Fertirrigação,
Adubação e Nutrição das culturas do
Abacaxizeiro e Maracujazeiro
Pereira, S.
Melo, B.
SUMÁRIO
1.2.
Quimigação e sistemas de irrigação
1.3.
Vantagens e desvantagens da fertirrigação
1.4.
Interação solo-água-nutriente-planta
1.5.
Fertilizantes utilizados na água de irrigação
1.5.1.
Solubilidade em água e pureza
1.5.2.
Compatilibidade entre fertilizantes
1.5.4.
Efeito do fertilizante no pH da solução
1.6.
Características de alguns fertilizantes
1.6.1.
Fertilizantes nitrogenados
1.6.2.
Fertilizantes fosfatados
1.6.2.1.
Movimentação de fósforo no solo
1.6.2.2.
Outras informações sobre as fontes de fósforo
1.6.3.
Fertilizantes potássicos
1.6.4.
Fertilizantes contendo cálcio, magnésio e enxofre
1.6.5.
Fertilizantes contendo micronutklentes
2.
Capítulo 2 - Método de irrigação localizada
2.1.
Introdução: métodos de irrigação
2.2.
Conceito – irrigação localizada
2.3.
Gotejamento e microaspersão
2.7.2.
Válvulas de ar, válvulas antivácuo e ventosas
2.9.
Injetores de fertilizantes
2.9.1.
Turbobombas (bombas hidrodinâmicas)
2.9.2.
Volumétricas (bombas de deslocamento positivo)
2.9.3.
Método diferencial de pressão
2.9.4.
Tanque de fertilizante ("by-pass")
2.9.4.2.
Pressão negativa (vácuo)
2.9.5.
Transformação de energia (peças especiais)
2.9.5.2.
Aplicador portátil de produtos químicos (vaquinha)
2.10.1.
Emissores de alta vazão (entre 20 a 150 I.h-1):
2.10.2.
Emissores de baixa vazão (entre 0,5 a 40 l.h-1)
2.10.2.1.
Tapes, tubos porosos e xique-xique:
2.10.2.2.
Gotejadores helicoidais
2.10.2.3.
Gotejadores de fluxo turbulento
2.11.1.
Controle e manejo da irrigação
2.12.
Aplicação de fertilizantes via irrigação localizada
2.12.1.
Medidas operacionais para a injeção de produtos químicos
2.12.2.
Cálculo da taxa de aplicação/injeção
3.
Capitulo 3 – cultura do abacaxizeiro
3.2.4.
Correção de acidez (calagem)
3.3.1.
Sistema de plantio e espaçamentos
3.4.1.
Análise química do solo e recomendação de adubos
3.4.3.
Modos de aplicação dos adubos
3.4.4.
Épocas de aplicação e parcelamento
3.4.6.
Aplicação de micronutrientes
3.5.
Irrigação do abacaxizeiro
4.
Capítulo 4 - Cultura do maracujazeiro
4.2.
Exigências edafoclimáticas
4.4.1.
Análise química do solo
4.6.1.
Mineral – macronutrientes
4.6.2.
Mineral - micronutrientes
4.6.4.
Fontes de fertilizantes
4.6.5.2.
Interpretação dos resultados
4.7.
Irrigação do maracujazeiro
Segundo as Nações Unidas, o Desenvolvimento
Sustentado pode ser definido como aquele que deva garantir as
necessidades das gerações atuais sem comprometer às das gerações futuras.
Possui duas lógicas
de solidariedade: das gerações atuais com as futuras e das gerações atuais
com a natureza que elas ocupam hoje.
As principais dimensões de sustentabilidade
que precisam ser verificadas no novo estilo de desenvolvimento são: a ecológica,
a cultural, a social, a tecnológica, a política, a jurídica e a econômica.
Todos projetos de desenvolvimento precisam ser avaliados nestas dimensões e
identificado seus diversos níveis de sustentabilidade.
Sob o ponto de vista agrícola, o
solo que, pode ser conceituado como uma mistura de materiais minerais, orgânicos
e biológicos da superfície da terra que serve de ambiente para o crescimento
das plantas. Como um fator de produção, o solo apresenta duas características
básicas, que revelam o seu valor agronômico, a fertilidade e a produtividade.
Com o advento da agricultura científica, as fronteiras agrícolas foram
ampliadas, derrubando assim os limites que a baixa fertilidade natural do solo
impunha a expansão da agricultura. A pesquisa científica e tecnológica
promoveu a ocupação de áreas antes improdutivas, pela racionalização do uso
de corretivos e fertilizantes minerais, e também permitiu a recuperação de
solos desgastados restaurando-lhe sua produtividade. A fertilidade do solo como
disciplina tem o importante papel de fornecer às bases técnicas para o uso
racional de corretivos e fertilizantes, insumos indispensáveis para a obtenção
de grandes colheitas.
A melhoria da tecnologia de
irrigação e eficientes utilizações da água de irrigação e de
fertilizantes são essenciais para a manutenção do suprimento de alimentos em
equilíbrio com sua crescente demanda, garantindo a integridade do meio
ambiente. Entretanto, a agricultura irrigada pode ser sustentada no meio
ambiente desde que se identifiquem os princípios básicos de um bom manejo de
água e fertilizantes. Com um planejamento inadequado, a ameaça de dano
ambiental devido à irrigação/fertilização é inevitável, ao passo que a
agricultura intensamente irrigada com planejamento, construção e manejo
ajustados, ao invés de constituir um problema ambiental, pode tornar-se um
patrimônio ambiental e humano (PAPADOPOULOS, 1999).
A aplicação de produtos químicos
(quimigação) através do sistema de irrigação tornou-se uma prática comum
na agricultura irrigada moderna. Da aplicação de produtos químicos, os
fertilizantes (principalmente) através dos sistemas de irrigação é uma prática
que vem sendo usada a muito tempo.
A expansão do uso da quimigação,
incluindo vários produtos químicos, gerou novos termos como fertigação (ou
fertirrigação), herbigação, fungigação, insetigação, nematigação,
pestigação, etc. (VIEIRA, 1994).
Além destas químicas, também já
existe a aplicação via água de irrigação de reguladores de crescimento,
fumigantes, cloros, ácidos e outros produtos químicos usados para controlar o
entupimento. Os fertilizantes foram provavelmente os primeiros produtos químicos
injetados nos sistemas modernos de irrigação.
A quimigação total, que é a
aplicação via água de irrigação de todo agroquímico que a cultura
necessita, já vem sendo usada extensivamente nos campos de pesquisa,
revelando-se prática e eficaz.
A quimigação é possível com
todos os métodos de irrigação: superfície, aspersão e localizada
(gotejamento e microaspersão). No entanto, as irrigações por superfície e
gotejamento só permitem a quimigação de agroquímicos que necessitam ser
distribuídos na superfície do solo ou no seu perfil; são incluídos nessa
categoria os nematicidas, os fertilizantes, muitos herbicidas e alguns
fungicidas e inseticidas. Por outro lado, na irrigação por aspersão os
produtos químicos podem ser aplicados tanto no solo quanto nas folhas. A
maioria dos inseticidas e fungicidas, muitos herbicidas e a maioria dos agentes
de controle biológico precisam ser aplicados na folhagem das plantas. Portanto,
o método de irrigação, em muitos casos, impõe restrições ao tipo de
produto químico a ser aplicado.
Os sistemas de irrigação por
aspersão, principalmente o pivô central e os sistemas, lineares, são os mais
adequados para a quimigação, enquanto o gotejamento e a irrigação por superfície
têm utilização limitada.
No sistema de irrigação por
aspersão convencional, um produto químico pode ser aplicado em qualquer
momento do molhamento. Nesse caso, quando se deseja obter máxima concentração
do produto na folhagem, com mínimo de escorrimento, faz-se a injeção do
agroquímico na água no final da irrigação. No pivô central, no entanto, o
produto químico deve ser continuamente injetado, por causa do movimento lateral
contínuo do sistema. Em geral, os pivôs centrais comercializados no Brasil
aplicam de 4 a 9 mm de água por volta (40 a 90 mil litros de água por
hectare), na velocidade máxima. Como resultado, a concentração do produto na
água de irrigação é muito baixa e ele, em sua maior parte, pode ser
depositado no solo. Este é o argumento mais forte de quem é contra a quimigação
com produtos que atuam nas folhas. Entretanto, os resultados de muitas pesquisas
e a adoção da tecnologia por muitos agricultores não deixam dúvida sobre a
eficácia da quimigação com grande número de produtos químicos que atuam nas
folhas, principalmente quando se usa formulação adequada (VIEIRA, 1994).
Os sistemas de gotejamento e microirrigação, os
quais são altamente eficientes para a aplicação de água, são também
perfeitamente adequados para a fertirrigação, sendo práticos para a quimigação
de certos produtos químicos. Dessa forma, os fertilizantes solúveis em água
nas concentrações exigidas pelas culturas são transmitidos através da água
de irrigação para o volume molhado do solo. Assim, a distribuição de
produtos químicos na água da irrigação provavelmente conduzirá esses
produtos ao local desejado, ou seja, a zona radicular. Isto reduz a distribuição
de água e fertilizante. Além disso, com a irrigação por gotejamento, a
aplicação de herbicidas e pesticidas contra doenças e pragas transmitidas
pelo solo devido à aplicação localizada somente na área molhada, faz com que
os produtos químicos sejam mais eficazes em baixas concentrações.
Ao contrário dos sistemas de
irrigação por gotejamento, os sistemas de irrigação por aspersão são
excepcionalmente adequados à quimigação pulverizada.
Algumas das grandes vantagens dos
sistemas fertirrigados são:
Ø
A alta produtividade;
Ø
Melhor qualidade do produto;
Ø
Melhor eficiência na recuperação do fertilizante;
Ø
Perdas mínimas de fertilizantes ocasionadas pela lixiviação;
Ø
Controle da concentração de nutrientes na solução do
solo;
Ø
Controle da forma e taxa de variação destas formas
principalmente dos fertilizantes nitrogenados; e
Ø
Flexibilidade na escolha da época de distribuição do
fertilizante em relação à exigência da cultura, baseada nos estádios de
desenvolvimento e fisiológico das mesmas.
As vantagens de programar as
aplicações de fertilizantes com base nas necessidades nutricionais das
culturas reduzem potencialmente as perdas de nutrientes/elementos associadas aos
métodos de aplicação convencionais que dependem tanto do solo quanto à
reserva de nutrientes. Além disso, a fertirrigação reduz as flutuações da
salinidade da solução do solo causadas pelos fertilizantes, melhorando, assim,
as condições da solução do solo, especialmente para culturas sensíveis à
salinidade. Com a fertirrigação, geralmente é possível proteger o solo e a
água dos fertilizantes, de forma sustentável (PAPADOPOULOS, 1999).
As águas que se destinam à
irrigação devem ser avaliadas, principalmente, sob três aspectos: salinidade,
sodicidade e toxidade de íons, variáveis fundamentais na determinação da
qualidade agronômica das mesmas.
O efeito da salinidade tem
natureza osmótica, podendo afetar diretamente o rendimento das culturas. A
sodicidade refere-se ao efeito relativo do sódio da água de irrigação,
tendendo a elevar a porcentagem de sódio trocável no solo (PST), causando
danos às propriedades físico-químicas do solo e provocando problemas de
infiltração.
A toxidade diz respeito ao efeito
específico de certos íons sobre as plantas, afetando seu rendimento,
independentemente do efeito osmótico. Em algumas situações, o efeito iônico
pode manifestar-se na forma de desequilíbrio nutricional (MAIA et al, 1998).
Para prever problemas
relacionados à qualidade da água, é necessário avaliar tanto o potencial da
água em criar condições, no solo, capazes de restringir seu uso quanto a
avaliar a necessidade de empregar técnicas de manejo especiais para manter
aceitáveis rendimentos das culturas. Existem vários procedimentos para
realizar esta avaliação, porém, independentemente do método empregado e
considerando que estes problemas devem ser resolvidos a nível de parcela, as
condições locais específicas e a capacidade de manejo do usuário devem ser
consideradas na avaliação.
Águas com elevada condutividade
elétrica indicam alto risco, quanto à salinidade, para os solos, enquanto as
águas que apresentam condutividade elétrica inferiores a 0,5 dS.m-1
são consideradas águas corrosivas. A aplicação dessas águas tende a
lixiviar os sais minerais solúveis, incluindo os sais de cálcio, reduzindo sua
influência sobre a estabilidade de agregados e a estrutura do solo. As partículas
finas do solo, assim dispersadas, obstruem o espaço poroso, reduzindo acentuadamente
a infiltração.
Independentemente da RAS (razão
de adsorção de sódio), as águas com salinidade muito baixa, principalmente
abaixo de 0,2 dS.m-1, invariavelmente causam problemas de infiltração;
isto inclue as águas de chuva que, por apresentarem baixa condutividade elétrica,
podem provocar dispersão do solo e excesso de escoamento nas áreas irrigadas. Para BURT e colaboradores, segundo MAIA e
colaboradores (1998), as características da água que contribuem para problemas
de infiltração no solo são: altos valores da RAS; baixos valores da
condutividade elétrica; baixa relação Ca/Mg ou Ca/(Mg + Na); e fertirrigação
com cátions monovalentes, como o amônio em condições de baixa condutividade
elétrica. Os mesmos autores citam que os problemas de infiltração podem ser
causados por um interrelacionamento entre a condutividade elétrica da água e
a quantidade relativa de vários íons. Isto indica que, se uma água possui RAS
igual a 30, nenhum problema de infiltração pode ocorrer se a condutividade elétrica
da água for alta (acima de 5,0 dS.m-1).
O entupimento dos emissores pela precipitação de
carbonatos é um problema enfrentado para quem emprega a técnica da
fertirrigação. As obstruções causadas pela precipitação de compostos químicos,
como o carbonato e o sulfato de cálcio, são formadas lentamente e, portanto,
mais difíceis de serem localizados. As altas temperaturas e os valores altos de
pH favorecem a precipitação química, a qual origina-se por excesso de
carbonatos ou sulfatos de cálcio ou magnésio. A precipitação do cálcio na
água pode ser prevista empregando-se o Índice de Saturação de Langelier (ISL),
segundo o qual o carbonato de cálcio precipita-se quando alcança seu limite de
saturação em presença de bicarbonato.
A análise da qualidade da água
para irrigação (Quadro 1.1) deverá contemplar as características dos
nutrientes (N, S, Ca, Mg, Cl, Fe e B), do sódio, dos carbonatos, dos
bicarbonatos, da salinidade e do pH dos fertilizantes para avaliar os problemas
potenciais que estes podem causar de acordo com suas concentrações na água (VIERIA
e RAMOS, 1999).
Quadro 1.1. Problemas potenciais relacionados com a qualidade da água
de irrigação (adaptado de VIERIA e RAMOS, 1999).
|
Análise |
Nível
de dano |
||
|
Nenhum |
Médio |
Severo |
|
|
PH |
5,5
- 7,0 |
<
5,5 ou > 7,0 |
< 4,5 ou > 8,0 |
|
C.E. (dS.m-1)1 |
0,5
- 0,75 |
0,75
- 3,0 |
> 3,0 |
|
Total sólidos solúveis (mg.L-1) |
325
-
480 |
480
- 1.920 |
> 1.920 |
|
Bicarbonatos (mg.L-1) |
<
40 |
40
– 180 |
> 180 |
|
Sódio (mg.L-1) |
<
70 |
70
- 1802 |
> 1802 |
|
Cálcio (mg.L-1) |
20
-
100 |
100
- 2003 |
> 2003 |
|
Magnésio (mg.L-1) |
<63 |
>
633 |
|
|
RAS4 |
<
3 |
3
– 6 |
> 6 |
|
Boro (mg.L-1) |
<
0,5 |
0,5
- 2,0 |
> 2,0 |
|
Cloro (mg.L-1) |
<
70 |
70
– 300 |
> 300 |
|
Flúor (mg.L-1)5 |
<
0,25 |
0,25
- 1,0 |
> 1,0 |
|
Ferro (mg.L-1)6 |
<
0,2 |
0,2
- 0,4 |
> 0,4 |
|
Nitrogênio (mg.L-1)7 |
<
5 |
5
– 30 |
> 30 |
1
C.E. = Condutividade Elétrica. Valores inferiores a 0,5 dS.m-1
são satisfatórios se a água tem suficiente cálcio. No entanto, se a água
tem baixos teores de cálcio, pode haver problemas de
permeabilidade em certos solos;
2.
Menos severo se o potássio estiver presente em igual quantidade ou, em
plantas tolerantes a sódio;
3.
Grande quantidade de cálcio ou magnésio aumenta a precipitação de fósforo.
Não se deve injetar fósforo
na água de irrigação com mais de 120 mg.L-1
de cálcio, senão quando o pH da água for menor que 4,0.
4. RAS =
Relação
de Adsorção de Sódio,
fórmula: RAS = [Na + l / (([Ca2+] + [Mg2+]) /
2)0,5, em que Na, Ca e Mg são expressos em mmolcL-1;
5.
Valores significativos para as culturas sensíveis ao flúor;
6.
Valores maiores que 0,2 mg.L-1 podem causar manchas nas
plantas. Concentrações maiores que 0,4 mg.L-1
podem formar sedimentos se for usado cloro; e
7.
Soma de nitrato e amônio. Valores maiores que 5 mg.L-1
podem estimular o crescimento de algas em represas. Valores maiores de 30 mg.L-1
podem retardar a maturação e diminuir o conteúdo de açúcar em plantas sensíveis.
Deverá ser contemplada também
na análise da água para a irrigação a presença de óleos e graxas,
especialmente quando provenientes de reuso de efluentes agroindustriais
tratados. As gorduras bloqueiam muito rapidamente as areias dos filtros e telas,
comuns nos sistemas de irrigação localizada. As gorduras também podem entupir
emissores e orifícios, alem de causar degradação química de tubos plásticos
e outros componentes (VILLAS BÔAS, R. L. et al, 2001).
Em relação à cultura que estará sendo
fertirrigada, a marcha de absorção de nutrientes, a tolerância à salinidade
e a distribuição das raízes no perfil do solo são informações que ajudam
muito quando se deseja por em prática o melhor manejo da fertirrigação.
Finalmente, é necessário
entender como interagem o solo, a água, os nutrientes e as plantas e como isso
influencia o objetivo final da fertirrigação, que é a absorção eficiente
dos nutrientes pelas plantas (VIERIA e RAMOS, 1999).
Quando da escolha dos
fertilizantes adequados a serem utilizados via água de irrigação, algumas
características devem ser analisadas, tais como:
v
Solubilidade;
v
Pureza;
v
Compatibilidade entre fertilizantes;
v
Salinidade;
v
pH da água; e
v
outros.
Para se alcançar êxito na
fertirrigação deve-se utilizar fontes de alta solubilidade para que, a
concentração de nutrientes na solução aplicada seja, de fato, aquela
calculada. Outro aspecto importante da solubilidade é que alguns fertilizantes
que não apresentam dissolução completa podem causar entupimento nos
emissores, principalmente dos gotejadores (VILLAS BÔAS, R. L. et al, 1999).
Na prática, a solução aplicada
pela fertirrigação é misturada em tanques de capacidade variada e,
posteriormente, essa solução é injetada no ramal principal através de vários
equipamentos, onde é diluída. Por isso, a concentração no reservatório pode
chegar a ser 200 vezes maior que a solução que sai nos emissores. No preparo
da solução deve-se observar a solubilidade de cada fertilizante a fim de que
todo fertilizante dissolvido permaneça na solução.
No Quadro 1.2. (citada por Vitti
e colaboradores, conforme VILLAS BÔAS e colaboradores (1999) são apresentadas
as solubilidades de vários fertilizantes a temperatura de
20 °C. Quando a temperatura da água estiver abaixo da apresentada na
tabela, menor quantidade de fertilizante será solubilizada. Por isso,
principalmente no inverno, é necessário avaliar a temperatura da água antes
de se proceder a solubilização dos fertilizantes, pois, frequentemente se
opera à temperatura da água inferior a 20 °C. A própria mistura de
fertilizantes pode promover o abaixamento da temperatura da água, em função
das reações de dissolução absorverem calor. É o que ocorre quando
fertilizantes nitrogenados são solubilizados. Em casos de fertilizantes de
baixa solubilidade, como ocorre para o bórax, pode-se fazer inicialmente o
aquecimento da água para solubilizar e, posteriormente, proceder à mistura com
os demais fertilizantes.
A solubilidade normalmente é determinada a partir
de produtos puros (p.a.), deve-se considerar que os valores tabelados são máximos
e podem ser aplicados apenas a fertilizantes com alto grau de pureza. Para
fertilizantes comerciais o limite de solubilidade normalmente é mais baixo.
VIERIA e RAMOS (1999) recomendam
que no preparo de soluções, na fazenda, mesmo os fertilizantes solúveis em água,
tais como os nitrogenados, fosfatados e potássicos devem respeitar o limite de
75 % de solubilidade, visto que as solubilidades indicadas geralmente foram
obtidas em condições ótimas e com produto puro.
Deve-se, também, estar atento a
fertilizantes que apresentem:
a)
Condicionadores (usados para prevenir a quebra dos grânulos);
b)
Substâncias como óleo ou parafina, que revestem os
fertilizantes que tem problemas de higroscopicidade;
c)
Argilas presentes nos adubos fluidos para manter o potássio
em suspensão; e
d)
Outras impurezas, como óxido de ferro, presentes no
cloreto de potássio vermelho, etc.
Fertilizantes com estas características
devem ser evitados em fertirrigação.
Quadro 1.2. Solubilidade a 20ºC
de alguns fertilizantes (VILLAS BÔAS, R. L. et al, 1999).
|
FERTILIZANTE |
SOLUBILIDADE1 |
|
Nitrogenados (N) |
|
|
118 |
|
|
Nitrato de Cálcio |
102 |
|
Sulfato de Amônio |
71 |
|
Uréia |
78 |
|
Nitrato de Sódio |
73 |
|
Sol. Nitrogenadas |
ALTA |
|
Uran |
ALTA |
|
Fosfatados (P) |
|
|
Super Fosf. Simples |
2 |
|
Super Fosf. Triplo |
4 |
|
Ácido Fosfórico |
45,7 |
|
Potassicos (K) |
|
|
Cloreto de Potássio |
34 |
|
Sulfato de Potássio |
11 |
|
N e P |
|
|
Map |
23 |
|
Map Purificado |
37 |
|
Dap |
40 |
|
N e K |
|
|
Nitrato de Potássio |
32 |
|
Contendo Ca e Mg |
|
|
Cloreto de Cálcio
pentahidratado |
67 |
|
Sulfato de Magnésio |
71 |
|
Gesso |
0,241 |
|
Contendo Micronutrientes |
|
|
Bórax |
5 |
|
Sulfato de Cobre |
22 |
|
Sulfato de Cobre Pentahidratado |
24 |
|
Sulfato de Ferro |
24 |
|
Sulfato Ferroso |
33 |
|
Sulfato de Manganês |
105 |
|
Sulfato de Zinco |
75 |
|
Quelatos (Fe, Cu, Mn e Zn) EDTA,
DTPA |
ALTA |
Segundo VIERIA e RAMOS (1999),
quando da preparação de soluções de fertilizantes com várias fontes de
adubo, os seguintes pontos e recomendações devem ser considerados:
i)
A segurança envolvida no preparo das soluções: Coloque
sempre ácido na água, nunca o contrário;
ii)
Não misture amônia anidra ou aquamônia diretamente com
qualquer tipo de ácido. A reação pode ser violenta.
Efeitos de uma solução de
fertilizantes sobre outra solução quando elas são adicionadas no mesmo
tanque:
a)
Fertilizantes que contêm cálcio (Ca2+) são
incompatíveis com fertilizantes que contêm sulfato (SO4) ou fosfato
(H2PO4 );
b)
As soluções de fertilizantes geralmente são aplicadas em
baixas concentrações. Portanto, se elas forem injetadas em locais distintos da
linha de irrigação, muitos problemas de incompatibilidade desaparecem.
Reações das soluções de
fertilizantes com a água de irrigação:
g
Adicione lentamente o fertilizante sólido no tanque com água
com agitação para evitar problemas de solubilização;
g
A precipitação de adubos fosfatados aumenta quando a
concentração de cálcio na água está acima de 120 mgL-1.
Convém, antes de injetar a solução no sistema de
irrigação testar a compatibilidade por meio da mistura dos fertilizantes com a
água de irrigação em recipiente transparente e observando as reações que
podem ocorrer. Para tanto use a mesma diluição água/fertilizante aplicada
pelo seu sistema de irrigação, deixe a solução em repouso por duas horas,
observe a presença de precipitados ou turvamento no fundo do recipiente; se
isso ocorrer, há chance de a injeção simultânea dos dois produtos (ou do
produto com a água) causar entupimento da linha ou dos emissores.
A compatibilidade entre os adubos
e destes com os íons presentes na água de irrigação é fator de suma importância.
A fim de certificar-se a mistura pode ou não ser realizada deve-se recorrer aos
quadros de compatibilidade como o da Figura 1.1.
A aplicação de fertilizantes
incompatíveis (por exemplo; Ca(NO3)2 +
K2SO4)
devem ser feitas a partir de tanques independentes ou aplicados em momentos
diferentes, de modo que não haja contato entre as soluções concentradas
desses fertilizantes.
|
|
Uréia |
Nitrato
de amônio |
Sulfato
de amônio |
Nitrato
de cálcio |
Nitrato
de potássio |
Cloreto
de potássio |
Sulfato
de potássio |
Fosfato
de amônio |
Fé,
Zn, Cu e Mn quelato |
Fé,
Zn, Cu e Mn sulfato |
Sulfato
de magnésio |
Ácido
fosfórico |
Ácido
sulfúrico |
Ácido
nítrico |
|
Uréia |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Nitrato de amônio |
*1 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Sulfato de amônio |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Nitrato de cálcio |
|
|
I2 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Nitrato de potássio |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Cloreto de potássio |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Sulfato de potássio |
|
|
SR3 |
I |
|
SR |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Fosfato de amônio |
|
|
|
I |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Fé, Zn, Cu e Mn sulfato |
|
|
|
I |
|
|
SR |
I |
|
|
|
|
|
|
|
Fé, Zn, Cu e Mn quelato |
|
|
|
SR |
|
|
|
SR |
|
|
|
|
|
|
|
Sulfato de magnésio |
|
|
|
I |
|
|
SR |
I |
|
|
|
|
|
|
|
Ácido fosfórico |
|
|
|
|
|
|
|
|
I |
SR |
|
|
|
|
|
Ácido sulfúrico |
|
|
|
I |
|
SR |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Ácido nítrico |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
I |
|
|
|
|
1.
* Indica quadros sem referências são compatíveis;
2. I = Incompatível; e
3.
SR = Solubilidade Reduzida.
Figura 1.1. Solubilidade de misturas de fertilizantes líquidos
(algumas soluções são incopatíveis em concentrações na solução estoque,
devendo ser evitadas). Fonte: Landis e colaboradores, conforme VILLAS BÔAS e
colaboradores (1999).
Nas regiões de clima árido ou
semi-árido, onde há problemas relativos à salinidade do solo, a fertirrigação
e o maneje inadequado da irrigação podem intensificá-los. Os fertilizantes são
sais que elevam a concentração salina da água de irrigação e, por isso, não
se deve utilizar quantidades excessivas de fertilizantes que superem os valores
críticos de tolerância à salinidade de cada cultura.
Na irrigação localizada, há
riscos de que ocorram zonas de maior concentração de sais nos bordos
superiores do bulbo úmido que se forma ao redor do emissor. Para a
"lavagem" dos sais, pode ser necessária a aplicação de volume
adicional de água de irrigação e, como consequência, ocorrem perdas de
nutrientes por lixiviação. Logo, há necessidade de adubações extras para
repor esses nutrientes. Também pode ser aconselhável usar quantidades
adicionais de nutrientes no caso de uso de água salina para reduzir o efeito
negativo do excesso de certos íons (cloreto, sulfato, sódio etc.).
A maior disponibilidade de nutrientes proporciona
maior desenvolvimento vegetativo e, por conseguinte, os íons prejudiciais
atingem menor concentração dentro da planta, por efeito de diluição. A redução
da absorção de íons prejudiciais também se dá por antagonismo com outros íons
presentes na solução. Por exemplo, o potássio pode neutralizar parcialmente
os efeitos nocivos do sódio. O mesmo ocorre com o nitrato e o fosfato em relação
ao cloreto e ao sulfato.
No Quadro 1.3. são apresentados
os fertilizantes de uso mais comum na agricultura. O valor do índice salino é
dado de forma relativa, onde se atribuiu o índice 100 ao fertilizante nitrato
de sódio (NaNO3) sendo que os demais ferti1izantes são comparados
em relação a ele. No entanto, os fertilizantes apresentam concentrações
diferentes de nutrientes, e mais importante que o índice salino do adubo (índice
global), é considerar o índice salino por unidade de nutriente (índice
parcial). Por exemplo, o cloreto de potássio (60% K2O) apresenta
índice parcial de 1,94 por unidade de K2O, enquanto que para
o nitrato de potássio esse índice é de 1,59 e para o sulfato de potássio o
valor é de 0,85.
Quadro 1.3. Índice de salinidade de alguns adubos, adaptado, segundo
Lorenz & Maynard, conforme VILLAS BÔAS e colaboradores (1999).
|
Adubos |
Índice
global |
Índice
parcial |
|
Adubos
nitrogenados |
||
|
Nitrato de amônio (35,0 %) |
104,7 |
2,99 |
|
Sulfato de amônio (21,2 %) |
69,0 |
3,25 |
|
Nitrato de cálcio (11,9 %) |
52,5 |
4,41 |
|
Cianamida cálcica (21,0 %) |
31,0 |
1,48 |
|
Nitrato de sódio (13,8 %) |
73,6 |
5,34 |
|
Nitrato de sódio (16,5 %) |
100,0 |
6,06 |
|
Fosfato monoamônico (12,2 %) |
29,9 |
2,45 |
|
Fosfato diamônico (21,2 %) |
34,3 |
1,61 |
|
Uréia (46,6 %) |
75,4 |
1,62 |
|
Adubos
fosfatados |
||
|
Fosfato monoamônico (61,7 %) |
29,9 |
0,49 |
|
Fosfato diamônico (53,8 %) |
34,3 |
0,64 |
|
Superfosfato simples (16,0 %) |
7,8 |
0,49 |
|
Superfosfato simples (18,0 %) |
7,8 |
0,43 |
|
Superfosfato simples (20,0 %) |
7,8 |
0,39 |
|
Superfosfato triplo (45,0 %) |
10,1 |
0,22 |
|
Adubos
potássicos |
|
|
|
Cloreto de potássio (60,0 %) |
116,3 |
1,94 |
|
Nitrato de potássio (44,0 %) |
73,6 |
1,58 |
|
Sulfato de potássio (54,0 %) |
46,1 |
0,85 |
|
Sulfato de potássio + Mg (21,9
%) |
43,2 |
1,97 |
|
Outros |
||
|
Carbonato de cálcio (56,6 %) |
4,7 |
0,083 |
|
Calcário dolomítico (19,0 %) |
0,8 |
0,042 |
|
Gesso (32,6 %) |
8,1 |
0,247 |
Na Quadro 1.4. são apresentadas as Condutividades
Elétricas (CE) das soluções contendo 1 grama de vários fertilizantes simples
e também algumas misturas de fertilizantes comerciais. A uréia apresenta o
valor mais baixo de CE, uma vez que é um composto orgânico e em água apenas
sofre hidratação, necessitando de uma enzima, a urease, para sua hidrólise.
Quadro 1.4. Potencial salino de alguns produtos usados em
fertirrigação, adpatdado, VILLAS BÔAS e colaboradores (1999).
|
Produto |
Concentração
gII |
Condutividade
dS.m-1 |
|
Nitrato de amônio |
1 |
0,9 |
|
Uréia |
1 |
0,07 |
|
Sulfato de amônio |
1 |
2,10 |
|
Uran |
1 |
l, I |
|
Ácido fosfórico |
1 |
1,70 |
|
Nitrato de potássio |
1 |
1,30 |
|
Sulfato de potássio |
1 |
1,40 |
|
MAP |
1 |
0,8 |
|
Kristalon1
13-40-1 3 |
1 |
1,0 |
|
Kristalon 19-06-20 |
1 |
1,4 |
|
Kristalon
15-05-30 |
1 |
1,3 |
|
Kristalon
18-08-18 |
1 |
1,3 |
|
Kristalon
03-11-38 |
1 |
1,3 |
|
Kristalon
06-12-36 |
1 |
1,3 |
|
Kristalon
12-12-36 |
1 |
1,2 |
|
Kristalon
20-05-10 |
1 |
1,5 |
|
Plant-Prod2
15-00-15 |
1 |
1,3 |
|
Plant-Prod
10-52-10 |
1 |
0,75 |
|
Plant-Prod
08-20-30 |
1,25 |
1,25 |
|
Plant-Prod
11-41-08 |
0,91 |
0,9 |
|
Plant-Prod
12-00-44 |
0,83 |
1,1 |
|
Plant-Prod
15-15-30 |
1 |
1,1 |
|
Plant-Prod
15-30-15 |
1 |
0,95 |
|
Plant-Prod
20-05-30 |
I |
0,90 |
|
Plant-Prod
20-10-20 |
1,00 |
1,36 |
|
Ultrasol3
15-30-15 |
1 |
1,06 |
|
Ultrasol
18-06-18 |
1 |
1,34 |
|
Ultrasol
25-10-25 |
1 |
1,33 |
|
Ultrasol
18-18-18 |
1 |
1,18 |
|
Ultrasol
13-6-40 |
1 |
1.25 |
1.
Dados obtidos nos folhetos de divulgação da empresa HYDRO, sendo que a CE foi determinada
a 25ºC;
2.
Dados obtidos nos folhetos de divulgação da empresa PLANT-PROD Fertilizer
Guide for Hortculture & Agriculture, não constando a temperatura em que foi
determinada a CE;
3. Dados obtidos nos folhetos de
divulgação da empresa SQM , sendo que a CE fOI detenninada a 25ºC.
Os fertilizantes após serem dissolvidos poderão
alterar o pH da solução nos tanques. Esse efeito ocorre em função da reação
do íon com a água ou ainda devido a presença de ácidos do processo de
fabricação de fertilizantes. Os Quadros 1.5 e 1.6 apresentam o pH da solução
de alguns fertilizantes em função da concentração.
Quadro 1.5. Efeito de diferentes concentrações de fertilizantes no pH
da solução, adaptado de Vivancos, segundo VILLAS BÔAS e colaboradores
(1999).
|
Concentração
em % |
Ácido fosfórico |
Nitrato
de amônio |
Sulfato
de amônio |
Uran |
Uréia |
|
1 |
1,88 |
5,17
(5,6) |
5,61
(5,5)1 |
7,64 |
7,28
(5,8) |
|
5 |
1,52 |
5,05 |
5,62 |
7,79 |
8,98 |
|
10 |
1,35 |
5,00 |
5,72 |
8,89 |
9,20 |
|
25 |
0,94 |
4,8 |
5,83 |
8,05 |
9,61 |
|
50 |
0,66 |
4,78 |
5,87 |
8,16 |
9,65 |
1. Valores dentro dos parênteses foram obtidos nos
folhetos de divulgação da empresa SQM.
Quadro 1.6. Efeito de diferentes concentrações de
fertilizantes no pH da solução, adaptado de Vivancos, segundo VILLAS
BÔAS e colaboradores (1999).
|
Concentração em
% |
MAP |
Fosfato
de uréia |
Nitrato
de Potássio |
Sulfato
de Potássio |
Nitrato
de Magnésio |
Nitrato
de Cálcio |
|
1 |
4,51
(4,9)1 |
1,9
(2,7) |
9,63
(7,0) |
8,2
(7,1) |
|
|
|
2,5 |
4,24 |
1,71 |
9,91 |
8,6 |
|
|
|
5 |
4,17 |
1,56 |
9,95 |
8,85 |
(5,5-
7,0) |
|
|
10 |
4,07 |
1,43 |
10,0 |
|
|
(6,0-
7,0) |
|
15 |
4,03 |
|
|
|
|
|
1. Valores dentro do parênteses foram obtidos nos
folhetos de divulgação da empresa SQM.
As comparações agronômicas de
vários fertilizantes aplicados de acordo com as recomendações técnicas podem
indicar diferenças na sua eficiência. Quando se trata de aplicação de
fertilizante via água de irrigação, principalmente nos sistemas de aplicação
localizada, o conhecimento da movimentação e reação no solo das diferentes
formas químicas, é de extrema importância (VILLAS BÔAS et al, 1999).
O nitrogênio contido nos
fertilizantes pode se apresentar basicamente em 3 formas químicas que são: a
amoniacal (NH3 e NH4+), a nítrica (NO3-)
e a orgânica. Entre as fontes orgânicas a única forma química usada em
fertirrigação é a amídica (R-NH2).
Segundo a forma química do
nitrogênio pode-se separar os fertilizantes nitrogenados em:
¢
Nítricos: Nitrato de cálcio - Ca(N03)2;
Nitrato de potássio - KN03;
Salitre potássico - KN03;
Salitre de sódio - NaNO3.
¢
Amoniacais: Soluções nitrogenadas - NH3 NH4H2O;
DAP - (NH4)2HP04;
MAP - NH4H2P04;
Sulfato de amônio - (NH4)2S04
Nítricos-amoniacais: Nitrato de
amônio - N03NH4;
Nitrocálcio - N03NH4
CaC03 MgC03
¢
Amídico: Uréia - CO(NH2)2
¢
Nítrico-amoniacal-amídico: Solução de URAN -
N03NH4.CO(NH2)2
O caráter ácido ou básico dos
fertilizantes pode ser devido à própria natureza química dos componentes,
capazes de doarem ou receberem prótons, ou ser conseqüência de reações
secundárias, que ocorrem com os produtos de dissociação dos mesmos no solo e
com absorção de íons pelas raízes das plantas.
Os fertilizantes nitrogenados, em
função da sua forma química, apresentam efeitos diferentes no pH do solo. O
nitrogênio amoniacal após ser absorvido pela raiz ou sofrer oxidação biológica
no processo de nitrificação tem como resultado a acidificação do solo. A
planta, para manter o equilíbrio elétrico ao absorver o nitrogênio na forma nítrica,
libera na rizosfera hidroxilas e ácidos carbônicos que promovem alcalinização
no solo. A hidrólise da uréia inicialmente alcaliniza o solo, uma vez que
nessa reação ocorre a. formação de NH3 e, posteriormente, o
acidifica através da nitrificação. Em solos levemente ácidos, a forma química
amônia (NH3) passa a amônia (NH4+) que irá
se comportar em termos de reação no solo como um fertilizante amoniacal. A
resultante dessas duas reações é ácida. Pode-se, portanto, concluir que as
fontes nitrogenadas têm efeito alcalino ou ácido, conforme segue:
§
NO3- = efeito
alcalino;
§
NH4+ = efeito ácido;
§
NO3NH4 = efeito ácido; e
§
URÉIA (-NH2) = efeito
ácido.
O Quadro 1.7. apresenta a característica de acidez
e basicidade de alguns fertilizantes nitrogenados. O sulfato de amônio é o
fertilizante com maior efeito ácido e são necessários, para que se neutralize
o efeito de 100 kg de sulfato de amônio, 110 kg de carbonato de cálcio puro.
Nas adubações convencionais, nos quais fertilizantes sólidos são empregados,
o efeito de acidificação pelo uso de uma fonte que tenha caráter ácido pode
ser importante após alguns anos de sua utilização. No entanto, quando esses
fertilizantes são aplicados via irrigação, principalmente no caso de
gotejamento, onde o fertilizante se encontra na zona de molhamento que é um
volume de solo restrito, o efeito de acidificação é intenso e pode promover o
abaixamento do pH em um único ciclo da cultura, como pode ser visto no Quadro
1.8. Assumindo, nesse caso, um raio de molhamento de 15 cm, cada aplicação de
12,5 kg de nitrogênio equivale a:
g
área molhada de um gotejador =
0,071
m2;
g
600 plantas.ha-1, 2 gotejadores / planta;
g
área de um gotejador = 0,071 m2 x 1200
gotejadores = 85,2 m2;
g
12500 gramas de uréia / 85,2 m2 =
146,7
g.m-2.
Se considerada a área de um
hectare e o fertilizante aplicado em área total, resultaria o equivalente a
1467 kg de uréia.
Quadro 1.7. Características de acidez e basicidade de algumas fontes
nitrogenadas (Shaw, citado por VILLAS BÔAS e colaboradores, 1999).
|
Fertilizante |
Índice
de acidez
/ basicidade |
|
Uréia |
+71 |
|
Sulfato
de amônio |
+110 |
|
Nitrato
de amônio |
+62 |
|
Amônia
anidra |
+147 |
|
MAP |
+60 |
|
DAP |
+88 |
|
Nitrocálcio |
+26 |
|
Uran |
Ácido |
|
Nitrato
de cálcio |
-20 |