CULTURA DA PITANGUEIRA
MELO. B.
SUMÁRIO
2.1.Taxonomia
e Denominações
2.2.Descrição
da Planta
2.3.
Fenologia
2.4.
Ecologia
4.COMPOSIÇÃO
E VALOR NUTRICIONAL
5.DISPONIBILIDADE
DE RECURSOS GENÉTICOS
6.PROPAGAÇÃO
E MANEJO AGRONÔMICO
6.1.
Propagação
6.2.
Manejo
Agronômico
6.2.1. Variedades
6.2.2. Escolha e Preparo da Área
6.2.3. Espaçamento
6.2.4. Plantio
6.2.5. Adubação e Calagem
6.2.6. Podas e Capinas
6.2.7. Irrigação
7.1. Pragas
7.1.1. Broca do caule e dos ramos
7.1.2.
Mosca-das-frutas
7.1.3. Outras
Pragas
7.2. Doenças
11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A pitangueira é originária da
região que se estende desde o Brasil Central até o Norte da Argentina (Fouqué,
1981), sendo distribuída geograficamente ao longo de quase todo o território
nacional. Segundo Giacometti (1993), está presente em muitos centros de
diversidade e domesticação brasileiros, os quais abrangem diferentes
ecossistemas tropicais, subtropicais e temperados. Entretanto, essa espécie
apresenta sua mais ampla variabilidade nos Centros de Diversidade classificados
como 6. Centro-Nordeste/Caatinga, 7. Sul-Sudeste, 8. Brasil Central/Cerrado, e
em todos os setores (9A, 9B e 9C) do centro 9. Mata Atlântica, que engloba as
regiões costeiras da Paraíba ao Rio Grande do Sul.
Devido à sua adaptabilidade às mais distintas condições de clima e
solo, a pitangueira foi disseminada e é atualmente cultivada nas mais variadas
regiões do globo: Américas do Sul e Central, Caribe, Florida (é a mais
popular entre as espécies de Eugenia aí
introduzidas), Califórnia, Hawaii, Sudeste da Ásia, China, Índia, Sri Lanka,
México, Madagascar, África do Sul, Israel e diversos paises do Mediterrâneo (Popenoe,
1920; Moreuil, 1971; Campbell, 1977; Correa, 1978; Sturrock, 1980; Fouqué 1981;
Lahav & Slor, 1997).
2.1.
Taxonomia e Denominações
A pitanga ou pitanga-vermelha tem seu nome derivado do tupi pi’tãg,
que quer dizer vermelho-rubro, em alusão à cor de seu fruto, que de fato pode
se apresentar nas cores vermelha, rubra, roxa, e as vezes quase preta, sendo
esta conhecida popularmente como pitangueira. Pertence à Ordem Myrtales, Família
Myrtaceae e à Espécie Eugenia uniflora L.
É conhecida mundialmente como cerisier de Cayenne e cerisier de Surinam,
nos países de língua francesa; Brazil cherry, Surinam cherry, Cayenne cherry,
Florida cherry e pitanga, nos de língua inglesa; grosella de México, cereza de
Surinam e pitanga, em alguns de língua espanhola, e na Argentina é chamada
nangapiri e arrayán (Fouqué, 1981; Villachica et al., 1996).
2.2.
Descrição
da Planta
Segundo descrições de Fauqué (1981), Sanchotene (1985) e Villachica et
al. (1996), a pitangueira é um arbusto denso de 2 a 4 m de altura, mais
raramente uma pequena árvore de 6 a 9 m, ramificada, com copa arredondada de 3
a 6 m de diâmetro, com folhagem persistente ou semidecídua. Apresenta um
sistema radicular profundo, com uma raiz pivotante e numerosas raízes secundárias
e terciárias.
As folhas são opostas, simples, com pecíolo curto de mais ou menos 2,0
mm. Limbo oval ou oval-lanceolado, de 2,5 a 7,0 cm de comprimento e 1,2 a 3,5 cm
de largura, ápice acuminado-atenuado a obtuso, base arredondada ou obtusa,
glabro, brilhante; coloração verde-amarronzadas e de consistência membranácea;
nervura central saliente na parte inferior. O limbo quando macerado exala um
odor característico.
As flores são hermafroditas, solitárias ou fasciculadas (4 a 8), na
axila das brácteas sobre a base dos ramos jovens (do ano); pedicelo filiforme
de 1,0 a 3,0 cm de comprimento; cálice com 4 sépalas oblongas-elípticas de
2,5 a 4,0 de comprimento, sendo duas inteiras maiores que as outras duas; corola
com 4 pétalas, livres, branco-creme, caducas, ovaladas, de 6,0 a 8,0 mm de
comprimento; estames numerosos; ovário com 2 lóculos (biloculares), com vários
óvulos (às vezes com semente 3), glabro, 8 saliências; estilete filiforme,
com 6 mm de comprimento, e estigma capitado.
O fruto é uma baga globosa, deprimida nos pólos, com 7 a 10 sulcos mais
ou menos marcados no sentido longitudinal, de 1,5 a 5,0 cm de diâmetro, coroado
com as sépalas persistentes. Quando inicia o processo de maturação, o
epicarpo passa do verde para o amarelo, alaranjado, vermelho,vermelho-escuro,
podendo chegar até quase o negro. O sabor é doce ácido, e o aroma muito
intenso e característico. A espessura do endocarpo é de 3,0 a 5,0 mm e sua
coloração é rósea a vermelha.
Normalmente, apresenta 1 semente grande ou, algumas vezes, 2 ou 3
pequenas, globosas, achatadas sobre seus sulcos comuns. No sentido longitudinal
apresenta cerca de 7,0 a 10,0 mm e na região mediana, de 9,0 a 14,0 mm. O
tegumento é bastante aderente à amêndoa, a qual tem coloração verde-clara.
2.3.
Fenologia
As variações climáticas das diferentes regiões de cultivo determinam
as épocas de florescimento e frutificação. Nas regiões Sul e Sudeste do
Brasil, essas fases podem ocorrer duas ou mais vezes durante o ano; a floração
normalmente ocorre de agosto a dezembro, podendo acontecer também de fevereiro
a julho, e a frutificação, de agosto a fevereiro, podendo ainda ocorrer entre
abril e julho (Mattos,1993; Sanchotene, 1989; Demattê, 1997).
Em Pernambuco, segundo Lederman et al. (1992) e Bezerra et al. (1995,
1997b), ocorre frutificação durante duas épocas do ano: a primeira se dá nos
meses de março a maio, com pico em abril; e a segunda se inicia em agosto e vai
até dezembro, com pico no mês de outubro, se não ocorrer déficit hídrico.
2.4.
Ecologia
A pitangueira vegeta e produz muito bem em climas tropicais e
subtropicais, sendo ideais aqueles quentes e úmidos, onde se torna mais
produtiva, embora adapte-se também ao clima temperado e a diferentes altitudes.
É resistente aos ventos fortes e tolera diferentes níveis de geada e
temperaturas abaixo de 0ºC, sem sofrer danos. Apresenta certa tolerância à
seca, desenvolvendo-se bem em condições semi-áridas, desde que se proporcione
uma mínima quantidade de água. Não é tolerante à salinidade. Em relação
aos solos, cresce adequadamente tanto nos tipos arenosos (como os de restinga e
praia), quanto nos areno-argilosos, argilo-arenosos, argilosos e até mesmo em
solos pedregosos (Popenoe, 1920; Sanchotene, 1989; Villachica et al., 1996;
Demattê, 1997).
No Brasil e particularmente no Nordeste, a pitanga é consumida ao
natural, mas sua principal utilização está no aproveitamento – industrial e
doméstico – dos frutos para o preparo de polpas e sucos. Também é utilizado
na fabricação de sorvete, picolé, refresco, geléia, licor e vinho (Donadio,
1983; Ferreira et al., 1987; Lederman et al., 1992).
A planta é um arbusto de pequeno porte, podendo, no entanto atingir até
alturas superiores a 7 m. Suporta poda forte e repetida, cresce lentamente, tem
copa densa e compacta, sendo por essas razões empregada como cerca viva e
planta ornamental (Braga, s.d.; Correa, 1978; Villachica et al., 1996).
O seu potencial de utilização é ressaltado quando se considera que o
seu fruto de sabor exótico é rico em vitaminas, principalmente em vitamina A
(635 mg /100g polpa). Além disso, a promoção de campanhas de educação
nutricional pode aumentar o consumo da pitanga como alimento rico e saudável.
Por outro lado existem grandes perspectivas de crescimento no mercado das
misturas entre sucos de espécies de frutas diferentes (“mixed juices”),
principalmente com os de sabor exótico. Também pode ser utilizada como aditivo
em bebidas lácteas e, ainda, nas formas de produtos como refresco em pó e néctar.
Na composição média da polpa da pitanga (tabela 1 ), pode-se observar
que o fruto possui altos teores de vitaminas A. No entanto, deve-se salientar
que a variabilidade genética pode determinar algumas diferenças nesses
valores.
Tem-se, geralmente, que cerca de 66% do fruto é formado por polpa, e
aproximadamente 34%, por semente (Villachica et al., 1966). Esses valores também
podem ser modificados, conforme a seleção/clone e a região de cultivo, como
pode ser observadas no fruto de pitangas provenientes de diferentes regiões são
apresentados.
Tabela
1. Valor nutricional de 100 g de
polpa de frutos de pitanga.
|
Componentes |
Unidade |
Valor |
|
Valor
energético |
Cal |
51,0 |
|
Umidade |
g |
85,8 |
|
Proteína |
g |
0,8 |
|
Gordura |
g |
0,4 |
|
Carboidratos |
g |
12,5 |
|
Fibras |
g |
0,6 |
|
Cinzas |
g |
0,5 |
|
Vitamina
A |
mg |
635,0 |
|
Tiamina |
mg |
0,3 |
|
Riboflavina |
mg |
0,6 |
|
Niacina |
mg |
0,3 |
|
Ácido
ascórbico |
mg |
14,0 |
|
Cálcio |
mg |
9,0 |
|
Fósforo |
mg |
11,0 |
|
Ferro |
mg |
0,2 |
Fonte:
Villachica et al. (1996).
Tabela
2. Características físico-químicas
do fruto da pitangueira.
|
Características |
Itambé, PE |
Jaboticabal, SP |
Selvíria, MS |
|
Peso
do fruto (g) |
3,0 |
4,8 |
4,0 |
|
%
Polpa |
88,4 |
74,6 |
- |
|
%Semente |
11,6 |
25,4 |
- |
|
SST
(ºBrix) |
8,6 |
11,6 |
8,3 |
|
Acidez
(%) |
1,80 |
1,75 |
1,87 |
|
Ratio |
4,80 |
6,62 |
- |
|
Vitamina
C (mg/100g) |
- |
22,87 |
- |
Fontes:
Nascimento et al. (1995); Bezerra et al. (1997b); Donadio (1997).
5. DISPONIBILIDADE
DE RECURSOS GENÉTICOS
O
Brasil detém o maior germoplasma ex situ, entre os bancos existentes no
mundo ( tabela 4 ), embora nem tosos esses venham sendo caracterizados ou
avaliados. Além disso, o país possui enorme variabilidade in situ ainda
não coletada nos vários centros de diversidade e domesticação. A maior parte
das coleções no exterior possui reduzido número de acessos, e varias entradas
existentes nessas coleções são provenientes do Brasil, como é o caso de
todos germoplasma do CIRAD, em Guadeloupe (Bettencourt et al., 1992). O IPA
possui a maior coleção com 120 acessos, no entanto outras instituições, como
a Embrapa Clima Temperado e a Unesp-FCAV também têm enviado esforços
para preservar e caracterizar o germoplasma de pitanga, nesses casos regiões
Sul e Sudeste.
Tabela
4. Número de acesso de E.
uniforme em coleções de germoplasma.
Introdução
|
Local
|
Número de Acesso |
|
IPA-
Estação Experimental de Itambé |
Itambé,
PE, Brasil |
120 |
|
INPA |
Manaus,
AM, Brasil |
2 |
|
Universidade
Federal de Viçosa |
Viçosa,
MG, Brasil |
6 |
|
EBDA-
Estação Experimental de Fruticultura |
Conceição
do Almeida, |
|
|
|
BA,
Brasil |
4 |
|
Unesp
- FCAV |
Jaboticabal,
SP, Brasil |
23 |
|
Embrapa
- CPACT |
Pelotas,
RS, Brasil |
42 |
|
UFBA
– Escola de Agronomia |
Cruz
das Almas, BA, Brasil |
12 |
|
IAC |
Campinas,
SP, Brasil |
? |
|
Department
of Agriculture – Tropical Fruit Research Station |
New
South Wales, Austrália |
1 |
|
Institute
de Recherches Agricoles |
Niombe,
Camarões |
1 |
|
CATIE |
Turrialba,
Costa Rica |
3 |
|
Dirección
de Investigaciones de Citros y Otros Frutales |
Havana,
Cuba |
2 |
|
CRIAD
– Station de Neufchateau- Sainte Marie |
Guadeloupe,
Antilhas Francesas |
3 |
|
Corp
Research Institute- Plant Genetic Unit |
Ghana |
1 |
|
National
Genebank of Kenya |
Kikuyu,
Quênia |
1 |
|
TARI
– Chia- Yi Agricultural Experiment Station |
Chia
– Yi, Taiwan. |
1 |
|
Tropical
Pesticides Research Institute |
Arusha,
Tanzânia |
1 |
|
USDA-
ARS- National Clonal Germoplasma Repository |
Hilo,
Hawaii, Estados Unidos |
2(?) |
|
USDA-
ARS- Subtropical Reserchs Station |
Miami,
Florida, Estados Unidos |
¿ |
|
INIA |
Iquitos,
Peru |
5 |
Fontes:
Luna (1988); Bettencourt et al. (1992);Bezerra et al. (1993) modificado; Veiga
(1993); Villachica et al. (1996); Maria
do Carmo B. Roseira (comunicação pessoal)2; Ana Cristina V.
L.Dantas ( comunicação pessoal)2
A
coleção de germoplasma do IPA foi instalada em 1988, mediante um trabalho de
prospecção realizado na Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco, na Paraíba,
Rio Grande do Norte, e de introduções feitas da Bahia e São Paulo ( Bezerra
et al. , 1990). Todos os acessos foram propagados via semente e apresentam
grande variabilidade. A partir de avaliações realizadas durante dez anos, foram
selecionadas as dez matrizes mais promissoras.
6.
PROPAGAÇÃO E MANEJO AGRONÔMICO
6.1.
Propagação
A propagação da pitangueira pode ser feita por sementes e por métodos
– enxertia e estaquia (Argeles, 1985; Bezerra et al,. 1997a; Demattê,
1997). No entanto, o processo mais usual é o realizado por meio de sementes.
Nesse caso, o preparo das mudas é feito da seguinte maneira: as sementes devem
ser despolpadas a partir de frutos maduros, em seguida são lavadas, secas à
sombra e postas a germinar em número de duas, em sacos plásticos pretos de 12
x 16 cm, usando como substrato uma mistura de terra e esterco de gado ou
galinha, na proporção de 6:1 ou 3:1, respectivamente.
Logo
após a semeadura, deve-se fazer uma cobertura dos sacos com capim seco, a fim
de manter uma boa umidade e proteger a camada do solo onde está a semente, do
super aquecimento. Normalmente, a germinação ocorre em cerca de 22 dias após
a semeadura, quando deve ser retirada a cobertura de capim. A proteção das plântulas
passa a ser feita com uma cobertura alta, medindo 1,00 m de altura na direção
do nascente e 0,60 m na do poente, evitando-se, assim, que as mudas fiquem
expostas ao sol nas horas mais quentes do dia.
Quando
as plantas estiverem com 5 cm de altura, procede-se ao desbaste, eliminando-se a
menos vigorosa. As mudas deveram ser levadas para o campo quando atingirem uma
altura de, aproximadamente, 25 cm, o que se dá geralmente aos seis meses após
a semeadura.
À
medida que a pitangueira vai se tornando uma cultura de interesse comercial, o
plantio a partir de sementes deve dar lugar à propagação vegetativa de
variedades selecionadas, assegurando a formação de pomares com populações de
plantas homogêneas.
A
propagação vegetativa pode ser obtida por enxertia do tipo garfagem no topo em
fenda cheia ou à inglesa simples, utilizando-se porta-enxerto da própria
pitangueira com 9 ou 12 meses de idade, produzidos em sacos plásticos pretos de
25 X 35 cm, cujos percentuais de pegamento de enxerto são apresentados na
tabela 5, conforme resultados obtidos por Bezerra et al.(1999).
Tabela
5. Percentagem de pegamento de
enxertos aos 60 dias em relação ao tipo de enxertia e à idade do
porta-enxerto.
Tipo de Enxertia
|
Pegamento de Enxerto(%) |
|
Garfagem
no topo em fenda cheia |
59,1 |
|
Garfagem
no topo à inglesa simples |
55,4 |
Idade do Porta-enxerto
|
|
|
12
meses |
77,5 |
|
9
meses |
77,5 |
|
6
meses |
16,9 |
Também,
sob condições de viveiro, a enxertia por borbulhia de placa em janela aberta
pode ser utilizada em porta-enxertos a partir de 12 meses de idade, com razoável
percentual de pagamento (56,76%)
A
propagação por estaquia pode ser empregada utilizando-se estacas semilenhosas
especiais com relação ao substrato, uso de fito-hôrmonio e utilização de
sistema de nebulização intermitente.
6.2
Manejo Agronômico
6.2.1. Variedades
No Brasil, não se
conhecem variedades perfeitamente definidas. Notam-se, porém, diferenças entre
“seedlings” quando a forma, tamanho, cor e sabor do fruto. Esses caracteres,
entretanto, não são propagados pela multiplicação gâmica e tendem a se
perder ao longo de propagação sucessivas.
O
IPA, por meio de seleção massal realizada em um banco de germoplasma, vem
obtendo clones com elevado potencial produtivo e boas características agronômicas
(Bezerra et al., 1995, 1997b). Entre os materiais selecionados, três genótipos
(IPA-2.2, IPA-3.2 e IPA-7.3) têm se destacado, conforme avaliações
apresentadas na Tabela 6.
Tabela
6. características de produção e físico-químicas
fruto de seleções de pitangueira, Itambé, PE.
|
|
|
Seleções |
|
Características
|
IPA-2.2
|
IPA-3.2
|
IPA-7.3
|
|
Produção
(Kg/planta) |
20,8 |
20,8 |
16,9 |
|
Peso
do fruto (g) |
3,2 |
2,7 |
2,7 |
|
%
de polpa |
84,4 |
87,6 |
87,1 |
|
%
de semente |
15,6 |
12,4 |
12,9 |
|
SST(ºBrix) |
7,9 |
8,0 |
9,4 |
|
Acidez
(% ácido cítrico) |
1,5 |
1,7 |
1,7 |
|
SST/
Acidez |
5,1 |
4,7 |
5,4 |
Na
Flórida, duas formas distintas de pitanga são conhecidas, uma com frutos
vermelhos brilhantes e outra com frutos quase negros (Campbell, 1977).
Em
Israel, Lahav & Slor (1997) citam quatro cultivares comerciais: Gitit, Necha,
Lolita e 404. A primeira, todavia, apresenta o frutos em forma de pêra, pesando
de 5 a 12g, sabor doce, polpa vermelho-claro, com vida de prateleira de três
dias, podemos ser armazenados por duas semanas em refrigerador doméstico.
Na escolha do local
para o plantio, embora a pitangueira não seja exigente em solos, deve-se dar
preferência àqueles férteis, profundos, permeáveis e de topografia favorável
à mecanização (Chandler, 1962; Gomes, 1975).
Após
a escolha do local, o terreno deve ser arado e gradeado. Em seguida, realiza-se
a medição da área e com o auxílio da régua de plantio e de piquetes,
marca-se o local de abertura das covas, que deverão ter as dimensões de 0,35 x
0,35 x 0,35 m. Logo depois de separar a camada superior da inferior. À primeira
camada misturam-se os fertilizantes recomendados, enchendo-se novamente a cova,
a qual torna-se pronta para o plantio (Bezerra et al., 1997 a).
6.2.3. Espaçamento
O
espaçamento recomendado para os terrenos com declividade entre 10 e 40% é o de
4 x 4 m (721 plantas/ha) em quincôncio. Para declividade de 0-10% utiliza-se o de 4
x 5 m (500 plantas/ha) em retângulo, ou 4 x 4 m em quadrado (625 plantas/ha). Nos três
primeiros anos após a implantação da cultura, podem-se utilizar os espaços
entre as plantas com culturas temporárias ou mesmo com outras espécies frutícolas,
como mamoeiro, maracujazeiro, etc.(Bezerra et al., 1997a).
Uma
outra opção seria utilizar inicialmente, o espaçamento de 1 x 1 m ( 10.000
plantas/ha), eliminando-se, alternadamente, uma planta, quando as copas começarem
a se tocar, ficando no espaçamento de 2 x 2 m (2.500 plantas/ha). Novamente,
quando as copas começarem a se entrelaçar, aumentando a competitividade,
pode-se eliminar uma outra planta, alternadamente, dando-se assim, o espaçamento
definitivo de 4 x 4 m. Adotando-se essa prática, a produtividade inicial e
intermediária será bem maior, não havendo nenhum prejuízo na população do
pomar a ser formado.
6.2.4. Plantio
O plantio deve ser
realizado no início da estação chuvosa, de preferência em dias nublados,
para evitar o ressecamento das mudas, ou em qualquer época do ano caso haja
condições de utilizar a irrigação.
A muda deve ser
colocada na cova, com o caule no centro da régua de plantio, de maneira que o
colo fique um pouco acima do solo. Recomenda-se fazer, logo após o plantio, uma
rega com cerca de 10 litros de água e se possível fazer cobertura morta, com
capim seco ou outro material disponível, ao redor das mudas recém-plantadas, a
fim de diminuir a evaporação.
As adubações
devem ser feitas baseadas na análise do solo, utilizando-se o esquema mostrado
na Tabela 7
Tabela 7. Doses
de N, P2O5 e K2O.
|
|
Implantação |
Idade(ano) |
||||
|
Teores
no solo |
Plantio |
Crescimento |
2º |
3º |
A partir do 4º |
|
|
|
---------------------------------g/planta------------------------------ |
|||||
|
(não analisado) |
- |
20 |
60 |
150 |
240 |
|
|
|
|
|
Fósforo (P2O5) |
|
||
|
--mg dm3 de P- |
|
|
|
|
|
|
|
< 9 |
60 |
- |
40 |
110 |
150 |
|
|
9 – 15 |
|
|
30 |
80 |
120 |
|
|
>
15 |
|
|
20 |
60 |
100 |
|
|
|
|
|
Potássio (K2O) |
|
||
|
-cmolc dm-3 de K |
|
|
|
|
|
|
|
< 0,08 |
- |
30 |
80 |
200 |
310 |
|
|
0,08 – 0,15 |
- |
20 |
60 |
150 |
240 |
|
|
> 0,15 |
- |
20 |
50 |
120 |
200 |
|
Fonte: Cavalcanti
(1998)
No primeiro ano,
aplicar todo fósforo, 30 a 60 dias antes do plantio, juntamente com 10 litros
de esterco de curral, ou o plantio, juntamente com 10 litros de esterco de
curral, ou o equivalente de outro fertilizante orgânico. O nitrogênio e o potássio
devem ser fracionados em duas vezes, durante a estação chuvosa.
As fertilizações
de nitrogênio e potássio, a partir do segundo ano, devem ser divididas em três
aplicações, durante o período das chuvas, enquanto o fertilizante fosfatado
deve ser aplicado de uma só vez, juntamente com as primeiras doses de nitrogênio
e de potássio. Todos os fertilizantes minerais devem ser colocados na projeção
da copa, fazendo-se a incorporação. Já a adubação orgânica deve ser
praticada anualmente, no início da estação chuvosa, com a mesma dosagem
aplicada no plantio.
Caso haja
necessidade de correção do solo, que é definida pela análise de solo,
deve-se realizar a calagem com calcário dolomítico, no mínimo 30 dias antes
do plantio, entre as operações de aração e gradagem.
6.2.6. Podas e Capinas
A partir do 1º,
ano do plantio, deve-se fazer uma poda retirando-se os ramos ladrões. A planta
deve ser desbrotada desde o solo até a altura de formação da copa (50 a 60
cm), onde deverá ser decapitada deixando- se 3 a 4 ramos, procurando-se dar à
mesma um formato de taça e facilitando, com isso, os tratos culturais. As podas
não deverão ser feitas nas fases de florescimento e frutificação.
Com relação às
capinas, a pitangueira deve ser mantida no limpo, fazendo-se o coroamento manual
ou com herbicidas.
6.2.7. Irrigação
A irrigação no
Nordeste tem sedo utilizada para estender o período de produção, aumentar a
produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. No entanto, poucos estudos têm
sido desenvolvidos sobre essa prática em pitangueira. A implantação de um
sistema de irrigação deve incluir, dentre outros fatores, informações sobre
o déficit hídrico local, luminosidade e temperatura adequada para a cultura
crescer e se desenvolver. Na escolha do sistema de irrigação a ser adotado, é
importante evitar que a planta seja submetida a estresses hídricos, sendo
recomendado manter o nível de armazenamento de água no perfil do solo próximo
da capacidade de campo. Diversos métodos são utilizados para irrigar a
cultura: gotejamento, microaspersão, xique-xique, sulcos e bacias par queda
natural. Os três primeiros são as melhores poções, por localizarem melhor a
água na zona de concentração radicular, além de criarem ambiente de umidade
na parte aérea e promoverem maior economia de água. As irrigações por sulcos
e bacias apresentam a desvantagem de utilizar maior mão-de-obra, provocar erosão
e requerer maior quantidade de água.
7.1.
Pragas
7.1.1.
Broca do caule e dos ramos
A importância
dessa praga para a cultura se prende aos danos que causa à planta. As lagartas
brocam os ramos e o tronco, abrindo galerias que são posteriormente fechadas
com uma teia e excrementos de cor marrom e destruindo a casca em volta da
abertura da galeria. Quando o ataque se dá nos ramos, observa-se o secamento
progressivo do galho, e quando ocorre no caule, a planta fica comprometida e só
a identificação em tempo hábil da presença do inseto pode evitar a sua
morte. Para o controle dessa praga recomendam-se:
a)
eliminação dos ramos secos e imediata destruição com fogo,
visando eliminar as fases de ovo, larva e pupa do inseto;
b)
pulverização do caule e dos ramos atacados com defensivos. Como na fase
larval o inseto destrói a casca dos ramos e/ou do caule, a proteção extrema
dessa fase.
Atualmente, não
existe nenhum produto registrado para a cultura da pitanga junto ao Ministério
da Agricultura.
7.1.2.Mosca-das-frutas
7.1.2.
Outras Pragas
Um micro-himenóptero, cuja espécie não foi ainda identificada, vem provocando
sérios prejuízos à cultura. O inseto adulto danifica os frutos provocando
pontuações escuras na pele e perfurando a polpa até as sementes. As larvas
penetram no fruto fazendo pequenos furos e completam o seu desenvolvimento no
interior das sementes. Os adultos, quando emergem, fazem um orifício que vai da
semente até a periferia do fruto, fazendo com que os sejam destruídos e percam
o seu valor comercial (Lederman et al., 1992).
Outros insetos,
como pulgões, além de ácaros, também foram assinalados como pragas da
pitangueira, sem porém causar maiores danos. O pulgão ataca as folhas e os
ramos, enquanto que os ácaros provocam danos nos frutos e nas folhas.
7.2.
Doenças
Até o momento não se tem registro de nenhum agente importante responsável por
doenças atacando caule, ramos, folhas, flores ou frutos da pitangueira.
A pitangueira,
geralmente, inicia a sua produção a partir do segundo ano de plantio,
aumentando gradativamente até o sexto ano, quando se estabiliza. O rendimento médio
de frutos, em plantas não-irrigadas selecionadas pelo IPA, variou de 15,0 a
20,8 kg ao ano, em matrizes com 11 anos de idade, enquanto que em condições
irrigadas, Lederman et al. (1992) citam produções de 9 t/ha em plantio
comerciais com idade acima de seis anos.
A pitanga madura é
bastante vulnerável à depreciação, tornando-se de difícil conservação e
armazenamento ao natural, o que dificulta o seu transporte e comercialização a
grandes distâncias. Além do mais, como o fruto cai no solo após atingir a
maturação plena, é aconselhável realizar colheitas periódicas, já que a
queda provoca estragos e compromete a sua qualidade. Os frutos completamente
maduros são muito frágeis e qualquer choque ou atrito provocam ruptura da película,
e a polpa entra rapidamente em fermentação. Acrescente-se, ainda, que após a
colheita os frutos suportam no máximo 24 horas em temperatura ambiente.
A pitanga é uma fruta cuja polpa apresenta excelentes condições para
industrialização, devido ao seu alto rendimento, aroma agradável e sabor exótico.
A polpa constitui-se numa das principais matérias-primas para a fabricação de
sucos, sorvetes, geléias e licores. Em razão da dificuldade no comércio da
fruta in natura, devido à alta perecibilidade e susceptibilidade
a danos físicos durante o transporte à distâncias, as agroindústrias
regionais apresentam-se como solução, por propiciar a sua comercialização na
forma de polpa e sucos congelados ou no engarrafamento do suco integral.
Atualmente, há uma
tendência do mercado em exigir produtos naturais e saudáveis, isentos de
conservantes, o que tem contribuído para o crescimento do comércio de polpa e
sucos congelados, embora exista um forte segmento cuja linha de produção são
os sucos com aditivos químicos.
O fluxograma a
seguir exibe as etapas de produção da polpa congelada, que se constitui na
principal atividade da industrialização da pitanga.
A polpa, segundo Soler et al. (1991), deverá ser preparada com frutos
sadios, limpos, isentos de matéria ferrosa, parasitas e detritos. Assim como não
deverá conter fragmentos das partes não-comestíveis da fruta (sementes), nem
substâncias estranhas à sua composição.
As etapas de recepção
de matéria-prima, lavagem e seleção não devem ser muito rigorosas, já que o
tamanho, uniformidade da superfície da fruta e outros defeitos não tem grande
importância.
O despolpamento é
o processo que deve separar a polpa propriamente dita do material fibroso,
sementes e restos de casca, ao mesmo tempo serve para reduzir o tamanho das partículas
do produto, tornando-o mais homogêneo.
No processo de
congelamento têm sido utilizados os mais diversos equipamentos, que vão desde
os “freezers” domésticos até câmaras frias com capacidade para reduzir a
temperatura para – 18ºC, permitindo o congelamento e a estocagem de grandes
quantidades.
|
Fluxograma da produção de polpa
congelada |
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i |
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Recebimento das frutas |
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i |
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Lavagem |
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i |
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Seleção |
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i |
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Despolpamento |
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Acondicionamento |
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Pesagem |
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i |
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Soldagem |
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i |
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Rotulagem |
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i |
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Congelamento |
Os tipos de embalagens mais utilizados para a comercialização da polpa da
pitanga congelada, no mercado interno, são os sacos plásticos com 100, 200 e
400 g. Já como matéria-prima para outras indústrias, usam-se tambores de 200
Kg. O suco integral é geralmente vendido à temperatura ambiente, em garrafas
de vidro de 500 mL com aditivos químicos, e em caixas do tipo “Tetra Pak”,
nesses casos o fluxograma difere do de polpa congelada nos processos de
enchimento dos recipientes e conservação.
Os padrões de
industrialização da pitanga determinados pelo Ministério de Agricultura são
os seguintes: ºBrix – 6 (mínimo); acidez total – 0,92% ácido cítrico (mínimo);sólidos
solúveis totais – 7 g/100g (mínimo); pH – 2,5 a 3,4; cor-vermelha; sabor e
odor próprios. Por outro lado, as práticas sanitárias na indústria de polpa
de frutas e a qualidade final do produto são fatores que determinam a sua
melhor aceitação no marcado consumidor.
Em Pernambuco,
existem duas grandes indústrias de processamento da pitanga, a Bonsuco e a
Bonfruto, localizadas no Município de Bonito, no Agreste do Estado, sendo que a
primeira possui uma capacidade processadora de 1.200 t de fruto por ano (Umberto
Lucas, comunicação pessoal). Outros pequenos empreendimentos de processamento
de frutas, hortaliças e legumes – totalizando 134 – foram identificados na
Zona da Mata do Estado, os quais processaram em 1996, 16.700 kg de frutos de
pitanga (SEBRAE – PE, S.D.)
No que concerne à produção e comercialização da pitanga,
não se dispõe de dados oficiais, tanto internamente como no exterior, no
entanto estima-se que o Brasil seja o maior produtor mundial da fruta. Os
maiores plantios estão localizados em Pernambuco, onde somente a região de
Bonito e municípios vizinhos possui cerca de 300 ha cultivados, sendo que a
maior contínua plantada do país (50 ha) pertence à Bonsuco-Bonito Agrícola
LTDA. A Bahia, com áreas cultivadas no Extremo Sul, destaca-se pelos plantios
da Frutelli (36 ha), conforme Silveira (1997), e da Fazenda Esperança (16 ha),
em Porto Seguro.
Com relação a
comercialização no Brasil, apenas a CEASA-PE, em Recife, dispõe de dados.
Nesse entreposto, conforme informações da CEAGEPE, a quantidade média
ofertada no período de 1987-1996 foi de 35,8 t/ano, sendo que 97,7% dos frutos
eram provenientes de Pernambuco e apenas 1,90 e 0,40%, dos Estados de Alagoas e
Paraíba, respectivamente. Os Municípios que mais ofertaram o produto na
CEASA-PE, naquele período, foram Bonito (146 t) e Barra de Guabiraba (76 t),
situados na região do Brejo Pernambucano, e Buíque (18 t), localizado no Sertão
do Estado.
Essas quantidades não
retratam a verdadeira produção de Pernambuco, uma vez que a maior parte do
volume produzido é comercializado nas feiras livres, ou diretamente com as fábricas
de polpa congelada, sucos e sorvetes. A elevada perecibilidade da pitanga faz
com que o mercado da fruta in natura torne-se restrito aos centros próximos
às regiões de plantio, e o seu comércio seja realizado apenas durante o período
de colheita. Fora dessa época, a polpa congelada é a principal forma de
comercialização.
Com a demanda
crescente dos mercados interno e externo per produtos à base de frutas nativas
e de sabor exótico, vislumbra-se a possibilidade de crescimento do mercado
interno em pilo menos 100% sobre o volume atual. O mercado de exportação, que
é completamente inexplorado, pode vir a ser uma excelente alternativa, desde
que se promova o produto. A indústria Bonsuco estima, no futuro, a colocação
de aproximadamente 1.000 t/ano de polpa no mercado externo. Outras regiões
produtoras, como Flórida e Califórnia, podem tornar-se, futuramente,
competidoras do Brasil na oferta da fruta no exterior.
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