CULTURA DO ABACAXIZEIRO

 

PEREIRA, P. C.

MELO. B.

 

SUMÁRIO

 

1.0 - Introdução

2.0 - Aspectos socioeconômicos

3.0 - Clima

4.0 - Solos

5.0 - Descrição Botânica

6.0 - Ciclo da planta

7.0 - Variedades

7.1 - Características Varietais

7.2 - Classificação em grupos

7.3 - Principais variedades

7.3.1 - Smooth Cayenne

7.3.2 - Singapore Spanish

7.3.3 - Queen

7.3.4 - Española Roja

7.3.5 - Pérola

7.3.6 - Perolera

8.0 -  Conceitos para instalação de viveiros

9.0 - Tipos de mudas e suas características.

9.1 - Coroa

9.2 - Filhote ou muda-de-cacho

9.3 - Rebentão.

9.4 - Filhote-rebentão

9.5 - Muda de seccionamento do caule

9.6 - Muda produzida in vitro

10.0 - Obtenção e Manejo de mudas convencionais

11.0 - Produção de mudas sadias em viveiros

12.0 - Produção de mudas em laboratórios.

13.0 - Biotecnologia na produção de mudas

14.0  - Preparo do solo

14.1 - Correção de acidez (calagem)

15.0 - Plantio

15.1 - Sistema de plantio e espaçamento.

15.2 - Época de plantio.

15.3 - Consorciação.

16.0 - Controle de plantas daninhas

17.0 - Concentração de nutrientes

17.1 - Funções dos nutrientes: sintomas de deficiência e excessos

18.0 - Calagem e adubação

19.0 - Adubação

19.1 - Adubação orgânica

19.2 - Adubação química

19.3 - Análise Foliar

19.4 - Modos de aplicação dos adubos.

20.1 - Florescimento natural

20.2 - Indução artificial do florescimento

20.2.1 - Hora da aplicação do produto

20.2.2 - Relação entre tamanho da planta e peso do fruto

20.2.3 - Escolha do produto para a indução do florescimento

20.2.4 - Principais indutores do florescimento

21.0 - Pragas

22.0 – Doenças

23.0 - Irrigação no abacaxizeiro

24.0 - Sistema de irrigação

24.1 - Irrigação por superfície ou por subsuperfície.

24.2 - Irrigação localizada:

24.3 - Irrigação por aspersão

25.0 - Colheita, acondicionamento e transporte

26.0 - Ponto de maturação:

27.0 - Uso do abacaxizeiro

28.0 – Indústrias implantadas na região do Triângulo Mineiro

29.0 - Principais países produtores

30.0 - MANEJO DA SOCA  

31. REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS

 

 

 

1.0 - Introdução

 

            Ainda não foi possível determinar com certeza a origem do abacaxi e sua domesticação, a qual acredita-se que iniciou-se na própria região de origem, ou próximo a ela. Estudos indicam ser o local de origem o Brasil Central e sul, norte da Argentina e Paraguai, ou seja, uma área limitada por 15o N e 30o S de latitude e 40o L e 60o W de longitude. Estudos em relação à distribuição do gênero Ananás, indicam que o seu local de origem é a região da Amazônia, por se encontrar nela o maior número de espécies consideradas válidas até o momento. Então, a região Norte do Brasil pode ser considerada um segundo centro de diversificação desse gênero.

            A expansão do gênero ananás no mundo, foi seguindo de perto a abertura de grandes vias marítimas pelos espanhóis e portugueses durante o século XVI. Os navegadores foram responsáveis por essa difusão, talvez por acaso, com o carregamento dos frutos para consumo a bordo durante as viagens e o abandono das coroas nos vários portos de desembarque da África e da Ásia, e que ali se prestam como primeiro material de multiplicação natural. Assinala-se, assim, a sua presença em Santa Helena, desde 1505; em Madagascar, em 1548. Na Ásia, a introdução teve lugar, ao que parece, lá pela Segunda metade do século XVI. Acredita-se que no final do século XVII, a planta já era conhecida na maioria das áreas tropicais do globo.

            Hoje, o abacaxi é um autêntico fruto-símbolo das regiões tropicais e subtropicais, cabendo-lhe, com muita justiça, pelo seu sabor e aroma ímpar, o título de Rei dos frutos.

 

2.0 - Aspectos socioeconômicos

 

            O continente asiático é, na atualidade, o principal produtor de abacaxi. Tailândia e China destacam-se como principais países produtores desse continente, produzindo 1.250.000 e 916.000 toneladas, respectivamente. Em seguida, vem o continente americano, com destaque para USA e Brasil, com uma produção média de 635.000 e 569.000 toneladas, respectivamente. E em terceiro lugar vem o continente africano, com destaque para a África do Sul e Costa do Marfim.

            O abacaxizeiro é, praticamente, cultivado em todos os estados brasileiros. Na década de 90, a abacaxicultura brasileira experimentou um crescimento expressivo, tanto na área plantada como no volume produzido, expandindo-se, também, em regiões que antes não se caracterizavam como grandes produtores, como é o caso da região Norte, onde se destacam os estados do Pará, Paraíba e São Paulo, que correspondem juntos por 60% da produção brasileira aproximadamente.

            Independentemente de sua importância econômica, a cultura do abacaxi merece destaque pela sua condição de atividade absorvedora de mão-de-obra no meio rural, contribuindo para a geração de empregos. Na abacaxicultura irrigada, assentada em bases tecnológicas melhor estabelecidas, tais perspectivas sociais tornam-se mais evidentes, na medida em que a irrigação pode viabilizar a sua expansão para áreas não tradicionais, ampliando sobre maneira as alternativas de ocupação de mão-de-obra, normalmente em regiões semi-áridas, onde são reduzidas as alternativas de trabalho. Esses aspectos positivos são sentidos nas indústrias de beneficiamento e transformação de produtos de abacaxi.

 

3.0 - Clima

 

O abacaxizeiro é uma planta de clima tropical, apresentando ótimo crescimento e melhor qualidade do fruto na faixa de temperatura de 22o C a 14o C. Temperaturas acima de 32o C reduzem o crescimento da planta e, quando coincidem com elevada insolação, podem causar queimas em frutos na fase de maturação final. Temperaturas abaixo de 20o C também afetam o crescimento da planta e, quando combinadas com período de dias mais curtos e/ou insolação mais baixa e nebulosidade mais alta, são propícias à ocorrência de florações naturais precoces das plantas, o que pode levar à perda de frutos e dificultar o manejo da cultura. A planta é seriamente prejudicada por geadas, mas suporta períodos com temperaturas reduzidas, porém, superiores a 0o C.

A planta é exigente em luz, desenvolvendo-se melhor em locais com alta incidência de radiação solar. A insolação anual ótima é de 2.500 a 3.000 horas, ou seja, 6,8 a 8,2 horas de brilho solar por dia (tempo de incidência direta da luz solar, isto é, sem encobrimento do sol por nuvens). Não tolera sombreamento, o que deve ser considerado na escolha de locais para o seu cultivo e no plantio consorciado com outras culturas.

Frutos de boa qualidade e bons rendimentos são obtidos quando a cultura é bem suprida com água. Chuvas de 1200 mm a 1.500 mm anuais, bem distribuídas, são adequadas para a cultura. Períodos de umidade relativa menor que 50%, podem causar fendilhamento e rachaduras em frutos durante a sua fase de maturação.

 

4.0 - Solos

 

Visto possuir um sistema radicular superficial, o abacaxizeiro é muito sensível ao encharcamento do solo, que pode prejudicar o seu crescimento e a sua produção. Portanto, boas condições de aeração e de drenagem do solo são requisitos básicos para o seu cultivo.

Além de comprometerem diretamente o desenvolvimento do abacaxizeiro, as condições de má drenagem também favorecem o apodrecimento de raízes e a morte de plantas, causados por fungos do gênero Phytophthora.

Os solos de textura média (15% a 35% de argila e mais de 15% de areia), sem impedimentos a uma livre drenagem do excesso de água, são os mais indicados para essa cultura. Os solos de textura arenosa (até 15% de argila e mais de 70% de areia), que não apresentam problemas de encharcamento, são também recomendados para a abacaxicultura, requerendo quase sempre a incorporação de resíduos vegetais e adubos orgânicos que melhorem as suas capacidades de retenção de água e de fornecimento de nutrientes. Essa cultura pode também se desenvolver bem em solos argilosos (mais de 35% de argila), desde que apresentem boa aeração e drenagem.

O abacaxizeiro é considerado uma planta bem adaptada aos solos ácidos, sendo a faixa de pH de 4,5 a 5,5, mais recomendada para o seu cultivo.

Os aspectos relativos às características edáficas e nutricionais na escolha da área devem ser considerados, além da localização da cultura próximo a centros consumidores industriais de processamento, disponibilidade e custo de mão-de-obra, as vias de acesso e a existência de fontes de água.

 

 

5.0 - Descrição Botânica

 

O abacaxizeiro (Ananas comosus L., Merril) é uma planta monocotiledônea, herbácea perene, da família Bromeliaceae, cujas espécies podem ser divididas, em relação a seus hábitos, em dois grupos distintos: as epífitas, que crescem sobre outras plantas, e as terrestres, que crescem no solo. Os abacaxis pertencem ao segundo grupo, mais precisamente aos gêneros Ananas e Pseudonanas.

Aproximadamente 50 gêneros e 2000 espécies de Bromeliaceae são conhecidos.

O abacaxizeiro compõe-se de um caule (talo) curto e grosso, ao redor do qual crescem as folhas. O sistema radicular é fasciculado, superficial e fibroso, encontrado em geral a 30 cm e, raras vezes a mais de 60 cm de profundidade. A planta adulta das variedades comerciais mede 1,00 m a 1,20 m de altura e 1,00 m a 1,50 m de diâmetro.

As folhas são classificadas, segundo seu formato e sua posição na planta, em A, B, C, D, E, F, da mais velha e externa para a maior e interna. A folha D é a mais importante do ponto de vista do manejo da cultura; sendo a mais jovem dentre as folhas adultas e metabolicamente, a mais ativa de todas é, por conseguinte, usada na análise do crescimento e do estudo nutricional da planta. Em geral, a folha D forma um ângulo de 45o entre o nível do solo e um eixo imaginário que passa pelo centro da planta, apresenta os bordos da parte inferior perpendiculares à base, e é fácil de ser destacada da planta.

No caule insere-se, também, o pedúnculo que sustenta a inflorescência e o fruto daí resultante. É um fruto composto ou múltiplo chamado sincarpo ou sorose, formado pela coalescência dos frutos individuais, do tipo baga, numa espiral sobre o eixo central que é a continuidade do pedúnculo. Compõe-se de 100 a 200 flores individuais arrumadas em espiral em volta de um eixo.

Os rebentos, ou mudas, desenvolvem-se a partir de gemas axilares localizadas no caule (rebentões) e no pedúnculo (filhotes).

 

6.0 - Ciclo da planta

 

O ciclo do abacaxizeiro é dividido em três fases: a primeira, a fase vegetativa ou de crescimento vegetativo (folhas), vai do plantio ao dia do tratamento de indução floral (TIF) ou da iniciação floral natural. Tem duração variável, mas corresponde ao período de 8 a 12 meses. A Segunda, a fase reprodutiva ou de formação do fruto, tem duração bastante estável para cada região, sendo 5 a 6 meses. O primeiro ciclo completo da cultura dura, portanto de 13 a 18 meses, nas regiões quentes do Brasil.

A terceira fase do ciclo denomina-se de propagativa, de formação de mudas (filhotes e rebentões), sobrepõe-se, parcialmente, à segunda fase. A fase propagativa tem duração variável de 4 a 10 meses para mudas do tipo filhote, cuja formação se inicia no período pré-floração, de 2 a 6 meses para mudas do tipo rebentão. Essas mudas dão origem ao segundo ciclo da planta, chamado de soca que também passa por três fases. A primeira é mais curta (6 a 7 meses) que no primeiro ciclo, determinando um segundo ciclo com duração total de apenas 11 a 13 meses. Caso seja permitido o desenvolvimento de rebentão da soca, a planta poderá passar por um terceiro ciclo ou Segunda soca e, assim sucessivamente, mostrando que o abacaxizeiro é, sob o aspecto botânico, uma planta perene. No entanto, do ponto de vista comercial, exploram-se no Brasil, via de regra, apenas um a dois ciclos da cultura.

 

7.0 - Variedades

Todas as variedades de abacaxis de interesse da fruticultura pertencem à espécie Ananas comosus (L) Merril. Mais recentemente, alguns clones de Ananas lucides, Ananas ananassoides e Ananas bracteatus estão sendo cultivadas para produção de fibra ou com fins ornamentais.

Na escolha de uma variedade de abacaxis, deve-se considerar a adaptação ao local de plantio às exigências do mercado, a disponibilidade e a qualidade da muda.

 

7.1 - Características Varietais

As principais características desejadas em uma variedade de abacaxi são: crescimento rápido; folhas curtas, largas e sem espinhos; produção precoce de rebentões localizados na base da planta próxima ao solo; produção de filhotes situados a mais de dois centímetros da base do fruto; fruto de casca de cor amarelo-alaranjada, olhos planos, polpa amarela, firme mas não fibrosa, teor de açúcar elevado, acidez moderada; coroa média a pequena. Associadas a essas características procuram-se ainda variedades que proporcionem altos rendimentos e que sejam, resistentes e ou tolerantes às principais pragas e doenças que ocorrem nos locais de plantio.

 

7.2 - Classificação em grupos

As variedades de abacaxis mais conhecidas no mundo foram classificadas em cinco grupos distintos: Cayenne, Spanish, Queen, Pernambuco e Perolera (Mordilona), de acordo com um conjunto de características comuns, relativos ao porte da planta, forma do fruto e características morfológicas das folhas.

Seria mais conveniente a utilização da terminologia clássica usada em fruteiras de propagação vegetativa, formada pelo nome da variedade acompanhando essa o nome ou código do clone, como por exemplo, Cayenne Champaka, Queen Mc Gregor, Pérola Jupi.

 

7.3 - Principais variedades

A produção comercial de abacaxi é baseada nas variedades Smooth Cayenne, Pérola, Queen, Singapore, Spanish, Española Roja e Perolera. Contudo, estima-se que cerca de 70% da produção mundial de abacaxi provém de Smooth Cayenne.

 

7.3.1 - Smooth Cayenne:

Conhecida vulgarmente como abacaxi havaiano, é a variedade mais plantada no mundo. É considerada, atualmente, a rainha das variedades de abacaxi, porque possui muitas características favoráveis. É uma planta robusta, de porte semi-ereto, cujas folhas não apresentam espinhos, a não ser alguns encontrados na extremidade apical da borda da folha. O fruto é atraente, ligeiramente cilíndrico, pesa de 1,5 kg a 2,5 kg, apresentando casca de cor amarelo-alaranjada quando madura, polpa amarela, rico em açúcar (13o Brix a 19o Brix) e de acidez maior do que as outras variedades. Essas características a tornam adequada apara a industrialização e a exportação como fruta fresca. A coroa é relativamente pequena e a planta produz poucas mudas do tipo filhote. Em condições de clima úmido e quente, produz fruto frágil para transporte e processamento industrial. É bastante suscetível à murcha associada à cochonilha e à fusariose.

 

7.3.2 - Singapore Spanish

É a Segunda variedade em importância para a industrialização, sendo amplamente cultivada na Malásia, porque é adaptada aos solos tufosos desse e de outros países do sul da Ásia.

A planta apresenta porte médio, com folhas verde-escuras cujo comprimento varia de 35 cm a 70 cm. A espinescência é variável, ocorrendo clones completamente sem espinhos e outros com poucos espinhos nas extremidades das bordas das folhas. O fruto é pequeno, pesando de 1,0 kg a 1,5 Kg, cilíndrico, com baixo teor de açúcar (10o Brix – 12o Brix) e baixa acidez. É freqüente a ocorrência de coroa múltipla. Apresenta algumas resistências a pragas e doenças.

 

7.3.3 - Queen

Variedade amplamente cultivada na África do Sul e na Austrália. A planta é pequena, com 60cm a 80 cm de altura, vigorosa, com folhas prateadas, pequenas e com ocorrência de espinhos densos. Produz grande número de rebentões, porém, a quantidade de filhotes e variável e são pouco desenvolvidos. O fruto é pequeno (0,5 Kg a 1,0 Kg) com casca amarela, olhos pequenos e proeminentes. A polpa é amarela e doce (14o Brix a 16o Brix), pouco ácida, de longo tempo de vida pós-colheita e excelente sabor. Tem potencial para ser explorada no Brasil, em razão de apresentar algumas características semelhantes à variedade Pérola.

 

7.3.4 - Española Roja

Conhecida também como Red Spanish, suas plantas são de tamanho médio, vigorosas, com folhas verde-escuras, espinhos pequenos e curtos, podem ser espinhosas ou parcialmente espinhosas. Fruto de tamanho médio (1,2 Kg a 2,0 Kg) em forma de barril, polpa branca ou amarelo-pálida, sucosa, de sabor adocicado (sólidos solúveis totais em torno de 12o Brix) e baixa acidez, com agradável aroma. Produz normalmente poucos filhotes e rebentões.

 

7.3.5 - Pérola

Cultivada amplamente no Brasil, é também conhecida como Pernambuco ou Branco de Pernambuco. A planta possui porte médio e crescimento ereto, é vigoroso, com folhas com cerca de 65 cm de comprimento e espinhos nas bordas. O pedúnculo do fruto é longo (em torno de 30 cm). Produzem muitos filhotes (5 a 15) presos ao pedúnculo, próximos da base do fruto, o qual apresenta forma cônica, casca amarelada (quando maduro), polpa branca, sucosa, com sólidos solúveis totais de 14o Brix a 16o Brix, pouca acidez, sendo agradável ao paladar do brasileiro. O fruto pesa de 1,0 Kg a 1,5 Kg, possui coroa grande e têm sido pouco utilizado para a exportação in natura e industrialização sob a forma de rodelas. Apresenta tolerância à murcha associada a cochonilha Dysmicoccus brevipes e é suscetível à fusariose, doença causada pelo fungo Fusarium subglutinans.

 

7.3.6 - Perolera

Variedade plantada comercialmente na Colômbia e na Venezuela, adaptada a altitudes de até 1.500 m. É resistente a fusariose. A planta apresenta uma altura (distância do solo à base do fruto) de 51,0 cm, pedúnculo longo com 29,2 cm de comprimento, folha verde-escura e bordo inerme, evidenciando faixa prateada pouco pronunciada, produção de um a dois rebentões e oito filhotes. Fruto de forma cilíndrica, com peso médio de 1,8 Kg de casca e polpa amarelas, com teor de sólidos solúveis totais ao redor de 13o Brix, acidez titulável em torno de 10,0 meq/100 ml e alto teor de ácido ascórbico-vitamina C. Pode ocorrer tombamento de frutos, em razão de possuir pedúnculo longo.


8.0 - Conceitos para instalação de viveiros

 

1.       Proximidade de fonte de água;

2.       Solo de textura leve, bem drenado e livre de ervas daninhas;

3.       Uso de adubação fosfatada (cerca de 10kg.m-2);

4.       Uso de herbicidas pré-emergentes;

5.       Cuidados com a posição e profundidade de plantio das seções;

6.       Densidade do plantio (variando de 66 a 100 seções/m2) em função do tamanho das seções.

7.       Uso de coberturas acima dos canteiros (50 a 100 cm) para minimizar os efeitos de insolação;

8.       Aplicação de adubações nitrogenadas e potássicas em doses e épocas necessárias;

9.       Manutenção da limpeza através de capinas;

10.   Inspeções periódicas semanais;

11.   Manutenção do nível ideal de umidade (80 mm/mês).

 

9.0 - Tipos de mudas e suas características.

Os plantios de abacaxi são feitos com mudas de vários tipos, tais como coroa (brotação do ápice do fruto), filhote (brotação do pedúnculo, que é a haste que sustenta o fruto), filhote-rebentão (brotação da região de inserção do pedúnculo no caule ou talo) e rebentão (brotação do caule).

 

9.1 - Coroa

Muda pouco disponível, pois permanece nos frutos vendidos nos mercados de frutas frescas; é menos vigorosa, de ciclo (do plantio à colheita) mais longo, mais facilmente afetadas por podridões, sobretudo podridão-negra, mais uniforme em tamanho e peso, gerando plantas de porte e desenvolvimento mais uniformes.

 

9.2 - Filhote ou muda-de-cacho

Muda de vigor e ciclo intermediários, menos uniforme que as coroas. É de fácil colheita e grande disponibilidade no caso da variedade Pérola, a mais cultivada no Brasil.

 

9.3 - Rebentão.

Muda de maior vigor, ciclo mais curto, de colheita mais difícil, menor uniformidade em tamanho e peso, baixa disponibilidade na variedade Pérola e mais usada no caso da variedade Smooth Cayenne. É mais suscetível à ocorrência de florações naturais precoces.

 

9.4 - Filhote-rebentão

Muda de reduzida expressão, pois é de produção limitada, apresenta características intermediárias entre filhote e rebentão, podendo ser usada indistintamente com os dois últimos tipos de mudas apresentadas.

 

9.5 - Muda de seccionamento do caule

Muda produzida em viveiros, a partir de pedaços do talo (caule) das plantas, caracterizando-se pela melhor sanidade, sobre tudo em relação ‘a fusariose; pelo vigor e pelas demais características (ciclo, grau de uniformidade) próximos às mudas do tipo coroa.

9.6 - Muda produzida in vitro

Muda produzida em laboratório por meio de técnicas de cultura de tecidos, de excelente sanidade, mais cara, uso mais restrito, porém importante para a multiplicação rápida de novas variedades geradas em programas de melhoramento genético.

 

10.0 - Obtenção e Manejo de mudas convencionais

A muda de boa qualidade é a base para o sucesso de qualquer cultura. As mudas colhidas em plantas sadias devem ser isentas de pragas, doenças e danos mecânicos, devendo-se descartar rigorosamente aquelas que apresentarem o menor sinal de goma ou resina.

Os tipos de mudas mais usados no Brasil são os filhotes ou mudas-de-cacho, que aparecem logo abaixo da base do fruto, e os rebentões, que brotam do talo da planta.

            Após a colheita dos frutos, as mudas do tipo filhote devem permanecer aderidas à planta-mãe para continuarem o seu crescimento e atingirem o tamanho adequado (mínimo de 30 cm) para o plantio. Essa etapa é chamada de cerva, que pode ter a duração de dois a seis meses.

            São recomendadas as seguintes práticas culturais: continuação da irrigação, em áreas irrigadas; pulverização com inseticida-acaricida para o controle das cochonilhas e dos ácaros que infestam a cultura; adubação suplementar, via pulverização foliar, com uréia a 3% e cloreto de potássio a 2%.

            A colheita das mudas deve ser feita quando a maioria delas atingir o tamanho adequado. Corta-se o pedúnculo com todo o cacho, o que facilita o transporte e aumenta o rendimento do trabalho. Em seguida, os filhotes são destacados do cacho, fazendo-se, nesta ocasião, uma seleção preliminar. Eliminam-se todas as mudas doentes, com presença de goma, murchas e muito pequenas. Algumas vezes, parece na base da muda tipo filhote um fruto em miniatura, que deve ser arrancado nesta fase, para evitar que se constitua em foco de podridão da muda após o plantio.

            A colheita de rebentões é mais difícil e mais exigente em relação à mão-de-obra necessária, haja vista estarem fortemente ligados ao talo da planta mãe, sendo necessário um puxão lateral antes de arranca-los.

            A etapa seguinte, chamada de cura, consiste na exposição das mudas ao sol, com a base virada para cima, sobre as próprias plantas-mãe ou espalhando-as sobre o solo em local próximo do plantio, durante três a dez dias.  A cura visa cicatrizar a ferida que ocorre quando a muda é destacada da planta, além de diminuir a população de cochonilhas.

            As mudas curadas devem ser selecionadas por tipo (separando os filhotes dos rebentões) e faixas de tamanho (30 cm a 40 cm; 40 cm a 50 cm; 50 cm a 60 cm), para plantio em talhões separados.

            Caso se observe alta infestação das mudas com cochonilhas, é recomendado o seu tratamento por meio de imersão, durante três a cinco minutos, numa calda com inseticida-acaricida fosforado.

 

11.0 - Produção de mudas sadias em viveiros

            Esta forma de propagação do abacaxi consiste na produção de mudas (plântulas) a partir de gemas existentes nas axilas das folhas, inseridas no talo (caule) das plantas. As gemas brotam e crescem quando o talo é cortado em pedaços, contendo pelo menos uma gema cada uma, cujas secções de talo são adequadamente cultivados em viveiros. O seccionamento do talo permite o exame visual das suas partes internas e, portanto, o descarte de todo o material afetado pela fusariose e por outras podridões.

            Esta técnica pode ser uma atividade altamente rentável, permitindo a oferta de mudas de qualidade e sanidade excelentes ao longo de todo o ano.

            Após o arranquio da planta, o caule é cortado em pedaços longitudinais ou em discos, descartando-se, rigorosamente, todos os pedaços com sintomas internos ou externos de fusariose. Depois, de seccionados, os pedaços são submetidos a tratamento fungicida-inseticida por imersão.

 

12.0 - Produção de mudas em laboratórios.

            Em laboratório, num espaço físico reduzido e sob condições de temperatura e luminosidade controladas, Pode-se produzir rapidamente grandes quantidades de mudas de abacaxizeiro, geneticamente uniformes e de excelente qualidade fitossanitária.

            No entanto, apesar dessas vantagens, dois aspectos devem ser considerados com respeito à produção das mudas: o custo elevado e o surgimento de variações somaclonais. Efetivamente, o alto custo de produção ainda não permite que uma grande parte de agricultores tenha acesso às mudas produzidas em vitro. Quanto às variações somaclonais, ou seja, o surgimento de características indesejáveis que proporcionam a formação de plantas anormais do abacaxizeiro, a mais freqüente é a presença de espinhos nas extremidades das folhas de variedades inermes. Entretanto, outras variações já foram encontradas, referentes à forma, à coloração e a arquitetura e à densidade das folhas, à altura das plantas e, ao peso e à coloração dos frutos.

            Empregando-se a metodologia adequada e a depender da variedade, pode-se obter, num período de 18 meses, a partir de uma planta, aproximadamente, 50.000 mudas, enquanto seriam necessários 7 anos e 6 meses para se conseguir cerca de 32.000 plantas, partindo-se também de uma planta que produza em média 8 mudas, mediante a aplicação do método de propagação vegetativa tradicional.

 

13.0 - Biotecnologia na produção de mudas

 

Em síntese a biotecnologia consiste na produção de mudas originadas de células, protoplastos e de tecidos de plantas em laboratório sobre um meio nutritivo artificial.

 

As vantagens da técnica podem ser:

- Mudas de elevado vigor

- Mudas livres de pragas e doenças

- Grande quantidade do material obtido

 

As desvantagens da técnica:

- Alto custo

- Indisponibilidade aos produtos

 

1.       Micropropagação

 

É uma técnica muito eficiente em relação à qualidade e quantidade de mudas produzidas, porém pouco empregada. Consiste em se produzir plantas diretamente de gemas axilares ou terminais (explantes)

 

2.       Melhoramento genético do abacaxizeiro:

 

Não obstante a grande variabilidade genética disponível, a cultura do abacaxizeiro é muito vulnerável em virtude de basear-se em um número muito restrito de genótipos efetivamente trabalhados.

Embora existam inúmeros programas de melhoramento, pouco se tem conseguido no sentido de se obter novas variedades (cultivares capazes de superar as variedades exploradas). Atualmente, à medida que se levam em conta as características preconizadas: crescimento rápido da planta, alto vigor, porte semi-ereto, folhas largas e curtas ou com poucos espinhos, poucos filhotes na base do fruto, rebentão precoce vigoroso, pedúnculo curto e grosso, resistência as principais pragas, adaptação às condições locais, fruto com elevado peso, forma cilíndrica, maturação homogênea, casca de cor amarelo-alaranjada, cavidade floral pouco profunda, coroa pequena, polpa amarela firme e pouco fibrosa, eixo de diâmetro pequeno, alto teor de sólidos solúveis, acidez moderada, alto teor de ácido ascórbico e sabor desagradável.

O melhoramento geralmente é iniciado baseado em diversos procedimentos:

a)      Seleção Clonal:

Visa explorar a variabilidade intravarietal, ou seja, selecionar as melhores plantas dentro de uma população de uma determinada cultivar e multiplicá-las ou selecionar fenótipos excepcionais.

 

b)      Hibridação direta:

Técnica que considera a heterozigose dos parentais, caracterizando-se por trabalhar com grandes populações híbridas das quais são selecionadas genótipos promissores, que posteriormente são submetidos a avaliações clonais, com as quais se procura observar principalmente a estabilidade dos caracteres desejáveis.

 

c)       Utilização de progenitores escolhidos para serem melhorados: é um procedimento que após serem escolhidos os progenitores, promove-se a indução floral, a polinização, a germinação das sementes híbridas, o transplante dos “seedlings” e finalmente três seleções clonais a fim de se obter os clones elites.

 

CONSIDERAÇÕES

 

            Devido ao pouco sucesso obtido pelos diversos programas de melhoramento, a demanda para a diversificação varietal é fator de sobrevivência da cultura, haja vista que a simples adoção de cultivares resistentes a fusariose é capaz de aumentar a produtividade de 30 a 40%, aumentar a rentabilidade e oferecer frutos de melhor qualidade e menos agredidos por defensivos. Assim torna-se imprescindível as ampliações das bases genéticas, realizar estudos de genética básica tais como: citogenética, herdabilidade, homozigose,etc: Estruturar as técnicas de biologia molecular e celular entre outras técnicas defini cultivares para consumo in natura das de uso industrial e consequentemente promover a diversificação varietal.

 

3.       Armazenamento de mudas:

 

Preferencialmente as mudas não devem ser armazenadas durante muito tempo e, quando necessário deve-se evitar que elas fiquem amontoadas para não criar ambiente favorável ao desenvolvimento de colônias de cochonilhas e surtos de fusariose.

 

4.       Efeito da idade da muda na época de produção:

 

Muda do tipo coroa, além de apresentar menor reserva nutritiva, é produzida tardiamente em relação aos outros tipos e por uso determina um ciclo mais longo à cultura podendo variar do plantio a colheita de 22 a 24 meses. O tipo filhote um pouco mais precoce varia o ciclo entre 20 a 22 meses e rebentão de 16 a 18 meses.

 

5.       Preparo da área definitiva e plantio:

Planejamento dos talhões – Os talhões devem ser instalados observando-se os seguintes detalhes: grau de tecnologia que será adotado:

- Melhor controle fitossanitário;

- Melhor qualidade dos frutos;

- Maior rendimento;

- Melhor aproveitamento da mão-de-obra;

- Utilização da soca.

 

Entretanto, alguns aspectos negativos também são registrados:

- Frutos pequenos com grandes coroas em lavouras desuniformes;

- Tombamento dos frutos, provocado pelo alongamento dos pedúnculos, quando a indução é feita em plantas imaturas;

- Redução do número de mudas, causada por altas concentrações e épocas inadequadas de aplicação;

- Prejuízo nos frutos, devido a aplicação em épocas e climas desfavoráveis;

- Deformação nos frutos devido a aplicação incorreta.

 

14.0  - Preparo do solo

 

            Um bom preparo do solo é fundamental para a cultura do abacaxizeiro, a fim de favorecer o desenvolvimento e o aprofundamento do sistema radicular da planta, normalmente limitado e superficial.

            Faz-se a aração e duas gradagens, realizadas nos dois sentidos do terreno, procurando atingir uma profundidade de 30 cm, para facilitar o desenvolvimento das raízes.

            No caso de áreas anteriormente plantadas com abacaxi, deve-se de início proceder à eliminação dos restos culturais, mediante a sua incorporação ao solo, após a decomposição parcial do material.  Mesmo trabalhosa essa operação tem a vantagem de incorporar ao solo um grande volume de massa vegetal (60 t/ha a 100 t/ha), restituindo-lhe os nutrientes e melhorando as características físicas.

 

 

 

 

14.1. Correção de acidez (calagem)

            A calagem deve ser providenciada antes do estabelecimento da cultura, de modo que a aplicação e a incorporação, possam ser feitas com uma antecedência de 30 a 90 dias em relação ao plantio.

            Deve-se dar preferência aos calcários dolomíticos, considerando a demanda do abacaxizeiro pelo magnésio.

A calagem em excesso pode elevar o pH do solo a valores acima da faixa mais adequada para a cultura (4,5 a 5,5), concorrendo para limitar a disponibilidade e a absorção de alguns micronutrientes, como zinco, cobre, ferro e manganês, e para favorecer o desenvolvimento de microorganismos prejudiciais à cultura, como fungos do gênero Phytophthora.

 

 

 

15.0 - Plantio

 

O plantio das mudas pode ser feito em covas, abertas com enxada ou enxadeta, ou em sulcos, dando-se preferência aos sulcos. Após a abertura das covas ou sulcos, faz-se a distribuição das mudas, para o plantio propriamente dito. A profundidade do plantio deve corresponder, aproximadamente, à terça parte do comprimento da muda, tomando-se o cuidado de evitar que caia terra no seu olho.

No plantio em terrenos de declive acentuado, deve-se usar curvas de nível e outras práticas de conservação do solo.

Quanto ao posicionamento do plantio, deve-se dar preferência à exposição leste, evitando-se a exposição oeste que favorece a ocorrência de queima solar nos frutos.

 

15.1 - Sistema de plantio e espaçamento.

            Os espaçamentos utilizados na cultura do abacaxizeiro variam bastante de acordo com a cultivar, o destino da produção, o nível de mecanização e outros fatores.

            Os plantios podem ser estabelecidos em sistemas de filas simples ou duplas. Para alcançar altas produtividades, o ideal é utilizar densidades de plantio elevadas, com um mínimo de 37.000 plantas hectare.

            Além do uso de herbicidas, recomenda-se que o plantio em filas duplas seja alternado (plantas descasadas), isto é, as plantas de uma fila colocadas na direção dos espaços vazios da outra fila para um melhor controle das plantas daninhas.

            São recomendados os seguintes espaçamentos: a) filas simples: 0,90 m x 0,30 m e 0,80 m x 0,30 m, correspondendo a 37.030 e 41.660 plantas/ha, respectivamente. B) filas duplas: 0,90 m X 0,40 m X 0,40 m ou 0,90 m X 0,40 m x 0,35 m ou 0,90 m X 0,40 m X 0,30 m, isto é, 38.460, 43.950 e 51.280 plantas/ha, respectivamente. Para a cultivar Smooth Cayenne e plantios com irrigação, recomendam-se densidades mais altas.

            Mesmo que o peso em média dos frutos seja menor, a tendência é que a produção por área seja maior.

 

15.2 - Época de plantio.

            A escolha da melhor época de plantio é crucial para o cultivo de abacaxi de sequeiro. A época de plantio mais indicado é aquela relativa ao período de final da estação seca e início da estação chuvosa. Isto corresponde ao período de janeiro a maio em regiões com chuvas de inverno, a exemplo dos tabuleiros costeiros do Nordeste e Sudeste do Brasil, e ao período de outubro a dezembro na região do Cerrado Brasileiro.

            Deve-se evitar, porém, os períodos de chuvas intensas, que dificultam trabalhar o solo e podem propiciar a incidência de doenças.

 

15.3 - Consorciação.

            A consorciação do abacaxi com outras culturas é uma opção viável, sobretudo, para pequenos agricultores que façam uso muito limitado da mecanização na propriedade e que tenham interesse em ter uma produção adicional para a subsistência ou o mercado. No entanto, as culturas consorciadas devem ser de baixo porte para evitar o sombreamento excessivo do abacaxi, ter ciclo curto (não superior a 120 dias) e devem ser cultivadas nas entrelinhas, de preferência em filas alternadas e apenas na fase inicial do ciclo do abacaxizeiro, restritas aos primeiros três a cinco meses. Feijão (Phaseolus spp), feijão (Vigna spp) e amendoim são algumas culturas adequadas ao consórcio com abacaxi.

            O plantio do abacaxi nas entrelinhas de pomares de citros, manga, coco, abacate e de outras fruteiras de porte arbóreo, de ciclo longo ou perene, é uma boa opção para a exploração mais intensiva da terra disponível, servindo para custear a instalação da cultura principal. Um cuidado importante neste tipo de consórcio é a manutenção de uma distância adequada entre as fruteiras perenes e as linhas adjacentes do abacaxi, a qual não deve ser inferior a 1,50 m no caso da laranjeira. Além disso, o manejo do abacaxi tem que seguir as recomendações técnicas para esta cultura.

 

16.0 - Controle de plantas daninhas

 

            Planta de crescimento lento e de sistema radicular superficial, o abacaxizeiro ressente-se bastante da concorrência de plantas daninhas, que contribuem para atrasar o desenvolvimento da cultura e reduzir a sua produção. Por isso, recomenda-se manter a cultura sempre limpa, principalmente nos primeiros cinco a seis meses após o plantio.

            As plantas daninhas devem ser controladas por meio de capinas manuais (enxada), ou de herbicidas. Uma alternativa, ainda pouco empregada, é a cobertura morta. A palha seca de diversos produtos (milho, feijão, capins, etc.) ou os restos culturais (folhas) do próprio abacaxi devem ser uniformemente distribuídos sobre a superfície do solo, sobretudo nas linhas de plantio. Além de diminuir o aparecimento de plantas daninhas, minimiza a erosão.

            O uso de herbicidas reduz a mão-de-obra e é o método mais eficiente, principalmente, em grandes plantios e em períodos chuvosos, quando as plantas daninhas crescem rapidamente. Entretanto, a aplicação deve ser feita com cuidado para evitar que a cultura sofra com os efeitos tóxicos dos produtos químicos. Um dos pontos básicos para aplicação da dosagem correta do herbicida na área de plantio da cultura, é a calibração adequada do pulverizador.

            A aplicação dos herbicidas deve ser de preferência em pré-emergência das plantas daninhas e no máximo nos quinze primeiros dias após o plantio da cultura (antes do enraizamento). Caso seja preciso, faz-se aplicação em pós-emergência da cultura, com a planta daninha em faze inicial do desenvolvimento. A pulverização deve ser uniforme e ser feita em solos úmidos. Utiliza-se de 500 a 1000 litros de calda por hectare. Usar bicos em leque 80.02 a 80.04. A aplicação dos herbicidas deve ser feita a 50 cm do solo. Quando for necessária a aplicação em pós-emergência, a altura da aplicação deve ser feita a 50 cm acima do topo das plantas daninhas e ser em jato dirigido evitando-se atingir a roseta foliar central das plantas. É importante em pós-emergência, adicionar um espalhamento adesivo, para melhor distribuição do herbicida. O total de aplicações de herbicidas, não deve ultrapassar de 3 no primeiro ciclo de cultivo da cultura. Uma aplicação bem feita em pré-emergência da cultura, pode controlar as plantas daninhas por um período de até 6 meses, o que facilita as capinas subseqüentes.

            A irrigação deve ser suspensa por um período de dois a três dias, após a aplicação dos herbicidas. Em áreas infestadas por plantas daninhas de difícil controle como: tiririca, capim-sapé, grama-seda, etc, recomenda-se a aplicação de herbicidas à base de glifosate, 3 a 6 litros do produto comercial/ha, uma a duas semanas antes do preparo do solo.

            Mesmo que o produtor opine pelo controle de plantas daninhas com o uso de produtos químicos (herbicidas), capinas manuais complementares são necessárias, visando limpar o solo para aplicação de herbicidas, a cobertura de adubos e a amontoa.

            A Tabela 1 contém alguns herbicidas utilizados pelos produtores na cultura do abacaxizeiro. É importante observar que alguns herbicidas indicados para a cultura do abacaxizeiro, são tóxicos para algumas culturas que poderiam ser usadas em consórcio com o mesmo.

 


Tabela 1 - Principais herbicidas usados na cultura do abacaxizeiro

Nome Químico

Formulação

Dose (kg ou litros do produto comercial por ha)

Diuron

PM 80 %

2,0 – 4,0

Diuron

SC 50 %

3,2 – 6,4

Diuron + Bromacil

PM 80 %

2,0 – 4,0

Ametryn + Simazine

SC 50 %

4,0 – 8,0

Ametryn

SC 50 %

4,0 – 6,0

Simazine

PM 80 %

2,5 – 5,0

Simazine

SC 50 %

40,0 – 8,0

    - Fonte: Frutas do Brasil 2000

 

 

17.0 - Concentração de nutrientes

            A deficiência e o excesso de nutrientes refletem-se principalmente nas folhas, que por isso é a parte da planta mais indicada como amostra para determinação da concentração dos nutrientes.

 

17.1 - Funções dos nutrientes: sintomas de deficiência e excessos

 

a)     Nitrogênio:

Principal componente da proteína responsável pelo crescimento vegetativo, atua no aumento de produção e no aumento de peso do fruto.

Quando em deficiência, o N é transportado das folhas velhas, que se tornam amareladas, para as folhas em desenvolvimento (crescimento reduzido da planta). Deficiência severa de nitrogênio, provoca ausência de frutos, de mudas do tipo filhotes e rebentões ou existência de frutos muitos pequenos.

Excesso de N atrasa o florescimento e provoca alongamento do pedúnculo, o que acarreta o tombamento do fruto.

 

 

b)     Fósforo

Participa das reações de síntese das proteínas. É indispensável na ocasião da diferenciação floral e no desenvolvimento do fruto. O P melhora a qualidade dos frutos, aumentando o teor de vitamina C, a firmeza da polpa e o tamanho.

            Deficiência de P acarreta a formação de frutos pequenos, com coloração avermelhada ou arroxeada. Deficiência severa ocasiona ausência de frutos brotos e filhotes.

            Doses excessivas de P aceleram a frutificação e maturação dos frutos, quando a aplicação do fertilizante é feita numa época em que as reservas de carboidratos e proteínas não são suficientes para produzir mais polpa, resultando em diminuição da produção.

 

c)      Potássio:

Importante ativador de enzimas e responsável pela abertura e fechamento dos estômatos e transporte de carboidratos. O K aumenta o teor de sólidos solúveis totais e acidez, melhora a coloração e a firmeza da casca e da polpa e aumenta o peso médio e diâmetro do fruto.

A escassez de K causa o aparecimento de pontuações pardas. Há ressecamento a partir do ápice das folhas para a base, aparecendo primeiro nas folhas velhas. A deficiência é favorecida pela adubação pesada em N, pela lixiviação e em solos ricos em Ca e Mg.

O excesso de K acarreta a formação de frutos muito ácidos, com miolo muito desenvolvido, polpa pálida e enrijecida, enquanto que a maturação é tardia e incompleta, ficando a parte superior sem amadurecer.

 

d)     Cálcio:

Importante na diferenciação da inflorescência e no desenvolvimento dos frutos. As doses elevadas podem provocar diminuição do K nas folhas, ocasionando a clorose calcária e plantas menores.

      Quando ocorre deficiência, as regiões de crescimento (gemas e pontas das raízes) são as primeiras a serem afetadas.

 

 

e)     Magnésio:

Elemento constituinte da clorofila e ativador de enzimas transferidoras de fosfato.

A deficiência de magnésio causa clorose nas folhas velhas, diminui a frutificação e favorece a formação de raízes grossas, pouco ativas.

 

f)       Enxofre:

Responsável pelo equilíbrio entre acidez e açúcares dos frutos, dando-lhes sabor.

A deficiência caracteriza-se por folhagem amarelo-pálida, tons avermelhados nas folhas, sobretudo em folhas velhas, necrose começando nas áreas cloróticas; planta de porte normal; fruto muito pequeno; buraco central do fruto e amadurecimento da ponta para base.

 

g)     Boro:

Essencial na formação da parede celular, na divisão e no aumento do tamanho das células.

Os sintomas de deficiência do B são folhas mais espessas, duras, sendo as do centro retorcidas. A deficiência aparece em solos com pH muito elevado, alto teor de Ca, baixo nível de matéria orgânica.

 

h)     Cobre:

É um constituinte das enzimas de oxidação e redução e, juntamente com Zn forma um par de catalisadores.

A carência de cobre torna as folhas finas curtas e estreitas, de coloração verde-clara, bordas onduladas, ponta necrosada. A deficiência de cobre ocorre pela complexação desse elemento com a matéria orgânica, e em solos com valores altos de pH.

 

i)       Ferro:

Importante na síntese da clorofila, oxidação de carboidratos e na redução de sulfatos e nitratos

A deficiência de Fe ocorre em solos com pH elevados, ricos em Mn, relação Mn/Fe2 alta, compactos e com condições redutoras. O excesso de Fe pode causar translucidez da polpa.

 

j)       Manganês

Participa do transporte de elétrons na fotossíntese, sendo essencial para a formação da clorofila. É pouco redistribuído na planta, razão pela qual os sintomas de carência aparecem inicialmente nas folhas novas.

Os sintomas de deficiência não são bem definidos. As folhas têm aspecto de mármore, com coloração verde-clara, rodeada de verde mais escuro.

 

K) Molibdênio

            A deficiência desse elemento não foi assinalada e nem obtida em condições hidropônicas, mas é provável em solos com pH abaixo de 4, em associação com toxicidade do alumínio (AL).

 

L) Zinco

            Importante na síntese do triptofano, produto intermediário na formação do ácido indolacético (AIA), que é uma auxina necessária para o aumento do volume celular, reguladora da atividade enzimática.

            Sua deficiência acarreta diminuição do teor de auxina, com deformação da planta, que sofre uma torção inicial das folhas jovens do centro. As folhas apresentam-se cloróticas, secas e com necrose nas pontas.

 

18.0 - Calagem

 

            O cálcio (Ca) é extraído em grandes quantidades pelo abacaxizeiro. Em solos muito ácidos (pH 4,0), a aplicação do calcário é favorável.

            Devem ser consideradas, na calagem, as necessidades da planta em Ca e Mg trocáveis. Quando esses teores são baixos é aconselhável colocar calcário dolomítico.

            A faixa adequada de pH para o abacaxizeiro apresenta valores que vão de 4,5 a 6,0, dependendo do cultivo e das condições. Alguns autores consideram adequado valores 5,5 a 6,0, enquanto entre 4,5 a 5,5. A elevação do pH a valores acima destas faixas pode induzir, nas tantas, deficiências de alguns micronutrientes, entre os quais Fe e Zn.

            Excesso de calcário pode provocar também defici6encia de K. É importante assegurar uma relação K : Mg = Ca no solo que melhor atenda a nutrição mineral do abacaxizeiro.

            Embora cultivado em solos de baixa fertilidade, o abacaxizeiro é muito exigente em elementos minerais.

 

19.0 - Adubação

            A adubação na cultura do abacaxizeiro é uma prática essencial nos plantios comerciais, devido ao elevado grau de exigência nutricional das plantas.

            Recomenda-se que se faça sempre análise do solo da área em que se vai cultivar o abacaxizeiro, para uma melhor orientação do programa de adubação. O nível tecnológico adotado na exploração da cultura, destino da produção e rentabilidade devem ser levados em conta para a definição das quantidades de adubos a serem aplicados na cultura do abacaxizeiro.

            A Tabela 2 contém recomendações de adubações para o abacaxizeiro, com base em resultados analíticos do solo. Deve-se considerar, contudo, que essa tabela tem caráter bastante generalizado, a qual deve receber ajustes e adaptações para atender as diferentes regiões produtoras.

 


 

Tabela 2 – Recomendação da adubação para a cultura do abacaxizeiro, com base em resultados analíticos do solo

 

Em cobertura – Após o plantio

Nutrientes

1º ao 2º mês

5º ao 6º mês

8º ao 9º mês

 

 

N (kg/ha)

 

Nitrogênio

80

110

130

 

P2O5 (kg/ha)

Fósforo no solo (Mehlich) mg P/dm3

 

 

 

Até 5

80

 

 

6 a 10

60

 

 

11 a 15

40

 

 

 

K2o (kg/ha)

Potássio e solo (Mehlich) mg K/dm3

 

 

 

Até 30

120

160

200

31 a 60

80

110

130

61 a 90

60

80

100

 

19.1 - Adubação orgânica

            A planta alimenta-se quase exclusivamente por suas raízes, que exercem também a função de sustentação. Por isso, quanto maior for a expansão delas, maior será a possibilidade de absorção dos nutrientes e, conseqüentemente melhor desenvolvimento da planta.

            A adubação orgânica na cultura do abacaxizeiro, de acordo com a disponibilidade do produto na propriedade deve ser aplicada sempre na cova ou no sulco de plantio, na base de 1 a 3 Kg por metro linear.

 

 

 

19.2 - Adubação química

            Para elaboração de um bom programa de adubação, é recomendável que se faça sempre análise do solo da área a qual irá ser implantada a cultura. As amostras de solo devem ser coletadas e enviadas para o laboratório antes da implantação da cultura.

            A indução artificial da floração e o período de chuvas indicam o parcelamento da adubação e a época de aplicação. As pesquisas indicam a operação artificial da floração entre o 9o ou o 10o mês pós-plantio. As adubações em coberturas deverão ser feitas entre o 1o e o 2o, 5o e 6o e 8o e 9o mês, em períodos com boa distribuição das chuvas.

            Deve-se considerar que as influências do nitrogênio e do potássio são antagônicas em relação à maioria de qualidade do fruto, o que deverá determinar a necessidade de opção por diferentes relações potássio/nitrogênio, nas adubações, para atender a situações adversas, relacionadas, sobretudo com o destino da produção. É conveniente que a relação K2o/N na adubação situe-se numa faixa mais ampla (entre 1,5 - 2,5), não só para ajustar a relação SST/acidez da polpa com a preferência dos consumidores, mas também buscando conferir ao fruto maior resistência ao transporte de longas distâncias. A mesma relação deve ter a relação K2o/N quando o destino da produção for a indústria de fatias, visto que polpas mais consistentes poderão ser cortadas mais facilmente. Entretanto, se a produção destina-se a mercados menos exigentes, próximos da área produtora, a relação K2o/N ma adubação pode situar-se em faixas mais estreitas.

 

19.3 - Análise Foliar

            A avaliação do estado nutricional da planta, após o estabelecimento da cultura, pode ser feita mediante análises foliares. Para fazer esse tipo de análise, normalmente coleta-se a folha “D”, considerada como a que melhor representa o estado nutricional da planta. Pode-se avaliar, para as análises, o terço mediano não clorofilado da zona basal (técnica havaiana) ou a folha inteira (técnica francesa).

            Para se fazer amostragem, é recomendado coletar no mínimo 25 folhas tomadas ao acaso, para cada talhão, sendo no máximo uma folha por planta. O momento da indução do florescimento (com variação de 25 dias) tem sido adotado como estádio principal para a coleta das folhas. Dependendo do objetivo da avaliação a época de coleta pode variar ao longo do ciclo vegetativo da planta (do plantio à indução floral).

 

19.4 - Modos de aplicação dos adubos.

            As adubações podem ser feitas tanto por meio sólido como por meio líquido. Por via sólida os fertilizantes podem ser aplicados nas covas ou nos sulcos de plantio (opção mais utilizada para os adubos orgânicos e adubos fosfatados), ou em cobertura junto das plantas ou nas axilas das folhas basais, sendo a melhor opção para os adubos nitrogenados e potássicos, podendo ser utilizados essa forma para os fertilizantes fosfatados solúveis em água. Adaptações podem ser desenvolvidas por via sólida, para aumentar o rendimento da operação e/ou torna-la mais confortável. Um bom exemplo de adaptações é o funil acoplado a um tubo plástico rígido de, aproximadamente, 80 cm, desenvolvido no estado da Paraíba, o qual contribui para reduzir o contato direto das mãos e braços com os espinhos das folhas. Deve-se sempre evitar que os adubos caiam nas folhas superiores (mais novas) ou no olho da planta, em razão dos danos que podem causar. É conveniente, que após as adubações, se faça uma amontoa, para cobrir os fertilizantes. Essa operação evita a perda de nutrientes e fixa melhor a planta no solo.

            A adubação foliar pela forma líquida é mais utilizada para a aplicação de nitrogênio, potássio e micronutrientes, podendo ser uma alternativa para a aplicação de magnésio. Pode-se utilizar pulverizadores costais ou barras de pulverização, acopladas a tanques tracionados mecanicamente. Deve-se evitar as horas mais quentes do dia, escorrimento excessivo e o acúmulo das soluções nas axilas das folhas, para que não ocorram queimas. É bom evitar que a concentração total de adubos na solução não ultrapasse a 10%. Em plantios irrigados, pode-se utilizar a fertirrigação para a aplicação de nutrientes, com exceção do fósforo, que deve ser aplicado sob a forma sólida.

 

 

           

 

 

20.0 - Florescimento e uso de fitorreguladores na cultura do abacaxizeiro

  20.1 - Florescimento natural

 

            No abacaxizeiro o mesmo meristema que dá origem às estruturas vegetativas a um dado momento passa a formar estruturas reprodutivas, as flores, findo o que retorna ao estado vegetativo (Collins, 1960).

            O ciclo da cultura é dividido em três etapas (Cunha, 2000):

1.       Fase vegetativa – do plantio à diferenciação floral.

2.       Fase produtiva – da diferenciação floral até a colheita do fruto.

3. Fase propagativa – esta fase tem início ainda durante a fase produtiva e se segue à colheita do fruto, abrangendo o desenvolvimento e colheita das mudas.

Os principais fatores ambientais envolvidos na diferenciação floral natural são:

- Encurtamento dos dias.

- Baixa temperatura – noturna que aumenta a atividade de auxina na planta.

- Baixa insolação.

Para que a planta consiga responder a esses estímulos, é necessário que esta tenha atingido um porte adequado.

A diferenciação natural do florescimento ocorre, comumente, entre o final do outono e o começo do inverno, no ano posterior ao do plantio.

Medidas para evitar a floração natural precoce, que incluem fatores ambientais envolvidos na floração (Cunha, 2000):

- Indução artificial antecipada.

- Inibição do florescimento:

Uso de Monuron, Diuron, Diquat, ANA (ácido alfanaftaleno acético), Ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico, Paclobutrazol

 

20.2 - Indução artificial do florescimento

            Acredita-se que os indutores atuam por promover o aumento do teor de etileno (fator indutor) no interior da planta, mais precisamente na região meristemática, onde a absorção dos produtos é mais rápida por conta de sua maior atividade celular, o que torna o ápice mais sensível aos efeitos da auxina natural (principalmente o AIA). A concentração deste ácido na planta é alta ou baixa, e quando está média, numa concentração ótima favorece ou provoca a floração.

Daí por que se observa uma maior eficiência dos produtos quando aplicados diretamente no centro da roseta foliar.

A floração ocorre em resposta à elevação seqüencial de metabólitos na gema apical, como açúcares, proteínas e ácidos.

Fatores que influenciam na indução do florescimento (Medcalf, 1982 apud Manica, 1999):

- Idade da planta: plantas mais velhas, que já passaram pelo crescimento vegetativo, respondem melhor à indução. E aquelas em fase de crescimento ativo não respondem bem.

- Teor dos nutrientes: as plantas com elevado teor de nitrogênio e baixo teor de carboidratos apresentam menor porcentagem de florescimento e é recomendado fazer a indução 15 dias antes ou 90 dias depois da adubação nitrogenada.

 

- Clima: em condições adversas deve-se aumentar a dose de indutores.

 

- Tipo de Mudas: mudas maiores e com maior peso apresentam maior porcentagem de florescimento. As mudas seguem ordem em porcentagem de florescimento: rebentões> filhotes> coroa.

 

20.2.1 - Hora da aplicação do produto

A eficiência é maior a noite, em dias nublados ou bem cedo. O abacaxizeiro tem o metabolismo ácido das crassuláceas, que assimilam gás carbônico e abre os estômatos à noite. A alta temperatura diurna aumenta a descarboxilação, aumenta o teor de gás carbônico que é inibidor do etileno inibindo a floração ou reduz a eficiência do produto.

 

20.2.2 - Relação entre tamanho da planta e peso do fruto

O peso do fruto, como já descrito acima, está relacionado ao clima e ao tamanho da planta e o desenvolvimento em geral é mais lento em altas densidades de plantio. Alguns autores recomendam a medição da folha ‘D’ para detecção da fase ideal da planta para aplicação de indutores. Para a obtenção de frutos de 1,7 Kg, por exemplo, a folha ‘D’ deve estar com 90g a 95g, ou para frutos de 1,5 Kg, por exemplo, a folha deve ter no mínimo 80 centímetros ou 70 g (Pinon, 1978 apud Cunha, 1999).

 

20.2.3 - Escolha do produto para a indução do florescimento

Após a indução floral:

- Após quatro dias diferenciação

- Entumescimento do meristema apical

- Produção dos primórdios florais

                                      Surgimento da inflorescência (40-50 dias)

 

20.2.4 - Principais indutores do florescimento

 

 Carbureto de cálcio, é um redutor de etileno que pode ser utilizado para indução floral, principalmente da cultivar Pérola. O carbureto de cálcio não inibe a produção de filhotes e não provoca o problema de coroa grande, como causado por outros indutores.

         CaO       +        3 C        ®       CaC2       +        CO

          (cal virgem)                   (coque)              (carbureto de cálcio)         (monóxido de carbono)

No interior da roseta foliar:

          CaC2       +        2H2O        ®       C2H2       +        Ca (O H) 2

     (carbureto de cálcio)               (água)                             (acetileno)                     (hidróxido de cálcio)

A aplicação de carbureto de cálcio pode ser realizada nas formas:

- Pó

- Pedra: de 0.5 a 3 g/planta – sendo mais comum e eficiente de 2 a 3 gramas.

Em períodos chuvosos, usa-se solução aquosa de gás acetileno

30 a 50 mL/planta. Em épocas secas, usa-se Ethephon ou Ácido-2-cloro-etil-fosfônico, o qual, deve ser utilizado para a indução do cultivar Smooth Cayenne, pois sua aplicação é mais econômica e este não causa nenhum problema a esta cultivar, quando aplicado corretamente.

 

CI – CH2CH2 – PO3H2   +   OH-   «   CH2   +   CI -   +   H3PO4

                   (etephon)                                                                       (etileno)

 

Dose geralmente recomendada:

- 1 a 4 L do p.c./1000 L de água/ha    (concentração de até 1000 ppm)

- Solução de concentração reduzida para 25 a 100 ppm + hidróxido de cálcio (35 g/100L da solução) - 30 a 50 mL de solução/planta. Esta alcaliniza o meio para facilitar a liberação do etileno a partir do ethephon. Também usa-se ainda adição de uréia 92 a 3%, que vai promover uma melhor difusão do ethephon, facilitando sua absorção pelo abacaxizeiro. A uréia promove uma melhor difusão do ethephon (ação sinérgica), facilitando a sua absorção pelo abacaxizeiro.

 

 

21.0 - Pragas

- Cochonilha-do-abacaxi - Dysmicocus brevipes

Adultos e ninfas em colônias localizadas nas raízes e axilas das folhas e podem ser observadas em toda planta, inclusive frutos, quando as colônias atingem grandes populações.

Sintomas: descoloração das folhas passando do verde para o vermelho bronzeado, posteriormente para o rosa-vivo e amarelo, as folhas perdem a turgescência, surgindo sobre elas manchas necróticas de cor bege; dobragidez das folhas e debilitação do sistema radicular.

 

 

Controle:

- seleção de mudas isentas de colônias, realização da cura, tratamento das mudas com temperatura controlada (50o C por 30’); destruição dos restos culturais; controle eficiente de plantas hospedeiras; tratamento de mudas através de imersão do material em solução inseticida (diazinon, vamidothion e parathion metílico) ou pulverização das mudas, ainda aderidas a planta-mãe durante a “ceva”.

 

- Broca-do-fruto-do-abacaxi - Thecla basilides

Sintomas: a lagarta penetra no frutilho rompendo o tecido parenquimatoso, causando a exsudação de uma resina incolor e pouco viscosa, que em contato com o ar torna-se marrom e mais consistente (resinose).

Os danos são causados em função de formação de galerias no interior do fruto, ficando tomados pela resina, transmitindo odor e sabor desagradáveis ao fruto tornando-o impróprio para o consumo.

Controle: monitoramento da praga a partir do início do florescimento e pulverizações periódicas após a emergência da inflorescência até o fechamento das últimas flores com inseticidas, tais como diazinon, carbaryl, ethion, etc.

 

- Ácaros -  Dolichotetranychus floridanus

Sintomas: também conhecido como ácaro vermelho ou ácaro-alaranjado. É uma praga secundária que provoca lesões necróticas nas partes aclorofiladas da base das folhas prejudicando a circulação da seiva.

Controle: destruição dos restos culturais, controle químico com produtos iguais aos empregados no controle de D. brevipes no tratamento das mudas ou durante o ciclo vegetativo.

 

- Broca-do-talo -  Castnia icarus

Sintomas: as plantas atacadas pelas lagartas, apresentam folhas seccionadas na região basal que começam a secar até atingir um amarelecimento geral (olho morto) e é comum o surgimento de resina misturada com fezes da lagarta e a emissão de rebentão.

Controle: execução de rouguing para retirar e destruir as plantas atacadas.

- Broca-do-colo-do-abacaxi - Paradiophorus crenatus

Sintomas: aparecimento de plantas enfraquecidas com folhas secas; plantas que facilmente podem ser arrancadas do solo.

Controle: execução de rouguing para eliminação e destruição das plantas atacadas.

 

22.0 - Doenças

- Podridão negra -  Ceratocystes paradoxa L. paradoxa

Sintomas: ocorre lesão de coloração amarelo-intensa que progride em direção ao ápice do fruto, a partir da base, a polpa se liquefaz e culmina com exsudação do suco devido a pressão de gases formados internamente decorrente da fermentação da glicose exalando odor acético.

 

- Fusariose - Fusarium subglutinaus

É a principal doença do abacaxizeiro, juntamente com a podridão negra, capaz de limitar o cultivo, a expansão e a produtividade.

Sintomas: a doença pode-se manifestar em qualquer órgão da planta. No caule as lesões ocorrem na parede basal, sob a forma de “podridão mole”; plantas jovens geralmente morrem quando atacadas. No fruto o principal sintoma é a exsudação gomosa oriunda da cavidade floral que o deixa deformado e com aspecto mumificado.

Controle: uso de variedade resistentes.

 

- Podridão-do-olho - Phytophttora xicotiana var. parasítica

Sintomas: as folhas mais novas que a folha “D” apresentam coloração que vai de verde-fosca a acinzentada mantendo, entretanto o ar verde normal das folhas mais velhas, ocorrendo posteriormente o apodrecimento e a morte da parte apical da planta a qual pode ser facilmente destacada.

Controle: plantio em camalhões com solos bem drenados e pulverizações com fosetil.

 

- Nematóides: Meloiologyne spp (galhas)

Pratylenchuss brachyurus (radículas)

Ratyleuchulus reniformes (reniforme)

 

Sintomas: formação de galhas, escurecimento de raízes devido às lesões necróticas e formação de emaranhados de radículas.

Controle: bom preparo do solo, rotação de culturas, adubação orgânica, variedades resistentes (trabalhos incipientes) e uso de nematicidas.

 

 

 

23.0 - Irrigação no abacaxizeiro

O abacaxizeiro necessita de 1000 a 1500 mm/ano de chuvas bem distribuídas, ressaltando-se que o período crítico está na fase da floração à colheita. Nas áreas onde a precipitação for inferior a 500 mm, recomenda-se o uso intensivo da irrigação. O momento de irrigar será determinado através de observações e em função dos estádios de desenvolvimento das plantas.

 

24.0 - Sistema de irrigação

 

24.1 - Irrigação por superfície ou por subsuperfície.

É a menos recomendada para o abacaxizeiro, posto que este sistema exige interferência no lençol freático afim de elevá-lo próximo ao sistema radicular, podendo ocorrer encharcamento em solos (terrenos) mal sistematizados e salinização, causando grandes danos a cultura.

 

24.2 - Irrigação localizada:

Neste sistema estão embutidos a micro-aspersão, gotejamento, tubo gotejador, micro-difusão e outros. Este é um sistema talvez mais utilizado, principalmente onde a água é pouco disponível e a mão-de-obra é limitada ou cara. Por necessitar de água limpa e filtrada e constante manutenção dos equipamentos, este sistema tem custo inicial mais elevado em relação a dispersão, entretanto, tem como vantagem o menor consumo e maior eficiência no uso da água, menor demanda de mão-de-obra, menor relação c.v./ha irrigado, melhor controle de água aplicada e menores perdas por exportação, se adapta bem nas diversas condições e permite a fertirrigação.

 

 

24.3 - Irrigação por aspersão

Nesse sistema compreende o pivô-central, autopropelidos e outros. É sistema de menor custo inicial que se adapta bem a cultura do abacaxi, haja vista, o aumento de absorção de água pelas plantas através das raízes advertências superiores.

Tanto no Brasil como em outros países produtores, o sistema de irrigação por aspersão é o mais utilizado nas áreas dos viveiros para produção rápida de mudas sadias e nas plantações que visam a produção de frutos destinados ao consumo natural, à indústria ou exportação.

 

25.0 - Colheita, acondicionamento e transporte

           

Na colheita, o operário segura o fruto com uma mão, e o pedúnculo é cortado 3 a 5 cm abaixo da base do fruto, de maneira que apenas dois a quatro (filhotes) sejam levados para servirem de embalagem natural do fruto (processo chamado sangria), sendo que as demais mudas permanecem na planta para uso como material de plantio. A operação é realizada manualmente sem nenhum tipo de ferramenta ou utilizando-se facões.

 Frutos destinados a mercados próximos, podem ser colhidos sem as mudas. O mesmo processo é feito no caso para cv. Smooth Cayenne, por falta de mudas e ter frutos mais fibrosos e mais resistentes.

A colheita inicia-se no 1o ano após 15 a 18 meses do plantio e no 2o ano próximo dos 12 meses. A forma de apresentação dos frutos a serem comercializados depende do destino dos mesmos, se para mercado interno, industrial ou exportação.

Os frutos devem ser colhidos em diversos estágios de maturação, de acordo com seu destino e a distância do mercado consumidor. Para a indústria os frutos devem estar totalmente maduros (casca mais amarela que verde), quando o teor de solos solúveis totais e o conteúdo de suco estão mais elevados. Destinados ao consumo “in natura”, os frutos devem ser colhidos “de vez”, quando os frutilhos achatados adquirirem coloração clara e a casca apresentar os primeiros sinais de amadurecimento.

Após a colheita, os frutos que serão exportados ou destinados a mercados internos mais exigentes, devem ir para galpões para posterior seleção quanto à qualidade e à sanidade, e classificado quanto ao tamanho peso e o grau de maturação.

            Para reduzir o risco de ocorrência de podridões durante o transporte e a comercialização, a parte do pedúnculo deve ser tratada com fungicida. Esse tratamento é imprescindível para frutos destinados à exportação. Pois, a presença de podridão-negra, acarreta a condenação de todo um lote.

Frutos destinados ao mercado interno e, em geral ao Mercosul são normalmente transportados a granel, mas é fundamental que haja uma boa circulação de ar entre as camadas de frutos.

O abacaxi destinado à exportação não deve permanecer em temperatura ambiente, além de 24horas após a colheita. Devem ser acondicionados em caixas de madeira ou papelão (as caixas apresentam fundo duplo com perfurações para fixação dos pedúnculos), na posição vertical sobre os pedúnculos, ou na posição horizontal, alternado-se, frutos e coroa, para permitir uma maior densidade dos mesmos.

O manuseio nas fazes de colheita e pós-colheita é um dos problemas da cultura do abacaxizeiro para fins de exportação, devido que, o mercado frutícola internacional só admitir produtos de qualidade. O fator qualidade está logicamente, associado à destinação do fruto. Consumo ao natural ou industrialização, determina as práticas culturais adotadas, tanto no cultivo como na colheita. Como vendem mais em função de seu tamanho, forma, cor, sanidade e odor, podem, por conseguinte, compensar maiores investimentos na sua produção.

 

26 - Ponto de maturação:

            Os frutos devem ser colhidos em estádio de maturação diferentes, de acordo com o seu destino e a distância do mercado consumidor. Quando destinado à indústria deve ser colhido maduro, tendo teor de sólidos solúveis elevados e maior conteúdo de suco. Frutos que serão colocados in-natura devem ser colhidos com os espaços entre os frutílhos estendendo-se e adquirindo cor clara, ou seja, ainda “de vez”. No caso de mercados locais ou regionais, frutos com até a metade da superfície amarela são, também, viáveis.

            Para uniformizar a coloração da casca, frutos que se encontram próximos ao estádio de maturação adequado para a colheita e a comercialização, podem ser submetidos a tratamento com produtos à base de Ethefon, utilizando-se 1ml a 2ml do produto comercial a 24% de Ethefon por litro de água. No caso da cv. Smooth Cayenne, esse tratamento pode ser feito por pulverização dirigida aos frutos, realizada cerca de quatro a sete dias antes da colheita. No caso da cv. Pérola é mais indicado efetuar o tratamento dos frutos por imersão, sem atingir a coroa, logo após a colheita, uma vez que o Ethefon não deve atingir as mudas tipo filhote, localizadas muito próximas do fruto. Esse processo não promove o amadurecimento interno do fruto e, portanto, não deve ser aplicado em frutos imaturos (verdes) porque, nesse caso, embora a casca adquira coloração amarela, não estarão no ponto ideal de maturação para consumo, apresentando acidez elevada e baixo teor de sólidos solúveis. O tratamento pós-colheita dos frutos com Etefon, em câmaras de armazenamento, provoca a descoloração das coroas, não sendo recomendado.

 

27.0 - Uso do abacaxizeiro

Da planta do abacaxizeiro, 25% é representado pelo fruto cujo destino, a maior parte da produção brasileira, é o mercado interno consumo “in natura” (60 a 65%), ou restante destinado às indústrias onde são processados para compota, na forma cristalizada, suco e geléia.

Na industrialização são gerados como sub produtos o álcool, ácidos cítricos, málico e ascórbico, e a bromelina.

Do caule e das folhas também é extraída a bromelina, além do que, estas partes da planta podem ser usadas na alimentação animal e para a produção de fibras utilizadas na confecção de cordas e similares.

 

28 – Indústrias implantadas na região do Triângulo Mineiro

 

São três indústrias em Araguari, três em Canápolis-MG, duas em Monte Alegre-MG e uma em Tupaciguara-MG.

 

29 - Principais países produtores

 

A Ásia com 55% da produção mundial continua sendo a principal zona de produção, com destaque para a Tailândia que com dois milhões de toneladas é o maior produtor mundial isolado, seguida das Filipinas (1,5 milhões de toneladas) e Brasil (1 milhão de toneladas), outros grandes produtores são a China, África do Sul, Costa do Marfim, Cuba e Camarões.

 

 

 

 

30 - Manejo da soca

            A cv. Smooth Cayenne é mais apropriada para exploração da soca do que a Pérola, pois possui capacidade superior para a formação de frutos com pesos adequados, além de ser menos susceptível a perdas de frutos por tombamento.

            A soca exige manejos similares àquele recebido pelas plantas do primeiro ciclo, sobretudo no que se refere a adubação, irrigação e aos tratos fitossanitários. Em geral, as quantidades de adubos, podem ser reduzidas à metade das doses fornecidas no primeiro ciclo. Recomenda-se parcelar a adubação em duas aplicações, realizando a primeira antes da amontoa, e a segunda cerca de um mês antes do tratamento de indução floral.

            A infestação da área por plantas daninhas é normalmente pequena, dada a grande cobertura vegetal existente. Algumas capinas manuais são suficientes para o seu efetivo controle. Os demais tratos culturais são semelhantes ao primeiro ciclo da cultura. Embora a produtividade da soca, tenda a ser inferior a do primeiro ciclo, a sua rentabilidade pode ser similar àquela do primeiro ciclo, pois o seu custo de produção é também inferior.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

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Abacaxi: cultura, matéria-prima, processamento e aspectos econômicos / Júlio César Medina, et. All. 2ª ed. Revisão e ampl. Campinas, ITAL, 1987.

 

Choairy, S. A; Oliveira, E. F. O; Fernandes, P. D. Estudos de épocas de plantio e de indução floral em abacaxizeiro Pérola. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília, V. 29, n. 1, p. 73-79. Jan. 1994.

 

Cunha, G. P. A; Cabral, j. r. s; Souza, J. R. S. O abacaxizeiro – Cultivo, Agroindústria e Economia. EMBRAPA Mandioca e Fruticultura. Brasília – DF, 1999.

 

Ferrão, J. E. M. Abacaxizeiro – Fruticulturas tropical – Espécies comestíveis. Instituto de investigação científica tropical. Missão de macau em Lisboa. 1999.

 

Manica, I; Fioravanco, J. C; Barradas, C. I. N; Kist, H; Vione, G. F. Indução do florescimento e produção do abacaxizeiro cv. Smooth Cayenne. Pesquisa Agopecuária Brasileira. Brasília, V. 29, n. 1, p. 81-86. Jan. 1994.

 

Manica, I. Fruticultura Tropical: 5. Abacaxi / Ivo Manica. Porto Alegre: Cinco Continentes, 1999. 501 p.

 

REINHARDT, D H; SILVA, L, F; CABRAL, J, R, S. Abacaxi. Produção: aspectos técnicos. EMBRAPA Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA). – Brasília: EMBRAPA Comunicação pa Transferência de Tecnologia, 2000, 68 p.