FRUTEIRAS DO CERRADO
SILVA, A. P. P.
MELO, B.
FERNANDES, N.
4.Espécies Frutíferas do Cerrado
O
Brasil possui cerca de trinta por cento das espécies de plantas e de animais
conhecidas no mundo, que estão distribuídas em seus diferentes ecossistemas.
É o país detentor da maior diversidade biológica do planeta. A região dos
cerrados, com seus 204 milhões de hectares – aproximadamente 25% do território
nacional – apresenta grande diversificação faunística e florística em suas
diferentes fisionomias vegetais (Avidos e Ferreira, 2003). A área core
está localizada essencialmente no Planalto Central onde se encontra o divisor
de águas das três grandes bacias hidrográficas do Brasil, a Amazônica, a do
Paraná e a do São Francisco (Chaves, 2003).
Até
meados deste século, essa região, que abrange principalmente os Estados de
Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Bahia, Maranhão, Piauí e
Distrito Federal, era considerada secundária para a produção agrícola.
Naquele período, em que o mundo inteiro voltava a atenção para a Amazônia,
preocupado com a devastação do que se costumava chamar de “o pulmão do
mundo”, os cerrados apareciam assim como uma espécie de “patinho feio”,
região de solos pobres e pouco férteis, que não despertavam muito interesse
nos agricultores e nos órgãos de defesa ambiental.
A
partir dos anos 60, com a transferência da capital federal do Rio de Janeiro
para Brasília, localizada no coração dos cerrados, com a construção de
estradas e com a adoção da política de interiorização e de integração
nacional, essa região foi inserida no contexto da produção de alimentos e de
energia. Dessa maneira, de pequena atividade agrícola de subsistência e criação
extensiva de gado, a região passou a contribuir com grande parte da produção
de grãos e a abrigar expressivo número do rebanho bovino do país.
Hoje,
graças ao desenvolvimento de pesquisas e tecnologias que viabilizaram a sua
utilização em bases econômicas, a região dos cerrados é um dos mais
importantes pólos de produção de alimentos do país, contribuindo com mais de
25% da produção nacional de grãos alimentícios, além de abrigar mais de 40%
do rebanho bovino do país (Avidos e Ferreira, 2003).
Estima-se
que 127 milhões de hectares são constituídos de terras aráveis
potencialmente aptas para as atividades agropecuárias, sendo que 61 milhões de
hectares atualmente são ocupados com pastagens, culturas anuais, perenes e
florestais, e 66 milhões de hectares são apontados como a mais importante
fronteira agrícola do Brasil. Devido a limitações na capacidade de uso do
solo, 77 milhões de hectares são reservados estrategicamente como áreas de
preservação ambiental (Tabela 1).
Tabela 1 –
Ocupação agrícola atual e potencial das terras da Região do Cerrado.
|
Ocupação |
Área |
||
|
Absoluta (milhões de ha)(1) |
|
Relativa (%) |
|
|
Terras aráveis |
127 |
|
62 |
|
Área
ocupada atualmente |
61 |
|
30 |
|
Pastagens
cultivadas |
49 |
|
24 |
|
Culturas
anuais |
10 |
|
5 |
|
Culturas
perenes e florestais |
2 |
|
1 |
|
Áreas de preservação |
77 |
|
38 |
Fronteira agrícola |
66 |
|
32 |
Área total |
204 |
|
100 |
(1) Um hectare (ha) = 10.000 m2
Fonte: Embrapa..., 1999.
Todavia,
o desconhecimento do potencial de uso dos recursos naturais, o desrespeito às
leis de proteção ambiental, as queimadas e a intensidade de exploração agrícola
têm provocado prejuízos irreparáveis ao solo, à fauna, à flora e aos
recursos hídricos, comprometendo a sustentabilidade desse ecossistema e
colocando muitas espécies animais e vegetais em risco de extinção,
principalmente as fruteiras nativas.
O
clima da região é caracterizado como tropical estacional, com chuvas da ordem
1.500 mm anuais, com distribuição concentrada na primavera e no verão,
podendo ser distinguido, nitidamente, um período chuvoso e outro seco.
A
duração da época seca, definida como déficit hídrico, varia de 4 a 7 meses,
em 87% da superfície e se concentra durante o outono e o inverno. As
temperaturas médias anuais situam-se em torno de 22ºC ao Sul e 27ºC ao Norte.
As
diferenças entre as temperaturas máximas e mínimas no conjunto da região
oscilam entre 4º a 5ºC, diminuindo progressivamente, à medida que se aproxima
da Região Amazônica (Silva et. al., 2001).
Os
solos sob cerrado apresentam grande variação em suas características morfológicas
e físicas. Possuem, no entanto, algumas características químicas comuns tais
como: elevada acidez, toxidez de alumínio, alta deficiência de nutrientes,
alta capacidade de fixação de fósforo e baixa capacidade de troca de cátions
(Lopes, 1985 apud Chaves, 2003). A classe de solos mais extensiva na região é
a dos latossolos que ocorre em cerca de 54% da área e está associada às
menores declividades. Em terrenos mais declivosos prevalecem os cambissolos
distróficos (Haridasan, 1993 apud Chaves, 2003). O conteúdo de argila varia de
menos de 5% a mais de 90% (Eiten, 1993 apud Chaves, 2003). O relevo plano e
suavemente ondulado predomina em 70% da superfície. As boas condições de
drenagem – em 89% dos solos da região – favorecem o uso de mecanização
agrícola, permitindo o cultivo em grandes áreas (Adamoli et al., 1986 apud
Silva et al., 2001).
Fisionomicamente
o cerrado se caracteriza pela existência de um extrato herbáceo formado
basicamente por gramíneas e um extrato arbóreo/arbustivo de caráter lenhoso.
A predominância de um ou outro extrato caracteriza as diferentes formações do
cerrado desde o campo limpo, onde predomina o extrato herbáceo, até o cerrado,
em que predomina o extrato arbóreo. Estas diferentes formações se alternam
dentro da região, na dependência, principalmente, da fertilidade do solo,
declividade e presença ou ausência de concreções. A formação mais comum é
o chamado cerrado stricto sensu, uma
formação do tipo savana, onde convivem gramíneas com espécies lenhosos. Esta
formação é a mais rica em espécies nativas frutíferas com interesse para
aproveitamento alimentar. Estimativas da biodiversidade vegetal do cerrado, como
um todo, apontam para um número de espécies vasculares de 5.000 a 7.000 espécies.
Com
esta enorme biodiversidade criou-se, na região do cerrado, uma tradição de
usos, em diferentes formas, dos recursos vegetais. Destacam-se pela importância
na região, as espécies alimentícias, medicinais, madeireiras, tintoriais,
ornamentais, além de outros usos. Das espécies com potencial de utilização
agrícola, na região do cerrado, destacam-se as frutíferas. São
algumas dezenas de espécies de diferentes famílias que produzem frutos comestíveis,
com formas variadas, cores atrativas e sabor característico. Estes frutos são
consumidos em diferentes formas pelas populações locais e constituem, ainda,
uma importante fonte de alimentos para animais silvestres (pássaros, roedores,
tatus, canídeos, etc.) e mesmo para o gado. Os animais silvestres funcionam
como dispersores naturais de sementes, podendo-se admitir que o caráter
atrativo e alimentício dos frutos resulta de um processo de co-evolução entre
plantas e animais, por um longo período de tempo (Chaves, 2003).
As
fruteiras nativas ocupam lugar de destaque no ecossistema do cerrado e seus
frutos já são comercializados em feiras e com grande aceitação popular.
Esses frutos apresentam sabores sui
generis e elevados teores de açúcares, proteínas, vitaminas e sais
minerais e podem ser consumidos in natura
ou na forma de sucos, licores, sorvetes, geléias etc. Hoje, existem mais de 58
espécies de frutas nativas dos cerrados conhecidas e utilizadas pela população
(Avidos e Ferreira, 2003).
Os
frutos nativos do Cerrado – base de sustentação da vida silvestre e fonte de
alimento para as populações rurais – possuem enorme valor nutritivo. Cem
gramas de sementes de Baru fornecem 617 calorias e 26% de proteína. Em 100 g de
polpa de Pequi, encontramos 20 mil microgramas de vitamina A e 100 g de polpa de
Buriti contêm 158 mg de cálcio (Silva et al., 1994 apud Silva et al., 2001).
O
consumo das frutas nativas dos cerrados, há milênios consagrado pelos índios,
foi de suma importância para a sobrevivência dos primeiros desbravadores e
colonizadores da região. Através da adaptação e do desenvolvimento de técnicas
de beneficiamento dessas frutas, o homem elaborou verdadeiros tesouros culinários
regionais, tais como licores, doces, geléias, mingaus, bolos, sucos, sorvetes e
aperitivos. O interesse por essas frutas tem atingido diversos segmentos da
sociedade, entre os quais destacam-se agricultores, industriais, donas-de-casa,
comerciantes, instituições de pesquisa e assistência técnica, cooperativas,
universidades, órgãos de saúde e de alimentação, entre outros.
O interesse industrial pelas frutas nativas dos cerrados foi intensificado após os anos 40. A mangaba, por exemplo, foi intensivamente explorada durante a Segunda Guerra Mundial, para exploração de látex. O babaçu e a macaúba foram bastante estudados na década de 70, em decorrência da crise de petróleo, e mostraram grandes possibilidades para utilização em motores de combustão, em substituição ao óleo diesel. O pequi já foi industrializado, sendo o seu óleo enlatado e comercializado. A polpa e o óleo da macaúba são utilizados na fabricação de sabão de coco. O palmito da gariroba, de sabor amargo, começou a ser comercializado em conserva recentemente, à semelhança do palmito doce. Os sorvetes de cagaita, araticum, pequi e mangaba continuam fazendo sucesso nas sorveterias do Distrito Federal e de Belo Horizonte (Avidos e Ferreira, 2003). Em 1975, o IBGE registrou a produção de 33 toneladas de resina de Jatobá e 2.199 toneladas de amêndoas de Macaúba; em 1991, registrou 992 toneladas de fibra de Buriti e 2.201 toneladas de Pequi para a extração de óleo. A composição química e o valor energético de algumas frutas nativas do Cerrado são apresentados nas Tabelas 2 e 3 (Silva, et al., 2001).
Tabela 2 – Composição química e valor energético de algumas frutas nativas do Cerrado, obtidos de 100 g de polpa.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Vitaminas |
||||
|
|
|
Glicídios |
Proteínas |
Lipídios |
Ca |
P |
Fe |
|
|
|
|
|
|
Frutas |
Calorias |
(g) |
(g) |
(g) |
(mg) |
(mg) |
(mg) |
A |
B1 |
B2 |
C |
Njacina |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
(mcg) |
(mcg) |
(mcg) |
(mcg) |
(mcg) |
|
Ananas |
56,5 |
13,50 |
0,40 |
0,10 |
21 |
10 |
0,40 |
5 |
80 |
40 |
61,0 |
0,200 |
|
Araçá |
37,8 |
8,00 |
1,00 |
0,20 |
14 |
30 |
1,05 |
48 |
60 |
40 |
326,0 |
1,300 |
|
Araticum |
52,0 |
10,30 |
0,40 |
1,60 |
52 |
24 |
2,30 |
--- |
453 |
100 |
--- |
2,675 |
|
Babaçu (amêndoa) |
313,0 |
13,30 |
3,90 |
29,50 |
30 |
40 |
1,00 |
--- |
320 |
250 |
--- |
1,500 |
|
Baru (amêndoa)(1) |
616,7 |
25,46 |
26,29 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
|
Buriti |
114,9 |
2,16 |
2,95 |
10,50 |
158 |
44 |
5,00 |
6,000 |
30 |
230 |
20,8 |
0,700 |
|
Cagaita(2) |
--- |
5,04 |
0,50 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
421 |
72,0 |
0,370 |
|
Caju |
36,5 |
8,40 |
0,80 |
0,20 |
50 |
18 |
1,00 |
124 |
15 |
46 |
219,7 |
0,539 |
|
Caju (castanha) |
556 |
37,92 |
17,89 |
37,00 |
24 |
580 |
1,80 |
--- |
850 |
320 |
5,0 |
2,100 |
Continua
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Vitaminas |
||||
|
|
|
Glicídios |
Proteínas |
Lipídios |
Ca |
P |
Fe |
|
|
|
|
|
|
Frutas |
Calorias |
(g) |
(g) |
(g) |
(mg) |
(mg) |
(mg) |
A |
B1 |
B2 |
C |
Njacina |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
(mcg) |
(mcg) |
(mcg) |
(mcg) |
(mcg) |
|
Coco-Guariroba (palmito)(3) |
--- |
--- |
5,56 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
|
Fruto-de-Tatu(4) |
--- |
81,84 |
11,80 |
--- |
0,04 |
0,19 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
|
Gabiroba |
64,0 |
13,90 |
1,60 |
1,00 |
38 |
30 |
3,20 |
30 |
40 |
40 |
33,0 |
0,500 |
|
Gravata |
51,0 |
13,50 |
0,60 |
0,10 |
18 |
16 |
2,60 |
30 |
40 |
40 |
50,0 |
0,500 |
|
Ingá |
97,7 |
21,60 |
2,62 |
0,10 |
28 |
13 |
0,80 |
47 |
148 |
95 |
19,6 |
1,121 |
|
Jatobá |
115,0 |
29,40 |
1,00 |
0,70 |
31 |
24 |
0,80 |
30 |
40 |
40 |
31,1 |
0,500 |
|
Jenipapo |
81,7 |
18,27 |
1,18 |
0,44 |
33 |
29 |
3,40 |
30 |
24 |
275 |
6,8 |
0,560 |
|
Lobeira(5) |
345,0 |
85,99 |
9,48 |
--- |
96,2 |
105 |
30 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
|
Macaúba (castanha) |
243,0 |
27,90 |
4,40 |
27,90 |
199 |
57 |
0,20 |
23 |
140 |
90 |
28,0 |
1,000 |
|
Mama-Cadela(6) |
--- |
5,04 |
1,99 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
|
Mangaba |
47,5 |
10,50 |
0,70 |
0,30 |
41 |
18 |
2,80 |
30 |
40 |
40 |
33,0 |
0,500 |
|
Murici |
60,5 |
11,70 |
1,37 |
1,16 |
19 |
18 |
2,04 |
7 |
20 |
40 |
84,0 |
0,400 |
|
Pêra-do-Cerrado(7) |
--- |
--- |
4,87 |
--- |
0,08 |
0,04 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
|
Pequi (amêndoa) |
89,0 |
21,60 |
1,20 |
0,90 |
14 |
10 |
1,20 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
|
Pequi (endocarpo)(8) |
--- |
6,76 |
1,02 |
10,00 |
0,049 |
0,208 |
1,39 |
20.000 |
30 |
463 |
12,0 |
0,387 |
|
Pitanga |
46,7 |
6,40 |
1,02 |
1,90 |
9 |
11 |
0,20 |
210 |
30 |
60 |
14,0 |
0,300 |
|
Pitomba |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
30 |
40 |
40 |
54,0 |
0,500 |
Fonte: Frango, 1992. Exceto: 1, 2 e 6 – Almeida et al., 1997; 3 – Almeida e Silva, 1994; 4 e 5 – Embrapa, 1997. --- Dados Desconhecidos
Tabela 3 – Composição
em ácidos graxos (%) do óleo de algumas frutas nativas do Cerrado.
|
Ácidos
graxos |
Macaúba |
Baru(1) |
Babaçu |
Buriti |
Pequi(2) |
Jenipapo |
|||||
|
Casca |
Polpa |
Amêndoa |
Amêndoa |
Amêndoa |
Polpa |
Casca |
Polpa |
Amêndoa |
Polpa |
Amêndoa |
|
|
Caprílico |
--- |
--- |
6,2 |
--- |
6,8 |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
--- |
|
Cáprico |
--- |
--- |
5,3 |
--- |
6,3 |
--- |
--- |
--- |
--- |
2,3 |
--- |
|
Láurico |
--- |
--- |
43,6 |
--- |
41,0 |
--- |
--- |
--- |
--- |
2,3 |
--- |
|
Mirístico |
--- |
--- |
8,5 |
--- |
16,2 |
--- |
--- |
--- |
--- |
5,3 |
--- |
|
Palmítico |
24,6 |
18,7 |
5,3 |
5,7 |
9,4 |
16,3 |
34,0 |
34,4 |
32,0 |
37,2 |
10,3 |
|
Palmitoléico |
6,2 |
4,0 |
--- |
--- |
--- |
0,4 |
1,6 |
2,1 |
1,3 |
--- |
--- |
|
Esteárico |
5,1 |
2,8 |
2,4 |
5,5 |
3,4 |
1,3 |
3,7 |
1,8 |
2,1 |
5,4 |
9,7 |
|
Oléico |
51,5 |
53,4 |
25,5 |
14,2 |
14,2 |
79,2 |
54,3 |
57,4 |
56,3 |
25,7 |
19,5 |
|
Linoléico |
11,3 |
1737 |
3,3 |
32,4 |
2,5 |
1,4 |
4,2 |
2,8 |
7,2 |
--- |
60,5 |
|
Linolênico |
1,3 |
1,5 |
--- |
2,2 |
--- |
1,3 |
1,8 |
1,0 |
0,3 |
--- |
--- |
|
Saturados |
29,7 |
21,5 |
71,2 |
--- |
83,3 |
17,7 |
37,7 |
36,2 |
34,1 |
--- |
--- |
|
Insaturados |
70,3 |
78,5 |
28,8 |
--- |
16,7 |
82,3 |
62,3 |
63,8 |
65,9 |
--- |
--- |
Fonte: Brasil, 1985.
Exceto (1) Embrapa, 1987; (2) Figueiredo et al., 1986. --- Dados Desconhecidos
Atualmente,
é possível encontrar grande quantidade de frutas nativas do cerrado sendo
comercializadas em feiras da região e nas margens das rodovias a preços
competitivos e alcançando grande aceitação popular. Observa-se, hoje, a existência
de mercado potencial e emergente para as frutas nativas do cerrado, a ser melhor
explorado pelos agricultores, pois todo o aproveitamento desses frutos tem sido
feito de forma extrativista e predatória.
Apesar
da existência de leis de proteção à fauna, à flora e ao uso do solo e água,
elas são ignoradas pela maioria dos agricultores, que utilizam esses recursos
naturais erroneamente, na expectativa de maximizarem seus lucros. Neste cenário,
o ecossistema cerrado tem sido agredido e depredado pela ação do fogo e dos
tratores, colocando em risco de extinção várias espécies de plantas, entre
elas algumas fruteiras nativas, antes mesmo de serem classificadas pelos
pesquisadores (Avidos e Ferreira, 2003).
Devido
ao processo acelerado de ocupação agrícola do Cerrado e à exploração
extrativista e predatória, tem-se observado quedas anuais significativas nas
safras desses produtos, tornando imprescindível que seu cultivo seja iniciado.
Segundo
Abramovay (2000), é possível explorar de maneira sustentável os recursos e o
verdadeiro banco de germoplasma hoje existentes nos Cerrados. As fruteiras
nativas dos Cerrados, tais como araticum, jatobá, piqui, mangaba, cagaita,
buriti, constituem fontes importantes de fibras, proteínas, vitaminas,
minerais, ácidos saturados e insaturados presentes em polpas e sementes;
possuem enraizamento profundo o que permite um aproveitamento mais eficiente da
água e dos minerais do solo comparativamente às lavouras de grãos. Ainda
segundo Abramovay (1999), não dependem de sistemas de manejo apoiados em
revolvimento intensivo do solo; oferecem proteção ao solo contra impactos de
gotas de chuva e contra formas aceleradas de erosão hídrica e eólica;
permitem consorciamento com outras culturas favorecendo o melhor aproveitamento
da terra; podem ser explotadas sem forte alteração da biodiversidade.
Estes
são apenas alguns exemplos de recursos que hoje a pesquisa agropecuária já
estuda e cuja exploração sustentável pode propiciar retorno tanto mais
interessante que não se restringem aos mercados convencionais e já existentes.
Uma
boa solução para conter a devastação da região do cerrado, como explica o
pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Dijalma Barbosa da
Silva, é utilizar as áreas já abertas e abandonadas, para a produção, pois
assim não seria preciso devastar novas áreas. Além disso, a utilização
dessas áreas reduziria os custos para os produtores, visto que já estão
preparados e limpas para o plantio, exigindo apenas investimentos em corretivos,
adubações e práticas conservacionistas.
Dentre
as possibilidades atuais de utilização das fruteiras do cerrado, destacam-se:
o plantio em áreas de proteção ambiental; o enriquecimento da flora das áreas
mais pobres; a recuperação de áreas desmatadas ou degradadas; a formação de
pomares domésticos e comerciais; e o plantio em áreas de reflorestamento,
parques e jardins, e em áreas acidentadas. Nesse sentido, muitos agricultores e
chacareiros já estão implantando pomares de frutas nativas dos cerrados e os
viveiristas estão intensificando a produção de mudas
(Avidos e Ferreira, 2003).
Outro
tipo de ambiente que pode ser utilizado de forma complementar para fins de
conservação de recursos genéticos são as faixas de domínio de rodovias.
Principalmente nas chapadas, áreas contínuas e praticamente intocadas, ocorrem
em grandes extensões nas margens de rodovias, amostrando faixas de formações
originais de áreas já totalmente ocupadas por atividades agropecuárias. Pelo
menos para as espécies com parte da variabilidade genética das populações
originais, além de servir para conectar fragmentos. Nota-se, no entanto, que
estas faixas vêm sendo paulatinamente ocupadas por lavouras, de forma
irregular, o que poderia ser evitado com ações educativas e de fiscalização
(Chaves, 2003).
Segundo
Abramovay (1999), o aproveitamento econômico destes recursos tão variados é
bem mais complexo que a ligação ao mercado por meio de produtos consagrados
como a soja, o milho e os suínos. Ainda segundo este autor, o importante é que
esta fantástica diversidade de espécies e usos retrata o desafio central que
consiste na criação de mercados capazes de representar uma agregação de
valor – em virtude da especificidade do produto – muito maior que na produção
de commodities.
Há
grande potencial para a exportação dessas frutas, já que possuem um sabor sui
generis e não são encontradas em outros países. Hoje, o licor de pequi já
é exportado para o Japão e a amêndoa do baru é demandada pela Alemanha; mas
existem ainda muitas possibilidades de exportação de outras espécies nativas.
É
muito importante investir no trabalho de domesticação das fruteiras nativas
dos cerrados para que possam ser cultivadas em lavouras comerciais. Dessa forma,
evita-se o extrativismo predatório, ao mesmo tempo em que se conservam as espécies
em seu habitat natural (Avidos e Ferreira, 2003).
As
informações baseadas em pesquisa científica, acerca das espécies frutíferas
do cerrado são, ainda, escassas.
Das
observações e resultados de pesquisa até agora obtidos pode-se considerar que
algumas das espécies enfocadas apresentam uma boa possibilidade de utilização
em plantios comerciais, em curto prazo. Merecem destaque, neste aspecto, o
araticum e a mangaba. Ambas as espécies são relativamente precoces, com quatro
a seis anos para início de produção, a partir do plantio de mudas. Para o
araticum, os principais pontos críticos a serem contornados são o baixo poder
germinativo e dormência das sementes, o que dificulta a formação de mudas
uniformes, além do ataque de insetos aos frutos danificando-os. Já a
mangabeira não apresenta problemas de formação de mudas, desde que as
sementes sejam plantadas imediatamente após serem retiradas dos frutos
(sementes recalcitrantes). Na fase de produção, o déficit hídrico na fase
anterior à frutificação, parece ser um fator limitante. Algumas espécies de
alto potencial econômico, principalmente o pequizeiro, apresentam maiores
problemas quanto à domesticação, devido ao longo tempo necessário para início
de produção. Neste caso, a reprodução assexuada seria uma forma de promover
uma maior precocidade. Mesmo com alguns resultados de pesquisa que apontam a
possibilidade de enxertia na espécie, a técnica ainda não está totalmente
dominada para ser empregada em larga escala, merecendo estudos com
acompanhamento das mudas enxertadas, após o transplantio para o campo (Chaves,
2003).
A
maioria dos frutos do Cerrado amadurece no início da estação chuvosa, que vai
de setembro a dezembro, porém em menores quantidades há uma ocorrência de
frutos praticamente o ano todo. De uma forma geral, os frutos que amadurecem no
início da estação chuvosa (setembro, outubro) não apresentam dormência de
sementes, já que estas encontram condições propícias para germinação e
estabelecimento das plântulas, antes do período de estiagem. Como exemplo de
espécies que adotaram este tipo de estratégia, podem ser citados a cagaita (Eugenia
dysenterica DC) e o caju arbóreo (Anacardium
othonianum Rizz) que muita vezes frutificam antes mesmo das primeiras chuvas
da estação. Já as espécies que frutificam mais para o final da estação
chuvosa apresentam, em geral, sementes com diferentes graus de dormência, o que
as possibilitam atravessar a estação seca para germinar no início da estação
chuvosa seguinte. O araticum (annona
crassiflora Mart.) e o pequi (Cariocar
brasiliense Camb.) são exemplos de espécies que apresentam sementes com
dormência (Chaves, 2003).
A
época de frutificação e a vegetação de ocorrência – para coleta de
frutos e obtenção de sementes das principais espécies de fruteiras nativas do
Cerrado – são apresentadas na Tabela 4 (Silva et al., 2001).
|
Nome
comum |
Nome
científico |
Frutificação
|
Vegetação
de ocorrência |
|
Amora-Preta |
Bubus cf
brasilliensis |
set. a fev. |
Mata de Galeria |
|
Ananás |
Annas ananassoides |
out. a mar. |
Cerrado, Cerradão e Mata de Geleria |
|
Araçá |
Psidium firmum |
out. a dez. |
Cerrado e Cerradão |
|
Araticum |
Annona crassiflora |
fev. a mar. |
Cerrado e Cerradão |
|
Araticum-de-Casca-Lisa |
Annona coriacea |
dez. a mar. |
Cerrado, Cerradão, Campo Sujo e Campo Rupestre1 |
|
Araticum-Rasteiro |
Annona pygmaea |
dez. a mar. |
Campo Sujo e Campo Limpo |
|
Araticum-Tomentoso |
Annona cf. tomentosa |
dez. a mar. |
Cerrado e Campo Sujo |
|
Babaçu |
Orbygnia cf. phalerata |
out.
a jan. |
Mata Seca2 |
|
Bacupari |
Salacia campestris |
set. a dez. |
Cerrado, Cerradão e Campo Sujo |
|
Banha-de-Galinha |
Swartzia langsdorfii |
ago.
a out. |
Mata Seca, Mata de Galeria |
|
Baru |
Dypterix alata |
set.
a out. |
Mata Seca, Cerradão e Cerrado |
|
Buriti |
Mauritia vinifera |
out. a mar. |
Mata de Galeria e Vereda |
|
Cagaita |
Eugenia dysenterica |
out. a dez. |
Cerrado e Cerradão |
|
Cajuzinho-do-Cerrado |
Spondia cf. lutea L. |
dez. a fev. |
Mata de Galeria |
|
Caju-de-Árvore-do-Cerrado |
Anacardium othonianum |
set.
a out. |
Cerrado e Cerradão |
|
Caju-Rasteiro |
Anacardium pumilum |
set.
a out. |
Campo Sujo e Campo Limpo |
|
Cajuzinho-do-Cerrado |
Anacardium humile |
set. a nov. |
Cerrado, Campo Sujo e Campo Limpo |
|
Chichá |
Sterculia striata |
ago.
a out. |
Cerradão e Mata Seca |
|
Coquinho-do-Cerrado |
Syagrus flexuosa |
set. a mar. |
Cerrado e Cerradão |
|
Croadinha |
Mouriri elliptica |
set.
a out. |
Cerrado e Cerradão |
|
Curriola |
Pouteria ramiflora |
set. a mar. |
Cerrado e Cerradão |
|
Fruto-do-Tatu |
Crhysophyllum
soboliferum |
nov. a jan. |
Cerrado e Campo Sujo |
|
Gabiroba |
Campomanesia
cambessedeana |
set. a nov. |
Cerrado, Cerradão e Campo Sujo |
|
Gravatá |
Bromelia balansae |
out. a mar. |
Cerrado e Cerradão |
|
Guapeva |
Pouteria cf.
gardineriana |
nov. a fev. |
Cerradão, Mata Seca e Mata de Galeria |
|
Guariroba |
Syagrus oleraceae |
set.
a jan. |
Mata Seca |
|
Ingá-do-Cerrado |
Inga laurina Willd.. |
nov.
a jan. |
Mata de Galeria, Cerradão e Mata Seca |
|
Jaracatiá |
Jacaratia
hiptaphylla |
jan. a mar. |
Mata Seca |
|
Jatobá-do-Cerrado |
Hymenaea stigonocarpa |
set.
a nov. |
Cerrado e Cerradão |
|
Jatobá-da-Mata |
Hymenaea stilbocarpa |
set.
a nov. |
Cerradão, Mata Seca e Mata de Galeria |
|
Jenipapo |
Genipa ameriacana |
set. a dez. |
Mata Seca, Cerradão e Mata de Galeria |
|
Jerivá |
Syagrus
romanzoffiana |
abr. a nov. |
Cerradão e Mata de Galeria |
|
Lobeira |
Solanum lycocarpum |
jul.
a jan. |
Cerrado, Cerradão e Campo Sujo |
|
Macaúba |
Acrocomia aculeata |
mar. a jun. |
Mata Seca e Cerradão |
|
Mama-Cadela |
Brosimum
gaudichaudii |
set. a nov. |
Cerrado e Cerradão |
|
Mangaba3 |
Hancornia spp. |
out. a dez. |
Cerrado e Cerradão |
|
Maracujá-de-Cobra4 |
Passiflora coccinea |
set. a nov. |
Mata de Galeria e Cerradão |
|
Maracujá-do-Cerrado |
Passiflora
cincinnata |
out. a mar. |
Cerrado e Cerradão |
|
Maracujá-Doce |
Passiflora alata |
fev. a abr. |
Mata de Galeria e Mata Seca |
|
Maracujá-Nativo5 |
Passiflora
eichleriana |
out. a mar. |
Mata de Galeria, Cerradão e Mata Seca |
|
Maracujá-Roxo |
Passiflora edulis |
fev.
a ago. |
Mata de Galeria |
|
Marmelada-de-Bezerro |
Alibertia edulis |
set. a nov. |
Cerrado e Cerradão |
Continua
|
Nome
comum |
Nome
científico |
Frutificação
|
Vegetação
de ocorrência |
|
Marmelada-de-Cachorro |
Alibertia sessillis |
out. a dez. |
Cerrado e Cerradão |
|
Marmelada-de-Pinto |
Alibertia elliptica |
out. a dez. |
Cerrado e Cerradão |
|
Melancia-do-Cerrado |
Melancium campestre |
mai. a jul. |
Cerrado, Campo Sujo e Campo Limpo |
|
Murici |
Byrsonima
verbascifolia |
nov. a mar. |
Cerrado e Cerradão |
|
Palmito-da-Mata |
Euterpe adulis |
abr. a out. |
Mata de Galeria |
|
Pequi |
Caryocar
brasilliense |
out. a mar. |
Cerrado, Cerradão e Mata Seca |
|
Pequi-Anão6 |
Caryocar
brasilliense subsp. Intermedium |
fev. a abr. |
Cerrado, Campo Limpo, Campo Sujo e Campo Rupestre |
|
Pêra-do-Cerrado |
Eugenia klostzchiana |
out. a dez. |
Cerrado e Cerradão |
|
Perinha |
Eugenia lutescens |
set.
a nov. |
Cerrado, Cerradão e Campo Sujo |
|
Pimenta-de-Macaco |
Xilopia aromatica |
set.
a jan. |
Cerrado e Cerradão |
|
Pitanga-Vermelha |
Eugenia calycina |
set. a dez. |
Cerrado e Campo Sujo |
|
Pitomba-do-Cerrado |
Talisia esculenta |
out. a jan. |
Mata Seca e Cerradão |
|
Puçá |
Mouriri pusa |
set.
a out. |
Cerrado e Cerradão |
|
Saputá |
Salacia elliptica |
out. a dez. |
Mata de Galeria |
|
Tucum-do-Cerrado |
Bactris spp. |
jan.
a mar. |
Mata de Galeria |
|
Uva-Nativa-do-Cerrado |
Vitis spp. |
jan.
a mar. |
Mata Seca e Calcária |
(1)
Campo Rupestre: tipo fisionômico predominantemente herbáceo
e arbustivo, com presença eventual de pequenas árvores. Ocorrem em solos rasos
com afloramento de rocha, em altitudes superiores a 900 m.
(2) Mata
Seca: formações florestais caracterizadas por diversos níveis de caducifolia
durante a estação seca.
(3) Ocorrência
predominante em áreas de solos pedregosos, morros e serras.
(4) Ocorrência
restrita aos vales dos rios Araguaia e Paraguai.
(5) Ocorrência
restrita aos vales do Médio e Baixo São Francisco.
(6) Ocorrência
restrita ao sul de Minas Gerais.
Foi
observado, em plantio não-experimental da Embrapa Cerrados, que plantas
oriundas de mudas produzidas por sementes de algumas espécies frutíferas
nativas e de porte herbáceo-arbustivo, como gabiroba, pêra-do-cerrado,
marmelada, caju, dentre outras, iniciaram a fase de frutificação a partir de
dois anos após o plantio. Espécies arbóreas como araticum, pequi, baru,
cagaita e mangaba, tiveram sua fase de frutificação iniciada 4 a 5 anos após
o plantio. A Figura 01 mostra uma planta de Araticum com aproximadamente 4 anos
de idade.
Devido
à grande variabilidade genética encontrada nas espécies de fruteiras nativas,
em condições naturais, os plantios oriundos de sementes ou propagação
sexuada apresentam plantas desuniformes, com florescimento e frutificação
irregulares.
A
propagação vegetativa ou assexuada através de enxertia, estaquia ou cultura
de tecidos permite a clonagem de plantas-matrizes de alta produtividade e boa
qualidade de frutos, a padronização das plantas e a uniformidade na produção,
além de antecipar o início da frutificação.
O
procedimento desde a coleta dos frutos até o armazenamento das sementes é o
seguinte:
·
Os frutos podem ser coletados
maduros nas plantas ou logo após caírem no chão, eliminado os frutos
deteriorados e mal formados;
·
Após a coleta, extrair a polpa
dos frutos. A extração da polpa de frutos carnosos e de casca mole pode ser
feita amassando-se os frutos sobre uma peneira. Frutos de casca dura deverão
ser quebrados e a polpa retirada com o uso de faca;
·
Após extrair a polpa, separar as
sementes;
·
As sementes devem ser lavadas em
água corrente e colocadas para secar à sombra, em local ventilado;
·
Selecionar as sementes (tamanho,
cor e forma). Eliminar as sementes chochas, deformadas ou que apresentem sinais
de ataques de pragas ou doenças.
·
As sementes para fins comerciais
devem ser coletadas próximas às regiões de demanda;
·
No armazenamento, as sementes de
frutos carnosos são acondicionadas em sacos plásticos e colocadas na geladeira
por um período de 15 dias; após este período, o poder germinativo começa a
cair. Sementes de frutos secos podem ser armazenadas em sacos de papel, em
ambiente seco e ventilado, por um período de 60 dias, após o qual a
percentagem de germinação começa a cair. Em algumas espécies as sementes
perdem rapidamente sua viabilidade, como é o caso da Mangaba e do Ingá,
devendo ser semeadas logo após a retirada dos frutos.
4.
Espécies
Frutíferas do Cerrado
Divisão:
Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe:
Magnoliopdida (Dicotiledonae)
Ordem:
Guttiferales
Família:
Caryocaraceae
Nome Científico:
Caryocar brasiliense Camb.
Nomes Populares:
Pequi (MG, SP); Piqui (MT); Piquiá-bravo; Amêndoa-de-espinho, Grão-pequiá;
Pequiá-pedra; Pequerim; Suari; Piquiá.
Ocorrência:
Cerradão Distrófico e Mesotrófico, Cerrado Denso, Cerrado, Cerrado
Ralo e Mata Seca.
Distribuição:
Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo,
Tocantins.
Em
Minas Gerais, o fruto é encontrado em maiores quantidades na região de Montes
Claros, no norte do Estado (revista.fapemig.br/11/pequi). No Estado de Goiás a
espécie é protegida por lei (Código Florestal do Estado de Goiás), mas vem
sendo dizimada, principalmente, nas áreas de expansão agrícola.
O
pequizeiro (Caryocar brasilliense Camb.)
é uma árvore típica do cerrado brasileiro e, com certeza, uma das com maior
valor econômico na região, ou seja, com um alto grau de aproveitamento, não só
pelos seus frutos, mas pela árvore, como um todo. O fruto é chamado de pequi
que, em língua indígena da região, significa “casca espinhenta”.
A
família à qual pertence o pequizeiro tem dois gêneros e mais de uma dezena de
variedades, que podem ser encontradas nas regiões Norte, Nordeste e
Centro-Oeste. A variedade mais comum no cerrado do Centro-Oeste pode chegar a
10m de altura e, por esta razão, é uma das maiores árvores do cerrado
brasileiro, que apresenta uma vegetação predominantemente rasteira.
Entretanto, é comum encontrarmos, nessa região, pequizeiros de pouco mais de 1
m de altura.
Na
região Norte, entretanto, podemos encontrar variedades muito maiores, com árvores
de mais de 20 m de altura e um diâmetro que pode chegar até 5 m (www.ruralnews.com.br/agricultura/frutas/pequi).
Segundo
Almeida et al., (1998), a floração ocorre de agosto a novembro (chuvas) com
pico em setembro, mas ocasionalmente em outras épocas após as chuvas ou roçados.
A frutificação ocorre de novembro a fevereiro.
Em
cerrados, normalmente roçados para facilitar a pastagem do gado, encontram-se
exemplares pequenos, com 1 metro de altura, carregados de flores em épocas fora
do tempo normal de floração, quando há veranicos, no período de janeiro
(www.radiobras.gov.br).
A
planta possui porte arbório, podendo chegar a 10 m de altura e de 6 a 8 m de diâmetro
de copa, com tronco tortuoso de casca áspera e rugosa de 30 – 40 cm de diâmetro.
As folhas pilosas são formadas por 3 folíolos com as bordas recortadas,
longo-pecioladas e opostas (Figura 01).

FIGURA 01 – Árvore, folhas e flores
Fonte: Clube da Semente, 2003
A árvore é hermafrodita. Inflorescêcia racemo terminal curta com10 a 30
flores. As flores são grandes e amarelas. Oliveira (1998) apud Chaves (2003),
encontrou taxas de cruzamento que caracterizam a espécie como alógama. Estudos
realizados com marcadores izoenzimáticos e morfológicos têm mostrado uma
grande variabilidade genética dentro de sub-populações com valores bem próximos
de zero para a variabilidade genética entre sub-populações (Oliveira et al.,
1997; Oliveira, 1998; Trindade et al., 1998), o que é característico de populações
alógamas sem restrições ao fluxo gênico. É planta semidecídua, cuja floração
ocorre logo após a emissão de folhas novas. Apresenta redução parcial da
folhagem durante a estação seca (Ribeiro et al., 1981 apud Almeida et al.,
1998). Várias características identificam a polinização dessa espécie com a
síndrome de quiropterofilia, tais como: estames com abundante quantidade de pólen
pulverulento, volume médio de néctar produzido por flor (0,33 ml), concentração
de açúcar no néctar (13,6%), liberação de forte cheiro pela flor,
especialmente no período de antese, ao redor de 19 a 20 horas. Ocorre
autopolinização, podendo cerca da metade dos botões florais desenvolver-se
para frutos (Barradas, 1972 apud Almeida el. Al., 1998).
Os
frutos alcançam a maturidade entre três e quatro meses após a floração. A
dispersão dos frutos é realizada por dois vetores, um marsupial (Didelphis
albiventris) e um corvídeo (Cyanocorax
cristatellus) (Gabriel, 1986 apud Almeida et al., 1998). O fruto, do tamanho
de uma pequena laranja, está maduro quando sua casca, que permanece sempre da
mesma cor verde-amarelada, amolece.
Partida
a casca, encontram-se, em cada fruto, uma, duas, três ou quatro amêndoas
tenras envoltas por uma polpa amarela, branca ou rósea, o verdadeiro atrativo
da planta. A única contra-indicação são os espinhos finos, minúsculos e
penetrantes existentes bem no núcleo do caroço, sendo preciso muito cuidado ao
mastigá-lo para chupar a polpa. (Figura 02) (www.bibvirt.futuro.usp.br).

FIGURA 02 – Fruto do Pequizeiro
Fonte: Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro
A
coleta de frutos implica a exportação de nutrientes, e para cada tonelada de
fruto fresco seguem 4,3 kg de potássio, 1,8 kg de nitrogênio e 0,1 kg de fósforo
(Miranda et al., 1987 apud Almeida et al., 1998).
O
peso médio do fruto foi de 120 g, sendo que a casca representa 82% do fruto, o
endocarpo 4,6%, a polpa 7% e a amêndoa cerca de 1% (Almeida & Silva, 1994
apud Almeida et al., 1998). O peso unitário dos frutos variou de 50 a 250 g, a
casca de 20 a 117 g, a amêndoa de 2 a 4 g, com valor médio de 8,14 g de polpa
(Miranda & Oliveira Filho, 1990 apud Almeida et al., 1998).
Segundo
Franco (1982) apud Almeida et al., (1998), 100 g de polpa de pequi contém:
|
Vitamina
A |
20.000
mg |
|
Vitamina
C |
12
mg |
|
Tiamina |
30
mg |
|
Riboflavina |
463
mg |
|
Niacina
|
387
mg |
Quanto
aos sais minerais, a polpa do piqui (coletado no Mato Grosso) apresentou Na
(20,9 mg/g),
Fe (15,57 mg/g),
Mn (5,69 mg/g),
Zn (5,32 mg/g),
Cu (4 mg/g),
Mg (0,05 mg/g),
P (0,06 mg/g)
e K (0,18 mg/g),
sendo que a amêndoa apresentou Na (2,96 mg/g),
Fe (26,82 mg/g),
Mn (14,37 mg/g),
Zn (53,63 mg/g)
e Cu (15,93 mg/g)
(Hiane et al., 1992 apud Almeida et al., 1998). O valor energético, em cada 100
g é de 89 calorias (www.ruralnews.com.br).
O
pequi é considerado a “carne” do Cerrado. Além das proteínas, poliglicerídeos
e carboidratos necessários ao organismo, contém alto teor de pró-vitamina
“A” em sua polpa (revista.fapemig.br/11/pequi).
O
pequizeiro é uma planta muito versátil, no que diz respeito às suas
utilidades, pois dela se aproveita praticamente tudo.
O
pequi é muito apreciado nas regiões onde ocorre: o arroz, o frango e o feijão
cozidos com pequi são pratos fortes da culinária regional; o licor de pequi
tem fama nacional; e há, também, uma boa variedade de receitas de doces
aromatizados com seu sabor (www.bibvirt.futuro.ups.br). Como medicinal
o óleo da polpa tem efeito tonificante, sendo usado contra bronquites, gripes e
resfriados e no controle de tumores. É comum o óleo ser misturado ao mel de
abelha ou banha de capivara, em partes iguais, e a mistura resultante ser usada
como expectorante. O chá das folhas é tido como regulador do fluxo menstrual.
Na indústria cosmética,
fabricam-se cremes para a pele tendo o piqui como componente. O potencial forrageiro foi evidenciado quando fragmentos de folha foram
encontrados em fístula esofágica de bovino (Macedo et al., 1978 apud Almeida
et al., 1998). Os frutos também são ingeridos pelos bovinos, mas em função
do endocarpo espinhoso, podem ocorrer acidentes. As flores são importantes para
alimentação de animais silvestres como: paca, veado-campeiro e mateiro, e as
árvores floridas são utilizadas como pontos de espera da caça. Da casca e das
folhas extraem-se corantes amarelos de ótima qualidade, empregados pelos tecelões
em tinturaria caseira (Silva
Filho, 1992 apud Almeida et al., 1998). A madeira é própria para xilografia,
construção civil e naval, construção de esteios de curral, mourões e
dormentes. Também é usada na fabricação de móveis, além de ser fonte de
carvão para siderurgias. A planta é melífera e ornamental.
Cada
planta adulta poderá produzir, em média, até dois mil frutos por safra. O preço
do litro de caroços de pequi, com aproximadamente 17 unidades, tem sido
comercializado no varejo, em feiras livres e Ceasa-DF, ao preço que varia entre
R$1,50 a R$3,00. A frutificação ocorre normalmente aos cinco anos após o
plantio (Avidos e Ferreira, 2003).
Segundo
Moura e Rolim (2003), a forma de obtenção desses frutos é o extrativismo que
envolvem catadores, principalmente de Pequi, que são famílias de baixa renda e
moradores de regiões carentes. Na tarefa de catar pequi é envolvida toda a família,
inclusive as crianças que, após o dia de trabalho vão para as beiras de
estradas oferecer o produto da catação aos transeuntes, ou vendem a
atravessadores que recolhem a produção da região e levam para comercialização
nos centros consumidores, como Goiânia ou Montes Claros em Minas Gerais. Os
valores pagos aos catadores são muito baixos, pouco auxiliando para a melhoria
de vida daquela população, uma vez que a produção é sazonal e na
entressafra essas pessoas têm que buscar outras atividades para garantir a
sobrevivência.
A
comercialização do fruto “in natura” é destinada ao consumo na culinária
típica. Ainda pode ser destinada a pequenos fabricantes de conservas vegetais,
que processam sem o conhecimento técnico necessário, colocando em risco a saúde
do consumidor e juntamente a isso a credibilidade do produto a base de fruto do
cerrado.
Outra
forma que essas famílias utilizam para aumentar a renda com a catação do
Pequi é a extração do óleo, que é feita às vezes com o fruto que foi
catado e não vendido in natura. O processo utilizado para a extração é muito
rudimentar e com baixa produção, produtividade e qualidade. O óleo obtido é
vendido nos centros de comercialização, CEASA,e mercados municipais também a
preços baixos, além da venda a atravessadores que revendem o produto com nova
embalagem e a preços significativamente maiores. Há também um mercado para a
indústria cosmética que exige determinadas características para o óleo que,
no processo utilizado de extração não atende, e quando atende o extrativista
não tem acesso direto à empresa e sim ao atravessador.
Preocupada
em preservar e possibilitar a exploração comercial do pequi, a Embrapa está
pesquisando seu cultivo em lavouras, utilizando técnica de irrigação e
fertilidade. Os trabalhos têm resultado em pomares precoces, de produção dois
anos após o plantio (www.embrapa.br).
Devido
à sua origem no cerrado, o pequizeiro é melhor adaptado a regiões com pouca
chuva ou pouca irrigação. Sua produção é sempre maior em período mais
secos e, por esta razão, a variedade do cerrado também pode ser cultivada em
algumas regiões mais secas do Nordeste. No entanto, durante o período de
germinação, é necessário que façamos uma irrigação, caso não haja um
volume adequado de chuvas (www.ruralnews.com.br).
Sua
produção não é estável. Em anos de muita chuva, produz pouco; ao contrário,
nos de seca a produção é maior. Tanto que nas regiões interioranas existe um
adágio popular muito conhecido: “ano de pequi, ano de crise”. A chuva
derruba as flores antes da fecundação, o que reduz a produção (www.radiobras.gov.br).
Os
frutos de Pequi caem naturalmente quando estão maduros. Por isso, devem ser
apanhados preferencialmente no chão. Frutos coletados diretamente na planta
podem não apresentar sementes completamente desenvolvidas, reduzindo a taxa de
germinação (Silva et al., 2001).
A
propagação da árvore do pequi é feita com os frutos maduros, usados como
semente logo que caem ao chão. A quebra da dormência, entre outras maneiras,
pode ser feita com a movimentação das sementes sem casca em um recipiente
durante 15 a 20 minutos, de modo a provocar pequenos choques, ou deixá-los por
24 horas em uma solução de água com ácidos específicos (www.altiplano.com.br/Pequi7).
Na
produção de mudas, a maior dificuldade está na demora para a germinação,
que só ocorre entre 120 e 360 dias após a semeadura. Para acelerar o processo,
submetem-se os caroços a um tratamento antes de semeá-los. A Embrapa recomenda
a imersão em uma solução com ácido giberélico, encontrado nas lojas de
materiais agrícolas com o nome de Progib.
A
proporção da solução é de 1,5 litro de água para 1 grama de ácido giberélico.
Um envelope contém 10 gramas de produto, mas somente 1 grama do ácido (princípio
ativo). Os caroços de pequi, obtidos à partir de frutos maduros, são
colocados na solução após despolpados e secos à sombra em local ventilado. O
período de imersão é de 36 horas. Com isso, reduz-se o tempo de germinação
para cada de 40 dias.
No
livro Árvores Brasileiras, Lorenzi,
o tratamento recomendado consiste em deixar os caroços em água por 48 horas,
sendo trocada a cada 12 horas. Logo depois, os caroços são postos para
germinar em canteiros ou diretamente em saquinhos individuais. O desenvolvimento
das mudas é lento (globorural.globo.com).
Banhos
de ácido e choques térmicos eram os recursos mais utilizados para estimular a
germinação, mas essas e outras técnicas vem sendo substituídas em alguns
viveiros. O pesquisador Roberto de Almeida Torres, coordenador do viveiro de
mudas do CNPq/Funape/UFG, explica que processo de reprodução do pequi começa
com a seleção das matrizes. São escolhidas aquelas com frutos de melhor
qualidade, destacando-se a espessura da polpa, a conformação e a sanidade da
árvore.
Os
frutos caídos são colhidos e amontoados no chão, à sombra, até que ocorra a
fermentação. Em seguida são despolpados. As primeiras e ácidas chuvas da
estação induzem a semente à germinação, o que ocorre à partir dos 28 dias.
Em 60 dias, 80% do material já está germinado (www.altiplano.com.br/Pequi7).
Tem-se
realizado pesquisas com a formação de mudas por propagação vegetativa, através
de técnicas como estaquia, enxertia, alporquia e cultura in vitro do embrião,
com o intuito de reduzir o tempo inicial de produção de frutos.
O
pequizeiro pode ser atacado por algumas doenças, dentre elas, Silva et al.,
(2001) destaca:
·
Podridão de raízes de mudas –
É uma doença causada pelo fungo. Cylindrocladium
clavatum, que ataca as raízes das mudas, apodrecendo-as e causando-lhes a
morte ou retardando consideravelmente seu desenvolvimento. Devem-se evitar regas
em excesso e sombreamento das mudas.
·
Mal-do-Cipó – Causada pelos
fungos Cerotelium giacomettii e Phomopsis
sp. Até o momento, é a mais grave doença do pequizeiro. Os sintomas em
mudas são inicialmente caracterizados por um estiolamento ou alongamento das
mudas, deformações e lesões nos ramos tenros e nas folhas mais novas.
Posteriormente, as mudas secam ou param de crescer. Em pequizeiros adultos,
inicialmente ocorre um alongamento dos internódios (entrenós do caule) e
estiolamento dos ramos mais novos, fazendo com que estes se tornem muito flexíveis,
retorcido e adquirindo aspecto de cipó. As folhas mais novas tornam-se
encarquilhadas, com tamanho reduzido e, apresentam numerosas lesões escuras com
até 3 mm de diâmetro que podem coalescer (aderir por crescimento), provocando
o escurecimento total ou parcial da folha. Com o tempo, inicia-se o secamento
que pode atingir a planta inteira, provocando a morte.
Como
medidas de prevenção, recomenda-se evitar a coleta de sementes ou garfos
(pontas de galhos para enxertia) de pequizeiros com essa doença. Caso a doença
apareça no viveiro, eliminar as mudas com sintomas e, no caso de plantas
adultas, recomenda-se podar e queimar todos os galhos afetados pela doença. Nos
ferimentos provocados pela poda, deve-se pincelar uma pasta composta por 4 kg de
cal hidratada e 1 kg de sulfato de cobre, diluídos em 6 litros de água.
·
Morte descendente – Causada
pelo fungo Botryodiplodia theobromae.
Os sintomas iniciam pelo secamento dos ramos mais novos, nos quais as folhas
permanecem secas e retidas por até 3 meses.
Posteriormente,
a doença atinge os galhos, culminando com a morte da planta. Nos galhos e ramos
mais novos, podem ser observadas rachaduras profundas e lesões escuras. Sob a
casca de ramos, galhos ou troncos afetados pode ser observado um tecido escuro e
necrosado (em decomposição), que progride no sentido da copa para a base da
planta. Como medida de controle, recomenda-se cortar e queimar os galhos secos
e, sobre os cortes ou ferimentos, aplicar uma pasta bordalesa.
Divisão:
Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe:
Magnoliopdida (Dicotiledonae)
Ordem:
Gentianales
Família:
Apocynaceae
Nome Científico:
Hancornia speciosa
Nomes Populares:
Mangaba, mangabeira, mangabiba, mangaíba, mangaiba-uva,
mangabeira-de-minas.
Ocorrência:
Cerrado e caatinga, tabuleiros arenosos e chapadas.
Distribuição:
Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás,
Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba,
Pernambuco, Piauí, São Paulo, Tocantins (Almeida et al., 1998).
A
mangabeira é abundante em todos os tabuleiros e nas baixadas litorâneas da
região Nordeste, onde se obtém – de forma extrativista – a quase
totalidade dos frutos colhidos (www.seagri.ba.gov.br/mangaba). Acha-se as frutas
também nos cerrados do Centro-oeste, no norte de Minas e em parte da Amazônia.
Floração:
de agosto a novembro com pico em outubro.
Frutificação:
pode ocorrer em qualquer época do ano mas principalmente de julho a outubro ou
de janeiro a abril (Almeida et al., 1998).
Árvore
hermafrodita de porte médio (entre 4 a 7 metros de altura), dotada de copa
arredondada (4 a 6 metros de diâmetro); tronco tortuoso, bastante ramificado,
áspero; ramos lisos, avermelhados; látex branco abundante. Folhas opostas,
lanceoladas, simples, pecioladas, glabras nas duas faces, brilhantes, coriáceas,
de 7 – 10 cm de comprimento por 3 – 4 cm de largura, coloração avermelhada
quando novas e ao caírem. Inflorescência com cerca de 1 a 7 flores perfumadas
de cor branca. Fruto baga globosa, glabra, com polpa carnosa e comestível,
contendo muitas sementes; pode pesar de 30 a 260 g (Figuras 03 e 04).
Conhecendo
o fruto e fazendo dele uso, os indígenas chamavam-no de mangaba – “coisa
boa de comer”. O fruto tem forma de pêra, muito viscoso quando verde, contém
suco leitoso que quase embriaga e pode matar; a polpa é branca, fibrosa e
recobre sementes circulares. Maduro, o fruto tem casca amarelada com manchas
vermelhas, é aromático, delicado, tem ótimo sabor mesmo sendo ainda um pouco
viscoso (www.seagri.ba.gov.br./mangaba).
A
mangaba só deve ser consumida quando madura pois, antes disso, pode até mesmo
causar problemas de saúde para quem a consumir. Os frutos não devem ser
retirados da árvore, mesmo que, aparentemente estejam maduros. Devemos aguardar
que, após amadurecerem, caiam no chão para que possam ser colhidos. Para que
possamos consumí-los, entretanto, devemos aguardar 24 horas. Nesta fase, a
fruta está amarelada e apresenta manchas vermelhas (www.ruralnews.com.br/agricultura/frutas/mangaba).
Atualmente,
a sua exploração ainda é feita de modo extrativista devido ao fato da cultura
continuar sendo mantida no seu habitat natural. A planta produz frutos aromáticos,
saborosos e nutritivos, com ampla aceitação de mercado, tanto para o consumo
in natura quanto para a indústria de doce, sorvete, suco, licor, vinho e
vinagre (www.dhnet.org.br).

FIGURA 03 – Detalhe árvore, ramos e folhas
Fonte: Clube da Semente

FIGURA 04 – Ramos e fruto
Fonte: Ecovila Novo Horizonte – Fauna e Flora da região
O
potencial para o aproveitamento da mangabeira inteira é muito bom, apesar de
que apenas os frutos apresentam um valor comercial significativo. Do tronco,
podemos extrair o látex, substituto do látex da seringueira, mas com qualidade
um pouco inferior (www.ruralnews.com.br/agricultura/frutas/mangaba).
A
madeira é empregada apenas para caixotaria e para lenha e carvão (www.clubedasemente.org.br).
Na medicina popular, o chá da folha é usado para cólica menstrual (Rizzo et
al., 1990 apud Almeida et al., 1998) e o decocto da raiz é usado junto com o
quiabinho (Manihot tripartita) para tratar luxações e hipertensão (Hirschmann
e Arias, 1990 apud Almeida et al., 1998). A árvore é melífera e ornamental.
A
mangaba é uma fruta rica em diversos elementos e em sua composição
encontramos as vitaminas A, B1, B2 e C, além de ferro, fósforo,
cálcio e proteínas. O valor energético, em cada 100g de fruta, é de 43
calorias (www.ruralnews.com.br). No quadro abaixo as propriedades nutritivas da
mangaba (www.belaischia.com.br).
Propriedades Nutritivas por 100
gramas da fruta (polpa):
|
Vitamina
A |
Vitamina
B1 |
Vitamina
B2 |
Vitamina
C |
Niacina |
|
(mg) |
(mg) |
(mg) |
(mg) |
(mg) |
|
30,00 |
40,00 |
40,00 |
33,00 |
0,50 |
|
|
|
|
|
|
|
Glicídios |
Proteínas |
Lipídios |
Cálcio |
Fósforo |
|
(g) |
(g) |
(g) |
(mg) |
(mg) |
|
10,50 |
0,70 |
0,30 |
41,00 |
18,00 |
Borges
et al., (2000), desenvolveram um estudo de caracterização dos frutos da
mangabeira. Os resultados (Tabela 05) mostraram que os altos conteúdos de sólidos
solúveis totais associados com a alta acidez, além do sabor exótico, conferem
à mangaba um sabor muito apreciado. A quantidade de açúcar em relação aos sólidos
solúveis totais corresponde a, aproximadamente, 77%, e a de açúcares
redutores em relação aos totais, 59%. O teor de compostos fenólicos, em média
de 0,31%, é comparável ao encontrado no pedúnculo do cajueiro-anão precoce,
um fruto bastante adstringente, se ingerido in
natura.
Uma
característica de fundamental importância para o consumo da mangaba é o
elevado teor de ácido ascórbico presente na polpa, que a coloca entre as
frutas consideradas como ricas fontes de vitamina C, mais que os cítricos,
citados como referência com relação a essa vitamina.
Os
conteúdos de amido (0,52%) e de pectina total (0,54%) sugerem que o uso de
enzimas pode aumentar o rendimento na extração de suco dessa fruta.
|
Características* |
Médias |
|
Peso
Total (g) |
19,82 |
|
Sementes
(%) |
13,23 |
|
Casca
+ Polpa (%) |
86,54 |
|
Comprimento
(mm) |
33,37 |
|
Diâmetro
(mm) |
30,12 |
|
Sólidos
Solúveis Totais (ºBrix) |
16,72 |
|
Acidez
Total Titulável (%) |
1,77 |
|
Sólidos
Solúveis/Acidez |
9,51 |
|
pH
|
3,29 |
|
Açúcares
Solúveis Totais (%) |
12,98 |
|
Açúcares
Redutores (%) |
7,72 |
|
Amido
(%) |
0,52 |
|
Pectina
Total (%) |
0,54 |
|
Pectina
Solúvel (%) |
0,24 |
|
Pectina
Fracionada (% - em relação aos SAI) |
A.M.
- 10,35 ï B.M.- 1,10 ï
Prot. – 0,29 |
|
Pectinametilesterase
(UAE) |
498,39 |
|
Poligalacturonase
(UAE) |
17,33 |
|
Vitamina
C Total (mg/100g) |
139,64 |
|
Fenólicos
Solúveis em Água (%) |
0,29 |
|
Fenólicos
Solúveis em Metanol (%) |
0,33 |
|
Fenólicos
Solúveis em Metanol 50% (%) |
0,31 |
* SIA = sólidos insolúveis em álcool; A.M. = alta
metoxilação; B.M. = baixametoxilação; Prot.= protopectina; UAE = unidades de
atividade enzimática.
A
mangabeira é uma das mais importantes produtoras de matéria-prima para a
agroindústria de sucos e sorvetes do Nordeste e Centro Oeste (www.todafruta.com.br).
Hoje,
o volume de frutas que chega no mercado é menor que a procura. Nas regiões de
maior ocorrência, muitas pessoas ganham o sustento informalmente com a coleta
das mangabas e venda no mercado.
Atualmente,
já ocorre a comercialização, em supermercados, de mangaba em bandejas de
isopor revestidas com filme de PVC com capacidade para 500 g (Lederman et al.,
2000 apud Borges et al., 2000).
Alguns
cultivos comerciais estão começando a se estabelecer, mas as poucas informações
sobre técnicas de cultivo ainda limitam a expansão dos pomares comerciais.
A
mangabeira é uma planta de clima tropical, vegeta bem em áreas com temperatura
média anual em torno de 25ºC e chuvas entre 750 mm a 1500 mm anuais bem
distribuídas. A planta tolera períodos secos e se desenvolve melhor em períodos
quentes. Apesar de ser encontrada vegetando em solos arenosos, ácidos, pobres
em nutrientes e em matéria orgânica, e de fácil drenagem, a mangabeira
apresenta melhor desenvolvimento em solos areno-argilosos profundos e com bom
teor de matéria orgânica.
A
mangabeira multiplica-se por sementes; estas são
obtidas de frutos somente maduros – colhidos ainda “de vez”. Estes frutos
devem ser sadios, com quantidade de polpa de bom aspecto e colhidos de plantas
precoces, vigorosas, isentas de pragas e doenças, e produtivas. Imediatamente
após retiradas dos frutos as sementes devem ser lavadas para eliminação total
da polpa e secadas à sombra sobre jornal por 24 horas. Devem ser semeadas até
o quarto dia após a lavagem. O semeio pode ser feito em canteiros de terra ou
em sacos de polietileno preto com dimensões 14 cm x 16 cm ou 15 cm x 25 cm
enchidos com terra preta e areia lavada – proporção 1:1 (www.seagri.ba.gov.br/mangaba).
O uso de calcário e o excesso de irrigação e/ou matéria orgânica no
substrato, para a formação de mudas, prejudica o desenvolvimento delas, além
de favorecer o ataque de doenças do sistema radicular (Avidos e Ferreira,
2003). A germinação ocorre a partir de 21 dias após o semeio, estendendo-se
por 30 dias.
O
plantio definitivo é feito cerca de 120 dias após o semeio, no início das
chuvas, quando as mudas tiverem cerca de 20 centímetros de altura. O
crescimento é lento. O espaçamento recomendado em plantio solteiro é de 6 x 4
metros ou 6 x 5 metros. O plantio definitivo deve ser feito em terreno
previamente adubado (um mês antes), com esterco de curral. Adubação orgânica,
em geral, é muito bem aceita. As mudas devem ser colocadas em covas de 50 x 50
x 50 cm.
A
mangabeira costuma crescer pendida devido à ação do vento e emitir grande
quantidade de ramos laterais, muitos deles junto ao solo. Portanto, é necessário
escorar a planta no lado oposto à incidência dos ventos, e realizar podas
regulares, eliminando-se os ramos que crescem até a altura de 30 ou 40 cm do
solo quando a planta alcançar 80 cm de altura. Galhos secos e doentes são
podados ao longo da vida da planta. Regularmente, efetuar capina em coroamento
em torno da planta e manter o resto da área roçada.
A
colheita inicia-se quando a mangabeira chega aos 5 ou 6 anos de idade, embora já
se tenha identificado plantas que frutificam com 3 anos e meio de idade.
Apresenta 2 safras de fruto/ano – no início e meados do ano -. Quando a
mangaba está no ponto máximo de desenvolvimento, desprende-se da árvore e
completa o amadurecimento no chão, o que demora entre 12 e 24 horas. Quando
maduros, os frutos tornam-se muito perecíveis e devem ser consumidos
rapidamente, o que é um empecilho à comercialização. Por isso, a maior parte
da colheita é feita no pé, e o fruto fica pronto para o consumo em dois a
quatro dias. Nesse caso, deve-se ter experiência para saber a hora exata da
colheita. Os frutos colhidos no chão, chamados “de caída”, são mais
valorizados.
A
produção de frutos da mangabeira é estimada em quatro toneladas/hectare/ano.
As
principais pragas que podem atacar a mangabeira são:
·
Pulgão verde – ataca
principalmente a parte terminal da planta notadamente nos viveiros causando o
enrolamento das folhas; o controle químico pode ser feito por pulverizações
quinzenais de produtos comerciais à base de pirimicarb, acefato, malation,
paratiom.
·
Lagartas – ocasionalmente
atacam desfolhando totalmente a planta jovem; o controle pode ser efetuado pela
pulverização de produtos comerciais à base de bacillus thuringiensis,
triclofon, carbaryl (www.seagri.ba.gov.br).
Segundo
Silva et al., (2001), podem ocorrer algumas doenças, entre elas:
·
Podridão de raízes de mudas – Causada pelo fungo Cylindrocladium
clavatum, é a mais grave doença da mangabeira, podendo provocar até 100%
de moralidade das mudas em viveiro.
·
Mancha-Foliar – Causada pelo
fungo Pseudocercospora sp., a
Mancha-Foliar ataca folhas de mudas e plantas adultas de mangabeira.
·
Antracnose – Causada pelo fungo
Colletotrichum gloeosporioides, ataca
as flores, provocando secamento e abortamento dos frutos. Quando os frutos
jovens são atacados, ficam escuros, murcham e secam.
Divisão:
Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe:
Magnoliopdida (Dicotiledonae)
Ordem:
Rosales
Família:
Leguminosae
Nome Científico:
Dypterix alata Vog.
Nomes Populares:
baru, barujó, castanha-de-ferro, coco-feijão, cumaru-da-folha-grande,
cumarurana, cumaru-verdadeiro, cumaru-roxo, cumbaru, cumbary, emburena-brava,
feijão-coco, meriparagé, pau-cumaru
Ocorrência:
Cerrado, Cerradão Mesotrófico, Mata Mesofítica.
Distribuição:
Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo (Almeida et al., 198).
Floração:
de novembro a maio.
Frutificação: de outubro a março.
Árvore
hermafrodita de até 15 m de altura, com tronco podendo atingir 70 cm de diâmetro
e copa medindo de 6 a 8 m de diâmetro, densa e arredondada. Folhas compostas
por 6 a 12 folíolos, alternos ou subopostos, de coloração verde intensa.
Inflorescência panícula terminal e nas axilas das folhas superiores, com cerca
de 200 a 1000 flores, caducas antes da antese. Flores pequenas, de coloração
alva e esverdeada. Fruto tipo legume, com 5 a 7 cm de comprimento por 3 a 5 cm
de diâmetro, de cor marrom-claro com amêndoa e polpa comestíveis. Semente única,
marrom-claro e marrom-escuro, cerca de 2 a 2,5 cm de comprimento, elipsóide,
brilhante (Figura 05).

FIGURA 05 – Ramos e frutos de Baru
Fonte: Almeida et al., 1998.
O
valor calórico da polpa é de 310 kcal/100 g, com alto teor de carboidratos
(63%); é rica em potássio (572mg/100 g), cobre (3,54 mg/100 g) e ferro (5,35
mg/100 g) (Vallilo et al., 1990 apud Almeida et al., 1998). Destaca-se o elevado
teor de fibra insolúvel (28,2%), de açúcar (20,45%) e de taninos (3%) para
frutos ainda na árvore (Togashi, 1993 apud Almeida et al., 1998). A semente do
baru é rica em cálcio, fósforo e manganês, apresenta 560 kcal/100 g, com
cerca de 42% de lipídios e 23% de proteína. O óleo é rico em ácidos graxos
insaturados (80%), sendo o componente principal o ácido oléico (44,53%)
seguido do linoléico (31,7%), palmítico (7,16%), esteárico (5,33%) e outros,
além da vitamina E (13,62 mg/100 g) (Togashi, 1993 apud Almeida et al., 1998).
O óleo extraído do fruto é volátil, incolor e espesso. A semente apresenta
também alto teor de macro e micronutrientes (mg/100 g): K (811), P (317), Mg
(143), Mn (9,14), Fe (5,35), Zn (1,04) e Cu (1,08) (Vallilo et al., 1990 apud
Almeida et al., 1998). Nas folhas a concentração de macronutrientes apresentou
valores médios de P(0,14%), Ca (0,68%), Mn (150 ppm) e Zn (40 ppm) (Araújo,
1984 apud Almeida et al., 1998).
Estudando
o comportamento dessa espécie, em competição, Toledo Filho 1985 apud Almeida
et al., 1987), recomenda-a tanto para ornamentação de ruas e praças quanto
para o aproveitamento silvicultural.
Planta
ornamental, de copa larga, com
bonita folhagem e ramos que oferecem resistência ao vento. Fornece madeira
de cor clara, compacta, resistente às pragas, própria para construção de
estrutura externas como: estacas, postes, moirões, obras hidráulicas,
dormentes, bem como para construção civil e naval, para vigas, caibros,
batentes de porta, assoalhos e carrocerias (Corrêa, 1931; Lorenzi, 1992 apud
Almeida et al., 1998).
O
gosto da amêndoa do baru, parecido com o do amendoim, leva a população da
região a atribuir-lhe propriedades afrodisíacas: diz-se que na época do baru,
aumenta o número de mulheres que engravidam. O que já se sabe é que o baru
tem um alto valor nutricional que, superando os 26% de teor de proteínas, é
acima do encontrado no coco-da-baía.
A
amêndoa do baru pode (Figura 06) ser comida crua ou torrada e, nesse último
caso, substitui com equivalência a castanha-de-caju, servindo como ingrediente
em receitas de pé-de-moleque, rapadura e paçoquinha
(www.bibvirt.futuro.usp.br/especiais/frutasnobrasil/baru).

FIGURA 06 – Detalhe da amêndoa do Baru
Fonte: Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro
Para
se obterem as amêndoas, tem-se primeiramente que retirar a polpa com faca. Os
frutos despolpados são quebrados com o auxílio de uma morsa (torno fixo de
oficina mecânica) ou martelo, processo esse bastante rápido. Recomenda-se
quebrar somente aqueles frutos cujas amêndoas sacodem ao balançá-los, porque
os outros não contêm amêndoas. A vantagem de se usar a morsa é que as amêndoas
não são danificadas, sendo, por esse fato, usadas também para a formação de
mudas (Almeida et al., 1987).
Ferreira
(1980 apud Almeida et al., 1987) relata que as sementes do baru fornecem um óleo
de primeira qualidade, que tanto é utilizado como aromatizante para o fumo como
anti-reumático na medicina popular.
A
polpa é bastante apreciada pelos bovinos, suínos e animais silvestres, que a
consomem quando os frutos caem no chão ou das raspas que sobram da retirada da
semente para consumo humano (Almeida et al., 1990 apud Almeida et al., 1998).
Os
frutos maduros são procurados por morcegos e macacos. Os macacos chegam a
atrapalhar a dispersão pois conseguem quebrar o fruto com pedra e comer as amêndoas
(Ferreira, 1980 apud Almeida et al., 1998).
Embora
tenha bom potencial econômico, o fruto não é comercializado nas cidades. Pode
ser apreciado apenas como planta nativa nas fazendas do centro-oeste, onde
alguns fazendeiros se preparam para iniciar seu cultivo racional principalmente
em meio a áreas de pastagens (Avidos e Ferreira, 2003).
Para
se efetuar a colheita de frutos de espécies arbóreas como Pequi, Jatobá,
Cagaita e Baru deve-se estender uma lona, forro de pano ou de plástico ao redor
da planta, balançar levemente os galhos e recolher os frutos sadios, sem vestígios
de ataques de pragas ou de doenças, e acondicioná-los em recipientes adequados
para o transporte (Silva et al., 2001).
Para
a formação das mudas usam-se as sementes ou amêndoas.
Quando
se faz a semeadura com sementes nuas, a germinação é mais rápida do que com
o fruto inteiro. Sobre esse aspecto, Filgueiras & Silva (1975) apud Almeida
et al., (1987) citam que as sementes nuas levaram treze dias para germinar,
enquanto no fruto inteiro demoraram 42 dias.
As
mudas dessa espécie devem ser mantidas a pleno sol, pois na sombra podem sofrer
ataque de fungos Cilindrocladium sp. e outras pragas. Nogueira & Vaz (1993) apud
Almeida et al., (1998), obtiveram mudas de 15 cm de altura após 40 dias da
semeadura. Foi observado ainda que o crescimento da parte subterrânea é mais rápido
que o da parte aérea.
A
frutificação inicia-se aos seis anos (Carvalho, 1994 apud Almeida et al.,
1998).
Divisão:
Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe:
Magnoliopdida (Dicotiledonae)
Ordem:
Myrtales
Família:
Myrtaceae
Nome Científico:
Eugenia dysenterica Dc.
Nomes Populares:
cagaita, cagaiteira
Ocorrência:
Cerradão Mesotrófico e Distrófico, Cerrado sentido restrito
Distribuição:
Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Groso do
Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, São Paulo, Tocantins
Floração:
de agosto a setembro
Frutificação: de setembro a novembro
Árvore
hermafrodita com 6 a 8 m de altura por 6 a 8 m de diâmetro de copa, com ramos
tortuosos, casca do tronco suberosa, profundamente sulcada e gretada.
Folhas
verdes, brilhantes e quando jovens verde-claras, chegando a ser ligeiramente
translúcidas (www.agro-fauna.com.br). São opostas, simples e caducas na floração
(Almeida et al., 1998).
Inflorescência
racêmulos umbeliformes ou alongados
pelo posterior desenvolvimento vegetativo da gema terminal, simulando flores
isoladas, axilares, geralmente com 4 flores, raramente 2 a 6 (Almeida et al.,
1998). Flores brancas e aromáticas (www.agro-fauna.com.br).
Fruto
globoso e achatado, de coloração amarelo-pálido, com 1 a 3 sementes brancas
envoltas em polpa de coloração creme, de sabor acidulado (www.agro-fauna.com.br).
O fruto mede de 3 a 4 cm de comprimento por 3 a 5 cm de diâmetro (Figura 07) e
pesa de 14 a 20 g (Silva et al., 2001).

FIGURA 07 – Cagaita (Eugenia dysenterica DC.) Myrtaceae. A. ramo com frutos; B. fruto inteiro e partido; C. polpa comestível; D. semente.
Fonte: Almeida et al., 1987.
Parente
da pitanga, do araçá e da uvaia, a cagaita é uma frutinha arredondada de cor
amarela suave. De fina casca, tem um sabor ácido e é bastante suculenta,
apresentando cerca de 90% de suco em seu interior (Figura 08).
Apesar
de seu sabor agradável e de sua natureza refrescante, o povo da região dos
cerrados sabe que, por um capricho da natureza, a cagaita é uma fruta que deve
ser saboreada com moderação. Quem não quiser acreditar, ficará sabendo que
os nomes populares e científicos das frutas têm sua razão de ser.
O
fato é que, consumida em excesso, a cagaita provoca uma fermentação,
estimuladora do funcionamento intestinal e causadora de uma espécie de
mal-estar semelhante à embriaguez. Por outro lado, a infusão da folha e da
casca da árvore tem efeito contrário, sendo muito utilizada pela medicina
popular como anti-diarréico.
No
Centro de Tecnologia Agroindustrial da EMBRAPA, com sede no Rio de Janeiro,
desenvolvem-se e testam-se novas receitas de sucos, geléias e doces, com
amostras de frutas do Cerrado. Ali, juntamente com a amêndoa torrada do baru, o
suco de cagaita constitui um dos produtos da preferência dos visitantes e
funcionários.
Foi
ali também que se comprovou aquilo que o nativo já sabia há tempos; se a
fruta in natura provoca reações intestinais desagradáveis, a sua polpa,
utilizada como ingrediente de sucos, geléias, refrescos, sorvetes, doces, geléias
e licores, conserva apenas as suas características agradáveis de sabor e
perfume (www.bibvirt.fututo.usp.br).
Árvore melífera (Brandão & Ferreira, 1991 apud Almeida et al., 1998) é também ornamental. Quando em floração oferece um bonito visual, uma vez que na época seca a folhagem que cai é substituída pelas folhas novas avermelhadas, e pelas flores alvas que