadurecimento, por meio
da introdução de gases ativadores de maturação e pode ser
classificada em rápida, lenta ou normal, dependendo das condições
da câmara, do estádio de maturação da fruta, da própria variedade
e da pressa em amadurecer a fruta.
As
bananas que serão submetidas à climatização devem estar no
estádio de maturação fisiológica, ou seja, plenamente
desenvolvidas mas ainda com a coloração verde intensa. Cachos que
iniciaram o amadurecimento ainda ligados à planta, mesmo sendo
climatizados, não apresentam amadurecimento uniforme, depreciando a
qualidade dos demais frutos da carga.
8.2.1 As Câmaras de Climatização
As
câmaras de climatização são utilizadas com o objetivo de controlar
o amadurecimento, em períodos que duram de 4 a 10 dias. São
construídas especialmente para este propósito, sendo que a única
diferença em relação a uma câmara frigorífica comum é a
presença de exaustores com os quais é realizada a renovação do ar
interno da câmara. (Kluge, 2003).
No
ambiente da câmara de climatização, formam-se gases liberados pela
respiração do fruto, que devem ser removidos. Procede-se à
exaustão pela abertura das portas da câmara, acionando-se
ventiladores de ar forçado conjuntamente a um exaustor instalado em
uma das paredes da câmara, de modo a permitir que o ar circule em
corrente contínua. Compete à exaustão remover todos os gases
supérfluos, como o gás carbônico e outros componentes voláteis que
podem retardar a maturação e estimular podridões. Deve-se proceder
à exaustão e à renovação do ar 12 horas após a primeira
aplicação do gás e, depois, a cada 24 horas, mantendo-se o gás
carbônico sempre inferior a 0,5% do ar. O excesso de gás carbônico
(superior a 1%) retarda a maturação, causa a coloração
verde-amarelada na fruta madura, o despencamento dos frutos, o
amolecimento e a podridão da polpa. (Botrel
et. al., 2001).
As
paredes, o teto e o piso devem conter isolamento térmico de estiropor
o poliuretano, com espessura mínima de 4 polegadas. As paredes e o
teto, assim como o isolamento, podem ser de painéis pré-moldados. A
porta deve apresentar um bom isolamento e ser hermética, a fim de
evitar o escapamento do gás ativador do amadurecimento. Deve
apresentar também uma unidade de aplicação de etileno que deve ser
incorporada ao sistema, com um dosificador automático da quantidade
do gás a ser injetado.
O
tamanho da câmara é determinado pela demanda máxima aceitável, bem
como pela freqüência de frutos recebidos. A densidade das pilhas
não deve exceder 1 t/10m3 e a capacidade também não deve
ser excessiva (acima de 20 toneladas), para não causar problemas
quanto à manutenção da temperatura adequada e à quantidade de gás
a ser aplicada, assim como em relação ao acúmulo de CO2,
cuja eliminação torna-se mais difícil. A desinfecção com
soluções de hipoclorito de sódio, aumentam a vida das câmaras de
climatização, reduzem os custos de manutenção e minimizam a perda
de qualidade das frutas. (Kluge
et. al., 2003).
8.2.2 Fatores que interferem na
Climatização
a)
Temperatura
A faixa ótima de temperatura do ar para a
climatização é de 13,9 a 23,9ºC, na qual não ocorrem alterações
na qualidade dos frutos. A temperatura afeta a velocidade de
maturação, permitindo a obtenção de frutos em variados graus de
maturação, dentro de um esquema pré-determinado. O aumento da
temperatura reduz o tempo para atingir-se um determinado estágio de
cor da casca, bem como para qualidade ótima de cor e de consumo.
Temperaturas acima da faixa ótima reduzem a longevidade das bananas
no que se refere à qualidade de cor e de consumo. Isto pode ser
explicado pelo fato de que a atividade enzimática de frutos diminui
nas temperaturas acima de 30ºC e, a partir de 40ºC, muitas enzimas
são inativadas. Uma prolongada exposição de bananas a 30ºC impede
o amarelecimento da casca, apesar do aparente amadurecimento normal da
polpa.
Vale
salientar que, mais importante do que a temperatura do ar na câmara,
é a temperatura da polpa, a qual não deve ser inferior a 13,3ºC nem
superior a 18,3ºC. Temperaturas da polpa acima de 18,3ºC podem
causar o amolecimento excessivo dela, aumentar a suscetibilidade a
danos durante o manuseio e abreviar o período de comercialização no
varejo. Abaixo de 13,3ºC ocorrem danos pelo frio, resultando em
bananas, descoradas e sem sabor. (Borges et. al., 1997).
b)
Unidade Relativa do Ar
A banana é uma fruta que possui alto teor de
água, sendo parte dessa água é perdida pelos processos de
transpiração e respiração. A umidade relativa do ar circundante à
fruta é importante, por influenciar as perdas de peso e a presença
de fungos. A baixa umidade relativa (<80%) favorece a
desidratação da fruta durante a climatização, resultando em frutas
com murchamento e consistência anormal. Do mesmo modo, as umidades
relativas muito próximas a 100% favorecem o desenvolvimento de
fungos, prejudicando o amadurecimento e a vida pós-colheita da fruta.
A umidade relativa da câmara deve estar entre 85 a 95%. No caso de se
utilizar bananas embaladas em caixas de papelão, a umidade relativa
da câmara deve ser um pouco mais baixa (70 a 75%), para evitar o
amolecimento da caixa e subseqüente esmagamento das frutas, durante o
transporte. Nesta situação, os frutos necessitam estar
acondicionados em sacos plásticos de polietileno, ou similar, para
evitar a desidratação e o murchamento, em virtude da diminuição da
umidade relativa.
A umidade
pode ser injetada na câmara por meio de umidificadores, que são
colocados em frente da serpentina (evaporador) de resfriamento. O
umidificador expelirá uma neblina na corrente de ar dos ventiladores,
que será uniformemente distribuída dentro da câmara. (Kluge
et. al., 2003).
c)
Gases ativadores do Amadurecimento
Diversos são os gases utilizados para ativar
e provocar uma maturação uniforme, mas que não participam das
reações químicas que se processam no interior da fruta. Entre os
principais, tem-se o etileno, o acetileno e o azetil.
Segundo
Botrel et. al., (2001), a aplicação do etileno acelera a taxa
respiratória da banana, causando sua rápida maturação quando,
então, o amido é convertido em açúcares e na casca e clorofila é
degradada. O efeito desse gás é somente constatado na fase
pré-climatérica, pois, depois de iniciada a ascensão climatérica,
não tem mais ação sobre a fruta. O mesmo ocorre depois do ponto
máximo do climatérico. O etileno puro pode ser aplicado na câmara
de maturação na proporção de 1:1000 ou 0,1% ou 1.000 ppm.
Entretanto, considerando que o etileno é explosivo numa
concentração de cerca de 3% no ar, é preferível usar misturas de
nitrogênio e etileno, por medida de segurança. Se for utilizada a
mistura nitrogênio/etileno (95% de nitrogênio e 5% de etileno),
conhecidas por Etil-5 e Azetil, a concentração recomendada é de 20
L da mistura por metro cúbico. O tempo de permanência varia de 24 a
48 horas, dependendo da cultivar, do estádio de maturação e do
tempo entre a climatização e a comercialização do fruto. Quando a
quantidade de etileno for insuficiente, o processo de maturação
será lento e as extremidades da fruta permanecerão verdes (pontas
verdes). Os cilindros com a mistura nitrogênio/etileno devem ser
colocados em local ventilado e fora da câmara. A quantidade de gás
deve ser controlada, assim como a circulação de ar, dentro da
câmara, de modo a se obter a maturação homogênea do lote de
bananas.
A maturação
artificial também pode ser feita por meio de substâncias químicas,
tais como o Ethrel, o Ethephon ou o ácido 1,4 diclorofenolacético.
Para a comercialização, porém, a utilização de gás ativador de
maturação tem sido mais recomendada e utilizada.
O ethephon é
o princípio ativo do produto comercial (Ethrel ou similar), com
toxidez na faixa azul, isto é, baixa toxidez. É largamente usado na
agricultura com várias finalidades, dentre as quais a indução da
maturação, uma vez que o produto libera o etileno nos tecidos
vegetais. Na maturação é usado em baixíssimas concentrações,
inferiores a 1%, não oferecendo riscos durante o manuseio. O pequeno
resíduo que eventualmente permanece no fruto não causa intoxicação
após a sua ingestão.
A
concentração da solução de ethephon dependerá da cultivar a ser
climatizada. Para cultivares do grupo AAB, tais como, ‘Prata
Anã’, ‘Thap Maeo’, ‘Pacovan’ e o híbrido ‘Pioneira’
recomenda-se 400 ppm (166 ml do produto comercial contendo 240 g/litro
para cada 100 litros de solução). Para ‘Nanica’ e ‘Nanicão’
utiliza-se 2.000 ppm (833 ml para 100 litros de solução). Naqueles
casos em que os produtores cultivarem bananas ‘Nanica’ e ‘Nanicão’,
juntamente com outras do grupo AAB, visando facilitar o procedimento
de climatização, utiliza-se apenas a concentração mais alta, ou
seja, 2.000 ppm. Uma das limitações para a climatização de banana
com ethephon, principalmente para pequenos produtores, é o seu alto
custo. No entanto, o custo pode ser sensivelmente reduzido com a
reutilização da solução, a qual permanece ativa por até 200 dias.
(Borges et. al., 1997).
d)
Ar atmosférico
O ar atmosférico na câmara de
climatização influencia o processo de amadurecimento. O aumento no
teor de oxigênio na câmara, normalmente, acelera o processo,
contudo, se a quantidade de oxigênio for mínima ou o ambiente for
pobre em oxigênio mais rico em gás carbônico, o amadurecimento pode
ser retardado. Tem-se observado que nas primeiras 24 horas de
climatização ocorre uma aceleração no metabolismo, com grande
consumo de oxigênio existente na câmara e liberação intensa de
dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, nas horas
subseqüentes. Neste período, a concentração de CO2 no
recinto pode alcançar valores de até 7%, podendo haver retardamento
no amadurecimento, pois a ação do etileno é impedida. O
amadurecimento já pode ser retardado quando a concentração de CO2
atinge 1%. Nestas situações, a casca da fruta permanece com
coloração verde-amarelada, enquanto que a polpa se torna madura e
mole. Portanto, durante a climatização, deve-se manter a
concentração de CO2 abaixo de 1%, o que se consegue por
meio da exaustão, em que se elimina o CO2 e injeta-se novo
ar. (Kluge et.
al., 2003).
8.2.3 Procedimentos para Climatização
Um
mesmo cacho é constituído por pencas com idades diferentes, que pode
causar uma desuniformidade no amadurecimento de um lote de bananas.
Por isso, os cachos devem ser separados em dois lotes: um contendo
seis ou oito pencas mais velhas e o outro as demais.
O
empilhamento bem feito das caixas na câmara é outro ponto
importante. Segundo Borges et. al., (1997), uma adequada circulação
de ar na câmara é essencial para uniformização da maturação. O
sistema de ventilação da câmara e o tipo de empilhamento das caixas
afetam sensivelmente a circulação do ar. Em uma câmara de
maturação convencional, mesmo os melhores equipamentos não
conseguem circular o ar através de pilhas muito compactas.
Uma
vez que a temperatura aumenta devido à respiração das bananas, a
área exposta do topo das caixas é muito importante para prevenir
aumento de temperatura na pilha e manter a temperatura da polpa
estável durante a climatização. Para operação paletizada usando
paletes de 1,00 x 1,20 m (40” x 48”), o melhor padrão de
empilhamento é o 4-bloco alternado. Este padrão, juntamente com
adequadas refrigeração e circulação do ar, permite máximo
controle da elevação da temperatura, assegurando consistência na
climatização. A figura 14 ilustra o padrão de empilhamento 4-bloco
alternado.
As
pilhas devem ser distribuídas uniformemente na câmara, para
propiciar um bom fluxo de ar, necessário ao controle da temperatura
da polpa e progresso da coloração. Os paletes não devem ser
colocados a menos de 45 cm das paredes frontal e traseira da câmara.
Quando se usa o padrão 4-bloco alternado, as pilhas podem ser
justapostas. No entanto, se for usado outro padrão de empilhamento,
deve-se deixar 10 cm entre cada pilha. A câmara de maturação não
deve ser carregada além da sua capacidade nem tampouco abaixo de 50%
da mesma, uma vez que, nestas condições, ocorrem sérios problemas
de maturação, tais como, casca opaca e polpa excessivamente mole.
Figura
14-Padrão de empilhamento 4 – bloco alternado para
climatização da banana.
Após
completar-se a carga da câmara, registra-se a temperatura da polpa
das bananas contidas nas caixas das camadas superior e inferior das
pilhas da frente, do centro e do fundo da câmara. A temperatura deve
ser verificada e registrada duas vezes por dia, exceto no dia da
aplicação do etileno, sempre nas mesmas caixas. As informações
obtidas são usadas para estabelecer a temperatura da câmara para
obter-se a desejada temperatura da polpa.
Aproximadamente
12 horas antes de aplicar-se o etileno, o termostato da câmara deve
ser ajustado de modo a obter-se a faixa de temperatura ideal da polpa
para aplicação do gás, qual seja, 15,5ºC a 16,7ºC. A dosagem
recomendada para climatização com etileno é 0,1% ou 28 litros para
cada 28 metros cúbicos da câmara. Se for usado produto comercial (Etil-S
ou Azetil) a quantidade será de 280 litros por 28 m3. Para
correta dosagem e manipulação do etileno deve-se consultar o
fornecedor do gás. Durante as primeiras 24 horas após aplicação do
etileno a câmara deve ser mantida hermeticamente fechada. Após este
tempo procede-se a ventilação por 15 a 20 minutos, para suprir a
câmara com o oxigênio essencial para a respiração normal das
bananas, evitando-se ocorrência de fermentação.
Os
cilindros contendo etileno ou a mistura nitrogênio/etileno devem ser
colocados fora da câmara de climatização, num corredor bem
ventilado. A quantidade de gás introduzida deve ser bem controlada e
a circulação do ar é essencial para se obter um alto grau de
homogeneidade da atmosfera na câmara.
Após
atingir um máximo a intensidade respiratória dos frutos diminui. A
casca das bananas, que mudaram um pouco de cor durante a primeira fase
do amadurecimento, se torna progressivamente mais amarela. Durante
esta fase, o odor da fruta se desenvolve. A circulação do ar da
câmara deve ser mantida e a temperatura deve ser reduzida levemente.
A umidade relativa deve ser reduzida se a instalação prevê um
dispositivo regulador de umidade.
Para
monitorar o amadurecimento das bananas, são utilizadas escalas de
colocação da casca das frutas, as seguinte escala de coloração
pode ser utilizada:
·Grau 1 – verde: cor normal da fruta verde;
·Grau 2 – verde claro: primeira mudança de coloração de cor
durante o ciclo de maturação;
·Grau 3 – verde claro com traços de amarelo claro:
pronunciado estado de início de maturação. Neste grau considera-se
como ideal para a distribuição aos varejistas, na estação quente;
·Grau 4 – mais amarelo de que verde: cor recomendada para a
distribuição ao varejista na estação fria;
·Grau 5 – amarelo com pontas verdes: cor ideal para a
distribuição ao varejista;
·Grau 6 – amarelo total: cor para venda e consumo;
·Grau 7 – amarelo com pintas marrons: completamente maduro,
melhor sabor, alto valor nutritivo.
Apresentam
pouca durabilidade e são impróprias para o transporte.
O
grau de coloração das frutas está relacionado com a sua
concentração de amido e açúcares durante o processo de
amadurecimento, o que pode ser verificado na Tabela 9.
Tabela
9–Relação entre grau de coloração da casca e a concentração
de amido e açúcares durante a maturação de banana
Grau
Coloração
da casca
Amido
(%)
Açúcares
(%)
1
Verde
20,0
0,5
2
Verde
claro
18,0
2,5
3
Verde
claro com traços amarelo
16,0
4,5
4
Mais
amarelo que verde
13,0
7,5
5
Amarelo
com pontas verdes
7,0
13,5
6
Amarelo
total
2,5
18,0
7
Amarelo
com pintas marrons
1,5
19,0
Quando
forem retiradas das câmaras de climatização, as bananas ainda devem
estar com as extremidades verdes (“ponta verde”), porém com a
parte mediana já amarelando, o que indica que o processo de
climatização teve êxito. Se a temperatura ambiente for elevada
(<32ºC) é recomendável proceder-se uma exaustão durante 30
minutos antes de se retirar as frutas da câmara, procurando elevar a
temperatura progressivamente para 25ºC. Este cuidado tem o propósito
de evitar que as bananas sofram choques climáticos nesta fase e
tenham sua vida de prateleira prejudicada.
Uma
vez retirada da câmara, a banana completa seu amadurecimento
lentamente, possibilitando um bom período para a sua
comercialização. A fruta deve chegar ao consumidor cerca de 30 horas
após a sua retirada da câmara e estar totalmente apta para o consumo
ao completar 48 horas. Neste caso, o consumidor estará recebendo
frutas que sofreram uma total transformação do amido em açúcares e
sua conservação, em termos de consumo, poderá ser de até 8 dias. (Kluge
et. al., 2003).
A banana, principalmente aquela
destinada à exportação, deve chegar até o seu destino final,
dentro dos padrões de qualidade exigidos pelo mercado consumidor.
Para isso, são fundamentais além dos cuidados na pré-colheita, na
colheita e na casa de embalagem, a escolha do meio de transporte mais
adequado.
Segundo Vilas Boas et. al., (2001), a
banana é um fruto perecível, extremamente sensível a danos e ao
etileno. A escolha do sistema de transporte deve, portanto, garantir a
proteção dos frutos contra impactos, aranhões, atritos ou abrasões
que possam danificá-lo. O dano do fruto, além de favorecer a entrada
de patógenos, estimula a produção de etileno, que pode engatilhar o
processo de amadurecimento, reduzindo substancialmente a vida
pós-colheita do fruto.
Fatores como temperatura, umidade
relativa e quantidade O2 e CO2, podem interferir
na maturação dos frutos e causar prejuízos. Para a banana podemos
verificar as condições recomendadas para seu transporte na tabela
10.
Tabela
10–Condições recomendadas para o transporte de banana fresca.
Vida
máxima em trânsito
7 -35 (dias)
Temperatura
ótima em trânsito
13ºC
Temperatura
em ambiente no contêiner
13ºC
a 15ºC
Umidade
relativa recomendável
90% a
95%
Índice
de produção de etileno
Alto
Sensibilidade
ao etileno
Alta
Necessidade
de renovação de ar
Alta
Fonte: USDA
(1987), citado por Carraro & Cunha (1994)
Muitos
produtos são armazenados ou transportados com freqüência em cargas
mistas ou armazenados com outros produtos (Carraro & Cunha, 1994).
Segundo os mesmos autores, esses produtos devem ser compatíveis entre
si, em termos de:
·Temperatura recomendada.
·Umidade relativa recomendada.
·Produção de etileno.
·Sensibilidade ao etileno.
·Produção de odores.
·Absorção de odores.
A
Tabela 11 apresenta o grupo de compatibilidade no qual se encaixa a
banana. É recomendável o trânsito e armazenagem separados de
bananas, frutas cítricas, nozes, batatas, cebolas, plantas e flores
cortadas.