CULTURA
DO COQUEIRO
Souza, O. P.
MELO,B.
Mancin, C.A.
SUMÁRIO
7 PLANEJAMENTO E IMPLANTAÇÃO
DO POMAR
10.1 Utilização de restos de culturas
10.3 Associação animais-coqueiro
11.1 Broca-do-olho do coqueiro
11.4 Gorgulho das flores e frutos
11.5 Ácaro da necrose do coqueiro
12.2 Lixa-pequena ou verrugose do coqueiro
12.6 Mancha Foliar ou Helmintosporiose
16 Referências
Bilbiograficas
6
1
INTRODUÇÃO
A
origem do coqueiro é do sudeste da Ásia. A planta foi introduzida no Brasil
através do estado da Bahia (daí côco-da-Baia), disseminando-se pelo litoral
nordestino, sendo hoje o nordeste responsável por 95% da produção nacional
(Quadro 1). No contexto mundial, a produção brasileira de coco mesmo sendo
pequena, pelo fato do Brasil não produzir óleos, sempre foi de fundamental
importância na vida e economia das populações do nordeste como os estados da
Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas.
Atualmente vem assumindo importância como estados produtores Pará, São Paulo,
Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O coqueiro é uma das principais oleaginosas do Mundo,
com uma produção de 44.723 milhões de toneladas de frutos seco no ano de
1996, sendo Indonésia e Filipinas os principais produtores, enquanto que o
Brasil ocupa a nona posição no ranking mundial.
No Brasil, o cultivo do coqueiro representa significante
importância social e econômica, visto que 75% das propriedades produtoras
possuem área inferior a 10 ha.
Embora a produção no Brasil
ocupe mais de um milhão de tonelada (quadro 2), o rendimento da cultura é dos
mais baixos, contribuindo com apenas 2% da oferta mundial.
A distribuição geográfica do coqueiro compreende as regiões entre as
latitudes20° N e 20° S (Frémonde et al., 1966). Estima-se uma área plantada
de 11.600.000 hectares, distribuída por mais de 86 paises (Persley, 1992).
Quadro 1 – Produção, área
colhida e produtividade por região do Brasil – 1996.
|
REGIÕES |
PRODUÇÃO
(t) |
ÁREA
COLHIDA (ha) |
PRODUTIVIDADE
(Kg/ha) |
|
NORDESTE |
1.024.524 |
210.366 |
4.870 |
|
Bahia |
393.885 |
60.307 |
6.531 |
|
Ceará |
222.363 |
41.467 |
5.362 |
|
Rio
Grande do Norte |
173.126 |
42.619 |
4.062 |
|
Outros |
235.150 |
65.973 |
3.564 |
|
SUDESTE |
55.858 |
3.468 |
16.107 |
|
Rio
de Janeiro |
21.840 |
1.053 |
20.741 |
|
Espírito
Santo |
34.018 |
2.415 |
14.086 |
Fonte: LSPA/IBGE, EMATER-RIO.
Quadro 2 – Produção, área
colhida e produtividade do coco-verde no Brasil, 1990-96.
|
ANOS |
ESPECIFICAÇÕES |
||
|
Produção (t) |
Área colhida (ha) |
Produtividade (Kg/ha) |
|
|
1990 |
1.101.627 |
213.908 |
5.150 |
|
1991 |
1.276.546 |
231.446 |
5.515 |
|
1992 |
1.317.904 |
235.796 |
5.589 |
|
1993 |
1.226.058 |
226.990 |
5.401 |
|
1994 |
1.353.199 |
232.372 |
5.823 |
|
1995 |
1.424.098 |
237.589 |
5.994 |
|
1996 |
1.078.374 |
213.834 |
5.052 |
Fonte: Agrianual/97 e IBGE.
O Brasil é o único lugar do mundo onde o coco é
utilizado como fruta, empregado na produção de balas, doces e sorvetes, além
de ser bastante empregado na culinária nordestina, enquanto que nos demais Países
produtores, o coco é utilizado para extração do óleo. No Brasil, os produtos
mais nobres do coco são o coco-ralado e o leite-de-coco, e mais recentemente a
água vem ocupando lugar de destaque dentre os produtos derivados do coco.
Sabendo de sua importância na alimentação, pois
substitui a carne, o ovo, o queijo, o leite; e o seu uso diversificado na
medicina, como nos tratamentos da hipertensão arterial é importante saber a
composição química e sais minerais, que está especificada nos quadros 3 e
quadro 4 respectivamente.
Quadro
3 – Composição Química em 100g de coco
|
Quantidade Composição Química |
Polpa |
Leite |
|
Calorias |
589,80 kcal |
38,60 kcal |
|
Água |
14,00 g |
90,80 g |
|
Carboidratos |
27,80 g |
7,00 g |
|
Proteínas |
5,70 g |
0,40 g |
|
Lipídios |
50,50 g |
1,00 g |
|
Cinzas |
2,00 g |
0,80 g |
|
Vitamina B1 (Tiamina) |
173,00 mcg |
2,00 mcg |
|
Vitamina B2 (Riboflavina) |
102,00 mcg |
4,00 mcg |
|
Niacina |
0,10 mg |
0,07 mg |
|
Vitamina C (Ácido ascórbico) |
8,20 mg |
10,40 mg |
Fonte: As frutas na medicina natural
Quadro 4 - Sais minerais contidos
em 100g de coco
|
Quantidade Composição Química |
Polpa |
Leite |
|
Fósforo |
191,00 mg |
10,00 mg |
|
Cálcio |
43,00 m g |
20,00 mg |
|
Ferro |
3,60 m g |
- |
|
Magnésio |
9,00 m g |
- |
|
Enxofre |
13,00 m g |
- |
|
Silício |
0,50 m g |
- |
Fonte: As frutas na medicina natural

O coqueiro
é uma planta pertencente a Família Palmae,
uma das mais importante famílias da classe Monocotyledoneae. Sendo que todos os
coqueiros cultivados pertencem a espécie Cocos
nucifera L. O coqueiro é uma planta que
apresenta contínuo florescimento e frutificação ao longo do ano.
Fonte: Foto do autor

O coqueiro possui sistema radicular fasciculado, com raízes primárias
de 8mm a 10mm de diâmetro e um número variável de 2000 a 10000 raízes
dependendo das condições ambientais e/ ou material genético. Das raízes
primarias partem as secundarias, de onde se originam as terciárias, que
produzem radicelas medindo 1mm a 3mm de diâmetro, sendo verdadeiros órgãos de
absorção. A profundidade do sistema radicular é variada.
Sistema fasciculado radicular do
coqueiro.
Fonte:
Embrapa

O caule do coqueiro é do
tipo estirpe, não ramificado, muito desenvolvido e bastante ramificado. Em seu
ápice, prende-se um tufo de folhas que protege a sua única gema apical. A
inflorescência é a única ramificação deste caule, pois é considerada um
ramo caulinar modificado (Ferri, 1973). A parte terminal do tronco, de onde se
formam novas folhas, é tenra e comestível, constituindo o palmito.
Caule do
tipo estipe.
Fonte: Foto
do autor

A
folha do coqueiro é do tipo penada, sendo constituída pelo pecíolo, que
continua pelo raquis onde se prendem numerosos folíolos. Uma folha madura
possui comprimento variável, com 200 a 300 folíolos de 90cm a 130cm de
comprimento. O comprimento e o número de folíolos varia de acordo com a idade
do coqueiro. Um coqueiro-gigante adulto emite de 12 a 14 folhas por ano e um
coqueiro-anão adulto 18 folhas por ano. Essas folhas permanecem no coqueiro por
um período de três a três anos e meio, apresentando uma copa de 25 a 30
folhas (Child, 1974).
Folha do
tipo penada.
Fonte:
Foto do autor
O coqueiro
possui inflorescências paniculadas e axilares, protegidas por brácteas
grandes, chamadas espatas. A espata, ao complementar seu desenvolvimento (três
a quatro meses), abre-se, libertando a inflorescência, que é formada pelo pedúnculo,
espigas e flores. Cada espiga possui flores masculinas e numerosas flores
femininas. O número de flores femininas é influenciado pelas condições
nutricionais e hídricas da planta.
O fruto do coqueiro é uma drupa. É formado por epiderme
lisa ou epicarpo, que envolve o mesocarpo espesso e fibroso, ficando mais para o
interior uma camada muito dura, o endocarpo. A semente é envolvida pelo
endocarpo que é constituído por uma camada de cor marrom chamada tegumento que
fica entre o endocarpo e o albúmem. O albúmem é uma camada branca, carnosa e
muito oleosa, formando uma grande cavidade onde fica o albúmem
líquido( água de coco). Próximo a um dos orifícios do endocarpo e
envolvido pelo albúmem sólido está o embrião.

Fruto do coqueiro
Semente do coqueiro

Fonte:
Embrapa Fonte:
Foto do autor
Por ser uma planta de clima tropical, o coqueiro é muito exigente
em temperatura, sendo que a ideal gira em torno de 27 °C para que possa
manifestar seu potencial produtivo. Temperaturas inferiores a 15 °C leva a uma
paralisação do crescimento da planta e
abortamento de flores e com isto comprometendo a produção.
Em termos de radiação, o
coqueiro desenvolve-se melhor sob condições de luminosidade acima de 2.000
horas de luz/ano.
Fonte: Foto do autor
Quanto
a precipitação pluviométrica, a ideal gira em torno de 1600 mm anuais, bem
distribuídos, visto que a planta produz durante todo o ano.
Em relação a ocorrências de ventos de grande
velocidade pode acarretar o tombamento e/ou quebramento de plantas.
Umidade relativa do ar para o
coqueiro exige saturação do ar igual ou superior a 80% sem ultrapassar 90% as
mínimas mensais não devem cair abaixo de 60%.
O
ideal é que o coqueiro seja cultivado em solos profundos, bem drenado, de
textura média e se possível de boa fertilidade, de forma que possibilite um
bom desenvolvimento do sistema radicular, visto que a planta não tolera
condições de anaerobiose. Sendo que o pH ideal situa-se entre 6 e 6,5.
Dentre as variedades destacam-se a Gigante, híbridos e a
Anã, sendo que a Anã apresenta três sub-variedades: Anã-Verde, Anã-amarela,
Anã-Vermelha, e os cujas características são apresentadas na tabela 1.
Tabela
1: Principais diferenças entre as variedades de coqueiro.
O coqueiro é constituído de uma
única espécie (Cocos nucifera), e
pode ser dividido em três grupos:
·
Gigantes
·
Intermediários (híbridos)
·
Anões
Cada grupo contém um número de
variedades. As variedades são geralmente nomeadas de acordo com a sua suposta
localidade de origem. As variedades gigantes apresentam de modo geral,
fecundação cruzada; seu crescimento é rápido e fase vegetativa longa (cerca
de sete anos). As principais variedades existentes no Brasil são:
Coqueiro-Gigante
·
Gigante da Praia do
Forte -GBrPF -Bahia
·
Gigante do Oeste
Africano -GOA -Costa do
Marfim
·
Gigante de Renell,
-GRL p; -Taiti
·
Gigante da
Malásia
-GML p; -Malásia
Coqueiro-Anão
·
Amarelo-da-Malásia
-AAM -Malásia
·
Vermelho-da-Malásia
-AVM -Mal&aacutte;sia
·
Vermelho-dos Camarões -AVC
-República dos Camarões
·
Verde do
Brasil
-AVeB -Rio Grande do Norte
·
Amarelo do
Brasil -AAB
-Parraíba
·
Vermelho do
Brasil -AVB
-Paraíba

O coqueiro é propagado exclusivamente através de
sementes, visto que o único ponto de crescimento encontra-se no meristema
apical.
Planta com fruto para sementes
Fonte: Foto do autor
![]() |
A muda pode ser produzida na propriedade ou adquiridas de
viveiristas credenciados junto a CESM (Comissão Estadual de Sementes e Mudas)
do estado produtor.
Quando a opção for por produzir a muda na propriedade,
as sementes devem ser obtidas a partir de matrizes cadastradas junto a CESM. Uma
vez obtida a semente, pode-se utilizar duas formas de condução da sementeira:
semeadura direta ou semeadura com posterior repicagem para o viveiro.
Em qualquer das situações, a sementeira deve ter 1,0 m
de largura e comprimento variando em função da disponibilidade de área e do
número de mudas a serem produzidas, bem como estar localizada distante de
áreas com coqueiros bem como de outras palmeiras, as quais poderão funcionar
como hospedeiros de pragas e patógenos do coqueiro.
Quando a opção for pela semeadura direta, onde a muda
deve permanecer por um tempo variando de dois a quatro meses após a
germinação, deve-se utilizar uma densidade de 10 sementes por m2 de
sementeira. O período considerado para germinação vai até 120 dias após a
semeadura. Após este período, deve-se proceder a eliminação das sementes
não germinadas e descartes e incineração das plântulas que se apresentarem
defeituosas, albinas, duplas, etc.
Após esta prática, e com objetivo de possibilitar um
crescimento mais rápido e vigoroso das mudas, deve-se processar a adubação na
sementeira, aplicando-se 75 g de uréia + 105 g de superfosfato simples + 50 g
de cloreto de potássio por planta, devendo ser aplicado em três parcelas, com
intervalo de aproximadamente 30 dias uma da outra.
Quando se optar pelo método de repicagem para o viveiro,
deve-se empregar 25 sementes por m2 de sementeira. Quando a plântula
atingir 15 cm de altura, a mesma deve ser repicada do germinadouro para o
viveiro, onde as mesmas devem ser plantadas em covas medindo 40 cm x 40 cm 40
cm, e espaçadas de 60 cm x 60 cm x 60 cm em triângulo equilátero.
Como adubação deve-se empregar as mesmas doses
recomendadas para o sistema de semeadura direta, só que a primeira aplicação
deve ser realizada 30 dias após a repicagem, quando o novo sistema radicular se
encontrará formado.
O tempo de permanência da muda no viveiro deve ser de
quatro a seis meses, quando as mudas se encontram aptas a serem plantadas no
local definitivo.
Além da adubação, deve-se
manter as plantas sempre no limpo para se evitar a concorrência com as plantas
invasoras, o controle de pragas e doenças, bem como a irrigação com
aproximadamente seis litros de água por m2 de sementeira/viveiro por
dia.
O pomar deve ser implantado após a realização de
estudo prévio das potencialidades do mercado, bem como o destino da produção,
ou seja, se irá produzir para indústria de coco seco, ou frutos para o consumo
de água de coco. Caso a opção seja pela produção para indústria de
processamento, deve-se cultivar o coqueiro gigante ou o híbrido entre anão x
gigante, o qual apresenta frutos semelhantes ao gigante, porém com a vantagem
de ser mais produtivo, isto é, produz em torno de 150 a 180 frutos /planta/ano,
enquanto que o gigante produz no máximo de 60 a 80 frutos/planta ano.
Se a opção for pela a produção de frutos para o
mercado de água de coco, deve-se empregar a variedade Anã-Verde, se for para o
consumo "in natura", ou Anã-Verde e/ou Anã-Amarela se for para a
indústria de água de coco em embalagem longa-vida.
A área a ser utilizada para o cultivo do coqueiro deve
ser plana ou com relevo moderado, próxima de fontes de água, em caso de
utilização de irrigação, deve ser de fácil acesso para facilitar o
escoamento da produção e afastada de estradas de muito movimento de pessoas
para se evitar prejuízos por furtos e invasões.

O
preparo da área para o cultivo do coqueiro pode ser o mesmo empregado para o
cultivo das demais culturas.
Durante o preparo da área
para o plantio, deve-se proceder retirada de amostras do solo para análise
físico-química, a qual servirá de subsídios para orientar as práticas de
correção do solo e adubação, bem como dimensionar o sistema de irrigação.
Quando se verificar a
necessidade da correção do solo, esta deverá ser feita através do uso de
calcário dolomítico, quando se tratar de solos ácidos, que é a quase
totalidade dos solos brasileiros. A calagem deve ser realizada distribuindo-se o
calcário em toda a área, sendo 50% aplicado antes da aração e o restante
antes da gradagem, devendo ser realizada com pelo menos 60 dias de antecedência
do plantio da muda, porém é fundamental que haja umidade no solo para que o
calcário reaja e surta o efeito esperado.
Após o preparo do solo,
deve-se proceder a marcação e o piqueteamento da área para a posterior
abertura das covas de plantio. O espaçamento a ser utilizado depende da
variedade a ser cultivada. Se for a Gigante, o espaçamento deve ser de 9m x 9m
x 9m, totalizando 143 plantas/ha. Se for a variedade Anã, este deve ser de 7,5m
x 7,5m x 7,5m, totalizando 205 plantas/ha. No caso da opção pelo híbrido,
deve-se usar o espaçamento de 8,5m x 8,5m x 8,5 m, totalizando 163 plantas/ha,
todas arranjadas no esquema de triângulo equilátero.
Após o piqueteamento da
área, procede-se a abertura das novas, as quais devem medir 80 cm x 80 cm x80
cm. Estas poderão ser abertas através de ferramentas de uso manual ou de
"brocas" acopladas à tomada de potência do trator.
Após a abertura das covas,
deve-se efetuar o enchimento das mesmas através do emprego de 800 g de
superfosfato simples + 20 litros de esterco de curral curtido + resíduo de da
casca de coco ou outro material orgânico.
![]() |
Figura 1- Preparo da cova e plantio da muda do coqueiro.
Fonte: Embrapa (1993).
O plantio deverá ser efetuado no início da estação
chuvosa quando se tratar de cultivo de sequeiro ou em qualquer época do ano
quando se utilizar irrigação.
Após o enchimento da cova, as mudas devem ser colocadas
no centro da cova, em posição vertical, sendo cobertas por uma camada de solo
suficiente para cobrir a semente, tendo-se o cuidado de não cobrir a região do
colo da muda, para se evitar a proliferação de doenças causadas por fungos do
solo 30 dias após o plantio deve ser aplicado em cobertura, 300g de uréia e
200g de cloreto de potássio por planta, distribuindo-se a mistura dos
fertilizantes em torno da mesma, observando-se um raio de 20cm de distância.
O pomar deverá ser conduzido de forma técnica e
racional para que se possa maximizar a produção de forma econômica e
possibilitar retorno do investimento efetuado pelo produtor. Para que isto
ocorra, algumas medidas deverão ser observadas.
Considerando-se que o
coqueiro é uma planta que apresenta crescimento e produção contínuas e
paralelas ao longo do ano, é de fundamental importância que estejam
adequadamente nutridas para que possam manifestarem seu potencial produtivo. Com
isto as práticas de calagem e adubação devem ser realizadas com base na
análise química de amostras do solo em conjunto com a análise de folhas e com
a idade da planta. A amostragem do solo deve ser realizada sempre sob a copa das
plantas, na região do coroamento, quando se
deseja recomendar adubação, e em toda a área quando se objetiva recomendar a
calagem. As amostras de solo devem ser colhidas próximo do final da estação
seca. A análise de amostras do solo servirão como indicadores do que está
acontecendo no solo em função da observação do que está sendo absorvido
pela planta em resposta as práticas de adubação que estão sendo efetuadas.
Para que a folha a ser amostrada reflita o estado metabólico da planta, esta
deve ocupar uma posição mediano na copa e geralmente são amostradas as folhas
4; 9 ou 14, dependendo da idade da planta. A folha no 4 é utilizada apenas em plantas ainda jovens em início de
produção. A folha no 9 é empregada
quando encontra-se com idade em torno de 5 a 6 anos, enquanto que a folha no
14 é utilizada em plantas com
idade superior a seis anos. A melhor forma para se identificar a folha é a
partir da identificação da espata mais desenvolvida, ou seja, a
inflorescência mais madura, porém que ainda não se encontra aberta, pois esta
se situa na axila da folha no 9. Como o coqueiro apresenta folhas afastadas com um ângulo em
torno de 144o , a folha
no 4 se encontra imediatamente
superior e no mesmo plano da folha no
9, enquanto que a folha no 14
encontra-se imediatamente inferior e no mesmo plano da folha no
9. Após a identificação da folha a ser amostrada, toma-se uma amostra na
porção mediana da folha e coleta-se três folíolos de cada lado da folha e
retira-se uma porção de 10 cm na região central do limbo foliar de cada
folíolo. Para uma boa representividade da área, são necessários amostrar 25
plantas/ha. Após a coleta das amostras, estas devem ser encaminhadas a um
laboratório para que sejam realizadas as respectivas análises.
O
método recomendado para avaliar a necessidade de calagem baseia-se no trabalho
de Kamprath (1970), que preconiza a neutralização do alumínio trocável. No
entanto, em razão das pequenas quantidades recomendadas, foi adicionado o
critério de elevar o teor de Ca+ + Mg+2 para 20mmolc.dm-3 de solo.
Outro método de avaliação de calagem e o de saturação por bases, que tem
como premissa a relação entre a saturação e o pH. Para o calculo, utiliza-se
a seguinte formula:
NC
= CTC (V1 – V)
em t/ha, onde:
PRNT
NC = Necessidade de calagem;
CTC = Capacidade de troca catiônica;
V = Saturação atual de bases do solo;
V1 = Saturação desejada de bases no solo;
PRNT= Poder relativo de neutralização total do calcário
a ser usado.
A
analise foliar também é uma fonte importante, pois indica os teores de cálcio
e magnésio, o que ajuda na definição da quantidade de calcário, se ele for
usado como fonte supridora de cálcio e magnésio. Na cultura do coqueiro, a
calagem pode ser efetuada em toda a área ou somente na projeção da copa. Se o
alumínio estiver acima de 5mmolc.dm 3 de solo, a calagem devera ser
efetuada na área toda, para reduzir a toxidez. Na hipótese de alumínio,
cálcio e magnésio baixos, a calagem deve ser efetuada na área do circulo, que
tem como centro o estipe e como limite a projeção da copa. Para aplicação na
área total, deve-se levar em conta que os solos arenosos apresentam muito baixo
poder-tampão. Nessas condições, a quantidade de calcário não deve
ultrapassar 2 t.ha-1 . Nos dois métodos, a incorporação e
importante, pois favorece as reações de dissolução do calcário. Quanto as
quantidades a serem aplicadas na projeção da copa, ainda não se dispõe de
dados que permitam recomendações generalizadas. Um fator importante é o
período entre a calagem e a adubação, que deve ser de, no mínimo, 60 dias.
Nessas condições, por um período, o pH pode-se elevar muito, o que favorecera
a volatilização do N aplicado, a insolubilização do P e a lixiviação do K,
pois grande parte das cargas negativas estará ocupada com cálcio e magnésio
advindos do calcário.
Quando não se tem acesso as informações de
análise do solo, sugere-se proceder a adubação levando-se em consideração a
idade da planta e as quantidades de fertilizantes apresentadas na Tabela 2.
Tabela 2: Quantidade de
fertilizante recomendada.
A
adubação do coqueiro deve ser efetuada na área do coroamento conforme figura.
Em locais planos os fertilizantes devem ser aplicados e incorporados para evitar
perdas de nitrogênio por volatilização, principalmente quando a fonte do
nutriente fora a uréia. Em terrenos com declive, deve-se fazer um suco com
aproximadamente 20cm a 30cm de largura e 5cm a 10cm de profundidade, aplicar o
adubo e em seguida fechá-lo. É importante a utilização de matéria orgânica
para melhorar as condições do solo, retenção de água.
Figura
2: Aplicação de fertilizante em coqueiro-anão e coqueiro-gigante.

Fonte: Embrapa
Compreende uma série de
práticas agrícolas, com objetivo de minimizar o stress causado pela
competição exercida pelas plantas daninhas, as quais concorrem com a planta
por água e nutrientes do solo, devem ser realizadas com o coqueiro ainda na
fase jovem, as quais serão discutidas a seguir.
Deve ser realizada nas
entrelinhas, de forma a manter a cobertura do solo o tempo todo, e assim
amenizar as perdas de água por evaporação, bem como minimizar as perdas de
solo por erosão. Deve ser realizada duas vezes durante o ano, sendo a primeira
no início da estação chuvosa e a segunda no final do período de chuvas.
Deve ser realizada apenas quando for necessário proceder
a calagem. A alternância entre a gradagem no inicio do período seco e a
roçagem na estação chuvosa apresenta grande
vantagem para o produtor e para o meio ambiente, já que, a gradagem no
inicio do período seco induz a queda de capilaridade no solo, ocasionando a
morte de gramíneas.
É uma prática que tem por objetivo manter a região de
maior concentração de raízes responsáveis pela absorção de água e
nutrientes livre da concorrência com as ervas-daninhas. Deve ser realizada
mantendo-se um raio de dois metros de distância do caule totalmente sem
competição com o mato.
Regiões com grandes períodos de
estiagem e em função da disponibilidade de recursos por parte do produtor
deve-se proceder a irrigação através do método de micro-aspersão, onde a
quantidade de água a ser aplicada varia em função das características de
clima e do solo da região. Em média, um coqueiro adulto exige em torno de 150
litros de água por dia.
Fonte: Embrapa

Fonte:
Foto do autor
Ao se optar pelo consórcio com a cultura do
coqueiro-anão-verde, deve-se considerar que a cultura é muito vulnerável a
pragas e doenças e que os plantios no litoral têm melhor desenvolvimento
vegetativo e reprodutivo.
O consórcio
com a cultura do coqueiro é prática recomendável para pequenos produtores,
que não têm como suportar investimentos sem retorno no período do plantio à
produção (em torno de três anos e meio). O emprego de culturas intercalares
de ciclo curto e perenes, portanto, é indicado para amenizar custos e bem
adequado ao coqueiro, que tem espaçamento amplo.
Nos quatro primeiros anos, a consorciação apresenta
viabilidade técnica e econômica, proporcionando
maior desenvolvimento do coqueiro e cobrindo os custos de produção nos anos
que antecedem o início da fase produtiva. Os tratos culturais dispensados à
cultura consorciada, o sombreamento do solo, a maior reciclagem de nutrientes e
ó aumento do teor de matéria orgânica favorecem o desenvolvimento dos
coqueiros.
Culturas intercalares que podem ser consorciadas com o
coqueiro: até um ano e meio, consorciar com feijão, abóbora, melancia,
quiabo, maxixe, abacaxi. Nos anos seguintes, consorciar com inhame, batata,
milho, amendoim, mandioca, aspargos, mamão e maracujá. Para realizar o
consórcio em aléias, as culturas recomendadas são: café, acerola, pinha,
pitanga, pimenta-do-reino, cupuaçu e cacau.
Dos 4 aos 20 anos, o sombreamento do solo promovido pelas
plantas do coqueiral não permitem a introdução de culturas em consórcio com
resultados econômicos satisfatórios. A partir dos 20 anos, a elevação do
fuste do pomar permite o consórcio com plantas umbrófílas, como o cacau e a
pimenta-do-reino.
Em regiões com déficit hídrico elevado, deve-se dar
preferência ao consórcio com culturas de ciclo curto por ocasião do período
chuvoso. Com culturas de ciclo longo, deve-se levar em consideração a
distribuição do sistema radicular; as exigências nutricionais e a tolerância
à seca, tendo-se sempre o cuidado de reduzir ao mínimo a competição entre o
coqueiro e a planta consorciada.
Mesmo em áreas irrigadas, deve-se modificar o sistema
tradicional de plantio em triângulo para retângulo ou quadrado com o objetivo
de proporcionar aumento de luminosidade.
O plantio deve ser realizado em faixas no centro das
entrelinhas, utilizando-se a área total e mantendo-se livre a zona de
coroamento, que corresponde, em média, a 2m de raio a partir do coleto da
planta.
Em suma, o consórcio melhora a qualidade do solo e evita
a erosão, embora aumente os custos de produção. Culturas mal manejadas
poderão sofrer maiores problemas fítossanitários.
A melhor experiência agronômica e econômica do
consórcio foi com coco-verde e cupuaçu.
Na definição do que plantar, deve-se optar por culturas que tenham bom valor de mercado
local. Deve-se ter o cuidado de não utilizar no consórcio plantas da mesma
família botânica do coqueiro.
Folhas
e outros restos da cultura, que tendem a se acumular no campo após cada colheita, não devem ser queimados, pois constituem fonte
de matéria orgânica e facilitam a multiplicação da microvida do solo. O
material deve ser afastado da zona de coroamento do coqueiro para permitir a
trituração com roçadeira. A permanência deste material na zona de coroamento
dificulta os trabalhos de adubação e, em alguns casos, provoca a
superfícialização do sistema radicular. Pode-se efetuar, também, o
amontoamento das folhas no centro da entrelinha (linhas alternadas a cada ano).
Deve ser realizado devido à infestação das plantas
daninhas, independentemente do manejo empregado. O tamanho da coroa varia com a idade da planta,
devendo acompanhar a projeção da copa, atingindo, aproximadamente, 2 m de raio
no coqueiro adulto.
- Coroamento químico: realizado com produtos de ação
sistêmica, aplicados em pós-emergência quando as ervas se encontrarem no
estádio de pré-floração. O Glyphosate tem sido o produto mais utilizado e o
que tem apresentado os melhores resultados (é sistêmico, porém não é
residual).
- Coroamento manual: o revolvimento do solo e o corte
parcial das radicelas provocado pela enxada proporcionam novas emissões de
raízes, beneficiando o coqueiro.
Uma gradagem junto ao estipe do coqueiro pode ser feita
para substituir o coroamento manual
e/ou incorporar fertilizantes.
Nos sistemas agrossilvopastoris, deve-se optar pelo
plantio nas conformações quadrada ou retangular, fazendo-se uso da Gliricídia
e da Leucena em associação com ruminantes e promovendo a reciclagem de
nutrientes.
Vantagens:
a) aumento da receita dos sistemas de produção;
b) redução da competição da vegetação e dos custos
com o seu controle;
c) uso mais efetivo do solo;
d) aumento da produção de alimentos (carne, leite, etc);
e) produção de esterco para melhoria da fertilidade,
estrutura e capacidade de retenção da
umidade do solo;
f) aumento do rendimento da colheita do coco;
g) aumento da produção do coco (eventualmente).
Desvantagens:
a) danos causados pêlos animais ao coqueiro jovem;
b) competição entre pastagens e coqueiros por nutrientes
e umidade;
c) compactação do solo (dependendo da textura do solo e
da taxa de lotação);
d) erosão e perda de fertilidade com o superpastejo
(topografia acidentada);
e) maior requerimento de capital para as duas atividades;
í) necessidade de maior habilidade para manejo das duas
atividades.
Existem cerca de 579 pragas que atacam o coqueiro em todo
o Mundo. Entretanto, dentre as
pragas que atacam o coqueiro no Brasil, as que apresentam-se em maior
freqüência e com prejuízos significativos, destacam-se as coleobrocas, dentre
estas, a broca-do-olho (Rhinchophorus
palmarum ) e a broca-do-estipe (Rhinostomus
barbirostris ); a traça da inflorescência (Hyalospila ptychis); o ácaro (Eriophyes
guerreronis); as lagartas-das-folhas (Brassolis
sophoroe e Automeris sp), além
das formigas cortadeiras, durante os três primeiros anos do plantio.

O adulto é um besouro de cor preta (Rhinchophorus palmarum), medindo de 4,5 a 6,0 cm de comprimento,
possuindo um "rostro" comprido e recurvado, recoberto por pelos pretos
na parte superior, nos machos..
A fêmea põe os ovos no 'olho' da planta, com um
total de aproximadamente 250 ovos. Os ovos dão origem a lagartas brancas que
medem cerca de 7,5 cm de comprimento. As lagartas se alimentam da parte interna
do tronco, destruindo o meristema apical da planta e provocando a morte do
coqueiro.
Adulto de Rhinchophorus
palmarum
Fonte: Embrapa
Controle: Como o controle
químico é caro e de difícil aplicação em virtude do porte do coqueiro,
sugere-se o emprego de um controle cultural preventivo através da eliminação
das plantas atacadas e do monitoramento da praga com o emprego de iscas
atrativas para a broca-do-olho, através do emprego de baldes de 20 litros, com
funil acoplado na tampa, e colocando-se no seu interior, pedaços da planta de
coqueiro, ou porções de cana-de-açúcar, mais melaço na proporção de um
litro de melaço para quatro litros de água, com objetivo de se manter a isca
sempre úmida, a qual atrairá o inseto para a armadilha. A cada 15 dias deve se
proceder a substituição da isca, bem como destruir os insetos capturados.

O adulto é um besouro preto (Rhinostomus
barbirostris), medindo de 1,1 a 5,3 cm comprimento, com rostro recoberto por
pelos avermelhados.
A fêmea difere do macho por apresentar rostro mais curto
e sem pelos. A fêmea põe os ovos no tronco do coqueiro, onde faz perfurações
com o rostro, coloca os ovos e posteriormente os cobre com uma camada cerosa
para protegê-los do ressecamento. Dos ovos surgem lagartas de cor
esbranquiçada que podem atingir até 5 cm de comprimento.
Após o nascimento, as lagartas
penetram no tronco, e destroem os sistemas vasculares da planta, formando
galerias, que aumenta de diâmetro a medida que a lagarta cresce. Quando o
ataque é intenso e ocorre próximo a copa do coqueiro, pode ocorrer a quebra do
estipe pela ação de ventos fortes. Mesmo que não haja a quebra da planta,
poderá ocorrer uma redução na capacidade produtiva em até 75%.
Adulto de Rhinostomus
barbirostris
Fonte: Embrapa
Controle: Em função das
dificuldades de controle químico, como mencionado para a broca-do-olho,
sugere-se o controle através de inspeções constantes e periódicas no
coqueiral visando detectar a postura e raspá-las com facão para destruir os
ovos.
11.3 Barata-do-coqueiroO
adulto é um besouro de aproximadamente 2,5 cm, de coloração escura (Mecistomela margarita), tendo as margens dos élitros de cor amarela, com as
patas e antenaspretas. A larva danifica as
folhas novas e ainda fechadas que, ao abrirem, são defeituosas e irregulares,
atrasando o desenvolvimento da planta. Nota-se, também, a presença de
excrementos parecidos com serragem de madeira acumulados na axila da folha
central.
Adultos de Mecistomela margarita
Fonte: Embrapa
O controle: é feito através de pulverização à base de
endossulfan a 0,05%, trichiorfon a 0,15%, methil parathion a 0,06% ou carbaryl a
0,12%, que reduz a população da praga em mais de 90% com apenas uma
pulverização. Se os coqueiros forem baixos e a incidência da praga for
pequena, é possível coletar as larvas da barata manualmente, usando-se um
pequeno ferro, com aproximadamente 20 cm, em forma de anzol.
11.4 Gorgulho das flores e frutos
O adulto é
um pequeno besouro castanho (Parísoschoenus obesuius) medindo 3 cm . Os
estragos são provocados pela pequena larva branca de cabeça castanho-escuro, que se desenvolve no interior das flores e
pequenos frutos, formando inúmeras galerias e provocando a queda prematura dos
frutos.
O
controle cultural consiste na coleta manual dos frutos atacados caídos no solo
e dos que ainda se encontram presos nas inflorescências, que devem ser
queimados. O
controle químico é feito através de pulverização com inseticidas que tenham
a propriedade de agir por contato e penetração. As pulverizações deverão
ser dirigidas para as inflorescências recém-abertas e efetuadas quando as perdas tiverem expressão
econômica, isto é, ataque que represente 20%.
Normalmente o ácaro (Eriophyes
guerreronis) desenvolve-se sob as brácteas dos cocos novos, sugando a seiva
da epiderme e provoca cloroses que se estendem longitudinalmente por todo o
fruto. Posteriormente a área danificada torna-se marrom escura, com aspectos
ásperos e freqüentemente apresentando rachaduras. Os frutos danificados se
deformam, perdem peso e às vezes caem antes de atingir o ponto ideal colheita,
além de tornar os frutos pouco atrativos
para o consumidor de "coco-verde".
Dano causado pelo Eriophyes
guerreronis no fruto
Fonte: Embrapa
Controle: Em função dos ácaros se encontrarem
protegidos pelas brácteas dos frutos, o controle através produtos químicos de
ação por contato fica comprometido, podendo ser usado apenas produtos de
ação sistêmica. Entretanto estes produtos não devem ser recomendados uma vez
que estes deixam resíduos nos frutos.
O adulto é uma mariposa pequena ( Hiolospila ptychis), a qual faz a postura na inflorescência. Dos
ovos surgem lagartas brancas, com pigmento no dorso e cabeça amarelada. As
lagartas desenvolvem-se nas inflorescências recém abertas do coqueiro,
danificando os carpelos da flores femininas e perfurando os cocos novos na
região das brácteas e instalando-se sob as mesmas onde se alimenta dos tecidos
e abre galerias, e provocando a queda dos frutos atacados ainda pequenos.
Controle: sugere-se
proceder a eliminação das inflorescências atacadas pela traça e queimá-las,
como forma de diminuir a fonte de inoculo, visto que o controle químico não
deve ser empregado, uma vez que seria necessário se fazer o emprego de
inseticidas sistêmicos, os quais podem se tornar uma ameaça a saúde do
consumidor, considerando-se que a água é consumida naturalmente.

O adulto é
uma borboleta grande (Brassolis sophoroe)
medindo de 6 a 10 cm, de hábito diurno, a qual faz a postura na base do
pecíolo das folhas e folíolos. As lagartas surgidas dos ovos chegam a medir de
6 a 8 cm de comprimento, cabeça avermelhada e listras longitudinais
marrom-escura no dorso. As lagartas fazem ninhos unindo vários folíolos com
fio de seda no interior onde passam o dia e só saem a noite para se alimentar.
Alimentam-se do limbo foliar dos folíolos, provocando o desfolhamento total das
plantas.
Lagartas de Brassolis
sophoroe.
Fonte: Embrapa
Controle: sugere-se a derrubada das lagartas com o
emprego de varas e destruição mecânica das mesmas.
As formigas saúvas causam sérios danos nos três primeiros
anos de plantio da muda bem como no viveiro, podendo levar a um desfolhamento
total da planta.
Controle: devem ser controladas com o emprego de
formicidas adequados, tendo-se o cuidado de controlar os formigueiros tanto
dentro quanto fora da propriedade.
Dentre as doenças, destacam -se como de maior
importância o anel-vermelho do coqueiro (Bursaphelenchus
cocophilus); a lixa pequena ou verrugose do coqueiro (Phyllachora torrendiella); mancha foliar ou Helmintosporiose (Dreschlera
incurvata) e a qeima-das-folhas (
botryosphaeria cocogena).
12.1 Queima-das-folhas -Botryosphaeria cocogena
A doença se manifesta nas folhas inferiores da planta, a
partir de um ano e seis meses do cultivo no campo. Nos folíolos, os sintomas se
caracterizam por manchas marrom-avermelhado que se localizam na extremidade,
margem ou meio dos folíolos, desenvolvendo-se em direção ao raquis.
Freqüentemente, os sintomas se desenvolvem a partir da extremidade da folha,
provocando, no início, lesões em forma de V.
A
doença provoca o empodrecimento, o ressecamento e a morte prematura das folhas
que servem de apoio aos cachos que acabam pendurados ou se quebrando e caindo
antes de os cocos completarem a sua maturação. Determina, ainda, a redução
foliar, com expressiva queda na produtividade.
Ainda
não foram detectadas variedades resistentes à doença. As menos susceptíveis
são: PB 141, AV e J e AVC, GPY, Como medida de controle preventivo,
recomenda-se a remoção e a queima das folhas mortas. O vento é um meio de
disseminação do fungo.
Sintoma em “V” da queima-das-folhas.
Fonte:
Embrapa
O controle químico é feito com 6 a 8 pulverizações
(através do pulverizador motorizado) com Benomyl (0,1%) + Carbendazim (0,1%)
i.a. (solventes químicos diferentes) em intervalos de 14 dias, gastando-se dois
a três litros da solução por planta em coqueiros jovens ou já em produção
e com até 6 metros de altura. O tamanho da lesão está correlacionado
positivamente com o estresse hídrico.
A doença é caracterizada por pequenos pontos negros
(verrugas) que ocorrem por todas as áreas dos folíolos, raquis e frutos do
coqueiro. O fungo provoca a necrose das folhas inferiores, que secam
prematuramente. Quando o ataque é severo, os cachos ficam totalmente sem
suporte, prejudicando a produção.
O
controle biológico é feito com os fungos Acremonium
sp, Septofusídium eïegantyïum, Cladosporium cladosporioides, Penicillium sp,
Curvularia sp e Pestalotia sp.
Lixa pequena em coqueiro
Fonte: Embrapa
A doença se manifesta sobre o limbo, nervura dos
folíolos e raquis foliar, com grossos peritécios de coloração marrom, que
podem atingir até 2mm de diâmetro. Os estremas desse fungo soltam-se
facilmente, ao contrário dos estremas da lixa-pequena.
O controle biológico é feito como o da Lixa-pequena.
Estas duas doenças são consideradas portas de entrada para o agente da
Queima-das-folhas. A adubação mineral tem efeito sobre a incidência da lixa
no primeiro ano de plantio. A presença de nitrogênio e/ou de fósforo
proporcionam menor incidência da doença que, na presença de K, é mais
severa.
Lixa-grande no raquis da folha do coqueiro.
Fonte: Embrapa

Em estádio avançado da doença, as copas das palmeiras
ficam com aspecto amarelo-ouro, com exceção de um tufo central de folhas
verdes que, finalmente, dobra-se e seca, ocorrendo então a morte da planta.
Não se observa queda de frutos e de inflorescências. Efetuando-se um corte
transversal do estipe, verifica-se um anel vermelho de 2 a 4cm de largura e a
3-5cm da periferia.
O nematóide causador da doença é vetoriado pelo R.
palmarum ou através das raízes. O controle é feito com a erradicação
das plantas afetadas e a utilização de iscas atrativas para o vetor. Deve-se
também evitar o corte excessivo das folhas funcionais.
Sintomas internos da doença anel-vermelho
Fonte: Embrapa
Ferramentas utilizadas no corte de plantas atacadas devem
ser limpas antes de serem utilizadas em plantas sadias. As armadilhas com iscas
atrativas devem ser dispostas ao redor do plantio e as iscas devem ser trocadas
a cada 7-15 dias.
12.5 Murcha-de-phytomonas
-Phytomonas sp.
A doença começa pelo amarelecimento e depois
empardecimento dos folíolos terminais das folhas mais baixas, evoluindo da
extremidade para a base da
Inflorescência
com ataque de Murcha-de-phytomonas
Antes da folhagem tornar-se completamente marrom, a podridão flecha já alcançou o meristema central da folha e das folhas inferiores para as mais altas, ocorrendo ressecamento generalizado em torno de 4 a 6 semanas.
O controle da doença é feito pela eliminação dos
coqueiros doentes. As coroas devem ser mantidas limpas, principalmente em locais
mais úmidos.
Inflorescência com ataque de Murcha-de-phytomonas
Fonte: Embrapa
Efetuando-se o controle das plantas de cobertura. Os
insetos vetores devem receber combate sistemático usando-se Deltametrina à
razão de 2g i.a. /litro {Lincus spp) e Thiodan para o
Ochierus. Sugerem-se, ainda, pulverizações com Monocrotophos à
base de 20ml/100 litros de água, que não afeiam a emergência de
microhimenópteros parasitóides de Lincus spp.
A roçagem mecânica expõe as formas adultas do inseto à
radiação solar. Podem ser utilizados inseticidas sistêmicos através da raiz
do coqueiro (Azodrin ou Nuvacron). O Monocrotophos (acaricida) aplicado a cada 3
meses age por fumigação e contato.
Pequenas lesões nas folhas do coqueiro, de forma
elíptica e alongada, de cor marrom com halo amarelo-ouro. A doença se
desenvolve, inicialmente, nas folhas inferiores, progredindo para a parte
superior da planta.
O controle da doença no viveiro e em plantas com até 5
anos é feito através de adubação balanceada, sem excesso de nitrogênio. Nos
primeiros casos da doença, a utilização de Maneb a 2% i.a. ou outro fungicida
de contato garante controle adequado. Pode-se utilizar, também, Dithane M 45 ou
Captan (Score, Folicur). Outro cuidado recomendado é a eliminação de ervas
daninhas.
Pequenas manchas esbranquiçadas, isoladas ou em cadeias,
localizadas na flecha ou na folha recém-aberta, são as primeiras
manifestações da doença, podendo ocorrer, também, a paralisação do
crescimento da planta. Em etapa mais avançada, a folha central da planta fica
totalmente seca. Simultaneamente ao desenvolvimento dos sintomas nas folhas,
aparecem no coleto lesões internas, marrons, com aparência de cortiça. Todas
as folhas secam, já que a podridão alcança o meristema central. Para
controlar a doença, recomenda-se o consórcio com leguminosas; a eliminação
de gramíneas e insetos através do Aldicarb e a aplicação de injeção de
50ml de Oxitetraciclina abaixo do meristema.

Aspecto interno da podridão seca
Fonte: Embrapa
O ponto de colheita do coco
depende da variedade cultivada e do destino da produção. Para as variedades
Gigantes e híbridas, onde o fruto é comercializado seco para a indústria de
processamento, o coco encontra-se no ponto de colheita aos 11 - 12 meses após a
abertura da inflorescência. No caso do coqueiro-anão, onde o fruto é
destinado basicamente para o mercado de coco-verde, em função do consumo da
água, os frutos devem ser colhidos com idade variando entre oito e nove meses
após a abertura da inflorescência, quando a água se encontra com o sabor mais
agradável.
Os frutos são colhidos
através do corte do cacho com um golpe de facão, tendo-se o cuidado de
amarrá-lo com uma corda e segurá-la para diminuir o impacto dos frutos com o
solo, quando o coqueiro se encontrar alto e assim reduzir a perda de frutos por
rachaduras, no caso do coco-verde.
O coco-verde é
comercializado em cachos ou a granel, devendo ser mantidos protegidos do sol, de
forma que sua longevidade não seja afetada.
Na maioria dos casos, a comercialização ocorre através
de agentes intermediários, os quais se responsabilizam pela colheita e sua
despesa, podendo ser também comercializados em feiras-livre; Centrais de
abastecimento; lanchonetes, etc.
Com o aperfeiçoamento do
sistema de embalagem por parte da industria, surgem grandes perspectivas de se
aumentar a demanda por coco-verde por parte da indústria, de forma que pode
tornar-se possível a realização de contratos de fornecimento de coco-verde
entre produtores e indústria, de forma que o produtor possa obter melhores
preços que os obtidos pela venda aos intermediários.
Na propriedade o coco-verde
atinge um preço médio variando de R$0,20 a R$0,40, dependendo da época do ano
e do volume de produção, bem como do mercado ao qual se destina o produto.
O coco seco é
comercializado a granel, sem casca, e geralmente é intermediado por terceiros,
os quais repassam para a indústria de processamento.
Considerando-se que o
coqueiro anão emite uma inflorescência a intervalos médios de 21 dias, e
consequentemente a planta emite em média, de 15 a 17 cachos/mês, de forma que
possibilita se obter produção durante o ano todo.
Considerando-se
um bom nível de manejo empregado no cultivo e a idade da planta, a
produtividade é estimada conforme o quadro 5.
Quadro 5: Produção estimada por planta/ano com irrigação
convencional por aspersão e irrigação
localizada
na cultura do coqueiro-anão-verde.
IDADE
(anos) |
FRUTOS/PLANTA/ANO*
|
|
Aspersão
|
Localizada
|
|
3
|
80
|
90
|
4
|
100
|
120
|
5
|
130
|
150
|
6
|
150
|
180
|
7
|
180
|
210
|
8
|
200
|
240
|
9
|
230
|
270
|
10
|
260
|
300
|
*
- Os dados do quarto ano com
irrigação localizada foram coletados na área de Quissamã-RJ.
- Os dados do quinto ano com
irrigação por aspersão foram obtidos na Empresa de Pesquisa Agropecuária de
Minas Gerais e referem-se ao semi-árido mineiro e a coqueiral com três anos e
meio de implantação.
- Os dados do sexto ao décimo
ano foram estimados.
O coco-anão leva vantagens em relação ao coco-da-praia no que se
refere ao rendimento em água.
Quadro 6:
Comparação entre o coco anão e o coco-da-praia no que se refere ao rendimento
em água.
|
FATORES |
COCO-ANÃO |
COCO-DA-PRAIA |
|
Peso médio do coco(g) |
1.187 |
2.784 |
|
Volume de água (ml) |
326 |
372 |
|
% de água |
27,5 |
14,4 |
Fonte: pesagro-RIO
Este aspecto deve ser considerado, pois já se encontra
no mercado água de coco engarrafada ou em outros tipos de embalagens,
principalmente no mercado da Grande São Paulo.
No Rio de Janeiro, encontra-se água de coco importada das
Filipinas a R$ 0,92 a caixinha. Deve-se ressaltar que se tratam de subprodutos
da indústria da compra do coco para fins de produção de óleo, sendo água de
coco do tipo coco-da-praia ou de plantas híbridas, com características
organolépticas distintas e inferiores às da água do coco-anão-verde.
O consumo atual de água de coco é de 119.700 litros/ano,
o que equivale a 1,33% do
consumo
de refrigerantes no Brasil. A meta a atingir é de 5% do consumo anual de
refrigerantes.
A água e a polpa do coco-verde têm, atualmente,
excelente mercado, sendo que, as indústrias padronizam a água comercializada
com 60% procedente de coco-verde e 40% de coco amadurecido.
O coqueiro é uma cultura
de custo relativamente baixo, em torno de R$ 4,00 / planta/ano. Quando bem
manejada, o custo unitário do fruto gira em torno de R$ 0,02; R$ 0,04 e R$ 0,07
para os frutos das variedades Anã, Híbrido e Gigante respectivamente, enquanto
que o valor médio recebido pelo produtor na comercialização gira em torno de
R$ 0,25 tanto para o coco-verde quanto para o coco-seco.
rêgo
filho, Luiz de Moraes, BARROS, Julio César da Silva monteiro de
CELESTINO, Regina Célia Alves et
al. A cultura do coco-verde:
Perspectivas, tecnologias e viabilidade. Niterói: PESAGRO-RIO, 1999.48p.
FERREIRA, J.M.S; WARWICK, D.N.R.,
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Brasil, Brasília: Embrapa, 1998.
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