“A Cultura da Bananeira”

 

Neto, A. R.

Melo, B.  

SUMÁRIO

# 1 - Introdução

#2- Origem da banana

#3 – Classificação das bananeiras

#4 – Morfologia

#5 - Distribuição geográfica

#7 – Exigências climáticas

#8 – Cultivares

#9 - Propagação

#10 – Práticas culturais

#11 - Colheita

#12 – Processamento e utilização da banana

#13 – Nutrição da bananeira

#14 – Bibliografia consultada

 

 1 - Introdução

A banana (Musa spp.) é uma fruta de consumo universal, sendo umas das mais consumidas no mundo, e, é comercializada por dúzia, por quilo e até mesmo por unidade. É rica em carboidratos e potássio, médio teor em açúcares e vitamina A, e baixo em proteínas e vitaminas B e C.

A banana é apreciada por pessoas de todas as classes e de qualquer idade, que a consomem in natura, frita, assada, cozida, em calda, em doces caseiros ou em produtos industrializados.

A fruta verde é usada in natura com grande sucesso na desidratação infantil, depois de bem homogeneizada no liquidificador; seu tanino, revestindo as paredes intestinais e do tubo digestivo, evita, por ação mecânica, que as células do órgão continuem se desidratando.

No meio rural é utilizada, ainda verde, como alimento de animais, depois de cozida, para eliminar o efeito do tanino nos intestinos.

A importância da bananicultura varia de local para local, assim como de país para país. Por vezes, ela é plantada para servir de complemento da alimentação da família (fonte de amido), como receita principal ou complementária da propriedade ou como fonte de divisas para o país.

Com freqüência, seu cultivo é feito em condições ecológicas adversas, mas, em vista da proximidade de um bom mercado consumidor, esta atividade se torna economicamente viável.

Há uma grande diversidade de cultivares, cujos frutos têm vários sabores e utilizações. O porte das plantas varia de 1,50 m a 8,0 m e seus cachos podem ser compostos por algumas bananas ou centenas delas.

Merece realçar que seu tronco não é um tronco e, sim, um imbricamento de bainhas de folhas. Seu período de vida é definido pelo aparecimento do “filhote” na superfície do solo e a sua colheita ou a seca do seu cacho. Entretanto, sua lavoura é considerada de caráter permanente na área.

As bananas cultivadas podem ser divididas em duas classes: as consumidas frescas ou industrializadas e as consumidas fritas ou assadas, que chamamos de bananas de fritar ou da terra. Na língua espanhola, apenas as bananas do subgrupo Cavendish (“Nanica”, “Nanicão”, “D”água”, etc.) são chamadas de bananas; as demais são conhecidas por   “plátanos”.

 

2- Origem da banana

O gênero Musa, ao qual pertence as bananeiras, foi criado por Lineu em homenagem a  Antonio Musa, médico de Otávio Augusto, o primeiro imperador de Roma (63 – 14 A.C.). A palavra banana é originária das línguas serra-leonesa e liberiana (costa ocidental da África), a qual foi simplesmente incorporada pelos portugueses à sua língua.

Não se pode indicar com exatidão a origem da bananeira, pois ela se perde na mitologia grega e indiana. Atualmente admite-se que seja oriunda do Oriente, do sul da China ou da Indochina. Há referências da sua presença na Índia, na Malásia e nas Filipinas, onde tem sido cultivada há mais de 4.000 anos. A história registra a antigüidade da cultura.

As bananeiras existem no Brasil desde antes do seu descobrimento. Quando Cabral aqui chegou, encontrou os indígenas comendo in natura bananas de um cultivar muito digestivo que se supõe tratar-se do “Branca” e outro, rico em amido, que precisava ser cozido antes do consumo, chamado de “Pacoba” que deve ser o cultivar Pacova. É interessante lembrar que a palavra pacoba, em guarani, significa banana. Com o decorrer do tempo, verificou-se que o “Branca” predominava a região litorânea e o “Pacova”, a Amazônica.

O cultivar Pacova possuía com certa freqüência, sementes muito grandes em relação às atuais, pois quase igualavam em tamanho às da mucuna preta (Mucuna aterrima). Os registros de importação das primeiras bananeiras para o continente americano datam de 1494 a 1530, épocas em que já se conhecia, no continente asiático, elevado número de espécies do gênero Musa, incluindo-se aquelas ornamentais, sem valor alimentício. Como tais espécies não foram encontradas pelos descobridores em nossa terra, pode-se deduzir que deve ter havido uma seleção do material trazido desses locais de origem da bananeira. Esse aspecto é um ponto pacífico em que os historiadores se baseiam para explicar a etnia asiática do índio das Américas. Atribui-se a esses imigrantes a primeira seleção de bananas no mundo e a introdução das primeiras sementes produtoras de bananeiras comestíveis no Continente Americano.

 

3 – Classificação das bananeiras

 

3.1. Classificação botânica

 

As bananeiras produtoras de frutos comestíveis foram classificadas, pela primeira vez, por Linneu, que as agrupou no gênero Musa com as espécies: Musa cavendishii, Musa sapientum, Musa paradisiaca e Musa corniculata.

Essa classificação foi abandonada porque, dado seu empirismo, não seria possível incluir todos os cultivares hoje conhecidos, sem provocar grandes conflitos dentro da mesma espécie. Sendo assim, atualmente, segundo a sistemática botânica de classificação hierárquica, as bananeiras produtoras de frutos comestíveis são plantas da classe das Monicotiledôneas, ordem Scitaminales, família Musaceae, da qual fazem parte as subfamílias Heliconioidease, Strelitzioidease e Musoidaea. Esta última inclui, além do gênero Ensete, o gênero Musa. O gênero Musa ainda pode ser dividido em quatro subgêneros: Australimusa, Callimusa, Rhodochlamys e Eumusa. Os subgêneros Callimusa e Rhodochlamys não produzem frutos comestíveis; o subgêneros Australimusa contém apenas uma espécie (Musa textilis), conhecida como abacá e utilizada principalmente nas Filipinas para extração de fibras das bainhas vasculares. No subgênero Eumusa ou simplesmente Musa é que estão localizadas as espécies de interesse comercial, essas espécies de interesse comercial são: Musa acuminata Colla e Musa balbisiana Colla.

Os cultivares tradicionais de bananeiras apresentam níveis cromossômicos di, tri ou tetraplóides, respectivamente com 22, 33 e 44 cromossomos, em combinações variadas de genomas das espécies Musa acuminata (genoma AA) e Musa balvisiana (genoma BB). Estes cultivares diferem das espécies silvestres devido a presença de genes responsáveis pela partenocarpia. Segundo os grupos cromossômicos, os principais cultivares de bananas cultivados no Brasil são classificados da seguinte maneira:

- Grupo diplóide acuminata AA: “Ouro”.

- Grupo triplóide acuminata AAA: “Robusta”, “Mestiça”, “Gros-Michel”, “Caru roxa”, “Caru verde”, “Caipira”, Leite, “Ouro Mel”, “São Mateus”, São Tomé”. Dentro deste grupo o subgrupo Cavendish apresenta importância, representado principalmente pelos cultivares Nanica e Nanicão.

- Grupo triplóide AAB: “Pacovan”, “Maçã”, “Mysore”, “São Domingos”. Dentro deste grupo os subgrupos de maior importância são Prata, representado pelos cultivares Prata Anã e Prata Zulu, e Plantain, representado pelos cultivares Maranhão, Terra e Terrinha.

- Grupo triplóide ABB: “Marmelo”, “Figo”, “Pão”.

- Grupo tetraplóide AAAA: “IC-2”.

- Grupo tetraplóide AAAB: “Pioneira”, “Ouro da Mata”, “Platina”.

Os cultivares mais comuns no Brasil e em outras partes do mundo são os triplóides, devido ao seu vigor, maior tamanho dos frutos e consistência mais agradável destes em relação aos diplóides.

 

3.2 - Classificação quanto à utilização

 

Segundo o destino que a banana vai ter, pode-se classificar as bananeiras mais cultivadas em cinco grupos:

a - Banana destinada à exportação e mercado interno: “Baé”, “Bout-round”, “Caturrão”, “Grande Naine”, “Gros Michel”, “Jangada”, “Johnson”, “Lacatan”, “Monte Cristo”, “Nanica”, “Nanicão”, “Pseudocaule roxo”, “Piruá”, “Robusta”, “Valery” e “Williams”.

b - Banana de mesa para consumo interno: “Baé”, “Bout-round”, “Branca”, “Canela”, “Caru roxa”, “Caru verde”, “Caturrão”, “Colatina ouro”, “Congo”, “Enxerto”, “Figo cinza”, “Figo cinza escura”, “Figo vermelha”, “Figo vermelha rachada”, “Giant Fig”, “Grande Naine”, “Jangada”, “Johnson”, “Lacatan”, “Leite”, “Maçã”, “Miomba”, “Monte Cristo”, “Mysore”, “Nanica”, “Nóbrega”, “Ouro”, “Ouro da mata”, “Ouro mel”, “Pachá naadan”, “Pacovan”, “Padath”, “Pão”, “Piruá”, “Platina”, “Prata”, “Prata ponta aparada”, “Prata Santa Maria”, “Prata Zulú”, “Pseudocaule roxo”, “Robusta”, “Salta do cacho”, “São Domingos”, “São Mateus”, “São Tomé”, “Valery”, “Viropaxy” e “Williams”.

c - Banana para fritar, conhecidas como banana da terra e na língua espanhola como "plátano": “Angola”, “Carnaval”, “D”Angola”, “Figo cinza”, “Figo cinza-escura”, “Figo vermelha rachada”, “Maranhão branca”, “Maranhão caturra”, “Maranhão vermelha”, “Mongolô”, “Mucocô”, “Ouro” (quando verde), “Pão”, “Pacova”, “Pacoví”, “Pacovaçu”, “Samburá”, “Terra”, “Terra caturra” e “Terrinha”.

d - Banana para compota: “Nanica” e todos os cultivares do subgrupo Cavendish, “Ouro”, “Pacovan”, “Prata Zulú”, “São Domingos”, “Terra” e todos os cultivares do subgrupo Plantain.

e - Banana para doce em massa: “Branca”, “Enxerto”, “Nanica” e todos os cultivares do subgrupo Cavendish.

 

3.3 - Classificação quanto ao porte

 

a - Porte baixo, até 2,0 metros: “Nanica” e “Salta-do-cacho”.

b - Porte médio, de 2,0 a 3,5 metros: “Angola”, “Baé”, “Bout-round”, “Congo”, “Enxerto”, todo o subgrupo Figo, “Grande Naine”, “Jangada”, “Java”, “Johnson”, “Leite”, “Maçã”, “Maranhão caturra”, “Monte Cristo”, “Nanicão”, “Ouro”, “Pacova”, “Pacovaçu”, “Padath”, “Piruá”, “Platina”, “Pseudocaule roxo”, “Robusta”, “São Mateus”, “São Tomé”, “Terrinha”, “Valery” e “Williams”.

c - Porte alto, de 3,5 a 6 metros: “Canela”, “Carnaval”, “Caru roxa”, “Caru verde”, “Colatina ouro”, “Giant fig”, “IC-2”, “Lacatan”, “Nóbrega”, “Miomba”, “Mongolô”, “Mysore”, “Ouro mel”, “Pachá naadan”, “Pacoví”, “Prata ponta aparada”, “Prata Santa Maria”, “Prata Zulú”, “Samburá” e “Viropaxy”.

d - Porte muito alto, mais de 6 metros: “Branca”, “Caturrão”, “Gros Michel”, “Imperial”, “Maranhão branca”, “Maranhão vermelha”, “Ouro da mata”, “Pacovan”, “Prata” e “Terra”.

 

 

4 – Morfologia

 

A Bananeira é uma planta herbácea, caracterizada pela exuberância de suas formas e dimensões das folhas. Possui tronco curto e subterrâneo, representado pelo rizoma e o conjunto de bainhas das folhas de pseudocaule. O rizoma constitui um órgão de reserva, onde se insere as raízes adventícias e fibrosas. Entretanto, no linguajar popular este é chamado de tronco da bananeira.

A multiplicação da bananeira se processa, naturalmente no campo, por via vegetativa, pela emissão de novos rebentos. Entretanto, o seu plantio também pode ser feito por meio de sementes, processo este usado mais freqüentemente quando se pretende fazer a criação de novas variedades ou híbridos.

A bananeira, como todas as plantas, tem um ciclo de vida definido. Sua fase de gestação começa com a geração de um proto-rebento em outra bananeira, mas como nos animais, o início da contagem de sua vida somente se faz com seu aparecimento ao nível do solo. Com seu crescimento, há a formação de uma bananeira que irá produzir um cacho, cujas frutas se desenvolvem, amadurecem e caem, verificando-se em seguida o secamento de todas as suas folhas, quando se diz que a planta morreu. A morte encerra o ciclo de vida, o qual também pode ser abreviado com a colheita do cacho, que corresponde ao “assassinato” da bananeira.

Como esse processo é contínuo e extremamente dinâmico, uma bananeira adulta apresenta sempre ao seu redor, em condições naturais, outras bananeiras em diversos estádios de desenvolvimento. Esse conjunto de bananeiras interligadas, com diferentes idades, oriundas de uma única planta e crescendo desordenadamente, denomina-se touceira (Figura 1).

Figura 1: Corte horizontal esquemático de uma touceira de bananeiras, com a “mãe” com cacho, mostrando a formação inicial de três “famílias”.

 

Essa característica de constante renovação das plantas é que permite dizer que os bananais têm vida permanente, apesar das bananeiras possuírem um ciclo de vida perfeitamente definido.

Botanicamente, as touceiras de bananeiras são formadas por rebentos que constituem a primeira, segunda, terceira, etc., gerações da muda original e que popularmente recebem as denominações de “mãe”, “filho”, “neto”, etc.

Mãe - É a planta mais velha da touceira, que pode estar na fase vegetativa ou ter lançado sua inflorescência ou já estar ou não com o cacho completamente formado, o qual poderá estar ou não no ponto de colheita. Ela perde a denominação de “mãe” após a colheita. A “mãe” é sempre uma só, salvo no caso da ocorrência da dicotomia.

Filho - É todo e qualquer rebento originário do intumescimento de uma gema vegetativa seguido de seu posterior desenvolvimento (gema lateral de brotação, que será uma “olhadura”), localizada no rizoma da planta “mãe”.

Neto - É todo e qualquer rebento originário de um “filho”.

Irmão - É todo rebento que se forma devido ao desenvolvimento de outra “olhadura” de um mesmo rizoma. Isso quase sempre ocorre mais de uma vez, o que dá origem a uma irmandade, cujo número é bastante variável.

Família - É um conjunto de rizomas interligados e descendentes, representados pela “mãe”, um “filho” e um “neto”, onde todos os demais rebentos (“filhos” e “netos”) foram eliminados.

A “mãe” pode ter vários “filhos”, que serão “irmãos” entre si e cada um destes, por sua vez, pode também emitir seus “filhos”, os quais serão os “netos” da “mãe” original. É assim que surge uma touceira.

Na touceira que se forma naturalmente portanto, sem que se tenha feito nenhum desbaste, é possível com o tempo, individualizar-se duas, três, quatro ou mais famílias, desenvolvendo-se ao mesmo tempo (Figura 1). Imaginando-se uma touceira que tenha certa idade, pelas cicatrizes deixados no solo pelos rizomas das plantas já colhidas, é possível traçar uma verdadeira árvore genealógica.

Após a colheita da planta “mãe”, a planta “filho” assume a posição desta e a planta “neto”, por sua vez, assume a posição de planta “filho”, e assim sucessivamente.

 

4.1 – Sistema radicular

 

As raízes têm sua origem na parte central do rizoma, na união entre o cilindro central e o córtex. Geralmente, surgem em grupo de três ou quatro, distribuindo-se por toda a superfície do rizoma, em processo de diferenciação contínua, segundo o crescimento do meristema. As raízes são fasciculadas e crescem em maior porcentagem horizontalmente, nas camadas mais superficiais do solo, ocupando seus primeiros 20 a 30 cm; apenas um reduzido número delas (cerca de 20%) se desenvolve no sentido vertical, atingindo em geral, cerca de 50 a 70 cm.

O número de raízes que a bananeira gera depende do cultivar e varia de 400 a 800, havendo certa relação direta na quantidade com a sua altura. Essa quantidade, assim como seu vigor, também estão em função do arejamento (oxigenação) e nutrientes existentes no solo. Desse total, cerca de 250 a 300 delas são emitidas enquanto a planta estiver emitindo folhas lanceoladas. À medida que o bananal envelhece, as plantas passam a diminuir a emissão de raízes.

As raízes superficiais têm comprimento variável e podem até ultrapassar os 4 m de extensão. Em condições de solos próprios para a bananeira, uma muda com sessenta dias de idade já apresenta raízes horizontais com 1 m de comprimento. As verticais, dependendo da natureza física e disponibilidade de água no solo, podem atingir comprimento igual ao das horizontais ou nem chegar a 50 cm. Em geral, seu diâmetro é de 4 a 8 mm, podendo contudo, em determinados cultivares, chegar a 20 mm.

A distribuição horizontal das raízes no solo, no caso do plantio inicial, é igual nos 360° que as rodeiam. Com o passar do tempo e já havendo se formado a “família” (“mãe”, “filho” e “neto”), as raízes da planta mais jovem (“neto”) se distribuem sempre da seguinte forma: sua quase totalidade se localiza, a partir da trajetória de caminhamento da família, a 90° para a direita e 90° para a esquerda, situando-se a maior porcentagem delas nos primeiros 15° da direita e da esquerda. É com base nisso que se faz a indicação do local da adubação.

Fazendo-se um corte transversal na raiz encontra-se, externamente, um tecido mais macio - o córtex - que envolve um tecido bastante fibroso e resistente denominado cilindro central. Na extremidade da raiz há uma coifa brancacenta, espécie de um aguilhão que, pela ação dos seus produtos químicos e enzimáticos exsudados, distrói as resistências que ocasionalmente tentam impedir-lhe seu alongamento. Ela é revestida de pequenos pêlos, cuja vida é marcada em horas.

Normalmente, em toda a extensão da superfície externa das raízes, existem abundantes radicelas que se assemelham a uma cabeleira. Agindo como pequenas bombas de sucção, elas retiram a água do solo, juntamente com elementos químicos necessários à vida da planta. Pelo fenômeno da osmose, o líquido atravessa suas paredes celulares e penetra nas raízes e, por elas, atinge o rizoma. Este processo de sucção da seiva bruta é feito pelas folhas, que a elas vai ter através de suas bainhas (pseudocaule).

As raízes da bananeira plantada em solo fértil e bem adubado, com boa drenagem e provido de umidade suficiente, exercem suas funções com grande intensidade e todo o sistema radicular se apresenta bastante vigoroso. Nessas condições, elas chegam a crescer até 60 cm por mês. O grande número permanente de radicelas que essas raízes possuem facilita a absorção de água e de elementos químicos. Em solos pobres, sem fertilizantes, com drenagem deficiente ou sem a umidade necessária, as raízes apresentam-se delgadas, curtas, em pequeno número, quase desprovidas de radicelas. Estas são sempre mais numerosas e ativas principalmente nos 50 cm  mais próximos da coifa.

Em solos com problemas de salinização ou com oscilações do lençol freático devido à influência das marés, a vida das raízes é muito curta e suas pontas ficam aparadas como se tivessem sido roídas. Sua parte terminal, muito freqüentemente, seca.

A bananeira gera raízes continuamente apenas até a diferenciação floral, simultaneamente com o processo de formação das folhas. As raízes são geradas, mas até que ganhem o exterior levam algum tempo, que é o mesmo que a inflorescência gasta para a sua parição. Nessa ocasião, estão vivas na planta de 25 a 50% das raízes emitidas durante sua vida. Simultaneamente com a parição, cessa o aparecimento das novas raízes. À medida que as folhas morrem por senilidade, fome, desidratação, parasitismo fúngico, etc., as raízes formadas na mesma época dessas folhas também morrem. São, portanto, dois processos contínuos e simultâneos: de um lado, a emissão de raízes e folhas e, de outro, a morte desses mesmos órgãos.

Quando as bananas amadurecem sem que o cacho tenha sido colhido e elas começam a cair, as raízes cessam progressivamente suas atividades e morrem também. A morte é acelerada quando se colhe o cacho.

 

4.2 – Rizoma

 

O rizoma é definido morfologicamente como um caule que desenvolveu folhas na parte superior e raízes adventícias na porção inferior. Ou mais simplificadamente, o rizoma pode ser definido como a parte da bananeira onde todos os seus órgãos, direta, ou indiretamente se apóiam.

Erroneamente, o rizoma da bananeira tem sido chamado de bulbo, que, botanicamente, é um órgão de reserva de certas plantas, como da cebola e do alho. O bulbo não dá formação a brotos.

O rizoma novo possui um aspecto carnoso e relativamente aquoso, que se torna gradativamente mais rígido, à medida que envelhece.

O rizoma apresenta, externamente, na região inferior, as raízes, e, na superior o pseudocaule. Internamente, ele é constituído de duas partes, como as raízes.

Fazendo-se um corte vertical, passando pelo centro do rizoma de uma bananeira, que já emitiu mais de 20% de suas folhas, pode-se identificar perfeitamente, o córtex e o cilindro central. Essas duas áreas, quando expostas ao ar, se oxidam rapidamente.

O córtex é a camada mais externa, cuja espessura máxima chega a ser de 3 a 5 cm. Ele é constituído de uma massa rígida, cheia de fibras finas e revestido externamente, por um fino tecido com menos de 0,5 mm. Principalmente nos cultivares do subgrupo Cavendish, essa película é bem escura e impregnada de pequenas manchas quase negras, enquanto, nos do subgrupo Prata, essa camada é bem clara. Nela, é possível observar as cicatrizes dos arcos de círculo, onde as bainhas das folhas que já morreram estiveram fixadas. A partir do arco de circulo mais velho, portanto já na parte bem inferior do rizoma, é que aparecem as primeiras linhas de raízes. Estas se dispõem em diversos níveis, descrevendo linhas helicoidais, sendo que as mais do alto correspondem às mais novas e, muitas vezes, algumas delas iniciam seu crescimento fora da terra.

O cilindro central é envolto pelo córtex e constituído por fibras rígidas mais grossas. Sua coloração interna é mais creme do que a do córtex, uma vez que este é um pouco mais brancacento. Após a colheita, se as condições fitossanitárias foram boas, o cilindro central apodrece primeiro, enquanto o córtex permanece vivo e consistente, por vários semestres.

Tal é a semelhança do tecido desse cilindro central com o do cilindro central das raízes, que se pode dizer que o cilindro central destas é uma expansão do tecido central do rizoma. Da mesma forma, o córtex da raiz é um alongamento do córtex do rizoma.

Na região superior de ambas as partes do rizoma, como que as recobrindo, encontra-se o colo do rizoma, que é uma delgada superfície de transição entre o córtex e a base das bainhas das folhas.

No rebento de uma bananeira, com um ou dois meses de idade, o seu colo se apresenta como uma superfície quase plana. À medida que ela se vai tornando mais velha, o colo também se alonga para o alto.

Na parte superior do colo, há uma série de arcos de círculos concêntricos, quase completos, esculpidos em baixo-relevo, que correspondem à linha de fixação de cada uma das bainhas. No centro dos arcos, o córtex e o cilindro central se fundem em um só, formando uma região meristemática denominada câmbio.

Os diâmetros dos arcos de círculos crescem com a idade das folhas, de modo que o maior diâmetro representa a linha de inserção da bainha da folha mais externa e, portanto, a mais velha. Os arcos de círculos que correspondem às folhas mais jovens são tão pequenos que é impossível vê-los a olho nu. Com auxílio de lentes que aumentam de 10 a 20 vezes, verifica-se que, na sua região mais central, há um conjunto de células que recebe o nome de gema apical de crescimento. Ela está exatamente no ponto de fusão do córtex e do cilindro central, ou seja, o câmbio.

O câmbio é o responsável pela contínua geração das células que constituirão a gema apical de crescimento, que produzirá as folhas e as gemas laterais de brotação, até que haja o fenômeno da diferenciação floral.

Durante o desenvolvimento da bananeira, o rizoma cresce internamente, com uma silhueta semelhante a uma bexiga de borracha quando inflada, dentro da água. Disso resulta que o colo da bananeira, inicialmente quase plano, após a formação das primeiras quinze a vinte folhas, adquire um aspecto alongado para cima, que se acentua mais com o envelhecimento da planta.

Esse alongamento, causado como que por uma força atuando de baixo para cima, empurra cada vez mais a gema apical de crescimento para o alto. Ao fazer o alongamento, o cilindro central vai, progressivamente, invadindo o interior do pseudocaule.

A grande expansão interna do rizoma se processa durante a fase de pré-diferenciação floral da gema apical de crescimento, pois, nessa ocasião, o rizoma apresenta-se quase exclusivamente constituído pelas fibras rígidas do cilindro central.

Dependendo do cultivar e da fertilidade do terreno onde se fez o plantio do bananal, o rizoma pode atingir de 45 a 50 cm de diâmetro (“Pacovan”). O “Nanicão”, quando cultivado em boas condições, tem em média, 30 cm.

 

4.3 – Gema apical e gema lateral

 

Conforme descrito no item rizoma, a gema apical de crescimento se encontra sempre no centro dos semi-arcos de círculos esculpidos pela fixação das bainhas das folhas. Tais semi-arcos não se completam pelo fato de terem um ponto de interrupção, no qual há outro conjunto de células meristemáticas, que são em tudo e por tudo iguais à gema apical de crescimento. Apenas sua fisiologia é diferente. Ela é a gema lateral de brotação.

A gema apical está sempre em processo de multiplicação, no qual são produzidos uma folha (bainha, pecíolo e lóbulos foliares) e sua respectiva gema lateral de brotação. Isso ocorre durante um prazo definido pelas condições ecológicas, nutricionais e genéticas. Vencido esse tempo, a gema apical cessa essas atividades vegetativas e passa a ter funções de produção. É a fase da diferenciação floral, quando então as células do câmbio se modificam e criam a inflorescência da planta (futuro cacho).

Sendo simultânea a formação da folha e da gema lateral de brotação, pode-se facilmente concluir que a bananeira tem tantas dessas gemas quantas forem as folhas geradas.

Depois que a gema lateral de brotação e a folha estão formadas, é possível vê-las com uma lente de 10 a 15 vezes de aumento, uma vez que este conjunto se apresenta como um cone, com no máximo, 1 ou 2 mm. Para isso, é preciso fazer uma dissecação completa do pseudocaule, uma vez que ele está no seu interior.

Estando formadas a gema lateral de brotação e a folha, inicia-se um crescimento radial concêntrico, até chegarem próximo da periferia do rizoma. No início desse processo de crescimento o diâmetro do semicírculo aumenta, assim como a gema lateral de brotação e, com isso, cria-se um espaço interno para a formação de outro conjunto de folha e gema lateral de brotação. Esse contínuo crescimento vai fazendo aparecer uma série de cones superpostos. À medida que isso acontece, há um aumento na velocidade de crescimento dos dois órgãos. Ao estarem próximas da periferia do rizoma, a gema lateral de brotação já tem cerca de 2 cm de diâmetro e é conhecida por olhadura ou mamica. À medida que cresce, ela passa a exercer as mesmas funções da gema apical de crescimento e, assim, acaba formando uma protuberância que se transformará, futuramente, em um rebento.

O ponto de ligação entre o rizoma da planta “mãe” e do “filho”, a região entre o córtex e o cilindro central, apresenta-se bastante comprimido, como se a natureza quisesse violentamente separá-los por estrangulamento. Esta é, por assim dizer, uma ponte de ligação entre os dois rizomas, ou seja, um cordão umbilical entre “mãe” e “filho”, por onde se processarão as trocas de seiva e de hormônios.

 

4.4 – Sistema foliar

As folhas da bananeira são formadas por bainha foliar, pseudopecíolos ou pecíolo, nervura e limbo foliar.

A folha mais interna do pseudocaule, logo após seu nascimento, apresenta-se como um pequeno cone foliar, tendo sua base apoiada sobre a região do cilindro central do rizoma, em cujo interior se encontra a gema apical.

Com o desenvolvimento do cone, suas microscópicas dimensões aumentam e a gema apical de crescimento que ficou no seu interior reinicia o processo de multiplicação.

É a partir das paredes do cone que se originam todas as partes componentes da folha, ou seja, bainha foliar, pecíolo, nervura principal, limbo (ou lóbulos) foliares com suas nervuras secundárias e de bordo e o aguilhão (ou “pavio”).

Sendo contínuo o processo de formação de folhas, há no interior do pseudocaule uma série de cones superpostos. Tendo alcançado de 8 a 12 mm, verifica-se que o mais externo já apresenta seu vértice mais alongado terminando por um delgado filamento (pavio).

Os pequenos cones passam por um processo de desenvolvimento e vão progressivamente assumindo o aspecto de uma folha. Quando isso ocorre, é possível contar de 10 a 15 cones superpostos no seu interior. A medida que a folha vai se formando no centro do pseudocaule, sua velocidade de desenvolvimento é acelerada, assim como seu deslocamento para o alto. A primeira parte que emerge para o exterior é o pavio seguido pela vela.

A vela é formada pelo enrolamento dos limbos (lóbulos) foliares de forma muito perfeita e compacta, sendo que o limbo esquerdo é enrolado sobre si mesmo e o direito, envolvendo o primeiro.

A vela permanece ereta por um ou dois dias para começar a se desenrolar e formar o cartucho. Nessa posição, a folha permanece por 24 a 30 horas, em função dos fatores ecológicos, até completar seu total desenrolamento.

Quando a folha se abre, ela tem sempre o limbo esquerdo um pouco mais colorido do que o direito (vendo-se a folha através da página inferior para a superior), pelo fato desse ter desenrolado primeiro.

As folhas das bananeiras, ao se desenrolarem totalmente, já têm as suas dimensões definidas, isto é, não crescem mais. A relação comprimento/largura, nas plantas adultas, é um índice característico do cultivar.

O processo de formação de folhas, sendo constante, vão surgindo do interior da bananeira uma folha após outra e, com isso, tem-se sempre folhas jovens no alto da planta e as mais velhas, nas partes mais baixas.

A gema apical pode gerar de 30 a 70 folhas, segundo o potencial do cultivar. Esse número é tanto maior quanto maior for o índice de fertilidade e o adequado teor de umidade no solo e na temperatura ambiente.

As folhas são numeradas de cima para baixo em algarismos romanos. A folha vela (ou o cartucho) é sempre a folha de número 0 (zero).

As primeiras folhas do jovem rebento são praticamente pequenas escamas deltóides; quando mais velho, o “filhote” emite folhas constituídas apenas pela nervura principal. As primeiras folhas são bastante estreitas devido ao não desenvolvimento dos lóbulos foliares e, por ter uma forma lanceolada, são chamadas de “espada”. À medida que a planta cresce, as novas folhas apresentam dimensões maiores até que seja atingido o estágio de adulta.

Esse comportamento do formato da folha decorre da grande atuação hormonal inibidora da planta “mãe” sobre o desenvolvimento do “filho”. Essa inibição vai diminuindo progressivamente até a diferenciação floral da “mãe”, e cessa por completo com o seu florescimento. É nessa ocasião que se verifica um grande desenvolvimento do “filho”, cujas folhas passam a ser adultas e com o índice foliar característico do cultivar, quanto à relação comprimento/largura.

Em resumo, o formato da folha, levando-se em conta seu comprimento e sua largura, permite avaliar a influência hormonal inibidora que a “mãe” está exercendo sobre o “filho”, através da ligação umbilical dos seus rizomas.

As bainhas foliares da bananeira têm grande importância, pois são elas que, imbricadas umas sobre as outras, formam o falso tronco da bananeira, ou seja, o pseudocaule, sustentáculo do cacho e também armazenador de nutrientes e água.

A bainha mais externa, portanto a que envolve todo o pseudocaule, torna-se menos envolvente na sua parte mais alta, devido ao seu formato deltóide, principalmente nas bananeiras que ainda não sofreram a diferenciação floral.

Examinando-se uma folha adulta, verifica-se que na parte mais alta da bainha ela se afasta do pseudocaule e assume o formato da letra U.

A região da bainha, onde inicia seu estrangulamento em U, até onde os limbos foliares se expandem, recebe o nome de pecíolo da folha. Seu prolongamento dentro da folha constitui a nervura central ou principal.

A nervura principal se expande dos dois lados formando o limbo foliar direito e o esquerdo, que constituem as superfícies foliares.

Moldurando o contorno da folha, em ambos os limbos, encontra-se a nervura de bordo, representada por uma linha escura e de consistência um pouco mais rígida.

A nervura central é ligada nas de bordo pelas nervuras secundárias, que são paralelas entre si, porém, com suas extremidades distais ligeiramente voltadas para o ápice da folha. Em determinadas circunstâncias nutricionais, é possível observar nervuras terciárias fazendo ligações entre as secundárias.

É chamado de roseta foliar a região delimitada no pseudocaule pelo ponto onde a folha mais velha se afasta dele e a mais nova folha está se abrindo. Nas plantas mais jovens, a roseta foliar é mais alongada e nas que já floresceram, mais compacta.

Prenunciando o aparecimento da inflorescência, a bananeira emite de três a quatro folhas cada vez mais curtas, as quais correspondem as últimas folhas a serem lançadas.

A última folha emitida pela bananeira tem sua conformação mais coriácea, cujo formato é em geral, anormal, tendo suas nervuras secundárias muito pronunciadas e irregularmente onduladas, sendo conhecida pelos bananicultores como folha pitoca. Esta folha, que geralmente envolve mais intimamente a inflorescência quando ainda dentro do pseudocaule, muitas vezes seca durante o desenvolvimento do cacho.

O rebento “guarda-chuva” não emite nunca folhas lanceoladas, pois já as primeiras são bastante largas. Esse aspecto faz com que eles recebam o nome muda “orelha-de-elefante” ou muda “guarda-chuva” ou ainda, muda “d”água”, tal é a turgescência do seu pseudocaule e rizoma. O cordão umbilical dessas mudas, por algum motivo de origem mecânica ou provocado por insetos ou nematóides, foi bloqueado e não há troca de seiva entre ela e sua “mãe”.

Nas primeiras folhas de qualquer tipo ou tamanho de muda convencional, aparecem sempre manchas irregulares de cor pardo-chocolate, bem visíveis nas páginas foliares superiores. À medida que essas mudas se desenvolvem, tais manchas desaparecem. Elas são formadas pela reação da antocianina ao pH do suco foliar que, nesta ocasião, é mais ácido. Nos “filhotes” agregados na planta “mãe”, isso não acontece, pois a seiva que circula na “família” é uma só. Entretanto, o mesmo não acontece com a muda “guarda-chuva” que se forma dentro do bananal, uma vez que ela não pertence a “família”. Esse tipo de muda não emite nunca folhas lanceoladas, por não ter recebido hormônios inibidores da “mãe”. As mudas de laboratório geralmente não apresentam tais manchas.

A estrutura das bainhas é constituída por um tecido parenquimatoso, formado por células bem grandes. Estas vão, progressivamente, diminuindo de tamanho, à medida que chegam mais próximo do início da nervura principal. Esta, por sua vez, também apresenta tais células, que se reduzem a tamanhos bem pequenos quando estão perto do pavio.

É nas folhas que se processa a fotossíntese, quando então a seiva bruta é transformada em seiva elaborada, que na bananeira é muito adstringente e conhecida como “cica”.

4.5 - Pseudocaule ou falso tronco

 

O pseudocaule da bananeira é um estipe. Ele é formado pelas bainhas das folhas superpostas. As bainhas se fixam sobre o rizoma descrevendo arcos de círculos concêntricos, em torno da gema apical de crescimento. Eles formam fortes cicatrizes no rizoma, por onde as fibras do rizoma invadem as bainhas e chegam até as folhas. Essa região de transição entre ambos os órgãos denomina-se colo do rizoma ou da bananeira.

Nas plantas mais jovens, o pseudocaule tem o formato de um cone alongado; nas adultas seu formato é quase que cilíndrico.

Seu comprimento, que representa a altura da planta, é igual à distância do solo até ao topo da roseta foliar. O pseudocaule pode ter de 1,2 até 8 m de altura e o seu diâmetro na base varia de 10 a 50 cm, a 30 cm do solo.

Seu diâmetro, na extremidade superior, pode também atingir quase as mesmas dimensões da base, mas em geral, é equivalente a apenas 80%. Quando se faz referência ao diâmetro de uma bananeira, normalmente, se refere àquele medido a 100 cm do solo.

Seu peso pode oscilar de 10 a 100 kg.

É do pseudocaule que se pode extrair fibras usadas na fabricação de tecidos para confecção de roupas, cordas, dar resistência às chapas impregnadas com plástico, na fabricação de tijolos, etc. Ele pode ainda ser utilizado na alimentação, etc.

É através do pseudocaule que a inflorescência ganha o exterior da planta.

O pseudocaule de uma planta que ainda não lançou sua inflorescência é constituído somente de bainhas imbricadas umas sobre as outras. Naquelas que já lançaram a inflorescência, o pseudocaule é formado por bainhas que capeiam o “palmito” da bananeira. Ele é constituído pelo alongamento do cilindro central do rizoma, o que acontece durante a ascensão da inflorescência, no seu caminhamento para o exterior.

Ao longo do palmito, pode-se ver as últimas três ou quatro gemas laterais de brotação, correspondentes às últimas três ou quatro folhas emitidas, pois é nele que as bases de suas bainhas estão fixadas.

O palmito é quase branco, menos fibroso do que o cilindro central, e tem sido utilizado como recheio de pastéis e tortas, pela sua semelhança com o palmito verdadeiro de certas palmáceas.

Quando o palmito ganha o exterior, ele passa a constituir o cabo do cacho e, em seguida, o eixo da inflorescência.

 

 

4.6 - Diferenciação floral

Terminado o processo de diferenciaçãofoliar e gemas laterais de brotação da planta, a gema apical cessa essa atividade, devido a uma série de fatores hormonais. Há, então, uma modificação do seu aspecto e ela se transforma no órgão de frutificação da bananeira: a inflorescência. A essa fase da vida da planta dá-se o nome de diferenciação floral, quando então cessa sua vida vegetativa e começa a de frutificação ou de produção. O período compreendido entre a diferenciação floral e do lançamento da inflorescência corresponde ao de gestação do cacho.

O processo de diferenciação floral ocorre quando cerca de 60% de todas as folhas geradas (jovens e adultas) já se abriram para o exterior da planta. Os restantes 40% de folhas já estão formados, porém ainda permanecem se desenvolvendo dentro da planta e envolvendo toda a inflorescência.

Dada a modificação da gema apical em inflorescência, conclui-se que, após a diferenciação floral, a bananeira não gera mais folhas, porém continua ainda lançando aqueles 40% de folhas já geradas. Por conseguinte, após o lançamento da inflorescência, ela também não emite mais nenhuma folha.

O processo da diferenciação floral, no cultivar Nanicão, se dá, em geral, quando o alongamento vertical sofrido pelo cilindro central do rizoma já está, em média, na altura de 40 cm. Essa distância é calculada a partir de onde as raízes mais superficiais ganham o exterior do rizoma e a gema apical de crescimento. Nessa fase da vida da planta, é possível verificar, externamente, a que altura está se processando a diferenciação floral, pois nesse local há uma dilatação do pseudocaule. Nesse cultivar, nas condições climáticas do Estado de São Paulo, a inflorescência leva de dois a três meses para vencer a distância entre o ponto de processamento da diferenciação floral e a roseta foliar. Esse tempo varia segundo o cultivar e as condições ecológicas. O agricultor refere-se a essa fase como o de “engravidamento” da bananeira.

Uma vez formada a inflorescência, ela passa a ter um rápido processo vertical de caminhamento, subindo pelo centro do pseudocaule, ultrapassando a roseta foliar para expandir-se no exterior.

Esse processo determina, a uma só vez, o alongamento vertical final do cilindro central do rizoma, que deu a formação do palmito, cujo prolongamento no exterior da planta corresponde ao engaço.

Fazendo-se uma inspeção interna na bananeira, que já sofreu a diferenciação floral, mas que ainda tem a inflorescência no seu interior, pode-se contar perfeitamente o número de pencas e de flores que ela tem. Quanto mais próxima da ocasião da diferenciação floral, menores serão esses órgãos e, por outro lado, quanto mais perto da roseta foliar a inflorescência estiver, mais fácil se torna a identificação do sexo das flores e a contagem do número delas e das pencas.

A contagem das pencas pode ser feita logo após a diferenciação floral, usando-se uma lente de 10 a 15 vezes de aumento. A identificação do sexo das flores é facilmente feita nessa ocasião, pois os ovários já estão perfeitamente diferenciados quanto ao seu comprimento. Para o cultivar Nanicão, a identificação de pencas e flores pode ser feita a olho nu, quando a inflorescência atinge cerca de 50 a 60 cm de altura do solo.

Dessa forma, já não se pode mais influenciar com nenhum tratamento o número de bananas e pencas que o cacho virá a ter, uma vez que o número de flores e o seu sexo é definido durante a diferenciação floral.

Para aumentar o tamanho do cacho é, portanto, necessário que os bons tratos culturais e nutricionais sejam feitos bem antes dessa fase.

 

 

4.7 - Inflorescência

 

 

A inflorescência da bananeira é uma espécie de espiga simples, terminal, que emerge do centro das bainhas foliares, protegida por uma grande bráctea, muitas vezes chamada de placenta.

Quando o florescimento, o ápice se avoluma e origina as brácteas da inflorescência, produzidas em série e distribuída pela ráquis em espiral. Cada bráctea possui uma massa axilar de forma côncava que constitui os primórdios da penca, onde se diferenciam as flores, dispostas alternadamente em duas fileiras paralelas, com desenvolvimento simultâneo. O número de pencas varia com a cultivar e as condições de vegetação da planta, podendo chegar a 13-14.

 

 

4.8 – Flores

 

As flores femininas, masculinas ou hermafroditas estão reunidas em pencas isoladas e protegidas cada uma delas por uma bráctea, que é sempre caduca para as femininas, o que pode ou não acontecer para as demais.

Em cada penca encontram-se flores de um só sexo, porém na região de transição entre elas, podem aparecer numa mesma penca, flores femininas e masculinas.

A flor da banana comestível é zigomórfica, sempre completa com os órgãos femininos e masculinos, verificando-se em algumas a atrofia das anteras (flores femininas) e, em outras, dos ovários (flores masculinas). Devido a essas diferenças no tamanho do ovário, é possível basear-se neste fato para se identificar o sexo das flores.

As flores femininas têm o ovário bem desenvolvido e são as primeiras a aparecer e as responsáveis pela formação das bananas. Nas masculinas, o ovário é cerca de 30 a 50% menor e, geralmente, elas abortam ou se desenvolvem formando rudimentares frutinhos como no cultivar Nanica.

As flores masculinas e femininas das bananeiras produtoras de frutos comestíveis apresentam cinco tépalas (sépala + pétala), dispostas em dois vertículos, que se fundem para formar um cálice tubular denominado de perigônio. Sua extremidade se apresenta fendilhada, formando cinco pequenos dentes ou lóbulos, de forma variável, segundo o cultivar. Suas colorações características identificam o grupo a que pertence a espécie. A tépala dorsal é independente e livre e, por isso, recebe a denominação específica de tépala livre.

Tanto as flores masculinas como as femininas apresentam cinco estames (antera + filamentos) bastante semelhantes, assim como o pistilo (ovário + estilo + estigma). Os estames das flores masculinas possuem anteras normais e os sacos polínicos estão dispostos ao longo do filamento em duas linhas paralelas. Os grãos de pólen são geralmente de cor branco-amarelada. Nas flores femininas, as anteras são atrofiadas, o filamento é mais curto e o pólen, degenerado.

As flores masculinas e femininas apresentam um ovário ínfero e trilocular, estilo filiforme e estigma grosso (dilatado). Nas flores femininas, os ovários se dispõem em cada loja (lóculo) em duas linhas regulares ou em quatro irregulares. As flores masculinas têm o ovário bastante atrofiado, mas o estilo e o estigma se apresentam apenas com as dimensões um pouco reduzidas.

Após o aparecimento de todas as flores femininas, normalmente surgem as pencas de flores masculinas. Por vezes, podem se formar pencas de flores hermafroditas em número variável, intercaladas entre as pencas de flores masculinas. O desenvolvimento das flores hermafroditas, também produzem frutos comestíveis, porém com aspecto anormal e atrofiado, cujo paladar é bastante inferior ao dos frutos normais.

Quando a inflorescência emerge da planta as flores femininas têm sua extremidade distal voltada para o solo devido ao geotropismo positivo, mas geralmente, após a partenocarpia ou a polinização, elas vão se voltando para o alto, como se houvesse um geotropismo negativo atuando sobre elas. As flores masculinas, por via de regra, permanecem sempre voltadas para o solo ou se elevam apenas até quase a posição horizontal, enquanto que as hermafroditas ficam na posição horizontal formando um pompom.

 

4.8.1 - Fecundação das flores

 

A fecundação das flores nas bananeiras selvagens é feita normalmente por insetos. Retirando o pólen de flores masculinas de uma inflorescência, ele fecunda as flores femininas de outra inflorescência (polinização cruzada). A polinização somente pode se processar dessa forma, pois na mesma planta as flores femininas nascem sempre primeiro na inflorescência e, com isso, quando os grãos de pólen das flores masculinas estiverem viáveis para a polinização, os ovários das femininas já não estarão mais receptíveis, por estarem velhos.

As bananeiras de frutos comestíveis, em geral, não produzem grãos de pólen férteis e os ovários das flores femininas dificilmente podem ser fecundados, devido a um atrofiamento do estigma que impede a passagem do pólen. Porém, há casos de não acontecer o atrofiamento e a fecundação poderá se processar normalmente, surgindo com isso sementes férteis.

O cultivar Gros Michel, por ter o estigma apenas parcialmente atrofiado pode, com relativa facilidade, vir a produzir sementes pelo que tem sido usado como “mãe” nos trabalhos de melhoramento.

Em bananeiras, a polinização é realizada apenas nos trabalhos de pesquisa, uma vez que as bananas se formam naturalmente por partenocarpia.

A polinização é feita retirando-se o grão de pólen fértil de uma flor masculina (quase sempre selvagem) e depositando-o em uma feminina, que ainda esteja protegida pela bráctea, o que indica que ela ainda deve estar virgem. Essa bráctea é levantada para realizar a polinização e, imediatamente, reconduzida à sua antiga posição e amarrada para evitar a entrada de insetos que possam trazer outros grãos de pólen. Não há necessidade de reabrir a bráctea depois; com o tempo, ela cairá naturalmente.

Obter-se-á certeza do sucesso da polinização observando o aspecto do fruto que, neste caso, deverá ser mais cilíndrico e mais curto. A confirmação de que houve a polinização somente se terá com a presença das sementes, nos frutos maduros.

As bananeiras selvagens apresentam em média, de 80 a 100 sementes férteis por fruto. Nos trabalhos de melhoramento, esse número geralmente é bastante reduzido, dificilmente ultrapassando 5 sementes por fruto.

 

 

4.8 - Cacho e fruto

 

O cacho da bananeira é constituído de engaço (pedúnculo), ráquis, pencas de bananas (mãos), sementes e botão floral (coração).

O cacho de banana comestível pode apresentar, ocasionalmente, até 600 bananas reunidas em 20 ou mais pencas, com peso ao redor de 100 kg.

O tamanho do cacho varia segundo o cultivar, o clima, a fertilidade do solo, os tratos culturais e fitossanitários. Seu formato quase sempre é tronco-cônico, mas há também o quase cilíndrico.

Medindo-se seu comprimento, apenas na parte em que as pencas de bananas se inserem, pode-se encontrar alguns com 20 a 30 cm ou até com 200 a 250 cm. Da mesma forma, o diâmetro do cacho varia de 20 cm a até 60 a 70 cm.

As pencas podem estar mais ou menos imbricadas uma sobre as outras, dando-lhe a aparência de maior ou menor compactação. Essa é uma característica do cultivar, mas pode ser influenciada pelos fatores ecológicos e nutricionais.

O engaço é o pedúnculo da inflorescência, sendo conhecido como o cabo do cacho. Ele é a continuação do palmito que, por sua vez, é o alongamento do cilindro central do rizoma. Ele tem início no ponto de fixação da última folha e termina na inserção da primeira penca. Botanicamente, é conhecido por pedúnculo da inflorescência. Ele é revestido por pêlos rudimentares, com comprimento variável, segundo o cultivar. A forma do engaço sendo de uma bengala, facilita o transporte do cacho após a colheita. Devido a isso, esse órgão também é conhecido como bengala do cacho. Dependendo do cultivar, das condições ecológicas reinantes antes do lançamento da inflorescência, da situação fitossanitária e das fertilizações, a distância do ápice da alça do engaço até a base da primeira penca, pode variar de quase 0 a mais de 100 cm. Seu diâmetro é igualmente influenciado pelos mesmos fatores, podendo oscilar entre os limites de 5 e 15 cm.

A ráquis, continuação do engaço, é definida botanicamente como eixo da inflorescência, que é onde se inserem as flores. Inicia-se a partir do ponto de inserção da primeira penca e termina no botão floral. Ela pode ser dividida em ráquis feminina, ráquis masculina e ráquis hermafrodita, conforme o sexo das pencas das flores que nela se inserem. À medida que a ráquis se alonga, sua extremidade final fica mais fina, podendo terminar com apenas 2 cm ou menos de diâmetro.

Entre os bananicultores, a expressão “ráquis” refere-se apenas à parte masculina deste órgão. Esta parte, também chamada como rabo-do-cacho, pode se apresentar despida ou não de restos florais e suas respectivas brácteas. O comprimento total e a sua forma (curvatura) variam segundo o cultivar.

Na extremidade final da ráquis feminina, encontra-se o botão floral (coração ou mangará) que é o conjunto de pencas de flores masculinas ainda em desenvolvimento, com suas respectivas brácteas. Pode-se dizer que o coração é a gema apical de crescimento, modificada, que ganhou o exterior.

Nos cultivares em que as flores masculinas são caducas, após sua deiscência, aparecem protuberâncias na ráquis masculina denominadas “nó” ou cicatriz e que correspondem às almofadas atrofiadas das pencas de bananas. A distribuição e a orientação dessas cicatrizes são as mesmas que ocorreram nas pencas de bananas.

Simultaneamente, com o início do amadurecimento das bananas, o coração cessa suas atividades, morre e seca.

A penca (ou “mão”) de banana é o conjunto de frutos reunidos pelos seus pedúnculos em duas fileiras horizontais e paralelas. O pedúnculo da banana pode ter de quase zero mm a cerca de 50 mm de comprimento.

Os pedúnculos das diversas bananas se fundem e formam a almofada, que se confunde com a ráquis. As almofadas variam seu comprimento segundo o cultivar. Nas primeiras pencas, elas podem ter até pouco mais de 40 mm. Esse comprimento sempre diminui nas últimas, podendo chegar a quase zero.

As almofadas se fixam na ráquis sempre em níveis diferentes, seguindo três linhas helicoidais e paralelas. Partindo da primeira penca para a última (a mais de baixo), verifica-se que o sentido da linhas é anti-horário, portanto, levógiro.

O número de pencas e bananas é influenciado pelas condições ecológicas, de fertilidade e sanitárias em que a planta se desenvolveu, porém o potencial genético do cultivar limita esses números.

O primeiro terço de pencas femininas se forma, em média, uma a cada 24 horas; o segundo leva cerca de 30 horas e o terço final aproximadamente 36 horas. Implica isto em dizer que em um cacho com 10 pencas, por exemplo, a primeira penca pode ter se formado de 13 a 15 dias antes da última. Esse tempo aumenta progressivamente, com o aumento do número de pencas. Durante a formação das pencas masculinas o tempo continua aumentando sempre, podendo-se ter nas últimas intervalos superiores a três dias. Todos esses valores são básicos, em condições de inverno, eles são muito aumentados e mais ainda, se não houver irrigação. Em locais mais quentes e úmidos, eles são encurtados.

A banana, também chamada de dedo, é o resultado do desenvolvimento partenocárpico ou da polinização dos ovários das flores femininas da inflorescência. Elas são bagas alongadas e triloculares. O pericarpo corresponde à casca e o endocarpo é a polpa que se come. O pericarpo é constituído do epicarpo, que é a parte verde; o mesocarpo é a parte brancacenta da casca, na qual se encontram as suturas do mesocarpo, que são os fios internos da banana. O endocarpo tem no seu interior, as sementes férteis ou apenas os rudimentos de sementes, que são as pequenas pontuações escuras junto ao seu eixo central.

As bananas podem ter formatos bastante variáveis, desde retos até curvos como uma meia lua. Seu comprimento pode chegar a 45-50 cm, com diâmetro de até quase 10 cm e peso de 2 a 3 kg. A coloração da casca varia da cor palha de milho passando pela verde-clara, amarela, avermelhada e quase preta. A espessura da casca oscila de 2 a 10 mm segundo o cultivar, as condições ecológicas e de fertilidade em que a planta e o fruto se desenvolveram. A polpa também pode apresentar as cores branca, creme, amarela e rósea.

As bananas podem apresentar duas a quatro linhas de sementes, em cada um dos seus três lóculos (ou loja). A quantidade de sementes e sua disposição são caracteres utilizados na classificação botânica. Suas sementes podem ser férteis ou abortivas (estéreis). Sua coloração é escura, quase preta.

As sementes férteis apresentam-se revestidas por uma carapaça dura com dimensões semelhantes às do algodão, enquanto as estéreis se reduzem a pequenas pontuações. As sementes das primitivas bananeiras tinham até 20 mm de comprimento; hoje, estão reduzidas para 4 a 5 mm.

Nas bananas comestíveis, as sementes são estéreis e estão sempre na região central da polpa, onde os três lóculos se encontram e elas se apresentam como rudimentares pontuações escuras. Elas formam duas ou quatro linhas dentro de cada lóculo.

As bananeiras produtoras de sementes (as selvagens) não dispensam a polinização para a formação e desenvolvimento do fruto. Se for impedida a polinização de sua flor, esta chega intumescer mas algumas semanas depois seca e cai.

Ao contrário das bananas comestíveis, cujas sementes são rudimentares, nas selvagens elas ocupam quase todo o interior do fruto devido a sua quantidade e tamanho. Tais sementes são envolvidas por uma massa semelhante à polpa das bananas comestíveis, a qual é bem mais adocicada e mais gelatinosa.

As bananas comestíveis têm desenvolvimento partenocárpico, portanto, não produzem sementes. No melhoramento genético, este é um dos pontos difíceis para o especialista, pois, lançando mão de bananeiras produtoras de frutos com sementes, ele deverá obter híbridos, cujas frutas não as tenham.

 

4.8.1 - Dicotomia

 

É o fenômeno pelo qual a bananeira pode produzir dois ou mais cachos. Pode ocorrer na gema apical de crescimento, antes ou depois da diferenciação floral.

A dicotomia consiste no fato da gema apical de crescimento, durante o seu processo vegetativo de multiplicação, dividir-se em duas ou mais partes, mantendo em cada uma delas a estrutura inicial. Cada uma delas passa a constituir por si, de uma nova gema apical que se desenvolverá normalmente. Havendo dois ou mais pontos de crescimento, cada um deles irá formar um novo pseudocaule, que produzirá seu cacho.

Tendo em vista que esse fenômeno pode se repetir em várias ocasiões, é possível encontrar bananeiras com pseudocaules bifurcados, trifurcados ou mais vezes. Se a dicotomia ocorrer apenas na inflorescência, haverá um pseudocaule e dois ou mais cachos. Há casos em que ela se processa mais de uma vez em diferentes épocas, ficando a planta por exemplo, com dois pseudocaules com um total de cinco cachos. Ela pode também ocorrer apenas no rabo do cacho.

Em cultivares que apresentam a dicotomia, isso acontece freqüentemente, mais de uma vez na mesma planta, como tem sido observado no cultivar São Mateus, que é um mutante do “São Tomé”. Neste cultivar, esta tara genética se manifesta em quase 100% das plantas. Na “Nanica”, é menos freqüente.

Os cachos das bananeiras com dicotomia têm desenvolvimento quase normal e seus frutos em nada diferem dos demais quanto ao paladar. Havendo suficiente nutrientes no solo, todas as flores femininas produzirão frutos de aspecto normal.

 

 

5 - Distribuição geográfica

 

Por se tratar de uma planta tipicamente tropical, a bananeira, para bom desenvolvimento, exige calor constante e elevada umidade. Essas condições são, geralmente, registradas na faixa entre os paralelos de 30° norte e sul, nas regiões onde as temperaturas permanecem acima de 10°C e abaixo de 40°C. Entretanto, há possibilidade de seu cultivo em latitudes maiores de 30°, contanto que a temperatura o permita.

A expansão de um cultivar, em determinados países e áreas, é função da sua aclimatação, interesse do mercado local ou do importador. Disso resulta que há relativa diversificação de cultivares entre as regiões produtoras.

Os principais países que produzem banana podem ser assim agrupados por região:

 

A - América do Sul: Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guianas, Paraguai, Venezuela

 

B – América Central: Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá.

 

C – África: Angola, Republica dos Camarões, Zaire, Costa do Marfim, Guiné, Ilhas canárias, Ilhas da Madeira, Mandagascar, Moçambique, Somália.

 

D – Região do Caribe: Cuba, Guadalupe, Ilhas Windward, Jamaica, Martinica, República Dominicana,

 

E – Oriente Médio: Israel, Jordânia, Líbano.

 

F – Ásia: Sri Lanka, China, Filipinas, Índia, Java, Sumatra.

 

G – Oceania: Austrália, Ilhas Fidji, Samoa Ocidental.

 

 

6 - Importância da bananicultura

 

6.1- Importância Mundial

 

As primeiras informações da história contemporânea, do início da comercialização efetiva de bananas, datam de 1870, feita em escuna, que transportou da Jamaica para os Estados Unidos (cidade de Jersey) 160 cachos. Exportações esporádicas ocorreram anteriormente das ilhas do Caribe, onde os cultivares Nanica (1829), e Gros Michel (1835) já tinham sido introduzidos.

Os primeiros plantios extensivos, na América Central, foram feitos principalmente na Costa Rica, Honduras e Colômbia, entre 1870 e 1879, prevalecendo o cultivar Gros Michel que passou a ser a Rainha das Bananas, até que o mal-do-panamá explodiu nesta região em 1900. Novas áreas foram plantadas procurando sempre uma fuga dessa enfermidade. Em 1912, o mal-do-panamá já era bastante grave na Jamaica. Visando diversificar os plantios de “Gros Michel” e “Nanica”, foi plantado o cultivar Mysore, que se admite tenha sido introduzido em 1912, na República Dominicana.

O cultivar Gros Michel, pela alta suscetibilidade ao mal-do-panamá, foi substituído, em todo o mundo, por diversos cultivares do subgrupo Cavendish, que apresentam alta tolerância a essa enfermidade. Assim é que encontramos o “Poyo” (ou “Robusta”) em Guadalupe e na África Ocidental; o “Nanica” e o “Grande Naine” na Martinica (local de origem dessa última) e o “Lacatan”, na Jamaica. No Brasil são encontrados o “Nanica” e o “Nanicão”, sendo que o “Gros Michel” nunca chegou a ser plantado comercialmente, pois ele é muito exigente em calor.

Atualmente, para os produtores mundiais que objetivam a exportação, são as bananas do subgrupo Cavendish que mais interessam. É preciso que se diga que o mercado mundial tem demonstrado, nesta última década, um interesse crescente por bananas de fritar. É o caso, por exemplo, da Venezuela, que tem uma área de mais de dez mil hectares contínuos do cultivar Harton, semelhante ao nosso “Pacova” e cuja produção é praticamente toda exportada para os EUA. Outros países do Caribe, como Cuba, também são grandes produtores de banana de fritar. No Continente Africano e na Índia, esses tipos de banana têm muita importância, pois são usados como fonte de amido.

No Brasil, os cultivares do subgrupo Prata, em especial o “Prata”, são muito importantes por serem os mais consumidos. Os do tipo de fritar, que não apresentavam grande interesse, têm tido, também aqui, maior procura pelos consumidores, nesta última década.

A banana constitui hoje grande fonte de divisas para os seguintes países, internacionalmente cognominados Repúblicas Bananeiras: Colômbia, Costa Rica, Equador, Guadalupe, Honduras, Jamaica, Martinica, México, Panamá e Venezuela.

Os EUA têm se mantido como o maior comprador de bananas nos últimos vinte anos e apresentado um aumento constante nas importações. O Japão é o segundo maior importador efetivo, pois a Alemanha e a Bélgica reexportam.

 

6.2 - Importância da bananicultura para o Brasil

 

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de banana, com 9,80% do total, e também o segundo maior consumidor, pois para o povo em geral, ela não é apenas uma fruta, mas um complemento de sua alimentação diária. O maior produtor e consumidor é a Índia.

O cultivo da bananeira no Brasil talvez seja uma das poucas explorações agrícolas feitas, em maior ou menor proporção, em quase todos os municípios. É essa freqüência que torna o Brasil um grande produtor. A banana e a laranja são as frutas de consumo mais constantes da população, e sua presença é sempre assinalada nos mais diversos mercados e feiras livres.

Com o crescimento da população e melhoria da sua capacidade aquisitiva, houve aumento de consumo desse alimento barato, em todos os mercados consumidores.

Paralelamente a esse aumento de consumo, surgiu em nossos bananais, durante a década de 60, a moléstia conhecida por mal-de-sigatoka-amarela ou simplesmente sigatoka-amarela (cercosporiose da bananeira) que, causando grandes prejuízos, fez com que a produção diminuísse em quantidade e qualidade. Em conseqüência, o preço elevou-se e o mercado consumidor passou a exigir que os produtores cuidassem das bananeiras como uma cultura e não mais como uma simples planta de produção quase extrativa, como vinha sendo feito.

Nas últimas décadas, a bananicultura brasileira passou por sucessivas remodelações na tecnologia de cultivo. Os resultados de estudos feitos entre nós, com as bananeiras, principalmente aqueles a partir de 1960, permitiram que se firmassem novos conceitos de produção para nossos agricultores, no que diz respeito a solo, clima, época de plantio, cultivares, aplicação de corretivos de solo, adubação, espaçamento de plantio, rotação de cultura, controle fitossanitário manejo do bananal e da fruta pós-colheita, a fim de atender aos novos mercados brasileiros que se formaram.

O elevado preço dos fretes de produtos perecíveis como a banana, tem feito com que muitos plantios, principalmente de frutas e verduras, se desloquem para perto de grandes centros urbanos.

Em termos de comercialização exterior, ela é feita praticamente só para os mercados platinos e apenas com bananas de São Paulo junto com as de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, sendo que esses dois últimos a fazem de modo esporádico. Raras exportações tem ocorrido para a Europa.

Quando o produtor brasileiro pensa no plantio de bananas visando o mercado exterior, geralmente está pensando em outros além do Mercosul, tais  como o americano e o europeu. Entretanto, ele precisa lembrar também que as exigências do mercado platino são muito menores do que as dos demais. Além disso, comparando-se a média histórica dos preços pagos ao produtor brasileiro, com a dos países que a produzem visando principalmente a exportação, verifica-se que, nos últimos dez anos, a do nosso mercado interno foi mais interessante.

 

 

6.2.1- Situações regionais da bananicultura brasileira

 

Pela grande extensão territorial do Brasil, o cultivo da banana deve ser apreciado regionalmente.

- Bacia Amazônica: O bananal é feito de forma quase indígena, com aspectos de extrativismo. Predominam, em ordem de importância, os cultivares Pacova, Maçã, Maranhão, Terra e Branca e em menor quantidade, o “Nanicão” e o “Nanica”. Nos últimos dez anos, a área cultivada aumentou cerca de cinco vezes, porém quase sempre com o nomadismo típico da região. Esses plantios novos têm sido feitos onde há melhores estradas, em terra firme, isto é, áreas não inundáveis na época das cheias dos rios, e mais com os cultivares Branca e Nanicão. Nas áreas inundáveis, os plantios não têm sofrido mudanças.

O moko está tendo um desenvolvimento pequeno, atingindo quase que somente as terras baixas, com raros casos nas terras altas. A evolução e a expansão da sigatoka-negra ainda é uma incógnita e o futuro dos plantios amazônicos de banana, outra.

 

- Brasil Central: Os plantios têm-se expandido e passaram a ser feitos com os cultivares Nanicão, Enxerto e Terra. Os plantios dos dois primeiros são feitos, na maioria, com mudas de laboratório. Há também muitos plantios de “Pacovan”, principalmente para ser comercializado em Brasília, onde o nordestino é seu grande consumidor. A irrigação passou a ser uma constante nesses bananais.

Os plantios tradicionais de “Maçã” têm diminuído devido ao mal-do-panamá. Os novos plantios, em caráter empresarial, estão sendo feitos em áreas virgens, com o emprego de mudas de laboratório, sendo ainda imprevisível sua longevidade. Os plantios de desbravamento, que eram realizados em baixo das matas, quase não ocorrem mais.

Nessa região, os plantios tendem a aumentar e há grande interesse por novas informações tecnológicas. As produções da banana “Maça” são comercializadas, principalmente, no mercado de São Paulo, que paga um bom preço por elas. O consumo de banana na Capital Federal, e nas outras capitais dos estados da região, têm aumentado bastante.

 

- Região Sul: Já chegou ao limite máximo de sua expansão geográfica possível para cultivar bananeiras, tem tido grande aumento de produtividade.

O estado de Santa Catarina é o maior produtor, seguido pelo Rio Grande do Sul e Paraná. Estes dois últimos têm aumentado suas áreas de produção, na região Norte-litorânea, utilizando as tecnologias atualmente geradas em Santa Catarina. Neste estado, os bananais foram plantados nas partes altas das fraldas da Serra do Mar, próximos do litoral e, mais recentemente nas baixadas marítimas, com os cultivares Enxerto (Prata anã), Branca e Prata como uma defesa contra a friagem. Há ainda plantios de “Nanicão”, “Caturrão” e “Imperial”, que são menos tolerantes ao frio, o que em parte, é compensado pela altura dos dois últimos cultivares, que chegam a 6 e 7 m. Ambos, porém, apresentam o defeito do ciclo de produção ser mais longo.

A produção é consumida nos grandes centros sulinos, mas boa parte é também remetida para São Paulo e até Belo Horizonte. Em determinados anos, as bananas alí colhidas, no verão, são exportadas para o Uruguai. Os bons preços que os produtores têm obtido e o aumento de consumo, estimularam os bananicultores a ampliar seus plantios, empregando os mais recentes conhecimento tecnológicos bananícolas. Infelizmente, a região é sujeita a problemas de excesso de chuvas e baixas temperaturas, com ocasionais chuvas de pedra.

 

- Nordeste: Onde persiste o sistema de irrigação por inundação, o cultivo de banana é feito nos antigos perímetros do Departamento Nacional de Combate à Seca (DNOCS), com predominância dos cultivares Nanica, Nanicão e Grande Naine. Nestas áreas, o nível tecnológico é bastante baixo, a despeito de todo apoio que a entidade cooperativista lhes proporciona.

No Ceará, há novos plantios feitos com mudas de laboratório e alta tecnologia, muitos dos quais com o cultivar Maçã. Entretanto, na serra de Baturité os plantios continuam sendo com as tecnologias tradicionais.

Como reflexo desse novo padrão de produção, a comercialização dos mercados de Fortaleza e Belém estão se tornando mais exigentes. Os marginais e tradicionais produtores têm visto sua fruta ser desprezada comercialmente pelos consumidores, em favor das bananas produzidas por proprietários que evoluíram e passaram a apresentar produtos de primeira qualidade.

No sul do Maranhão e do Ceará estão se formando áreas com plantios bem tecnificados, com o cultivar Pacovan e, em menor quantidade, com o “Grande Naine”.

As ricas terras aluviais, que podem ser irrigadas com as águas da barragem de cabeceira do rio Açu (RN), onde o clima é bem seco e que distam cerca de 40 km do porto marítimo, representam as melhores áreas agrícolas para a produção de bananas no Nordeste e no Brasil.

Nelas, há um empreendimento bananícola, em produção, da mais alta importância agrícola e comercial, devidamente projetado para ser uma empresa capaz de apresentar bananas de padrão internacional, tanto em qualidade de produto como em embalagem, a qual é feita em caixas de papelão. Sua comercialização é realizada nos principais centros do país e está servindo para demonstrar o potencial de consumo de bananas de primeiro mundo que temos e, ainda, dê exemplo do que se deve fazer para apresentar um bom produto aos consumidores. Há outros dois empreendimentos instalandos nessa área, com iguais características e metas.

Em áreas irrigadas, foi possível obter com “Grande Naine”, produtividade de mais de 80 t/ha/ano.

No baixo São Francisco, na região de Petrolina e Juazeiro, há um grande pólo de produção em expansão, estimado em dez milhões de bananeiras, no qual se faz o plantio, principalmente, do “Pacovan”.

Esses dois pólos bananícolas do semi-árido tem como características básicas comuns, a pequena propriedade e as águas do São Francisco distribuídas dentro dos bananais, por aspersão, tanto abaixo como acima das folhas.

No sul da Bahia, há áreas não irrigadas, onde o plantio foi feito principalmente para sombreamento do cacau, sendo a banana tida como cultura secundária. Nelas predominam os cultivares Branca, Prata e Pacovan. Nessas áreas, os altos índices de produtividade que vêm sendo obtidos com “Pacovan” e “Terra”, e sua boa aceitação pelos consumidores, abrem boas perspectivas de expansão desses plantios.

Suas produções são comercializadas, principalmente, nas capitais dos estados e, as produzidas mais ao sul, remetidas para Vitória e Rio de Janeiro.

 

- Centro-Sul: Foi nessa região, que o cultivo da bananeira mais se desenvolveu e atingiu maior índice de tecnologia e produtividade.

Os cultivares Branca e Prata, em função dos bons tratamentos recebidos, tem possibilitado bons rendimentos e produzido ótimas bananas em Minas Gerais (região sul do estado) e Espírito Santo, cujos mercados consumidores pagam razoavelmente bem por esses padrões de qualidade.

O cultivar Nanicão foi progressivamente introduzido nas terras mecanizáveis do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, enquanto nas áreas acidentadas desses estados, continuam sendo plantados os cultivares Prata, Branca e incrementado o “Ouro da Mata”.

Há plantios do cultivar Ouro nas encostas da Serra do Mar, onde eles encontram condições de clima favorável para uma boa produção. Outros cultivares que também se aclimataram bem na base dessas encostas foram os cultivares Terra e Maranhão, cujos cachos, freqüentemente, atingem 80 kg de peso.

Nesses três estados, a bananicultura se expande de forma constante, acompanhando o consumo.

No norte de Minas Gerais, nas várzeas do alto do rio São Francisco, na região de Janaúba, formou-se uma grande área de produção, atualmente com mais de dez mil hectares de bananeiras. A maior parte dessas plantações foi feita com mudas produzidas por biotecnologia sendo todas irrigadas. Há galpões que recebem a banana por meio de cabos aéreos. Infelizmente, há falta de apoio tecnológico. A despeito disso, dado o interesse do produtor, essas regiões têm apresentado boas produções e boas bananas. A produção é comercializada tanto em Brasília como em Belo Horizonte e São Paulo.

 

Estado de São Paulo: O cultivo da bananeira é feito com fins comerciais desde o século passado, quando houve predominância de plantio dos cultivares Nanica e Maçã. A exportação vem se processando desde essa ocasião.

Os plantios de banana “Maçã” que aí existiam, a partir de 1930, começaram a desaparecer devido ao mal-do-panamá. Já em 1965, não se encontrava, em todo o estado, mais nenhuma lavoura desse excelente cultivar.

A partir de 1960, iniciou-se a substituição do cultivar Nanica pelo “Nanicão”, devido ao melhor aspecto dos frutos. Hoje, há cerca de 50% de cada um deles nas lavouras do Litoral Paulista e do Vale do Ribeira.

O cultivar Grande Naine, introduzido no Vale do Ribeira em 1970, está se desenvolvendo bem, uma vez que sua aclimatação foi boa. Entretanto, o mesmo não aconteceu em regiões de pouca precipitação ou baixa umidade relativa do ar, como no Planalto.

Os outros cultivares Enxerto, Terra, Ouro, etc. não despertavam interesse entre os bananicultores paulistas. Entretanto, dado o constante aumento de seu consumo no mercado da Grande São Paulo, passaram a plantá-los, principalmente o cultivar Enxerto. Mesmo assim, dada a falta de banana “Prata”, o abastecimento tem sido complementado com produções vindas de outros estados.

As grandes companhias bananícolas que haviam no Litoral Paulista, praticamente desapareceram, em vista de dificuldades de mão-de-obra e ao alto valor das propriedades, ante o enorme desenvolvimento imobiliário e turístico que se registra na região. Poucas propriedades ainda produzem bananas em larga escala.

No Vale do Ribeira, há uma tendência de diminuição das áreas de plantio e maior aceitação de tecnologias de produção. Atualmente, a região está com sua área de produção reduzida a quase 50%, devido às sucessivas inundações e fortes ventos que a têm assolado.

O controle da sigatoka-amarela á vem sendo feito rotineiramente, nos últimos vinte anos, por meio de aviões, helicópteros, tratores e atomizadores costais.

Muitos galpões de embalagem foram construídos nesta última década, mas há ainda parte desta operação sendo feita no meio dos bananais. A construção dos galpões é um reflexo das exigências dos consumidores, que pagam mais pela melhor qualidade das bananas. Elas são embaladas em buquês e em muitas propriedades se faz o seu resfriamento antes de serem remetidas aos mercados onde irão ser amadurecidas.

Os cabos aéreos para o transporte de banana aos galpões de embalagem, que há dez anos não haviam no Brasil, já estão instalados em várias propriedades e estados.

A comercialização ainda é feita em grande parte na CEAGESP, havendo, contudo, muita venda direta do produtor aos supermercados. Nessa central de vendas, a comercialização em cachos através de leilões, praticamente acabou. As vendas são feitas quase só em pencas e buquês, embaladas em caixas de madeira, papelão e plástico.

O Planalto Paulista, que antigamente chegou a ser grande produtor de “Maçã”, já possui vários pólos de 50 a 100 mil plantas de “Nanicão” e “Enxerto”, com tendência de expansão, empregando-se a mais alta tecnologia de produção. Estes pólos têm se formado, principalmente, junto à cidades de 100 a 200 mil habitantes e estão se multiplicando.

A produção desses bananais é, em geral, colhida, embalada, climatizada e vendida aos supermercados próximos da sua área de plantio, pelo próprio agricultor. Entretanto, ainda é pequeno o número de produtores que se associam para efetuar suas vendas e as compras de insumos.

Tal sistema de comercialização tem assegurado maiores lucros para os produtores e reduzido muito suas perdas com refugos, pois ele passou a classificar as bananas em 1a, 2a e 3a categoria e vendê-las com preços diferenciados, porém vende tudo que produz.

Dessa forma, os produtores paulistas estão descobrindo que é mais lucrativo terem menores áreas de produção, mas cuidarem com mais atenção da comercialização até ao nível do retalhista final, quando então ele cria um pólo de vendas restrito de 50 a 60 Km de sua propriedade. Esta situação tende a se consolidar e se repetir cada vez mais em todo o país.

O amadurecimento da banana é feito em câmaras de climatização. As antigas estufas já são coisa do passado. Estas câmaras estão localizadas tanto nas áreas de produção como nas metropolitanas e nas CEASAs das cidades do interior.

Em face desse panorama de evoluções, os consumidores de todo o Brasil, passaram a procurar por uma banana com melhor aparência, ao efetuarem suas compras e o produtor está se vendo obrigado a adotar as usuais tecnologias de colheita e embalagem, dominantes no mercado internacional.

 

 

7 – Exigências climáticas

 

Antes de se fazer o plantio de um bananal, em escala comercial, é preciso estudar bem os fatores climáticos da localidade, para se saber se eles suprem aqueles que a planta exige. Se eles não forem favoráveis à cultura, dificilmente o produtor obterá bons lucros, pois os fatores climáticos são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento da planta.

 

 

7.1 - Temperatura

 

Os limites mais favoráveis de temperatura para o bom desenvolvimento da bananeira estão entre 20° a 24°C, registrados ao redor do pseudocaule a 100 cm do solo. A bananeira também pode se desenvolver satisfatoriamente em locais com temperatura abaixo e acima dos limites citados, porém com prejuízos para o ritmo de seu desenvolvimento e da qualidade da banana.

As temperaturas de 15° e 35°C têm sido apontadas como os limites extremos entre os quais a bananeira encontraria boas condições para crescer e produzir. Se os valores absolutos da temperatura permanecerem dentro desses índices (15° e 35°C), o cultivo da bananeira estará assegurado na área. Temperaturas pouco acima de 24ºC, por breve período de tempo, também são favoráveis à produção da bananeira.

Quando a temperatura mínima cai abaixo de 12ºC, os tecidos da planta são prejudicados, principalmente os da casca do fruto. Se descer até 4ºC, inicialmente começam a aparecer nos bordos das folhas as primeiras manchas amarelas, as quais se acentuam com o tempo, culminando com danos letais nessa área.

Quando a temperatura sobe acima de 35ºC, há inibições no desenvolvimento da planta devido, principalmente, à desidratação dos tecidos, em especial, o das folhas. Isto faz com que elas se tornem rígidas e sujeitas ao fendilhamento mais facilmente.

A temperatura é muito importante para a bananicultura em relação a várias moléstias e pragas que atacam a planta e cuja velocidade de desenvolvimento delas varia em função desse fator.

 

 

7.2 - Precipitação

 

A bananeira necessita permanentemente de umidade, oriunda de chuvas ou de irrigação. Para ela o importante não é a média anual que interessa e sim a diária. O ideal seria que a média anual de chuvas caísse dividida semanalmente.

Regiões onde haja uma estação das chuvas e outra da seca bem definidas não são boas, pois a bananeira não precisa de hibernação para crescer ou produzir.

A quantidade de água que ela precisa para ter um bom desenvolvimento e produção varia com os múltiplos fatores climáticos no que concerne aos seus limites máximos e mínimos e, quanto ao solo, no que se refere aos fatores profundidade, textura, declividade, drenagem, etc.

Se não houver suficiente regularidade e quantidade de chuvas, a irrigação precisará ser feita. Isto é importante, principalmente para as raízes poderem ter um bom e constante desenvolvimento.

 

 

7.3 – Umidade Relativa

 

As regiões onde a umidade relativa média anual situa-se acima de 80% são as mais favoráveis à bananicultura.

Esta alta umidade acelera a emissão de folhas, prolonga a sua longevidade, favorece o lançamento da inflorescência e uniformiza a coloração da fruta. Contudo, quando associada a chuvas e variações de temperatura, provoca a ocorrência de doenças fúngicas.

Sob condições de baixo teor de umidade as folhas tornam-se mais coriáceas e têm vida mais curta.

 

 

7.4 – Luminosidade

 

A bananeira tem seu melhor crescimento quando recebe mais de 2.000 lux (horas de luz/ano queimada no heliógrafo) suportando, contudo, até um limite de 1.000 lux. Valores abaixo são insuficientes para que ela tenha desenvolvimento normal.

Se cultivada em local que receba apenas 30% do limite mínimo de luminosidade, em caráter permanente, a bananeira tende a não interromper seu contínuo e lento desenvolvimento, mantendo-se apenas em fase vegetativa, podendo até mesmo chegar a não entrar no processo da diferenciação floral. Disto resulta que a bananeira não suporta sombra artificial ou natural (cerração, bruma, poluição, sombra de morros, etc.) sobre suas folhas, pois ela retarda seu desenvolvimento, principalmente por não fazer a fotossíntese.

Quando muito acima do limite máximo citado, pode haver queima das folhas, o que acontece, principalmente, durante a fase de cartucho ou folha recém-aberta. Nessa idade da folha seu tecido é muito tenro, ficando vulnerável aos raios solares. Da mesma forma, a inflorescência pode também ser prejudicada pelos mesmos fatores. Apenas nas áreas com luminosidade muito alta (4.000 lux), poder-se-ia pensar em sombrear parcialmente, as bananeiras.

7.5 – Vento

 

O vento é uma das maiores preocupações comuns a todos os produtores de banana. Os prejuízos e a perda da produção que o vento causa, por derrubar as bananeiras ou romper suas raízes e folhas, são, em geral, maiores do que os provocados pela sigatoka-amarela não controlada.

Esse é um aspecto para o qual os bananicultores e principalmente os brasileiros, não têm voltado sua atenção e, por isso, não protegem suas plantações como o fazem outros povos, em especial os europeus, que consideram o quebra-vento como um seguro agrícola, que fica de geração para geração.

Os ventos são capazes de provocar danos suficientes para arrasar em poucos minutos uma boa plantação. Eles causam prejuízos proporcionais à sua intensidade, a saber:

a) “chilling” ou “friagem” que consiste em danos fisiológicos na bananeira e ou no fruto, causados por baixas temperaturas;

b) desidratação da planta devido à grande evaporação;

c) fendilhamento entre as nervuras secundárias;

d) diminuição da área foliar pela dilaceração das folhas que já foram fendilhadas;

e) rompimento das raízes;

f) quebra do seu pseudocaule;

g) tombamento inteiro da bananeira e sua “família”.

 

 

7.6 – Altitude

 

A altitude afeta diretamente a temperatura, chuvas, umidade relativa, luminosidade, etc., fatores estes que, por sua vez, influem no desenvolvimento e na produção da bananeira.

Trabalhos realizados em regiões tropicais equatorianas, com baixas altitudes, demonstraram que o ciclo de produção da bananeira, principalmente do subgrupo Cavendish, foi de 8 a 10 meses. Nessas regiões, onde a altitude passou para 900 m, ele aumentou para 18 meses.

Comparações feitas entre plantações conduzidas em situações iguais de cultivo, solos, chuvas, umidade, etc., evidenciaram um aumento de 30 a 45 dias no ciclo de produção, a cada 100 m de acréscimo na altitude, em uma mesma latitude.

Estudos feitos com vários cultivares do subgrupo Cavendish, para avaliar seu comportamento em diferentes altitudes, indicaram que os cultivares Mons Marie e Williams foram os menos prejudicados com os maiores índices.

 

 

8 – Cultivares

 

Vários autores têm procurado classificar e descrever as principais cultivares de banana.

Classificar e descrever literalmente, as características identificativas dos diferentes cultivares é algo muito difícil. Simmonds propôs e descreveu muitos cultivares utilizando inúmeros indicativos de cada um dos caracteres morfológicos e genéticos deles. Esta metodologia é quase que perfeita, porém seu nível não está ao alcance de todos aqueles que têm interesse ou estão apenas ligados a algum setor da bananicultura. Posteriormente, Champion fez um outro brilhante trabalho, já mais descritivo e com tabelas indicativas dos prováveis locais de aparecimento dos diversos cultivares. Seguramente mais de 10 autores brasileiros já descreveram os diferentes cultivares utilizados pelos nossos produtores.

 

 

8.1 – Principais cultivares

 

 

Embora exista um número expressivo de variedades de banana no Brasil, quando se consideram aspectos como preferência dos consumidores, produtividade, tolerância a pragas e doenças, resistência à seca, porte e resistência ao frio, restam poucas cultivares com potencial agronômico para serem usadas comercialmente. As cultivares mais difundidas no Brasil são: Prata, Pacovan, Prata Anã, Maçã, Mysore, Terra e D”Angola, do grupo AAB, e Nanica, Nanicão e Grande Naine, do grupo AAA, utilizadas principalmente na exportação. Em menor escala são plantadas a “Figo Cinza”, “Figo Vermelha”, “Ouro”, “Caru Verde” e “Caru Roxa”. As cultivares Prata e Pacovan são responsáveis por aproximadamente 60% da área cultivada com banana no Brasil

 

 

9 - Propagação

 

 

As bananeiras são normalmente propagadas vegetativamente, por meio de mudas desenvolvidas a partir de gemas do seu caule subterrâneo ou rizoma. A escolha de mudas de boa qualidade é fundamental para o sucesso da implantação do bananal.

O ideal é que mudas, sejam oriundas de viveiros, que são áreas estabelecidas com a finalidade exclusiva de produção de material propagativo de boa qualidade. Os viveiros devem estar próximos à fonte de água e ao local de preparo do material de plantio. No caso da inexistência de viveiros, as mudas devem ser obtidas de bananal com plantas bem vigorosas e em ótimas condições fitossanitárias, cuja idade não seja superior a quatro anos e que não apresentem mistura de variedades e presença de plantas daninhas de difícil controle.

 

 

9.1 – Tipos de mudas

 

A – Chifrinho: são mudas com 20 a 30 cm de altura e que apresentam unicamente folhas lanceoladas.

B – Chifre: são mudas com 50 a 60 cm de altura e que também apresentam folhas lanceoladas.

C – Chifrão: é o tipo ideal de muda, com 60 a 150 cm de altura, já apresentando uma mistura de folhas lanceoladas com folhas características de planta adulta.

D – Adulta: são mudas com o rizoma bem desenvolvidos, em fase de diferenciação floral, e que apresentam folhas largas, porém ainda jovens.

E – Pedaço de rizoma: tipo de muda oriunda de frações de rizoma e que apresenta no mínimo uma gema bem intumescida e peso em torno de 800 gramas.

E – Rizoma com filho aderido: muda de grande peso que, devido ao filho aderido, exigem cuidados em seu manuseio, de forma a evitar danos nas mesmas.

F – Guarda-chuva: muda pequena com rizoma diminuto, mas com folhas típicas de plantas adultas. Devem ser evitadas, pois além de possuírem pouca reserva aumenta a duração do ciclo vegetativo.

 

 

9.2 – Métodos de propagação

 

O plantio de uma bananeira é, normalmente, feito por meio de uma muda extraída de alguma outra. A esse tipo de muda dá-se o nome de muda convencional, e o método é conhecido como via vegetativa ou in vivo.

A multiplicação das mudas convencionais podem ser feitas em viveiros, ou por um processo mais rápido, a partir do desenvolvimento do meristema das gemas apicais e laterais de brotação. Este método denominado “tupiniquim”, pode ser feito em condições de estufa. Nele, não há um perfeito controle da assepsia.

A multiplicação dos meristemas das gemas ou de outras partes (tecidos) da bananeira também pode ser feita em laboratório de biotecnologia (método in vitro), onde a assepsia tem que ser absoluta.

A partir de um rizoma com 3 a 5 kg, após 80 a 100 dias, obtém-se cerca de 40 a 60 mudas em condições de plantio definitivo. Na multiplicação in vitro, o tempo que se gasta para obter o primeiro lote de mudas é, em média, de 8 a 12 meses, porém a sua quantidade pode chegar a 2.000 a 3.000 mudas a partir de uma gema.

 

 

10 – Práticas culturais

 

As práticas culturais que se executam em um cultivo de banana ou de “plátano” são dirigidas tanto para a planta quanto para o meio no qual ela se desenvolve, sendo as mais importantes: capina, controle cultural, desbaste, desfolha, escoramento, ensacamento do cacho e corte do pseudocaule após a colheita. Dessas práticas culturais é que esta o êxito da exploração agrícola, contudo, observa-se uma freqüente negligência dos produtores quanto á realização adequada das práticas culturais, mesmos as mais simples, como capina, desbaste e desfolha.

10.1 – Capina

 

A eliminação das ervas daninhas precisa ser feita de forma muito enérgica, pois as bananeiras devem crescer e produzir, sem a concorrência de mato algum. Sua presença é indesejável, não só por serem sócias nos fertilizantes e da água superficial do solo, como por serem eventuais hospedeiras de pragas e moléstias (principalmente os vírus), que podem causar prejuízos às bananeiras. A presença de mato atrasa o desenvolvimento do bananal, diminui o vigor das plantas, reduz o tamanho do cacho, dificulta os tratamentos fitossanitários e as adubações e ainda o deslocamento dos operários durante a colheita. A virose mosaico do pepino, CMV por exemplo, tem como plantas suas hospedeiras, já catalogadas, mais de 850, que incluem muitas de interesse econômico e plantas daninhas que podem perfeitamente transmiti-la para as bananeiras.

O combate às ervas daninhas pode ser feito por via mecânica (máquinas e ferramentas), químicas (herbicidas) ou “mulching” (cobertura morta).

 

 

10.2 – Desfolha

 

A desfolha também conhecida como eliminação de folhas ou limpeza de folhas é uma operação que deve ser feita periodicamente nas bananeiras.

A desfolha é importante por:

a) permitir, nos bananais em formação, uma melhor movimentação do trator com enxada rotativa junto a planta;

b) acelerar o desenvolvimento dos filhos;

c) facilitar as adubações, o desbaste, o combate aos nematóides e a broca-das-bananeiras;

d) possibilitar um melhor arejamento interno do bananal;

e) eliminar os amontoados de folhas secas caídas junto aos pés das bananeiras, onde as cobras e as formigas costumam se aninhar;

f) evitar que as folhas fiquem produzindo injúrias nas inflorescências ou nos cachos e facilitar o ensacamento das inflorescências;

g) possibilitar maior rapidez na colheita;

h) acelerar a decomposição das folhas e dos fungos que estiveram parasitando-as.

Esta operação é feita com o penado, o facão, a foice bifurcada ou o camar.

A desfolha deve ser feita com muito critério, retirando-se somente as folhas cujas bainhas estejam começando a desencapar o pseudocaule, aquelas que estejam caídas, as com seu pecíolo quebrado junto ao pseudocaule, aquelas secas completamente ou apenas com mais de 50% dela.

As folhas que estejam em posição normal, porém estando parcialmente secas por falta d”água, de nutrientes ou devido à sigatoka-amarela ou negra, mas se estiverem ainda com 30 a 40% de área verde, pode-se recomendar que se elimine apenas a parte necrosada. Isto será feito mais por uma questão de estética. Apenas no caso da sigatoka-negra a eliminação dessa parte é válida.

Nos bananais já formados, a desfolha deve ser feita de preferência precedendo o desbaste e as adubações, durante os meses de agosto (após o inverno), dezembro (durante as chuvas) e abril (antes do inverno). Nas regiões onde não há verão e inverno bem definidos, deve-se fazer a desfolha três vezes ao ano, em épocas a ser determinada pelo aspecto do bananal.

 

10.3 – Desbaste

 

O desbaste consiste em se matar ou extirpar a gema apical de crescimento de um rebento (“filho” ou “neto”) para se impedir que ele cresça e venha a formar uma nova bananeira. Caso isto não seja feito, ter-se-á realizado apenas uma poda no rebento, que fatalmente irá rebrotar. Todos os rebentos desbastados são considerados supérfluos.

O desbaste favorece o maior e mais rápido desenvolvimento do rebento deixado, o qual será o responsável pela produção da próxima safra (se for um “filho”) ou então o que produzirá a safra seguinte (se for um “neto”).

Trabalhos feitos para se estudar a condução de um bananal, demonstraram que em cada cova deve-se deixar desenvolver apenas uma “família” (“mãe”, “filho”, “neto”, “bisneto”, etc.), para se obter a maior precocidade na produção. Este sistema de condução evita a formação de um amontoado de rizomas que acabariam se tornando uma “touceira”.

Havendo apenas uma única “família” por cova, evita-se o rápido esgotamento da água e dos fertilizantes do solo nesse local, como acontece no caso de uma “touceira”. Além disso, na “touceira”, há condições mais favoráveis para o abrigo e o desenvolvimento da broca-das-bananeiras.

Há duas formas mecânicas de se realizar a operação de desbaste: a primeira é feita somente com o facão ou o penado e a segunda, com a complementação da “lurdinha”.

O desbaste também pode ser feito por meio de herbicidas.

No desbaste mecânico feito com o facão ou o penado, inicialmente corta-se horizontalmente, bem próximo do solo o pseudocaule dos “filhos” a serem eliminados. Desta forma ficará apenas aquele “filho” (ou “neto”) que irá futuramente substituir a “mãe”. Posto isto, recorta-se em profundidade, com a ponta da ferramenta, a superfície cortada de cada um dos rebentos a ser eliminado, a fim de se tentar atingir a sua gema apical de crescimento para causar sua destruição. Entretanto, dada a localização dessa gema, atingí-la é problemático e nem sempre se consegue executar essa operação a contento, pois, principalmente nos bananais novos, ela se encontra a 15, 20 ou mais cm de profundidade. Se a ponta da ferramenta não a atingir, o rebento voltará a crescer novamente.

A metodologia de se desbastar com a “lurdinha” começa com o corte horizontal do pseudocaule dos rebentos a serem eliminados, corte esse que deve ser feito com o facão ou com o penado, cerca de 5 a 8 cm do solo. A poda assim feita evita que se danifique o corte da ferramenta quando, acidentalmente, ela entra em contato com o solo, como normalmente acontece no método anterior. Posto isto, se introduz a “lurdinha” tendo como alvo a parte mais central das bainhas do rebento. Ela deve ficar em posição quase vertical, isto é, com uma inclinação cerca de 5º para longe da bananeira. Ao se sentir que a sua penetração ficou mais difícil, é indicação que se atingiu o rizoma, onde está a gema apical de crescimento e que, por isso, não é necessário que ela seja introduzida mais profundamente. Em seguida, se inclina a ferramenta para longe da planta, até atingir uma posição de 45º com a vertical. Este movimento provoca o quebramento do rizoma próximo de seu colo. Retirando-se a ferramenta de dentro do rebento que está sendo desbastado, sai no seu interior um pequeno tarugo de pseudocaule (± 10 cm) e de rizoma (± 2 cm), que contém no seu colo, na sua parte mais central, a gema apical de crescimento. Posto isto, está completa a operação de desbaste.

No desbaste químico foi usado, inicialmente, o herbicida 2,4-D sem que se obtivesse resultados satisfatórios, por ele ter um amplo espectro de ação. Em trabalhos feitos com o picloran, aplicado com palitos de pinho, mergulhados numa solução a 1%, durante 24 horas, para que absorvessem 0,004 ml do produto, forneceram várias informações quanto a sua viabilidade. Não se tem, contudo, ainda uma metodologia conclusiva no que diz respeito a sua melhor concentração, ao número de palitos por pseudocaule, suas dimensões e local de suas aplicações, pois os resultados apresentaram variação em função do cultivar e do tamanho do “filho” a ser eliminado. A importância do desbaste químico é maior no caso dos cultivares suscetíveis ao mal-do-panamá, como o “Maçã”, uma vez que a ferramenta utilizada pode tornar-se um agente de disseminação dessa moléstia.

 

 

10.4 - Despistilagem

 

A despistilagem é a eliminação dos pistilos, que são os restos florais que ficam secos (pretos ou acinzentados) nas pontas das bananas, quando elas já estão desenvolvidas.

Esta prática possibilita que as bananas fiquem com sua extremidade distal mais cheia, principalmente nos cultivares do subgrupo Cavendish e em especial os do subgrupo Prata, que reduzem muito, com isto, o aspecto tão acentuado de gargalo de garrafa. Para que esta modificação ocorra no fruto, é necessário que a despistilagem seja feita quando o pistilo estiver começando a secar ou seja, por volta da segunda semana do aparecimento da inflorescência.

 

 

10.5 - Eliminação de pencas e da falsa penca

 

A última penca do cacho é, em geral, defeituosa e formada por bananas muito curtas ou até mesmo por bananas femininas e masculinas e por isso são descartadas durante a embalagem em caixas. A sua eliminação é uma técnica de manejo do cacho que, para ser adotada necessita de uma ponderação, onde se leva em conta as exigências dos mercados compradores. Se a comercialização é feita em cachos, como ainda ocorre em algumas cidades brasileiras e até recentemente no mercado uruguaio, esta é uma prática que não justifica ser feita. Entretanto, nas comercializações feitas em caixas, onde as bananas devem ser melhor apresentadas, isto é válido e muito mais ainda, quando as pencas são transformadas em buquês.

As múltiplas pesquisas feitas sobre este assunto indicam que ao se eliminar todas as bananas em flor, da última penca da inflorescência, exceto uma, faz-se com que as bananas das demais outras pencas tenham pequeno aumento de tamanho e engordamento mais rápido.

 

 

10.6 - Eliminação do “coração”

 

A eliminação do “coração” (botão floral de flores masculinas) que, no Nordeste brasileiro é chamado de “mangará”, é, para a fisiologia da bananeira, o mesmo que se dar a ela uma ordem para que, a partir desse momento, ela cuide apenas de promover o desenvolvimento do cacho, pois a sua fase produtiva já acabou.

A retirada do coração acelerando o processo de desenvolvimento ou “engordamento” das bananas, abrevia o tempo de colheita. Esta eliminação aumenta um pouco o comprimento das bananas das últimas pencas e ainda se consegue um ganho de peso do cacho. Esse ganho é real, porém esse índice da porcentagem de ganho, relatada pelos diversos autores, é variável, os quais dizem ter encontrado de 3 a 5% e até mais. Para que se obtenha esse ganho, o quebramento do coração tem que ser feito quando o cacho ainda estiver em flor.

A eliminação do coração deve ser feita por meio do quebramento do rabo-do-cacho bem junto a ele, por volta do 15° ao 20° dia, após a abertura da última penca de flores, ocasião em que elas se voltam para o alto, indicando que estão se transformando em bananas. Nessa ocasião, o rabo do cacho já estará com comprimento entre 10 a 12 cm. Ele é quebrado com esse comprimento (leia-se tempo), para que a eliminação do coração ainda possa ter uma boa influência, nos citados benefícios para o cacho.

 

 

10.7 - Ensacamento dos cachos

 

Este título não corresponde a realidade do que se faz propriamente, pois esta operação consiste em se vestir um tubo de polietileno na inflorescência em desenvolvimento. Seu comprimento deve ser condizente com o vigor da bananeira, pois não se pode determinar de outra forma qual será o tamanho do cacho, que está nascendo, salvo se esta operação estiver sendo feita depois da despistilagem. No início da implantação dessa prática, ela foi feita com sacos, mas em pouco tempo foi abandonada. Ele formava uma câmara super úmida e quente, condições ideais para os fungos, como a fumagina (Capnodium spp.), se desenvolvessem, quando não acabava ficando com água no seu fundo, o que era muito pior.

Na América Central, a aplicação do tubo, saco ou bolsa (que são termos comumente empregados) somente começou a ser usado após ao início do plantio (princípio da década de 60) dos cultivares do subgrupo Cavendish.

A principal justificativa para isso, foi a necessidade de se proteger os cachos contra os atritos nas cascas das bananas. O cultivar Gros Michel que fora muito plantado anteriormente, tem sua casca muito mais resistente aos atritos e também aos impactos do que os cultivares do subgrupo Cavendish. O saco tem ainda a finalidade de proteger a fruta dos ataques de predadores, trips, fungos e até mesmo das visitas de insetos como a mariposa da traça-das-bananeiras ou de irapuás (transmissores da bactéria do moko). Ele também reduz o ataque das lesmas, dos pássaros e dos morcegos, principalmente durante o inverno, quando há falta de alimentos para esses animais, que chegam a se alimentar de bananas ainda bem verdes. Além disso, o ensacamento também evita que as cobras venham a se aninhar nos cachos.

Além dessas proteções físicas contra danos de parasitos, animais, morcegos, e ainda os mecânicos, como as chuvas de pedras e o atrito causado pelo roçar das folhas, o embolsamento também pode ser usado, nas regiões onde há ocorrência de baixas temperaturas, com a finalidade de manter o cacho um pouco agasalhado.

O embolsamento feito com polietileno de cor mais escura, tendendo para preto dá ao cacho uma maior proteção contra o frio, porém provoca o aparecimento de bananas com uma coloração verde apagado.

Várias pesquisas feitas evidenciaram que, o uso de sacos de coloração azulada e semi-opacos são os mais indicados nos bananais com densidade de l.500 a 2.500 famílias/ha, quando cultivados em regiões com insolação de l.000 a 2.000 lux (horas de luz/ano queimada no heliógrafo). Se a densidade é menor e ou a insolação é maior, a tonalidade do saco deve ser mais forte para evitar queimamentos. Porém, se as condições são inversas, ela deve ser mais suave, podendo-se até mesmo ser usado sacos incolores.

A época de se realizar o embolsamento depende dos objetivos a que se propõe. Se a finalidade é proteger a fruta contra ataques da traça-das-bananeiras por exemplo, o embolsamento deve ser feito quando o botão floral emerge de dentro da planta e ainda não abriu a bráctea da primeira penca; se ela tem a finalidade de apenas evitar atritos, ganhar aumento de peso ou mesmo melhorar sua aparência, pode ser feita logo depois da despistilagem; se é para proteger a fruta de baixas temperaturas deve ser feita apenas no período de abril a setembro, tão logo as primeiras brácteas comecem a se soltar; se a finalidade é encurtar o tempo de colheita, o embolsamento deve ser feito como se fora para proteger a fruta contra a traça-das-bananeiras; se já houve uma queda de granizo e a planta ficou com poucas folhas, deve-se cobrir o cacho com jornal e em seguida aplicar-se o saco. São múltiplas as situações para se determinar quando fazer o embolsamento.

 

 

10 .8 - Limpeza do cacho

 

Após a despistilagem e o embolsamento do cacho deve-se, periodicamente, a cada 30 dias, fazer-se uma inspeção nele para verificar se, por acaso, aconteceu de alguma folha estar caída sobre o mesmo.

Nos bananais onde não se faz o ensacamento dos cachos, ao se quebrar os corações deve-se retirar também as brácteas que estejam entre as pencas. A cada duas semanas faz-se uma inspeção no bananal e todas as folhas que estiverem entre as pencas ou simplesmente roçando no cacho, precisam ser cortadas parcial ou inteiramente, para se evitar que isto aconteça.

 

 

10.9 - Escoramento da bananeira

 

Basicamente o escoramento da bananeira é feito para se reduzir as perdas por tombamento. Ele é necessário, principalmente em regiões onde há ventos fortes, porém, se houver um quebra-vento bem planificado e um bom controle dos nematóides, ele poderá até mesmo ser dispensado.

Há outros fatores que podem determinar a sua realização, como por exemplo, quando se tem bananais velhos ou quando eles são cultivados em condições adversas as suas exigências edafofitossanitárias ou seja, quando eles estão muito atacados por nematóides, pela broca-das-bananeiras ou ainda se houver drenagem deficiente, falta de nutrientes que impeçam o bom desenvolvimento do seu sistema radicular ou quando não se fez o desbaste de forma bem criteriosa.

O escoramento das bananeiras deve ser feito de forma preventiva, logo após a planta ter formado seu cacho, porém antes do ensacamento. Entretanto, se o bananal estiver com os rizomas muito aflorados ou seu sistema radicular anormal, poderá ser necessário fazer-se o escoramento, antes mesmo da emissão da inflorescência.  

Basicamente, o escoramento pode ser feito colocando-se escoras como varas de bambu (Bambusa spp.), ubá (Elettatria cadamamomum) , madeira serrada, conduite de ferro com meia polegada ou ainda amarrando-se um cordel de fibras vegetais, náilon, polietileno, plásticos, etc. na roseta foliar de uma planta com cacho e a outra extremidade na base do pseudocaule de uma outra planta próxima ou a um pontalete fixo no terreno.

Pode-se usar uma ou duas varas no escoramento das bananeiras, sendo o mais recomendável e usual‚ o emprego de duas. Somente por motivo de economia de material e também de mão-de-obra é que se usa apenas uma. Isto pode ser válido nos plantios feitos em várzeas com alta densidade, desde que a região não seja sujeita a ventos fortes, o que é bastante difícil de existir.

Convém lembrar que a melhor solução para o escoramento das bananeiras é cuidar corretamente da sanidade do seu sistema radicular e com isto não ser preciso fazer-se nada. Um bananal saudável dispensa qualquer tipo de escoramento

 

10.10 - Corte do pseudocaule

 

Por ocasião da colheita, os pseudocaules serão cortados para a retirada do cacho. Trabalhos feitos para se determinar o comprimento do pseudocaule a ser deixado, após a colheita, permitem concluir que quanto mais longo ele for, mais rapidamente o “filho” se desenvolverá. Concluíram-se também que, praticamente, essa influência quase cessa, por completo, de 50 a 60 dias após a colheita. Baseando-se nessas pesquisas é válido recomendar que o pseudocaule, a ser deixado por ocasião da colheita, deverá ter o maior comprimento possível e que a partir do 60° dia, ele poderá ser totalmente eliminado, uma vez que as translocações de seiva da “mãe” para “filho” já se processaram e, portanto, ela em nada mais irá contribuir para o seu desenvolvimento. Desta forma, os nematicidas, fungicidas e fertilizantes aplicados no interior do pseudocaule da “mãe”, logo após a colheita, também já tiveram tempo suficiente para se translocarem para o “filho” e o “neto”.

Fazendo-se a eliminação total do pseudocaule, nessa ocasião (após ao 60o dia), o rendimento de serviço é maior e ele será mais rapidamente transformado em matéria orgânica, para benefício de todo o bananal.

Na execução desta operação, é boa prática abrir-se o pseudocaule no seu comprimento, em duas partes, de cima para baixo, com uma roçadeira, foice ou penado. Posto isto ele será retalhado em toletes com 50 a 60 cm, até chegar ao rizoma. Fazendo-se estes seccionamentos no pseudacule, estando ele ainda em pé, evita-se ocasionais acidentes com os operários e é mais fácil de fazê-lo.

11 - Colheita

 

A colheita é a última prática agrícola do cultivo das bananeiras e é uma operação básica e da mais alta importância, independentemente do destino que se pretenda dar à fruta.

Tem sido mencionado que as bananas brasileiras são, perfeitamente, comparáveis com aquelas produzidas pelos líderes da comercialização mundial dessa fruta, mas somente enquanto ela está na planta. Logo, já na colheita, devido à má qualidade dos serviços executados, inicia-se a destruição de todo o esforço feito até então pelo homem e a natureza, durante o período de produção.

A tendência do mercado consumidor brasileiro e mundial é tornar-se cada vez mais exigente na qualidade de todas as frutas, pois é, principalmente, pela boa aparência que se consegue boa comercialização.

Têm-se verificado que as grandes empresas brasileiras e as internacionais vêm se aperfeiçoando, dia a dia, nas técnicas de cultivo. Porém, é preciso ressaltar a especial atenção que elas tem dado ao cacho, já logo após a emergência da inflorescência e, particularmente, na colheita, visando sempre evitar o aparecimento de injúrias de qualquer natureza nos frutos.

O cacho de banana, normalmente, é colhido quando as frutas atingem o desenvolvimento conveniente para o mercado a que se destina e de acordo com a embalagem que vai ser usada.

Múltiplos fatores ligados à ecologia e à planta impedem que se generalize a informação de quanto tempo o cacho leva para chegar ao ponto de colheita, a partir da data do nascimento da inflorescência. Na primeira colheita, esse período é o mais curto. O avanço da idade do bananal é um dos fatores de alongamento desse período. Pode-se dizer, contudo, que esse período varia entre 80 a 150 dias, para as condições climáticas do Estado de São Paulo, que tem o verão e o inverno bem definidos.

A padronização do tipo do cacho é feita entre nós usando um calibrador, em geral, confeccionado em chapa de aço inoxidável ou em alumínio, em forma da letra U. A abertura é expressa em milímetros, sendo que os modelos variam, em geral, de 30 a 38 mm.

 

 

12 – Processamento e utilização da banana

 

A banana tem sido tradicionalmente consumida como fruta fresca em mesas das mais diferentes classes sociais, quer como sobremesa ou mesmo como complemento da alimentação.

O tanino que ela possui quando ainda verde, possibilita seu uso sem restrições, como controlador das diarréias em crianças ou adultos, principalmente quando se utiliza o cultivar Maçã, quando ainda “verdolengas”.

No meio rural, a cica da banana tem sido aplicada como anti-séptico, nos ferimentos feitos a faca, dada a sua capacidade de estancar hemorragias.

Na farmacologia caseira, seu uso é citado constantemente como auxiliar no tratamento das vias respiratórias, principalmente contra asma, tuberculose, pneumonia e também, hepatite.

A banana permite a elaboração de alguns produtos industrializados ou na culinária doméstica, tais como:

a - purê - concentrado de polpa de banana, que pode ser apresentado para consumo sob as formas congelada, acidificada ou enlatada assepticamente;

b - flocos de banana verde (banana ships);

c - banana em pó liofilizada;

d - banana desidratada (passa);

e - bananada;

f - banana em calda;

g - geléias;

h - bananas com merengue;

i - suflê de banana;

j - bolo de banana;

k - torta de banana;

l - sorvete de banana ao rum.

As bananas do subgrupo Prata não têm sido utilizadas para a produção de banana desidratada e também para o purê devido seu elevado teor de água. Entretanto, a banana “Branca” é muito usada junto com as do subgrupo Cavendish, para melhorar a textura e também o ponto de corte das bananadas.

Da bananeira, dos restos do cacho e da casca da banana podem ser obtidos os seguintes produtos:

a - “palmito” em salmoura;

b - torta doce de casca de banana;

c - torta doce de engaço;

d - torta doce do “coração”.

Os restos das bananas e dos cachos descartados têm sido usados na alimentação de bovinos, eqüinos, suínos, etc., com excelentes resultados.

Em algumas regiões do Nordeste, as folhas mais velhas das bananeiras, porém, ainda vivas, são cortadas e dadas aos animais.

Os restos de pseudocaule, ainda verdes, têm sido usados como cama, para produção de esterco animal ou ainda, como complemento de ração para os ruminantes.

 

13 – Nutrição da bananeira

 

13.1 - Avaliação visual sintética das deficiências e dos excessos de nutrientes, em condições de campo:

 

- N

*            vela encaixada na nervura principal da folha I.

*            folha nova sem pecíolo.

*            pecíolo de folha nova c/ bordo róseo.

*            pecíolo de folha velha c/ bordo fendilhado, fino, longo e s/ cera.

*            folhas s/ cera, s/ brilho, cor verde-amarelado pálido c/ secamento precoce.

*            roseta compacta, bainhas secas, poucas folhas e quase eretas.

*            cacho pequeno em tudo c/ brácteas róseo-pálido.

*            planta pequena em tudo.

*            poucos “filhos” c/ folhas pequenas abrindo precocemente.

 

+ N

*            folha verde escura c/ muita cera.

*            pecíolo grosso, longo c/ bastante cera e s/ manchas ou secamento.

*            bainhas se soltando c/ folhas vivas.

*            roseta longa, frouxa e harmoniosa.

*            cacho grande em tudo c/ brácteas bem rósea.

*            planta grande em tudo.

*            muitos “filhos” c/ folhas longas e lanceoladas.

 

- P

*            folhas levemente bronzeadas c/ necrose iniciando na nervura de bordo, c/ cor palha de milho, c/ estreita moldura preta contornada por outra igual c/ cor amarelo vivo.

*            pecíolo verde limão.

*            roseta da “mãe” e “filho” c/ menor ângulo foliar.

*            folhas envassouradas.

 

+ P

*            folhas c/ verde escuro, pseudocaule intensamente pigmentado (subgrupo Cavendish) ou verde claro intenso (subgrupo Prata).

*            todos os frutos curvos em ½ lua principalmente quando novos (subgrupo Prata).

 

- K

*            pecíolo tendo na base cor violácea que acaba invadindo a nervura principal.

*            folhas mais velhas amarelo-canário c/ necrose negra na ponta, havendo enrolamento da nervura principal p/ baixo, ao contrário da folha de samambaia.

*            salpicamento de ferrugem por baixo da folha, começando junto da nervura principal.

*            folha c/ pecíolo quebrado no seu 1° terço.

*            todos os sintomas se agravam quando o cacho está engordando.

 

+ K

*            ausência de folha senil.

*            folhas verde-bronzeado e coriácea.

*            engaço e rabo longo e grosso.

*            cicatrizes proeminentes.

 

- Ca

*            áreas da vela ou do cartucho c/ tecido fino e queimado pelo sol.

*            folha coriácea, s/ brilho, ásperas e c/ ápice guilhotinado.

*            folha depois da posição III c/ lóbulos ondulados.

*            folhas velhas c/ desverdecimento geral sendo um pouco mais acentuado nos bordos e c/ nervuras secundárias intumescidas junto à principal que se desintumesce gradativamente p/ a de bordo, s/ contudo chegar nela.

*            folhas velhas c/ manchas esparsas necróticas pardo-avermelhada-escuras ± circulares c/ moldura negra ou com triângulo necrótico negro c/ base pequena e c/ amarelo esmaecendo dela para a nervura principal, ou c/ necrose preta em faixas c/ moldura negra ligando a nervura principal c/ a de bordo.

*            lóbulos foliares parcial e irregularmente atrofiados a partir da nervura de bordo s/ brilho e levemente desverdecido.

*            os sintomas se acentuam quando há inundações.

 

+ Ca

*            pouco freqüente e s/ sintomas típicos.

 

- Mg

*            folhas novas e velhas s/ brilho e ásperas.

*            folhas velhas c/ faixa desverdecida em degradê, ao longo dos dois semibordos, avançando p/ a nervura principal.

*            folhas mais velhas c/ apenas uma faixa central verde.

*            roseta foliar estrangulada e prensada verticalmente, abrindo em leque.

*            bainhas e pecíolos c/ epiderme desidratada e c/ pequenos fendilhamentos no seu comprimento.

*            bananas maduras separando os três lóculos facilmente.

*            rabo e coração fino e desidratado c/ secamento prematuro.

 

+ Mg

*            pouco freqüente e s/ sintomas típicos.

 

- Mg e - Ca (Azul-da-bananeira)

*            todos os sintomas de - Mg.

*            pecíolos c/ manchas roxeadas na sua base que se ampliam e se tornam violáceas e depois arroxeadas até atingir a nervura principal.

*            roseta compacta quase em leque.

*            lóbulos secos das folhas velhas de plantas c/ cacho tendo apenas a nervura principal arroxeada.

*            pseudocaule violáceo e brilhante.

*            rabo do cacho igual rabo de gato velho.

*            mais freqüente no subgrupo Cavendish.

 

- S

*            folha recém aberta c/ amarelo pálido brilhante.

*            desaparecimento de nervuras secundárias alternadamente.

*            redução do espaço entre nervuras secundárias.

*            nervuras secundárias espessas e enrugadas em quase toda sua extensão.

*            lóbulos parcialmente atrofiados a partir da nervura de bordo c/ brilho intenso e verde-dourado.

*            ápice da folha terminando guilhotinado

 

+ S

*            não ocorre em condições de campo.

 

- Zn

*            cor rósea do verso da folha nova desaparece logo.

*            lóbulos da folha nova zebrada em verde e amarelada.

*            igual sintoma na vela ou no cartucho.

*            planta adulta c/ folha nova amarela-esverdeada c/ verso da nervura principal rósea.

*            folha verde c/ bordos c/ necrose preta irregular, c/ moldura amarela degradê, c/ pecíolo quebrado ou não junto ao pseudocaule.

*            pecíolos curtos c/ ou s/ riscos longitudinais escuros e necrosados.

*            pseudocaule da “mãe” e “filho” fortemente desidrato e fino c/ roseta envassourada e compacta c/ folhas eretas, principalmente nos “filhos”.

*            “mãe” c/ formação de bolsa de líquido abaixo da gema apical.  

*            bananas curtas c/ pontas como gargalo de garrafa, principalmente no cultivar Prata.

 

+ Zn

*            não foi observado no campo.

 

- B

*            vela recurvada ou frouxa c/ aparência de amassada.

*            folha c/ ponta guilhotinada e ápice fendilhado.

*            nervuras terciárias visíveis por transparência c/ ou s/ epiderme rompida.

*            folha c/ vincos perpendiculares às nervuras secundárias formando quadrado.

*            vela seca e enrolada como folha de samambaia.

*            lóbulos foliares irregularmente atrofiados a partir da nervura de bordo c/ verde escuro e pouco brilho.

*            inflorescência em posição horizontal por mais tempo c/ eventuais quebra de engaço.

*            necrose ferruginosa e ou preta horizontal nas bainhas internas do pseudocaule.

 

+ B

*            no campo só c/ excesso de adubação, o que deixa a vela branca e as folhas amareladas c/ necroses pretas nos seus bordos, nas regiões medianas e do ápice.

*            folhas mais velhas c/ necrose negra em toda ela.

 

- Mn

*            folhas opacas c/ amarelecimento nas margens c/ estreita faixa verde junto a nervura de bordo.

*            nervura principal amarelada c/ pontuações negras (Deightoniella torulosa) e lóbulos levemente desverdecido.

*            nervura secundária amarelada c/ verde claro entre elas.

*            pontuações negras nas folhas e bananas verdes (Deightoniella torulosa).

                  *            sintomas mais intensos nos “filhos”.

+ Mn

*            planta toda com verde opaco semelhante a - N.

*            nervuras de bordo realçadas c/ faixa amarelo pálido em dente de serra.

*            folhas com faixa ferruginosa, salpicada de plaquetas douradas fosca, apenas nos 2 a 5 cm da nervura de bordo.

*            últimos 20 a 30 cm do ápice da folha velha c/ ferrugem.

*            folhas mais velhas c/ pecíolo quebrado junto ao pseudocaule.

*            folhas caídas acabam ficando c/ amarelo senil, impregnadas de ferrugem contendo salpiques de plaquetas douradas.

*            bananas curtas e magras despencando após a climatização, como se tivesse faltado oxigênio.

*            cachos finos, compridos c/ engaços longos e muito finos.

*            brácteas c/ intensas estrias verdes no seu comprimento.

 

- Cu

*            em condições de campo é raro.

 

+ Cu

*            pode ocorrer devido a aplicação de fungicidas que o contenham.

 

- Fe

*            folhas quase que só lanceoladas sendo, quando novas, branco amareladas c/ nervura principal verde acinzentado.

*            só ocorre em solos c/ pH maior que 7.

 

+ Fe

*            pouco freqüente e só em solos ácidos.

*            folha c/ estreita faixa necrosada negra no bordo.

*            folha velha c/ faixa semelhante a + Mn s/ plaquetas douradas.

*            esparsas estrias negras salpicando a parte não necrosada.

*            aparecimento de tênues nervuras secundárias paralelas às normais.

 

- Cl

*            não se tem notícias em condições de campo.

 

+ Cl

*            cloroses bem marginais que lembram início de + Mn.

*            planta pequena c/ clorose amarela generalizada.

*            ocorre mais facilmente perto do litoral.

 

- Na

*            não se têm notícias em condições de campo.

 

+ Na

*            folhas mais velhas c/ faixa amarela irregular no sub bordo, c/ 1 a 2 cm tendo no seu lado interno contorno parecido a dente de serra.

*            nervura de bordo necrosada.

*            a faixa amarelada fica necrosada em palha de milho até 30% do lóbulo.

*            folhas adultas do “filho” ainda c/ folha lanceolada c/ manchas lembrando as necroses de CMV ou excesso de Fe.

 

- P e Zn

*            folhas velhas c/ bordos verdes e c/ áreas amareladas na página superior, próximo da nervura principal, salpicadas de ferrugem, sendo mais intenso sobre as nervuras secundárias.

*            pecíolo verde limão por bloqueio de P e Zn devido à calagem recente.

 

 

14 – Bibliografia consultada

 

- A cultura da bananeira. Informe agropecuário. Belo Horizonte, v. 12, nº 133, janeiro de 1986.

- Alves, E. J. et al. Banana para exportação: aspectos técnicos da produção. Embrapa – SPI, 1995. 106 p. (Série publicações técnicas Frupex; 18).

- Alves, E. J. A cultura da banana: aspectos técnicos, socioeconômicos e agroindustriais. Editado por Alves, E. J. 2º ed., ver – Brasília: embrapa –SPI, 1999. 585 p.

- Castro, P. R. C.; Kluge, R. A. Ecofisiologia de fruteiras tropicais. São Paulo: Nobel, 1998.

- Manica, I. Fruticultura tropical 4: Banana. Porto Alegre: Cinco continente, 1997. 485 p. il.

- Medina, J. C et al. Banana: Cultura, matéria prima, processamento e aspectos econômicos. 2 ed. rev. e amp. – Campinas, ITAL, 1985. 302 p.

- Moreira, R. S. Banana - teoria e prática de cultivo. Fundação Cargill. São Paulo, 1999. 2ª ed.