CULTURA DO MAMOEIRO

  MANCIN, C. A.

SOUZA, O.P.

MELO, B.

  SUMÁRIO

 

1 INTRODUÇÃO.. 1

2 ASPECTOS SOCIO-ECONÔMICOS. 1

3 ASPECTOS BOTÂNICOS E FISIOLÓGICOS. 2

3.1 Botânica. 2

3.1.2 Caule. 2

3.1.3 Folhas. 2

3.1.4 Flores. 2

3.1.5 Flor pistilada ou feminina. 3

3.1.6 Flor hermafrodita. 3

3.1.7 Flor masculina. 3

3.1.8 Fruto. 3

3.2 Fisiologia. 4

3.2.1 radiação. 4

3.2.2 temperatura. 4

3.2.3 Estress hídrico. 4

4 CULTIVARES. 4

4.1 Sunrise Solo. 4

4.2 Improved Sunrise Solo Line 72/12. 5

5 EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS. 5

5.1 Clima. 5

5.2 Solo. 5

6 PREPARO E CONSERVAÇÃODO SOLO PREPARO DO SOLO.. 6

6.1 Amostragem do solo para análise química. 6

6.2 Cuidados no preparo do solo. 6

6.3 Operações de preparo do solo. 6

6.4 Conservação do solo. 6

7 PROPAGAÇÃO DO POMAR.. 6

7.1 Produção de sementes. 7

7.2 Produção de mudas. 7

7.2.1 Recipiente e substrato. 7

7.2.2 Construção do viveiro. 7

7.2.3 Semeadura. 8

7.3 Práticas culturais. 8

7.3.1 Desbaste no viveiro, irrigação seleção de mudas. 8

7.3.2 Espaçamento. 8

8 FORMAÇÃO DO POMAR.. 8

8.1 Culturas intercalares. 9

9 CALAGEM, EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS E ADUBAÇÃO.. 9

9.1 Calagem.. 9

9.2 Exigências nutricionais. 9

9.2.1 Importância dos nutrientes na planta. 10

9.2.2 Avaliação do estado nutricional do mamoeiro. 10

9.3 Adubação. 11

9.3.1 Adubação de recipientes. 11

9.3.2 Adubação foliar das mudas no viveiro. 11

9.3.3 Adubação de plantio e de cobertura. 11

9.3.4 Época de aplicação e localização dos adubos. 11

9.3.5 Adubação orgânica. 12

9.3.6 Adubação verde. 12

10 TRATOS CULTURAIS. 12

10.1 Desbaste de plantas. 12

10.2 Desbrota. 12

10.3 Desbaste de frutos e erradicação de plantas. 13

10.4 Controle de plantas daninhas. 13

11 IRRIGAÇÃO E FERTIRRIGAÇÃO.. 13

11.1 Métodos de irrigação. 13

11.2 Necessidades hídricas. 14

11.3 Quando e quanto irrigar. 14

11.4 Fertirrigação. 14

11.5 Manejo da fertirrigação. 15

12 DOENÇAS E SEU CONTROLE.. 15

12.1 Estiolamento de sementeiras, tombamento ou damping-off 15

12.2 Podridões de phytophthora. 16

12.3 Antracnose. 16

12.4 Pinta-Preta ou Varíola. 17

12.5 Oídio. 17

12.6 Outras doenças fúngicas. 18

13 VIROSES. 18

13.1 Mancha anelar do mamoeiro. 18

13.2 Amarelo letal do mamoeiro solo. 19

13.3 Meleira. 19

14 PRAGAS E SEU CONTROLE.. 20

14.1 Pragas primarias. 20

14.1.1 Ácaro branco. 20

14.1.2 Ácaros Tetraniquídeos. 20

14.1.3 Cigarrinha-Verde Empoasca sp. 20

14.2 Pragas secundárias. 21

14.2.1 Pulgões. 21

14.2.2 Coleobroca. 21

14.2.3 Mosca-Das-Frutas. 21

14.2.4 Formigas Cortadeiras. 22

14.2.5 Mandarová ou Gervão. 22

14.2.6 Lagarta-Rosca. 22

14.2.7 Cochonilha. 22

14.2.8 Percevejo-Verde. 22

15 NEMATÓIDES E SEU CONTROLE.. 22

15.1 Nematóide Reniforme. 23

15.2 Nematóide das Galhas. 23

16.1 Colheita. 24

16.2 Pós-Colheita. 24

16.2.1 Tratamento fitossanitário. 24

16.2.2 Classificação e embalagem.. 24

17 COMERCIALIZAÇÃO.. 25

17.1 Mercado externo. 25

18. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. 26

1 INTRODUÇÃO

              A espécie Carica papya L. é o mamoeiro mais cultivado em todo mundo, tendo sido descoberto pelos espanhóis no Panamá. É uma planta herbácea, tipicamente tropical, cujo centro de origem é, provavelmente, o noroeste da América do Sul, vertente oriental dos Andes, ou mais precisamente, a bacia Amazônica Superior, onde sua diversidade genética é máxima.
            Sua distribuição estende-se a 32° da latitude norte e sul, recebendo inúmeras denominações em distintas regiões, sendo que no Brasil é mamão (o fruto) e mamoeiro (a planta).
            O mamoeiro é uma das fruteiras mais comuns em quase todos os países da América tropical, amplamente conhecido no Oriente já no início do século XVIII, sendo agora largamente cultivado na Índia, Sirilanka, Arquipélago Malaio e em muitos outros países asiáticos, nos países da América do Sul, América Central e Antilhas, bem como na África tropical, Havaí e Austrália. É usado para abastecer os mercados locais e de exportação de fruta fresca e também como fonte importante de papaína, enzima proteolítica de ação semelhante à da pepsina e tripsina, empregada para os mais variados usos nas indústrias têxteis, farmacêutica, de alimentos e de cosméticos.
            Das folhas, dos frutos e das sementes do mamoeiro é extraído, também um alcalóide denominado carpaína, utilizado como ativador cardíaco. Além disso, o mamão é boa fonte de cálcio e excelente fonte de pró-vitamina A e de ácido ascórbico (vitamina C), sendo que este último aumenta com a maturação do fruto.
            Como características principais do mamoeiro destacam-se a grande densidade de plantas por hectare, seu rápido desenvolvimento, sua fácil propagação e alta produtividade durante todo o ano. Entretanto, é importante ressaltar que, apesar das vantagens inerentes ao cultivo, foi somente a partir de 1.973, com a introdução do mamão Havaí, Papya ou mamão-da-amazônia, que a cultura se expandiu no Brasil. Essa variedade do grupo Solo teve rápida aceitação pelos consumidores, e, por apresentar características que se adaptam melhor às exigências do mercado internacional, abriu novo e importante mercado externo para o Brasil. Atualmente, há uma tendência de crescimento das exportações brasileiras de mamão, o que deverá assegurar a estabilidade e a maior rentabilidade da cultura.
        2 ASPECTOS SOCIO-ECONÔMICOS
 
            Originário da América Tropical, a cultura do mamão se disseminou por várias regiões do mundo, tendo em 1998 uma área colhida de 299.005 hectares para uma produção mundial de 5.082.653 toneladas.
 
Principais produtores mundiais:
 
a) Por continentes:
Continente Americano - 53,71% da produção mundial = 2.729.977 t/ano,
Ásia                       - 25,31% da produção mundial = 1.286.335 t/ano,
Continente Africano - 20,62% da produção mundial = 1.047.949 t/ano,
 
b) Por países:
* Brasil – 33,45% = 1.700.000 t (1998),
Nigéria – 14,78 %,
México – 9,80 %,
Índia – 8,85 %,
Indonésia – 6,61%,
Maiores exportadores:
Brasil, México, Malásia e Estados Unidos.
 
Maiores produtores nacionais:
a) Por estado:
    Bahia – 60,66% da produção nacional,
    Espírito Santo – 22,66% da produção nacional,
b) Por região:
    Nordeste – 65,41% da produção nacional em 1996,
    Sudeste – 24,79% da produção nacional em 1996,
 
            No período de 1988 a 1998, o mamão teve uma participação e US$ 2 milhões  na balança comercial brasileira, tendo conseguido, em 1998, o montante de 9,453 milhões de dólares, sendo a quinta fruta em valor exportado, atrás da manga, do melão, da laranja e da banana.
            Obs. 99% da produção é absorvida no mercado interno sendo a Alemanha, os Países Baixos (Holanda, Bélgica e Luxemburgo ), o Reino Unido, Portugal, França, Espanha, Suíça, Estados Unidos e Canadá, países que se destacam como importadores em potencial.
            Por ser uma cultura que necessita de renovação dos pomares de 3 em 3 anos, no máximo, e que produz o ano inteiro, é de grande relevância a sua importância social, pois gera empregos e absorve mão-de-obra durante todo o ano.
        3 ASPECTOS BOTÂNICOS E FISIOLÓGICOS
         3.1 Botânica
 
Nome científico: Carica papaya L.,
Gênero: Carica (21 espécies),
Gênero: Jacaratia (6 espécies),
Gênero: Cylicomorpha (Duas espécies),
Gênero: Horovitizia (1 espécie),
         3.1.2 Caule
           
            Cilíndrico, com 10 a 30 cm de diâmetro, herbáceo, fistuloso, ereto, de coloração verde-clara no ápice e verde acinzentada na base, encimado por uma coroa de folhas, dispostas de forma espiralada.
         3.1.3 Folhas
 
            Grandes, com 20cm a 60cm, glabras, com longos pecíolos fistulosos, verde-pálido, vermelho-vinosos, geralmente de 50cm a 70cm de comprimento.
         3.1.4 Flores
 
            Podem ser divididas basicamente em três tipos bem definidos: flor pistilada ou feminina típica, flor hermafrodita e flor estaminada ou masculina típica.
 
         3.1.5 Flor pistilada ou feminina
 
            Grande, formada por pedúnculos curtos nas axilas das folhas, com freqüência individual, mas também presentes em pequenos agrupamentos de duas a três flores. As flores não têm estames e o formato do fruto varia de esférico até oblongo ou piriforme, geralmente, apresentando uma cavidade com mais da metade do seu diâmetro.
         3.1.6 Flor hermafrodita
 
            Não constitui um tipo único e definido, mas um grupo que inclui muitas formas (petandra, intermediária e alongada).  Apenas a elongata dá origem a frutos de valor comercial, sendo este de forma alongada, mas variações de piriforme.
         3.1.7 Flor masculina
 
             Distribuídas em pedúnculos longos, originados nas axilas das folhas localizadas na parte superior do mamoeiro. Caracterizada pela ausência de estigma e pelo tubo da corola estreito e muito longo. Obs. Não produzem frutos.  A inflorescência masculina consiste de panículas longas, pendentes e multifloras.
            Obs. Os mamoeiros machos produzem flores masculinas durante o ano todo, porém, elas podem ser femininas férteis em determinadas épocas, produzindo de algumas a muitas flores hermafroditas geralmente alongadas, que se desenvolvem em frutos. Originam, assim, os chamados mamões-de-cabo, mamões-de-corda ou mamões-machos.
         3.1.8 Fruto
 
            É uma baga de forma variável de acordo com o tipo de flor, podendo ser arredondado, oblongo, elongata, cilíndrico e piriforme. A casca é fina e lisa, de coloração amarelo-clara a alaranjada, protegendo uma polpa com 2,5cm 5cm de espessura e de coloração que pode variar de amarela a avermelhada. O fruto pode atingir até 50cm de comprimento e pesar desde algumas gramas até 10 quilos. As sementes são pequenas, redondas, rugosas e recobertas por uma camada mucilaginosa, apresentando coloração diferente para cada variedade.
            Obs. No Brasil, como na maioria dos países produtores de mamão, tem-se dado preferência pelo plantio de populações com plantas femininas e hermafroditas, com eliminação das plantas femininas por ocasião do início do florescimento e o conseqüente aproveitamento das plantas hermafroditas que produzem frutos de forma alongada, piriforme ou oval, preferidos pelos mercados interno e externo.
            As principais características de fruto exigidas pelo mercado externo são:
 
- peso entre 350g e 550g;
- formato piriforme;
- casca lisa, sem manchas externas;
- frutos firmes, com polpa espessa, sem protuberâncias e cavidade central redonda e pequena;
- polpa de coloração vermelho-alaranjada e coloração amarelada (mercado norte-americano);
- resistente a longos períodos de armazenamento;
- alto teor de açúcares e ausência de odor desagradável ou almiscarado.
         3.2 Fisiologia
         3.2.1 radiação
 
            Com relação à assimilação líquida de CO2 segue o padrão para a maioria das plantas C3, sendo considerado uma planta heliófila. Adapta-se muito bem às condições de luminosidade inferiores ao ponto de saturação luminosa ( 1000 mmol.m-2.s-1).
            Quando cultivado sob regime de sombreamento, o mamoeiro apresenta redução do tamanho da planta, da área foliar, da densidade de estômatos, do peso específico e espessura das folhas e aumento da quantidade de clorofila da folha.
         3.2.2 temperatura
 
            Sendo uma planta tropical, dá preferência às altas temperaturas, possuindo como faixa ótima para o seu crescimento entre 22ºC e 26ºC. Temperatura acima de 30ºC diminui a produtividade e a 40ºC a produtividade cai 50%.  Frutos desenvolvidos sob baixa temperatura são insípidos e o período de seu desenvolvimento tende a aumentar. Temperaturas de OºC causam permanentes danos ao mamoeiro e a geada pode causar a morte da planta.
         3.2.3 Estress hídrico
 
            O déficit hídrico provoca a redução do porte da planta, o abortamento e a clorose das folhas mais velhas. Obs. Alguns estudiosos recomendam que sob déficit hídrico, as folhas mais velhas podem ser removidas para evitar a perda de água.
            O mamoeiro não possui nenhuma resistência à inundação que causa a falta de oxigênio no sistema radicular, provocando a interrupção da absorção de água. Sob inundação as plantas ficam comprometidas a partir do 2º dia quando já começam a aparecer plantas mortas. Mesmo após a correção de problemas de inundação, a recuperação é muito lenta e pode ser agravada por doenças do solo.
            O mamoeiro também é bastante sensível à salinidade da água, aparecendo redução no porte das plantas, peso seco das folhas etc.
        4 CULTIVARES
 
            As cultivares de mamoeiros mais exploradas nos Brasil são classificadas em dois grupos, conforme o tipo de fruto: Solo (ex.: Sunrise Solo e Improved Sunrise Solo Line 72/12) e Formosa (ex.: Tainung nº1),
            Grupo Formosa: suas variedades são adequadas somente para comercialização no mercado interno.
            Grupo Solo: possui a maioria das cultivares utilizadas no mundo; apresenta no Brasil um domínio quase que absoluto de duas cultivares: Sunrise Solo e Improved Sunrise Solo Line 72/12.
         4.1 Sunrise Solo
 
            Cultivar procedente do Havaí (EUA), mais conhecida como mamão Havaí, Papaya ou Amazônia. O fruto proveniente de flor feminina é ovalado e o de flor hermafrodita é piriforme, com peso médio de 500 g possui casca lisa e firme polpa vermelho-alaranjada de boa qualidade e cavidade interna estrelada. Começa a floração com três a quatro meses de idade, 70cm a 80cm de altura e sua produção tem início nove a dez meses após o plantio, produzindo em média 45 t/ha/ano. É resultado do cruzamento do mamão Pink Solo com a linhagem Kariya Solo de polpa amarela, em 1961.
         4.2 Improved Sunrise Solo Line 72/12
 
            Cultivar também procedente do Havaí é comumente conhecida como mamão Havaí e amplamente disseminada nas regiões produtoras do Espírito Santo. O fruto proveniente de flor feminina é ovalada e o de flor hermafrodita, piriforme, com casca lisa, firme, e peso médio de 500g, de grande aceitação nos mercados interno e externo. A cavidade interna é pequena e de formato estrelado; a polpa é espessa e de coloração vermelho-alaranjada, de boa qualidade, mais resistente ao transporte e ao armazenamento que o Sunrise Solo.O início da produção ocorre a partir do oitavo mês após o plantio, quando a altura de inserção das primeiras flores atinge de 60cm a 70cm. A produtividade média está em torno de 40t/ha/ano. As sementes das cultivares Sunrise Solo e Improved Sunrise Solo Line 72/12 podem ser obtidas no país, em produtores idôneos, registrados no Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Por serem linhagens puras, estas cultivares também podem ser obtidas diretamente na propriedade rural, sem perdas de suas características, desde que observados alguns princípios básicos de coleta de sementes.
5 EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS
 
5.1 Clima
 
            A temperatura média ideal está em torno de 25ºC, com boa distribuição e quantidade de chuvas, ou com irrigação. A umidade relativa do ar entre 60%e 85% é a mais favorável ao desenvolvimento. A altitude  mais indicada é de até 200 m acima do nível do mar.
            Os ventos muito fortes podem provocar o fendilhamento e a queda das folhas, reduzindo a área foliar da planta e, conseqüentemente, a capacidade fotossintética, além de expor os frutos ao sol, sujeitando-os a queimaduras. Podem provocar a queda de flores e de frutos, principalmente, das plantas em fase de produção. Obs. O uso, ou construção de quebra-ventos é recomendado.
         5.2 Solo
 
            Características desejáveis: boa permeabilidade, com textura média ou areno-argiloso, com pH variando de 5,5 a 6,7. Evitar solos muito argilosos, pouco profundos ou localizados em baixadas.
            As plantas cultivadas em solos com problemas de encharcamento apresentam-se estioladas, com desprendimento prematuro das folhas inferiores, amarelecimento das folhas mais jovens, troncos finos e altos, desenvolvimento atrasado, produções reduzidas e maior incidência da doença podridão-do-colo-do mamoeiro, causada por fungos do gênero Phytophthora.
            A presença de camadas adensadas, coesas ou compactadas, na superfície ou subsuperfície, limitam o crescimento de raízes, diminuindo o volume de solo a ser explorado pelas plantas e, conseqüentemente, restringindo o acesso aos nutrientes e à água das camadas abaixo da limitante, agravando as deficiências hídricas nos períodos de estiagem.
6 PREPARO E CONSERVAÇÃODO SOLO PREPARO DO SOLO
         6.1 Amostragem do solo para análise química
 
- dividir a área em glebas homogêneas (máximo – 10 ha),
- amostrar 15 a 20 pontos ao acaso, cobrindo toda a área,
- misturar bem as amostras e separar mais ou menos 500g para enviar ao laboratório,
- coletar duas amostras separadamente, a 20 centímetros e de 20 a 40cm.
         6.2 Cuidados no preparo do solo
 
- Alternar o tipo de implemento empregado e a profundidade de trabalho,
- Revolver o solo o mínimo possível,
- Trabalhar o solo em condições adequadas de umidade, solo friável,
- Conservar o máximo de resíduos vegetais sobre a superfície do terreno.
         6.3 Operações de preparo do solo
 
- Fazer a limpeza da área, por máquinas, com a derrubada ou roçagem do mato, destoca, encoivaramento e queimada das coivaras. Obs. Remover o mínimo possível a camada superficial do solo. Obs. Fazer o controle de formigas e grilos;
- Em solos com horizontes adensados/compactos, realizar a subsolagem a 50cm de profundidade;
- Fazer uma aração – no mínimo 20 cm de profundidade;
- Fazer uma ou duas gradagens cruzadas;
- Coveamento – manual ou com brocas. Obs. O solo deve estar úmido e desfazer o espelhamento das paredes da cova;
- Plantio.
         6.4 Conservação do solo
           
            Escolher áreas planas ou com declividades de até 10%, para facilitar as operações de proteção contra a erosão tais como: preparo e plantio em contorno; operações de controle do mato nas entrelinhas do pomar, em contorno; ceifa da vegetação em vez de capinas; capinas alternando-se as entrelinhas; uso de herbicidas.
            Em áreas com declividade maior que 10% usar: cordões em contorno vegetados; culturas em faixas; terraços e canais escoadouros.
        7 PROPAGAÇÃO DO POMAR
 
            O mamoeiro pode ser propagado por meio de sementes, estaquia e enxertia, contudo, para as nossas condições, as sementes são mais utilizadas. Sementes do grupo Solo podem ser produzidas pelo próprio produtor, enquanto as do grupo Formosa, como o Tainung nº1 (híbrido), devem ser adquiridas de firmas produtoras.
           
 
 
 
7.1 Produção de sementes
 
            Para a retirada das sementes, os frutos devem ser colhido maduros, quando as sementes se encontram no mais alto vigor, e cortados, superficialmente, com uma faca não muito afiada, para não danificá-las. Com o auxílio de uma colher, as sementes são retiradas e lavadas sobre uma peneira em água corrente. Podem ser utilizados, também, equipamentos existentes no mercado, para retirar a mucilagem que as envolve. Na seqüência, deve-se formar uma camada fina de sementes sobre folhas de jornal ou pano, que absorve o excesso de umidade, deixando-se secar à sombra. Após dois ou três dias, as sementes já podem ser plantadas ou então tratadas com fungicidas e conservadas em sacos plásticos na parte baixa da geladeira doméstica (6ºC a 8ºC).
         7.2 Produção de mudas
 
         7.2.1 Recipiente e substrato
 
            A semeadura, normalmente, é feita em recipiente plástico, mas ainda se usa a germinação em leiras ou canteiros com posterior repicagem para os recipientes de formação das mudas que podem ser os canteiros móveis (bandejas de isopor ou tubetes) e os sacos plásticos, destacando-se o de polietileno, com dimensões de 7,0 x l8,5 x 0,006cm ou 15 x 25 x 0,006 cm, correspondentes à largura, à altura e à espessura, respectivamente.
            Substrato: solo, areia e esterco de curral curtido na proporção de 3:1:1 ou 2:1:1
            O substrato deve ser fumigado para minimizar o aparecimento de doenças na fase de germinação e desenvolvimento inicial das mudas. Para o tratamento podemos usar: brometo de metila ou dazomet (30 a 60 g/m2  de canteiro ou 150 a 300 g/m3 de substrato) ou solarização (exposição ao sol).
            Na impossibilidade de fazer o tratamento do substrato, deve-se usar solo proveniente de área não cultivada anteriormente com mamoeiro, reduzindo-se, assim, a possibilidade de transmitir patógenos.
            Em tubete podemos usar a mistura de diversos tipos de resídios orgânicos como turfa, esterco, casca de árvores, vermicomposto e vermiculita ou adquirí-la de empresas do ramo. Obs. Como se trata de recipiente pequeno, a complementação mineral é necessária.
         7.2.2 Construção do viveiro
 
            O viveiro deve ser instalado em local de fácil acesso, em terreno de boa drenagem, plano ou levemente ondulado, distante de outros plantios de mamoeiro ou de estradas e próximo a fontes de água para prover o sistema de irrigação.
            Os viveiros podem ser a céu aberto, com cobertura alta (aproximadamente 2m) ou com cobertura baixa (aproximadamente 80 cm do solo) que é mais econômico e protege apenas os canteiros (figura 9). A cobertura deverá permitir que as mudas recebam 60% de luz solar e posteriormente ser raleada a medida que as mudas se aproximem da época do plantio, para adaptá-las à luz solar.
            As leiras ou canteiro devem ter de 1,00 a 1,20 m de largura e comprimento variável. Entre elas deixar um corredor de 0,50 a 0,60 m para deslocamento do viveirista. Nos canteiros manter 10 cm entre as linhas para evitar o estiolamento das mudas.
 
         7.2.3 Semeadura
 
            Cultivares do grupo Solo: colocar duas a três sementes por saco e cobrir com 1 cm de terra fina e peneirada.
            Produzir um excedente de 15% de mudas em relação ao plantio previsto, para compensar falhas na germinação, perdas no viveiro e replantio no campo.
            Necessidade de sementes:
            * 01 ha - 1.666 plantas - 130g de semente -            duas sementes/saquinho.
            * 01 ha - 1.666 plantas - 300g de semente -            três sementes/saquinho.
         7.3 Práticas culturais
 
         7.3.1 Desbaste no viveiro, irrigação seleção de mudas
 
            A germinação ocorre entre 10 e 20 dias após a semeadura. Efetuar o desbaste quando as mudinhas apresentarem 3 a 5 cm de altura, deixando apenas a muda mais vigorosa em cada saquinho, podendo-se aproveitar as mudas desbastadas, colocando-as nos saquinhos onde houve falhas na germinação.
            Em viveiros cobertos, as irrigações devem ser diárias, sem excesso. Nos viveiros descobertos, irrigar no mínimo, duas vezes por dia. Usar sistemas de irrigação de baixo impacto com irrigadores de crivos finos ou microaspersão. 
            Entre 20 a 30 dias após a germinação das sementes, iniciar a seleção das mudas para o plantio deixando apenas as mais vigorosas, livres de pragas e doenças, e com altura de 15 a 20 cm.
         7.3.2 Espaçamento
 
            Pode variar em função do tipo de solo, do sistema de cultivo, do clima, da cultivar e dos tratos culturais a serem utilizados.
            Sistema de fileiras simples: 3 a 4 m entre linhas e 1,80 a 2,50 m entre plantas dentro das linhas.
            Sistema de fileiras duplas: 3,60 a 4,00 m entre duas fileiras e 1,80 a 2,50 m entre plantas dentro das fileiras.
            A definição do espaçamento dependerá da cultivar a ser plantada e do maquinário que será utilizado na sua exploração.
            Se o terreno for declivoso, marcar as linhas de plantio obedecendo as curvas de nível e, quando plano, marcar as linhas no sentido de maior comprimento do terreno para facilitar os trabalhos das máquinas agrícolas.
        8 FORMAÇÃO DO POMAR
 
            O mamoeiro pode ser plantado em qualquer época do ano desde que exista sistema de irrigação. Sem irrigação, levar as mudas para campo no início das chuvas e plantar em dias nublados ou chuvosos.
            A produção tem início cerca de dez meses após o plantio das mudas no campo.
            Podem ser usados dois tipos de plantios comerciais: cova e sulco.
            Covas: de 30 x 30 x 30 cm.
            Sulcos: usado nos grandes plantios comerciais; feito a uma profundidade de 30 a 40 cm. Obs. Esse método, em larga escala, é mais eficiente e minimiza os custos operacionais.
            Para os mamoeiros do grupo Solo, plantam-se no campo três mudas por cova, provenientes cada uma de recipientes individuais e dispostas a uma distância aproximadamente de 20 cm uma das outras. Para mamoeiros do grupo Formosa, planta-se apenas uma muda por cova em função do elevado custo das sementes importadas. No campo, as mudas devem ser retiradas dos recipientes com o torrão, colocadas na cova ou sulco, com o colo da planta ao nível do solo. Em seguida, aproxima-se terra às mudas, comprimindo-as com cuidado.
         8.1 Culturas intercalares
 
            Para o consórcio devemos considerar vários pontos, tais como: identificação de culturas apropriadas, espaçamentos compatíveis, ciclo das culturas e sistema de manejo das culturas associadas.
            Exemplo de consórcios possíveis, mamão com: milho, arroz, feijão, batata-doce, amendoim, leguminosas para a adubação verde etc. Deve-se evitar consórcio com curcubitáceas (abóbora, melancia, melão, e pepino), pois são plantas hospedeiras de pulgões que podem transmitir o vírus da mancha anelar ao mamoeiro.
        9 CALAGEM, EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS E ADUBAÇÃO
 
         9.1 Calagem
 
            Havendo indicação de calagem, deve-se usar de preferência o calcário dolomítico e distribuí-lo dois a três meses antes do plantio do mamoeiro, incorporando-o ao solo. Sendo possível, metade da dose recomendada pode ser aplicada antes da aração e a outra metade antes da gradagem, para melhorar incorporação.
            Deve ser evitada a calagem excessiva, para que não ocorra deficiência de micronutrientes, problema freqüente na cultura do mamoeiro.
         9.2 Exigências nutricionais
 
            O mamoeiro é uma planta de crescimento, florescimento e frutificação constantes e, por conseguinte, é constante a demanda por nutrientes.
            Apesar da elevada demanda por nutrientes, o mamoeiro apresenta um sistema radicular com pouca ramificação de raízes e não muito profundo o que é naturalmente um fator que pode gerar deficiências nutricionais. Entretanto, o mamoeiro está entre a maioria das plantas que formam associações simbióticas mutualísticas com fungos micorrizicos arbusculares do solo, resultando na estrutura denominada de micorriza.        
            O mamoeiro está entre as espécies de maior requerimento nutricional e, por conseguinte, entre aquelas que mais se beneficiam naturalmente da associação com os fungos micorrízicos.
            A ocorrência da associação micorrízica está intimamente relacionada com a disponibilidade de fósforo no solo, seja em condições naturais ou por meio da adubação.
            Como os fungos estão disseminados em praticamente todos os solos, é importante ter condições de disponibilidade de nutrientes, particularmente o fósforo, que favoreçam o crescimento da planta e que permitam a ocorrência da associação, em taxas elevadas, para beneficiar a planta como um recurso natural do solo.
 
         9.2.1 Importância dos nutrientes na planta
 
            Nitrogênio (N): É responsável pelo crescimento vegetativo. Sua exigência é constante e crescente em todo o ciclo da planta, principalmente nos seis primeiros meses de vida.
            Sintomas de deficiência: Amarelecimento precoce das folhas maduras, folhas novas com pecíolo e limbo menos desenvolvidos, e o tronco se mostra com internódios curtos.
           
            Fósforo (P): Muito importante na fase inicial do desenvolvimento radicular. Contribui para a fixação dos frutos na planta.
            Sintomas de deficiência: As margens das folhas novas apresentam um mosqueado amarelo, envolvendo apenas alguns lóbulos, cujas extremidade se enrolam para baixo e necrosam .
 
            Potássio (K): É o nutriente requerido em maior quantidade, sendo exigido de forma constante e crescente. Importante principalmente a partir do estádio de florescimento.
            Sintomas de deficiência: As plantas apresentam uma redução drástica do número de folhas e frutos, menor diâmetro do tronco e folhas com pecíolo inclinado para baixo e de cor amarelo-esverdeada, com leve necrose das margens.
 
            Cálcio (Ca): Contribui para o crescimento e multiplicação das raízes da planta.
            Sintomas de deficiência: ocorre o colapso do pecíolo, queda prematura de folhas e exsudação de látex, similar à deficiência de boro.
 
            Magnésio (Mg): Faz parte da molécula de clorofila e auxilia na absorção e translocação de fósforo.
            Sintomas de deficiência: as folhas novas mostram pequenas áreas cloróticas internerváis, com aspecto de rendilhamento e bordos curvados para cima, enquanto as folhas velhas apresentam uma cor amarelo-intensa e as nervuras permanecem verdes claras.
 
            Enxofre (S): Participa da composição química da papaína (enzima proteolítica).
Sintomas de deficiência: folhas mais novas com coloração levemente amarelada.
 
            Boro (B): é o mais importante para a cultura do mamoeiro, afetando diretamente a qualidade e produção de frutos.
            Sintomas de deficiência: frutos com aspecto encaroçado e malformado (figura 14), com exudação de látex pela casca, ocorrendo um maior abortamento de flores em períodos de estiagem. A produção de frutos ocorre de forma alternada no tronco e o sistema vascular pode ou não ficar escurecido.
         9.2.2 Avaliação do estado nutricional do mamoeiro
 
            Amostragem de folhas
 
            Para a coleta das folhas, quando se pretende fazer um acompanhamento do estado nutricional da plantação, deve-se proceder da seguinte forma:
1.         coletar somente folhas sadias, num total de 12, para formar uma amostra;
2.         as folhas amostradas devem provir de uma mesma cultivar,  de planta com a mesma idade e que representem a média da plantação;
3.         devem-se retirar apenas as folhas que apresentarem em sua axila uma flor prestes a abrir ou recentemente aberta;
4.         áreas com plantas cloróticas, solo, cultivares e idades diferentes devem ser amostradas separadamente;
5.         colocar as folhas num saco de papel comum, encaminhando-as para os laboratórios de análise o mais rápido possível;
6.         se não chegarem ao laboratório antes de dois dias, as amostras deverão ser lavadas e secas ao sol, dentro dos próprios sacos, até se tornarem quebradiças;
7.      identificar a amostra para que possa ser relacionada posteriormente com a área amostrada.
         9.3 Adubação
         9.3.1 Adubação de recipientes
 
Quantidade de adubo por m3 (1000 L) de substrato.
- 540 a 720g de P2O5 (preferencialmente na forma de superfosfato simples);
- 200 a 300 l de esterco de curral;
- 10 a 15 kg de calcário dolomítico.
         9.3.2 Adubação foliar das mudas no viveiro
 
-solução a 0,1% de uréia, caso as folhas velhas estejam amareladas;
-solução a 0,5% de uréia, quando o amarelecimento é generalizado e as mudas apresentarem quatro a seis pares de folhas.
 
         9.3.3 Adubação de plantio e de cobertura
 
a)            Macronutrientes: Diversos estados produtores contam com recomendações de adubação, baseadas nas análises químicas do solo. As peculiaridades de cada região produtora, mesmo dentro de um mesmo estado, podem determinar a necessidade de ajustes nas recomendações constantes dessas tabelas, de modo a adequá-las aos diferentes sistemas produtivos. (tabela 6)
 
b)            Micronutrientes: devem ser aplicados na cova de 50g a 100g de FTE Br-8, FTE Br-9, baseando-se sempre na concentração de boro do produto (de 1g a 2,5g de B/cova). Quando não for feita a aplicação na cova e/ ou as plantas apresentarem sintomas de deficiência, seguir o seguinte esquema:
 
c)         Boro – solução de ácido bórico a 0,25% (H3BO3 17,5% de B), feita preventivamente por ano. Corretivamente, aplicar 1,13 g de B no solo (6,5 g de ácido bórico/planta) na projeção da copa, acompanhada de pulverizações foliares com solução de ácido bórico a 0,25%, de dois em dois meses, até o desaparecimento dos sintomas nos frutos novos.
 
d)         Zinco – solução de sulfato de zinco a 0,5% (ZnSO47H2O, 21% de Zn).
         9.3.4 Época de aplicação e localização dos adubos
 
            As adubações de cobertura devem ser efetuadas em intervalos freqüentes, mensalmente, ou de dois em dois meses, ou de acordo com o regime de chuvas da região. Os adubos devem ser colocado em círculo, na projeção da copa do mamoeiro, usando-se fertilizantes, preferencialmente solúveis. É importante colocar (P) e adubo orgânico na cova para estimular o desenvolvimento radicular e o bom pegamento da muda. Do primeiro ao sexto mês, a planta precisa principalmente de (N), e do sétimo em diante, os maiores requerimentos são em (N) e (K).
         9.3.5 Adubação orgânica
 
            Os solos tropicais são normalmente pouco férteis e pobres em matéria orgânica. O mamoeiro responde bem à adubação orgânica que traz como vantagens a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Recomenda-se usar: tortas vegetais (mamona, cacau, etc.), estercos (bovino e de galinha), compostos diversos e outros. Obs. Os adubos orgânicos mal decompostos (não curtidos) devem ser aplicados na cova com uma antecedência de 60 dias. Observar a procedência de esterco, evitando-se os de propriedades rurais que utilizem herbicidas hormonais, como Tordon e TOGAR, que provocam fitotoxidez ao mamoeiro.
         9.3.6 Adubação verde
 
            Contribui para a melhoria geral das condições do solo e mediante a associação com bactérias do gênero Rhizobium, suprem parte das necessidades nutricionais da planta em relação a esse nutriente. Em consorciação, só se deve plantar uma leguminosa depois que o mamoeiro estiver estabelecido, no mínimo 60 dias após o transplantio das mudas. Não utilizar aquelas com hábito de crescimento agressivo exemplo (mucuna, feijão-bravo-do-ceará, kudzu tropical).
            Como as leguminosas competem por água com o mamoeiro, em plantios não irrigados só plantar leguminosas de ciclo curto e na época das chuvas.
        10 TRATOS CULTURAIS
10.1 Desbaste de plantas
 
            O desbaste de plantas só é feito em mamoeiros do grupo Solo quando se plantam três mudas por cova. O tipo de flor que o mamoeiro apresenta influi no formato e nas características dos frutos. A identificação do sexo das plantas para o desbaste é feita no início da floração, que ocorre três a quatro meses após o plantio.
            O desbaste é feito quando as plantas começam a florescer.
            Deixar apenas uma planta por cova, preferencialmente a hermafrodita, pois o mercado externo e interno exigem frutos de formato piriforme. Para os mamoeiros do grupo Formosa, a operação de desbaste não é necessária, pois o mercado absorve tanto frutos  provenientes de plantas hermafroditas como femininas, bem como o plantio ser efetuado com apenas uma planta por cova.
         10.2 Desbrota
 
            O mamoeiro pode emitir brotações laterais ao longo da haste principal, que devem ser eliminadas 30 dias após o transplantio, com repetição da prática sempre que necessária, evitando, assim, redução no crescimento das plantas, concorrência por nutrientes e água, além de focos para moléstias e pragas, especialmente o ácaro-branco.
         10.3 Desbaste de frutos e erradicação de plantas
Recomenda-se o desbaste de frutos a partir do início da frutificação, visando a eliminação dos defeituosos e de pequeno tamanho, que são fatores limitantes na comercialização. Esse desbaste deve ser periódico, pelo menos uma vez por mês, com os frutos ainda pequenos e verdes.
            Deixar um a dois frutos por axila, retirando-se os defeituosos, os de tamanho reduzido  e aqueles com pedúnculos muito curtos, que dificultam a sua acomodação entre os outros frutos, podendo causar deformações.
            A erradicação de plantas atacadas por viroses e por outras doenças, cujo controle ainda não seja conhecido, deve ser feita sistematicamente.
         10.4 Controle de plantas daninhas
 
            Pode ser feito por capinas manuais ou mecanizadas, com grades ou roçadeiras; só se recomenda o uso de grades até os seis primeiros meses após plantio. Qualquer que seja o método empregado devem-se evitar lavras profundas para não danificar o sistema radicular do mamoeiro, que é superficial.
            Outra opção é a capina química, pela aplicação de herbicidas. No período de estresse hídrico, devem-se usar herbicidas pós-emergentes na linha de plantio e grade/herbicida e/ou roçadeira nas ruas. No período das águas, pode-se manter a vegetação natural roçada ou plantar leguminosas.
        11 IRRIGAÇÃO E FERTIRRIGAÇÃO
 
            A irrigação leva à obtenção de plantas mais vigorosas, com maiores e melhores frutos, maior cobertura das folhas e aumento de produtividade: 60 a 90 t/ha em áreas irrigadas, contra 40 a 60 t/ha em áreas não irrigadas de mamoeiros da variedade Sunrise Solo.
         11.1 Métodos de irrigação
 
            Os métodos pressurizados são os mais empregados. Dentre eles, a aspersão convencional pode ser encontrada funcionando tanto com aspersores de média pressão como com aspersores de baixa pressão sob copa, no caso espaçados de 12m x 12m, com pressão de 200 kPa a 350 kPa e vazão de 0,6m3/h a 0,9m3/h. Nesse caso, espera-se uma uniformidade de distribuição de água inferior a 80% devido ao bloqueio do jato pelos troncos e pelas folhas.
            O pivô central tem sido usado em algumas regiões produtoras. Os mais comuns são dimensionados para áreas de aproximadamente 53 ha, com vazão variando entre 150mm/h a 300mm/h.
            O autopropelido também tem sido adotado em plantios de mamoeiro com uma faixa de vazão de 30m3/h a 200m3/h, irrigando normalmente, uma faixa de 100m x 400m a uma taxa de aplicação de 5 a 35mm/h.
            O método de aspersão, considerando principalmente sistemas de alta pressão, contribui para o aumento de queda de flores, causada pelo impacto do jato com as plantas, e propicia condições microclimáticas favoráveis ao aparecimento de doenças e pragas.
            A microaspersão é preferida para essa cultura, sendo que várias propriedades têm substituído a aspersão nos últimos anos por esse método de microirrigação. O sistema funciona com baixa pressão (100 kPa a 300 kPa) e vazão por microaspersão entre 20l/h a 175l/h. A disposição dos microaspersores é, normalmente, de um para duas ou quatro plantas, sendo esperada uma uniformidade de distribuição de água acima de 85%.
            O gotejamento, também vem sendo muito adotado, que funciona na faixa de pressão de 50 a 250 kPa com vazões  mais comuns entre 1l/h e 8l/h. Recomenda-se o uso de dois gotejadores de vazão próxima ou igual a 4l/h para cada planta, instalados 0,3 a 0,5 m do pé da planta. O sistema de gotejamento pode ser superficial ou enterrado. Quando enterrado recomenda-se o uso de gotejadores de fluxo turbulento e vazão próxima a 2 l/h, enterrados 0,25 a 0,30m de profundidade.
11.2 Necessidades hídricas
 
O consumo anual de água pela cultura oscila entre 1.200 a 3.125mm, sendo que precipitações de 1.000 a 3.000mm bem distribuídas são suficientes para o bom desenvolvimento da cultura.
O déficit hídrico do solo afeta sensivelmente o mamoeiro, independentemente do estádio da cultura. No período de desenvolvimento vegetativo, entre a 7ª e 11ª semana após o plantio, a planta pode tornar-se ainda mais sensível ao déficit hídrico, causando atraso no seu desenvolvimento pela redução da taxa de crescimento do caule e das folhas, com conseqüente redução no diâmetro do caule e da copa. Além disso, sob estresse hídrico, durante a floração pode haver queda de flores ou estímulo à produção de flores estéreis. Como sintoma decorrente do déficit hídrico pode ocorrer a mancha-fisiológica, que acarreta clorose ou amarelecimento das folhas mais velhas, seguida de queda, o que expõe os frutos aos raio solares, resultando na queima da sua superfície, causando prejuízos comerciais.
            O mamoeiro reduz, significativamente, suas atividades fisiológicas a partir de 24 horas sob condições de encharcamento, sendo que a continuidade dessas condições por dois a quatro dias pode ser suficiente para a morte das plantas. Os sintomas característicos de deficiência de aeração pelo mamoeiro encontram-se principalmente, na abscisão de folhas velhas e na clorose das folhas remanescentes.
         11.3 Quando e quanto irrigar
 
            A definição da quantidade de água a ser aplicada ao mamoeiro dependerá do manejo de irrigação que está sendo conduzido na área. A irrigação deve ser feita quando LE (lâmina de água extraída na zona radicular) for igual ou superior a LME (lâmina máxima que pode ser extraída da zona radicular), sendo a quantidade de água a ser aplicada, exatamente igual ao valor de LE dividido pela eficiência do sistema de irrigação. No caso da irrigação localizada, o intervalo entre irrigações é, comumente, fixado entre 1 e 2 dias.
         11.4 Fertirrigação
 
            A aplicação de fertilizantes via água de irrigação consiste no uso racional dos fertilizantes na agricultura irrigada, uma vez que aumenta a eficiência de seu uso, reduz a mão-de-obra e o custo de energia do sistema de irrigação.
            A aplicação de fertilizantes por meio da água de irrigação deve obedecer aos seguintes critérios:
- uniformidade de distribuição do sistema em pelo menos 95%;
- os nutrientes devem ser completamente solúveis;
- não deve haver reação entre os nutrientes formando precipitados na solução;
- os nutrientes devem ser compatíveis com os sais existentes na água de irrigação.
 
Dentre as vantagens de adoção da fertirrigação podem ser citados:
- o atendimento das necessidades nutricionais da cultura de acordo com a sua curva de absorção;
- aplicação dos nutrientes restrita ao volume molhado onde se encontra a região de atividade das raízes;
- as quantidades e concentrações dos nutrientes podem ser adaptadas à necessidade da planta em função de seu estádio fenológico e condições climáticas;
- o dossel é mantido seco, reduzindo a incidência de patógenos e queima das folhas; economia da mão de obra;
- redução de atividades de pessoas ou máquinas na área da cultura, evitando compactação e favorecendo as condições físicas do solo.
 
 A fertirrigação também apresenta desvantagens, tais como:
- necessidade de prevenir retorno do fluxo de solução à fonte de água;
- possibilidades de entupimentos;
- possibilidades de contaminação do manancial subsuperficial ou subterrâneo.
11.5 Manejo da fertirrigação
 
O método de irrigação mais adequado para a fertirrigação é o gotejamento, que limita a aplicação de água somente à zona radicular da planta.
O pH da solução deve ser mantido entre 5 e 6,5  sendo que, acima de 7,5, pode ocorrer precipitação de carbonatos de Ca e Mg causando entupimentos nas linhas. Deve-se usar uréia ou nitrato de amônia, não sendo aconselhado o emprego do sulfato de amônia.
            Em princípio, sugere-se aplicar, em cobertura, nos primeiros seis meses após o plantio, 60% do nitrogênio total e 40% do potássio total necessários no primeiro ano. A freqüência de aplicação desses nutrientes pode ser, no início, de 15 dias, fazendo os ajustes conforme o desempenho da cultura. O fósforo tem sido aplicado 100% sob a forma sólida, sendo parte durante o plantio e o restante parcelado em cobertura. Pode, contudo, ser aplicado por meio da água de irrigação na forma de fosfato monoamônico ou acido fosfórico, sendo que seu parcelamento deve diferir em relação ao nitrogênio e ao potássio, pela sua baixa mobilidade no perfil do solo.
        12 DOENÇAS E SEU CONTROLE
         12.1 Estiolamento de sementeiras, tombamento ou damping-off
 
            Agente causal: um complexo de fungos de solo tais como Rhizoctonia, Phytophthora Pythium e Fusarium que podem atuar juntos ou separados.
            Condições favoráveis: o tombamento acontece principalmente em época quente e úmida, sendo muito intenso quando elas estão amontoadas na sementeira. O aparecimento da doença também é favorecido em solos com grande capacidade de retenção de umidade, com má aeração, altos teores de nitrogênio disponível no solo, semeadura profunda e locais pouco ensolarados.
            Sintomatologia: encharcamento dos tecidos na região do colo da planta, seguido de constrição da área afetada e o apodrecimento das raízes, com conseqüente tombamento e morte das plântulas. (figura 17)
            Medidas de controle:
- A sementeira deve ser feita em local ensolarado, com espaçamento pouco denso, mais ou menos 2cm entre sementes (no momento oportuno, desbastar cerca de 10cm ou 15cm entre plantas) e 30cm entre fileiras, em solo permeável e utilizado pela primeira vez para essa cultura, longe de plantações que possam transmitir doenças comuns.
- O solo contaminado deve ser tratado antes do estabelecimento da sementeira, e o tratamento deve ser feito por: a) fumigação com brometo de metila na dosagem de 42g do produto por m2, em faixa de 1m de largura; b) esterilização do solo a 82º C, por duas horas. Obs. Os fungos e micorrizas benéficos devem ser reinoculados no substrato de formação das mudas.
- tratar as sementes com Captan, na dosagem de 450g/100 kg de sementes.
- A irrigação deve ser moderada, e com água livre de contaminação.
- No aparecimento dos primeiros sintomas, aplicar com intervalo de uma semana, regando no solo – produtos à base de Chlorotalonil, na dosagem de 400 g/100 l de água ou Metalaxil, na dosagem de 600 g/100 l de água.
         12.2 Podridões de phytophthora
 
            Essas podridões de raízes, do caule e dos frutos ocasionam enormes perdas e ocorrem em todas as regiões cultivadas com mamoeiro. Duas espécies de Phytophthora são citadas como causadoras de podridões em mamão: P. palmivora Butler e P. parasitica Dastur. Nas sementeiras, a doença chama-se “tombamento” ou damping-off.
            A podridão-do-pé, podridão-do-colo ou gomose do mamoeiro é muito comum em solos argilosos, mal drenados, e se desenvolve rapidamente em períodos de alta umidade e calor.
            Sintomatologia: A doença aparece com mais freqüência no colo das plantas, onde podem ser vistas manchas aquosas, que posteriormente coalescem, apodrecem e envolvem todo o caule (figura 18). Em estádios mais avançados, os tecidos mais tenros são decompostos, aparecendo os tecidos fibrosos, que exudam goma. A circulação da seiva é interrompida e aparece uma série de outros sintomas, como: amarelecimento de folhas, queda prematura de frutos, murcha-do-topo, tombamento e morte da planta.
            Medidas de controle
1.         Evitar plantios em solos muito argilosos, nas regiões com alta pluviosidade e em áreas que foram sucessivamente plantadas com mamoeiros.
2.         Utilizar solos virgens para encher a cova ou sulco de plantio, ou seja, solos removidos de campos que nunca foram ocupados com a cultura do mamoeiro.
3.      Erradicar as plantas sem condições de recuperação.
4.      Pulverizar as plantas com Fostil-Al na dosagem de 250g/100l de água, em três aplicações anuais. Observar o período de carência de 30 dias.
5.         Efetuar tratamento cirúrgico das lesões, caracterizado pela raspagem das áreas afetadas e aplicação de pasta cúprica a 5%.
6.         Aplicar nas lesões dos frutos, preventivamente, produtos à base de cobre, como sulfato de cobre tribásico ou Mancozeb.
         12.3 Antracnose
 
            Esta é uma doença causada pelo fungo Colletrotichum gloeosporioiedes Penz, que pode atacar os frutos em qualquer estádio de desenvolvimento, porém ocorre com maior intensidade nos frutos maduros. É considerada a principal doença dos frutos do mamoeiro no Havaí, no Brasil e em muitos outros países.
                  Os frutos atacados pela antracnose tornam-se imprestáveis para a comercialização e o consumo. Ainda que frutos colhidos não apresentem sintomas da doença, ela se manifesta na fase de embalagem, transporte, amadurecimento e comercialização, causando grande percentagem de perdas.
                  O fungo sobrevive de um ano para outro nas lesões velhas da cultura, principalmente nas folhas. Os ferimentos causados nos frutos, por insetos ou por via mecânica, favorecem a penetração do fungo.
                  Sintomatologia: Os frutos jovens, quando atacados, cessam o seu desenvolvimento, mumificam e caem. Com o aumento da precipitação e da umidade relativa, aparecem na casca dos frutos pequenos pontos pretos, que aumentam de tamanho, formando manchas deprimidas, que podem medir até 5 cm de diâmetro (figura 19). Em torno das manchas, forma-se um halo de tecido aquoso, com coloração diferente da parte central.
            Quando em grande quantidade, as manchas podem coalescer. Espalham-se, então, pela superfície do fruto, penetram e aprofundam-se na polpa, ocasionando a podridão-mole. A frutificação do fungo concentra-se na parte central da lesão, que toma um aspecto gelatinoso de coloração rósea.
            Medidas de controle: Nos plantios onde houver uma fonte de inóculo muito grande, os frutos atacados devem ser retirados das plantas e enterrados. A colheita deve ser feita com os frutos ainda em estado verdoengo, e devem ser desinfetados os galpões de armazenamento e os vasilhames de transporte e embalagens.
            O controle da antracnose deve ser realizado de forma preventiva com pulverizações quinzenais, utilizando produtos à base de cobre, benzimidazol mais chlorotalonil ou mancozeb.
         12.4 Pinta-Preta ou Varíola
 
            A varíola é a doença mais comum do mamoeiro e ocorre tanto em pomares comerciais como em pomares domésticos. O agente etiológico é o fungo Asperisporium carecae (Speg) Maubl.
            Ainda que não ocasione sérios prejuízos como outras podridões, pelo fato de as manchas se limitarem à superfície dos frutos, o grande número de lesões causa mau aspecto e resulta em grande desvalorização comercial.
            Sintomatologia: A pinta preta é uma infecção que se inicia nas folhas inferiores da planta, mas algumas vezes pode começar nas folhas novas e nos frutos. Na parte inferior das folhas, o fungo desenvolve frutificações pulverulentas, circulares e levemente angulosas. As manchas têm coloração cinza clara no centro, cercadas por linhas concêntricas, de margens marrom-escuras ou pretas. Na face superior das folhas, ocorrem pequenas manchas de forma arredondada, de cor pardo-clara, cercadas por um halo amarelo.
            Controle: Apesar do fungo ser de fácil controle com a utilização de fungicidas, é necessário que se apliquem produtos na época certa. Monitorar o pomar localizando as lesões que ocorrem nas folhas mais velhas, as quais devem ser retiradas e destruídas no local, não devendo ser arrastadas pelo pomar, evitando-se a dispersão de esporos.
         12.5 Oídio
 
            O agente causal é o Oidium caricae Noack.  É uma doença que tem ocorrência generalizada, especialmente em viveiros muito sombreados e nos meses mais frios do ano.
            Sintomatologia: As folhas mais velhas são muito sensíveis e, quando afetadas, mostram manchas de coloração mais clara (verde-amarelada), tendo contornos irregulares. Essas áreas descoloridas juntam-se, coalescem e apresentam-se recobertas na sua superfície inferior por uma massa pulverulenta branca (massa de esporos) formada pela frutificação do fungo em seu crescimento. Quando o ataque é intenso, as folhas caem, deixando os frutos descobertos e sujeitos a queimaduras provocadas pelos raios solares.
            Medidas preventivas e controle: Como a doença se mostra pouco importante em plantas adultas, somente em casos de alta incidência, recomenda-se a aplicação de produtos químicos, principalmente à base de enxofre, tendo-se o cuidado de aplicá-los com temperaturas abaixo de 21ºC, senão pode ocorrer queima nos frutos.
 
         12.6 Outras doenças fúngicas
 
            Os fungos Fofa carecae papya e Lasiodiplodia theobroma El. & Ev. provocam a podridão terminal do caule do mamoeiro, bem como as podridões do pedúnculo e dos frutos durante o período de armazenamento e maturação. O fungo Colletotrichum glesporioides afeta o mamoeiro causando, além da antracnose e da podridão-peduncular, a doença denominada mancha-chocolate.Os fungos Ascochyta caricae e Collettotrichum gloesporioides, ao produzirem enzimas que degradam a parede celular, também causam a podridão peduncular de frutos. Também merece destaque a podridão-interna do mamão, causada por um complexo fúngico (Cladosporium sp., Fusarium sp., Alternaria sp., Corynespora sp. E Phoma sp.).
            Sintomatologia: Ataque de Phoma sp.,: o ataque desse fungo é caracterizado por uma margem estreita e firme, seguida por um tecido negro e quebradiço, local onde os picnídios estão separados e embebidos no tecido. Sobre as lesões mais velhas aparece um micélio esponjoso acinzentado. No fruto a podridão aparece na forma de pequenas pregas na superfície dos frutos e lesões com margens translúcidas marrons.
           
            Ataque de Lasiodiplodia: ocorre podridão terminal do caule e podridões na superfície dos frutos. Ao atingir o fruto, o fungo provoca uma margem larga, mole e úmida com uma maior descoloração interna de cor preto-zulada. Inicialmente surge uma mancha aquosa em torno do pedúnculo, que progride ao longo da extremidade do caule; uma faixa dura se desenvolve entre os tecidos afetados e os sadios, surgindo uma lesão semelhante à causada pela antracnose, recoberta por uma massa de esporos de cor róseo.
            Mancha-chocolate: caracterizada por manchas marrom-escuras nos frutos, cuja incidência é favorecida por períodos de elevada umidade.
            Podridão interna dos frutos: Internamente os frutos apresentam podridão carpelar, atingindo as sementes e os tecidos adjacentes a elas, os quais se apresentam cobertos por micélios e conídios dos fungos.
            Medidas de controle: O controle das podridões externas é realizado no campo, com a aplicação de fungicidas à base de cobre ou carbamatos, ao mesmo tempo que se controla a antracnose. Tratamentos pós-colheita dos frutos, antes da embalagem, também podem ser realizados. Para a podridão-interna dos frutos, o tratamento deve ser preventivo, iniciando-se na época da floração.
        13 VIROSES
         13.1 Mancha anelar do mamoeiro
 
            No Brasil esta virose é conhecida como o mosaico do mamoeiro, sendo causada pelo vírus da mancha anelar do mamoeiro (papaya ringspot virus, PRSV). O mosaico ocorre em todas as regiões nas quais o mamoeiro é cultivado.
            Sintomas: O PRSV produz o amarelecimento das folhas mais novas do terço superior da copa, claramento das nervuras e também mosaico intenso nas folhas (com áreas amareladas e outras esverdeadas). As folhas podem ficar deformadas, e, muitas vezes, a lâmina foliar praticamente desaparece, ficando reduzida à nervura central (fio-de-sapato). Nos frutos aparecem manchas redondas que formam anéis. O pecíolo foliar apresenta estrias oleosas ou de aparência aquosa, estendendo-se até o caule. Os sintomas foliares podem ser confundidos com os causados pelo ataque de ácaros. Dependendo da estirpe de vírus presente, pode ocorrer a morte das plantas infectadas.
            As perdas de produção são variáveis, alcançando até 72%. O mosaico também provoca perdas qualitativas, por reduzir o grau Brix dos frutos produzidos em plantas infectadas e por depreciar o seu valor comercial, uma vez que eles apresentam anéis necróticos na casca.
         13.2 Amarelo letal do mamoeiro solo
           
            Causada pelo virus (papaya lethal yellowing, PLYV) que já foi relatado em Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, ocorrendo nos pomares afetados com uma incidência que variou de 25% a 90%.
            Sintomas: Em mamoeiro Solo, provoca o amarelecimento das folhas do terço superior da planta e retorcimento do ponteiro. Com o passar do tempo as folhas murcham e morrem, causando a morte da planta. Nos pecíolos ocorrem depressões longitudinais e as nervuras apresentam lesões necróticas na face inferior. Os frutos podem apresentar manchas circulares verde-claras que amarelecem com o passar do tempo, sendo que a polpa fica empedrada e com maturação retardada.
         13.3 Meleira
           
            A meleira é, atualmente, a doença mais grave para a cultura do mamoeiro, causado porssivelmente pelo virus dsRNA.
            Sintomas: Os sintomas da meleira caracteriza pela exsudação de látex mais fluido dos frutos afetados. O látex exsudado escurece devido à oxidação, dando um aspecto melado ao fruto do qual deriva o nome da doença.
            Medidas de controle para as viroses: O controle de viroses é feito de modo preventivo, uma vez que não há forma barata e simples de curar uma planta infectada com um vírus. No caso das viroses do mamoeiro, recomenda-se uma série de medidas, como:
- utilizar sementes obtidas de plantas sadias para a formação de mudas;
- utilizar mudas sadias na implantação do pomar;
- estabelecer os viveiros distantes de plantios de mamoeiros e instalar pomares novos distantes de outros que apresentem a doença;
- treinar pessoal para reconhecimento das plantas com sintomas de viroses, no início da ocorrência e duas vezes por semana, vistoriar o plantio, eliminando as plantas com sintomas de viroses;
- manter o pomar limpo de mato, eliminando assim abrigos para a formação de colônias de insetos vetores;
- mergulhar, periodicamente, em desinfetante ou hipoclorito de sódio, os instrumentos de corte utilizados nos tratos culturais e colheita;
- destruir plantações velhas de mamoeiros, assim como plantas isoladas;
- antes de instalar o viveiro, eliminar das imediações hortaliças (abóbora, pepino, melancia e solanáceas), que permitem a criação e o abrigo de insetos;
- produção das mudas ou até o cultivo de mamoeiro em telados a prova de insetos;
- a cultivar Cariflora possui tolerância ao mosaico do mamoeiro.
        14 PRAGAS E SEU CONTROLE
         14.1 Pragas primarias
 
         14.1.1 Ácaro branco
 
            O ácaro branco, Polyphagotarsonemus latus (Banks), também conhecido como ácaro-tropical, ácaro da rasgadura ou ácaro da queda do chapéu do mamoeiro, é bastante diminuto, praticamente invisível a olho nu. As fêmeas medem cerca de 0,2mm de comprimento e sua coloração varia de branca a amarelada brilhante. O macho menor do que a fêmea apresenta uma cor hialina e brilhante.
            Quando atacam as folhas, esses ácaros provocam fortes alterações, ou seja, perda da cor verde natural no início do ataque, tornando-se cloróticas, depois coriáceas e, por fim, o limbo se rasga. À medida que o ataque torna-se mais intenso, as folhas novas ficam reduzidas quase que somente às nervuras, o que propicia uma paralisação no crescimento (perda do ponteiro ou queda do chapéu do mamoeiro), podendo ocasionar a morte da planta. Os ácaros ocorrem durante todo o ano, principalmente nos períodos mais quentes e de umidade relativa mais elevada.
            Como medida de controle, deve-se realizar o desbaste das brotações laterais bem como aplicar acaricidas nos ponteiros e nas brotações laterais. Recomenda-se, ainda aplicar produtos como o enxofre, pó-molhável, evitando-se as horas mais quentes do dia e as misturas com óleos emulsionáveis ou produtos cúpricos.
         14.1.2 Ácaros Tetraniquídeos
 
            O ácaro-rajado, Tetranychus urticae Koch, o ácaro vermelho, T. desertorum Banks, e o ácaro mexicano T, mexicanus (Mc Gregor) possuem a capacidade de tecer delicadas teias sob as folhas das quais se alimentam, razão pela qual são também conhecidos como ácaros-de-teia, característica comum a muitos tetraniquídeos.
            Controle: O seu controle é realizado eliminando-se as folhas velhas e aplicando-se acaricidas, sempre direcionando os jatos para a superfície inferior das folhas. O monitoramento deve ser rigoroso e realizado periodicamente de modo que facilite a rápida identificação de focos iniciais de infestação desses ácaros.
 
            14.1.3 Cigarrinha-Verde Empoasca sp.
 
            As cigarrinhas são insetos pequenos, sugadores de seiva, cujas formas jovens (ninfas) apresentam coloração amarelo-esverdeada. Os adultos, verde-acinzentados, possuem um formato triangular e 3m a 4mm de comprimento. A movimentação lateral é a característica mais marcante desse inseto. A sucção contínua leva ao aparecimento de manchas amareladas, semelhantes a sintomas de deficiência de magnésio. Sob ataque intenso, as folhas tornam-se encarquilhadas, adquirindo uma coloração amarelada nos bordos. Posteriormente, ocorre o secamento e queda prematura, afetando o desenvolvimento da planta.
            Controle: Aplicar Trichlorphon, somente quando houver ataque.
14.2 Pragas secundárias
         14.2.1 Pulgões (Aphis sp.; Toxoptera citricidus e Myzus persicae)
 
            Conhecidos também como afídeos, esses insetos são pequenos (2,0mm de comprimento) e possuem formas ápteras e aladas, mais ou menos piriformes, com antenas bem desenvolvidas e com aparelho bucal tipo sulgador. Esses afídeos podem causar sérios danos à essa cultura pois são vetores de viroses, como o vírus da mancha anelar, grave doença dessa cultura.
            Para evitar o avanço dessa doença na área, devem-se erradicar os mamoeiros infectados e eliminar, dos pomares e imediações, as plantas hospedeiras dos pulgões, bem como as curcubitáceas, hospedeiras do vírus da mancha anelar.
 
         14.2.2 Coleobroca
 
            Também conhecido como broca-do-mamoeiro, o Pseudopiazurus papayanus (Marshall) já foi encontrado em alguns estados e regiões do Nordeste como Pernambuco e Recôncavo Baiano; e em uma propriedade do extremo Sul da Bahia, em baixa infestação.
            Os adultos são pequenos besouros “bicudos”, de cor marrom-acinzentada, medindo, aproximadamente, 10 mm de comprimento. À noite, perfuram a casca do tronco do mamoeiro e fazem a postura. Dos ovos eclodem larvas brancas e desprovidas de pernas que, quando completamente desenvolvidas, medem cerca de 15mm de comprimento. Elas se alimentam da porção cortical do caule, formando galerias, normalmente próximas à superfície.
            Os sintomas de seu ataque são fáceis de serem observados, já que dos locais das perfurações escorre uma exsudação escura que identifica a planta atacada. Em altas infestações a planta chega a sucumbir.
            Controle: efetuar inspeções a cada 15 dias nos mamoeiros, para localizar as larvas e destruí-las mecanicamente. Em seguida, aplicar inseticida que tenha ação de contato ou profundidade, pincelando ou pulverizando o caule, desde o colo até a inserção das folhas mais velhas. Plantios velhos e plantas drasticamente infestadas devem ser arrancados e queimados.
         14.2.3 Mosca-Das-Frutas
           
            A mosca-das-frutas C. capitata (Wied.) é conhecida também como mosca-do-mediterrâneo. O adulto possui 4 a 5mm de comprimento x 10 a 12 mm de envergadura, com tórax preto, desenhos simétricos brancos, e o abdômen amarelado com duas listras transversais acinzentadas. As asas são transparentes, levemente rosadas com listras amarelas, sombreadas.
            A larva da mosca se alimenta da polpa do mamão, tornando flácida a região atacada do fruto. Em regiões onde ocorre a mosca-das-frutas no mamão, a cultura deve ser instalada longe de cafezais, realizando-se a colheita dos frutos no início da maturação e evitando-se a presença de frutos maduros nas plantas e de frutos refugados no interior do pomar. Deve-se evitar a todo custo, a presença de lavouras abandonadas nas proximidades e, sempre que possível, efetuar o monitoramento periódico desse inseto com uso de frascos caça-moscas. Usar como isca atrativa, rapadura a 7,5% ou suco de mamão a 30%, adicionando-se 2ml de triclorfom 50% por litro de solução.
         14.2.4 Formigas Cortadeiras
 
            As formigas cortadeiras (Atta spp. E Acromyrmex spp) podem trazer sérios prejuízos ao produtor de mamão, com os maiores danos ocorrendo logo após o plantio, quando as mudas, ainda tenras, ficam suscetíveis aos seus ataques. O controle deve ser efetuado anteriormente ao plantio, usando-se iscas granuladas, formicidas em pó ou líquidos termonebulizáveis.
         14.2.5 Mandarová ou Gervão
 
            A mariposa Errinnyis ello (L.) é uma das principais pragas da mandioca. Entretanto, ela pode, ocasionalmente, trazer sérios prejuízos ao produtor de mamão, sobretudo quando os cultivos encontram-se próximos de plantios de mandioca.
            As lagartas atacam de preferência, as folhas e brotações mais novas, porém as mais velhas podem ser atacadas posteriormente. Quando ocorrem infestações intensas, a planta pode apresentar desfolhamento total, acarretando queima dos frutos pelo sol e um atraso no desenvolvimento da planta.
            Controle: Essa praga pode ser controlada por meio de um inseticida biológico, à base de Bacillus thuringiensis, que deve ser aplicado quando as lagartas ainda são jovens, pois nessa fase o produto é mais eficiente. Em ataques isolados (focos), recomenda-se a catação manual e a destruição das lagartas. Deve-se utilizar o controle químico somente se houver uma infestação intensa e generalizada.
     Lagarta-Rosca
 
            A lagarta rosca Agrotis ipsilon (Hufnagel) pode atacar as plântulas no viveiro, seccionando-as rente ao colo. Possui hábito noturno e, durante o dia, abriga-se, enrolando-se, sob o solo. Assim que for observada a presença da lagarta na planta, deve-se efetuar o seu controle, da mesma forma que para o mandarová, com Bacillus thuringiensis.
 Cochonilha
 
            A cochonilha Morganella longispina (Morgan) pode ser encontrada em grandes colônias no caule do mamoeiro, sugando a seiva. Possui uma escama de coloração negra, circular, acentuadamente convexa, com uma aba voltada para cima, Mede de 1mm a 1,5mm de diâmetro. Quando observado a sua presença, deve-se raspar o caule, para deixá-la exposta e, então, pulverizá-la com óleos emulsionáveis a 0,1% - 0,2%.
    Percevejo-Verde
 
            As formas jovens do percevejo-verde Nezara viridula (L), são escuras com manchas vermelhas e os adultos (13mm a 17mm de comprimento) são verdes, e às vezes escuros, com a face ventral verde-clara. As ninfas e os adultos sugam a seiva das folhas do mamoeiro e, principalmente, dos frutos, acarretando prejuízos devido às manchas que aparecem no local da picada.
  NEMATÓIDES E SEU CONTROLE
 
            Os nematóides das galhas (Meloidogyne spp.) e os nematóides reniformes (Rotylenchulus spp.) são os mais comuns em cultivos de mamão em todo o mundo, sendo relatadas 2.814 e l.883 espécies, respectivamente, associadas a rizosfera do mamoeiro.
         Nematóide Reniforme
 
            Nas raízes parasitadas por R. reniformis pode ser observada, com auxílio de  uma lupa manual (10 vezes), a presença de solo aderido que permanece preso ao córtex, conferindo um aspecto sujo às raízes. Entretanto, após cuidadosa lavagem, verifica-se que aqueles grãozinhos correspondem às massas de ovos aderidas ao corpo das fêmeas de R. reniformes.
 Nematóide das Galhas
 
            A presença deste nematóide pode ser observada e diferenciada do nematóide reniforme, devido à formação de nodulações, intumescimentos ou engrossamento nas raízes, formando estruturas denominadas de galhas. Muitas vezes, as galhas podem coalescer e formar verdadeiras bolas, presas às raízes.  
            Sintomatologia e danos: Os sintomas causados pelo nematóide das galhas e nematóide reniforme podem ser facilmente confundidos com deficiências de nutrientes, estresse hídrico, ou falta de aeração do solo, doenças relacionadas com a destruição das raízes absorventes. Algumas vezes, nas horas mais quentes do dia, em períodos de intensa transpiração, as plantas podem apresentar uma murcha. Podem ocorrer clorose foliar, deformações no sistema radicular e, em estádio mais avançado, diminuição no tamanho das plantas e na produção de frutos.
            O nematóide-das-galhas causa severos danos ao mamoeiro, reduzindo a vida útil da planta. Quando a infecção é severa, o sistema radicular apodrece facilmente e as plantas não absorvem adequadamente água e nutrientes.
            Disseminação: Os fitonematóides não possuem órgãos para locomoção. Porém, a ampla gama de hospedeiros, incluindo plantas cultivadas e plantas invasoras, pode facilitar sua dispersão. Têm sido largamente disseminados nas áreas de plantio, por meio de mudas contaminadas e da água de irrigação.
 
            Controle: Recomenda-se o plantio de mudas sadias, em áreas livres de nematóides ou em áreas onde há rotação de culturas com plantas antagônicas ou não susceptíveis. Deve-se evitar o plantio em áreas onde há histórico desses fitonematóides, ou onde ocorre o plantio contínuo de culturas com suspeita da ocorrência de nematóides. Durante a formação do pomar, áreas com altas infestações devem ser aradas para trazer à superfície restos de raízes infectadas. Deixar o solo exposto ao sol, efetuando o revolvimento periódico, poderá dessecar as raízes, dificultando o desenvolvimento dos fitonematóides. Essa prática, associada à eliminação de plantas invasoras hospedeiras por período de, no mínimo, seis meses e o plantio de mudas sadias, podem reduzir sensivelmente a população de nematóides.
            A medida de controle mais eficaz seria o uso de variedades resitentes. Até o momento não se estabeleceu, de forma prática, um método de controle econômico e eficaz para fitonematóides.
            O desenvolvimento de plantas de mamão transgênicas resistentes a vírus e fungos, a partir de técnicas de engenharia genética e biologia molecular, surge como opção para o controle baseado na resistência da planta a esses microrganismos. Poderia, também, ser uma alternativa no caso dos principais fitonematóides da cultura, entretanto, não seria de aplicação imediata, pois estudos sobre a aplicabilidade, economicidade e sua utilização em larga escala são exigidos.
 
 
            COLHEITA E PÓS-COLHEITA
         Colheita
            O fruto do mamoeiro apresenta padrão respiratório climatérico, significando que o processo de maturação continua após a colheita. No entanto, o fruto pode não amadurecer normalmente se colhido muito imaturo. O mamão completa a maturação na planta quatro a seis meses após a abertura da flor, conforme a cultivar e as condições climáticas. Entretanto, os frutos devem ser colhidos antes da sua total maturação. Para comercialização e consumo local, devem-se colher os frutos quando apresentarem estrias ou faixas com 50% de coloração amarela. Frutos destinados à exportação ou armazenagem por períodos longos devem ser colhidos no estádio entremaduro (de vez), caracterizado pela mudança de cor verde-escura da casca para verde-clara, amadurecimento das sementes, que tornam-se negras, e pelo início de coloração rósea da polpa.
            O mamão é colhido manualmente, destacando-se os frutos por meio de torção até a ruptura do pedúnculo. Para plantas de porte alto utiliza-se o canguru ou a vara de colheita. O canguru é um equipamento ligado ao hidráulico do trator, que eleva o operário até a copa do mamoeiro para efetuar a colheita manualmente. A vara de colheita, que pode ser de bambu ou de madeira flexível, tem na sua extremidade um copo de borracha semelhante a um desentupidor de pia. O copo é encaixado no ápice do fruto, o qual é pressionado contra o pedúnculo até sua completa ruptura. Ao cair, o fruto deve ser apanhado com a mão livre do operário, para evitar o seu choque violento contra o solo.
            A colheita por torção, muitas vezes, causa a ruptura dos tecidos do fruto em torno da região de inserção do pedúnculo, aumentando a superfície exposta a infecção por fungos causadores de podridão. A colheita com a faca minimiza esse problema, pois permite deixar uma parte do pedúnculo aderido ao fruto.
       Pós-Colheita
Tratamento fitossanitário
 
            O mamão possui uma casca muito fina, facilmente danificável, e pequenas lesões durante o manuseio são portas de entrada para microrganismos. Portanto, é necessário efetuar tratamento dos frutos após a colheita. O tratamento, visando à prevenção de infecções fúngicas e da mosca-das-frutas, dependerá das restrições do mercado-destino com relação ao uso de agrotóxicos.
            A mosca das frutas é eficientemente controlada pela submersão dos frutos em água a 47ºC por 20 minutos, seguindo-se resfriamento rápido em água fria e fumigação com dibrometo de etileno na dosagem de 8,0 g/m3/2 horas. Esse mesmo tratamento térmico também tem efeito sobre a antracnose e alternária sendo mais eficiente quando se adiciona um fungicida à água, como Thiabendazol na dosagem de 4g/l a 8g/l ou Benomil 1g/l ou tiofanato metílico 1g/l. Esses fungicidas só devem ser usados quando os frutos forem consumidos 15 dias após o tratamento.
Classificação e embalagem
 
            Os frutos de mamão são classificados pelo tamanho em pequenos, médios e grandes, em galpões com refrigeração ou com boa circulação de ar, e etiquetados quando o produtor desejar divulgar sua marca no mercado. Para este fim, utilizam-se etiquetas autocolantes com nome e endereço do produtor.
            Após seleção, enceramento e etiquetagem, os frutos são revestidos com papel de seda parafinado e acondicionados nas caixas em posição vertical ou ligeiramente inclinados. Para evitar abrasões e choques nos frutos, colocam-se fitas de madeira ou de papel entre os frutos, no fundo da caixa e sob a tampa.
            O mercado externo atualmente vem demandando o uso de embalagens recicláveis, de madeira ou papelão. No último caso, deve-se preferir o papelão ondulado e, quando possível, encerado. Em ambos os casos, as paredes devem ter furos para facilitar a ventilação e evitar o acúmulo de gás carbônico e etileno, liberados pelos frutos.
            No mercado interno, a caixa de madeira é a mais usada. Para o mamão Havaí utilizam-se caixas com dimensões internas de 36,5cm x 29,5cm x 15,0cm (comprimento x largura x altura) e peso bruto de 7,5 kg. Para o mamão Formosa são utilizadas caixas duplas, com dimensões internas de 48,0cm x 38,0cm x 29,0cm, com peso bruto de 38 kg – 40 kg e líquido de 30 kg – 32kg. Ambas são construídas com tábuas de 1,5cm de espessura.
            Para a exportação do mamão Havaí, utilizam-se caixas de papelão ondulado em peça única (36,0cm x 24,5cm x 15,0cm) ou do tipo tampa e fundo (35,6cm x 26,7cm x 13,0cm), com peso bruto aproximado de 7,0kg.
 
            Frigoconservação
 
            A conservação do fruto é feita normalmente em câmaras refrigeradas com umidade relativa do ar mínima de 80%. Pode-se recomendar a faixa de temperatura de 13ºC a 16ºC para frigoconservação do fruto de mamão, por um período de 15 dias.
 
            Maturação controlada
 
            Em algumas situações é conveniente acelerar a maturação dos frutos. Para tanto, aplica-se etileno em câmara de maturação. Trabalhos desenvolvidos pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos – ITAL levaram à recomendação de 1.000 ml/l de etileno para frutos de mamão Solo mantidos a 25ºC e 85% de umidade relativa do ar. Nessa condição, os frutos amadurecem uniformemente nove dias após a aplicação do gás. A aplicação do etileno é feita no dia da colheita e nos dois dias subseqüentes.
       COMERCIALIZAÇÃO
 
            A maior parte da produção brasileira de mamão é destinada ao mercado interno, pois do total produzido no país, cerca de 99% é comercializado internamente. A produção dessa cultura pode ser orientada para o mercado in natura, nas vizinhanças da região produtora e em regiões mais distantes, para a exportação de frutas frescas e para a industrialização.
         Mercado externo
           
            Segundo dados da FAO, o mercado mundial de frutas frescas de mamão movimentou, em 1997, um total de 115 mil toneladas, no valor de 70 milhões de dólares. Do volume transacionado, quatro países – México, Malásia, Brasil e Estados Unidos – foram responsáveis por cerca de 83% do comércio mundial da fruta in natura.
            Apesar do Brasil ser o maior produtor mundial de mamão, sua participação no mercado externo de frutas frescas não é muito expressiva (6,86% do volume de 1997).
            Além das recentes exportações e da potencialidade dos mercados norte-americanos e canadense, o mercado europeu tem-se configurado como o principal bloco importador da fruta brasileira. A União Européia importou cerca de 87,73% do volume exportado pelo Brasil em 1998 – 9.878 toneladas – enquanto que o Nafta importou apenas 9,45%. Países do Mercosul (Argentina e Uruguai) compraram apenas 2,79%.  
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Simpósio Brasileiro sobre a Cultura do Mamoeiro, 2º, Jaboticabal, 25 a 28 janeiro, 1988. FCAV/UNESP, 1988. 428p.
Mamão para exportação: aspectos técnicos da produção/ Arlene Maria Gomes Oliveira (et al.); EMBRAPA-SPI, 1994. 52 p. - (Série Publicações Técnicas FRUPEX; 9).
Mamão para exportação: procedimento de colheita e pós-colheita/ Jean Paul Gayt.(et al.); Brasília: EMBRAPA - SPI, 1995. 38p.-(Série Publicações Técnicas - FRUPEX; 14).
Mamão produção: aspectos técnicos/ Aldo Vilar Trindade, EMBRAPA (Cruz das Almas, BA). Comunicação para Transferência de Tecnologia, 2000. 77p.; Frutas do Brasil; 3).
Mamão, Fitossanidade/ Cecília Helena Silvino Prata Ritzinger, (et al.) (Cruz das Almas - BA). Brasília: EMBRAPA Comunicação para Transferência de Tecnologia, 2000. 91p. il.; (Frutas do Brasil; 11).
Mamão, Pós-colheita/ Marília Ieda da Silva Folegatti; (et al.) (Cruz das Almas-BA) Brasília: EMBRAPA Informação Tecnológica, 2002. 59p.; il. ; (Frutas do Brasil; 21).