IRRIGAÇÃO DA CULTURA DO MARACUJAZEIRO

ROTONDANO, A. K. F.
MELO, B.

 

O  maracujazeiro é  uma  frutífera que responde bem à irrigação. Nas regiões onde é cultivado, o uso da irrigação é indispensável, pois esta pratica aumenta a produtividade, permite a obtenção  de produção de forma continua e uniforme, com frutos de boa qualidade. A falta de umidade no solo provoca a queda das folhas e dos frutos, principalmente no inicio de seu desenvolvimento e, quando se forma, podem crescer com enrugamento, prejudicando a qualidade da produção. O efeito de redução do teor de água no solo, produz no maracujazeiro ramos menores com menor numero de nós e comprimento de internós, refletindo conseqüentemente no numero de botões florais e flores abertas.
            O maracujazeiro adapta-se melhor em regiões com temperaturas médias mensal entre 21 e 32° C, precipitação anual entre 800 e 1.750 mm, baixa umidade relativa, período de brilho solar em torno de 11 horas e ventos moderados.
            A cultura não tolera geada, ventos fortes, frios e longos períodos de temperatura abaixo de 16° C. No período de florescimento e de frutificação, ha necessidade de calor, dias longos e umidade no solo. As baixas temperaturas e dias curtos interrompem a produção, o que define uma safra de sete a dez meses por ano. As chuvas intensas e freqüentes reduzem a polinização e as secas prolongadas provocam a queda dos frutos. Em condições de baixa precipitação, precisa-se de irrigação.
            A tecnologia de produção procura aplicar parâmetros criteriosos na tomada de decisão, para obter uma produção satisfatória e altos rendimentos. Para isso, são necessários conhecimentos adequados sobre o efeito da água nos diferentes estádios de crescimento das culturas, bem como sobre sua relação com o solo e clima, e também sobre as características do equipamento de irrigação recomendado.
            No manejo da irrigação do maracujazeiro considerando o consumo de água da cultura ou evapotranspiração da cultura (ETc) pode-se substituir o valor de Kt e Kc multiplicados por um fator de consumo de água de 0,7, ou seja, aplicou-se a cada quatro dias o volume de água correspondente a 70% da evaporação do tanque Classe A. Pelo método da tensão de água no solo, a tensão na qual se deve iniciar a irrigação é o valor que, na curva característica de água no solo, corresponde a uma umidade relativa ao consumo de 30% da água disponível no solo. Caso não se disponha da curva, recomenda-se, para solo arenoso, que os teores de água devam corresponder a valores de potencial matricial próximo de 6 kPa e para solo de textura média a argilosa, próximo de 20 kPa. O potencial de água no solo para a cultura do maracujá não deve exceder a 20 kPa durante aos períodos críticos de diferenciação de flores e pegamento de frutos.
            Na semeadura do maracujazeiro, 15 a 30 dias após o plantio, em ambiente de viveiro, a irrigação deverá ser feita com freqüência de duas a quatro vezes por dia, conforme as condições climáticas do local até a emergência total. Após esta fase, irriga-se uma a duas vezes ao dia, podendo ser até  em dias alternados, conforme o armazenamento de água, para evitar encharcamento, percolação dos nutrientes ou desenvolvimento vegetativo excessivo.
            O maracujazeiro pode ser irrigado por qualquer método de irrigação, seja por aspersão ou localizada. Não existe um método mais indicado e sim vantagens e desvantagens dos métodos que precisam ser superadas com um manejo adequado. Na irrigação por aspersão o molhamento de toda a parte aérea das plantas associado a temperaturas elevadas, favorece o aparecimento de doenças, requerendo maior controle com aplicações mais freqüentes de defensivos agrícolas. De acordo com a forma como a água é lançada sobre às plantas, os grãos de pólem podem ser lavados pela água de irrigação, uma vez que, na abertura das flores e em contato com a umidade, ocorre um arrebentamento dos grãos. Neste caso, deve-se evitar a irrigação por aspersão nos picos de florescimento, ou, se utilizada, atentar para a realização de irrigações à noite, quando não há flores abertas.