CULTURA
DA GOIABEIRA
Souza, O. P.
Mancin, C.A.
MELO, B.
SUMÁRIO
3 IMPORTÂNCIA ALIMENTAR E SOCIAL
7 Tipos de Recipientes que podem ser utilizados na produção de mudas
10.1.2 Poda de frutificação. 9
10.2 Desbaste e
o Ensacamento dos Frutos
10.3 Cuidados a
serem observados na poda
10.6.2 Adubação de plantio e
pós-plantio
10.7 Manejo de
plantas invasoras
12.1.3 Besouro da Goiabeira -
Besouro Amarelo
12.1.5 Percevejo da Verrugose.
12.1.8 Outras Pragas Secundárias
12.2.4 Seca Bacteriana ou
Bacteriose
13.1.2 Sub-grupo ou cor da casca
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS6
A fruticultura apresenta inúmeras vantagens
econômicas e sociais, como elevação do nível de emprego, fixação do homem no
campo, a melhor distribuição da renda regional, a geração de produtos de alto
valor comercial e importantes receitas e impostos, além de excelentes
expectativas de mercado interno e externo gerando divisas. Entre as novas
alternativas, encontra-se a cultura da goiaba, atividade de alta rentabilidade
e com grande possibilidade de expansão no país.
Originária da América Tropical, a goiabeira
adapta-se a diferentes condições climáticas e de solo, fornecendo frutos que
são aproveitados deste a forma artesanal até a industrial. É cultivada no
Brasil e em outros países sul americanos, bem como nas Antilhas e nas partes
mais quentes dos Estados Unidos, como a Flórida e a Califórnia. O Brasil é um
dos maiores produtores mundiais juntamente com a Índia, Paquistão, México,
Egito e Venezuela.
Irrigando a lavoura e fazendo podas
programadas é possível colher durante todo o ano, permitindo ao produtor a
comercialização dos frutos no período de entressafra. Efetuando-se o devido
controle de pragas e doenças, é possível obter 800 frutos por planta adulta,
com produtividade superior a 40 toneladas por hectare.
Na região
sudeste, destaca-se os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro como
os maiores produtores; Bahia, Pernambuco e Paraíba, na região nordeste; Goiás,
no centro-oeste e Rio Grande do Sul e Paraná na região sul (Quadro 1).
Quadro 1: Produção de goiaba no Brasil por região, em
toneladas, 1988/97.
Fonte: LSPA/SIDRA 97/IBGE,
AGRIANUAL 96. – Revista Pesagro – Rio – Maio 2001
A goiabeira pertence ao gênero Psidium, da
família Mitaceae, que é composta por mais de 70 gêneros e 2.800 espécies, sendo
que 110 a 130 espécies são naturais da América Tropical e Subtropical.
A planta é um arbusto de árvore de pequeno
porte (Koller, 1979), que pode atingir de 3 a 6 metros de altura. As folhas são
opostas, tem formato elíptico-ablongo e caem após a maturação.
As flores são brancas, hermafroditas, eclodem
em botões isolados ou em grupos de dois ou três, sempre nas axilas das folhas e
nas brotações surgidas em ramos maduros.
No que diz respeito à polinização, sabe-se que
a goiabeira apresenta fecundação cruzada, que pode variar entre plantas 25,7 a
41,3 %, considerando-se 35,6 como o índice médio (Soubihe Sobrinho &
Gurgel, 1962). A abelha Apis melífera é
o principal polinizador.
Os frutos da goiabeira são bagas que tem
tamanho, forma e coloração de polpa variável em função da cultivar. A
frutificação começa no segundo ou terceiro ano após o plantio no local
definitivo ou menos dependendo se a cultivar foi oriunda de propagação por
estaquia. A floração ocorre entre 71 e
84 dias após a poda. Os botões florais são formados entre 47 a 70 dias após a
poda. O pegamento dos frutos ocorre, aproximadamente, 90 dias após a poda.
A goiaba é um alimento de grande valor
nutritivo. Possui quantidade razoável de sais minerais, como cálcio e fósforo.
É rica em vitaminas como A, B1 (Tiamina), e B2 (Riboflavina),
B6 (Piridoxina). Em matéria de vitamina C, tem poucos rivais.
Algumas variedades nacionais acusam em média um teor de ácido ascórbico de 80
miligramas por 100 gramas. A goiaba branca e a amarela são mais ricas que a
vermelha. O limão contém cerca de 40 mg por 100g, que corresponde à metade da
concentração da goiaba branca.
O conteúdo de vitamina C vai descendo de fora
para dentro do fruto. Nessas condições, a casca é mais rica do que a polpa
interna.
Graças à descoberta do elevado teor de
vitamina C da goiaba, esta fruta foi, durante a Segunda Guerra Mundial,
utilizada como suplemento na alimentação dos soldados aliados nas regiões
frias. Desidratada e reduzida a pó tinha por finalidade aumentar a resistência
orgânica contra as afecções do aparelho respiratório.
O suco de goiaba, no Brasil, poderá a vir a
ser um substituto do suco de laranja e limão na alimentação não só das
crianças, mas na do adulto, ajudando-os a ter uma alimentação balanceada,
indispensável no equilíbrio da saúde.
Sabendo do valor nutricional da goiaba, faz-se
necessário saber a sua composição química em 100 gramas de fruto (quadro 2,3 e
4).
Quadro 2 – Composição
química da goiaba
|
Composição química |
Quantidade |
|
Calorias |
39,60kcal |
|
Água |
90,11g |
|
Carboidratos |
7,98g |
|
Proteínas |
0,75g |
|
Lipídios |
0,50g |
|
Cinzas |
0,66g |
Fonte: As
frutas na medicina natural
Quadro 3
– Composição química (Vitaminas)
|
Espécie Composição Química |
Goiaba vermelha |
Goiaba amarela |
Goiaba branca |
|
Vitamina A (retinol
equivalente) |
24mcg |
- |
33mcg |
|
Vitamina B1
(Tiamina) |
190,00mcg |
- |
- |
|
Vitamina B2 (Riboflavina) |
154,00mcg |
183,00mcg |
156,00mcg |
|
Vitamina C (Ácido
Ascórbico) |
45,60mg |
80,20mg |
80,10mg |
|
Niacina |
1,20mg |
0,77mg |
- |
Fonte: SAPS
Quadro 4
– Composição Química – Sais Minerais
|
Sais Minerais |
Quantidade |
|
Cálcio |
14,00mg |
|
Fósforo |
30,00mg |
|
Ferro |
0,50mg |
Fonte: SAPS
O produtor que optar pelo
mercado externo deverá dar preferência às variedades que produzam frutos com
polpa branca e para o mercado interno, para consumo in natura ou para fins
industriais, as variedades que produzam frutos de polpa avermelhada (Quadro 5).
Quadro 5
Características das principais variedades de goiaba. Macaé-RJ, 1997.
|
VARIEDADE |
ORIGEM |
CARACTÉRISTICAS
DOS FRUTOS |
VIGOR
DAS ÁRVORES |
||
|
COLORAÇÃO |
TAMANHO |
FORMA |
|||
|
Kumagai |
Campinas-SP |
Branca |
Grande |
Arredondada |
Médio |
|
Ogawa 1 |
Seropédica-RJ |
Branca |
Grande |
Oblonga |
Vigorosa |
|
Ogawa 2 |
Seropédica-RJ |
Vermelha |
Grande |
Oblonga |
Vigorosa |
|
Ogawa 3 |
Seropédica-RJ |
Rosada |
Grande |
Arredondada |
Médio |
|
Paluma |
Jaboticabal-SP |
Vermelha |
Grande |
Piriforme |
Vigorosa |
|
Rica |
Jaboticabal-SP |
Vermelha |
Médio |
Piriforme |
Vigorosa |
|
Pedro Sato |
Nova Iguaçu-RJ |
Vermelha |
Grande |
Oblonga |
Vigorosa |
|
Sassaoca |
Valinhos-SP |
Vermelho |
Grande |
Arredondada |
Bom |
Fonte: PESAGRO-RIO
Apesar de ser nativa de região tropical, a
goiabeira vegeta e produz bem, desde ao nível do mar até à altitude de l.700 m,
sendo, por essa razão, amplamente difundida em várias regiões do país. Segundo
Manica, citado por Pereira & Martínez Júnior (1986), é possível encontrar
pomares comerciais de goiabeira do Rio Grande do Sul ao Nordeste brasileiro.
No Planalto Paulista, onde, de um modo geral,
o inverno é brando e pouco chuvoso e o verão é longo e úmido, a goiabeira,
segundo Pereira & Martínez Júnior (1986), apresenta ótimo desenvolvimento.
Levantamentos realizados por Maia et al. (1988) dão conta da produção de goiaba
de mesa em 94 municípios do Estado de São Paulo, destacando-se os de Campinas e
Valinhos.
Não obstante a adaptabilidade da goiabeira a
uma faixa climática bastante ampla, alguns fatores exercem grande influência
sobre o seu desempenho agronômico.
A
temperatura ideal para a vegetação e produção situa-se entre 25 e 30°, sendo muito
exigente ao fotoperíodo. A temperatura não só limita, mas determina a época de
produção da goiabeira. As goiabeiras sofrem danos em regiões sujeitas a geadas
e ventos fortes.
A quantidade de chuvas por ano não deve ser
inferior a 600mm, sendo que o intervalo ideal é de 1000 a 1600mm anuais, com
boa distribuição ao longo do ano.
Nas regiões onde a estação das secas se
prolonga, torna-se necessário fazer irrigação.
A umidade
relativa do ar, outro fator importante para o cultivo da goiabeira, pode
influir tanto no aspecto fisiológico como nas condições fitossanitárias dos
frutos produzidos.
A faixa de umidade relativa do ar mais favorável ao
cultivo da goiabeira parece situar-se entre 50 e 80%.
É importante assinalar aqui que independentemente
da existência de faixas adequadas de temperatura e umidade, isoladamente
consideradas, é imprescindível que os demais fatores de crescimento sejam
otimizados.
A
goiabeira não tolera geada, causando, as mais rigorosas, queimas de folhas e
ramos. Em plantas podadas, os danos são mais drásticos pela maior exposição dos
ramos internos. Em algumas áreas da região Sudeste sujeitas a geadas o produtor
devera evitar poda drástica entre os meses de junho e julho.
Por ser uma planta dotada de grande rusticidade, a
goiabeira adapta-se aos mais variados tipos de solo. Recomenda-se, porém, que
sejam evitados os solos pesados e mal drenados principalmente nas áreas
irrigadas onde existe o risco de salinização.
Os solos adequados ao cultivo da goiabeira, sobretudo no
caso da instalação de pomares destinados à produção de frutas para consumo in
natura e exportação, são os areno-argilosos profundos, bem drenados, ricos em
matéria orgânica e com pH em torno 5,5 a 6,0. Em solos com pH igual ou superior
a sete normalmente aparecem deficiências de ferro. Deve-se também sempre que
possível preferir o plantio em terrenos protegidos dos ventos frios ou do frio
vindos do sul.
A goiabeira pode ser
propagada através de semente, alporquia (mergulhia), estaquia, enxertia e
cultura de tecido.
Muitos pomares ainda são constituídos por plantas
oriundas de sementes (pé franco), porém, atualmente, não se aconselha essa
forma de propagação, pois o pomar demora a produzir e o vigor das plantas
difere de uma para outra. Mesmo que se tirem as sementes de um único fruto,
colhem-se frutos sem padrão definido (vermelho, branco, pequeno, grande,
redondo, em forma de pêra, etc.).
O plantio por sementes é aconselhável somente
para os porta-enxertos, quando 4 ou 5 sementes são plantadas em sacos de 5
litros contendo substrato de esterco, areia e terra, podendo-se utilizar ou não
calcário e superfosfato.
A goiabeira pode ser propagada por diversos
tipos de borbulhia (T normal; T invertido e em placa ou escudo) e garfagem,
sendo a mais utilizada a borbulhia em placa ou escudo.
Procede-se à enxertia quando o diâmetro do
porta-enxerto (ou cavalo) atingir l cm no local do enxerto, o que ocorre após
11 a 15 meses após o plantio. Uma ou duas semanas antes da enxertia, os ramos
da planta mãe (borbulheira) devem ser podados para que intumesçam as gemas. Com
a ajuda de um vazador de l cm de diâmetro, retira-se a casca do porta-enxerto e
coloca-se no lugar um pedaço da casca da copa com uma borbulha, também retirada
com o mesmo vazador. Enrola-se com fita de enxertia por duas semanas até o
pegamento, quando é retirada a fita e feita a poda apical l cm acima do ponto
de enxertia.
É um processo mais recente, cujas principais vantagens são
o curto período necessário para a formação das mudas e a uniformidade genética
da planta obtida.
A estaquia herbácea é realizada dentro de câmaras de nebulização intermitente. As câmaras de nebulização,
que podem ser instaladas sob estufa, ripado ou
a céu aberto, são compartimentos que dispõe de um conjunto de bicos
nebulizadores cujo volume de água no ambiente é
controlado por uma válvula solenóide sempre aberta. A distribuição da água, cuja função é manter uma fina camada de
umidade sobre a superfície das folhas, é
regulada por um "Timer", que comanda
a válvula solenóide, permitindo que os
intervalos de aproximadamente um a dois
minutos estejam distribuídos no interior da câmara, através dos bicos nebulizadores, jatos de água com duração de
5 a 10 segundos.
As estacas retiradas das partes verdes dos ramos de
crescimento do ano são preparadas com dois nós, mantendo-se o par de folhas
intacto no nó superior, retirando-se as folhas basais. O corte basal na estaca
deve ser realizado logo abaixo do nó e o corte apical deve ser feito l cm acima
do par de folhas. Estacas preparadas com partes lenhosas (amareladas ou
achocolatadas) dos ramos têm enraizamento praticamente nulo.
As estacas herbáceas devem ser esfaqueadas em caixas de madeira "tipo uva", tendo
como substrato a vermiculita fina. Normalmente em uma caixa tipo uva (11 x 40 x
22 cm) são estaqueadas cerca de 24 a 28 estacas.
Quando a estaquia é realizada nos períodos quentes do ano
o enraizamento é normalmente muito satisfatório (aproximadamente 70%). No
inverno esta porcentagem tende a cair de modo significativo, sendo aconselhável
nesta época a utilização de reguladores de crescimento.
O regulador de crescimento que traz melhores resultados é
o IBA (Ácido indolbutirico) que em doses de 200 ppm através de aplicações por imersão da base das estacas por 12 a 14
horas, em ambiente escuro e temperatura
próxima a 23°C, propicia satisfatório acréscimo no enraizamento.
Normalmente o período necessário para o enraizamento
varia em função das condições climáticas, ocorrendo normalmente entre 45 a 65
dias.
Após o enraizamento, as estacas devem ser transplantadas
para sacos plásticos com 2 a 3 litros de volume, tendo como substrato mistura
de terra argilosa, areia e matéria orgânica na proporção de 1:1:1.
Nos sacos plásticos, mantidos sob sombra durante o
primeiro mês, ocorre o início da brotação das duas gemas existentes na
"axila" das folhas.
Procedendo-se a condução de um único broto, aproximadamente 6 meses após a estaquia pode se obter uma muda com haste única de 50 cm de altura, em condições de ser levada ao campo.
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|
Estacas folhadas com enraizamento
Fonte: Cultura da goiabeira-1995. |
Mudas de goiaba enxertada em
viveiro Fonte: FRUPEX. |
Vários são os recipientes utilizados na produção de
mudas de goiaba. Entre estes, podem ser citados: sacos plásticos, tubetes,
citropotes, bandejas plásticas ou de isopor, caixas de madeira ou metal, vasos
plásticos, entre outros. A seguir, serão descritos alguns dos principais
recipientes utilizados na propagação comercial:
São
recipientes que podem apresentar as mais diferentes dimensões, tais como 8 cm
(diâmetro) x 12 cm (altura) e 12 x 20 cm. Normalmente, apresentam coloração preta
ou escura para impedir o desenvolvimento de algas e invasoras dentro do
recipiente e proporcionar melhores condições de desenvolvimento para as raízes.
São perfurados na sua base para a drenagem da água. Apresentam a vantagem de
serem muito versáteis, adaptando-se a uma grande variedade de situações, além
de terem baixo custo de aquisição, serem reutilizáveis e serem de fácil manejo.
Porém, se o plástico for de pouca espessura, facilmente rompem devido ao peso
do substrato ou ao crescimento das raízes e não permitem a sua reutilização por
várias vezes. Além disso, se as perfurações devem estar localizadas próximo à
base da embalagem, caso contrário, não permitem um bom escoamento da água em
excesso, prejudicando o crescimento da muda. É importante atentar-se para a
qualidade do plástico, além do número e posição das perfurações no momento da
aquisição.
São
recipientes de formato cônico, construídos em plástico rígido e de cor escura.
Internamente, apresentam estrias que impedem o enovelamento das raízes. Podem
acondicionar diferentes volumes de substrato. Para o uso dos tubetes, é
necessário um sistema de suporte, que pode ser uma bandeja de isopor, de
plástico ou metal, bem como uma bancada com fios de arame distanciados de forma
a possibilitar a colocação dos tubetes. Assim, os tubetes ficam suspensos, de
modo que a sua base fique exposta ao ar, proporcionando a denominada "poda
pelo vento" das raízes. Apresentam a vantagem de serem reutilizáveis por
muitas vezes, além de permitir a produção de um grande número de mudas por
unidade de área. Por serem unidades independentes, os tubetes permitem a
seleção das mudas com a embalagem. Por reterem um pequeno volume de substrato,
requerem que se retire a muda tão logo as raízes ocupem todo o substrato - por
isso, são úteis para a primeira etapa da propagação, além de necessitarem de
irrigações periódicas, visto que o substrato facilmente se resseca. Dependendo
do substrato, o tubete pode não reter o mesmo, que é perdido pelo orifício na
base.
Podem
ser confeccionadas em plástico, normalmente apresentando um espaço único e
contínuo para acondicionamento do substrato, bem como podem ser feitas de
poliestireno expandido (isopor), constituídas de um número variável de células,
nas quais é feita a produção da muda. As células apresentam forma piramidal
invertida, com capacidade de até 120 cm3 de substrato por célula. Na
base, a célula apresenta um orifício para escoamento da água. As bandejas podem
ser reutilizadas por diversas vezes. Assim como o tubete, as bandejas são úteis
na primeira etapa da propagação, pois acondicionam pequeno volume de substrato.
Preferencialmente, as bandejas devem ficar suspensas, permitindo a "poda
pelo vento". A durabilidade da bandeja está em função do ambiente onde é
feita a propagação e do cuidado no manuseio das mesmas. Para uma dada espécies,
em sistemas tradicionais de propagação (viveiros), podem ser produzidas cerca
de 25 a 30.000 mudas/ha, enquanto com uso de bandejas, podem ser produzidas
cerca de 200.000 mudas/ha.
Também
conhecidos como "containers", apresentam esta denominação, por terem
sido desenvolvidos e difundidos para a produção de mudas cítricas. São
confeccionados em plástico preto rígido e acondicionam grande volume de substrato,
de modo a permitir que a muda seja mantida neste recipiente desde a repicagem
da muda (produzida em tubetes ou bandejas) até a comercialização e apresentam
diversas vantagens, dentre as quais a facilidade de manuseio da muda, a
possibilidade de produção de mudas numa mesma área durante vários anos (desde
que o substrato seja oriundo de local isento de patógenos), bem como permitindo
o plantio da muda no pomar sem danos ao sistema radicular. Uma das principais
limitações ao uso do citropote é o levado custo.
Na propagação por sementes, são comumente utilizados os
sacos plásticos, as bandejas e os tubetes, já na propagação por estacas, é mais
comum o uso de sacos plásticos, embora ensaios feitos com bandejas e tubetes tenham,
até o momento, proporcionado resultados bastante promissores.
Atualmente, em plantios comerciais, não se plantam mudas oriundas de
sementes, já que elas não produzem de forma homogênea devido à diversidade
genética. Utilizam-se mudas enxertadas e de estacas herbáceas.
As mudas enxertadas são mais caras, pois
levam 18 meses para serem produzidas, porém suas plantas apresentam raízes
pivotantes e copas mais vigorosas. As mudas de estacas são obtidas em apenas
quatro meses em câmaras de nebulização e são mais baratas. Só produzem raízes
adventícias e, por isso, as plantas são menos resistentes a estiagens
prolongadas e ventos fortes.
Os produtores devem adquirir mudas de boa
procedência, livres de pragas e doenças (com folhas inteiras e sem manchas) e
sem ramificações laterais, evitando comprar mudas cujas raízes já tenham
rompido os sacos de polietileno.
Antes da abertura das covas, geralmente, faz-se
uma calagem de acordo com a análise de solo, seguida de aração e gradagem.
O plantio direto também pode ser utilizado,
adotando-se espaçamento de 7m x 5m ou 6m x 6m, abrindo-se covas de 60cm x 60cm
x 60cm. A camada superior do solo, retirada das covas (até 20 cm de
profundidade), acrescentam-se esterco de curral ou esterco de aves e calcário
dolomítico. Adubos fosfatados devem ser aplicados apenas na hora do plantio, no
mínimo após duas semanas. No ato do plantio, o colo das plantas deve ficar ao nível
do terreno, eliminando-se o saco plástico (ou jaca), firmando-se o solo ao
redor do torrão. Ao lado de cada muda, deve-se fincar uma estaca de bambu ou
outra madeira de l,5m e providenciar o amarrio das mudas. Ao redor da planta,
pode ser colocada cobertura morta (capim seco, palha de arroz e outras),
deixando apenas 5 a 10 cm ao redor da planta sem cobrir, para evitar que
doenças possam atingir o colo da muda pelo excesso de umidade.
Existem, basicamente, três tipos de podas em goiabeiras:
poda de formação, poda de limpeza e poda de frutificação.
É dividida em duas fases: na primeira, deve-se fazer a
poda do ramo apical quando o local do corte, à altura de 40 a 60 cm, dependendo
da variedade, estiver lenhoso. Nesta fase, a casca tem coloração acastanhada.
Na segunda fase, após ramificação abundante ocasionada pela poda apical,
escolhem-se de três a cinco ramos bem distribuídos, saindo de pontos diferentes
do tronco.
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Fonte: Cultura da goiaba -1995 Goiabeira
com formação adequada de copa
Fonte: Foto do Autor. |
Goiabeira com primeira poda de formação Fonte: FRUPEX |
Como a goiabeira produz em ramos, em crescimento, a poda de
frutificação consiste no encurtamento dos ramos que já produziram, de modo a
manter a planta em atividade, pelo estimulo à nova brotação, que devera ser frutífera.
Para que isso aconteça, o ramo devera ser podado no comprimento correto. Ramos
vigorosos, podados em esporão, resultaram em crescimento vegetativo, enquanto a
poda longa de ramos fracos tende a enfraquecer a nova brotação.
A poda pode ser continua ou
total. Na poda continua, cada ramo é podado individualmente a cada repasse do
pomar, quando é realizado o encurtamento dos ramos produtivos primários cerca
de um mês apos a colheita dos últimos frutos para que produzam uma segunda
safra, de forma que cada planta produza continuadamente ao longo de todo o ano.
É importante que se de ao ramo
esse período de repouso de pelo menos trinta dias, par que haja acumulo de
reservas, tanto nutritivas quanto hormonais, necessárias a uma brotação e
frutificação adequada.
Na poda total, todos os ramos são podados de uma só vez, de forma
que a produção ocorra ao mesmo tempo. Essa poda deve ser feita em duas etapas.
Na primeira é deixado um ramo pulmão por planta, para a finalidade de manter a
transpiração, assegurando a uniformidade da brotação e a produção de maior
número de ramos frutíferos. Na segunda com inicio da brotação resultante da
primeira poda, é feita a poda do ramo pulmão.
Em lavouras irrigadas, a época de poda define a época de
colheita, sendo possível planejar a safra para qualquer mês do ano (6 a 7 meses
após a poda ocorre a maturação dos frutos).
Na execução da poda de frutificação, podem-se adotar
certas regras úteis, por estabelecerem uma seqüência lógica para a operação:
-
Remova os ramos quebrados, mortos, e doentes;
-
Remova os ramos “ladrões”;
-
Remova os ramos que, por estarem encostados, se atritam
com o movimento da planta;
-
Remova os ramos que crescem em direção ao centro da planta
ou que cruzam na copa;
-
Remova os ramos que crescem para baixo, pois, geralmente
são improdutivos;
-
Execute a poda dos ramos remanescentes com o objetivo de
manter o equilíbrio entre as funções reprodutivas e vegetativas da planta,
baseando, dentro dos limites do possível, realçá-las ao máximo.
-
Nos pomares destinados à produção de goiabas de mesa, após
as operações anteriormente relacionadas, devem-se submeter os ramos
remanescentes a uma poda de encurtamento. Este encurtamento, que depende do
vigor dos ramos, é realizado em ramos normais deixando de 2 a 3 pares de folhas.
A intensa brotação que ocorre após a poda, deve ser reduzida através de
sucessivas desbrotas, deixando-se em média dois brotos, em posições distintas,
por ramos podado. Os frutos que se desenvolvem nestes brotos devem ser
desbastados, quando apresentam de 2 a 3cm de diâmetro, deixando-se em média 2
frutos por broto.
Com o objetivo de se obter uma sobre-colheita que irá
prolongar o período de safra, muitos produtores costumam despontar estes ramos
deixando no mínimo 6 pares de folhas acima dos frutos. Deste desponte, que
possibilita nova brotação na extremidade dos ramos, deixa-se apenas dois brotos
localizados em posições opostas por ramo, para que frutifiquem.
Durante todo o período de crescimento da brotação devem
ser feitas sucessivas desbrotas para reduzir os ramos em excesso e manter o
centro da copa aberto, a fim de assegurar adequada penetração de ar e luz no
interior da planta, garantindo assim a sua sanidade e a qualidade de sua
produção.
Tanto o desbaste como o encurtamento são
praticas importantes na formação e manejo da goiabeira. O encurtamento é mais
importante na fase de formação, tendo por finalidade obtenção de uma copa bem
formada, enquanto o desbaste favorece a produção de ramos frutíferos e a sua
manutenção em boas condições. A medida que a planta vai ficando mais velha, há
maior necessidade de mais desbaste e menos encurtamento.
Entre outras formas de supressão de ramos ou
de suas partes os mais importantes são:
- Desponte: é o encurtamento praticado em verde, sobre a extremidade
do ramo novo. Sua prática diminui o vigor da planta.
- Desbrota: é a intervenção que se faz em verde, para
eliminar ramos supérfluos e concorrentes.
- Poda em coroa: é o encurtamento total do ramo, que fica
reduzido à "coroa", que é a porção mais grossa existente em sua base
e onde existe um cordão de gemas.
- Poda em esporão: é o encurtamento deixando-se apenas a base
do ramo, geralmente com duas ou três gemas, ou com quatro a seis centímetros de
comprimento.
- Poda em vara: é o encurtamento em que se deixa o ramo com um número maior de gemas, em geral com 10 a 20 cm de comprimento.
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Poda total com ramos pulmões Fonte: Foto do autor.
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Poda de encurtamento dos ramos produtivos para obtenção de uma segunda safra. Fonte: Foto do Autor.
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| Brotação intensa sem desbaste. Fonte: CATI – 1994. |
Poda em esporão Fonte: CATI-1994. |
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10.2 Desbaste e o Ensacamento dos Frutos
Em pomares exclusivos de goiaba de mesa o desbaste de
frutos é obrigatório para a obtenção de frutos grandes com ótimo aspecto.
O desbaste deve ser feito quando os frutos apresentarem de
2 a 3cm de diâmetro, deixando-se de 2 a 3 frutos por ramo. Em plantas adultas
são deixados entre 600 a 800 frutos. Durante a operação de desbaste devem ser
retirados os restos do cálice floral existentes na base dos frutos, para
melhorar o seu aspecto.
Nos mais tecnificados pomares, os frutos remanescentes são
protegidos por sacos de papel manteiga com dimensões usuais de 15x12cm. Estes
sacos são presos no pedúnculo do fruto ou no ramo que o sustenta, sendo no ramo
mais aconselhável.
Vantagens do ensacamento:
- Melhora o aspecto do fruto, que quando maduro apresenta
a casca uniforme completamente sem manchas;
-É o mais eficiente método de controle da mosca das
frutas, do gorgulho e de eventuais ataques do besouro amarelo e;
-Permite a colheita de frutos sem resíduos tóxicos na
casca.
|
|
| Ramos
sem desbaste
Fonte: Cultura da Goiabeira - 1995 |
Ramos com desbaste Fonte: Cultura da Goiabeira - 1995 |
![]() |
|
- Os
cortes deverão ser sempre lisos e inclinados, para facilitar a cicatrização e
evitar o acumulo de água na sua superfície.
- Deve-se utilizar tesoura com lamina
devidamente afiada e serrotes bem travados;
- O desbaste de ramo deve ser feito com corte
bem rente a sua base, sem danificar a “coroa” de gemas ai existentes.
- Os encurtamentos deverão ser feitos 2cm
acima de uma gema, de forma a favorecer a brotação da mesma.
- Fazer a aplicação de uma pasta ou uma calda
de um fungicida a base de cobre nas partes feridas para evitar a invasão de
organismos causadores de doenças e podridões.
- Nos pomares submetidos a poda total,
recomenda-se a sua pulverização imediatamente após o termino da operação com
calda sulfocálcica, na diluição de um litro de calda para 8 litros de água.
A goiabeira é uma planta que responde bem à irrigação.
Além de apresentar excelente produtividade, o goiabal irrigado pode produzir
duas ou mais safras por ano. Este é de fato uma grande vantagem, pois com o
manejo adequado da poda é possível direcionar a safra para períodos
economicamente desejáveis. A irrigação é uma técnica que está associada a uma
série de fatores que influem diretamente na produtividade da goiabeira e na
qualidade de seus frutos.
- Necessidade de Água:
A necessidade de água que tem a planta é um parâmetro
extremamente importante, seja para o dimensionamento do sistema de irrigação, seja
para o manejo da água ao longo do ciclo fenológico da planta. Para culturas
frutícolas como a goiabeira, recomenda-se que a demanda de água seja calculada
para períodos semanais ou quinzenais.
-
Evapotranspiração de Referência:
Eto= Kp x Et
Eto= evapotranspiração de
referência mm/dia
Kp= fator do tanque - variável
Et= evaporação do tanque –
mm/dia
- Cálculo
da Precipitação Efetiva:
Pe= f x p
Pe= precipitação efetiva mm.
f= fator de correção.
p= precipitação real
(pluviômetro)mm.
- Cálculo
da Lâmina de Irrigação
Lb= Kc x Eto –Pe
Ei
Lb= Lâmina de irrigação (mm).
Kc= Coeficiente cultura (quadro
4).
Ei= Eficiência do Sistema de
irrigação %.
Vap= Lb x Ep x Ef
D
Vap= Volume de água aplicado por
planta (litros/planta/dia)
Ep= Espaçamento entre plantas
(m).
Ef= Espaçamento entre linhas de
plantas (m)
D= número de dias no intervalo
de irrigação (dia)
No caso
de sistemas automatizados em que o manejo de água se baseia no volume desta
determina-se tal volume por umidade de rega.
V= 10 x Lb x A
V= volume de água por umidade de rega (m3 ),
A= área da umidade de rega ( ha).
-
Freqüência da Irrigação
A freqüência da irrigação vai depender da necessidade de
água que tem a planta e da capacidade de retenção de água pelo solo na
profundidade efetiva das raízes.
- Cálculo
do Tempo de Irrigação
Ti= Vap
N x Qe
Ti= tempo de irrigação por
umidade de rega (h);
N= número de emissores por
planta,
Qe= vazão do emissor (l/h)
obtida em teste de campo.
- Manejo da água:
O manejo da água está diretamente associado ao tipo de
solo, à profundidade efetiva do sistema radicular e ao sistema de irrigação
selecionado.
Na irrigação localizada, o nível de água disponível no
solo não deve ser inferior a 80%.
Recomenda-se suspender a irrigação por um período de um a
dois meses antes da poda, a fim de submeter a planta a um estresse hídrico cuja
duração vai depender do tipo do solo a do sistema de irrigação usado.
É recomendável que na irrigação localizada o manejo de
água seja monitorado por tensiômetros instalados em pontos correspondentes a
50% da profundidade efetiva das raízes. O número recomendado é de três a quatro
estações de tensiômetros numa parcela de solo uniforme de tamanho não superior
a 2 ha.
A tensão hídrica do solo aceitável para o manejo das regas
depende do tipo dos solos explorados. Para os arenosos, a tensão pode variar
entre 15 e 25 centibares; para os argilosos, pode alcançar de 40 a 60
centibares.
Quadro 6:
Coeficiente de cultura, coeficiente de sombreamento para a goiabeira.
|
Discriminação |
Percentagem
de área molhada |
|||||||||
|
10 |
20 |
30 |
40 |
50 |
60 |
70 |
80 |
90 |
100 |
|
|
Kc |
0,45 |
0,45 |
0,50 |
0,60 |
0,65 |
0,70 |
0,75 |
0,75 |
0,75 |
0,75 |
|
Kr |
0,20 |
0,30 |
0,40 |
0,50 |
0,60 |
0,70 |
0,75 |
0,80 |
1,00 |
1,00 |
|
Kc x Kr |
0,09 |
0,14 |
0,20 |
0,30 |
0,39 |
0,49 |
0,56 |
0,60 |
0,75 |
0,75 |
Fonte: Doorenhos & Kassan (1979) citados por Neto e
Soares – Embrapa – Frupex – 1994.
Aplicar o calcário
na quantidade indicada pela análise química do solo.
No que
diz respeito à adubação da goiabeira, dispõe-se de poucos resultados de
pesquisa realizada no Brasil e em outros países no sentido de estabelecer as
verdadeiras necessidades nutricionais dessa cultura.
Em sendo
considerada a goiabeira uma planta rústica, tolerante à acidez e pouco exigente
em termos de solo, para a obtenção de resultados econômicos satisfatórios em pomares
comerciais, é necessário atender adequadamente as exigências da planta.
Tendo em
vista que o melhoramento genético tem dado origem a goiabeiras cada vez mais
produtivas, porém mais exigentes em termos nutricionais, desenvolveu-se uma
série de ensaios de campo, buscando avaliar os efeitos da adubação nitrogenada
e potássica sobre a cultura.
Para
goiabeiras com 3 anos de idade, os teores foliares de N considerados adequados
foram 2,35% ( V.Rica) e 2,15% (V.Paluma) em análise foliares, enquanto que para
o K, os valores foram 1,9% (V.Rica) e 1,54% (V.Paluma).
Para
solos com baixa fertilidade natural, como ocorre em geral com as áreas
tropicais e, considerando-se plantas com 3 anos de idade, a aplicação de 422g
N/planta foi suficiente para garantir uma produção de 90% da máxima possível.
Um
sistema de adubação eficiente é o de fertirrigação, que leva nutrientes às
plantas através da água.
·
Adubação de Plantio:
Em cada cova, devem ser
aplicados: 20 litros de esterco de curral; 100g de P2O5
(=500g superfosfato simples) 1000g de calcário dolomítico; 50g de FTE
(micronutrientes); 140g de sulfato de amônia; 20g de cloreto de potássio.
·
Adubação de Cobertura:
Recomenda-se três
adubações de cobertura com nitrogênio (sulfato de amônia ou uréia) e potássio
(cloreto de potássio) por ano. Em lavouras irrigadas, pode-se aplicar o
nitrogênio mensalmente e o potássio a cada dois meses.
Quadro 7: Sugestões de adubação
de cobertura por planta/ano:
|
PRODUTOS |
ANO I |
ANO II |
ANO III |
ANO IV |
|
Sulfato de amônio (g) |
600 |
1000 |
2000 |
2500 |
|
Superfosfato simples (g) |
600 |
1000 |
1500 |
1500 |
|
Cloreto de potássio (g) |
120 |
200 |
400 |
600 |
Fonte: Pesagro – Rio – Maio-2001.
Em pomares produtivos, recomenda-se a aplicação anual, após
a poda de frutificação de esterco de curral bem curtido, aproveitando-se a
ocasião para aplicar o adubo fosfatado, os micronutrientes (FTE) e o calcário,
que deverão ser aplicados apenas uma vez por ano. Também após a poda de
frutificação devem ser aplicados parte do nitrogênio e do potássio, com o
objetivo de formar ramos produtivos, vigorosos e em abundância, carregados de
botões florais. Depois do desbastes e ensacamento dos frutos, faz-se nova
adubação potássica e a nitrogenada visando aumentar o peso e a qualidade dos
frutos. Após a colheita, o potássio e o nitrogênio são novamente aplicados com
o objetivo de recuperar a planta exaurida pela frutificação.
A região abaixo da copa deve ser mantida limpa
através de capinas manuais periódicas ou aplicação de herbicidas, processo chamado de coroamento.
As entrelinhas e a região entre as plantas
não devem ser capinadas, apenas roçadas, o que poderá ser feito com roçadeira
mecanizada.
A prática de intercalar culturas em pomares
de goiabeira orientados para a exportação de frutas poderá ser adotada, embora
apresente algumas restrições. A
principal condição restritiva diz respeito ao método de irrigação empregado: a consorciação
só é possível quando se adota a irrigação por aspersão, que é o sistema menos
aconselhável para o cultivo da goiabeira cujos frutos se destinem à exportação.
Restará, pois, a consorciação no período das chuvas, uma atividade pouco
atraente, dada a irregularidade temporal e espacial das precipitações no
Nordeste.
Entre as culturas que podem ser consorciadas
com a goiabeira, desde que se use irrigação por aspersão, incluem-se o caupi, o
milho, o tomate industrial e a melancia, entre outras.
É importante frisar, entretanto, que em
virtude do alto padrão de qualidade exigido pelo mercado importador de frutas
frescas, não se aconselha a prática da consorciação nos pomares destinados a
produzir goiabas de exportação. Neste caso, os produtores deverão dedicar o
máximo de atenção possível ao
seu principal empreendimento, a fim de obter frutas dentro dos padrões
internacionais exigidos, ou correrão o risco de não alcançar a capacidade
necessária para competir em um mercado cada vez mais exigente, do qual são
automaticamente excluídos os fruticultores que não apresentarem produtos com as
devidas qualificações.
A consorciação poderá e deverá ser
incentivada apenas na fase de formação do goiabal, até mesmo como um possível
meio de amortizar parte do investimento financeiro realizado ou de agilizar o
seu retorno.
A goiabeira, durante as
diferentes fases de seu desenvolvimento, pode sofrer ataques de um número de
pragas relativamente grande. Entre as mais importantes merecem destaque:
O controle deve ser efetuado anualmente, raspando-se a
superfície do tronco com escovas ou luvas grossa, de forma a expor o inseto.
Este deve ser destruído caso encontrado, após o que faz um pincelamento no
tronco e pernadas principais com solução de carbaryl e fungicida cúprico.
As larvas com comprimento em torno de 30mm se alimenta de uma
parte da madeira desintegrada com suas mandíbulas. A outra parte, que é
serragem, é expelida pelos orifícios abertos nos tronco e ramos mais grossos.
Para controle da coleobroca pode ser efetuada uma injeção
de 1 a 2ml de solução de Carbaryl nos orifícios ou então da mesma forma do que
para a broca dos mirtáceas.
O adulto tem forma quase elíptica, mede 5 a 6,5mm de
comprimento e o apresenta cor
creme-amarelada.
O besouro ataca as folhas novas e relativamente novas da
goiabeira, deixando-as cheias de orifícios. Os brotos também podem ser
atacados. E em flores a casos que chegam a destruir a superfície dos frutos,
deformando-os.
O período de maior ataque é quando a goiabeira inicia as
brotações. O controle pode ser feito através de pulverização com inseticidas
organofosforados ou carbonatos.
São insetos sugadores de seiva cujos adultos mede de 2,0 a
2,4mm de comprimento. As ninfas sugam a seiva das bordas das folhas, que devido
as toxinas que são injetadas, enrolam-se e deformam-se adquirindo uma coloração
amarelada ou avermelhada, tornando-se depois necróticas.
Examinando-se o interior das partes enroladas,
encontram-se as colônias de psilídeos, recobertos pela secreção cerosa, entre
gotículas de substâncias açucaradas e esbranquiçadas.
Para controle pode utilizar pulverizações com inseticidas
organofosforados ou carbamatos.
Os danos causados por este inseto podem ser grandes, pois,
afetam desde botões florais até frutos desenvolvidos, porém antes do início da
maturação. Inicialmente observam-se manchas aquosas, irregulares, com cerca de
1mm de diâmetro, há uma reação do próprio fruto, de modo a cicatrizar estas
lesões. Os tecidos da parte central da lesão ficam necrosados e permanecem na
superfície do fruto como um ponto, duro, que atinge de 2 a 5mm de diâmetro,
podendo ser destacado manual ou naturalmente.
Estas lesões, dependendo da intensidade e da época de
surgimento, podem-se desprender do fruto ou permanecer depreciando. O controle
deve ser feito com inseticidas fosforados não sistêmicos.
O inseto é um pequeno besouro de aproximadamente 6mm de
comprimento por 4mm de largura, de coloração parda escura, com peças bucais
cilíndricas e alongadas.
A larva é branca com a cabeça negra; o corpo enrugado
transversalmente mede, quando desenvolvido 12 mm de comprimento por 4mm na
maior largura.
Ao iniciarem a postura, as fêmeas dos gorgulhos procuram
os frutos verdes, cavando com a mandíbula orifícios onde depositam os ovos.
Este local não acompanha o desenvolvimento do restante do
fruto, ficando enegrecido e tornando uma cicatriz circular deprimida com um
ponto negro no centro. Após a eclosão a larva penetra no fruto e se alimenta da
semente, ficando parte da polpa e as sementes destruídas e enegrecidas.
No fruto maduro, a larva do gorgulho não ataca a polpa e
só se alimenta de sementes, ocasionando a podridão seca.
O controle pode ser efetuado através de aplicações de
inseticidas organofosforados e deve ser iniciado quando os frutos ainda são
verdes, do tamanho de uma “azeitona”.
- Ceratitis
capitata (Wied; 1824).
- Anastrepha fraterculus: Larva vermiforme,
completamente desenvolvida, mede cerca de 12 mm de comprimento.
-
Ceratitis capitata: Larva com a região anterior do corpo bastante
afilada, medindo quando completamente desenvolvida de 7 a 9mm de comprimento.
Por meio do ovopositor a fêmea perfura os frutos e efetua a postura. As larvas
novas passam a viver no interior dos frutos, tornando-o imprestável.
Para controle das moscas das frutas, várias medidas são
indicadas, desde a proteção dos frutos através de ensacamento, com iscas
envenenadas ou em pulverizações em área total. Os produtos mais utilizados e
que vem mostrando bom resultado no controle das moscas das frutas são os
organofosforados, tais como o malathion, parathion menthyl, fenthion, etc.
São pragas que normalmente não apresentam danos econômicos
à cultura e que tem sido mantidas sob controle através do esquema de tratamento
fitossanitário para controle das pragas principais; são elas:
-
Cochonilhas;
-
Lagartas;
-
Percevejos;
-
Coleópteros;
-
Cupins, formigas, abelhas, mosca, etc;
-
Tripes, e;
-
Nematóides.
Quadro 8- Principais pragas da goiabeira
|
PRAGA |
PARTE AFETADA |
CONTROLE CULTURAL |
CONTROLE QUÍMICO |
|
Broca coleobroca |
Tronco |
Esmagamento, calda bordalesa |
Injeção de Carbariy (0,1 %) |
|
Cochonilha de
cera |
Caule |
- |
Folidol 600 (0,l %) |
|
Psilídios
tingídios |
Folhas |
- |
Lebaycid 500 (0,1%), folidol 600 (0,1%) |
|
Tripés
percevejos |
Folhas e frutos |
Ensacamento de frutos |
Lebaycid 500 (0,1%), folidol 600 (0,1%) |
|
Gorgulho |
Fruto |
Ensacamento de frutos |
Folidol 600 (0,1%) |
|
Mosca-das-frutas |
Fruto |
Ensacamento, armadilhas |
Dipterex (0,3%), Lebaycid (0,1%) |
|
Lagartas |
aérea |
- |
Dipel (0,l%) |
Fonte: PESAGRO-RIO
MAIO-2002
Nota: Tomar cuidado
de observar a carência dos produtos antes de iniciar a colheita
Causada
pelo fungo Puccina psidii wint, trata-se de uma infestação fúngica que
ataca, indistintamente, todos os tecidos novos dos vários órgãos da planta em
desenvolvimento. Produz manchas necróticas, circulares de diâmetro variável. As
manchas se recobrem rapidamente por uma densa massa pulverulenta, de cor
amarela viva.
Em geral,
o aparecimento da doença é registrado nas condições ambientais de temperatura
moderada, e alta umidade atmosférica.
O controle
da ferrugem é feito conjulgando-se algumas práticas culturais:
- Poda de limpeza, que promove maior aeração no interior
da copa;
- Controle de ervas daninhas;
- Aplicação preventiva ou curativa de fungicidas.
Pode
ocorrer em botões e frutos em desenvolvimento, antes da maturação. Esta doença
provoca deformações no fruto que pode levá-lo à queda. O controle é feito com
aplicações de fungicidas cúpricos.
Causada
pelo fungo Sphcelona psidii bit, a antracnose ataca as folhas e os ramos
novos, mas pode atingir os frutos em qualquer estádio de desenvolvimento. Seu
controle, quando necessário, pode ser feito por meio de podas de limpeza.
Deve-se evitar também a permanência, na planta, de frutos sobremaduros.
Doença
causada pela bactéria Erwiria psidii, Ocorre nas extremidades dos ramos
provocando o muchamento repentino dos brotos, que adquirem um tom
pardo-avermelhado. A doença ocorre com maior gravidade em condições de alta
temperatura e umidade.
Aconselha-se
que sejam evitadas as operações de poda ou colheita quando os tecidos da planta
estiverem umedecidos, seja, por orvalho, por chuva ou irrigação.
Para medida de controle
recomenda-se:
-
Condução da planta visando bom arejamento, insolação e
penetração da calda fúngica.
-
Devem-se evitar podas contínuas numa mesma planta.
-
Os ramos eliminados, doentes devem ser queimados.
-
Os ramos doentes devem ser retirados à base ao primeiro
sintoma da doença.
-
Proteção dos ferimentos de poda com pasta cúprica.
-
Desinfecção das ferramentas para poda com hipoclorito de
sódio; na diluição 1:3 a cada corte.
-
Após a poda aplicação de calda sulfocálcica na diluição
1:8.
-
Pulverização com fungicidas cúprico desde o início da
brotação até que os frutos atinjam o diâmetro de 3cm.
-
Limitar as adubações nitrogenadas à necessidade mínimas,
para que não provoquem formações excessivas de órgãos tenros.
O combate às doenças através de agrotóxicos deve obedecer
a um cronograma rigoroso de aplicação. É importante a conscientização dos
produtores sobre os riscos à saúde quando utilizados de forma indiscriminada.
Quadro 9 - Principais doenças
da goiabeira.
|
DOENÇA |
PARTE AFETADA |
CONTROLE |
|
Ferrugem |
Aérea |
Poda de arejamento, aplicação de Oxicloreto
de Cobre a 0,2% e Folicur a 0,1%, altemadamente. |
|
Verrugose |
Frutos |
Oxicloreto de Cobre a 0,2 % |
|
Bacteriose |
Ramos novos e frutos |
Oxicloreto de Cobre a 0,2% e eliminação dos
ramos afetados. |
Fonte: Adaptado de PEREIRA, F.M. Goiabas para industrialização, 1996.
O combate às doenças através de agrotóxicos
deve obedecer a um cronograma rigoroso de aplicação (Quadro 10). E importante a
conscientização dos produtores sobre os riscos à sua saúde quando utilizados de
forma indiscriminada.
Alguns cuidados devem ser tomados, como por exemplo:
- só manipular o produto ao ar livre;
- usar equipamento de proteção (máscara, luvas, botas, macacão e chapéu
impermeável);
- aplicar as doses de acordo com as recomendações técnicas;
- evitar as horas mais quentes do dia e aplicar o produto a favor do vento;
- crianças e animais devem ser mantidos afastados das áreas de aplicação;
- banhar-se com muita água e sabão imediatamente após o término do serviço.
Quadro 10 -
Cronograma de aplicação de agrotóxicos.
|
MÊS |
PRODUTO |
DOSAGEM |
PRAGA OU DOENÇA |
FREQUÊNCIA |
|
Julho |
Oxicloreto de cobre |
Pasta |
Pincelamento
local da poda |
- |
|
Setembro |
Oxicloreto de cobre |
0,5% |
Ferrugem |
1x |
|
Outubro |
Oxicloreto de cobre Parathion metílico |
0,5% 0,2% |
Ferrugem Gorgulho/Psilídeo |
2x 2x |
|
Novembro |
Oxicloreto de cobre Parathion metílico
Trichiorfon |
0,5% 0,2% 0,2% |
Ferrugem Gorgulho/Psilídeo Gorgulho |
2x 1x 1x |
|
Dezembro |
Oxicloreto de cobre Parathion metílico
Trichiorfon |
0,5% 0,2% 0,2% |
Ferrugem Gorgulho/Mosca-das-frutas Gorgulho/Mosca-das-frutas |
2x 1x - |
|
Janeiro |
Trichiorfon |
0,2% |
Mosca-das-frutas |
2x |
|
Fevereiro |
Trichiorfon |
0,2% |
Mosca-das-frutas |
2x |
|
Março |
Trichiorfon |
0,2% |
Mosca-das-frutas |
2x |
Fonte: Adaptado de PEREIRA, F.M., Goiabas para industrialização, 1996.
A colheita da goiaba é feita duas a três vezes
por semana. Embora se costume colher as goiabas quando a coloração verde-escuro
brilhante começa a clarear, o ponto ideal de colheita depende da variedade e do
destino dos frutos.
As goiabas devem ser colhidas com cuidado e
colocadas em jacas ou diretamente em caixas plásticas de 20 kg e transportadas
para um barracão para seleção e embalagem.
Classificação é a
separação de unidades do
produto por cor, tamanho, formato e categoria. Utilizar a classificação da goiaba
é unificar a linguagem do mercado. Produtores, atacadistas, varejistas e
consumidores devem ter os mesmos padrões para determinar a qualidade do
produto. Só assim, obteremos transparência na comercialização, melhores preços
para produtores e consumidores, menores perdas e maior qualidade.
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|
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| Amarela | Verde-amarelada | Verde-clara |
![]() |
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![]() |
| de 7 a 8 cm | de 6 a 7 cm | de 5 a 6 cm |
![]() |
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![]() |
| > que 10 cm | de 9 a 10 cm | de 8 a 9 cm |
A classificação da goiaba deve ser feita de
forma que se consiga a homogeneidade de formato, coloração, comprimento,
diâmetro ou calibre, bem como, a identificação da qualidade pela caracterização
e quantificação dos defeitos.
O quadro abaixo estabelece os limites de
tolerância de defeitos graves e leves para cada categoria de qualidade e
permite a classificação em: Extra Categoria I, Categoria II e Categoria III.
|
DEFEITOS GRAVES |
EXTRA |
CATEGORIA I |
CATEGORIA II |
CATEGORIA III |
|
Imaturo Dano profundo Podridão Alterações Fisiológicas |
1% 1% 1% 1% |
2% 2% 2% 3% |
3% 3% 3% 4% |
30% 20% 10%* 40% |
|
Totais graves Total leve |
1% 5% |
5% 10% |
7% 15% |
40% 100% |
|
Total geral |
5% |
10% |
15% |
100% |
*Acima de 10% de podridão a
goiaba não deverá ser reclassificada.
Fonte: CEAGESP
- Defeitos graves
|
|
|
| Dano profundo | Imaturo |
|
|
|
| Podridão | Alterações fisiológicas |
Defeitos leves
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
As goiabas deverão apresentar as
características do cultivar bem definidas, serem sãs, inteiras, limpas e
livres de umidade externa anormal. A goiaba não deve apresentar nenhuma
das características abaixo: a) resíduos de substâncias
nocivas à saúde acima dos limites de tolerância admitidos no âmbito do
Mercosul; b) mau estado de conservação, sabor e/ou odor estranho ao
produto. 13.2 Embalagem A qualidade da goiaba é
feita na roça, A conservação dessa qualidade exige uma embalagem que
ofereça proteção, boa apresentação, informações sobre o produto,
racionalização do transporte e armazenagem e que tenha baixo custo, As
goiabas deverão ser acondicionadas em embalagens paletizáveis, limpas e
secas.
13.3 Rotulagem Figura 1: Exemplo de rótulo.
3.4 Armazenagem
Armazenar as caixas em ambiente refrigerado a 8°C, com 85 a 90% de umidade relativa. Nestas condições é possível conservar os frutos por até 21 dias. Armazenamentos prolongados com temperaturas inferiores a 8°C ocasionam danos aos frutos - "Chilling".
As goiabas deverão apresentar as características do cultivar bem
definidas, serem sãs, inteiras, limpas e livres de umidade externa
anormal. A goiaba não deve apresentar nenhuma das características abaixo: a) resíduos de substâncias nocivas à saúde acima dos limites de tolerância
admitidos no âmbito do Mercosul; b) mau estado de conservação, sabor e/ou odor estranho ao produto.
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Empresa de pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de janeiro. Pesagro - Rio Doc.72 Maio – 2001. Goiabrás – Associação Brasileira de produtores de Goiaba. “Produção de goiaba – manual nº 103”. Viçosa, CPT, 1997. Neto, L G; Soares; J.M. Goiaba para exportação. Aspecto técnico da Produção. Brasília Embrapa – SPI, 1996. Pereira, F. M. Cultura da Goiabeira. Jaboticabal: FUNEP, 1995. Piza Jr., C.T. A poda da Goiabeira de mesa. Jaboticabal: FUNEP, 1995.
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