MARTINS,
S.T.
MELO,
B.
O
gênero Spondias pertence à família Anacardiaceae e possui 18 espécies
distribuídas nos neotropicos, Ásia e Oceania (Mitchell & Daly,
1995). No Nordeste brasileiro, destacam-se as espécies: Spondias mombin L.
(cajazeira), Spondias purpurea L.
(cirigueleira), Spondias
cytherea Sonn. (cajaraneira), Spondias tuberosa Arr. Câm.
(umbuzeiro) e Spondias spp. (umbu-cajazeira e umbugueleira), todas árvores
frutíferas tropicais largamente exploradas, através do extrativismo como a
cajazeira e o umbuzeiro ou em pomares domésticos e em plantio desorganizados
conduzidos empiricamente como a cajaraneira, a cirigueleira, a umbugueleira
e a umbu-cajazeira. Estas espécies são plantadas em domesticação que
produzem frutos do tipo drupa de boa aparência, qualidade nutritiva, aroma e
sabor agradáveis, os quais são muito apreciados para o consumo como fruta
fresca ou na forma processada como polpa, sucos, doces, néctares, picolés e
sorvetes.
No Brasil, notadamente no Nordeste, estas espécies têm considerável
importância social e econômica, fato comprovado pela crescente comercialização
de seus frutos e produtos processados em mercados, supermercados e restaurantes
da região. Nos últimos anos, descobriu-se que o extrato das folhas e dos ramos
da cajazeira continham taninos elágicos com propriedades medicinais para o
controle de bactérias gram negativas e positivas (Ajao et al., 1985), do vírus
da herpes simples (Corthout et al., 1992) e da herpes dolorosa (Matos, 1994);
inclusive já existem produtos à base do extrato das folhas e dos ramos
da cajazeira, industrializados e comercializados na cidade de Fortaleza,
CE, para combate à herpes labial.
O umbuzeiro é planta xerófita nativa do semi-árido do Nordeste
brasileiro (Duque, 1980); a cajaraneira, originária da Polinésia (Airy Shaw
& Forman, 1967), é suscetível à resinose (Lasiodiplodia theobromae (Pat.)
Griffon, doença de progressão lenta, mas que leva à morte da planta (Freire
& Cardoso, 1997). A cajazeira tem como centros de diversidades a Amazônia
ocidental e a Mata Atlântica (Mitchell & Daly, 1995); a umbu-cajazeira é
um híbrido natural entre a cajazeira e o umbuzeiro (Giacometti, 1993), tem
origem desconhecida, características de plantas xerófitas e esta disseminado
em alguns estados do Nordeste como o Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí,
Pernambuco e Bahia. A umbugueleira é uma arvore muito semelhante à da
umbu-cajazeira, os poucos exemplares existentes ocorrem nos municípios de Santa
Isabel, PB e Tururu, CE.
A forma de propagação das Spondias, como a maioria das fruteiras
tropicais, ocorre pelos métodos sexuais e assexuais. Porém, algumas seleções
de cirigueleira não produzem grão de pólen fértil e nem sementes viáveis
(Campbell & Sauls, 1991).
O endocarpo, comumente chamado de “caroço”, é usado como semente na
propagação sexual das Spondias. Embora algumas espécies possuam mais
de uma semente por endocarpo (cajazeira e cajaraneira), outras somente possuem
uma (umbuzeiro) ou raramente uma semente (umbu-cajazeira) e outras nenhumas (cirigueleira
e umbugueleira). No plantio das Spondias, a semeadura deve ser efetuada a
uma profundidade de 3 cm, colocando-se o endocarpo na posição vertical com a
parte proximal voltada para baixo.
A cirigueleira, a umbugueleira e a umbu-cajazeira, são propagadas pelo método
vegetativo, através de estacas
grandes plantadas diretamente no campo, as quais demoram a enraizar e a formar a
copa de uma nova planta. As estacas, na maioria das vezes, emitem brotações,
mas não enraízam. Esses mesmos problemas, também, são constatados quando se
propaga a cajazeira, a cajaraneira e o umbuzeiro por estaquia. A provável causa
do alto alto insucesso da propagação das Spondias por estaquia é a época
da coleta dos propágulos que, para obtenção de maiores percentagens de
enraizamento devem ser coletados no final da fase fenológica do repouso da
planta.
A propagação vegetativa das Spondias por estaquia, ainda,
apresenta fortes limitações e não se dispõe de tecnologia para a produção
comercial de mudas.
A enxertia, apesar de pouco estudada, vem apresentando resultados
promissores na clonagem de cajazeira, umbu-cajazeira e umbuzeiro. As investigações
sobre os métodos de propagação das Spondias estão em execução.
Espera-se, em curto prazo, ser possível a divulgação de tecnologias e de
recomendações técnicas para a produção de mudas das principais espécies
exploradas na região.
Cajá (Spondias
mombin L.)

Essa
espécie encontra-se dispersa nas regiões tropicais da América, África e Ásia,
sendo no Brasil encontrada
principalmente nas regiões Norte e Nordeste (Sacramento &Souza, 2000).
Fruto,
assim como a ceriguela, pertencente à família Anacardiaceae, o cajá é
também chamado cajá-mirim ou taperebá no Brasil; prunier mombin na
Guiana Francesa; ciruela de monte e jocote na Guatemala; ciruela amarilla
no México e Equador; jobo na América Central; hogplum ou yellow
mombin na América do Norte.
Uma grande inconveniente dessa espécie é a altura da planta, que pode
atingir 30 m. Os frutos possuem uma coloração amarelo-brilhante, contendo uma
pequena camada polpa ao redor de caroço volumoso.
Os frutos da cajazeira possuem excelente sabor e aroma, além de
rendimentos acima de 60% em polpa, e por isso são amplamente utilizados na
confecção de suco, néctares, sorvetes, geléias, vinhos, licores. Devido a
sua acidez, normalmente, não é consumido ao natural. Na região Sul da Bahia,
a polpa de cajá é a que possui maior demanda entre as polpas de frutas
comercializadas, entretanto, a sua industrialização é totalmente dependentes
das variações das safras, considerando a forma de exploração extrativa da
cajazeira e a grande perda de frutos devido a problemas de colheita e de
transporte. Desse modo, apesar da polpa do cajá despertar interesse em outras
regiões do país, a atual produção industrializada não é suficiente para
atender nem o mercado consumidor do Norte e Nordeste.
Na medicina popular e industria farmacêutica é crescente a utilização
da cajazeira. Pio Corrêa (1926) relata que a casca da cajazeira é aromática,
adstringente e emética, constituindo um bom vomitório nos casos de febres
biliosas e palustres, gozando da reputação de antidiarréica, antidesintérica,
antiblenorrágica e anti-hemorroidária, sendo esta última propriedade também
atribuída à raiz. As folhas são alimentos prediletos do bicho da seda e
utilizadas interna e externamente, conforme os casos; são também úteis contra
febres biliosas, constipações do ventre, dores do estomago, complicações
consecutivas ao parto e certas e certas enfermidades dos olhos e da laringe,
posto que para estas ultimas seja mais recomendável o decocto das flores.
Nos últimos anos, descobriu-se que o extrato das folhas e dos ramos da
cajazeira continham taninos elágicos com propriedades medicinais para o
controle de bactérias gram negativas e positivas (Ajao et al., 1984).
A cajazeira é utilizada também para extração de madeira, a qual é
amarelada, quase branca, mole, leve, de qualidade inferior, sendo muito susceptível
ao ataque de insetos e por isso é muito usada para caixões e, mais raramente,
para construções internas (Hueck, 1972).
Atualmente, a polpa congelada de cajá é uma das mais apreciadas em nível
nacional, e a demanda a cada dia aumente apesar da inexistência de plantios
comerciais.
A caracterização do cajá, em dois estádios de maturação,
encontra-se na Tabela 1. Apesar da fina camada de polpa do cajá o
rendimento em peso é alto, pois o caroço, apesar de volumoso, tem poço peso.
Dados citados por Sacramento e Souza (2000) informam variação na porcentagem
de casca do cajá entre 8,4 e 18,7%, e na de endocarpo,entre 15,7 e 46,0%.
O conteúdo de sólidos solúveis
totais (SST) e a acidez total titulável (ATT), no final da maturação, indicam
uma polpa de sabor adocicado e acentuadamente acido. Os açúcares redutores
representam aproximadamente 90% dos açúcares solúveis totais no final da
maturação. Leon & Shaw (1990) citam teores entre 6,74 e 9,41% de açúcares
solúveis totais em cajá .
Pelos resultados para rendimento em polpa, acidez, sólidos solúveis e
amido, principalmente, verifica-se que o cajá atinge qualidade máxima para o
consumo ou industrialização ao final da maturação. Antes disso, há
comprometimento, principalmente do sabor, pela excessiva acidez e teor de amido
alto, para polpa de fruta.
Observaram-se poucas variações no teor de pectina, quando analisada a
polpa integral na atividade enzimática e nos teores de compostos fenólicos.
Porem, o fracionamento das pectinas se torna bem mais solúveis com o
amadurecimento.
Tabela 1 –
Caracterização da porção comestível do cajá em dois estádios de maturação.
Fortaleza, CE, Brasil, 2000.
|
Características* |
Predominantemente
Amarelo |
Amarelo |
||||
|
Peso total (g) |
15,91 |
19,92 |
||||
|
Polpa + Casca (%) |
81,58 |
81,65 |
||||
|
Semente (%) |
18,42 |
18,34 |
||||
|
Comprimento (mm) |
39,70 |
43,10 |
||||
|
Diâmetro (mm) |
28,10 |
32,20 |
||||
|
Sólidos Solúveis Totais(oBrix) |
10,30 |
11,56 |
||||
|
Acidez Total Titulável (%) |
1,07 |
1,03 |
||||
|
Sólidos Solúveis/Acidez |
9,56 |
11,23 |
||||
|
pH |
3,10 |
3,17 |
||||
|
Açúcares Solúveis Totais (%) |
7,22 |
8,41 |
||||
|
Açúcares Redutores (%) |
6,28 |
7,65 |
||||
|
Amido (%) |
1,92 |
0,52 |
||||
|
Pectina Total (%) |
0,13 |
0,28 |
||||
|
Pectina Solúvel (%) |
0,09 |
0,07 |
||||
|
Pectina Fracionada
(% - em relação aos SIA) |
A.M.
9,75 |
B.M.
0,87 |
PROT.
1,09 |
A.M.
10,30 |
B.M.
2,11 |
PROT.
2,21 |
|
Pectinametilesterase (UAE) |
305,22 |
362,31 |
||||
|
Poligalacturonase (UAE) |
19,78 |
18,32 |
||||
|
Vitamina C Total (mm/100g) |
36,87 |
36,86 |
||||
|
Fenólicos Solúveis em H2O (%) |
0,10 |
0,12 |
||||
|
Fenólicos Solúveis em Metanol(%) |
0,10 |
0,11 |
||||
|
Fenólicos Solúveis em Metanol 50% (%) |
0,13 |
0,14 |
||||
*SIA – sólidos insolúveis em
álcool; A.M. – alta metoxilação; B.M. – baixa metoxilação; PROT. –
protopectina;
UAE – unidades de atividade enzimática.
Propriedades Nutritivas por 100 gramas da fruta (polpa) :
|
Vitamina A |
Vitamina B1 |
Vitamina B2 |
Vitamina C |
Niacina |
Calorias |
|
64,00 |
50,00 |
40,00 |
35,90 |
0,26 |
45,00 |
|
Glicídios |
Proteínas |
Lipídios |
Cálcio |
Fósforo |
Ferro |
|
11,60 |
0,80 |
0,20 |
56,00 |
67,00 |
0,30 |
A cajazeira é uma planta de polinização cruzada, e não existe clone recomendado para cultivo comercial. Desse modo, recomenda-se seguir algumas orientações utilizadas no cultivo de outras fruteiras perenes. Portanto recomenda-se o plantio de mudas clonadas de plantas de qualidade superior, ou seja, sadias, produtivas e de frutos com boas qualidades organolépticas.
As mudas devem ser plantadas em covas com dimensão de 40x40x40 cm, previamente adubadas, com esterco curtido.
Considerando o porte da planta adulta, sugere-se um espaçamento em sistema quadrangular de 9m x 9m ou retangular de 9m x 8m. Deve-se utilizar poda de formação, de condução e de limpeza. O espaçamento da cajazeira pode ser modificado em função da sua utilização em consorcio com outras plantas. Atualmente a cajazeira vem sendo utilizada para composição em sistemas agroflorestais com outras plantas de menor porte e que suportam algum sombreamento, como o cacaueiro e o cupuaçuzeiro. Porém, com a utilização de mudas clonadas e racionalmente podadas, é provável que esses espaçamentos possam ser mais reduzidos.
Na literatura não existem informações sobre adubação, manejo e tratos culturais para a cajazeira e, até que a pesquisa venha a gerar conhecimento para o seu cultivo, recomenda-se a adaptação de tecnologia adotada para outros cultivos perenes. Com relação à aplicação de fertilizantes, o conhecimento da composição mineral do solo e de partes da planta pode auxiliar nas recomendações da nutrição das plantas.
PRAGAS E DOENÇAS
Naturalmente as pragas e doenças necessitam de um hospedeiro para sobreviver e preferem plantas da mesma espécie ou gênero. Desse modo, as principais espécies que compõem o gênero Spondias (cajá, cajararana, ceriguela, umbu, umbuguela e umbu-caja) ficam sujeitas a pragas e doenças comuns.
Pragas- Moscas-das-frutas (Anastrepha sp.)
Considerando o fato da cajazeira ser uma espécie em fase de domesticação, não se têm ainda levantamento sobre o nível do dano econômico causado por essa praga; desse modo, torna-se difícil estabelecer qualquer método de controle antes do estabelecimento de sistemas de cultivo racional.
Outras pragas- tripés, cochonilhas, lagartas, brocas e moscas, que atacam folhas, ramos e frutos de cajazeira.
Doenças- Antracnose (Glomerella cingulata (Ston);
- Verrugose (Sphaceloma spondiadis Bitancourt e Jenkins);
- Resinose (Botryosphaeria rhodina (Cooke) Ark);
-
Cercosporiose
(Mycosphaerella mombin Petr. et Cif);
- Mancha de Alga (Cephaleuros virescens Kunze);
- Fitonematoides.
A altura das cajazeiras dificulta a colheita dos frutos na planta, desse modo, os cajás maduros desprendem-se da planta e caem. Na queda, muitos frutos danificam-se. Os frutos danificados perdem líquido e entram em processo de fermentação, além de ficarem expostos ao ataque de patógenos, formigas, insetos e roedores. Desse modo a colheita deve ser feita pelo menos duas vezes ao dia, para preservar a qualidade. Devido a problemas de colheita, condições de acesso e transporte dos frutos, estima-se que menos de 30% da produção de cajá, na região Sul da Bahia e em outras regiões produtoras, seja aproveitada atualmente para consumo humano.
Nas
diversas regiões produtoras, os frutos são comercializados em feiras livres e
beiras de estradas, juntamente com outras frutas regionais, entretanto, a maior
parte da produção é vendida para agroindústrias regionais. Após o
processamento, a poupa é comercializada congelada, em embalagens de 0,1 1 10kg
ou em tabuleiros de 200 litros.
A polpa de cajá é um produto recente no mercado nacional, e a atual
produção, considerando a grade demanda, não atende as necessidades do mercado
interno, ficando ainda muito restrito às regiões Norte e Nordeste, portanto,
existe um amplo mercado interno e externo a ser explorado.
Apesar de ser muito apreciada para o consumo fresco, a ceriguela também
é utilizada para o processamento, mas, nesse caso deve-se utilizá-la quando
completamente madura, já que apresenta um alto conteúdo de amido nos estádios
iniciais da maturação. Mesmo no fruto maduro o conteúdo de amido é elevado,
e em alguns casos pode-se mesmo
perceber o sabor amiláceo no ceriguela fresca. O teor de pectina total também
é elevado, em comparação com a maioria dos frutos, o que, associado ao
elevado teor de amido, pode dificultar a estabilização de suco ou néctar.
Tabela 2 –
Caracterização da porção comestível da ceriguela em três estádios de
maturação. Fortaleza, CE, Brasil, 2000.
|
Características* |
Verde |
Amarelo |
Madura
|
||||||
|
Peso total (g) |
11,64 |
12,07 |
10,27 |
||||||
|
Polpa + Casca (%) |
81,72 |
83,05 |
84,10 |
||||||
|
Semente (%) |
17,94 |
16,47 |
15,61 |
||||||
|
Comprimento (mm) |
35,03 |
34,80 |
33,08 |
||||||
|
Diâmetro (mm) |
26,22 |
25,69 |
24,95 |
||||||
|
Sólidos Solúveis Totais(oBrix) |
7,11 |
16,90 |
21,25 |
||||||
|
Acidez
Total Titulável (%) |
0,93 |
0,63 |
0,62 |
||||||
|
Sólidos Solúveis/Acidez |
7,62 |
26,70 |
34,32 |
||||||
|
pH |
3,06 |
3,34 |
3,44 |
||||||
|
Açúcares Solúveis Totais (%) |
4,41 |
14,24 |
18,68 |
||||||
|
Açúcares Redutores (%) |
2.31 |
4,65 |
0,70 |
||||||
|
Amido (%) |
9,13 |
2,61 |
1,01 |
||||||
|
Pectina Total (%) |
0,34 |
0,68 |
0,72 |
||||||
|
Pectina Solúvel (%) |
0,05 |
0,20 |
0,30 |
||||||
|
Pectina Fracionada
(% - em relação aos SIA) |
A.M.
0,41 |
B.M.
0,09 |
PROT.
0,13 |
A.M.
4,23 |
B.M.
0,41 |
PROT.
0,32 |
A.M.
8,42 |
B.M.
0,82 |
PROT.
0,41 |
|
Pectinametilesterase (UAE) |
427,79 |
298,52 |
320,15 |
||||||
|
Poligalacturonase (UAE) |
13,85 |
14,68 |
12,65 |
||||||
|
Vitamina C Total (mm/100g) |
46,60 |
33,21 |
34,01 |
||||||
|
Fenólicos Solúveis em H2O (%) |
0,14 |
0,14 |
0,17 |
||||||
|
Fenólicos Solúveis em Metanol(%) |
0,16 |
0,15 |
0,16 |
||||||
|
Fenólicos Solúveis em Metanol 50% (%) |
0,22 |
0,23 |
0,24 |
||||||
*SIA – sólidos insolúveis em
álcool; A.M. – alta metoxilação; B.M. – baixa metoxilação; PROT. –
protopectina;
UAE – unidades de atividade enzimática.
A ceriguela é a espécie do gênero Spondias que produz frutos de
melhor qualidade. Dessa forma, a principal forma de consumo é in natura
tanto fruto verde quanto o maduro. A classificação desses frutos é feita
mediante o peso e o estádio de maturação.
Essa fruta também é usada no preparo de bebidas fermentadas (chicha),
vinhos e bebidas geladas (Leon & Shaw, 1990). No Nordeste brasileiro a
ceriguela é muito apreciada como “tira-gosto” após a ingestão de
certas bebidas alcoólicas (Pinto, 1997), além de fazer parte da composição
de sorvetes (Sousa, 1998).
Umbuzeiro, umbú, imbú, ombuzeiro,ambu, giqui,
imbuzeiro, taperebá (AM). (Spondias cirouella Tuss, Spondias
tuberculata L.)

ASPECTOS GERAIS E AGRONÔMICOS
O
umbuzeiro ou imbuzeiro, Spondias tuberosa, L., Dicotyledoneae,
Anacardiaceae, é originário dos chapadões semi-áridos do Nordeste
brasileiro; nas regiões do Agreste (Piauí), Cariris (Paraíba), Caatinga
(Pernambuco e Bahia) a planta encontrou boas condições para seu
desenvolvimento encontrando-se, em maior número, nos Cariris Velhos, seguindo
desde o Piauí à Bahia e até norte de Minas Gerais. No Brasil colonial era
chamado de ambu, imbu, ombu, corruptelas da palavra tupi-guarani "y-mb-u",
que significava "árvore-que-dá-de-beber". Pela importância de suas
raízes foi chamada "árvore sagrada do Sertão" por Euclides da
Cunha.
O umbuzeiro é uma árvore de pequeno porte em torno de 6m de altura, de
tronco curto, esparramada, copa em forma de guarda-chuva com diâmetro de 10 a
15m projetando sombra densa sobre o solo, vida longa (100 anos), é planta xerófila.
Suas raízes superficiais exploram 1m de profundidade, possuem um órgão
(estrutura) - túbera ou batata - conhecida como xilopódio que é constituído
de tecido lacunoso que armazena água, mucilagem, glicose, tanino, amido, ácidos,
entre outras. O caule, com casca cor cinza, tem ramos novos lisos e ramos velhos
com ritidomas (casca externa morta que se destaca); as folhas são verdes,
alternas, compostas, imparipenadas, as flores são brancas, perfumadas, melíficas,
agrupadas em panícula de 10-15cm de comprimento. O fruto - umbu ou imbu - é
uma drupa, com diâmetro médio 3,0cm, peso entre 10-20 gramas, forma
arredondada a ovalada, é constituído por casca (22%), polpa (68%) e caroço
(10%). Sua polpa é quase aquosa quando madura. Semente arredondada a ovalada,
peso de 1 a 2,0 gramas e 1,2 a 2,4cm de diâmetro, quando despolpada. O fruto é
muito perecível.
100 gramas de polpa do fruto contém:
|
44 calorias |
0,6 g de proteína |
|
20 mg de cálcio, |
14 mg de fósforo |
|
2 mg de ferro |
30 mg de vitamina A |
|
33 mg de vitamina C |
0,04 mg de vitamina B1 |
O
umbuzeiro perde totalmente as folhas durante a época seca e reveste-se de
folhas após as primeiras chuvas. A floração, pode iniciar-se após as
primeiras chuvas independentemente da planta estar ou não enfolhada; a abertura
das flores dá-se entre 0 hora e quatro horas (com pico as 2 horas). 60 dias após
a abertura da flor o fruto estará maduro. A frutificação inicia-se em período
chuvoso e permanece por 60 dias. A sobrevivência do umbuzeiro, através de
tantos períodos secos, deve-se à existência dos xilopódios que armazenam
reservas que nutrem a planta em períodos críticos de água.
O
umbuzeiro cresce em estado nativo, nas caatingas elevadas de ar seco, de dias
ensolarados, e noites frescas. Requer clima quente, temperatura entre 12ºC e 38ºC,
umidade relativa do ar entre 30% e 90%, insolação com 2.000-3.000
horas/luz/ano e 400mm a 800mm de chuva (entre novembro e fevereiro), podendo
viver em locais com chuvas de 1.600 mm/ano. Vegeta bem em solos não úmidos,
profundos, bem drenados, que podem ser arenosos e silico-argilosos. Evitar
plantio em solos que estejam sujeitos ao encharcamento.
A propagação do
umbuzeiro pode ser feita através da semente, de estacas de ramo ou de enxertia.
Para a obtenção de pomares uniformes e com indivíduos com características de
plantas com produção e qualidade do fruto sugere-se a obtenção via enxertia.
Produção de mudas via sementes:
as sementes devem ser provenientes de frutos de plantas vigorosas, sadias e de
boa produção; os caroços devem ser originários de frutos com casca lisa,
forma arredondada e sadia. O caroço (semente) se possível despolpado, deve ter
de 2,0 a 2,4cm de diâmetro; para quebrar a dormência da semente deve-se
efetuar um corte em bisel na parte distal do caroço (oposta ao pedúnculo do
fruto) para facilitar a emergência da plantinha. O recipiente a receber a
semente pode ser saco de polietileno ou outro com dimensão de 40cm x 25cm, que
possa receber 5kg de mistura de barro com esterco de curral curtido na proporção
3:1. Três a quatro caroços são colocados no recipiente a 3-4cm de
profundidade; a germinação dá-se entre 12 e 90 dias (de ordinário em 40
dias), podendo-se obter até 70% de germinação. Efetuar desbaste com
plantinhas com 5cm de altura. Muda apta ao campo com 25-30cm de altura.
Produção de mudas via estacas
de ramos: estacas do interior da copa da planta, são
colhidas entre os meses de maio e agosto; devem ter 3,5 de diâmetro e
comprimento entre 25cm e 40cm. As estacas são postas a enraizar (brotar) em
leitos de areia fina ou limo, enterradas em 2/3 do seu comprimento, em posição
inclinada; a estaca também pode ser enterrada no local definitivo de plantio.
Produção de mudas via enxertia:
método em experimentação/observação; trabalhos do IPA (Pernambuco)
asseguram êxito no obtenção da muda por enxertia via método janela aberta; a
EMBRAPA/CPATSA obteve 75% de "pega" em enxertos de garfos de umbuzeiro
sobre cajazeira (Spondias lutea). Não há registros de frutificação/produção
de frutos dos enxertos.
Plantio
O
espaçamento: sugere-se 10m x 10m (100 plantas/ha) 12m x 12m (69 plantas/ha) e
até 16m x 16m (39 plantas/ha em terrenos férteis). As covas devem ter dimensões
de 40cm x 40cm x 40cm ou 50cm x 50cm x 50cm segundo textura do terreno. Ao abrir
a cova separar terra dos primeiros 15-20cm; sugere-se adubação de cova com 20
litros de esterco de curral curtido, 300 gramas de superfosfato simples e 100
gramas de cloreto de potássio misturados a terra de superfície e colocadas no
fundo da cova 30 dias antes do plantio. No plantio retirar recipiente que
envolve o torrão da muda e irrigar a cova com 20 litros de água. O plantio
deverá ser feito no início das chuvas.
Tratos culturais
Manter
o umbuzeiro livre da concorrência de ervas nos primeiros 5 anos; efetuar capina
em coroamento em torno da planta e roçagem em ruas e entre plantas nas chuvas.
Podar galhos secos, doentes e mal colocados (que se dirijam de fora para dentro
da copa) antes do início da estação chuvosa. Sugere-se adubar em cobertura
com leve incorporação, 30 dias após plantio, a 20cm do pé da planta, com 50g
de uréia e 30g de cloreto de potássio; no final das chuvas aplicar a mesma
dose. No 2º ano adubar em cobertura com incorporação no início das chuvas,
com 60g de uréia, 200g de superfosfato simples e 40g de cloreto de potássio,
por planta.
Pragas e doenças
Pragas:
a cochonilha escama-farinha ataca ramos finos e frutos; o cupim escava galerias
no caule; a lagarta-de-fogo e patriota atacam as folhas e a abelha-erapuá ataca
os frutos. Ainda cita-se o ataque de mosca branca e mané-magro. Para controle
químico das pragas indica-se produtos a base de malatiom (Malatol 50 E) óleo
mineral, triclorfom (Dipterex 50) e carbaryl (Carvim 85 M, Sevin 80).
Doenças:
as doenças afetam os frutos do umbuzeiro; os agentes são fungos causadores da
verrugose-dos-frutos e septoriose.
Colheita / rendimento
O
pé franco do umbuzeiro inicia produção a partir do 8º ano de vida. A maturação
do fruto é observada quando a cor da sua casca passa do verde ao amarelo.
Maduro o fruto cai ao chão, sem danificar-se; deve-se preferir frutos
arredondados e com casca lisa. Para consumo imediato o fruto é colhido maduro;
para transportar colher o fruto "de vez". Cada planta pode produzir
300kg de frutos/safra (15.000 frutos). Um hectare com 100 plantas, produziria 30
toneladas. O umbu é considerado produto vegetal de extração (não cultivado),
coletado em árvores que crescem espontaneamente. Em 1988 a produção
brasileira foi de 19.027t e da Bahia 16.926t. As regiões econômicas do Baixo Médio
São Francisco, Nordeste e Sudoeste são importantes produtoras de umbu na
Bahia.
UTILIDADES DO UMBUZEIRO
Vários
órgãos da planta são úteis ao homem e aos animais:
Raiz -Batata,
túbera ou xilopódio é sumarenta, de sabor doce, agradável e comestível;
sacia a fome do sertanejo na época seca. Também é conhecida pelos nomes de
batata-do-umbu, cafofa e cunca; criminosamente é arrancada e transformada em
doce - doce-de-cafofa. A água da batata é utilizada em medicina caseira como
vermífugo e antidiarréica. Ainda, da raiz seca, extrai-se farinha comestível.
Folhas-Verdes
e frescas, são consumidas por animais domésticos (bovinos, caprinos, ovinos) e
por animais silvestres (veados, cagados, outros); ainda frescas ou refogadas
compõem saladas utilizadas na alimentação do homem.
Fruto- O umbu ou imbu é sumarento, agridoce e quando
maduro, sua polpa é quase líquida. É consumido ao natural fresco - chupado
quando maduro ou comido quando "de vez" - ou ao natural sob forma de
refrescos, sucos, sorvete, misturado a bebida (em batidas) ou misturado ao leite
(em umbuzadas). Industrializado o fruto apresenta-se sob forma de sucos
engarrafados, de doces, de geléias, de vinho, de vinagre, de acetona, de
concentrado para sorvete, polpa para sucos, ameixa (fruto seco ao sol). O fruto
fresco ainda é forragem para animais. A industrialização caseira do umbu
sugere os seguintes produtos:
- Fruto maduro: polpa para suco integral, casca para obtenção de pasta,
casca desidratadas ( ao sol ou forno) e moídas para preparo de refrescos,
xarope;
-Fruto "de vez" (inchado) ou verde: umbuzadas, pasta
concentrada, compota;
-Fruto verde (figa): umbuzeitona, doce de umbu;
-Casca do caule: remédio;
-Madeira: Leve, mole e fácil de trabalhar, de baixa durabilidade
natural.

Umbuzeiro dá vida a outras
plantas e amplia alternativas para o Semi-Árido
Embrapa acelera pesquisas para
explorar novos potenciais desta fruteira
Francisco Pinheiro de Araujo e Carlos Antonio Fernandes
Santos
Engenheiro Agronomo da Embrapa Semi-Árido Petrolina-PE
Em um umbuzeiro, há de se colher
o umbu, é claro. Agora, imagine a colheita num umbuzeiro, em plena caatinga, de
frutos de ceriguela, umbu-cajá, cajá-manga, dentre outras frutas! É
surpreendente! E é isso que o programa de pesquisa da Embrapa Semi-Árido está
experimentando, com bons resultados, como passo inicial para a implantação de
uma fruticultura voltada para as áreas secas da região, onde não há irrigação.
As plantas de ceriguela, cajá-manga,
umbu-cajá, cajá e umbuguela, implantadas em cima do umbuzeiro, vêm sendo
cultivadas há três anos e apresentam bom desenvolvimento e sobrevivência em
condições de sequeiro absolutas. Dessas espécies, a ceriguela e o cajá-manga
já começam a produzir os primeiros frutos, apesar de a produção ser ainda
incipiente. Essas plantas, que são da mesma família do umbuzeiro (Anacardiacea),
em condições absolutas de sequeiro, muito dificilmente conseguiriam
sobreviver.
A técnica que permite fazer
nascer ceriguela em umbuzeiro, conhecida como enxertia, não é novidade. Pelo
contrário. É uma prática milenar muito empregada na fruticultura e que
permite reproduzir plantas por meio de processo assexual. Para praticá-la, o
produtor precisa dispor de duas plantas. Uma, conhecida como "cavalo”,
vai ser efetivamente plantado no solo e deve ser escolhida segundo características
favoráveis às condições de sobrevivência no ambiente onde deverá ser
cultivada. A outra, chamada de "garfo", é o enxerto propriamente
dito, e vai ser fixada ao "cavalo". O "garfo", também, deve
ser escolhido dentre as plantas que apresentem resultados produtivos satisfatórios.
Com essa técnica, é possível antecipar a produção do umbuzeiro de doze para
apenas quatro anos.
As pesquisas desenvolvidas com o
umbuzeiro na Embrapa Semi-Árido, nesses últimos dez anos, estão bastante avançadas.
Esse Centro de pesquisa possui, hoje, o maior Banco de Germoplasma de umbuzeiro:
são mais de 72 tipos (acessos). Com este estudo, foi possível encontrar frutos
com peso que variaram de 4 a 100 gramas e, até mesmo, umbu de cacho (penca com
até 25 frutos). O estudo desses tipos já levantou muitas informações acerca
do potencial produtivo que tem cada um deles. É um trabalho dinâmico: a
identificação de novos tipos conduz a novos estudos.
Existem varias razões para se
praticar a enxertia, entre as quais, a obtenção de certos benefícios que se
pode conseguir por meio dos porta-enxertos. Nesta pesquisa, a vantagem de se
usar porta-enxerto de umbuzeiro é que ele é capaz de se desenvolver e retirar
água e substâncias nutritivas, para dar vida a outras plantas, para que as
mesmas se desenvolvam em condições de sequeiro.
A resistência do umbuzeiro à
seca é assegurada pelos xilopódios (batatas), que tem uma função importante
no armazenamento de água e substâncias nutritivas. Por este motivo, é que o
umbuzeiro se desenvolve e produz muito bem no semi-árido brasileiro. As espécies
que não possuem essas estruturas (xilopódios) são mais vulneráveis às secas
periódicas e não se desenvolvem e nem produzem bem na região semi-árida.
Dentro da mesma linha de
pesquisa, a Embrapa Semi-Árido vem avaliando o índice de pegamento de enxerto
destas espécies em plantas adultas de umbuzeiro que possuem o tronco já
formado há mais de 30 anos. No momento, o índice de pegamento de enxertos, em
condições naturais de campo aberto, é bastante promissor e varia de 41% a
100%. Esta técnica dá a opção ao agricultor de fazer a troca da espécie
pela substituição de copa, ou seja, enxertar um outro tipo de Spondias que
tenha características desejáveis. Cabe lembrar que a substituição de copa ou
a troca de cultivares é um dos benefícios que a técnica da enxertia pode
oferecer e esta prática já vem sendo realizada com sucesso em caju e cacau.
O umbuzeiro é uma planta nativa
do semi-árido brasileiro e já está integrada há bastante tempo aos hábitos
alimentares das pessoas e dos animais que povoam essa região. Os frutos são
destinados para consumo "in natura" ou para o fornecimento de matéria-prima
para outros 48 produtos, que vão desde sucos a sorvetes e geléias.
O
negócio agrícola com o umbu, desde a coleta, processamento e comercialização,
gira em torno de 6 milhões de reais por ano e começa a chamar a atenção dos
agricultores a participarem deste mercado. O umbu chega a representar uma fonte
de renda importante no período da entressafra, contribuindo com a metade da
renda média anual dos agricultores nas áreas de coleta. Por estas e outras razões,
é que o umbuzeiro deveria ser reconhecido como o verdadeiro representante da
caatinga nordestina, como já sugeriu Euclides da Cunha no seu livro "Os
Sertões” , como a planta sagrada do sertão.
Umbu-cajá
(Spondias spp)
O
umbu-cajazeira é uma planta arbórea, da família Anacardiaceae.
Presume-se ser resultante do cruzamento natural entre cajá (Spondias mombin)
e umbú (S. tuberosa). Assim como o cajá e o umbú, o umbu-cajazeira é
uma frutífera tropical nativa do Nordeste brasileiro, de fácil propagação,
que apresenta grandes perspectivas de inserção no mercado interno e externo de
frutas exóticas, especialmente na forma de polpa, sucos e sorvetes.
A
diversidade genética de populações nativas de umbu-cajazeira é aparentemente
ampla, e devem ser avaliada e preservada em coleções de germoplasma de modo a
evitar o risco de perda de materiais genéticos, especialmente aqueles de valor
agronômico e industrial. Atualmente, o conhecimento disponível da
variabilidade genética de umbu-cajazeira é pequeno, requerendo esforços para
ampliá-lo, de forma que se possa atingir um melhor aproveitamento do potencial
de exploração econômica da cultura. Assim, este trabalho tem o objetivo de
caracterizar e avaliar, com base em caracteres de interesse agronômico e
industrial, genótipos de umbu-cajazeira identificados no Estado da Bahia,
visando a seleção dos melhores para uso em sistemas de produção e em
trabalhos de melhoramento genético.
Quarenta
e um acessos de umbu-cajá foram identificados nos seguintes municípios
baianos: Cabaceiras do Paraguaçú, Milagres e Sta Terezinha (5 acessos cada),
Santa Bárbara (4 acessos), Amargosa e Itatim (3 acessos cada), Cruz das Almas,
Irará, Santo Estevão e Tanquinho (2 acessos cada), Coração de Maria, Santanópolis
e Sapeaçú (1 acesso cada). As visitas foram realizadas nos meses de março a
junho de 2000, período que coincide com a época de frutificação da espécie.
Frutos de cada acesso foram coletados e levados ao Laboratório de Ciência e
Tecnologia de Alimentos da Embrapa Mandioca e Fruticultura para análises físicas,
químicas e físico-químicas. Durante as expedições de coleta, observou-se
que as plantas de umbu-cajá eram encontradas principalmente em ecossistemas de
transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga, e sempre próximas a residências,
indicando sua estreita dependência da presença humana no que concerne a sua
propagação e dispersão.
CARACTERIZAÇAO
Diferenças
entre acessos foram observadas para a maioria dos caracteres de frutos
avaliados. A forma do fruto variou de piriforme e ligeiramente piriforme (73%
dos acessos) a ovalada (27% dos acessos). O peso médio variou de 13 a 27g,
sendo que em 5 acessos (12%) ele foi inferior a 15g, 19 acessos (49%)
apresentaram peso entre 15 a 20g e 16 acessos (39%) tiveram peso de fruto acima
de 20g. Diretamente relacionados ao tamanho do fruto, o comprimento e a largura
variaram de 3,2 a 4,8cm e 2,6 a 3,4cm, respectivamente. O índice polpa/semente
variou de 1,0 a 5,5, com 13 acessos (32%) apresentando índice inferior a 2,0,
23 acessos (56%) com índice entre 2,0 a 2,5 e em 5 acessos (12%) este índice
foi superior a 2,5.
Em
relação às análises do suco, observou-se que o pH variou entre 2,4 e 3,0. A
acidez total titulável (ATT) variou entre 0,9 e 2,6% de ácido cítrico, sendo
que 1 acesso apresentou acidez menor que 1,0%, 9 acessos tiveram acidez entre
1,0 e 1,5%, 25 acessos manifestaram acidez maior que 1,5% e inferior a 2,0% e 6
acessos apresentaram acidez maior que 2,0%. O teor de sólidos solúveis totais
(SST) variou de 7,2 a 14,0 ºBrix, sendo 5 acessos (12%) com teor inferior a 9,0
ºBrix, 28 acessos (68%) com teor entre 9,0 e 11,0 ºBrix e 8 acessos (20%) com
teor acima de 11,0 ºBrix. A relação ATT/SST variou de 3,7 a 10,6, sendo que
24 acessos (59%) apresentaram valores para esta relação inferiores a 6,0, em 9
acessos (22%) a relação situou-se entre 6,0 e 7,0 e em 8 acessos (19%) a relação
foi superior a 7,0. A relação SST/ATT foi relativamente baixa na maioria dos
acessos, possivelmente devido ao fato dos mesmos apresentarem teores elevados de
acidez. O teor de vitamina C variou entre 3,8 e 16,4mg ácido ascórbico/100g
polpa, sendo em geral baixo se comparado com o teor apresentado por frutas como
a laranja e o limão, que apresentam em torno de 50mg ácido ascórbico/100g
polpa.
A
presença de sementes foi avaliada em 20 frutos/acesso. Observou-se que em média
44% dos frutos avaliados não apresentaram sementes, com uma variação, entre
acessos, de 5 a 100% de frutos sem sementes. Dezessete acessos (41%)
apresentaram, na amostragem realizada, um número de frutos sem semente igual ou
superior a 50%. Considerando ser este um percentual elevado, sugere-se levar em
conta esta característica na seleção de acessos de umbu-cajá para utilização
como porta-enxerto.
Com
base nas avaliações realizadas, cinco acessos foram preliminarmente
selecionados como promissores, tendo-se eleito como características mais
importantes na seleção a produção de frutos grandes, com alta percentagem de
polpa. Dos acessos selecionados, três destacam-se, ainda, por possuir acidez
baixa a moderada e dois pela elevada relação SST/ATT, em comparação com os
demais acessos. Adicionalmente, um dos acessos apresenta a característica
singular de seus frutos ficarem retidos na planta quando maduros.
Conclui-se que o umbu-cajazeira apresenta suficiente
variabilidade genética no Estado da Bahia, que possibilita a seleção de genótipos
apropriados à utilização como variedades-copa em sistemas comerciais de produção.
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