CULTURA DA MANGUEIRA
 
                                                          
                                            Mancin, C.A.
                                     MELO, B.
                                            Souza, O. P.
 
SUMÁRIO
 
1 PERFIL DA CULTURA. 1
1.1 Aspectos Econômicos. 1
1.2 Perfil da Cultura no Brasil 1
1.2.1 Época de produção. 2
1.2.2 Variedades. 2
1.2.3 Problemas fitossanitários. 3
1.2.4 Distúrbios fisiológicos e outros. 3
1.2.5 Pós-colheita. 3
1.2.6 Alternância e baixa frutificação. 3
2 BOTÁNICA / TAXIONOMIA / HÁBITOS DE VEGETAÇÃO, FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO. 3
2.1 Botânica e Taxionomia. 3
2.2 Hábitos de Vegetação. 3
2.3 Florescimento. 4
2.3.1 Inflorescência. 4
2.3.2 Polinização. 4
2.4 Frutificação. 5
2.5 Alternância e Baixa Frutificação em Mangueiras. 5
2.5.1 Condições edafoclimáticas marginais. 5
2.5.2 Características intrínsecas da variedade. 6
2.5.3 Condições de manejo do pomar 6
2.5.4 Outros fatores. 7
3 ECOLOGIA DA MANGUEIRA. 7
3.1 Clima. 7
3.1.1 Temperatura. 7
3.1.2 Umidade. 7
3.1.3 Luminosidade. 8
3.1.4 Ventos. 8
3.1.5 Altitude. 8
3.2 Solo. 8
4 PROPAGAÇÃO DA MANGUEIRA. 9
4.1 Propagação por Sementes. 9
4.2 Propagação por Enxertia. 9
4.2.1 Escolha e obtenção do Porta -Enxerto. 9
4.2.2 Semeadura do Porta-Enxerto. 10
4.2.3 Plantas Matrizes, Borbulhas e Garfos. 11
4.2.4 Enxertia. 11
5 VARIEDADES DE MANGUEIRA. 13
5.1 Características Varietais. 13
5.2 Principais grupos. 13
6 PLANEJAMENTO E INSTALAÇÃO DO POMAR. 17
6.1 Preparo do solo. 17
6.2 Espaçamento. 17
6.3 Alinhamento. 17
6.4 Coveamento. 18
6.5 Época de plantio. 18
6.6 Adubação inicial 18
6.7 Plantio. 18
7 CALAGEM E ADUBAÇÃO DE MANUTENÇÃO. 19
8. DOENÇAS DA MANGUEIRA. 20
8.1 Antracnose. 21
8.2 Seca da Mangueira. 21
8.3 Oidio. 21
8.4 Colapso interno do fruto. 21
8.5 Podridão de frutos. 21
8.6 Mancha angular 22
8.7 Malformação vegetativa e floral 22
8.8 Murcha de esclerócio. 22
9 PRINCIPAIS PRAGAS. 22
9.1 Moscas-das-frutas. 23
9.2 Cochonilhas. 23
9.3 Broca da mangueira. 23
9.4 Ácaros. 24
9.5 Lagartas. 24
10 PODAS. 24
11 IRRIGAÇÃO DA MANGUEIRA. 24
12 CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS. 25
13 CONTROLE DO FLORESCIMENTO DA MANGUEIRA. 25
14 MÉTODOS DE INDUÇÃO. 27
14.1 Realização de Podas. 27
14.2 Anelamento. 27
14.3 Aplicação de Indutores. 27
15. RESPOSTAS Á INDUÇÃO. 28
16 COLHEITA E PÓS-COLHEITA. 29
17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. 31
 
            1 PERFIL DA CULTURA
            1.1 Aspectos Econômicos
 
            A mangueira (Mangífera Indica L.) é considerada uma das mais importantes frutas tropicais cultivadas no mundo, se posicionando, logo após a banana, o abacaxi e o abacate. Na América, o precursor de seu cultivo foi o Brasil, através da introdução das primeiras plantas no Rio de Janeiro, de onde se disseminou para o resto do país.
            Segundo dados da FAO (1994) a produção de mangas no mundo em 1994, foi de 18.450 mil toneladas, sendo os principais produtores relacionados na tabela 1.
            A Índia se destaca como o principal país produtor, alcançando mais de 50% da produção mundial. Entretanto, outros países não relacionados, se destacam através de suas exportações, como África do Sul, Costa do Marfim, Israel, Costa Rica, Porto Rico, Peru e Venezuela.
             As possibilidades de ampliação do mercado internacional de mangas são bastante grandes, considerando-se que a demanda de frutas no mundo é crescente, não só pelo aumento populacional, bem como pela mudança nos hábitos alimentares, ocorrendo a substituição da alimentação à base de proteínas de origem animal por frutas e legumes. A manga, além de seu consumo ‘ao natural’, se presta a fabricação de grande número de produtos industrializados, constituindo-se em fonte de vitaminas A e C.
 
TABELA 1- Principais países produtores de manga, FAO (1994).
PAISES PRODUTORES – 1994
1.000 TON.
% DO TOTAL
Índia
10.000
54,20
China
1.180
6,40
México
1.090
5,91
Paquistão
800
4,34
Indonésia
779
4,22
Tailândia
630
3,41
Nigéria
500
2,71
Brasil
400
2,17
Filipinas
360
1,95
Haiti
230
1,25
Mundo
18.450
100,00
1.2 Perfil da Cultura no Brasil
 
            No Brasil, a mangueira está disseminada em quase todo o território, e Segundo A.E.B. (1994) a área cultivada se aproxima de 50.000 hectares, com os principais estados produtores apresentados na Tabela 2.
 
TABELA 2 –Principais Estados Produtores de Manga, A.E.B. (1994).
ESTADOS PRODUTORES
ÁREA (Ha) - 1992
% DO TOTAL
São Paulo
19.963
40,52
Minas Gerais
5.842
11,85
Bahia
4.369
8,86
Pernambuco
3.267
6,62
Piauí
3.250
6,59
Rio Grande do Norte
2.259
4,58
Ceará
2.136
4,33
Paraíba
1.734
3,52
Alagoas
1.035
2,10
Mundo
49.315
100,00
 
            O Nordeste brasileiro é tradicional produtor de mangas, possuindo condições climáticas consideradas das melhores do mundo para o cultivo da mangueira, destacando-se o Vale do Rio São Francisco desde Pirapora em Minas Gerais, até Petrolina no estado de Pernambuco. No Sudeste, a mangicultura se destaca no estado de São Paulo (40% da produção brasileira) e Minas Gerais (12% da produção brasileira).
A cultura da mangueira no Brasil pode ser analisada em duas fases. A primeira, até a década de sessenta, em que havia a predominância quase total, de cultivos puramente "extrativos", de variedades "nacionais", denominadas de mangas 'comum'. Esses pomares se originaram através da propagação por sementes, resultando num extenso número de tipos regionais de mangueiras, conduzidas sem nenhum trato cultural específico.
A partir de 1970 foram introduzidas uma série de variedades, principalmente da América do Norte, que provocaram uma grande mudança no cultivo desta frutífera, pois, apesar de produzirem frutos com características superiores, exigiam muito em termos de tratos culturais.
A presença brasileira no mercado internacional é ainda tímida, sendo que, em 1992, exportou-se cerca de 9.070 toneladas (0.57% da produção), distribuídos para América do Norte (1.770 ton.), Comunidade Européia (6.840 ton.), Europa (320 ton.) e Mercosul (140 ton.), ao preço médio de US$ 979 1 tonelada. No mercado interno, há a estimativa de que a demanda até o ano 2.020 atingirá 900,5 mil toneladas, CODEVASF (1989).
Apesar das grandes possibilidades tanto para o mercado externo como interno, a cultura da mangueira vem passando por sobressaltos, em algumas regiões produtoras. A produtividade média brasileira, segundo A.E.B. (1994) seria de 32,808 ton./hectare, porém, provavelmente, grande número de produtores não atingirem nem a metade desta produtividade. Entre os diversos problemas que afetam a exploração, destacam-se:
1.2.1 Época de produção.
Existe uma grande concentração de produção ao final e inicio de ano, ocasião em que os preços não chegam a cobrir as despesas de colheita. Nas centrais de abastecimento da região Sudeste, os meses de novembro, dezembro e janeiro, chegam a representar 70% do volume total comercializado no ano e, como conseqüência, os preços são significativamente mais baixos. De outro modo, os consumidores desta região chegam a pagar R$ 5,00 (US$ 5,00) por unidade, durante os meses de agosto, setembro e outubro. Torna-se, portanto, fundamental o domínio do florescimento da mangueira, alterando-o e direcionando a produção para épocas mais adequadas.
 
1.2.2 Variedades
 
Apesar do grande número de variedades brasileiras e mesmo as introduzidas (mais de 200), a moderna mangicultura brasileira está baseada em cerca de cinco, das quais, a HADEN e TOMMY ATKINS, chegam a representar 80% da área cultivada. Uma vez que não temos variedades ideais, inclusive com as mencionadas anteriormente apresentando problemas de baixa produção, torna-se fundamental a diversificação e introdução de outras variedades.
1.2.3 Problemas fitossanitários
 
O número de doenças e pragas atacando a mangueira, especialmente as variedades introduzidas de outros países, tem concorrido para a baixa produtividade e, o conseqüente desestímulo dos produtores. Entre essas, destacam-se a antracnose, oídio, fusarium, mancha angular bacteriana, seca da mangueira e mosca das frutas.
1.2.4 Distúrbios fisiológicos e outros
 
Dentre os distúrbios se destacam a MALFORMAÇÃO FLORAL (embonecamento), MALFORMAÇÃO VEGETATIVA (Vassoura de Bruxa), PODRIDÃO INTERNA (colapso interno). Esses distúrbios se constituem atualmente, como os principais responsáveis pela redução de área cultivada, pois em muitas regiões, os agricultores estão erradicando os pomares.
1.2.5 Pós-colheita
 
Nessa fase se apresenta um dos principais problemas fúngicos que seria a Antracnose e, o fator LIMITANTE n° 1 para a exportação de mangas, que seria a MOSCA DAS FRUTAS. Desta forma, os tratamentos pós-colheita, em muitos casos de custo elevado e não acessível ao produtor, devem ser revistos e aprimorados.
1.2.6 Alternância e baixa frutificação
 
A associação de fatores como condições edafoclimáticas inadequadas, problemas fitossanitários e baixa tecnologia em termos de tratos culturais, tem induzido a mangueira a acentuar ainda mais a alternância de produção e a baixa frutificação.
 
 
2 BOTÁNICA / TAXIONOMIA / HÁBITOS DE VEGETAÇÃO, FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO
            2.1 Botânica e Taxionomia
 
A mangueira (Mangífera indica L.) pertence á família Anacardiaceae, cujos frutos geralmente se dividem em dois grupos: o grupo indiano (frutos monoembriõnicos, fortemente aromáticos, de coloração atraente e suscetíveis à antracnose) e o grupo indo-chinês (frutos poliembrionicos, com caroços longos e achatados, pouco aromáticos, geralmente amarelados e medianamente resistentes à antracnose) (Campbell & Maio, 1974). O gênero Mangífera possui 50 espécies, em sua quase totalidade originárias do sudeste asiático.
            2.2 Hábitos de Vegetação
 
A mangueira se caracteriza por possuir porte médio a alto (10 a 30 m), com a copa variando de forma arredondada a globosa, podendo ser compacta ou aberta. As folhas são lanceoladas, coriáceas, com pedúnculo curto. Sua coloração varia de tonalidades verde claro, amarronzadas ou arroxeadas, na fase jovem, até o verde escuro, quando maduras.
Pode apresentar vários surtos vegetativos por ano, dependendo das condições climáticas de cada região, distribuídos do final de inverno, primavera e verão (agosto/março no sudeste). Estes surtos estão correlacionados com os futuros florescimentos e conseqüente frutificação, uma vez que ramos entre 4 a 18 meses de idade poderão emitir inflorescências.
Os hábitos de vegetação da mangueira, em cada situação, devem ser estudados com detalhes, uma vez que estão correlacionados com a possibilidade de domínio do florescimento desta frutífera.
            2.3 Florescimento
 
Os surtos floríferos da mangueira podem se estender por até 5 meses e, em geral, no Brasil ocorrem entre maio a setembro. Os mesmos podem variar quanto á época, em função do clima, uso de irrigação e reguladores de crescimento, podas e da produção anterior. A planta apresenta tendência em retardar o florescimento após produção elevada e em condições climáticas 'marginais' e antecipá-lo, em caso contrário.
2.3.1 Inflorescência
 
É uma panícula terminal ou lateral, de tamanho, forma e coloração variável, disposta isoladamente (terminal) ou agrupadas (laterais), em número de 200 a 3.000 panículas/planta, cada qual apresentando de 100 a 17.000 flores. Assim, uma mangueira adulta em pleno florescimento, poderá ter milhões de flores, das quais uma percentagem mínima chega a originar frutos.
Nas panículas estão dispostas flores hermafroditas, perfeitas, com possibilidades de frutificar  e  flores  unissexuais  (masculinas);  as hermafroditas possuem androceu composto de 4 a 6 estames, dos quais apenas um é fértil, ovário súpero, unilocular, antera fértil e estigma rudimentar.
De acordo com Simão (1971), as flores abrem-se durante a noite, e a deiscência só se dá após 12:30 horas, ocorrendo uma dicogamia protoginica. O período de polinização é relativamente curto, isto é, as anteras emitem pólen das 12:30 até as 16 horas.
As panículas se desenvolvem em período de 35 a 40 dias, com as primeiras flores se abrindo a partir do vigésimo dia, sendo a duração de cada período de florescimento de 20 a 25 dias.
2.3.2 Polinização
 
Apesar de se ter milhares de flores durante o florescimento, o índice de aproveitamento é pequeno, resultando ao final, apenas algumas centenas de frutos. Vários fatores estão envolvidos nessa ocorrência, destacando-se a baixa percentagem de flores hermafroditas, a disposição e a morfologia das estruturas da flor, que dificultam a polinização, a dicogamia protogínica e a polinização não muito eficiente realizada por moscas e, em pequena escala, pelas abelhas. Do total de flores, apenas 45% teriam o estigma atingido pelos grãos de pólen e, a fertilização real seria bem menor.
As mangueiras podem ser agrupadas em MONOEMBRIONICAS (formação de apenas uma plântula) e POLIEMBRIONICAS (Indochinesas) nas quais, uma única semente, pode originar uma plântula de origem sexuada e várias assexuadas de origem nucelar, com constituição genética idêntica á planta mãe.  Este fato é relevante para a propagação da mangueira, recomendando-se como porta-enxertos, variedades poliembrionicos, uma vez que haveria menor variação genética.
2.4 Frutificação
 
A mangueira se caracteriza por apresentar baixa eficiência em termos de frutificação, considerando-se que em torno de 0.1% das flores hermafroditas chegariam efetivamente a frutificar. Também se destaca a sua tendência natural de alternância de produção, intercalando ano de produção elevada com outro de pequena produção.
De acordo com Simão (1971), apenas 25% das panículas mantêm de um a três frutos, até a maturação. Essa frutífera realiza um "desbaste" ao natural, considerando-se que dos frutos formados, 60 a 90% caem nos primeiros 30 dias; 94 a 99% aos 60 dias, restando no final apenas de 0,67 a 0,70% dos frutos inicialmente fixados, isto é, menos que 1% dos frutos atingem o estádio de maturação.
O período de desenvolvimento do fruto de acordo com as condições climáticas e do manejo em cada região, é de 120 a 150 dias, da floração á colheita.
É possível a ocorrência de frutos partenocarpicos ao natural ou, através do uso de fitohormônio, fenômeno que pode ter alguma utilização na pesquisa.
As variedades apresentam fruto (DRUPA) com características muito variáveis quanto ao tamanho, forma, peso, coloração da casca. A casca é coriácea e a polpa com vários tons de amarelo, com muita ou pouca fibra, curtas ou longas, macias ou duras; as sementes variam também em termo de forma e tamanho.
2.5 Alternância e Baixa Frutificação em Mangueiras
 
Como mencionado anteriormente, a mangueira, de acordo com seus hábitos de vegetação, florescimento e frutificação, pode apresentar sérios problemas de alternância e de baixa frutificação, desestimulando o agricultor que, em muitos casos prefere erradicar o pomar. Uma produção média entre 250 a 500 frutos/planta/ano seria considerada de razoável a boa.
Vários fatores poderão estar associados, provocando tais problemas; em alguns casos. Há a possibilidade de dominá-los através do uso de tecnologia adequada, desde a fase de implantação. Entretanto, em outros, a opção de erradicação do pomar é a mais racional. Dessa forma, temos:
 
2.5.1 Condições edafoclimáticas marginais
 
A mangueira, sendo uma planta tropical, exige temperaturas relativamente elevadas durante todo o seu ciclo, para que possa vegetar, florescer e frutificar em níveis econômicos; o fator temperatura, portanto, não possibilita alternativas de mudanças; outros fatores como luminosidade, deficiência de água, ventos, podem ser relativamente controlados através de espaçamentos adequados, correta exposição da área, podas, instalação de quebra-ventos.
Associada a temperaturas inadequadas estaria o fator "CHUVAS NO FLORESCIMENTO", considerado como extremamente limitante. Regiões com alta precipitação, simultaneamente ao período de florescimento, são consideradas "marginais" ou inaptas para a exploração, uma vez que as chuvas derrubam as flores, dificultam a polinização e fertilização, aumentam a incidência de doenças fúngicas sobre a panícula (oidio e antracnose). Com relação ás características do solo, há a exigência de solos profundos e com boa drenagem.
2.5.2 Características intrínsecas da variedade
 
Dentre essas, estariam a baixa percentagem de flores hermafroditas, morfologia e disposição dos órgãos florais, dicogamia protoginica, baixa viabilidade dos grãos de pólen, que são pesados e agregados, a própria característica genética da variedade em apresentar alternância. Dessa forma, considera-se esses fatores como destinados a serem solucionados através de programas de melhoramento; o técnico de campo, que trabalha diretamente com a produção, não teria muitas possibilidades de domínio sobre o conjunto dos mesmos.
2.5.3 Condições de manejo do pomar
 
Nessas condições se agrupam, inicialmente, os aspectos fitossanitários, destacando-se os prejuízos causados na inflorescência pela Antracnose (Coiletotrichum qloeosporioides Penz) e Oídio (Oidium mangiferae Bert); também se relacionam a Mosca das Frutas (Anasfrepha obliqua, Ceratitis capitata, Anastrepha fraterculus), Broca da Mangueira (Hypocryphalus mangiferae), Ácaro (Eriophyes mangiferae), Seca dos Ramos (Botryodiploidía theobromae) e Mancha Angular (Xanthomonas campestris pv. Mangiferae indicae).
Esse grupo de doenças e pragas exige, para nível comercial, um perfeito monitoramento e, quando necessário, o uso racional de defensivos. Considera-se, por exemplo, quase impossível, o cultivo de mangueiras sem o controle de oídio e antracnose.
Além do controle através de defensivos, outras medidas alternativas poderão minimizar os prejuízos, tais como: espaçamentos adequados, exposição da área, podas, retirada e enterrio de frutos, queima de ramos podados.
No manejo do pomar também se destacam os aspectos relacionados á nutrição e adubação da mangueira. Segundo Alvarenga (1982), a mangueira, por ter a capacidade de emitir um elevado número de inflorescências, esgota suas reservas com muita facilidade; há, portanto, necessidade de reposição de nutrientes para manter a necessária relação C/N. A adubação nitrogenada sem o nível adequado de carboidratos induz a vegetação sem a frutificação, e a falta de nitrogênio com o suficiente nível de carboidratos também não induzirá a frutificação.
Também se devem observar as exigências específicas da mangueira quanto aos nutrientes e o equilíbrio entre os mesmos. Considera-se que níveis deficientes de nitrogênio podem concorrer para a alternância, sendo os valores entre 1,2 e 1,4% classificados como adequados. Relata-se ainda que a deficiência de Ca e B poderá prejudicar a germinação do grão de pólen e o desenvolvimento do tubo polínico; níveis insuficientes de B podem causar a morte da gema terminal reduzindo as brotações que serão o sustentáculo das novas inflorescências.
Em muitas regiões produtivas, como por exemplo, o sudeste, as mangueiras apresentam os surtos de florescimento no período mais seco do ano (maio a setembro) e dessa forma, o vigamento de frutos poderá ser prejudicado, caso não se disponha de algum sistema de irrigação capaz de suprir a exigência da planta.
2.5.4 Outros fatores
 
As enfermidades ou distúrbios denominadas Malformação Floral ou Embonecamento e Malformação Vegetativa ou Vassoura de Bruxa se constituem em componentes que têm contribuído para a ocorrência da baixa frutificação em mangueiras, levando até mesmo á erradicação de pomares.
 
            3 ECOLOGIA DA MANGUEIRA
            3.1 Clima
 
A mangueira, agrupada dentro das frutíferas tropicais, é cultivada nas mais diversas regiões equatoriais, tropicais e mesmo nas subtropicais, que apresentam, em muitos casos, fatores climáticos limitantes ao seu desenvolvimento, florescimento e frutificação.
Considerada como planta de clima MONÇÔNICO, exige que durante o ano, ocorra um período mais seco para, em seguida, poder vegetar e florescer bem, dentro de suas potencialidades. Essa característica climática se constitui, portanto, no principal ponto a ser observado.
3.1.1 Temperatura
 
A faixa de temperatura entre 21 a 260C é considerada como ideal para o cultivo e, temperaturas extremas acima de 420C e abaixo de 100C já limitariam o seu crescimento.
As temperaturas muito elevadas (> 32ºC) quando associadas à baixa umidade relativa e ventos intensos poderão prejudicar o florescimento e frutificação; temperaturas baixas (2°C ou menos) e a ocorrência de geadas poderão impedir a abertura das flores, o desenvolvimento do tubo polínico, provocar queimaduras nas brotações novas e nas panículas, e até mesmo provocar a morte de plantas jovens.
As temperaturas de uma região produtiva poderão influenciar, indiretamente, a época da safra, uma vez que sendo mais elevadas ou mais baixas, poderão antecipá-la ou retardá-la, respectivamente.
3.1.2 Umidade
 
A exigência mínima da mangueira em termos de precipitação seria de 1.000 mm/ano, sendo cultivada, entretanto, em regiões que apresentam de 500 a 2.500 mm/ano. Como mencionado anteriormente, a ocorrência de um período mais seco (menos de 60 mm), durante 4 a 5 meses proporcionaria à mangueira condições de atingir altas produções, em decorrência da diminuição do ataque de fungos e do favorecimento da floração, polinização e fixação dos frutos; as chuvas no florescimento podem lavar os grãos de pólen e danificar as flores.
Nas Filipinas, um dos grandes produtores mundiais de manga, existe cinco regiões que se destacam em produção e que se caracterizam por apresentar temperatura média anual em torno de 270C e precipitação média anual de 2.046 mm, porém, em cinco meses do ano, a precipitação varia de 7 mm/mês ao máximo de 46 mm/mês.
O período seco deverá preceder a época do florescimento e continuar até a fase do início de desenvolvimento de frutos. Segundo Simão (1971) áreas tropicais úmidas, com temperaturas elevadas e precipitações freqüentes, induzem à mangueira um crescimento vegetativo intenso, em detrimento de florescimento e frutificação.
A umidade relativa do ar é outro fator importante no cultivo da mangueira, pois níveis de umidade elevados favorecem os surtos de doenças, como a antracnose, por exemplo. Assim, as áreas de baixa umidade (menos de 60%) devem ser as preferidas.
No Brasil, a associação entre os fatores temperatura e umidade (precipitação), permitiu agrupar as regiões quanto á sua aptidão para o cultivo, da seguinte forma:
 
- Região Apta: temperatura média anual acima de 210C e deficiência hídrica anual acima de 40 mm.
 
- Região Marginal: temperatura média anual entre 19 - 210C e deficiência hídrica anual entre 20 - 40 mm.
 
- Região Inapta: temperatura média anual menor de 190C e deficiência hídrica anual menor do que 20 mm.
3.1.3 Luminosidade
 
A mangueira exige altas intensidades de luz e, de acordo com Maranca (1975) poderá florescer a sombra, porém, só irá frutificar bem com luz solar direta e abundante. A maioria das panículas emitidas se situam na periferia da copa, posição que favorece a insolação sobre as mesmas, auxiliando a abertura de flores e reduzindo o ataque de fungos.
Neste sentido, deve-se observar a escolha de espaçamentos adequados e a orientação das linhas de plantio em campo, preferencialmente, no sentido norte, nordeste e oeste.
3.1.4 Ventos
 
Ventos intensos e constantes podem provocar redução significativa na produção, pois derrubam flores e frutos, causam ferimentos nos frutos pelo atrito com a folhagem e aumentam as taxas de transpiração da planta e evaporação do solo. Em alguns casos, há a necessidade de instalação de quebra-ventos, que podem ser constituídos por variedades de mangueiras resistentes e rústicas, comuns na região e propagadas por sementes.
3.1.5 Altitude
 
Os efeitos da altitude sobre os demais fatores climáticos poderão se refletir, negativamente, no ciclo, produtividade e qualidade do fruto, especialmente em altitudes mais elevadas (acima de 600 m). De acordo com Silva (1982), para cada 150 m de aumento na altitude, o florescimento é atrasado de cinco dias. Como o gradiente de resfriamento é de 10C para cada 150 m de ascensão, pode-se inferir que para cada grau centígrado de redução na temperatura média da área, há um atraso de cinco dias na data da floração da mangueira.
            3.2 Solo
 
Adapta-se aos mais variados tipos de solo, desde os arenosos até argilosos, porém, preferencialmente, devem ser areno-argilosos, profundos (2 m), permeáveis, bem drenados, podendo ser ligeiramente ácidos. As áreas mecanizáveis são as mais indicadas para a instalação de pomares extensos, pois facilitam a execução dos tratos culturais, colheita e escoamento da produção.
As características do solo influenciam o desenvolvimento das raízes e, conseqüentemente, o desenvolvimento e produção da planta. Segundo Castro Neto (1995) as mangueiras desenvolvem um sistema radicular composto por uma raiz primária muito longa, mesmo ainda na fase de muda. Em plantas adultas, sob condições naturais, essa raiz desenvolve-se até encontrar o lençol freático, e poucas raízes de sustentação se desenvolvem até esse ponto. Depois dessa fase de alongamento, as raízes superficiais começam a se desenvolver e a formar uma densa malha imediatamente abaixo da superfície do solo, podendo alcançar 5,5 m em profundidade e 7,6 m em distância lateral.
Considera-se, entretanto, que a parte mais efetiva do sistema radicular da mangueira, se distribui na camada de 1,2 m de profundidade e 1,8 m em distância lateral. Pesquisas realizadas no Vale do Rio São Francisco indicaram que 90% das raízes absorventes da mangueira encontram-se a até 1,5 m de profundidade e 1,5 m de distância da planta; estudos com P32 têm demonstrado que a maior concentração de raízes absorventes encontra-se nos primeiros 60 cm de profundidade, com uma concentração máxima nos primeiros 15cm.
            4 PROPAGAÇÃO DA MANGUEIRA
            4.1 Propagação por Sementes
 
A propagação da mangueira por sementes, utilizada ainda na formação de pomares em algumas regiões do Brasil, apresenta uma série de desvantagens tais como: a grande variação de características entre as plantas obtidas, formação de plantas com muito vigor e porte elevado e início do ciclo de produção mais tardio, a partir do 5° - 6° anos pós plantio. Estas desvantagens se constituem em pontos contrários ao que se espera da moderna mangicultura, ou seja, planta e frutos uniformes dentro dos padrões exigidos pelo mercado, plantas de pequeno porte que facilitariam os tratos culturais e colheita, e produção precoce possibilitando o retorno do capital investido em menor espaço de tempo.
Desta forma, a mangueira deve ser propagada assexuadamente, restringindo-se o uso de sementes à obtenção de porta-enxertos.
            4.2 Propagação por Enxertia
4.2.1 Escolha e obtenção do Porta -Enxerto
 
No Brasil, a escolha do porta-enxerto a ser utilizado se dá, quase que exclusivamente, considerando a disponibilidade de sementes. Assim, os viveiristas coletam, ao acaso, os frutos das variedades mais comuns da região, sem considerarem características fundamentais como resistência 1 tolerância à doenças e pragas, porte da planta, hábitos vegetativos e outras.
Segundo Castro Neto (1995) a grande variabilidade que ocorre em pomares de mangueira se deve, em grande parte, ao uso de porta-enxertos não selecionados e padronizados. Relata ainda que na Índia, a transição da fase vegetativa para a fase reprodutiva é geralmente de quatro a cinco anos em plantas enxertadas e de mais de oito anos em plantas de variedades não enxertadas.
Nas condições do Vale do Rio São Francisco, as mangueiras podem florescer (induzidas quimicamente e com estresse hídrico) aos dois anos. Sob condições naturais (sem o uso de químicos para a indução floral), o período de transição da fase vegetativa para a fase reprodutiva seria um pouco maior, possivelmente entre três e quatro anos.
Em Minas Gerais e São Paulo as variedades mais utilizadas como porta-enxertos são a UBÁ, SAPATINHO, COQUINHO, ROSINHA, ESPADA e CORAÇÃO DE BOI, enquanto no nordeste se destacam a ESPADA, ROSA, CARLOTA, ITAMARACÁ e COITÉ.
No Brasil, os viveiristas utilizam predominantemente a manga ESPADA pelo seu vigor e uma certa tolerância a Seca da Mangueira; apresentam também a mesma característica os porta-enxertos IAC-Touro e IAC-coquinho, lançados pelo Instituto Agronômico de Campinas - SP (IAC), CARABAO e MANGA D'ÁGUA. Ressalte-se que, preferencialmente, deve-se utilizar variedades poliembrionicos que poderão conferir maior uniformidade no pomar.
Um dos grandes objetivos da pesquisa em mangicultura é a obtenção de plantas de menor porte, através da utilização de porta-enxertos que apresentam efeito ananizante, como as variedades indianas MALIKA e AMRAPALI.
Os frutos são colhidos maduros, procedendo-se em seguida ao seu descascamento, retirada da polpa, lavagem da semente e secagem a sombra. Recomenda-se a extração da casca (endocarpo), com auxilio de tesoura de poda, tomando-se o cuidado de não ferir a amêndoa; esta prática proporciona maior rapidez e maior índice de germinação (em torno de 90%). Outra alternativa seria realizar o corte apenas na parte ventral do caroço. Pelas possíveis perdas durante a obtenção do porta-enxerto e na enxertia, deve-se semear de 40 a 50% a mais, em relação ao número de mudas a serem implantadas.
As sementes de mangueira perdem o seu poder germinativo com relativa rapidez e assim, o período entre a colheita e preparo até a semeadura, não deverá ultrapassar de 15 a 20 dias.
            4.2.2 Semeadura do Porta-Enxerto
 
A semeadura poderá ser direta em recipientes plásticos, cor preta, perfurados tanto na base quanto nas laterais, com dimensões variáveis entre 30 a 40 cm de altura, 17 a 25 cm de largura e 0.12 a 0.15 mm de espessura. Nos mesmos pode-se acondicionar substrato constituído por Três (três) partes de solo e 1 (uma) parte de esterco curtido, ao qual se adiciona 3 (três) quilogramas de superfosfato simples e 500 (quinhentos) gramas de cloreto de potássio/ metro cúbico da mistura. No caso de solos argilosos recomenda-se a adição de 1 (uma) parte de areia.
Também se pode realizar a semeadura em sementeira (10-20 m de comprimento, 1,20 m de largura e 0,15 m de altura), com as recomendações usualmente utilizadas, incorporando-se 5 a 10 kg de esterco curtido, 100 gramas de superfosfato simples e 50 gramas de cloreto de potássio, por metro quadrado de sementeira. Os sulcos devem ter 5 cm de profundidade, distanciados entre si de 20 cm. As amêndoas são colocadas distanciadas de 5 cm uma da outra, com a sua porção convexa voltada para cima.
            Os tratos culturais na sementeira são os normalmente recomendados, constituindo-se de adubações, capinas, irrigações, controle de antracnose, oídio e ácaros, sendo os mesmos a serem realizados quando da semeadura direta em recipientes.
            Após 60-75 dias da semeadura, com os porta-enxertos apresentando em torno de 25 cm de altura, realiza-se a repicagem para viveiro em campo, em espaçamentos variáveis entre 80 -120 cm entre linhas e 40 cm entre plantas; os sulcos com cerca de 20 - 30 cm de profundidade, devem ser adubados com 2 litros de esterco de curral, 100 gramas de superfosfato simples e 25 gramas de cloreto de potássio, por metro linear.
            Deve-se tomar o cuidado de não danificar a haste e a raiz pivotante, conservando, quando possível, os cotilédones aderentes. É fundamental a instalação de algum sistema que possibilite a irrigação. Os tratos culturais são aqueles comumente recomendados na condução de viveiros e semelhantes aos relacionados para sementeira.
4.2.3 Plantas Matrizes, Borbulhas e Garfos.
 
            Da mesma forma como mencionado para porta-enxerto, um dos principais fatores responsável pela grande variabilidade de planta e frutos nos pomares comerciais, seria a utilização de material propagativo (borbulhas e garfos), retirados de plantas sem nenhum controle, e das quais se desconhece características como produção, alternância de produção, resistência/tolerância a doenças, características de qualidade (cor, peso, aroma, sabor, presença de fibras, consistência da polpa, tamanho da semente). Deste modo, o produtor de mudas deverá ter um pomar matriz tanto para o fornecimento de material para porta-enxerto como também para enxerto.
Para a obtenção de gemas (borbulhas), recomenda-se que entre 5 a 10 dias antes de sua utilização, se realize a decapitação da porção terminal do ramo porta-borbulhas, eliminando-se a gema apical. Através desta prática conseguem-se borbulhas entumescidas e em condições de brotar mais precocemente.
Os garfos ou ponteiros devem ser colhidos de ramos considerados maduros (6 a 8 meses de idade), apresentando aspecto arredondado, não angular, coloração em transição de verde para verde-cinza e com as gemas apicais entumescidas e sadias. Entre 5-10 dias antes de sua coleta em campo pode-se proceder a uma toillete do ramo, retirando as folhas, o que facilitará o entumescimento das gemas e, conseqüentemente, precocidade de pegamento após a enxertia.
4.2.4 Enxertia
 
A técnica da enxertia, embora simples e de fácil execução, só possibilita altos índices de pegamento quando se observar fatores como a compatibilidade porta-enxerto / enxerto, condições fisiológicas do P.E./Garfo ou Borbulha, em correlação com a época do ano e a disponibilidade dos mesmos; condições climáticas (temperatura e umidade), métodos utilizados, treinamento do enxertador e práticas de manejo pré e pós-enxertia, também são fatores relevantes.
A enxertia por borbulha em “T” invertido, apresenta a vantagem de economia de material propagativo (1 ponteiro =  5 enxertos). Nos porta-enxertos com aproximadamente 1 cm de diâmetro, faz-se um corte vertical com 3 a 5 cm, em 'T” invertido e a 15-20 cm do nível do solo, ajustando-se a seguir a gema e fazendo-se o amarrio com fita plástica,
 
 

 
 

Entre 20-25 dias após, retira-se a fita plástica, expondo-se a borbulha, que deverá apresentar aspecto verde e com os tecidos agregados aos do porta-enxerto; entre 45-50 dias após a enxertia a borbulha inicia a sua brotação, realizando-se então a decepa do porta-enxerto á 5 cm acima do ponto em que foi realizada. Quando ocorrer o segundo surto vegetativo, faz-se o corte do porta-enxerto rente a esse ponto, sendo a muda considerada apta para o plantio em campo; o período total de obtenção da muda, desde a obtenção do porta-enxerto até esta fase poderá durar cerca de l0 a 12 meses.
 
 

O método de garfagem no topo em fenda cheia (Figura 3.2) é um dos mais utilizados na propagação da mangueira, apresentando precocidade e altos índices de pegamento; em menor escala realiza-se garfagem à inglesa simples e garfagem lateral.
 
 

No primeiro método, tanto o porta-enxerto como o garfo apresentam diâmetro semelhante, em torno de 1 cm. Inicialmente faz-se a decapitação do porta-enxerto, entre 15-20 cm do seu colo, abrindo-se em seguida, através de corte vertical, fenda com 3 cm de profundidade. O garfo, apresentando 10 a 15 cm de comprimento e com sua base aparada em forma de cunha, também com cerca de 3 cm, é introduzido na fenda do porta-enxerto, ajustando-se os seus tecidos e fazendo o amarrio com fita plástica. Para evitar o ressecando dos tecidos, recomenda-se cobrir o garfo com saco plástico transparente, amarrado em sua extremidade inferior, formando uma 'câmara úmida'. O período total desde a semeadura do porta-enxerto até a muda pronta para o plantio varia entre 6 a 8 meses.
 
            5 VARIEDADES DE MANGUEIRA
 
Deve-se ressaltar, que não existe uma variedade considerada 'ideal', que apresente agrupadas todas as características desejáveis em termos fitotécnicos e de mercado. Como já relatado apesar do elevado número de variedades disponíveis (200 variedades) cerca de 80% dos cultivos tecnificados se restringe ás variedades Haden e Tommy Atkins, reconhecidamente com excelentes características, porém, também com "defeitos" marcantes.
            5.1 Características Varietais
 
As variedades de mangueira, segundo Ramos (1982) são classificadas em dois grupos, ou seja, Indu e Indo-Chinês. As variedades de origem lndú são consideradas nobres por apresentarem características de qualidade superiores, enquanto as Indo-chinesas, seriam "selvagens" com características inferiores. Na Tabela 3, estão apresentadas características que identificam os dois grupos.
 
 
TABELA 3. Características principais dos frutos dos grandes grupos de mangueiras.
 
CARACTERÍSTICAS
DOS FRUTOS
GRUPO INDU
GRUPO INDO-CHINÊS
Forma
Variável: geralmente redondos no corte transversal, podendo ser alongados.
Sempre algo achatado, mais longo que largo.
Cor
Geralmente amarelados, com uma placa vermelha quando maduros ou totalmente avermelhados.
Geralmente amarelo-esverdeados quando maduros e, raramente de cor vermelha.
Fibra
Podem ter ou não.
Geralmente não apresentam fibras.
Sabor
Doces e poço ácidos, com sabor fortemente aromatizado.
Doces e subácidos, geralmente não aromatizados.
Semente
Geralmente monoembriônica.
Geralmente poliembriônia.
Antracnose
Suscetíveis a antracnose
Relativamente suscetíveis à antracnose.
 
5.2 Principais grupos
 
Pelo elevado número de 'tipos' de mangueiras existentes no país, com nomes os mais variados possíveis, a classificação e caracterização de variedades no Brasil, pode ser difícil e trabalhosa. As características a serem observadas, podem ser reunidas em três grupos:
 
 
Grupo A:
 
 Características principais forma e tamanho do fruto, forma do bico.
 
Grupo B:
 
Características secundárias – forma da extremidade da folha, dobradura das folhas.
 
Grupo C:
 
Características terciárias conformação das folhas e da inflorescência, disposição das veias do caroço, tipos e disposição das fibras, perfil dos ombros, perfil da cavidade basal, coloração das folhas quando novas.
 
            Na Figura 3, está representado o fruto da mangueira, assinalando-se as suas características, utilizadas na diferenciação de variedades, Ramos (1982). A Figura 4 mostra a grande diversidade de formas observada principalmente nas chamadas "mangas comuns".
 
 

 
Considerando-se que a mangicultura é uma atividade perene, em que os pomares poderão ter 20 anos ou mais de vida útil, bem como, o grande número de variedades lançadas periodicamente, a escolha correta da variedade é um fator fundamental para o sucesso do empreendimento. Entre as características consideradas ‘ideais’ em uma variedade de mangueira, Meio Nunes (1995), relaciona:
 
·          Boa produção, sem ou com pouca alternância de safra.
·          Alta percentagem de flores férteis.
·          Baixa tendência de produção de frutos sem embrião.
·          Frutos coloridos, atrativos, preferencialmente de coloração avermelhada.
·          Frutos sem ocorrência de amolecimento interno da polpa.
·          Resistência ao transporte, embalagem e comercialização, com duração de no mínimo dez dias.
·          Resistência à antracnose.
·          Sabor agradável, sem fibras e terembetina.
·          Sementes pequenas, de preferência perfazendo até 10% do peso total do fruto.
·          Variedades com maturação uniforme e porte baixo.
·          Alta percentagem de polpa, baixa de caroço e casca, alto teor de suco.
·          Precocidade de produção e período de vida útil longo.
 
TABELA 4 – Mangueira: principais características do fruto de algumas variedades mais                 cultivadas no Brasil.
 
 
Variedade
Fruto
Tamanho
Peso (g)
Forma
Cor
Sabor (1)
Fibra (2)
Edward
Grande
480
Oval-oblonga
amarelo-laranja + róseo
E
S
Hadem
Grande
480
Ovada-condiforme
amarelo vivo + púrpura
E
P e T
Irwin
médio
340
Oblonga e comprimida lateralmente
amarelo-laranja + vermelho
B
S
Keitt
muito grande
600
Oval-alongado, gorda espessa
amarelo-esverdeada
B
P
Kent
muito grande
550
Ovalada e espessa
verde-amarela + camensin
E
P e T
Palmer
muito grande
520
Alongada e cheia
laranja-amrelada + vermelho
M
P e T
Ruby
pequeno
240
Ovalada, alongada e fina
amarelo-laranja + vermelho
B
S
Sensation
médio
300
Oval
amarelo + vermelho
B
P
Tommy Atkins
muito Grande
580
Oval-ablonga
amarelo-laranjada + vermelho
B
F e A
Van Dyke
médio
350
Redonda ovalada
amarela + laivos vermelhos
B
G
Zill
médio
340
Ovalada com bico saliente
amarelo + vermelho
E
S
(1) Sabor: E = Excelente                           (2) Quantidade de fibras: A = Abundante
B =Bom                                                                                              F = Finas       G = grossas
M = Médio                                                                                           P = Poucas     S = ausentes
T = Tenras
 
 
TABELA 5 – Mangueira: principais características da planta de algumas variedades mais cultivadas no Brasil
 
Variedade
Porte
Forma Copa
produção
Época de maturação
Suscetibilidade às doenças (1)
Edward
Alto
Globosa e irregular
baixa
Meia-estação
2/2
Hadem
Elevado
Arredondada
Médio a regular
Meia-estação
1/1
Irwin
Médio a pequeno
Compacta
regular
Meia-estação
2/1
Keitt
Médio
Aberta
Regular e boa
Tardia
2/3
Kent
Médio
Compacta e arredondada
Baixa e regular
Tardia
1/1
Palmer
Médio
Aberta
Regular
Tardia
2/2
Ruby
Médio
Globosa e compacta
Alta
Meia-estação
2/2
Sensation
Médio
Aberta
Regular
Tardia
2/1
Tommy Atkins
alto
Arredondada
Regular
Meia-estação
1/2
Van dyke
Médio
Aberta
Alta
Meia-estação
 
Zill
Alto
Cômica
regular
Precoce a meia estação
2/2
(1) Suscetibilidade ao oídio e a antracnose: 1- Muito suscetível.
2 - Pouco suscetível.
3 - Tolerante.
 
            Apesar das excepcionais qualidades do fruto da variedade Haden, a planta é muito susceptível a oídio e antracnose, apresenta tendência à alternância de produção e incidência elevada de distúrbios como a MALFORMAÇÃO FLORAL. Na atualidade, representaria 20 a 30% apenas dos pomares tecnificados, havendo a alternativa de plantio da Haden 2H com características um pouco superiores. A primeira variedade mais cultivada seria a Tommy Atkins com cerca de 60 a 70% apesar de também apresentar problemas, como por exemplo, o COLAPSO INTERNO DO FRUTO.
            De acordo com Meio Nunes (1995), no Nordeste as variedades mais disseminadas são: Rosa, Espada e Itamaracá; no Centro-Oeste, as variedades Ubá, Bourbon, Haden e Coquinho, e também, variações do grupo dominante "Coração de boi" são as preferidas pelo consumidor (Medina, 1981 e Luna, 1988). Na região do São Francisco, no Nordeste semi-árido brasileiro, predominam as variedades Haden, kit e Tommy Atkins nos plantios comerciais; as variedades Van Dyke, Surpresa, Kensington e Zili têm sido usadas nos plantios mais recentes (Nunes et al., 1991).
            Destaca-se ainda o grande número de variedades brasileiras de mangueiras, com denominações e características regionais. Donadio et al (1996) abordaram a caracterização e escolha de variedades nacionais considerando-se a tolerância a doenças e pragas, produção, qualidade do fruto, época de produção e capacidade biológica. Os autores traçaram o perfil de mais de 50 variedades, fornecendo informações básicas que auxiliam na escolha.
            Especificamente no caso de mangas para processamento industrial, Bleinroth et al (1976), indicam as variedades Imperial, Extrema, Oliveira Neto, Mato Dentro e Haden para a produção de manga em calda e, para néctar, as variedades Castro, Cecília Carvalho, João Alemão, Non Plus Ultra e São Quirino são as que apresentam rendimento superior. Soler (1989), para a mesma finalidade, recomenda Pele de Moça, Itamarati, Manga – D’água e Ubá. Segundo Carvalho Neto (1975), as variedades para processamento mais indicadas seriam Itaparica, Maçã, Espada, Carlota e Pingo de Ouro. Entre 20 variedades de mangueiras avaliadas para o processamento em calda, Donadio (1993) estaca como superiores a Surpresa e a Santa Cruz.
 
            6 PLANEJAMENTO E INSTALAÇÃO DO POMAR     
            6.1 Preparo do solo
 
As operações de preparo do solo devem ser feitas com bastante antecedência do plantio. Consistem na roçagem, queima do mato, encoivaramento e destoca. Após a limpeza da área, procede-se à aração e 20-30 dias depois se faz a gradagem (Fig. 4), coletando-se então amostras do solo para análise.
 
 
 

FIG. 4. Preparo do solo: aração e gradagem.
 

            6.2 Espaçamento
 
         O   espaçamento depende da profundidade e da fertilidade do solo, porém tem-se utilizado, geralmente com bons resultados, o de l0m entre ruas por l0m entre plantas, que corresponde a uma densidade de 100 plantas/ha. Todavia, outros espaçamentos podem ser adotados, dependendo das condições do solo e do manejo da cultura. Nos solos pobres da Flórida, por exemplo, recomenda-se o espaçamento de 9m x 9m, 9m x 6m e 6m x 6m (Campbell & Malo, 1974), ou ainda, l0m x 8m, 8m x 8m, l0m x 5m e 8m x 5m (para futuro desbaste). A poda do topo e dos lados das plantas permite o uso de espaçamentos menores, além de facilitar os tratos fitossanitários e a colheita.
            6.3 Alinhamento
 
Determinado o espaçamento, procede-se ao ah, em quadrado ou em quincôncio, marcando-se com um piquete o local onde serão abertas as covas que receberão o enxerto de manga. Quando a área de plantio possui declive acentuado, deve-se fazer o alinhamento em curva de nível, com vistas ao controle da erosão (Fig. 5).
 
 
FIG. 5. Disposição das plantas: no plano e em curva de nível.
 
 

 
            6.4 Coveamento
 
  Após a marcação da área, as covas são abertas nas dimensões de 50cm x 50cm x 50cm. Deve-se ter o cuidado de separar a camada de terra da superfície (A) da camada do subsolo (B) e inverter a sua posição na cova na hora do plantio (Fig. 10).
 
 

 
 

            6.5 Época de plantio
 
A melhor época para o plantio é aquela que coincide com o período das águas. Todavia, quando se dispõe de um sistema de irrigação, pode-se plantar em qualquer época do ano.
            6.6 Adubação inicial
 
Como regra geral, recomenda-se aplicar na cova, alguns dias antes do plantio, 10 a 20 litros de esterco de curral bem curtido, 1.000g de superfosfato simples e l00g de cloreto de potássio. A esta mistura incorpora-se a terra da camada superior da cova.
            6.7 Plantio
 
            Em primeiro lugar, mistura-se a terra da superfície (A) (fig. 10) com os adubos mencionados no item 9.6. Metade dessa mistura é colocada dentro da cova e sobre ela coloca-se a muda. A seguir procede-se à remoção do saco plástico que envolve o bloco de terra com a muda. Esta deve ser colocada na cova de tal maneira que seu colo fique um pouco acima do nível do solo. Com a outra metade da mistura termina-se de encher a cova. Finalmente, faz-se uma bacia em tomo da muda e irriga-se com 10 a 20 litros de água (Fig. 11). A remoção do saco plástico também pode ser feita após a colocação da muda dentro da cova.
Sempre que possível, é extremamente útil a pratica de colocar uma cobertura de palha ou capim seco sobre a cova, bem como a de proteger a muda nos dias seguintes ao plantio com palhas de oiricuri ou outro material disponível na região. As mudas poderão ainda ser tutoradas, para sua melhor condução, desde que considerada a economicidade dessa prática.
 
 
 

 
 

7 CALAGEM E ADUBAÇÃO DE MANUTENÇÃO
 
Para uma programação racional da calagem e adubação, vários fatores, como os mencionados a seguir, devem ser levados em conta: tipo o pH do solo, destino da produção (consumo natural ou industrializado) e preferência do mercado (cor e tamanho do fruto etc.). Estas variáveis estão associadas ao manejo da cultura (espaçamento, irrigação etc.) e ao desenvolvimento da planta.
Tanto a calagem como as adubações devem, de preferência, basear-se em resultados de análises do solo e das folhas, para evitar gastos desnecessários, uma vez que ambas são práticas de custo bastante elevado.
De modo geral, um programa de adubação com macro e micronutrientes deve ser iniciado imediatamente após o plantio das mangueiras. As quantidades de adubo serão gradativamente aumentadas a fim de atender ao crescimento da planta (expansão da copa e do sistema radicular).
Na Flórida, no primeiro ano após o plantio, as mangueiras são adubadas a cada dois meses aplicando-se inicialmente 110 g/planta - e elevando-se esse volume até atingir 450g/planta - de uma mistura com 6 a 10% de NPK (de cada um desses nutrientes) e 4 a 6% de magnésio (Campbell & Malo, 1974).
Nas mangueiras adultas, cujo sistema radicular pode atingir um raio de até cinco metros ao redor do tronco e dois metros de profundidade, a maior parte das raízes efetivamente absorventes esta localizada entre 1,5 e 2,Om de distancia do tronco e a 30-40 cm de profundidade (dependendo do tipo e textura do solo). Recomenda-se, por conseguinte, que os adubos sejam aplicados em sulcos abertos a três metros de distancia do tronco e a uma profundidade de 20 a 30cm.
De posse dos resultados da análise química do solo, deve-se optar por um esquema de adubação proposto pelos órgãos de pesquisa e extensão rural da região onde se implantará a cultura.
 
 

Nas Tabelas 1 e 2 são apresentadas as recomendações de adubação com macronutrientes para o Estado da Bahia.
 
 
 

8. DOENÇAS DA MANGUEIRA
 
A mangueira é uma frutífera suscetível a uma grande diversidade de doenças causadas por fungos, bactérias e outros organismos que podem não só limitar a sua produção, como também comprometer a qualidade dos frutos, particularmente importante quando se destinam à exportação.
 
 
 
 
8.1 Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides (Penz)
 
Sintomas: nas folhas novas a doença causa pequenas manchas arredondadas, de coloração marrom, causando deformação da folha que fica retorcida, necrosada e com rupturas na área lesionada. No raque da inflorescência e suas ramificações aparecem manchas de coloração marrom escura, profundas e secas. Os frutos menores tornam-se manchados e caem antes de completar a maturação fisiológica. Nos frutos maiores as manchas são negras, deprimidas, às vezes, com pequenas rachaduras.
 
Controle: Podas leves; podas de limpeza; instalação de pomares em regiões com baixa umidade com espaçamento maior e indução de floração para produção em épocas desfavoráveis ao patógeno. Para a utilização de defensivos químicos, CONSULTE UM AGRÔNOMO.
8.2 Seca da Mangueira
 
Sintomas: Secamento parcial ou total da copa das árvores; provoca a morte das plantas em qualquer idade. Normalmente observa-se um ramo seco, como se tivesse queimado pelo fogo.
 
Controle: Eliminação das plantas doentes, eliminação do galho afetado 40 cm abaixo da região de contraste dos tecidos sadio/doente, desinfestação da ferramenta utilizada para as podas com uma solução de Hipoclorito de sódio a 25%, proteção das partes cortadas com o pincelamento de uma pasta feita com fungicida à base de cobre.
8.3 Oidio
 
Sintomas: As folhas, inflorescências e frutinhos novos ficam recobertos por um pó branco acinzentado; nas folhas novas causa deformações, crestamento e queda e nas folhas velhas e nos frutos desenvolvidos ocasionam manchas irregulares.
 
Controle: O controle químico é o mais recomendado, para isto, consulte um Agrônomo.
8.4 Colapso interno do fruto
 
Sintoma: Ocorre o amolecimento da polpa, às vezes, com separação da casca.
 
Controle: É necessário a eliminação dos ramos e panículas infectadas. Fazer pulverizações com produtos à base de enxofre. Como medida de controle, colhe-se o fruto "de vez". Deve-se efetuar calagem e, se necessário, aplicar cálcio complementar.
8.5 Podridão de frutos
 
Sintomas: Inicia-se no ápice do fruto que se torna marrom passando a preto oliváceo.      
Controle: (Tratamento de pré-colheita) quinze dias antes da colheita os frutos devem receber pulverizações preventivas de Benomil a 0,03% ou Oxicloreto de cobre (2,8 g i.a. /1) mais um espalhante adesivo - procure a orientação de um Agrônomo!
 
 
8.6 Mancha angular
 
Sintomas: A doença é causada por uma bactéria. Nas folhas, causa manchas angulares delimitadas pelas nervuras de coloração parda-escura e envoltas por um halo amarelo. Com o tempo, as áreas lesionadas caem deixando a folha com vários orifícios. Nos ramos causa murcha e seca. Nas inflorescências causa grandes lesões negras e alongadas nos eixos primários e secundários com rachaduras dos tecidos. As lesões nos frutos racham e observa-se uma acentuada queda de frutos.
 
Controle: Em regiões em que a bactéria atua severamente, as pulverizações devem ser preventivas durante o fluxo de vegetação e no florescimento, em intervalos quinzenais. Os melhores produtos tem sido oxicloreto de cobre mais óleo mineral, aplicado nas horas menos quentes. Não esqueça, procure sempre a orientação de um Agrônomo!
            8.7 Malformação vegetativa e floral
 
Sintomas: É uma anomalia de causa desconhecida, que afeta as inflorescências e as brotações vegetativas da mangueira. O sintoma característico da malformação floral é a aparência que a inflorescência adquire de um cacho compacto, com o eixo primário e as ramificações secundárias da panícula mais curtas. A gema floral se transforma em vegetativa e sobrevém um grande número de pequenas folhas e ramos. As mudas e plantas afetadas por esta anomalia têm o seu crescimento retardado, pode levar a perda total da produção.
 
Controle: Pulverizações preventivas com produtos à base de enxofre molhável e quinomethionate, em épocas secas e de pouca precipitação pluviométrica, sempre com a orientação de um Agrônomo.
            8.8 Murcha de esclerócio
 
Sintomas: Esta doença, causada por um patógeno de solo, ocorre esporadicamente em sementeiras, causando murcha inicial, secamento e morte das plantinhas. Quando existe excesso de umidade, a doença pode causar a perda total dos porta-enxertos de uma sementeira. O primeiro sinal da doença é um micélio cotonoso aéreo, bastante branco, que recobre a área do caule mais próximo ao solo. Posteriormente, o micélio vai se tornando marrom e nota-se os pontos escuros redondos como sementes de couve que permanecem aderidos ao caule ou na superfície do solo. As plantas começam a murchar, os tecidos do caule tornam-se túrgidos e morrem uma semana após o início do ataque.
 
Controle - suspender a água de rega e fazê-la de maneira mais racional, até deixando a sementeira sofrer stresses da seca, providenciar um melhor sistema de drenagem para a sementeira; evitar o uso de irrigação por inundação, pois a água carrega os escleródios de uma área para a outra. Para o controle químico, consulte um Agrônomo.
           
            9 PRINCIPAIS PRAGAS
 
            A seguir estão relacionadas às pragas mais comuns da cultura da manga. (Moscas-das-frutas, broca da mangueira, ácaros, lagartas, cochonilhas, tripes, formigas cortadeiras, bicudo da semente da manga, cigarrinha e besouro amarelo).
 
 
9.1 Moscas-das-frutas
 
            Sintomas e características: Causa grandes prejuízos econômicos a cultura da mangueira com perdas de até 50%, na produção. Os adultos da mosca-das-frutas do gênero Anastrepha medem em torno de 7mm. Seu tórax é marrom, podendo apresentar três faixas longitudinais mais claras. Os ovos, de cor branca leitosa, são introduzidos pelas fêmeas abaixo da casca dos frutos, de preferência ainda imaturos. As larvas, provenientes destes ovos (lagartas afiladas, brancas, sem patas), alimentam-se da polpa do fruto. Desenvolvida a lagarta abandona o fruto, enterra-se no solo de onde emerge o adulto para acasalar-se. No ponto onde a mosca deposita seus ovos pode ocorrer contaminação por fungos ou bactérias, o que resulta no apodrecimento local do fruto.
           
Controle: Medidas culturais, monitoramento, controle biológico, controle químico, resistência varietal, técnica do inseto estéril, tratamento pós-colheita e tratamento hidrotérmico.
 
Tratamento Hidrotérmico (pós-colheita): O tratamento hidrotérmico em manga visa o controle de moscas-das-frutas após a colheita e vem sendo efetuado pelos exportadores brasileiros desde 1991. O método consiste na imersão dos frutos em água a 46,1 °C por um tempo de 75 para frutos de até 425g e 90 minutos para frutos com pesos máximos de 426 a 650g Medidas culturais - Eliminação dos hospederios alternativos (carambola, ciriguela, cajá, etc), retirada dos frutos infectados caídos no chão, para evitar que as larvas os deixem para empupar no solo. Evitar também a permanência de frutos maduros na planta. Os frutos infectados devem ser enterrados a 70 cm de profundidade. Para outros tipos de controle, tais como o químico, consulte um Agrônomo.
9.2 Cochonilhas
 
            Sintomas e características: A Fêmea possui carapaça circular convexa e branco acinzentada. Essa praga suga a seiva de todas as partes verdes da planta, causando queda de folhas, secamento de ramos e o aparecimento de fumagina (cobertura preta das folhas). Geralmente provoca maiores danos em pomares com um a três anos de idade.
           
Controle: pulverização de óleo mineral misturado a um inseticida fosforado, evitando-se a aplicação nas horas mais quentes do dia e no período de floração.
9.3 Broca da mangueira
 
            Sintomas e característica : A larva do inseto penetra na região entre o lenho e a casca, abrindo numerosas galerias. É um besouro muito pequeno, de coloração castanha, medindo na fase adulta 1mm. Suas larvas são brancas; seu ciclo de vida tem a duração máxima de 30 e mínima de 17 dias. A progressão do ataque se faz dos ramos mais finos em direção ao tronco.
 
            Controle: medidas culturais e controle químico.
 
            Medidas culturais: Proceder ao corte e destruição (queima) de todos os ramos brocados ou secos. Evitar que as plantas sejam submetidas a estresse hídrico e nutricional prolongados.
 
 
            Controle químico - Procure a orientação técnica de um Agrônomo.
9.4 Ácaros
 
            Sintomas e característica   - Há registro de várias espécies de ácaros das famílias Tetranychidae e Eriophydae responsáveis por danos causados em folhas e gemas de mangueiras em pomares comerciais. O ácaro da malformação (Eriophydae) provoca a morte das gemas terminais e laterais, formando superbrotamento. A planta apresenta-se raquítica e com a copa mal estruturada.
            Controle - monitoramento, medidas culturais e controle químico.
            Monitoramento - Os ácaros não são visíveis a olho nu. O aparecimento de manchas marrons ou pretas nas brácteas, na base dos botões florais, são os sinais de sua presença.
            Medidas culturais - Podar e queimar os ramos com sintomas de malformação; nos viveiros, descartar e destruir as mudas com superbrotação.
            Controle químico - Pulverizações preventivas com produtos à base de enxofre molhável e quinomethionate, em épocas secas e de pouca precipitação pluviométrica, sempre com a orientação de um Agrônomo.
            9.5 Lagartas
 
            Sintomas e característica: a mais freqüente é a conhecida como bicho-de-fogo, sussuarana ou taturana.
 
Controle: monitoramento, medidas culturais e controle químico.
 
            Monitoramento: Os ramos e as folhas devem ser periodicamente observados, prevenindo-se assim maiores problemas com a praga com a utilização de medidas culturais.
 
            Medidas culturais: Os casulos aderentes aos ramos e troncos das árvores devem ser destruídos no caso de grande infestação.
 
            Controle químico: Em condições normais não é necessário; nas grandes infestações, pulveriza-se com os produtos indicados para a cultura.
 
10 PODAS
 
            Em plantas jovens, principalmente em algumas variedades como Keitt e Palmer, é necessário que se efetue podas leves de formação. A poda de formação consiste em deixar a muda com 3 ramos laterais que se originem na planta, a altura de um metro do solo ,em pontos eqüidistantes. A poda de planta adulta é feita após a colheita dos frutos com corte de ramos apicais, rebentos do porta-enxerto e tronco, eliminação de ramos doentes, mortos ou baixos para reduzir o porte da planta, permitir maior penetração de luz na copa, facilitar tratos sanitários e a colheita.
 
11 IRRIGAÇÃO DA MANGUEIRA
 
A irrigação é outro fator importante e imprescindível, desde o plantio até o início da produção, e nos períodos de estiagem. A partir do quarto ano após o plantio, irrigar durante o período de escassez de chuvas e interromper 2 a 3 meses antes da floração. Voltar a irrigar na formação e desenvolvimento do fruto com regas semanais ou quinzenais, irrigar também logo após as adubações.
 
12 CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS
 
É recomendável manter o pomar livre de ervas daninhas, efetuando-se roçagem no período chuvoso (roçadeiras) e de capinas no período seco (grades, capina manual ou herbicidas). O coroamento em torno da planta é outra prática imprescindível, que deve ser feita com a enxada.
 
13 CONTROLE DO FLORESCIMENTO DA MANGUEIRA
 
            A mangicultura brasileira, apesar de oferecer grandes possibilidades de elevada rentabilidade tanto no mercado interno como externo, vem passando, em algumas regiões produtoras por dificuldades, dentre as quais, se estaca o perfil mercadológico da manga, relacionado com a sazonalidade de produção. No Brasil, existe uma grande concentração de produção ao final e início de ano, período em que os preços obtidos não chegam a cobrir os da operação de colheita. Dessa forma, o domínio do florescimento da mangueira se torna uma prática de grande relevância para se obter sucesso com a exploração, como vem ocorrendo, por exemplo, nas regiões semiáridas do Vale do Rio São Francisco.
 
            O controle do florescimento da mangueira vem sendo pesquisado e aprimorado há algumas décadas em países como Filipinas, índia e México. Também no Brasil vem se tornando prática de grande importância e, segundo Caldeira (1989), teria como objetivos:
 
- evitar a concentração da safra num período muito curto;
- evitar a necessidade de forçar a maturação de frutas com o uso de ethephon ou carbureto;
- estabilização dos preços no mercado interno, pela oferta gradual do produto;
- melhor preço de exportação pela oferta de frutos mais cedo;
- incrementar o pegamento de frutos;
- como auxiliar para o problema do controle da mosca das frutas.
- o estímulo indutor do florescimento é transmitido das folhas para as gemas;
- mangueiras em estado juvenil ao serem enxertadas com material oriundo de plantas adultas em floração, são induzidas também ao florescimento; há a presença de fator inibidor nas folhas jovens ou imaturas, atuando sobre as gemas subapicais;
- ao se realizar a enxertia, se o doador estiver com suas folhas (fonte de estímulo) e se realizar a desfolha das folhas jovens do receptor (fonte de inibição), este poderá florescer. O inibidor exerceria efeito apenas sobre as gemas daquele ramo, não afetando o florescimento do ramo doador.
 
Entre os vários grupos químicos de substâncias que influenciam o florescimento, concorrendo para a sua inibição ou indução, são mencionadas as Auxinas, Giberelinas, Citoquininas e Etileno.
 
 
 
 
- Auxina
 
Não é considerada como responsável, isoladamente, pelo florescimento; durante o período de crescimento vegetativo dos ramos sua concentração é baixa, ocorrendo o contrário durante a iniciação floral das gemas.
 
- Giberelinas
 
Níveis elevados podem provocar a inibição ou retardamento da floração; essa atuação é confirmada quando se aplica inibidores da síntese de giberelina como o Pactobutrazol e Cycocel. A aplicação de Ácido amino N-Dimetil Succínico ou B 995 poderá induzir o florescimento em decorrência da supressão da ação da giberelina.
 
- Citoquinina
 
Ramos em estado de pré-floração possuem níveis mais elevados de citoquinina do que aqueles que não se encontram nesse estádio; entre as citoquininas destacam-se a Zeatina e Ribose.
 
- Etileno
 
Existem ainda dúvidas quanto ao seu papel como indutor de florescimento, levantando-se a hipótese de que sua atuação se deva á interação com as substâncias de reserva.
 
O estresse hídrico por excesso de água, paralisa o crescimento radicular e concorre para a formação do precursor do etileno que é translocado para a parte aérea da planta promovendo a floração.
 
De acordo com Prato & Goeschl (1969) o etileno desempenha função importante na transcrição de duplicação do código genético do DNA, incorporando-se ao RNA igual a outros hormônios. O etileno contribui também na regulação de outros fenômenos do desenvolvimento como a floração, a abscisão e a maturação dos frutos.
 
Para explicar este fenômeno, existem duas hipóteses:
 
1)     o etileno regula o crescimento, modificando o transporte de auxinas;
 
2)     estimula o sistema enzimático relacionado com a membrana celular, contribuindo assim para a excreção de parte da célula de enzimas importantes no crescimento.
 
Com base nesses estudos, foram colocadas algumas hipóteses para a ação do KNO3 e NH4 N03 na indução floral, o que se pode observar na Figura 7.
 
 
 
 
 

 
 

            14 MÉTODOS DE INDUÇÃO
14.1 Realização de Podas
 
A utilização de práticas como eliminação de ramos novos, desfolha e remoção de flores, consideradas como um “tipo" de poda apresenta dificuldades em termos de sua aplicação em campo e, isoladamente, nem sempre apresentam resultados satisfatórios. No item "Poda de Frutificação" estão apresentadas sugestões quanto á sua aplicação.
A remoção parcial ou total de flores somente aumenta o florescimento na safra seguinte e assim mesmo dentro de um certo limite; os resultados diferem para cada variedade e não são satisfatórios quando aplicadas em variedades vigorosas.
14.2 Anelamento
 
A remoção completa da casca a fim de paralisar a translocação de fotoassimilados para as raízes apresenta pouca praticidade e pode provocar danos ás plantas e maior incidência de doenças. A associação da prática de anelamento com a aplicação de um indutor poderá apresentar resultados significativos.
14.3 Aplicação de Indutores
 
Os nitratos de amônio e de potássio são aplicados em concentrações que podem variar de 3 a 8% em solução, dependendo da variedade e da região; o Ethephom em concentrações de 200 a 2000 ppm.
            As aplicações podem ser repetidas por mais uma a duas vezes com intervalos de uma a duas semanas, sendo os produtos dissolvidos em água, devendo-se adicionar espalhante adesivo. As doses mais elevadas podem provocar a desfolha das plantas.
            Dentre os trabalhos mais recentes publicados no Brasil, relacionados ao florescimento temos:
 
a) três aplicações de Ethephon (0,25 mI), precedendo a pulverização com KN03 (Três g/l), na variedade Haden induziram à diferenciação floral de gemas; o etileno promoveu a diferenciação das mesmas, enquanto O KNO3 atuou na quebra da dormência de gemas já diferenciadas, Couto et al. (1996);
 
b) três aplicações de Ethephon (0,25 mI) precedendo pulverização com KNO3 (3 g/l), na variedade Haden conferiram índices superiores de precocidade e de produção. Quando comparado à testemunha esse tratamento proporcionou antecipação de 59 e 25 dias para atingir 50% do florescimento e 50% da produção, respectivamente, Rabelo et al. (1996). Segundo os autores as aplicações de Ethephon poderão substituir o estresse hídrico, antes das aplicações de KNO3, viabilizando no Sudeste brasileiro a produção extemporânea de mangas;
 
c) três aplicações de KNO3 (3%), a intervalos de 7 dias na variedade Tommy Atkins apresentaram índices superiores de florescimento (71.87% de florescimento), quando comparados a uma e duas aplicações Ataíde (1996);
 
d) a aplicação de nitrato de cálcio (4%), nas variedades Haden e Tommy Atkins incrementou significamente a frutificação e o rendimento, antecipando a floração em 58 e 44 dias, respectivamente, Santana et aí (1996);
 
e) a aplicação de cloreto de mepiquat (5.000 ppm, 10.000 ppm e 15.000 ppm), com uma repetição após 30 dias, na variedade Tommy Atkins, paralisou o crescimento vegetativo da mangueira independente das condições de umidade do solo. Promoveu boa floração, frutificação e fixação dos frutos, podendo permitir a produção de manga em qualquer época do ano na região do submédio São Francisco, Albuquerque et aí (1996).
 
            15. RESPOSTAS Á INDUÇÃO
 
                        As respostas, qualquer que seja o indutor ou metodologia aplicada, devem sempre levar em consideração as condições em que foram testadas uma vez que nem sempre os resultados serão tão positivos em outras situações e para outras variedades.
            O sucesso resultante da aplicação de um método ou da associação de métodos está correlacionado com um amplo número de fatores cujos componentes, em seu conjunto, criam as condições adequadas para que a mangueira floresça e frutifique regularmente.
            Em campo, uma metodologia simples e prática de se avaliar as possibilidades da mangueira apresentar uma alta resposta á indução seria através da textura das folhas dos ramos terminais; caso se verifique que suas folhas intermediárias tornam-se, quando manipuladas, quebradiças e emitindo som característico e semelhante aos de folhas de mangueira sob forte estresse hídrico, a resposta á indução poderá ser satisfatória.
            A prática intensiva e freqüente da indução floral têm concorrido para o agravamento de problemas como a malformação das panículas, queimadura excessiva da folhagem e incidência maior da bactéria xanthomonas.
            Deve-se ainda considerar que um florescimento significativo obrigatoriamente não irá representar alta produção, uma vez que em mangueiras, menos de 1% dos frutos de flores hermafroditas chegam ao amadurecimento, devido à abscisão. As causas da abscisão são decorrentes de: doenças, contactos mecânicos, deficiências nutricionais degenerescência do embrião no estádio inicial de desenvolvimento do fruto (no caso de autopolinização).
A aplicação de 2,4 - D em baixas concentrações (menos de 20 ppm) ou Alar na concentração de 100 ppm, em frutos no estádio de ervilha, podem reduzir a abscisão.
 
            16 COLHEITA E PÓS-COLHEITA
 
O fruto da mangueira é classificado como climatérico, isto é, completa a maturação mesmo depois de colhido, num processo que geralmente leva de três a oito dias. Todavia, quando ele é colhido muito jovem não amadurece adequadamente. Os melhores níveis de temperatura para o seu amadurecimento situam-se entre 2l e 240C.
Quando a mangueira é enxertada e conduzida de acordo com os requisitos técnicos exigidos pela cultura, sua frutificação tem inicio no terceiro ano após o plantio, embora a produção econômica só comece a partir do quarto ano.
No Brasil o florescimento inicia-se no mês de maio e a colheita ocorre cinco a seis meses depois. Esta, entretanto, pode variar de acordo com as cultivares e de uma região para outra, antecipando-se nas regiões secas e quentes e retardando nas úmidas e frias. No Nordeste a colheita ocorre de outubro a fevereiro (em condições naturais) e de agosto a outubro (com indução artificial da floração), e no Centro-Sul, de novembro a dezembro. Na Tabela 3, são apresentadas as épocas de safra em vários países produtores de manga.
Os frutos devem ser colhidos quando o seu desenvolvimento se completa, ou seja, de vez, para que possam chegar ao mercado consumidor em bom estado de conservação e maturação. O grau de maturação ideal para a colheita vai depender do tempo que o fruto levará para ser consumido ou industrializado. Para o consumo imediato, colhem-se os frutos completamente maduros, já os que vão ser transportados ou armazenados por períodos longos devem ser colhidos de vez.
 
 

O critério mais usado para determinar o ponto de colheita dos frutos é a mudança de cor da casca e da polpa, um parâmetro também aplicável aos frutos de manga. Estes geralmente são colhidos quando sua cor começa a mudar ou os primeiros frutos maduros caem, em geral 90 a 120 dias após o florescimento, dependendo da cultivar e da região.
             Além da mudança de cor, outros critérios têm sido usados para estabelecer o ponto ótimo de colheita: densidade especifica de 1,01 a 1,02, resistência da polpa á pressão de 1,75 a 2,0 kg/cm2, sólidos solúveis totais de 120 Brix e acidez titulável de 4,0 meq/l00mI, resultando em uma relação SST/acidez igual a 3,0; carotenóides totais de 3 a 4 mg/I00g de polpa e transparência do látex que exsuda do pedúnculo. Neste último caso, se o látex estiver leitoso (e a polpa amarela esbranquiçada), o fruto está verde; já se o látex estiver claro/transparente (e a polpa amarelada), o fruto está amadurecendo e pode ser colhido. Deve-se evitar o contato do látex com a casca do fruto.
            Nenhum dos parâmetros acima indicados é, isoladamente, bastante seguro para determinar o grau de maturação ideal para a colheita. Por essa razão, devem ser usados conjuntamente e aliados à experiência prática com a cultura.
Uma vez estabelecido o grau de maturação ideal, procede-se á colheita, de preferência manual, torcendo-se o fruto até a ruptura do pedúnculo ou cortando-o com tesoura de poda. Esta modalidade de colheita, entretanto, só é possível quando as plantas ainda têm pequeno porte.
            Para plantas de grande porte, utiliza-se da vara de colheita, que é feita de bambu ou madeira flexível e tem na sua extremidade um aro de ferro cilíndrico ao qual é preso um saco. No lado do aro oposto ao que se prende à vara é afixada uma faca para cortar o pedúnculo do fruto. Opcionalmente, o aro de ferro pode ser substituído por uma chapa de l/l6 dotada de saliências na borda superior. Para facilitar a colheita e não prejudicar o rendimento do operário, o saco é dimensionado para comportar de quatro a sete frutos, dependendo do tamanho destes. Nas grandes plantações pode-se usar uma colhedeira motorizada (triciclo hidráulico), dotada de alta versatilidade de manobra, inclusive elevatória, dirigida pelo próprio colhedor .
Quanto à deterioração dos frutos, os agentes mais óbvios são meramente físicos. Os danos mecânicos, de múltiplas formas (cortes, abrasões e choques), devem ser evitados, pois os frutos mecanicamente danificados se deterioram muito depressa. Por isso, durante a colheita dos frutos nos mangueirais alguns cuidados devem ser tomados, com vistas ao seguinte:
 
- Evitar a ocorrência de choques dos frutos com os galhos das plantas ou com o solo, independente do grau de maturação dos frutos e do tipo de colheita.
- Evitar movimentos bruscos da vara de colher, para que não ocorram abrasões entre os frutos que se encontram dentro do saco coletor.
- Cortar a porção do pedúnculo ainda aderida ao fruto para evitar ferimentos na casca por onde possam penetrar microorganismos patogênicos.
- Evitar o contato da região peduncular com o solo.
- Acondicionar cuidadosamente os frutos nas caixas, evitando-se choques e abrasões.
Durante a operação de colheita, as caixas coletoras devem ser mantidas à sombra, para impedir o aquecimento dos frutos e o conseqüente aumento da sua transpiração e respiração, bem como as queimaduras pela radiação solar.
 
            17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
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